segunda-feira, 31 de julho de 2017

O Brasil segue se suicidando. Ou sendo suicidado.


O Brasil se suicidando... e segue a farsa...
Bob Fernandes

O Brasil segue se suicidando. Ou sendo suicidado. Há um ano, em nome do combate à corrupção, corruptos tomaram o Poder. Foi, como se viu, se vê e se vive, uma Farsa.

Não se duvide das boas intenções de muitos que à época manifestaram. Mas não se duvide, também, da ingenuidade. E da hipocrisia e cinismo.

Resta agora ressentimento, perplexidade, desencanto... E silêncio. Por constrangimento, vergonha, ou cumplicidade.

Na quarta-feira, 2, a Câmara tem denúncia para julgar, contra Temer. Que, para tentar salvar-se, só com deputados e emendas já torrou R$ 4 bilhões.

Seguem manchetes e comemorações sobre Lava Jato e combate à corrupção -a passada. E seguem governo e ministros - do presente - atolados em denúncias de corrupção.

Um ano depois do impeachment, três anos de Lava Jato, e o procurador Carlos Fernando, candidamente, admite e diz:

-Muitos queriam o fim do governo Dilma, e não da corrupção...

...Isso enquanto a Polícia Federal cobra: falhas nas delações da Odebrecht, acordo esse feito por procuradores, dificultam a obtenção de provas.

Provas têm sido vistas como mero detalhe. À Folha o juiz Moro defendeu o uso de “provas indiretas” no caso Lula. Leia-se: condenação sem a existência de prova cabal.

Isso enquanto o silêncio vai enterrando notícia cabal: quatro meses depois de já ser ministro da Fazenda, Meirelles recebeu R$ 50 milhões em contas no exterior.

Parte disso pagos por Joesley Batista.Temer, Chefe de Meirelles, diz que Joesley é “bandido notório”. Joesley diz que Temer é Chefe de “organização criminosa”.

E segue o silêncio... Porque o tal “Mercado”, suas vozes, porta-vozes e manchetes não querem riscos para o dinheiro grande.

Só 10 das empresas citadas na Lava Jato demitiram mais de 600 mil funcionários ou terceirizados. Na chamada “cadeia de petróleo e gás” sumiram 3 milhões de empregos...

...Mas qualquer observação a respeito será vista como “oposição à Lava Jato”.

Os que tomaram o Poder precisam mantê-lo, a a qualquer custo, após 2018. Eleição ainda sem regras. E sem projeto algum para o país, que segue sendo suicidado.

Álibi de consciência

Leandro Fortes

Acusar o eleitor de Dilma de ter votado em Temer é o mesmo que acusar vegetarianos de matar vegetais, apena para justificar o fato de comer carne de animais mortos.

Você sabe que é um argumento idiota, mas apega-se furiosamente a ele para não admitir que, ao se vestir de trouxa verde-amarelo, tem culpa direta por essa merda toda que aí está.

Políticos não têm interesse em combater a corrupção, diz Moro


Grande verdade disse Mr. Moro: políticos corruptos blindados por juízes corruptos não combatem a corrupção. Muito pelo contrário

Azevedo x Dallagnol. A Ferrari dourada e a corriola de asnos


Por Armando Rodrigues Coelho Neto

Não defendo pena de morte nem sociedade armada. Fui favorável à Bolsa Família, médicos cubanos para desassistidos, defendo direitos humanos, a inclusão social de pobres, negros, índios, homossexuais, sentenciados - seja por cota ou bolsa. Acolhi o perdão de dívidas ao Haiti, acho que o Brasil é um coração de mãe que pode abrigar refugiados. Creio que polícia não poder intervir em problemas de saúde pública e, finalmente, sem encerrar meu rol de aleivosias, digo que no meu carro não tem adesivo “Bandido bom é bandido morto”.
Portanto, se existe uma onda de ódio não parte dos políticos, partidos ou ideias que defendo. O ódio está no seio daqueles que, em nome de Deus ou do diabo, aclamam a sociedade primata, fazem apologia a torturadores e me perseguem por minhas ideias.

De qualquer forma, já não sei se estou imune a esse ódio catalisado por Aécios, Bolsonaros, Marinhos e Malafaias da vida. Não me é clara a ideia de que o que penso ou escrevo traz a marca da serenidade. E me dei conta disso quando uma leitora desse GGN disse ver ódio quando falei da sepultura do Temer, do exílio de Aécio e da prisão de Sérgio Moro. Embora não com o sentido que ela deu, já não posso me declarar isento e isso ficou mais real depois que Sérgio Moro, após quebrar empresas nacionais, declarou guerra aos pobres do Brasil com base em sua discutível idiossincrasia. Para ele, Lula é ladrão, mas como não conseguiu provar, em sua arrogante sentença consta que Lula ocultou, “ainda que de forma singela”, o produto do crime.

Moro parece não distinguir metáfora, bravata ou assertiva. Protestou contra a Folha de S. Paulo por haver dado espaço a um articulista que o criticou. Tratou como ameaça as opiniões de pessoas, constrangeu blogueiro. Quis arrancar de Lula o que ele tentou dizer com essa ou aquela frase em discursos políticos. É como se num julgamento político de um político, o discurso político não fosse defesa. É como se não conseguisse distinguir um arroubo de uma ameaça real, um aplauso fascista de uma vaia democrática. Em suma, é como se não existisse distinção entre um diploma de Doutor Honoris Causa de uma universidade conceituada e um troféu mequetrefe entregue por sonegadores remidos ou não da família Marinho. E o mais grave: como se não houvesse diferença entre aplicar o Direito e fazer Justiça.  

Há algo errado comigo, pois não consigo me alinhar aos que aplaudem os barnabés que em tese estariam contra a corrupção. Isso equivaleria a estar defendendo a corrupção. E, corrupção hoje é PT. Assim o quis Moros, Marinhos, Malafaias. Mas, quanto mais chafurdam o submundo da corrupção menos PT aparece e mais se revela a sociedade que eles próprios defendem. É como se Aécio, Temer, Odebrecht, Joesleys, Batistas, Cunhas e a agora também a família Charter fossem filiadas ao Partido dos Trabalhadores ou fossem de esquerda. E aí, eu que não sou PT nem aceito rótulos, sou obrigado a escolher um lado e como sempre votei com o estômago do povo e vivi mais de três décadas dentro da Polícia Federal, não posso sucumbir à farsa ou a hipocrisia imposta pela dita grande mídia.

Escrevo em estado de calamidade púbica (Clarice Lispector) e por isso me perco buscando configurar o perfil dessa gente “do bem”, defensora dos homens de bem ou de bens (a segunda parte não me está clara), quando, além das contradições do Sérgio Moro, de repente me deparei com a arenga entre o golpista Reinaldo Azevedo e o procurador da República Daltan Dallagnol. Através do Azevedo, fiquei sabendo que o “Dr. PowerPoint”, que hoje desenvolve teorias para condenar o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, é fruto de uma teoria. Ele não tem a história normal de seus pares mesmo sendo concursado. Daltan Dallagnol virou procurador com base na teoria do “Fato Consumado”.

O pensamento dominante no STF é ou era, que a Teoria o “Fato Consumado” só seria aplicada em “situações excepcionalíssimas, nas quais a inércia da administração ou a morosidade do Judiciário deram ensejo a que situações precárias se consolidassem pelo decurso do tempo" (ministro Castro Meira no RMS 34.189). Outros supremos julgados dizem que a teoria visa “preservar não só interesses jurídicos, mas interesses sociais já consolidados, não se aplicando, contudo, em hipóteses contrárias à lei, principalmente quando amparadas em provimento judicial de natureza precária" (Eliana Calmon, REsp 1.189.485). Distorções dessa teoria correspondem ao prevalecimento do interesse pessoal em detrimento do coletivo, diz a melhor doutrina.

Como dito acima, tenho me perdido na configuração do perfil dessa gente que está “moralizando” o país. Com base em fontes supostamente confiáveis, Azevedo disse que Dallagnol não preenchia os requisitos legais para assumir o cargo. A lei exigia três anos de experiência, mas ele recém-formado prestou concurso e entrou na Justiça, tendo como advogado o próprio pai. De posse de uma liminar, recurso daqui e dali... Pronto: fato consumado! Não houve “In dubio pro societate”.

Segundo a imprensa, o tal procurador, que criminalizaria as palestras de Lula, estaria vendendo parte do que faz por meio de palestras, nas quais a cereja do bolo é a Farsa Jato, que ele trata por outro nome. Se for verdade, é como se ganhasse duas vezes pelo trabalho, sem contar o valor agregado pela mais valia da notoriedade. Nada mal para quem não precisa explicar os imóveis supostamente adquiridos com recursos lícitos, mesmo que construídos com recursos do Minha Casa Minha Vida, que obviamente não foi criado para atingir o público com o padrão de vida de Dallagnol.

Sem ódio, confesso que diante das sucessivas aberrações jurídicas e políticas que permeiam a vida nacional, temo que o STF declare o golpe como fato consumado. E aí não me surpreenderia que uma corriola de asnos desse de presente a Moro e Dallagnol a Ferrari dourada que falsamente atribuem ser do filho do ex-presidente Lula.


Desembargadora resgatou filho traficante da cadeia à revelia do juiz

Diário do Centro do Mundo 

Desembargadora tirou o filho pessoalmente da cadeia, à revelia do juiz 

Por Joaquim de Carvalho 

Breno sai da cadeia com a mãe, a desembargadora Tânia.

Em documento ao Ministério Público, o juiz de execuções penais de Três Lagoas, Rodrigo Pedrini, disse que o filho da desembargadora Tânia Garcia Freitas deixou a a cadeia com um mandado de prisão ainda em vigência.

Na prática, isso significa que a retirada dele da cadeia foi ilegal. E sabe quem foi buscá-lo, com um habeas corpus na mão?

A própria desembargadora, conforme imagens do circuito interno do presídio mostradas neste domingo pelo Fantástico, da TV Globo.

O filho da desembargadora Breno Borges, preso em flagrante com 130 quilos de maconha e muita munição, conseguiu dois habeas corpus, mas nenhum deles revogou um mandado de prisão preventiva decretado por conta da sua participação no plano de resgate do líder de uma organização criminosa do Estado.

O juiz da Vara de Execuções Penais disse que a desembargadora ligou para ele e insistiu que o filho fosse retirado da cadeia. Como ele se recusou, ela mesma foi até o presídio. “à revelia de manifestação deste magistrado”.

Confirmada procedência desta informação do juiz, os desembargadores do Tribunal teriam contribuído para um tipo de resgate com aparência de legalidade: tirar da cadeia quem tem ordem para continuar preso.

Em ofício ao Ministério Público, juiz relata pressão da desembargadora.

Um dos desembargadores que concedeu habeas corpus disse, em entrevista, que costuma soltar pessoas presas com droga, para que elas possa se tratar.

A comparação é indevida. Parece querer fazer crer que 130 quilos de maconha são para consumo próprio. Seria um recorde mundial.

O Ministério Público do Estado, que vinha se mantendo calado sobre a retirada de Breno da cadeia, disse que vai recorrer, para que ele deixe a clínica onde está internado, no interior de São Paulo, e volte para a prisão.

A internação, segundo o advogado de Breno, é para se tratar da Síndrome de Borderline, conforme atestado médico apresentado com o pedido de habeas corpus.

Breno é formado em engenharia, dono de empresas e levava uma vida de ostentação, conforme as fotos que ele mesmo postava na rede social. Já tinha passagem pela polícia, por porte ilegal de armas.

Breno foi preso com grande quantidade de munição de arma de uso restrito e 130 quilos de droga. Tudo apreendido.

Ao mesmo tempo, em cadeias de todo o Brasil, há condenados por tráfico com base na palavra de policiais, sem provas, como Rafael Braga, sem conta de 0,6 gramas de cocaína, como Rafael Braga, o Cara do Pinho Sol.

O caso do Mato Grosso do Sul é o retrato do que está acontecendo no País: setores do Judiciário se comportam como se estivessem acima da lei.

Não respeitam o teto constitucional e conseguiram ficar fora de todas as discussões sobre reforma da Previdência. Nesta e em outras. São intocáveis.

Um dos mais respeitados juristas do Canadá, Wayne MacKay, recomenda que os juízes não apenas tenham uma vida de rigoroso respeito às leis, mas também mantenham a aparência de que cumprem a lei.

“Um juiz, em nossa sociedade, mantém uma tênue posição: ele ou ela precisam ser como a mulher de César; ou se arrisca ao constrangimento e censura nas mãos da comunidade e da imprensa”.

Talvez os membros das altas cortes brasileiras tenham se dado conta de que já não há por aqui o risco do constrangimento, porque não há censura da comunidade e da imprensa.

Parafraseando Ruy Barbosa, que disse que a pior ditadura é a dos juízes, diante dos abusos o Judiciário hoje recorre-se a quem?

Os verdadeiros Demônios da Garoa



Denúncia contra Temer é infundada


domingo, 30 de julho de 2017

Sérgio Moro é um representante à altura dos tempos sombrios que estamos atravessando

Sempre lambendo as mãos de algum ladrão 
Claudio Guedes 

Moro, Sérgio.

É, de alguma forma, a cara, o retrato, de uma expressiva parte do país.

A entrevista dele hoje na Folha, 30/07, revela um juiz limitado intelectualmente, que se considera perfeito, que não erra. Quando levemente questionado em qualquer assunto mais polêmico busca um clichê barato para fugir à pergunta, tipo:

"Políticos não tem interesse em combater a corrupção".

O que significa? As leis que foram feitas pelos políticos e que estão à disposição da justiça não servem? Por que os juizes e os procuradores não usam o arsenal legal disponível para, de forma eficiente e discreta, agir em prol da sociedade? Por que a justiça no país é lenta, parcial e protege de forma acintosa o poder econômico? Por que o juiz Moro, um membro destacado do judiciário, não responde às questões postas pela realidade? A realidade é que se parte expressiva dos políticos é corrupta, é também verdadeiro que o poder judiciário, em grande parte, é ineficiente, elitista e mal preparado. Ou não é?

"O direito não é uma ciência exata".

Disse essa besteira (clichê típico do Almanaque Capivarol), ao se referir a inusitada intervenção que fez em processos de delações premiadas, atropelando a competência do MP, e estabelecendo uma pena máxima a todos os processos que os réus estavam respondendo. Algo que criou um paraíso para criminosos/delatores que, independentemente dos crimes, têm uma punição baixa e pré-fixada contanto que aceitem os termos (viciados?) dos acordos de delação. É o que temos visto nos processos da Lava Jato: criminosos com longa atividade, ricos, desfrutando da liberdade nas suas mansões ao entregarem, com provas débeis ou inexistentes, políticos "alvos" - alguns, pré-escolhidos - dos procuradores e do juízo.

"As pessoas tinham direito de saber a respeito do conteúdo daqueles diálogos."

Ao defender a divulgação dos diálogos de uma presidente da República com um ex-presidente. A lei proíbe que um juiz de primeira instância decida sobre o assunto. Mas o juiz Moro se coloca como um guardião do "direito das pessoas". Claro, direito esse dependente do seu livre escrutínio. A ele cabendo julgar o que as pessoas têm ou não direito de saber, uma vez que muitas gravações das investigações não foram por ele divulgadas. Um escárnio. Um juiz que acha que não precisa cumprir a lei. Ele é a lei.

Um medíocre, intelectualmente raso, um representante à altura dos tempos sombrios que estamos atravessando.

A nova música de Chico Buarque


“Tua Cantiga”

Quando te der saudade de mim
Quando tua garganta apertar
Basta dar um suspiro que eu vou ligeiro te consolar
Se teu vigia se alvoroçar
Estrada fora te conduzir
Basta soprar meu nome com teu perfume pra me atrair
Se tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço que eu te alcanço em qualquer lugar

Quando teu coração suplicar
Ou quando o teu capricho exigir
Largo mulher e filhos e de joelhos vou te seguir
Na nossa casa, serás rainha
Serás cruel talvez
Faz fazer manha, me aperriar
E eu sempre mais feliz
Silentemente vou te deitar
Na cama que arrumei
Pisando em plumas toda manhã
Eu te despertarei

Quando te der saudade de mim
Quando tua garganta apertar
Basta dar um suspiro que eu vou ligeiro te consolar
Se teu vigia se alvoroçar
Estrada fora te conduzir
Basta soprar meu nome com teu perfume pra me atrair
Entre suspiros pode outro nome dos lábios te escapar
Terei ciúme até de mim
No espelho a te abraçar
Mas teu amante sempre serei mais do que hoje sou
Com estas rimas não escrevi nem ninguém nunca amou

Se tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço que eu te alcanço em qualquer lugar
E quando nosso tempo passar, quando eu não estiver mais aqui
Lembra-te, minha nega, desta cantiga que fiz pra ti

A Venezuela não será um novo Chile


Leandro Fortes

À MODA CHILENA

Na Venezuela, o novo modelo de golpe midiático-judicial não pôde ser aplicado porque, antes de morrer, Hugo Chávez tomou duas providências cruciais: aparelhou o poder judiciário e politizou os pobres.

Goste-se ou não dessas medidas, elas estão na base da resistência do governo Maduro às investidas das mesmas forças reacionárias que derrubaram os presidentes de Honduras, Paraguai e Brasil - e se mantêm em armas contra todo governo que ouse ser popular, na América Latina.

Na Venezuela, diante da resistência do governo, a direita local apelou para a velha fórmula de asfixiar a economia, com redução artificial de oferta de alimentos e bens de consumo, para gerar o caos. Exatamente como fizeram com Salvador Allende, no Chile, no início dos anos 1970.

O resultado foi a ditadura genocida do general Pinochet e a entrega das riquezas chilenas a companhias dos Estados Unidos e da Europa.

Então, antes de condenar a reação de Maduro às manifestações financiadas por empresários fascistas, pense que, lá, como aqui, não tem ninguém preocupado de verdade com corrupção e liberdades democráticas.

O que os fascistas venezuelanos querem é colocar a mão de volta no oceano de petróleo que existe em baixo do país.

E voltar a passar os feriados em Miami.

Nunca fomos tão felizes


25/08/2010 
A geração do bem-estar

Com a economia a todo vapor e os avanços sociais no país, brasileiros descobrem que nunca foram tão felizes



1. A estudante de direito da PUC-SP Laís Pragana, 19 anos, diz que a família está tão bem que até o pai já pensa em fazer faculdade 

2. A motogirl Denise Cardoso, 27 anos, jamais ganhou tanto: de um ano para o outro, sua renda passou de R$ 1,8 mil para R$ 2,8 mil 

3. O executivo Sérgio Moryama, 38 anos, foi promovido porque sua empresa está quebrando recordes de vendas de planos de saúde 

4. A psicóloga Rochele Mendonça, 31 anos, viajou para o Exterior pela primeira vez porque pôde parcelar as passagens em suaves prestações 

5. O açougueiro José da Silva Batista, 32 anos, ganhou um aumento, comprou uma moto e agora planeja adquirir um carro 

6. O frentista Adriano dos Santos, 29 anos, arranjou um emprego novo e aumentou seu salário 

7. O eletricista Valdivino Coelho, 40 anos, conseguiu enfim comprar um terreno para construir a casa própria 

8. A atendente de telemarketing Daniela Martinez, 18 anos, juntou dinheiro e fez uma viagem para Londres. 

9. O advogado José Guilherme de Almeida, 55 anos, trocou um espaçoso apartamento no Rio de Janeiro por um imóvel maior ainda 

10. A estudante de medicina em Brasília Sarah Xavier, 24 anos, bancou a faculdade com uma bolsa do ProUni. Ela é o primeiro membro da família a fazer curso superior 

11. O empresário Luiz Marques dos Santos, 49 anos, ampliou sua loja de material de construção graças ao crédito farto 

12. A gerente de loja Karen Pizzoni, 37 anos, comprou casa, carro e viaja todo ano para o Exterior 

13. A gari Roberta Maria da Silva, 30 anos, comprou um celular para o filho de 15 anos e vai presentear a filha de 13 com um perfume caro 

14. A arrumadeira Ademárcia Lopes da Silva, 33 anos, vai trabalhar com o carro próprio e construiu sua casa 

15. O jardineiro Hamilton Morais de Oliveira, 42 anos, conseguiu comprar quatro motos com os R$ 900 que recebe por mês 

16. O pequeno empresário Sane Leite, 37 anos, estava falido em 2003, mas agora é dono de uma revendedora de carros que emprega 12 pessoas 

17. A cozinheira Govinda Lilamrta, 25 anos, tem uma filha (Nana, 5 anos) e está investindo em um curso de culinária e em aulas de inglês18. A executiva Hercília Ícara Oliveira, 22 anos, realizou em junho um sonho de vida: foi contratada por uma multinacional


O advogado José Guilherme Costa de Almeida, 55 anos, vai mudar de casa nos próximos dias. Com os ganhos em alta, ele decidiu trocar um confortável apartamento na Glória, no Rio de Janeiro, por um imóvel ainda mais espaçoso em Santa Tereza. O pequeno empresário Sane Leite, 37 anos, estava falido em 2003. Sem um tostão no bolso, conseguiu emprego na loja de carros de um amigo. Dois anos depois, comprou o negócio. Hoje, a revendedora em Sobradinho (DF) emprega 12 pessoas e o ajuda a sustentar cinco filhos de quatro casamentos. A estudante de medicina Sarah Xavier vai se formar no final do ano na Universidade Católica de Brasília. Ela é a primeira de sua família a concluir a faculdade – alcançou o improvável graças a uma bolsa do programa ProUni. A cozinheira Govinda Lilamrta, 25 anos, conseguiu em 2010 realizar um sonho antigo: começou a estudar inglês em uma escola particular de São Paulo. “E sou eu que banco o curso”, diz. A gari Roberta Maria da Silva, 30, está orgulhosa. Depois de economizar o ano inteiro, adquiriu um celular para o filho de 15 anos e agora planeja comprar um perfume para a filha de 13. Representantes de todas as classes sociais do País, os brasileiros listados acima vivem um momento singular: eles nunca foram tão felizes. Não são os únicos. Com a economia a todo vapor, o sentimento de bem-estar poucas vezes esteve tão presente na vida nacional (em inglês, essa sensação é chamada de “feel good factor”) e a avalanche de indicadores positivos faz supor que o otimismo vai durar muito tempo.

Mais, muito mais, AQUI

Que democracia é essa na qual temos que aturar um governo criminoso se ninguém o quer?

Prostituição política

Aldir Blanc

No momento em que escrevo, só 5% dos brasileiros aprovam o presifraude Temer. Que democracia é essa na qual temos que aturar um criminoso se ninguém o quer? Continua conspirando e subornando porque corrompe parlamentáveis prostituídos que o sustentarão desde que ele abra o cofre e as pernas para emendas (leia-se roubalheira). Enquanto isso, Meirelles mantém seu blablá tecnocrata do eixo Boston-Chicago. O “crescimento” anunciado está pertinho de zero e o desemprego beira os 15 milhões. A quadrilha Temer exibe todo tipo de miragem. Vi um gráfico subindo quase verticalmente na telinha, mas o número não conseguia encobrir a cascata: aumento de 0,09% em um treco otimista... O desgoverno fracassou em tudo. Deve propor nos próximos dias um plano de suicídio coletivo para o funcionalismo. Os ministros da Educação, Saúde, Trabalho, Agricultura e outros são o que Vó Noemia chamava de “cavalos vestidos”.

Conforme o terrível documento encaminhado por meu amigo Marcelo Chalreo, guerreiro na área de direitos humanos da OAB-RJ, trocam-se as vidas de índios, quilombolas, populações ribeirinhas e outros bestializados pelo entreguismo ao agronegócio, às formas mais perigosas de mineração, à devastação ambiental. O nome disso é genocídio. Bilhões são gastos nesses prostíbulos de corrupção para manter o presifarsa no cargo-descarga, mas não há verbas para fiscalizar trabalho escravo e infantil, para passaportes, para evitar a venda do que é nosso como aeroportos, estradas, material de telefonia... A lista é interminável. Pedro Parente Deles deve tê-la completa. Temeroso é blindado por simulacros como o tribunal eleitoreiro, a comichão de prostituição e justi$$a, o supremo circo federal, com seus parlapatões. O “assessor especial” Yunes vendeu para o presidrácula um andar inteiro em prédio de luxo, uma casa “doada” para Marcela Temer, e duas salas de escritório para o operoso Michelzinhho! Tudo avaliado abaixo do preço real, mamata de 20 milhões na época e que está valorizada a píncaros geddelianos. A 12ª Vara Civil/Agrária de MG suspendeu a ação de 155 bilhões contra a Samarco. Nenhum preso. A lama já asfixia o santuário de Abrolhos. Procurem ver a distância entre a região de Mariana e o arquipélago, e vocês terão a dimensão do crime. No exterior, o presibesta nos humilha: “Vamos continuar trabalhando para aumentar o desemprego”.

Temer e Maia brigam por “socialistas” que também são ruralistas! Pertencem ao PSB. E eu pensando que só os socialistas pernambucanos roubavam sob o comando da gangue encabeçada pelo ex-governador que caiu pra subir.

Umberto Eco escreveu que, na modernidade líquida onde todos querem aparecer, vai rolar um concurso planetário para eleger o menor pênis da Terra. Voto no pelego Marun, com a pontinha quase invisível da virilidade perdida no agromatagal paquidérmico.

O desgoverno temeroso será conhecido pela frase que o assassino flamenguista postou da cadeia:

— Nóis é história!

Aldir Blanc é compositor

sábado, 29 de julho de 2017

Melhorou para pior


Deputado da quadrilha de Cunha ataca jornalista e leva o merecido troco


Apocalipse comercial


Encosto


Decadência


Claudio Guedes 

Aloysio Nunes, que perto do ocaso da vida pública tornou-se chanceler da República em um governo rejeitado pela sociedade de forma quase absoluta, e que é fruto podre de uma trama política que escrachou a democracia brasileira, declara, na Folha de S. Paulo de hoje, 29/07:

"Nós criamos essa situação", disse ele ao se referir ao governo Temer. Aloysio foi um dos principais articuladores da derrubada do governo legítimo de Dilma Rousseff. Derrotado por ela nas urnas - era candidato a vice-presidente na chapa liderada por Aécio Neves - não engoliu o insucesso e sabotou, desde o primeiro instante, a presidente eleita nas tentativas dela em conseguir apoio do parlamento às suas propostas anti-crise. Pelo menos, diferentemente do hipócrita do FHC, seu colega de partido, Aloysio assume a participação na trama do impeachment da ex-presidente. No correr da entrevista, afirma o senador e ministro tucano: Aécio Neves "foi muito atingido" e "injustamente". 

Impressionante. O senador e presidente do PSDB foi flagrado cometendo crime de corrupção, extorquindo um empresário investigado, com a participação direta de um primo e da própria irmã: tudo registrado em áudio e vídeo por testemunhas e pela Policia Federal! Para Aloysio, seu colega tucano é um injustiçado...

Este é o ministro da Relações Exteriores do Brasil no atual momento. Diz muito da decadência que o país experimenta hoje no concerto das nações mundiais.

Por que a direita brasileira é TÃO retardada?

Juliana Belli‏

 O Aiatolá Mohsen Araki só veio ao Brasil porque tem o apoio de canalhas como Aloysio Nunes.



Difícil imaginar o nível de imbecilidade de quem chama o ultradireitista Aloysio Nunes de "comunista islâmico". Aliás, é difícil imaginar quem é idiota o suficiente para chamar qualquer pessoa do mundo de "comunista islâmico".

Já quanto ao fato do Brasil não ser trouxa como a França e as acusações ao trilhardário George Soros de estar por trás do tal "comunismo", é melhor deixar para lá...

Criança, não verás país nenhum ignorante como este.

Por que o presidente ladrão não cai?


Líder das bancadas do bife, Temer não cai por causa de sua hegemonia
Mario Sergio Conti

Por que o presidente não cai? Motivo haveria: flagrantes gráficos de patifarias, com áudio e vídeos sulfúricos; aumento de impostos; 13,5 milhões de desocupados; destruição de direitos de quem trabalha; degradação do Estado; índices de rejeição jamais vistos.

Drácula mal pode sair da tumba planaltina, tal o desprezo que inspira. Para as câmeras, insiste na burlesca dança de dedos, na retórica ridícula de rábula provinciano, no esgar de autossatisfação demente. Sorrindo, oferece mais do mesmo infortúnio. E não cai. Por quê?

Porque ele é um hegemon, palavra que nem o Aurélio nem o Houaiss registram. Um caminho suave para entender o seu significado é "The H-Word", fascinante exercício de filologia histórica que acaba de ser publicado no Reino Unido.

O livro de Perry Anderson capta o nascimento da noção de hegemonia e a acompanha por nove culturas, da Grécia do século 5º a.C. à China de hoje. O Brasil aparece numa só frase, que fala de "financeirização, especulação patrimonial e mania por produtos de luxo".

Estudar a hegemonia não é futilidade de eruditos, ainda que o livro seja farto –mas fluido– em referências históricas, filosóficas e políticas, feitas em meia dúzia de idiomas. Anderson descobriu que "hegemonia" aparece no título de cinco livros lançados nos anos 1960.

A progressão foi geométrica desde então. Na década seguinte, foram 16 títulos. Na primeira década e meia do século 21, surgiram 161 livros com hegemonia na capa.

Criado por Aristóteles, o conceito cada vez mais se aplica ao mundo atual.

No Ocidente, ele originalmente serviu para descrever a aliança de cidades-estados gregas contra a invasão persa. Uma entre elas era escolhida para o papel de líder, a hegemonia –a liderança baseada no consentimento e no consenso.

O caráter militar da aliança fez com que a concordância derivasse para o exercício da autoridade: na guerra, ordens são ordens. E havia a hegemonia interna às cidades, oscilando entre democracia e ditadura. Uma coisa era o hegemon ser de Atenas; outra, de Esparta.

Há uma continuidade entre convencimento e coerção. Entre a escolha do mais capacitado para ser hegemon e a força que ele aplica para submeter os recalcitrantes. De Confúcio a Maquiavel e a Gramsci, os teóricos da hegemonia registram a ambivalência.

Veja-se o domínio americano. Ele é "hard power" porque os EUA detém o maior poder militar do mundo. É "soft power" porque Hollywood, seriados, hip-pop & rap, jogos eletrônicos, modas e modos de vida são cobiçados globalmente (e ambos os poderes desembocam na expansão do capital).

A China foi o único país do mundo que teve a hegemonia como pedra angular da sua política, a ponto de Mao botá-la na Constituição. Foi ele quem definiu que o país deveria liderar a aliança contra os Estados Unidos e a União Soviética. Deveria ser hegemônica entre os pobres.

Tal sentido foi sepultado pelas reformas capitalistas que vieram depois. A China não quer mais hegemonia. Quer ter poder em todo o mundo. Pela primeira vez no comércio entre os países, no ano passado a China comprou 25% de todas as exportações brasileiras, quase tudo em matérias primas –soja, minério de ferro, petróleo.

Há apenas dez anos, os Estados Unidos eram nosso maior comprador. Hoje é a China. É simplismo, pois, ficar deblaterando contra o imperialismo ianque, ainda que ele exerça o poder incontrastável sobre nós. Porque o mundo e o Brasil ficaram mais complexos.

A hegemonia de Temer é produto dessa nova configuração. Ele é líder das bancadas do bife, da bala e da Bíblia. Ou seja, expressa as necessidades do agronegócio, da indústria do armamento e das igrejas-empresas evangélicas.

Talvez até dos interesses do Partido Comunista da China. Aliás: os Brics não fizeram nada contra a derrubada de Dilma."

Banco do Brasil rejeita novos clientes deliberadamente para destruir a empresa

Procurem o concorrente, por favor!
Mauro Santayana

Um amigo, recém-retornado ao Brasil depois de muitos anos trabalhando no exterior, resolveu abrir, outro dia, com parte de suas economias, uma conta na agência Styllus do Banco do Brasil do Setor Sudoeste, em Brasília, e não conseguiu.

A justificativa, citada pela atendente - que não quis nem saber sequer quanto ele tinha para depositar e aplicar, foi "tout court", "superlotação", como se tratasse não de uma agência bancária top de linha, mas de uma vulgar - e desumana - cela de prisão.

A verdadeira razão da recusa?

A apressada e repentina decisão do governo Temer, tomada a toque de caixa, com menos de seis meses de governo e sem discussão com a sociedade, de fechar ou transformar em postos de atendimento centenas de agências do BB, apesar de o Banco do Brasil não ter tido um centavo de prejuízo nos últimos 15 anos e dos seus funcionários já estarem atendendo, em média, mais de 400 contas por cabeça quando a medida entrou em vigor.

Orientado, em nova agência, a tentar abrir sua conta pela internet, ele tentou várias vezes, mas também não conseguiu, embora o governo tenha feito paradoxalmente há alguns meses campanhas na televisão sobre apps do banco, em seu esforço de tentar molhar a pata de veículos que - com seus próprios interesses em vista e decepcionados com a baixíssima popularidade de Temer - agora mordem a sua mão.

Conversando com outro funcionário, na porta do estabelecimento, foi lhe explicado, diretamente e sem subterfúgios, que, com a desculpa de "modernizar" o banco, se está sabotando deliberadamente o Banco do Brasil - como se fez no governo FHC - com a intenção de privatizá-lo, de forma fatiada, a médio prazo. 

Na verdade, esse é um movimento que já começou, com a venda de ações do Banco do Brasil do Fundo Soberano, que fará cair a participação do governo para apenas 50,7% do total.

Enquanto isso, entrega-se, diminuindo a qualidade do atendimento ao consumidor, parcelas cada vez maiores do seu público e de seu mercado aos bancos privados, corrigindo o "crime" perpetrado por Lula e Dilma, de terem fortalecido - da Caixa Econômica federal ao BNDES - o papel dos bancos públicos e aumentado o percentual de sua participação no mercado financeiro e na economia nacionais.  

As perguntas que ficam agora são as seguintes:

Quantos clientes do Banco do Brasil, ou potenciais clientes, como esse, se passaram, nos últimos meses - irritados com a queda de qualidade do atendimento - para bancos particulares, ou pior, para bancos particulares estrangeiros - como o Santander, que em plena pressão pela Reforma da Previdência, acaba de ter 338 milhões de reais em multa perdoados pelo CARF -  desde que começou, no BB, essa pilantragem chamada genericamente de "restruturação"?

A quem interessa arrebentar com os nossos bancos públicos - a Caixa e o BNDES também estão sob insuportável pressão - indiscutíveis e estratégicos instrumentos para o desenvolvimento nacional? 

Por que os sindicatos não entram - ou não entraram - na justiça para contestar essas medidas?

Por que o extremamente bem sucedido Ministro da Fazenda de um governo sem voto, que ganhou de fontes privadas mais de 200 milhões de reais em "consultoria" nos últimos quatro anos - de um país de uma justiça absurda, no qual tem gente que está se arriscando a ser preso e ter seus direitos políticos cassados por ser "dono" de um apto do qual não possui escritura, cujas chaves nunca recebeu - não tenta aplicar, para mostrar confiança na nação - pelo menos uma parte dessa "merreca" no Banco do Brasil?

A Lei do Subdesenvolvimento


Carlos D'Incao

Grande parte dos crimes políticos e financeiros que a polícia federal, o Ministério Público e os tribunais estão apurando no Brasil são ações legalizadas nos países mais desenvolvidos do mundo. E não são cifras pequenas de dinheiro que estamos falando.

Nas eleições norte-americanas são bilhões de dólares doados para as campanhas dos principais políticos. São milhares de pequenas doações de indivíduos e vultosas somas de dinheiro doadas por grandes empresas para o financiamento de seus candidatos favoritos. Nos países da União Europeia procedimentos semelhantes são adotados e são considerados legais.

Caso Sérgio Moro fosse um juiz de qualquer país do primeiro mundo (e tivesse em posse dos códigos eleitoral e criminal brasileiros debaixo dos seus braços) teria condenado à cadeia praticamente todos os políticos eleitos democraticamente, de Trump à Macron.

O que acontece com o Brasil e sua legislação? Por que os grandes empresários não podem fazer doações para os candidatos que eles bem entenderem e ainda são proibidos - segundo a lei - de influenciar na aprovação de emendas parlamentares em benefício próprio? Em uma palavra: por que no Brasil o lobby é proibido?

Obviamente que ele ocorre de fato. Pois o sistema tem que funcionar existindo leis escritas ou não para o seu funcionamento. Mas aqui, fazer lobby é crime.

Em suma, a legislação brasileira quer ser mais realista que o rei. Qual é o resultado? Caixa 2, propinas para os políticos, superfaturamento de obras, fraudes em licitações públicas e tráficos de influência que fogem do controle da sociedade civil.

As leis brasileiras querem fingir que não vivemos em um sistema capitalista? No fim, esse seria o país que finge não estar vivendo em um determinado tempo e espaço? As leis brasileiras, assim como a nossa sociedade querem ignorar o passado, o presente e o futuro?

A realidade brasileira poderia ser considerada uma comédia trágica caso não conhecêssemos sua historicidade e sua estrutura de funcionamento. Na verdade, nada aqui está errado. Ao contrário. Tudo aqui obedece um código de leis tão sagrado como arcaico: são as Leis do Subdesenvolvimento.

Essas leis não foram proclamadas e nem elaboradas sistematicamente. Foram se formando ao longo dos séculos… Vêm dos baús da escravidão, das terras tomadas pela força e pela fraude e dos navios que traficavam cargos de Lisboa por favores políticos em Salvador.

São nossas “leis dos costumes”. Aqui os interesses das elites fundem interesses privados que muito tempo depois se tornaram objeto das ordenações públicas. Um processo único em todo o planeta Terra.

Se cavarmos fundo nas origens das riquezas de nossas oligarquias, de qualquer cidade e de qualquer Estado, encontraremos um mar de irregularidades que nunca foram legalizadas, pois nunca foram reconhecidas por ninguém, em especial pelo Estado.

Por que? Porque as leis aqui nunca tiveram o objetivo de fazer justiça, mas sim de garantir a perpetuação de privilégios.

Nesse país sempre existiram duas leis: uma “da letra” e a outra “de fato”. E a letra da lei é comumente usada quando as elites querem garantir seus privilégios diante de seus inimigos de ocasião.

Quando a letra da lei se volta contra as elites, a lei “de fato” é acionada. Juízes arquivam processos, crimes são considerados prescritos, provas são anuladas e os prazos são perdidos. Enfim, quando a letra da lei ousa enfrentar os oligarcas, caem no labirinto do real e se esfumam no ar ou se perdem pelo vil e desprezível mar do esquecimento.

Assim forjamos nossa sociedade. A letra da lei é impiedosa com os pobres e despossuídos, jogando-os às centenas de milhares nos mais insalubres cárceres do mundo. Quando a letra da lei ainda é considerada “leve” ao gosto das autoridades, a lei de fato entra de forma complementar e executa a pena de morte e a tortura contra ladrões, traficantes e todos aqueles considerados dejetos humanos pela própria sociedade.

Esse código de leis que une a letra da lei e as leis de fato é a definição da Lei do Subdesenvolvimento. Sob esse código, nunca teremos justiça. Teremos o Brasil. Seja o tema escolhido, teremos sempre a lógica da Lei do Subdesenvolvimento em ação. Vejamos.

Aborto? É ilegal na letra da lei, mas legalizado para a elite. Drogas? É crime na periferia e lazer nos condomínios de luxo. Ocupação de terras? É crime para o sem-terra e fonte de riquezas para os grileiros de todo o país. Roubo? Crime para o pobre e prática lícita para os banqueiros. Racismo? Crime hediondo para o segurança do shopping e prática costumeira nas suas lojas de luxo.

E, enfim, chegamos nas leis eleitorais e nas práticas políticas de hoje… A letra da lei é usada para condenar a esquerda e a lei de fato é usada para absolver os partidos e políticos da direita. E quando a letra da lei é insuficiente, as autoridades usam a lei de fato para condenar Lula por um imóvel que não possui e absolver empresários que confessaram ter “comprado” todo o congresso, o senado, o presidente e juízes com propinas…

Assim é a Lei do Subdesenvolvimento. Serve aos que estão no poder. Um código de leis de ocasião. Elástico e ardiloso. Perverso e perseverante. Aparece às vezes com um verniz de modernidade, mas sua essência sempre será caquética e decadente.

Contra ele só há um único remédio: uma nova República. Mas por que não se luta por isso? Porque além de todas as qualidades que já foram descritas, a Lei do Subdesenvolvimento possui uma característica especial, quase lendária:

Dizem que ela seduz todo aquele que se aproxima do poder. Depois o conduz com o seu doce canto de privilégios ao seu território secreto para perguntar-lhe: “Qual é o seu tempo?” E aquele que não trouxer a resposta correta tem sua cabeça cortada.

E qual seria a resposta certa? Só aqueles que estão no poder sabem a resposta... “O prazo que não possuo será o termo de sua vida. E de seu último desejo serei sempre quase nunca, mas o suficiente para alimentar todo o fogo que não arde para aquecer as almas e todo o sono que é feito para não sonhar o futuro.”

Folha de S. Paulo demite um dos últimos jornalistas que defende a Democracia

UOL encerra contrato com Mário Magalhães

O jornalista Mário Magalhães, uma das poucas vozes contrárias ao golpe de 2016 no grupo Folha, de Otávio Frias Filho, teve seu contrato encerrado pelo Uol; a partir de agora, seus comentários estarão disponíveis apenas em suas redes sociais; a Folha apoiou e ainda apoia o golpe

247 O jornalista Mário Magalhães, uma das poucas vozes contrárias ao golpe de 2016 no grupo Folha, de Otávio Frias Filho, teve seu contrato rescindido pelo Uol.

A partir de agora, seus comentários estarão disponíveis apenas em suas redes sociais.

A Folha apoiou e ainda apoia o golpe.

Leia, abaixo, seu post de despedida:

Este é um post de despedida. 
O blog chega hoje ao fim, quatro anos e três meses depois da estreia. Desde o início de maio de 2013, às vésperas das Jornadas de Junho daquele ano, publiquei 2.474 posts. 
Foi um prazer ter compartilhado esse espaço de histórias e pitacos. 
Agradeço imensamente a quem me acompanhou, concordando ou discordando. 
A decisão de interromper o contrato comigo, comunicada no finzinho de maio, foi do UOL. 
Espero revê-los em breve, quando eu lançar a biografia de Carlos Lacerda (1914-1977), a sair pela Companhia das Letras. 
Ou, quem sabe, antes do lançamento do livro. 
Minha página no Facebook continuará na ativa. Idem o perfil no Twitter
Até a próxima!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Judiciário causa mais prejuízo ao país do que a corrupção

Retrato do Brasil Pós-Golpe. 


Sobre indagações apresentadas pela revista "Época"

Dilma Rousseff

A respeito das indagações sobre as doações de campanha feitas pela JBS na eleição presidencial de 2010, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1. Todas as doações feitas às campanhas de Dilma Rousseff foram feitas dentro da lei, conforme determina a legislação, registradas e aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

2. É inaceitável que, mesmo com os recursos registrados conforme determina as normas legais, insinue-se agora que o dinheiro teria como origem algum tipo de propina. Ou é má-fé ou apenas a mentira de um criminoso confesso.

3. Anteriormente, o senhor Joesley Batista chegou a dizer, sem amparo em provas ou fatos, que teria doado US$ 150 milhões para os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Uma mentira deslavada.

4. Agora, lança uma nova denúncia sem prova. A desfaçatez dos mentirosos não tem limites.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
DILMA ROUSSEFF

"O Globo" e o jornalismo de guerra

Dilma Rousseff 


A propósito do noticiário e das opiniões publicadas nesta sexta-feira, 28 de Julho, no jornal “O Globo”, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:

1. “O Globo” mente e distorce os fatos, como de costume. O jornal continua fomentando ilações sem fundamento. Não podemos esquecer que deu lastro aos golpistas que, hoje, afrontam o país.

2. As Organizações Globo fazem um jornalismo contra as forças populares e progressistas. Nada de novo. A empresa tem experiência nisso, como mostra a História.Mas mesmo assim é forçoso esclarecer.

3. Não é verdade que a presidenta eleita Dilma Rousseff tenha nomeado Aldemir Bendine para a Petrobrás com o propósito de bloquear acordos de leniência de empresas envolvidas na Lava Jato. “O Globo” não menciona, mas foi no governo de Dilma Rousseff que se modernizou a legislação contra as organizações criminosas e criou-se, por medida provisória, as condições para o acordo de leniência.

4. A presidenta eleita apoiou esses acordos de leniência com o objetivo de preservar as empresas e os empregos, mas punindo os responsáveis por corrupção.


5. Durante todo o seu governo, Dilma Rousseff não criou obstáculos às investigações de corrupção, não obstruiu a Justiça, nem impediu a punição de responsáveis por ilicitudes. Também nunca promoveu intervenções na Polícia Federal ou nomeou ministros de Estado com este propósito. Quem falou em derrubar o governo para “estancar a sangria” foram os políticos que – apoiados pelas Organizações Globo – promoveram o golpe.

6. Nem por isso, a presidenta eleita agiu para condenar sem provas. Sempre defendeu o respeito ao princípio do contraditório e do direito de defesa, como é típico dos regimes em que há um Estado democrático de direito. Tampouco concordou com vazamentos seletivos ou grampos sem autorização da Justiça.

7. “O Globo” manipula a opinião pública ao insinuar que Aldemir Bendine foi indicado para a Petrobras por ter relação pessoal com Dilma. Ele foi nomeado porque tinha reconhecida capacidade como gestor, demonstrada nos resultados alcançados à frente do Banco do Brasil. E, ademais, tinha perfil técnico para preencher o cargo de presidente da Petrobras, do qual a competente e honesta Graça Foster se retirou depois de longa e implacável perseguição.

8. A insistência das Organizações Globo em desconstruir a imagem da presidenta eleita Dilma Rousseff é expressão do “jornalismo de guerra. Tais versões manipuladas serão desmascaradas pela História, que não encobrirá o papel vergonhoso que parte da imprensa nacional desempenhou nesses tristes dias para a democracia no Brasil.

DILMA ROUSSEFF
ASSESSORIA DE IMPRENSA

Ser conservador é uma coisa; trair a pátria é outra

Nilson Lage 

Ao contrário do Brasil, que deliberadamente liquidou sua indústria naval, a França, com seu novo governo conservador, encampou um estaleiro para impedir que ele fosse controlado por grupo ítalo-chinês.

Ser conservador é uma coisa; trair a pátria é outra.


Macron estatiza estaleiro para impedir controle italiano e chinês sobre indústria naval

247 - Emmanuel Macron, presidente da França, estatizou o  estaleiro naval de Saint-Nazaire para impedir que o controle da empresa passe para a Itália e para a China. Parece que os liberais da França são mais pragmáticos e menos dogmáticos que os nossos.

Em reportagem publicada nesta quinta-feira (27), o jornal francês Le Monde destaca que "chamado a decidir sobre os destinos da indústria naval francesa, Macron decidiu nacionalizar temporariamente o estaleiro a confiar a empresa a um acionista italiano". Uma jogada inesperada para quem passou a campanha inteira defendendo privatizações, sublinha o diário francês.

Sem a ação do governo, os estaleiros franceses iriam cair no colo do grupo italiano Fincantieri, o número de construção naval na Europa. Um cenário em que o governo Macron não desejava e que não conseguiu contornar na conversa. O estaleiro é um dos mais famosos da Europa - de lá saiu o Queen Mary II - quase fechou as portas por falta de encomendas alguns anos atrás. O governo investiu para evitar a falência da empresa e agora há pedidos para 10 anos de trabalho.

Outra ameaça apareceu com a falência do STX, o conglomerado sul-coreano acionista majoritário do estaleiro Saint-Nazaire. Para recuperar o dinheiro, os credores do STX queriam vender a filial francesa. Quem apresentou oferta foi justamente o Fincantieri, grande rival italiano. A compra pelos italianos levanta três questões: os 7000 empregos em jogo; a terceirização feita pelos italianos na China; Saint Nazaire é o único estaleiro francês capaz de construir navios militares. 

O acordo feito pelo ex-presidente François Hollande com os italianos previa que o Fincantieri teria 48% das ações. Mas uma fundação de Trieste adquiriu mais 7%, dando controle da empresa aos italianos. Macron desafiou o acordo, resolveu usar o direito de preferência da França sobre as ações e comprou a briga com o governo italiano. Para Macron, o preço de 80 milhões de euros do estaleiro vale a soberania francesa no setor.   

O esquerdismo raiz do PSOL


"SENHOR, DAI-ME PACIÊNCIA

O PSOL vive criticando o PT e diz que o partido errou ao colocar o golpista Temer de vice. Até aí tudo bem pois essa crítica já era feita dentro do PT desde o final do ano de 2009.

O que não dá para aguentar é ver o PSOL falando isso de uma forma cínica e moralista, como se não tivesse bancado a candidatura de Luiza Erundina para a Prefeitura de São Paulo em 2016.

E explico por que falar em Erundina: é que ela, militante do PSOL que concorreu no ano passado na capital paulista, já havia concorrido em outras oportunidades (em 1989 e 1996 pelo PT e em 2000 e 2004 pelo PSB).

Em 2004, sabem quem era o candidato a vice-prefeito na chapa da Erundina? Era ele, o golpista Judas Temer do PMDB.

Querem criticar o PT, fiquem a vontade. Mas sem hipocrisia porque aí não dá pra aguentar nem um minuto mais." 


Diogo Costa, através de Luiz Alacarini

Um jeito Globonews de ser e de dizer


 O Brasil tinha "quebrado" na mão do Mantega com um déficit de 17 bi em 2014 inteiro. A Globo disse que com o Chicago-boy Levy agora ia ter ajuste fiscal sério e tudo ia melhorar. Aí o PIB caiu 3%, a arrecadação despencou 10% e o rombo foi para 100 bi. Então exigiram o sociopata do Meirelles para cortar mais investimentos e aumentar mais os juros reais (os juros caíram nominalmente mas a inflação caiu mais). Então a arrecadação despencou mais, o PIB caiu mais 3% e só no mês passado o déficit foi 19 bi, maior que um ano inteiro do Mantega (Lembra? Aquele que quebrou o país).


Agora a Globo diz que tudo vai melhorar se colocarem alguém sem medo de acabar com tudo, entregar o Estado inteiro, cortar salários, empregos e fazer o verdadeiro ajuste fiscal em uma economia com 18% de desemprego, em depressão e com todas as empresas quebradas. Chamaram o Armínio Naufraga. Sim, satanás em pessoa. A Míriam Leitoa, agora cegonhóloga, diz que ele vai te levar ao paraíso. Você sabe aonde ele vai te levar?

Cristovam, o oval

Moisés Mendes 

CRISTOVAM, O OVAL 

Cristovam Buarque continua atacando Lula. Roberto Freire, Marta Suplicy, Fernando Gabeira (que agora é jornalista fofo), Raul Jungmann e Marina Silva são aprendizes da nova direita perto de Cristovam Buarque. 

Esta declaração do seu Cristovam está em entrevista dele para o próprio site: “Sigo me considerando de esquerda com base na definição que tenho e enquanto não existir outro nome para dizer isso. Nós temos que criar um projeto de coesão nacional, isso é o contrário da luta de classes. Chamo isso de esquerda, mas alguém pode chamar de “redondo” ou de qualquer outro adjetivo”.

Parece coisa de caduquice. Mas, enfim, podemos então passar a chamá-lo de Cristovam, o oval.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Jornal carlista tenta extorquir dinheiro público

Leandro Fortes

MIMIMI CARLISTA

Na Bahia, o jornal Correio (antigo Correio da Bahia) entrou com uma denúncia junto ao Ministério Público contra a Secretaria de Comunicação Social do governo do estado, a quem acusa de boicote de verbas publicitárias.

Parece piada, mas não é.

O Correio é um dos braços do carlismo que a família de ACM mantém de pé, junto com a TV Bahia (retransmissora da Globo, claro), para manter um poder feudal nascido e criado na ditadura militar.

Nunca foi um jornal de verdade, mas um pasquim chapa branca que servia, justamente, como escoadouro de recursos públicos do carlismo, entre outras mutretas muito conhecidas dos baianos.

Que o Correio esteja, agora, reclamando de ser boicotado, revela o quão cínico o carlismo se mantém - e o quão certo está o governador do PT, Rui Costa, em impedir que entre mais dinheiro público nos negócios da família ACM.



No Brasil, contrato é feito para se quebrar e palavra dada não é palavra empenhada

Fernando Horta

O Brasil tem um dos maiores índices de quebra de contratos do mundo. Não falo aqui das quebras de contratos comerciais ... aquelas que também entram nos índices, mas que são afeitas ao mundo econômico. Falo das pequenas quebras e das grandes.

No Brasil são comuns os "bolos" em amigos, os "furadores" de eventos e os "atrasos" de toda sorte. É cultural que no Brasil a palavra acertada é sempre algo menor frente a quaisquer outras situações. Toleramos professores que não marcam avaliações ou as mudam no meio do período de ensino, toleramos policiais que simplesmente mudam suas funções conforme a cara (e a cor) de quem está sendo abordado, toleramos todo tipo de ruptura com alguma (pífia) desculpa.

Isto vai crescendo culturalmente até juízes que não se importam em condenar negros por causa de pinho-sol e soltar brancos com 150 quilos de drogas e mais armas, por exemplo. Prender mãe com filho porque roubou comida e permitir senador tomar posse por liminar. A situação se torna insustentável quando um presidente da Câmara diz que não precisa ouvir o povo, quando o vice-presidente resolve não aumentar salários (de alguns) servidores. No DF, acordos sindicais são como promessas de criança. O governador não cumpre e pronto. Ninguém fala nada.

É a cultura da "quebra de contrato" que organiza toda a sociedade. Do pedreiro que larga o trabalho na metade à empreiteira que pede "aditivo" no valor para terminar a obra. Do juiz que solta doleiro e faz acordo para pagar a ele por "informação" e prende pessoas inocentes anos à fio ...

Do vice-presidente que usurpa o poder com a desculpa do "rombo" nas contas públicas e promove um muito maior para obter apoio ...

O Brasil é um país construído desta forma frouxa, em que ninguém se compromete com nada. Nem mesmo as autoridades ... de cima a baixo todos podem mudar os termos de um acordo de forma unilateral e o outro que se adapte.

Não importa se o outro é um filho que você não vai a uma apresentação porque tem que assistir um "jogo" ou se é uma eleição em que se jogam fora 54 milhões de votos. É o mesmo princípio, quebra de contrato. Nenhuma sociedade pode sobreviver assim.

Um jornal vagabundo...

Claudio Guedes


O que é?

Tá na Folha de S. Paulo, de hoje, 27/07:

"Temer iguala Dilma e tem pior avaliação a um governo em 30 anos, aponta Ibope"

É a manchete do jornal na matéria sobre a pesquisa.

Na matéria lemos:

"Na comparação com o governo Dilma, 52% disseram que o governo Temer é pior que o da antecessora. Em março esse percentual foi de 41% e em dezembro, de 34%. Só 11% disseram achar o governo Temer melhor que o governo Dilma, e 35% disseram avaliar o governo de forma igual."

Num jornal sério, a manchete seria:

"Governo Temer é pior avaliado que governo Dilma, aponta Ibope"

Afinal 52% é um percentual muito maior que 35%, não é?

É. Mas não para um jornal vagabundo.

O emburrecimento das massas


Tom and Jerry - 029 - The Cat Concerto [1947] por milagrosalease

Matéria em inglês: "Como os desenhos animados clássicos criaram uma geração culturalmente letrada"

Nilson Lage

Não apenas os desenhos animados.

Fazia parte dos estatismos da década de 1930 – do Reich ao Kremlin, do New Deal ao Estado Novo – a criação de uma juventude aberta à cultura universal e herdeira de seus valores nacionais.

Dava-se muito valor a educação física e à formação cívico-humanista, vista, embora, da perspectiva dos diferentes sistemas políticos.

Noto ainda hoje a fantástica qualidade literária dos diálogos do cinema antes da degola do macartismo, no início dos anos 50 – quando começou o lento processo político de emburrecimento das massas.

Peguei um pouco disso. A crítica social: Al Capp, Ed McBain.

Os Concertos para a Juventude, as matinês no teatro com ingressos distribuídos nas escolas, o canto orfeônico, a exaltação das culturas formadoras – Villa Lobos, Nepomuceno, a Rádio Nacional.

A mãe negra, o sertanejo, o jangadeiro, o gaúcho, o caipira,a fusão das raças em Guararapes, a Aquarela do Brasil, o Canto do Pajé, uma pátria construída sobre a convivência e a tolerância.

Li “Os Sertões” com 11 anos e, aos 16, vi, récita após récita, o Anel de Nibelungo no Teatro Municipal – de graça.

Era uma oportunidade que se dava aos que queriam.

Naquela época, acho, não faziam pouco das crianças.

Nem das que vieram da periferia, como eu.
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