quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Dilma e Doria


Frederico de Almeida

Na minha humilde opinião, há uma diferença muito grande entre a ovada em Dória e os escrachos aos quais foram submetidas algumas lideranças petistas ou personalidades de esquerda nos últimos anos.

Ao levar a ovada certeira, Dória era um homem público, em local público e em evento público. Estava bem protegido por sua entourage política e de segurança, longe de sofrer constrangimento físico e moral direto por parte dos autores do protesto.

Mantega, Padilha, entre outros, foram achincalhados em locais ou situações privadas (restaurantes, hospitais, aguardando voo em aeroporto, etc). Em geral, estavam sozinhos ou sem equipes políticas ou de segurança, foram cercados por grupos de achincalhadores e confrontados cara-a-cara, sofrendo ameaças de agressão física e xingamentos diretos.

Além do mais, a ovada - assim como o arremesso de tomates e tortas de creme - é um ato mundialmente conhecido de protesto político. Ovo não machuca, assim como não machucam bolinhas de papel. Assim também como as vaias, que vitimaram a então presidenta Dilma em um estádio de futebol - também ali, uma pessoa pública em um ato público. A diferença é que as vaias contra Dilma vieram acompanhadas de grosseria e misoginia. Mas há quem ache que ovo é fedido e grosseiro também, além de aumentar o colesterol, então deixo essa aparentemente pequena diferença de lado para lembrar que a ovada contra Dória é tão legítima quanto as vaias (e somente as vaias, excluída a misoginia, se é que é possível separar as coisas) contra Dilma. E para lembrar que àquela ocasião Dilma reagiu com a elegância e a serenidade que o cargo lhe exigia e a situação lhe impunha. Coisas da vida pública.

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