terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O Brasil acabou

CIA e PCC unidos
Nelson Barbosa

O senado hoje deverá cumprir mais um acordo com temer de jogar a pá de cal nos sonhos de um país livre e justo.

E o STF deverá garantir a outra parte no acordo do golpe recebendo entre os togados a tal pá de cal.

Apaguem as luzes, o país acabou.

Está na hora de virar a página e aderir ao golpe?

Jorge Linden

Humberto Costa, senador petista eleito por Pernambuco, disse que "está na hora de virar a página".

Ele propõe esquecermos o golpe e negociarmos com os golpistas. O que haveria de ser negociado, ele não esclarece. O raciocínio não deixa de ser interessante: vamos "virar a página" e, como consequência inevitável, cassar o mandato do senador.

Pergunta final: o que leva um petista, um petista de verdade, a conceder uma entrevista à Veja?

Qual é o jogo do PT?

Lewandowski, Cardozo, Caiado e Magno Malta

Não sou petista, nunca fui. Mas, como qualquer brasileiro de esquerda, olho com atenção o que acontece no PT, já que ele ainda é, apesar de todo o desgaste, a principal legenda do campo popular no país.

Com o PT no governo, criticava-se a política tímida, a acomodação à ordem, a baixa intensidade utópica, o enfrentamento insuficiente dos privilégios históricos. Seus defensores diziam que era o preço a pagar para conquistar avanços seguros - e não me encontro entre os que julgam que tal argumento não merece atenção. Mesmo assim, o governo caiu. Caiu apesar de tanta cautela ou por causa dela? Uma boa discussão, que ainda vai ser travada por muitos anos.

Mas, enquanto travamos essa discussão, há outro ponto que não pode ser descuidado, que é a resistência ao golpe. É aí que o PT, ou parte dele, está emitindo sinais estranhos. A infeliz entrevista de Humberto Costa foi só o mais gritante deles.

Não sei em nome de quem o senador falou. Acho improvável que um líder político, mesmo sendo o Humberto Costa, vá dar uma entrevista daquela sem medir as consequências e sem se sentir lastreado para tanto. Nem é o componente simbólico de ter falado à Veja ou o brado por autocrítica pela corrupção, que pode ser razoável em abstrato mas tem sentido claro no concreto. O ponto é a clara sinalização em favor da “responsabilidade”, da “união”. O que se lê na entrevista é: vamos superar as mágoas, vamos esquecer o golpe, vamos nos dar as mãos para “salvar o Brasil”. Um discurso que podia ser do Temer.

Esse é o jogo do PT? A entrevista foi um ponto fora da curva, ma non troppo. Em dezembro, quando se abriu a crise entre Senado e STF, o senador Jorge Viana deixou claro que não queria ocupar a presidência da casa, que não queria se colocar em posição de atrapalhar a tramitação da PEC que congelou o investimento social. Há menos de um mês, a escolha das mesas tanto da Câmara quanto do Senado expôs o fato de que, para boa parte das bancadas, a luta contra o golpe está longe de ser prioridade. A direção do PT tem vacilado, mas algumas vezes é empurrada pela militância e faz – suaves, é verdade – esforços para impedir que os parlamentares saiam demais da linha.

Tem oportunismo, tem covardia. Mas parece que parte do PT se converteu mesmo ao pensamento único. Acha mesmo que tem que cortar gasto social, cortar direitos, endurecer as regras da previdência. Quem sabe até privatizar a água, como mostrou hoje um dos quatro deputados estaduais petistas do Rio. É uma parte que parece estar vendo no PT pouco mais do que um rótulo de fantasia para a disputa política.

Lula também emite sinais ambíguos. É alvejado pelos golpistas dia sim, dia também, mas parece que aquele troço de “paz e amor” entranhou nele. Aqui, faz um discurso aguerrido contra o golpe; ali, solta seu beneplácito para negociações de bastidores com os apoiadores de Temer. É o candidato dos pesadelos da direita para 2018, mas até agora não sinalizou, nem uma única vez, que entendeu que, se voltar à presidência, não poderá repetir a política de apaziguamento que colocou em marcha nos seus dois mandatos.

O PT mudou muito ao longo da sua história. O PT que chegou ao poder já era muito diferente daquele que tinha sido fundado pouco mais de 20 anos antes. Mas parece que agora uma grande parte dele não consegue mais se transformar. O partido que pode somar para a resistência democrática certamente não é o mesmo que exerceu o poder. A parte do PT que não entende isso trabalha objetivamente contra, e não a favor do movimento popular.

Espero que a militância do PT, que está entendendo o sentido do golpe muito melhor do que muitos de sua liderança, predomine dentro do partido.

Caju, o historiador do Senado

O historiador do Senado
Bernardo Mello Franco

Na semana passada, o senador Romero Jucá apresentou uma proposta ousada. Ele queria mudar a Constituição para impedir que os presidentes da Câmara e do Senado sejam alvo de investigações.

Os ocupantes dos dois cargos atendem pelos apelidos de "Botafogo" e "Índio" na lista da Odebrecht. Se o texto fosse aprovado, eles poderiam tatuar o nome da empreiteira na nuca com a certeza de que jamais seriam incomodados pela polícia.

Para azar da dupla, a manobra veio à tona antes da hora e teve que ser abortada. O Congresso escapou de mais um vexame, mas Jucá não se convenceu de que a ideia era imprópria. Nesta segunda (20), ele subiu à tribuna para reclamar do episódio.

"Parece que estamos vivendo o período da Inquisição. Alguém gritava 'ele é um bruxo', e em uma semana estava na fogueira", protestou.

Os senadores não pareceram sintonizados com a Idade Média, e Jucá improvisou um salto na história. "Estamos vivendo a Revolução Francesa. Um 'J'accuse' levava as pessoas sumariamente para um tribunal do povo e para a guilhotina", discursou.

A lembrança de Robespierre não foi capaz de comover o plenário, e o senador arriscou uma última comparação: "Estamos vivendo a época do nazismo. Diz-se que um político é judeu. Então a Gestapo, o grupo de extermínio, toma conta dele".

Como candidato a historiador, Jucá é um grande presidente do PMDB. Se ele estiver mesmo interessado no ofício, poderia começar com um tema mais contemporâneo: seu famoso diálogo com Sérgio Machado.

O líder do governo Temer poderia esclarecer, por exemplo, por que defendeu o impeachment como a única saída para "estancar a sangria". Ele também teria a chance de explicar como funcionaria um acordo nacional "com o Supremo, com tudo".

Na tribuna, o senador preferiu deixar essa aula para depois. "Nós só vamos comentar isso no processo. Não vou comentar aqui, porque investigação se faz nos autos", desconversou.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pau pra toda obra


Alexandre Frota liga pra Luana Piovani:

— Alô, Luana.
— Aqui é o Alexandre...
— Ministro! Que honra! Parabéns pela indicação ao Supremo!
— Não é o Alexandre de Moraes, é o Alexandre Fro...
— Ministro, vamos acabar com essa quadrilha! Coragem! Eu te ajudo!
— Luana...
— Coloca essa gentalha na cadeia! Eles assaltaram a Petrobrás! Acaba com a Bolsa Miséria, com a Lei Luanê. Acaba com o PT, com o Lula, com o Maduro, com o Fidel Castro, com o...
— Luana...
— Desculpe, Ministro! É que estou com os nervos à flor da pele. As seis babás dos gêmeos pediram demissão juntas. Ainda querem receber por trabalhar de madrugada. Onde esse país vai parar? Eu pago os meus impostos! Eu pago os meus impostos!
— Luana...
— Desculpe, Ministro, eu tô nervosa. Desculpe, desculpe.
— Luana, você tá fazendo confusão, princesa. Aqui é o Alexandre Frota.
— Alexandre o que?
— Alexandre Frota, o ator e ativista. Vamos montar um partido?
— Ahã?
— Já criei até o slogan: "Pau pra toda obra".

Tu— tu— tu— tu— tu— tu

Só vai haver eleição em 2018 com a esquerda inteira na cadeia

Claudio Daniel

VOCÊS ACREDITAM, SINCERAMENTE, que os golpistas brasileiros investiram dinheiro comprando juízes, deputados, senadores, colocaram toda a imprensa a serviço do golpe, usaram a Polícia Federal e a Polícia Militar para a prisão e repressão de opositores, desmontaram o nosso incipiente estado de bem estar social, direitos sociais e trabalhistas, com apoio dos Estados Unidos e de Israel, para depois entregarem o poder à esquerda em 2018? Vocês juram que acreditam mesmo nisso?

Brasil terá, com Temer, a pior aposentadoria do mundo


247Se Michel Temer conseguir aprovar sua reforma da Previdência nos termos atuais, o Brasil entre os países com regras mais rígidas para aposentadoria. Pela proposta do governo, quem contribuir por menos de 25 anos não terá direito a se aposentar mesmo que alcance a idade de 65 anos. A justificativa do governo para a reforma é o aumento da proporção de idosos em relação à de jovens. No entanto, mesmo países que já passaram por essa transição demográfica têm regras mais flexíveis. Na OCDE, grupo dos países mais desenvolvidos do mundo, um trabalhador consegue o benefício integral após contribuir em média por 44 anos. O que, no Brasil, só passaria a ser possível após 49 anos. O tempo mínimo para ter acesso a algum percentual da aposentadoria também é menor. Na Alemanha, por exemplo, são exigidos cinco anos e nos Estados Unidos, dez.


"Hoje, brasileiros se aposentam após contribuir por 30 anos (mulheres) ou 35 anos (homens). Quem não consegue atingir essa regra pode se aposentar por idade (mulheres de 60 anos e homens de 65 anos), desde que tenha contribuído por 15 anos.

'Exigir um mínimo de 25 anos de contribuição é muito rígido. Se você contribuir por 20 anos e não ganhar nada, isso quer dizer que todas as suas contribuições foram puramente impostos', diz Hervé Boulhol, responsável pela área de aposentadoria da OCDE.

'Você deveria poder receber algo proporcional ao seu tempo de contribuição.'

'O risco que corremos em diminuir esse tempo mínimo é não ter uma redução da taxa de reposição', diz Luis Eduardo Afonso, professor da USP especialista em Previdência Social."


O misto de ingenuidade e burrice do PT

Imbecilidade

Ridículo

Idiotice
Leandro Fortes
CANTO DA SEREIA

Gosto do senador Humberto Costa e admiro a história política dele. Mas não posso deixar de lamentar que ele, como outros petistas, continuem caindo na esparrela de frequentar o esgoto da Veja, na vã expectativa de serem aceitos por quem os odeia e despreza.

É um misto de ingenuidade e burrice, algo inaceitável no estágio da luta política em que vivemos.

O mesmo já aconteceu com José Eduardo Cardozo, quando era ministro da Justiça, e com o senador Paulo Paim - este último, foi às páginas amarelas da semanal da Abril anunciar que iria deixar o PT.

E ficou no partido, um vexame duplo.

Essa atração fatal pela mídia está na origem da ruína do PT, desde o primeiro governo Lula, quando esse oligopólio maldito poderia ter sido destruído - mas, pelo contrário, acabou sendo alimentado, nutrido e agigantado.

E deu no que deu.

O Estado de Direita no Brasil

Dois PMs em suas motos (Estado de direito no Brasil?)

por Dalmoro

Em um Estado de direito todos estão subordinado às leis. Ainda que a lei garanta certas distinções - um policial pode andar armado, um "cidadão de bem" ou um "bandido", não -, via de regra, as normas são gerais: não matar, por exemplo, serve tanto para o "bandido" quanto para o "cidadão de bem" quanto para o "policial", ou deveria servir. Falo em assassinato, mas meu exemplo é mais singelo.
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Estou em uma das principais e mais movimentadas ruas de um bairro de classe média-alta da região central da principal cidade do país, no meio de uma tarde calorosa. Lenta e tranquilamente se aproximam do cruzamento dois policiais militares em motos da corporação - devem ser da Rocam, penso, esqueço de averiguar. Um deles conversa, ao que tudo indica, ao celular - pelo tom, pela forma como não termina as frases, pelo longo parlatório com quem está do outro lado da linha, definitivamente não parece que está a falar pelo rádio com a central. Pelo que me consta, infração gravíssima, sete pontos na carteira e R$ 293 de multa ao PM. Próximo à faixa de pedestres, o sinal fecha para os veículos e abre para os perdedores, digo, pedestres (meu caso). Com todos os veículos parados, e como pedestre deve respeito à vaca sagrada motorizada, os militares não se dão ao trabalho de respeitarem o vermelho que brilha para eles e atravessam assim mesmo (nova infração gravíssima) e, sem dar seta, fazem uma conversão proibida.

Pelas regras de trânsito, os guardiões da lei e da ordem que passeavam em suas motos como se estivessem num domingo no parque, em míseros três minutos, deveriam pagar ao estado mais de R$ 1600 em multa, sendo que um deles deveria, ademais, entregar sua carteira de habilitação, estourada em quatro pontos os vinte permitidos. Isso, claro, se vivêssemos num Estado de direito (oxalá fosse ainda por cima democrático). Entretanto, como o paradigma vem de cima... quando temos um presidente golpista (um constitucionalista que desrespeita a constituição), um governador que autoriza e estimula execuções extra-judiciais dos seus subordinados, um deputado-pastor que estupra, ameaça e segue lépido e faceiro ganhando seu salário e as contribuições de seus fiéis "cristãos", um capitão da PM que em julgamento fala em mandar o advogado para a vala [http://bit.ly/2lwJY3y], ou casos muitos de promotores e juízes que fazem o que querem, à revelia da lei, e se safam com uma carteirada, esperar do militar rés-do-chão o exemplo de cumprimento da lei beira o contrassenso. Mais: o que é infração de trânsito a uma polícia que só na cidade de São Paulo assassinou 412 pessoas em 2015, um em cada quatro assassinatos registrado na capital [http://nao.usem.xyz/ack4]?

A imbecilidade no Braziu tem um passado de glórias e um futuro promissor

Marco Antonio Araujo

Não bastasse o linchamento que pessoas obscuras e deprimentes impuseram a Chico Buarque, agora é a vez de um monumento literário como Raduan Nassar servir de pasto para ruminantes babarem comentários repletos de indigência mental e analfabetismo político.

Às gargalhadas, esses imbecis condenam nosso país ao mais miserável fracasso. Eles simplesmente não dão valor à inteligência - são capazes até de eliminá-la fisicamente.

Passou da hora de colocar a ignorância no seu devido lugar. E não será com argumentos que conseguiremos isso.

Chega. Porra.

Bloqueie quem te agride!

Bloqueie quem te agride! Uma coisa é o debate de ideologias, outra é permitir agressões, calúnias e difamações sobre suas convicções políticas. Não pense que essas agressões acontecem por acaso, o Brasil conta hoje com grupos pagos para gerar medo no debate político.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Echoes

David Gilmour & Rick Wright
★ Echoes ★ Live

Freire agrediu Nassar para não ser demitido

Alex Solnik

Desde a fatídica sexta-feira em que cometeu a grosseria e protagonizou o vexame internacional de atacar o escritor Raduan Nassar que chamou o governo Temer de golpista durante a cerimônia de entrega do Prêmio Camões, a agenda principal do ministro da (in) Cultura, Roberto Freire, tem sido justificar-se e reincidir nos ataques, em vez de reconhecer o erro e pedir desculpas ao escritor, ao menos por respeito aos mais velhos.

O mais recente, em que confirma seu estilo "bateu, levou", consagrado, em 1992, pelo assessor de imprensa do presidente Collor está na "Folha" de hoje:

"Quem fala o que quer ouve o que não quer".

Essa insistência em justificar o injustificável e tentar impor a sua versão ao repeti-la ad nauseum (e bota nauseum nisso) dá o que pensar.

A primeira conclusão é que chamar o governo Temer de golpista ainda incomoda. E, se incomoda, é porque a pecha está cada vez mais viva e atual. O governo nasceu de um golpe parlamentar, derrubando uma presidente que tinha maioria de votos no país, mas não no Congresso sob pretextos forjados e continuou nessa trilha ao impor ao país uma agenda de supressão de direitos trabalhistas e sociais que não fizeram parte da proposta da chapa Dilma-Temer durante a campanha eleitoral. O golpe não se esgotou. Está em marcha. Só não se sabe para onde.

A segunda é que o conceito de democracia vem se esgarçando a olhos vistos desde o golpe. Não fosse assim, uma opinião desagradável ao governo não precisaria ser contestada: críticas são absorvidas normalmente num regime democrático. Nem o ministro alegaria naquele momento que "permitimos que ele dissesse o que quisesse". Numa democracia plena não é necessário pedir permissão para criticar.

A terceira conclusão só pode ser compreendida à luz da primeira reunião ministerial de Temer, na qual ele instruiu seus ministros a reagirem imediatamente a qualquer menção a governo golpista, viesse de onde viesse, e de que forma:

"Golpista é você, que está contra a Constituição".

"Não vamos levar desaforo para casa. Não podemos deixar uma palavra sem resposta".

"Se é governo, tem que ser governo".

Freire ainda não era ministro, mas não se esqueceu das instruções. Reagiu ao discurso civilizado de Nassar com uma voadora no peito por medo de contrariar as determinações de seu chefe.

É isso. Freire sentiu que, se as palavras de Nassar repercutissem mais que as suas o risco de perder o emprego seria enorme. Ele precisava deixar claro de que lado está. Do lado dos golpistas, é claro.

Daí a necessidade de voltar ao tema todos os dias. Daí a necessidade de mostrar todos os dias que é um aluno obediente da Escolinha do Professor Temer.

Freire sabe que este pode ser o último bom emprego de seu crepúsculo político. Daí o seu apego à cadeira.

Nas últimas eleições a deputado federal por São Paulo não conseguiu mais que a sétima suplência e só chegou à Câmara dos Deputados graças a manobras de seu santo protetor Geraldo Alckmin – como me alertou meu colega e seu ex-companheiro de PCB, Juca Kfouri.

E bota "ex" nisso: atualmente, Juca nem atende seus telefonemas.

Atom Heart Mother



Pink Floyd - Atom Heart Mother Live@Théâtre du Chatelet HD

Orchestre Philharmonique de Radio France with Ron Geesin

Jugband Blues



A salada do golpe desandou

Jorge Linden

Por mais que caprichassem na elaboração e execução, algumas pontas do golpe não se encaixaram. E a salada desandou! Onde era para aparecer Aécio ou Alckmin, surgiu Bolsonaro. É impensável para todos os envolvidos, da política, da mídia ou da FIESP, ficar na contingência de ter que apoiar Bolsonaro para evitar Lula. Neste momento, é o dilema da direita. E é esse dilema que leva Reinaldo Azevedo a chamar a Joice Hasselmann de "loira de banheiro".

Michel Temer e Roberto Freire discutem mudanças no Prêmio Camões de Literatura


Michel Temer conversa com Roberto Freire sobre mudanças no Prêmio Camões de Literatura.

— Roberto, que papelão, francamente!
— Ah, desculpa, eu não aguentei, presidente...
— Estou me referindo àquele escritorzinho comunista.
— Ah, sim, o Raduan. Um oportunista, mau caráter.
— Ganhou 100 mil euros da gente e ainda reclama?
— Pois é, presidente, não se pode confiar nunca num comunista.
— Chamei você aqui porque quero fazer algumas mudanças nesse prêmio.
— O senhor manda.
— Vamos começar pelo nome. Quero prestigiar um autor nacional. Alguma sugestão?
— Prêmio Gabriel Chalita?
— É um grande nome, mas ele está com o Haddad agora.
— Que tal Prêmio Merval Pereira de Literatura?
— Ele tem livro publicado?
— Acho que não, mas é membro da Academia Brasileira de Letras.
— Ótimo! A Globo vai adorar. Quero também acrescentar uma nova categoria. Cota pessoal.
— Que categoria seria essa?
— Livros pra colorir. A mãe da Marcelinha quer concorrer. A velha até que tem bom gosto com as cores, sabia?
— Posso imaginar, presidente.

Hipocrisia


Luis Fernando Verissimo

O ministro Celso de Mello tem razão. O ministério dado pelo Temer ao Moreira Franco em nada se parece com o cargo que a Dilma queria dar ao Lula. A principal diferença é que o Temer inventou um ministério exclusivamente para acolher o amigo. Alvejou duas coisas com um decreto só: a ética e a austeridade propagada pelo seu governo. O codinome do Moreira Franco na Polícia Federal é “Angorá”, e Temer o tratou com o carinho que só um bicho de muita estimação merece. O que não deixou de ser bonito, como qualquer manifestação de amizade.

Na sua sentença, o ministro Celso de Mello disse que o foro privilegiado presenteado ao Moreira Franco não impede que ele sofra processos. Esqueceu-se de mencionar que o foro privilegiado beneficia os investigados com a protelação dos processos, o que, na maioria dos casos julgados pelo Supremo, resulta em prescrição ou repasses a instâncias inferiores, ou o desaparecimento. Matéria publicada no GLOBO sobre o assunto, há dias, mostra que a condenação de julgados com foro especial ocorre em apenas 0,74% dos casos. Menos de um por cento! Não se acuse o respeitável ministro Celso de Mello de hipocrisia. Hipócrita é o sistema que permitiu que se chegasse a essa deformação.

Minha anedota favorita: há anos fez muito sucesso um bolero chamado “Hipócrita”. Um bêbado entra numa boate onde se apresenta um cantor. A plateia pede insistentemente que o cantor cante o bolero da moda, gritando “Hipócrita!”, “Hipócrita!”, “Hipócrita!”. O bêbado salta da sua cadeira e também começa a gritar “Filho da mãe!”, “Cretino!”. Está bem, a anedota não é tão boa assim. Eu só queria dizer que quando se começa a chamar até um sistema judiciário de hipócrita, outros epítetos virão. Vivemos hoje, no Brasil, à beira de um cinismo terminal, que aumenta cada vez que um Jucá, um Padilha, um Eunício Oliveira, um Rodrigo Maia um etc. abre a boca. A desmoralização da classe política no Brasil levará algumas gerações para ser sanada, no futuro.

Mas talvez nosso futuro não seja o desejado. Jair Bolsonaro vem aí. Ele foi o segundo colocado, depois do Lula, numa pesquisa recente sobre intenção de voto em 2018. Bolsonaro presidente? Impensável, claro. Como a eleição de Trump nos Estados Unidos. Que você viva em tempos interessantes é o que os chineses desejam ao pior inimigo.

A reação da mídia ao crescimento de Lula nas pesquisas

Leandro Fortes
FLACTOS

Passados quatro dias da pesquisa CNT/MDA, que aponta a vitória de Lula, em todos os cenários, para 2018, a reação da mídia, até aqui, não poderia ter sido mais patética.

Como a Lava Jato não ofereceu a solução de sempre - prender petistas para tirar o foco do noticiário -, a mídia, primeiro, tentou ignorar o fato. Sinal de que as redações ainda estão cheias de gente velha e cabeçuda que ainda não entendeu a força e a dimensão das redes sociais.

Quem buscou a solução mais radical foi a Revista ISTOÉ, que foi catar no hospício um químico de araque para atacar Lula e o PT. É uma dessas investidas do esgoto jornalístico brasileiro que ninguém nem lê, mas se diverte só de saber o tamanho do desespero dessa gente.

Agora, a Folha de S.Paulo aparece com um "orientador de carreira" da Odebrecht para o filho de Lula.

Orientador de carreira.

Nesse caso, ao que tudo indica, o repórter confundiu o candidato.

Quebradas pelos agentes americanos, empreiteiras brasileiras colocam tudo à venda

Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, em dificuldades financeiras após a Lava Jato, se desfazem de ativos importantes e buscam compradores para negócios como o estaleiro EAS e as empresas Loma Negra e São Lourenço; a Andrade pretende ser só construtora daqui em diante, enquanto a Camargo quer se tornar holding de investimentos

247 - Deixando a Operação Lava Jato com dívidas, demissões e obras paralisadas, as empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez têm colocado ativos importantes à venda nos últimos meses, aponta reportagem do Estado de S.Paulo neste domingo 18.

As empresas, acusadas de participar do esquema de corrupção na Petrobras, buscam compradores para negócios como o estaleiro EAS (Atlântico Sul) e as empresas Loma Negra (cimenteira) e São Lourenço (saneamento).

A Andrade pretende ser só construtora daqui em diante, enquanto a Camargo quer se tornar holding de investimentos. Há ainda na lista de vendas hidrelétricas e estádios.

Governo refém (2)


sábado, 18 de fevereiro de 2017

"QUANTO É" publica mais uma mentira contra Lula


Esta semana, mais uma vez, a revista Isto É, conhecida em círculos jornalísticos como "Quanto É", publicou na sua capa uma mentira contra o ex-presidente Lula. Desde que aconteceu o golpe, a revista Isto É foi uma das publicações que teve os maiores aumentos proporcionais de verbas governamentais. A publicidade do governo federal no semanário subiu 340% desde que Michel Temer, eleito pela revista "O Brasileiro do Ano", chegou ao poder. Dinheiro dos seus impostos. Ou seja: o novo governo federal corta na saúde, na educação, mas multiplica os recursos para uma revista mentirosa que ataca Lula porque ele aparece nas pesquisas vencendo a eleição de 2018, e para espalhar propagandas onipresentes defendendo corte de direitos dos trabalhadores e aposentados e mudanças no ensino para os jovens.

A revista já publicou sandices como a de que Lula teria uma mansão no Uruguai (loucura desmentida até pelo global Alexandre Garcia, que odeia Lula) e de que Lula teria recebido dinheiro vivo, todas acusações inventadas e absolutamente sem provas. Desta vez, ouve uma pessoa sem equilíbrio ou credibilidade, com uma história maluca, sem checar ou ouvir o outro lado e joga declarações sem base ou prova em sua capa para tentar difamar Lula. Difamação paga com recursos públicos que o governo diz estarem em falta.

Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula

O que significa retirar História, Sociologia e Filosofia e Geografia da grade obrigatória do ensino?

Claudio Daniel

O que significa retirar História, Sociologia e Filosofia e Geografia da grade obrigatória do ensino?

1) enfraquecer a formação cultural, a consciência política, a visão crítica e os direitos de cidadania dos jovens brasileiros;

2) aumentar o índice de desemprego dos professores, sobretudo na rede pública;

3) reduzir a escola ao papel de formação básica sobretudo para cursos técnicos;

4) enfraquecer os cursos universitários da área de humanas, que poderão ter menos alunos, já que a perspectiva profissional será reduzida;

5) golpear o movimento estudantil e os sindicatos de professores;

6) emburrecer mais e mais a sociedade brasileira, para que ela aceite passivamente o projeto de destruição nacional.

Conheça o demente Davincci Lourenço, fonte da revista Quanto É para atacar Lula



Conheça melhor o doente mental usado pela Quanto É em seu Facebook

A direita xucra em frenesi


É curioso ver Reinaldo Azevedo em brigas. Muda o adversário, mas o roteiro que ele segue é sempre o mesmo. Zero em originalidade.

Desta vez, o alvo foi a jornalista Joice Hasselmann, com quem ele conviveu algum tempo na falecida TV Veja.

Num vídeo, ela o acusou de ter mudado. Joice pareceu especialmente magoada com uma expressão que Azevedo usou para designar o pessoal que vestia camisa verde-amarela e ia para as ruas contra Dilma: direita xucra.

Joice feriu com um vídeo e com outro vídeo foi ferida. Azevedo foi o mesmo Azevedo de todas as polêmicas.

O que ele sempre faz:

1) diz que não acompanha o trabalho do oponente, num gesto de desprezo superior. “Um amigo me mandou e blablablá”.

2) se autolouva loucamente. Na resposta a Joyce, disse que é ouvido por “40 milhões” de pessoas na Jovem Pan.

Antes, fazia questão de dizer que inventara a palavra “petralha”, “dicionarizada”. Pelo menos até onde vi em seu vídeo dirigido a Joyce, ele não reivindicou a autoria de “petralha”, talvez porque a palavra caiu em desuso.

3) Desce às minúcias para se promover e rebaixar o outro. Joice disse que ele estava ao lado dela nas manifestações contra Dilma.

Ele corrigiu, irritado ao ponto de chamá-la de louca e maluca mais de uma vez: era ela que estava a seu lado.

Qual a diferença entre uma coisa e outra? Ele deixa claro que tem a precedência porque é o “Reinaldo Azevedo” e Joice uma desconhecida até ser chamada para a TV Veja.

A Veja deu a ela “visibilidade”. Verdade. Joice era conhecida apenas regionalmente, no seu Paraná de origem.

Mas um momento: não ocorreu o mesmo com ele próprio? Azevedo era um jornalista de segunda linha até que a Veja lhe deu notoriedade como blogueiro.

Enfim, são aqueles três os pontos centrais invariavelmente de Azevedo nas polêmicas.

De resto, era presumível mesmo que a direita, depois de atingido o objetivo comum de derrubar Dilma, se dividisse.

É nesse quadro que o conflito entre Joice e Azevedo deve ser entendido.

A direita está em frenesi diante do confronto. Rodrigo Constantino logo tratou de se manifestar. Tomou o partido de Joice.

Azevedo mudou mesmo, de acordo com Constantino. Virou um “tucano”.

Num texto publicado no Facebook, Constantino informou até o número de visualizações de cada vídeo até o momento. Vitória de Joice: 80 mil acessos contra 20 mil.

Constantino notou ainda que Azevedo desativou comentários em seu vídeo.

Nem aí Azevedo surpreendeu: em seu blog ele deleta qualquer comentário que não seja favorável.


Conheço pouco de Azevedo, e quase nada de Joice. Mas o que sei é o suficiente para dizer que, essencialmente, os dois se merecem. São ícones, os dois, da direita xucra.

Mendonça Filho confirma que HAVERÃO mudanças no ensino médio



Prepare seu coração

Palmério Dória

"Prepare seu coração pras coisas que eu vou contar. Eu venho lá do sertão e o resultado da última pesquisa pode não lhe agradar."

(Lula)

Fantasia de otário está em promoção

Lula Marques

Galera tem promoção do uniforme dos coxinhas patéticos. Vamos sair no carnaval fantasiado de Otários!!!!
Humberto Capellari

Morena de Angola (remix)

Coxinha gabola que tem o rabo entuchado / com a panela
Será que ele bate a panela pro rabo piscar / com essa balela
Será que ele vai batucar a panela e xingar / os mortadela
Será que a ficha caiu e restou enfiar a / velha panela


No reino do PMSDB

Weden Alves

Hoje Temer anunciou a promulgação da lei que permitirá a venda de terras brasileiras a estrangeiros, uma medida que nenhum país desenvolvido autorizaria. Também hoje Doria anunciou o corte de 700 mil crianças do Programa de fornecimento de leite, coisa que nenhuma nação civilizada faria; e ainda hoje Roberto Freire agrediu Raduan Nassar, em plena entrega do Prêmio Camões, atitude que ninguém de caráter ousaria.

Youtuber de Temer é a cara do golpe

Luis Felipe Miguel

​Só a ingenuidade nos faz sentir espanto ao ver que o youtuber de Temer é caricatamente racista, misógino e homofóbico. Essa é a alma do golpe, cujo projeto é revogar tudo, absolutamente tudo que conseguimos produzir de avanço civilizatório de 1500 até hoje.

Um tuíte do rapaz é interessante: aquele em que ele acusa os nordestinos de "pensar com a barriga" e por isso votar em Dilma. Por que "pensar com a barriga" e votar de acordo é tamanho pecado? O burguês que pensa com o bolso e subordina sua ação política às vantagens que pode obter é louvado como um modelo do eleitor racional. Mas do pobre se exige um altruísmo sem par. Ele deve ignorar seus próprios interesses em nome do "bem comum" que - fatal coincidência! - é o bem dos que o exploram.

Há muito o que criticar nos governos do PT. Dizer que eles adotaram políticas que falaram à barriga dos mais pobres é o melhor elogio que se pode fazer a eles.

A direita está certa

Marco Antonio Araujo

É tão simples, o Raduan Nassar, o Chico Buarque, o Valter Hugo Mãe, o Antônio Cândido, a Marilena Chauí, a Letícia Sabatella, o Wagner Moura e toda a fina flor da inteligência e artes brasileiras (fora os agregados de peso internacional) estão errados.

E o Alexandre Frota, o Lobão, o Marcelo Serrado e o Kin Takategori estão certos.

Ó, cêis golpistas tão de parabéns. E assim vão permanecer, pelo visto.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Golpista Temer deu 65 mil para YouTuber homofóbico, misógino e racista defender "reforma" do ensino médio


Um vídeo no YouTube que explica "tudo que você precisa saber sobre o ensino médio" já tem mais de 1,6 milhão de visualizações. Com conclusões positivas sobre a reforma, o material tem a aparência de espontaneidade, mas trata-se de publicidade disfarçada do MEC (Ministério da Educação).

O governo Michel Temer pagou R$ 65 mil para o canal Você Sabia falar bem da reforma. Comandado por dois jovens, o canal no YouTube conta com 7,1 milhões de assinantes.

No vídeo, publicado em 31 outubro de 2016, os youtubers Lukas Marques e Daniel Molo explicam benefícios da reforma. "Com esse vídeo você aí deve estar dando pulo de alegria. Se eu tivesse que fazer o ensino médio e soubesse dessa mudança eu ficaria muito feliz", diz um deles.

Nada no vídeo diz que se trata de conteúdo pago. Pelo contrário. "A gente achou o tema bastante interessante, uma galera [estava] discutindo nas redes sociais, e então falamos: deixa com nós que a gente explica direitinho", reforça um deles no final.

Justiça: o ministério que não faz falta

Weden Alves

Desde que o Careca do Barco da Orgia saiu do Ministério da Justiça, cargo que jamais assumiu de fato, há um vácuo neste elo da Esplanada. Hoje Velloso disse não. Há umas três semanas o país não tem um ministro da Justiça. E o mais incrível é que até agora ninguém se deu conta. Ninguém sentiu falta. Mesmo durante a Revolta contra o Arrocho que levou 140 vidas embora no Espírito Santo. Uma sugestão para o Suposto: Governo Golpista não precisa de Ministério da Justiça. Seria uma contradição em si mesma. É melhor economizar.

Isso lembra a história de um panaca da Ditadura brasileira que perguntou a um presidente boliviano, "por que cargas d'água, um país sem mar tem Ministério da Marinha". E recebeu como resposta outra pergunta: "Pelo mesmo motivo que o Brasil tem Ministério da Justiça".

É só pra constar.


O intelectual Raduan Nassar e o político hipócrita Roberto Freire

Claudio Guedes 

O intelectual e o político hipócrita.

Hoje, 17/02, ao receber o prêmio Camões, o escritor Raduan Nassar usou o espaço que tinha direito para fazer um pronunciamento político. Intelectuais fazem política à sua maneira e aproveitam os momentos em que são homenageados para soltarem "o verbo". É praxe, é da democracia.

Em seu discurso de apenas duas páginas, concluído com a frase "O golpe estava consumado. Não há como ficar calado", Raduan fez uma dura crítica à política no país. Matéria do UOL/Folha traz os detalhes do discurso e da reação que provocou no representante do governo ao evento.

O primeiro criticado por Raduan foi o ex-ministro da Justiça Alexandre de Moraes. Ele acusou Moraes de ser o responsável pela invasão de escolas ocupadas, pela prisão recente de Guilherme Boulos e de "violência contra a oposição democrática" que se manifesta nas ruas.

"Esta figura exótica agora é indicada ao Supremo Tribunal Federal", disse o autor. "Esses fatos configuram por extensão todo um governo repressor. Governo atrelado ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração de riqueza."

"Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal", afirmou o autor, criticando ainda a decisão do STF que permitiu a Moreira Franco virar ministro.

"Em sua decisão, o ministro [Celso de Mello] acrescentou um elogio superlativo a Gilmar Mendes por ter barrado Lula para a Casa Civil. Dois pesos e duas medidas."

Raduan ainda elogiou a ex-presidente Dilma, a quem chamou de íntegra. "Não há como ficar calado", concluiu.

Roberto Freire, ministro da Cultura e presidente do PPS, não gostou do que ouviu. Sempre deselegante, quase sempre grotesco, resolveu repreender o homenageado. Primeiro ao inverter a ordem dos discursos, pois a norma é o homenageado encerrar o evento. Sempre. É da liturgia urbana, civilizada. Depois por contestar o discurso do homenageado em termos inapropriados.

A festa era do intelectual, que tem o direito de se manifestar da forma que quiser. "Permitimos que o agraciado dissesse o que quisesse e imaginasse", rebateu Freire, que ainda qualificou o protesto de Raduan como "histriônico".

Um homem pequeno, um medíocre, Roberto Freire, se julga um poderoso da República. Observem os termos: "Permitimos que o agraciado ...". Por que um intelectual premiado precisaria da permissão dele para dizer o que pensa sobre o momento do país?

Por quê?

É a lógica dos golpistas, dos que escracharam a democracia no país. Freire dirige um pequeno partido, que foi criado no desaparecimento do Partidão, e o transformou em linha auxiliar dos tucanos paulistas. É cúmplice e sócio destes nas artes & artimanhas que permitem a manutenção de longa hegemonia em SP e posição relevante no país.

Hoje mostrou sua face desprezível, querendo censurar o pronunciamento de um intelectual aclamado.
Roberto Freire e seus defensores são figuras que não merecem respeito, são a face sórdida da hipocrisia dominante no país.

As vaias que recebeu no Museu Lasar Segall são a prova que ele "et caterva" cada vez enganam menos as pessoas.

Capacho, Roberto Freire vive da desonestidade

Luis Felipe Miguel

Estive com Roberto Freire uma ou duas vezes, décadas atrás, quando era da juventude do antigo PCB. Ele era uma estrela em ascensão, mas não deixava boa impressão - ruim no trato com as pessoas, vaidoso em excesso, algo grosseiro. Mas era reconhecidamente um cara inteligente. Pouco mais tarde ficaria claro que sua "flexibilidade" na prática política era só oportunismo e falta de princípios.

A estrela em ascensão se tornou um velho político decadente, pronto a encarar qualquer serviço sujo em troca de um cargo. Freire e o PPS vivem da desonestidade, vendendo uma desgastada chancela de "esquerda", que julgam que seu passado autoriza, a políticos de direita.

Não sei se a vaidade permanece - deve ser difícil sustentar a vaidade ganhando a vida como capacho. A inteligência certamente foi embora. Poucas coisas são mais estúpidas do que a nota que o Ministério da Cultura lançou hoje contra Raduan Nassar.

O corajoso discurso do escritor é apresentado como "prática do Partido dos Trabalhadores em aparelhar órgãos públicos". Protestos contra o golpe são "ataques para tentar desestabilizar o processo democrático". O fato de que o Ministério da Cultura é um dos patrocinadores do prêmio Camões é enfatizado na nota, dando a entender que se trata de um cala-boca, que deveria comprar o silêncio dos galardoados. A nota revela o mais absoluto desprezo pela democracia e pela cultura.

Já Helena Severo, que colabora com o governo golpista na condição de presidente da Biblioteca Nacional, refugiou-se na conversa de que "não era um momento de luta política, era a entrega de um prêmio literário". Não convence, mas é menos vexatório do que a nota de seu chefe. 

Ponto para Raduan Nassar, que sabe que a cultura não pode ficar alheia à luta pela democracia.

Ao denunciar o golpe, Raduan lava alma do Brasil

Raduan Nassar: 'Vivemos tempos sombrios'


Em seu pronunciamento na entrega do Prêmio Camões de literatura, o escritor critica o golpe, o governo Temer e o STF; leia íntegra


O escritor Raduan Nassar, autor de Lavoura Arcaica, recebeu nesta sexta-feira (17/02) o Prêmio Camões, concedida pelos governos de Brasil e Portugal e um dos principais reconhecimentos da literatura em língua portuguesa.

Após o discurso do escritor, o ministro da Cultura do governo Michel Temer, Roberto Freire, se irritou e criticou Nassar, chamando-o de "histriônico" e dizendo que "quem dá prêmio a adversário político não é a ditadura".

Freire chegou a sugerir que o escritor deveria ter recusado o prêmio. Durante sua fala, o ministro foi vaiado e ouviu gritos de "Fora, Temer!" (leia mais aqui).

Leia, abaixo, a íntegra do discurso de Raduan Nassar:


"Excelentíssimo Senhor Embaixador de Portugal, Dr. Jorge Cabral.

Senhor Dr. Roberto Freire, Ministro da Cultura do governo em exercício.

Senhora Helena Severo, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

Professor Jorge Schwartz, Diretor do Museu Lasar Segall.

Saudações a todos os convidados.

Tive dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri. De todo modo, uma honraria a um brasileiro ter sido contemplado no berço de nossa língua. 

Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido pela imprensa, escritores e meios acadêmicos lusitanos.

Portanto, Sr. Embaixador, muito obrigado a Portugal.

Infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil.

Vivemos tempos sombrios, muito sombrios: invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo; invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes; invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados; a prisão de Guilherme Boulos, membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua. Episódios todos perpetrados por Alexandre de Moraes.

Com curriculum mais amplo de truculência, Moraes propiciou também, por omissão, as tragédias nos presídios de Manaus e Roraima. Prima inclusive por uma incontinência verbal assustadora, de um partidarismo exacerbado, há vídeo, atestando a virulência da sua fala. E é esta figura exótica a indicada agora para o Supremo Tribunal Federal

Os fatos mencionados configuram por extensão todo um governo repressor: contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim. Governo atrelado por sinal ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro.

Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal.

Prova da sustentação do governo em exercício aconteceu há três dias, quando o ministro Celso de Mello, com suas intervenções enfadonhas, acolheu o pleito de Moreira Franco. Citado 34 vezes numa única delação, o ministro Celso de Mello garantiu, com foro privilegiado, a blindagem ao alcunhado “Angorá”. E acrescentou um elogio superlativo a um de seus pares, o ministro Gilmar Mendes, por ter barrado Lula para a Casa Civil, no governo Dilma. Dois pesos e duas medidas

É esse o Supremo que temos, ressalvadas poucas exceções. Coerente com seu passado à época do regime militar, o mesmo Supremo propiciou a reversão da nossa democracia: não impediu que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados e réu na Corte, instaurasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado.

O golpe estava consumado!

Não há como ficar calado.

Obrigado".

(Publicado originalmente em Carta Capital)

Discurso de Raduan Nassar contra o golpe irrita ministro da ditadura

Discurso de Raduan Nassar contra Temer durante prêmio literário irrita ministro da Cultura



O que era para ser uma homenagem à sua obra foi transformado pelo próprio escritor em um pequeno e contundente ato de protesto. Com isso, despertou reações acaloradas não só do público presente, mas sobretudo do ministro ignorante e golpista de Cultura Roberto Freire, presente no ato ao lado do embaixador de Portugal no Brasil, Jorge Cabral, e de Helena Severo, presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

O discurso de Raduan foi forte, ainda que breve. Depois de confessar “dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri” e agradecer a Portugal, o escritor disse que “infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil” e que “vivemos tempos sombrios, muito sombrios”. Sua fala fez menção a episódios recentes da agitada vida política nacional, como a “invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo”, a “invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados” e a “violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua”. “Episódios perpetrados por Alexandre de Moraes”, a quem o escritor se referiu como “figura exótica indicada agora para o Supremo Tribunal Federal”. Ao STF, Raduan dirigiu duras críticas, questionando a nomeação do ministro Moreira Franco, citado na Operação Lava Jato, e recordando, por comparação, o imbróglio em torno da nomeação de Lula à Casa Civil em 2015.

As reações dos presentes foram imediatas e se acirraram quando, depois da fala de Jorge Cabral, o ministro golpista e ignorante Roberto Freire deixou de lado o discurso que trazia impresso para “lamentar”, como disse, o ocorrido. “O Brasil de hoje assiste perplexo a algumas pessoas da nossa geração, que têm o privilégio de dar exemplos e que viveram um efetivo golpe nos anos 60 do século passado, e que dão exatamente o inverso”, reagiu. Diante de gritos e vaias e da interrupção da sua intervenção algumas vezes por alguns dos presentes, o ministro reagiu dizendo que “é fácil fazer protesto em momentos de governo democrático como o atual” e que “quem dá prêmio a adversário político não é a ditadura!".

Diante da declaração de Freire de que “é um adversário político do Governo recebendo um prêmio do Governo que ele considera ilegítimo”, escritores presentes no evento ressaltaram que o Prêmio Camões 2016 foi anunciado em maio de 2016, quando o impeachment golpe ainda não havia sido concluído. “É preciso ressaltar que ele aceitou o prêmio em maio do ano passado, quando o Governo ainda era o de Dilma Rousseff”, destacou Milton Hatoum. Segundo o escritor amazonense, autor do premiado romance Dois irmãos, entre outros, o governo atual “adiou por muito tempo a entrega desse prêmio, justamente por medo dessa repercussão”. No meio, o discurso político de Nassar – que se manifestou contra o impeachment anteriormente – já era esperado por todos.

Ao final da premiação, muitas pessoas procuraram Raduan Nassar para parabenizá-lo pela honraria e também por suas palavras. Discreto, Nassar, à sua vez, conclui que “não há como ficar calado”.

Pânico no covil dos ratos golpistas

INSÔNIA GENERALIZADA EM BRASÍLIA
Francisco Costa

Parte por vídeo postado pelo deputado Paulo Pimenta, parte por um telefonema, fiquei sabendo que há pânico no covil dos ratos.

Ontem o STF negou Habeas Corpus a Eduardo Cunha, o bastante para o Caranguejo lançar o aviso: não vou ficar preso sozinho, mais uma vez insinuando que Temer é o chefe de uma quadrilha e pode cair, arrastando todo mundo.

Parte do plano do Zoião Ungido, para fazer pressão, ele homologou documento denunciando todas as falcatruas praticadas na Caixa Econômica Federal, descritas nos mínimos detalhes, e pedindo para que MT, o MiShell, e Angorá, o Moreira Franco, sejam arrolados como testemunhas, algo assim como testemunhas de defesa de si mesmos.

Houve reunião de figurões, tarde da noite, num entra e sai de velório de famoso, no Alvorada, a ponto de acordarem ministros do STF, de madrugada, para em desespero implorarem “estudem um jeito de soltar o boca de matraca senão o governo todo vai preso”.

Para piorar a ardência nas hemorróidas das ratazanas, foi homologada uma delação premiada onde um empresário deixou Gedel Vieira Lima em condições de ter sua prisão preventiva decretada a qualquer momento, com Delzinho da imobiliária reagindo: “se me prenderem conto tudo o que sei”, chantageando os seus cúmplices.

O STF ficou com a bunda de fora: depois de ter negado um HC ao Caranguejo, se soltá-lo estará confessando: o STF brasileiro nada mais é que o departamento jurídico do Planalto.

Se não soltá-lo... Bem, vou acreditar que essas seitas fundamentalistas fazem milagres mesmo, Dudu Cunha vai sair de figura execrada a herói nacional, por ter derrubado um governo ilegítimo, usando só a língua, órgão sexual que os antigos usavam para falar.

A receita para destruir um país


Há três formas de destruir um país. As duas primeiras são por meio da guerra e de catástrofes naturais. A terceira, a mais segura e certa de todas, é entregando seu país para economistas liberais amigos de operadores do sistema financeiro.

Em todos os países onde eles aplicaram suas receitas de "austeridade", a recompensa foi a pobreza, a desigualdade e a precarização.

Alguns países, como a Letônia, vendido por alguns como modelo de recuperação bem-sucedida, viu sua população diminuir em quase 10% em cinco anos, algo que apenas as guerras são capazes de fazer.

Ou seja, o preço para essa peculiar noção de sucesso foi expulsar quase 10% da população para refazer suas vidas em outros países.

No Brasil, não faltou economista a eleger, meses atrás, o Espírito Santo como um modelo de ajuste econômico e responsabilidade fiscal. O mesmo Espírito Santo que tem números piores do que média nacional (retração de 13,8% até o terceiro trimestre de 2016) e que há algumas semanas simplesmente entrou em colapso, virando uma zona de anomia em meio à greve de policiais. Não poderia ser diferente.

No mundo desses senhores não existe gente, não se levam em conta reações populares a medidas econômicas, muito menos experiências de sofrimento social e revoltas políticas contra processos de pauperização vendidos como "remédios amargos, porém necessários".

Outros tantos desses economistas encheram as páginas de jornais e tempo de televisão para levar a sociedade brasileira a acreditar que, conduzindo Michel Miguel à Presidência, a "confiança" dos mercados daria o ar de sua graça e, com ela, viria a estabilidade.

Bem, nos últimos dias, o Banco Mundial divulgou uma análise segundo a qual espera que, até o final do ano, 3,6 milhões de pessoas voltem à pobreza no Brasil. Para ser mais claro, 3,6 milhões de pessoas verão seus rendimentos caírem para menos de R$ 140 por mês.

Isso em um cenário no qual o Brasil tem a maior taxa de capacidade ociosa da indústria dos últimos 70 anos, já que não há mais compradores para seus produtos.

Se somarmos a isso a reforma da Previdência, a limitação de investimentos estatais para guardar dinheiro a fim de pagar os mais de R$ 400 bilhões em serviços da dívida pública, a proposta de terceirização irrestrita e o colapso do sistema brasileiro de serviços públicos teremos um cenário simples: o Brasil foi destruído pelas políticas implementadas desde a guinada neoliberal do governo Dilma. O próximo passo será a imigração em massa dos que puderem, normalmente os mais bem formados.

Enquanto isso, uma parcela da população aplaude tudo, já que acredita ficar imune à degradação econômica nacional.

Essa mesma parcela julga-se hoje detentora de alguma forma de superioridade moral que faria calar os descontentes com este governo.

No entanto, que as coisas sejam ditas de forma clara: eles nunca estiveram nem estão, de fato, preocupados com julgamentos morais.

Os mesmos que gritam contra corruptos do antigo governo sempre votaram e continuaram votando em políticos notoriamente corruptos, continuaram calados diante de casos gritantes de corrupção neste governo, como ficaram calados quando, nesta semana, o STF publicou uma decisão inacreditável e criminosa para permitir o gato Angorá, vulgo Moreira Franco, com suas citações na Lava Jato, ocupar um ministério.

Nada estranho, já que o problema deles nunca foi a corrupção, e sim a luta contra políticos com os quais eles não se identificam. O discurso contra a corrupção era apenas uma grande farsa, senão produziria ações simétricas contra toda classe política brasileira.

Julgamentos morais não aceitam usos estratégicos. Quem usa moral de forma estratégica é um "moralista da imoralidade". Na verdade, essas pessoas são atualmente cúmplices de um governo cuja única preocupação é se blindar e escapar da cadeia. Até porque, Michel Miguel e os seus não governam, eles têm coisas mais urgentes para fazer.

Enquanto tentam salvar a própria pele, terceirizaram o Brasil para gestores da catástrofe.

Cagaço toma conta do Palácio do Planalto

A CASA CAIU

Assista ao vídeo onde o deputado Paulo Pimenta fala sobre o clima de terror que tomou conta do Palácio do Planalto nas últimas horas. De acordo com informações de um ministro que foi convocado às pressas para uma reunião à noite no Planalto as perguntas enviadas por Cunha, na solicitação de que Michel Temer seja testemunha no processo que apura pagamentos de propinas na CEF, já é uma ' delação premiada'. Até mesmo Ministros do STF foram acionados durante a madrugada.



A sentença a la carte nas decisões do Supremo

por J. Carlos de Assis

O Supremo Tribunal Federal acaba de inventar a sentença a la carte, ou sob medida. A lei que se aplica a Lula não é a mesma que se aplica a Moreira Franco. Os fatos fundamentais são os mesmos, ou seja, uma suposta tentativa de fugir da justiça de primeira instância e ganhar foro privilegiado como ministro de Estado, mas a decisão difere em razão da personalidade do paciente da ação. Os detalhes jurídicos são de menor importância. Para a opinião pública, estamos diante de um esbulho do sistema jurídico hipertrofiado.

O que impressiona em tudo isso é que a decisão relativa a Moreira Franco parece bem fundamentada. O chefe do Executivo tem todo o direito de nomear seus ministros independentemente de sua condição jurídica. É uma prerrogativa. A Justiça que se vire para transformar o acusado em réu, e réu em condenado. Um simples indiciado em processo criminal merece, em todos os sistemas civilizados, o benefício da presunção de inocência. O grande problema é: por que esse mesmo princípio não se aplicou a Lula?

É claro que, no caso do ex-Presidente, o Supremo cometeu um ingerência espúria em outro Poder da República. Pessoalmente, não acredito que a nomeação de Lula teria alterado muito o curso da história tendo em vista as forças formidáveis que se juntaram em favor do impeachment. Contudo, pelo menos em tese, poderia ter havido uma mudança de rumo. Nessa hipótese, uma decisão ilegal do Supremo favoreceu descaradamente o impeachment em favor de um partido, concorrendo para a instabilidade em que ainda nos encontramos.

O que fazer quando a Suprema Corte viola as bases constitucionais que deveria proteger? Se o derretimento de sua credibilidade se acrescenta ao derretimento inequívoco da credibilidade do Executivo, do Legislativo, do Ministério Público, estamos diante de uma situação que, nos livros textos, prenunciam uma revolução. É uma perspectiva terrível, pois nada seria pior para o Brasil do que uma nação fisicamente dividida, sem perspectiva de regeneração das instituições republicanas e totalmente afastada de um pacto nacional.

Anos atrás escrevi um livro, “O Atentado da Nova Era”, no qual considerava que na era nuclear a única estratégia possível para países nuclearizados era a busca da paz, tendo em vista os efeitos da dissuasão. E afirmava, no que diz respeito a conflitos internos em nações com elevado grau de industrialização, que neles havia uma espécie de segundo nível de dissuasão, tendo em vista os terríveis estragos domésticos que o armamento dito “convencional”, aplicado no conflito, poderia causar a pessoas e propriedades.

A despeito disso, quando nos confrontamos com a ruptura institucional de cima para baixo, muitos tem uma espécie de nostalgia revolucionária. Entretanto, temos que resistir a isso. A revolução líbia instigada pelos Estados Unidos (Hillary Clinton) mostrou que um país, mesmo armado de fora para dentro e sem uma estrutura industrial interna, pode ser totalmente destruído em situações revolucionárias. O mesmo aconteceria com o Egito, não fosse a reação dos militares; e o mesmo acontece com a Síria, a despeito da intervenção russa.

O Supremo atual é o escárnio, assim como o Executivo e o Legislativo. Nossa única salvação é a busca de legitimidade do poder civil que seja capaz de restaurar as instituições republicanas. Falo em eleição direta em 2018, mas falo também na possibilidade, ainda que remota, de uma eleição indireta antes disso, ancorada num processo que garanta a plena legitimidade do que vier a ser eleito para completar o mandato de Dilma mediante um grande pacto político. Não é nada fácil. Mas o pior seria uma intervenção militar ou uma guerra civil.
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