sexta-feira, 30 de junho de 2017

Gilmar aconselha o ladrão




O crime organizado no poder

Mario Marona 

A BOFETADA

Inconformado com a derrota nas urnas, recorreu ao judiciário para anular a eleição.

No Congresso, liderou um movimento de sabotagem política e econômica do governo eleito, em prejuízo do país e do povo.

Foi, com estas duas atitudes, o mentor e autor primário do golpe que derrubou uma presidente eleita por 54 milhões de votos, apenas sob o pretexto de que ela teria cometido pedaladas fiscais.

Foi flagrado agindo nos bastidores para neutralizar as investigações e proteger os congressistas aliados também identificados como corruptos pela polícia.

Em gravações, foi apontado, sem qualquer margem de dúvida, como achacador de empresários.

Mesmo proibido de exercer o mandato, promoveu em casa uma reunião com seus aliados, e distribuiu foto do encontro, informando que estavam ali tomando decisões políticas de interesse do Senado.

A irmã chegou a ser detida temporariamente por agir em seu nome para extorquir dinheiro de corruptores.

Um grampo de sua conversa com o empresário corruptor mostra que indicou um primo para receber as propinas, e o rapaz foi filmado pela polícia exercendo esta atividade.

Neste grampo legal, chegou a afirmar que o intermediário da propina tinha que ser alguém que pudesse ser assassinado, caso delatasse o crime.

Nada disso foi suficiente para que o STF acolhesse nem o pedido de sua prisão nem a perda de seu mandato.

Está de volta ao Senado, livre para continuar fazendo o que sempre fez, às claras e às escondidas.
Aqui, nem precisamos discutir as alegações jurídicas da sentença.

A verdadeira agressão ao povo brasileiro, a ruidosa e infame bofetada que pôde ser ouvida em todo o país, foi dada pelo ministro Marco Aurélio Melo ao afirmar que não condenaria Aécio Neves porque “o voto do eleitor tinha que ser respeitado”.

Quantos votos, afinal, o ministro do STF considera dignos de respeito?

Esta sexta-feira, 30 de junho, não entrará para a história como o dia da infâmia porque, desde o ano passado, a concorrência a tal título é grande e numerosa.

E repito:

Quando um notório suspeito de corrupção, identificado, denunciado, filmado e revelado como autor de crimes comprovados e sobejamente conhecidos é, além de absolvido, elogiado e exaltado pelo juiz que devia puni-lo, não resta nada a esperar da justiça, que nunca mais pode ser escrita neste país com letra maiúscula.

Parabéns paneleiros, isentões. falsos moralistas e golpistas por ação ou por omissão.

VOCÊS VENCERAM.

A justiça é cega, mas tem ótimo olfato


Unindo os pontos

Ayrton Centeno 

Unindo os pontos

1) É preciso “estancar a sangria” através de um grande acordo “com o Supremo, com tudo” (Romero Jucá, gravado e sendo sincero);

2) Impeachment, sem crime de responsabilidade, contra Dilma;

3) Temer gravado cometendo crimes;

4) Aécio gravado cometendo crimes;

5) TSE absolve Temer;

6) Marco Aurélio de Mello libera Aécio para reassumir cadeira no Senado.


Marco Aurélio Mello, o legalista

Fernando Horta 

Aécio volta para seu mandato. Juiz legalista.

A mãe que roubou frango e chocolate para os filhos condenada a sete anos de prisão. Juiz legalista.
O rapaz preso com pinho sol na mochila sentenciado a prisão. Juiz legalista.

Soldados responsáveis pelo massacre do carandiru foram inocentados. Desembargador legalista.
Por aí se vê que lei não tem nada a ver com justiça. Temos leis demais e justiça de menos.


Edit 1: E Marco Aurélio faz graça com o povo brasileiro. No final ele diz "é preciso respeitar o voto."...

STF solta mais um criminoso da quadrilha de Cunha e Temer

Fachin liberta ex-deputado Rocha Loures da cadeia 
UOL

Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin determinou nesta sexta-feira (30) a revogação da prisão preventiva do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

Loures foi denunciado junto com o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção passiva. A PGR (Procuradoria-Geral da República) acusa o ex-deputado de ter negociado, em nome de Temer, propina para atender a interesses do grupo J&F no governo.

A investigação foi aberta a partir da delação premiada de executivos da J&F, controladora do frigorífico JBS.

Temer foi gravado, sem saber (coitado!), pelo empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo, durante um encontro fora da agenda oficial em 7 de março no Palácio do Jaburu, residência oficial do presidente.

No diálogo, Temer aparenta indicar o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que foi também assessor do Planalto, como seu homem de confiança com quem Joesley poderia tratar de assuntos de interesse da JBS.

Posteriormente, Loures foi flagrado numa operação da Polícia Federal recebendo R$ 500 mil em dinheiro, dentro de uma mala entregue por Saud, em uma pizzaria de São Paulo.

Parabéns, paneleiros!

Mario Marona

Quando um corrupto notório, identificado, denunciado, filmado e revelado como autor de crimes comprovados e sobejamente conhecidos é, além de absolvido, elogiado e exaltado pelo juiz que devia puni-lo, não resta nada a esperar da justiça, que nunca mais pode ser escrita neste país com letra maiúscula.

Parabéns paneleiros, isentões. falsos moralistas e golpistas por ação ou por omissão.

VOCÊS VENCERAM.


Batido novo recorde nacional de medidas ilegais em defesa de Aécio Neves


Ministro Marco Aurélio Cacciola derruba afastamento de Aécio do Pó


Ministro Marco Aurélio Mello derruba afastamento de Aécio Neves

Aécio é alvo de investigações com base na delação premiada de executivos da JBS. Ele estava afastado da função parlamentar desde maio, por determinação do ministro Edson Fachin.


Por Renan Ramalho, G1, Brasília

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou nesta sexta-feira (30) o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) das funções parlamentares. Com isso, Aécio poderá retomar as atividades no Senado.

Na mesma decisão, o magistrado negou um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) para prender o senador.

Aécio havia sido afastado em maio por determinação do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, após a Operação Patmos, fase da Lava Jato baseada nas delação da JBS. A Procuradoria Geral da República apontou risco de o senador usar seu poder para atrapalhar as investigações e havia pedido a prisão de Aécio. No entanto, Fachin entendeu que a Constituição proibia a prisão do parlamentar e determinou o afastamento.

O caso de Aécio ficou com o ministro Marco Aurélio após Fachin fatiar as investigações da delação da JBS. A defesa de Aécio havia entrado com um recurso no tribunal e desde então ele aguardava uma decisão para saber se poderia retomar as atividades de senador.

O ministro também derrubou outras restrições aplicadas ao senador, como a proibição de falar com outras pessoas investigadas junto com Aécio – como sua irmã, Andrea Neves – e também de deixar o país.

Ao atender pedido da defesa, Marco Aurélio reproduziu voto que daria numa sessão do último dia 20, quando a Primeira Turma do STF decidiria, de forma conjunta, por cinco ministros, a situação do senador. No entanto, a turma não definiu o caso.

Em vez de aguardar a deliberação do colegiado, o que poderia ocorrer só em agosto, em razão do recesso do Judiciário em julho, Marco Aurélio decidiu sozinho nesta sexta.

Mais cedo, ao deixar a última sessão do STF no semestre, Marco Aurélio foi questionado por jornalistas sobre o pedido da PGR para prender o senador. O ministro foi indagado sobre a questão ser deixada para agosto, em razão do recesso.

“Que tal o retorno dele à cadeira de senador?”, respondeu o ministro. Naquele momento, ainda não tinha sido divulgada a decisão de Marco Aurélio sobre derrubar o afastamento de Aécio. A decisão se tornou pública minutos depois.


A Vingança dos Sith

     Sith
T
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Paulo Nogueira, presente

Leandro Fortes

PAULO NOGUEIRA, PRESENTE

Acordo e levo uma bofetada: o grande jornalista Paulo Nogueira, criador do Diário do Centro do Mundo, morreu, após uma batalha de 10 meses contra o câncer.

Não estou apenas triste, estou com raiva. Paulo não podia nos faltar, nessa hora. Porque ele, com seu texto impecável e com essa capacidade de emoldurar os fatos, um talento dado somente a jornalistas de verdade, era fundamental nessa luta que travamos contra o fascismo e o monopólio da mídia.

Os textos de Paulo Nogueira elevaram essa discussão a um nível intelectual extremo, dentro de uma construção crítica que servia de base, diariamente, para uma reflexão coletiva sobre o País - a política, a economia, a ética e, principalmente, o jornalismo.

No DCM, Paulo criou uma trincheira feroz para a defesa do bom jornalismo. Era sua missão de vida. Com ele, muitos de nós renovaram a fé no ofício, justamente quando estão em evidência os piores jornalistas - e o pior do jornalismo - de todos os tempos.

Nunca conheci Paulo Nogueira, pessoalmente. Nos falamos por telefone, trocamos mensagens pelo WhatsApp e alguns emails, desde que ele estava em Londres, até voltar para o Brasil, há uns poucos anos.

Ainda assim, tornou-se uma presença essencial na minha vida de jornalista.

Nossa missão, agora, é fazer valer a sua luta.

Adeus, camarada.

Dilma: "Paulo Nogueira foi um batalhador da causa dos justos"


O jornalismo e a democracia brasileira perdem um grande militante e lutador. A morte de Paulo Nogueira, fundador e editor do Diário do Centro do Mundo, ocorre num momento triste da nossa história.

Seu site tem sido uma trincheira de defesa do jornalismo honesto e uma peça importante da resistência democrática. Paulo foi um jornalista de grande força e perseverança. Um batalhador que acreditou na causa dos justos e na luta por um país menos desigual.

O Brasil perde muito.

Meus sentimentos profundos de pesar ao irmão dele, Kiko Nogueira, à esposa e aos filhos Emir, Pedro, Camila e Fernando.

Dilma Rousseff

Morre o jornalista Paulo Nogueira

Paulo Nogueira (1956 – 2017) 


Kiko Nogueira

Paulo Nogueira morreu na noite de 29 de junho. Tinha 61 anos.

Estava com câncer. Depois de uma batalha de dez meses, finalmente descansou.

Paulo está vivo.

Paulo está em seus filhos: meus sobrinhos Emir, Pedro, Camila e Fernando. Paulo está em minhas cunhadas Erika e Luísa.

Está nos seus irmãos Mari, Zé, Kika. Nos seus sobrinhos e sobrinhas. Na minha tia Maria Ely. Nos amigos, como Sergio Berezovsky, Caco de Paula, Bia Parreiras e aqueles que peço desculpas por não citar nesse momento.

Está em mim e em você. 

Está em seu legado vasto e generoso, digno do nosso pai, o jornalista Emir Nogueira, a quem Paulo dedicou linhas e linhas de beleza e gratidão.

Ele fez de tudo no jornalismo. Foi repórter, editor, diretor de redação, superintendente. A maior parte da carreira na Editora Abril, outra parte na Editora Globo, os anos mais recentes neste Diário do Centro do Mundo.

Um dos maiores jornalistas do país, passou pela Veja, foi editor da Veja São Paulo, reinventou a Exame, lançou diversas outras publicações.

Deixou sua marca em cada uma delas. A vibração, a provocação, o apuro, a busca da excelência. Antecipou tendências, fez acontecer.

Nunca foi santo. Era duro. Era também de uma paciência infinita. Fez companheiros para a vida toda nas redações e revelou vários talentos. Fez inimigos, também, como todo grande homem.

“Sempre que você se desentender com alguém, lembre que em pouco tempo você e o outro estarão desaparecidos”, dizia, repetindo Marco Aurélio, o imperador romano, seu filósofo de cabeceira.

O DCM era seu projeto preferido. Ele falava do privilégio de poder exercer o ofício depois dos 50. Poderia ter tido uma aposentadoria tranquila, jogando tênis e pôquer às margens do Tâmisa.

Preferiu combater o bom combate, com a mesma paixão de sempre. Em 2012, quando começamos, comemorávamos quando conseguíamos alcançar 20 mil visualizações num dia. Ele de Londres, eu de São Paulo. Hoje são 500 mil.

O Paulo tinha uma visão e a perseguia com a mesma obstinação que tinha jogando futebol (um dia eu conto do gol mais bonito que ele fez. Um dia eu faço isso, quando não me doer desse jeito).

A utopia do Brasil escandinavo, um Brasil mais justo, foi a nossa bússola no DCM. Continuará sendo.

Uma vida intensa, um homem que fez tudo à sua maneira. Nasceu e morreu no mesmo quarto na casa dos nossos pais, no Jardim Previdência.

Como ele queria.

O Paulo vive. Obrigado, Fratello.

***

Aos amigos que quiserem prestar a última homenagem ao Paulo, seu corpo será velado no Cemitério Gethsêmani do Morumbi nesta sexta, 30, das 10h às 15h. Praça da Ressurreição, número 1.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Janot é o grande derrotado desta semana

Golpe de mestre a nomeação de Raquel Dodge. Temer foi rápido e desarticulou Janot, que passou a ser uma sombra do passado.

Qualquer coisa que diga vai ser vista com muita reserva, já que não tem sustentabilidade garantida.

Esse lance fez diminuir também sua autoridade no STF.

Cegou-se em investir em Nicolao que não tinha chance de ser escolhido e perdeu a oportunidade de questionar a legitimidade de Temer indicar seu sucessor.

Tinha tudo e ficou sem nada.

A roda de puxa-sacos em seu entorno vai se dissolver rapidamente, pois, para essa turma, Rei morto é Rei posto.

Nada que não for articulado com Raquel terá valor.

Enfim, Janot é o grande derrotado desta semana, com seus passos precipitados e mal pensados.

Eugênio Aragão


Dodge this! (Desvia dessa!)

Religiosidade em alta

Rubem Gonzalez

Hoje acordei profundamente religioso e místico, portanto nada melhor que um ensinamento bíblico para abrir os trabalhos, e para isso nada melhor do que um ensinamento puramente do velho testa, o meu predileto com bastante sangue e tripas, apesar de algumas correntes acharem que Lucas seja do novo testamento.

Mas se nem eles que passam a vida inteira só estudando isso chegaram a um consenso eu vou usando esses ensinamentos bem massa, afinal a autodefesa é a violência justificada e pelo somatório de putarias que vemos todos os dias já passou da hora de tomarmos atitudes e o futuro em nossas mãos;

VENDE A TUA MANTA E COMPRE UMA ESPADA.
(Lucas 22:36)


Mais uma do passado para o presente e que vale para o futuro.




Lucas 22

36 Disse-lhes pois: Mas agora, quem tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e quem não tiver espada, venda o seu manto e compre-a.

A complexidade da realidade brasileira

Gustavo Castañon 

A realidade brasileira é complexa demais, e todo mundo erra em algum ponto da análise. Mas eu costumo a acertar mais do que os outros porque parto de premissas melhores (na minha opinião):

1) O que a elite que realmente manda quer não é se vingar dos pobres, essa é a classe média. Ela quer é explorar ao estado no máximo de seu limite de sobrevivência e viver de juros.

2) Quem manda nos políticos brasileiros de direita é a Globo e os Bancos, e quem manda nos dois são os órgãos colegiados do sistema financeiro internacional e suas agências de inteligência: a CIA, FBI e NSA.

3) Político brasileiro vende qualquer coisa, menos a liberdade, e entrega qualquer coisa, menos dinheiro. Só na porta do xilindró reagem a seus donos.

4) Esse processo não está sendo conduzido por esses procuradores e juízes corruptos e retardados, completamente retardados mentais, mas do exterior.

5) O empresariado nacional que ainda existe só dará um basta quando estiver na beira de perder tudo. O que começa a acontecer... agora.

Tiraram a única justiça que o pobre tinha, a justiça do trabalho



Gleisi Hoffmann: "Tiraram a única justiça que o pobre tinha, a justiça do trabalho"

A fortuna de Aécio


Folha de S.Paulo - Bernardo Mello Franco

O senador Aécio Neves não pode reclamar da sorte. Em março, ele foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista. Sua irmã foi presa por negociar a entrega do dinheiro. Seu primo foi preso por receber o pagamento. Ele continuou solto, graças à imunidade parlamentar.

Em 2014, o tucano prometeu combater a corrupção e recebeu 51 milhões de votos para presidente. Depois da divulgação dos áudios, ele pareceu condenado à morte política. Faltaria cumprir o rito fúnebre, com a perda do mandato e da liberdade.

Aécio sumiu do Senado, mas continuou a se mexer nos bastidores. Mesmo afastado do comando do PSDB, ele ajudou a articular a permanência do partido na base do governo Temer. Aos poucos, sua fidelidade começa a ser recompensada.

Na semana passada, o tucano colheu três boas notícias. O Supremo Tribunal Federal tirou sua irmã da cadeia. O ministro Gilmar Mendes foi sorteado para relatar um de seus inquéritos por suspeita de corrupção. Para fechar o pacote, o Conselho de Ética arquivou a representação que pedia a cassação de seu mandato.

"Indeferi por falta de provas", declarou o presidente do conselho, João Alberto Souza. O peemedebista é conhecido por ajudar colegas em apuros e já salvou figuras como Jader Barbalho e Renan Calheiros.

Nesta semana, Aécio voltou a ganhar motivos para sorrir. Na terça, o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado para relatar outro inquérito sobre ele. No caso, o tucano é suspeito de receber propina na construção da sede do governo de Minas, que custou mais de R$ 2 bilhões.

Até o início do ano, Moraes era filiado ao PSDB e recebia ordens do senador. Apesar disso, ministro não deu nenhum sinal de que vá se declarar suspeito para julgá-lo.

O dicionário "Houaiss" registra dois significados para o verbete "fortuna": "boa sorte, felicidade, ventura" e "soma vultosa de dinheiro". Como se vê, Aécio pode se considerar duplamente afortunado. 

Temer e a bandidagem: tudo por afinidade


Ninguém se cerca de Geddeis, Moreiras & cia. se não por afinidade

Folha de S.Paulo - Janio de Freitas

A crise enlouqueceu mais um pouco. Com propensão a escapar de mais controles espontâneos e automáticos, sem que se anteveja quais seriam no estoque denominado Constituição.

Entre Michel Temer e Rodrigo Janot reduziu-se a reserva de respeito forçado no convívio dos Poderes. Certo é que, com avanço ou com recuo da crise, nenhuma das saídas imagináveis é sequer razoável. Já é muito grande a corrosão geral, e tão maior será quanto mais a crise perdure. No conjunto de incógnitas, a especulação mais interessante: o atual desalento da sociedade com o seu país será sempre desalento ou levará a um desabafo daqueles?

Se depender do Congresso, a segunda hipótese tem maior chance. A Câmara que abriu a corrida para o impeachment de uma presidente, por truque contábil de que nem era a autora, é a mesma com óbvia disposição de negar licença para o impeachment de um presidente assoberbado por denúncias. Desde corrupção, dificuldade de construir uma defesa sem contradições e inverdades, e ainda pelos 76% que desejam vê-lo rampa do Planalto abaixo.

As defesas apresentadas por Temer, aliás, têm um componente mais dramático do que policial ou judicial. Janot e seus procuradores estão convencidos de que os R$ 500 mil na mala passada por Joesley Batista a Rodrigo Rocha Loures eram, na verdade, destinados a Michel Temer. Nas suas três defesas públicas, Temer não fez alusão à mala e à prisão do seu representante autorizado junto a Joesley e aos interesses do grupo JBS/J&F (lamento a frustração, mas nada a ver com o J e F aqui no velho batente). Na argumentação, porém, esteve implícita a negação de envolvimento com a mala e seu conteúdo. Logo, Temer joga o amigo "de total confiança" no papel de único achacador, recebedor e dono dos R$ 500 mil. E nem adianta que Loures o desminta, se for o caso, por falta de prova. Está nas mãos de Temer, que não as estenderá, e de Joesley, que joga com interesses.

Por falar em defesas de Temer, há ainda uma contradição suicida na mais recente e já tão esmiuçada. A inexistência de adulteração e, portanto, a validade da sua gravação com Joesley Batista é afirmada pela perícia da Polícia Federal. Temer a considera "prova inválida e ilícita", pelas falhas de som em segundos e frações de segundo. Na ocasião, também disse: "na pesquisa feita seriamente pela Polícia Federal, pelo seu Instituto Nacional de Criminalística" (...). A competência técnica da PF e do INC não merece dúvida, se não há influência política externa ou interna. Reconhecido por Temer que a PF e o INC trabalharam "seriamente", está desmentido seu argumento de invalidade da perícia oficial como prova em fins judiciais.

Que fins serão esses e os demais, estão acima de fantasias primárias de renúncia de Temer "para bem do Brasil", "por patriotismo". Não há lideranças políticas, nem pensadores em condições de influência, para evitar que a crise siga com geração própria. E com a colaboração desesperada e mercantil de Michel Temer. Mas sem justificar surpresas.

Era fácil saber logo de quem se tratava: ninguém se cerca de Geddeis, Moreiras & cia. se não for por afinidade, se não tiver o mesmo propósito pelos mesmos meios. Apesar disso, Michel Temer foi e continua apoiado não só no Congresso, mas também, e talvez com mais força, no empresariado graúdo. Nas vestais do PSDB gananciosas da sucessão presidencial ou pendurados nos ministérios. Nos que empurraram o país para o buraco, pela ninharia de uma contabilidade inútil, e hoje calam sua responsabilidade, felizes no elitismo e trêmulos de medo da polícia e da Justiça.

21 razões pelas quais já estamos em Estado de exceção

Check list: 21 razões pelas quais já estamos em Estado de exceção


1. a advocacia se torna um exercício de humilhação cotidiana;

2. indício e presunções viram prova, prova é transformada em uma mera crença e juiz condena réu a longa sentença (reformada) baseado em meros relatos de delatores;

3. faz-se condução coercitiva ATÉ de advogado, em flagrante violação do CPP e da CF;

4. advogado é processado por obstrução de justiça porque aconselha seu cliente a não fazer colaboração premiada;

5. ocorre divulgação (seletiva ou não) de gravações resultantes de intercepções não autorizadas; isto é, quando a GloboNews e o Jornal Nacional sabem antes do próprio réu;

6. arquiva-se, com argumentos de política e não de princípio, representação contra quem procedeu — confessadamente — a divulgação da prova ilícita;

7. ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça confessa que foi conivente com vazamento, sob o argumento de que a ilegalidade era para o bem;

8. o MP faz denúncia criminal considerada por Tribunal Regional Federal como coação ilegal (assim, literalmente) e isso não acarreta repercussão nos órgãos de fiscalização do MP;

9. membros do Ministério Publico e do Judiciário se manifestam em redes sociais (tomam lado) confessando parcialidade e incitando a população contra o Tribunal Superior Eleitoral, face a julgamento com o qual não concordam;

10. agentes políticos do Estado vendem, por intermédio de agenciamento comercial, palestras por altos valores, autopromovendo-se a partir de processos judiciais das quais são protagonistas;

11. ocorre a institucionalização da ausência de prazo para prisões preventivas (há casos de prisões que ultrapassam a dois anos, usadas para forçar delações premiadas e acusados (ou indiciados) “aconselhados” a trocarem de advogado, para contratarem causídicos “especialistas” em delação;

12. juiz constrói um Código de Processo Penal próprio, a ponto de, no bojo de uma sentença de um réu, dar incentivo condicionado à delação de um outro réu, tudo à revelia da lei e do CPP;

13. se institucionaliza a dispensa dos requisitos do artigo 312 do CPP para decretação de prisão preventiva; lei vale menos que o clamor popular;

14. um agente político do Estado troca de lado no combate ao crime: em linguagem ludopédica, é um craque — sai do ataque e vai para a defesa;

15. delações concluídas e homologadas à revelia da legislação, inclusive com cumprimento de penas que-não-são-penas porque não houve julgamento; ou seja, o prêmio da delação premiada é recebido antes do processo;

16. “normalização” do lema “se delinquir, delate” (conforme bem denuncia o jornalista Vinicius Mota): “está aberta a via para um ciclo de delações interminável e potencialmente infernal, porque composto de informações de difícil comprovação”; lambuzamo-nos com o melado recém-descoberto, diz Mota;

17. perigo de se institucionalizar uma espécie de “lavagem de prova ilícita”, isto é, a legitimação de delações sem denúncia e “constitucionalização” da possibilidade de uso de prova ilícita (por exemplo: o sujeito, via prova ilícita de raiz, chega ao MP e faz acordo; com esse acordo, recebe imunidade; depois essa prova estará “lavada” e o judiciário não mais poderá anulá-la);

18. naturalização de decisões que decretam prisões baseadas em argumentos morais e políticos;

19. naturalização de denúncias criminais baseadas em construções ficcionais; enfim, decisões (atenção: o ato de denunciar alguém[1] já é uma decisão) que deveriam ser baseadas no Direito não passam de escolhas baseadas em opiniões morais e políticas;

20. como se fosse candidato a senador ou presidente da república, candidato a PGR diz que precisamos de uma reforma política..., mostrando, assim, que alguma coisa está fora de ordem nas funções estatais;

21. por último, estamos em Estado de exceção Regional (EER) quando todos os itens acima não causam indignação na comunidade jurídica e parcela majoritária dela os justifica/naturaliza pelo argumento de que “os fins justificam os meios”.


A lista pode ser estendida. São sintomas. Cada leitor pode fazer a sua. O que aqui foi exposto é simbólico. Tudo começou com o ativismo e a judicialização da política... para chegar ao ápice: a politização da justiça.

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Leia a matéria completa no Conjur

Temer escolhe Raquel Dodge para suceder Janot


Michel Temer escolheu o nome da subprocuradora Raquel Dodge para assumir o cargo de Rodrigo Janot no comando da Procuradoria Geral da República.

O anúncio foi feito na noite desta quarta-feira 28 pelo porta-voz do Palácio do Planalto, Alexandre Parola.

O nome de Raquel foi o segundo mais votado na lista da Associação Nacional dos Procuradores da República.

O mais votado era Nicolao Dino (681 votos) e o terceiro da lista era Mario Bonsaglia (564). Raquel Dodge obteve 587 votos.

Ao preterir Dino, Temer põe fim a uma tradição mantida desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula. Tanto Lula quanto Dilma Rousseff escolheram para o cargo de procurador-geral o primeiro colocado da lista tríplice.



Paulo Skaf defende presidente criminoso por interesse pessoal


Laura Carvalho

Presidente da Fiesp faz defesa interessada de Temer

O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, declarou na segunda-feira (26) que "não cabe à Fiesp falar sobre renúncia de presidente da República, mas defender a retomada do crescimento do país e soluções para os 15 milhões de pessoas que estão sem emprego".

"Cabe à Fiesp discutir economia, não política", explicou.

Quando indagado sobre por que, então, a Fiesp declarou apoio formal ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016, Skaf atribuiu a mudança de posição da federação à suposta melhora no cenário econômico: enquanto Dilma teria jogado o país na recessão, Temer teria controlado a inflação, reduzido juros e estaria aprovando as reformas estruturais.

"Não há como comparar uma situação com a outra", justificou.

Fica difícil identificar o que há de mais contraditório nessas declarações. Mesmo se fosse verdadeira a assertiva de que a situação econômica do país melhorou significativamente após a entrada de Temer, Skaf essencialmente reconheceu que eventuais crimes cometidos por um ou por outro pouco importam.

Seria legítimo derrubar um presidente apenas porque a economia vai mal ou manter no poder um presidente criminoso apenas porque a economia vai bem.

Não é, portanto, a política que passa longe das preocupações da Fiesp, e sim a democracia e as leis do país.

Mas as contradições não param por aí. Ao contrário do que tentou defender Skaf, a economia não vai nada bem. A inflação mais baixa também é fruto do desemprego em alta e da pior recessão de nossa história, que ainda não chegou ao fim. E o que é pior: a Fiesp é em boa parte responsável por isso.

Implementada desde o primeiro governo Dilma Rousseff, a política de desonerações fiscais já custou mais de R$ 500 bilhões aos cofres públicos e tomou o lugar no Orçamento de itens com capacidade muito maior de estímulo à geração de empregos, como os investimentos públicos em infraestrutura física e social.

O congelamento das tarifas de energia elétrica também custou caro, não apenas às distribuidoras de energia mas também ao país: quando reajustadas em 2015, contribuíram para a aceleração da inflação no ano e, assim, para o adiamento da queda de juros em meio à crise.

O ajuste fiscal pela via do corte de gastos e investimentos, por sua vez, contribuiu para aprofundar a recessão, elevar o desemprego e deprimir salários, o que acabou prejudicando as vendas e os lucros do próprio setor industrial.

A coluna do diretor-presidente da CSN e vice-presidente da Fiesp Benjamin Steinbruch, publicada nesta Folha na terça (27), deixou claro que até mesmo altos representantes do empresariado industrial já perceberam o volume de erros cometidos.

Mas não é essa a visão institucional da Fiesp, para quem o apoio a quase todas as políticas equivocadas que marcaram os últimos seis anos não bastou.

Após o segundo ano consecutivo de recessão e queda da arrecadação, o anúncio pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que poderia ser necessário algum aumento de impostos para o cumprimento da meta fiscal de 2017 levou a Fiesp a lançar nova campanha publicitária nos jornais, deixando claro que não está mesmo disposta a pagar o pato.

Ainda assim, é possível que as mais recentes declarações de Skaf não tenham traduzido o pensamento de boa parte dos setores da indústria representados na federação.

Afinal, suas preocupações mais urgentes parecem não ser nem de natureza política nem econômica: o presidente da Fiesp foi ele mesmo citado na delação de Marcelo Odebrecht e acusado de receber uma quantia de R$ 10 milhões via caixa dois para sua campanha eleitoral de 2014. 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Engenharia da Fé

Ou "Brasileiro, Profissão Esperança"


Mais um sonho coxinha vira pesadelo


Esse ignorante é um JUIZ. 
Dólar na época: R$ 3,2931 - Dólar hoje R$ 3,294



E antes disso tudo começar, como é que era?


O legado de Janot


"O discurso moralista pequeno de Janot fez mais estragos do que reparos à combalida paisagem política do país. E os que hoje o aplaudem porque, num “grand finale”, resolveu enfrentar o golpista que deixou correr solto para derrubar uma presidenta honesta eleita por 54 milhões de brasileiras e brasileiros, se esquecem que estão empoderando um monstro. Este, com métodos policialescos de combate a organizações mafiosas, está atacando a democracia, a soberania popular e o tecido institucional. Qualquer presidente eleito terá, a partir de agora, que fazer “caramuru” ao Ministério Público, se quiser sobreviver até o final de seu mandato.

O que sobrou dessa luta encarniçada, não contra a corrupção, mas a favor da alavancagem corporativa do Ministério Público, é uma economia destruída, a falta de liderança para tirar o país do buraco e o império de uma mídia tanto oportunista, quanto golpista na defesa dos interesses de uma minoria endinheirada. E a corrupção vai bem, obrigado, porque sem mexer nas causas, apenas reprimindo seus efeitos, a bactéria que alimenta a doença vai se tornando mais resistente".


Eugênio José Guilherme de Aragão é ex-Ministro da Justiça, Subprocurador-geral da República aposentado, Professor da Universidade de Brasília e Advogado.


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Aos poucos, a máscara cai: Doria quis transformar miséria no Nordeste em atração turística

Por Joaquim de Carvalho


Quando era presidente da Embratur, João Doria tentou implantar no Brasil uma novidade na indústria do turismo. É verdade que, na sua época, a estatal publicou em revistas estrangeiras anúncios com mulheres em trajes mínimos, na praia, um convite subliminar ao turismo sexual.

Mas esta já era uma prática na empresa.

O que nunca havia sido sequer cogitado é tornar a seca e a miséria no Nordeste um atrativo turismo para os moradores do Centro-Sul do Brasil.

Doria inovou.

O escritor Ivan Mizanzuk postou hoje no Twitter notas publicadas em jornais da época.

Em julho de 1987, a Folha de S. Paulo noticiou:

“A seca, os flagelados famintos e a caatinga nordestina poderão virar atração turística por sugestão do presidente da Embratur, João Doria Júnior, que propôs em Fortaleza (CE) a instalação de albergues turísticos na região”, disse.

A Gazeta Mercantil (importante jornal da época) reproduziu um discurso de Doria a empresários do Ceará, em que ele disse que “a seca poderia ser um ponto de atração turística no Nordeste”.

A reação foi imediata. Jornais locais repercutiram a “ideia” extravagante do gestor da Embratur.

“A fome como atração turística” é o título de uma dessas notas.

O texto afirma que Doria defendeu a redução de verbas de irrigação, como forma de aumentar “as de turismo para exibir flagelados da seca porque os habitantes do eixo Rio-São Paulo só conhecem a seca através da imprensa. Ou seja, em vez de empregar o dinheiro do governo para financiar a produção, empregaria tal verba para que os turistas, em ônibus refrigerado e regado a uísques, possam se distrair vendo as crianças esqueléticas tomando lama em lugar de água”.

A radialista Adísia Sá, na época responsável por um dos programas de maior audiência de Fortaleza, o “Debate do povo”, promoveu uma intensa campanha contra Doria, que acabou repercutindo na Câmara Municipal de Fortaleza, onde Doria foi muito criticado.


Adísia disse que organizaria uma manifestação para “receber a primeira agência de viagens que chegar com uma excursão para visitar a seca” e fazê-la voltar para o Sul, debaixo de vaia.

O caso chegou até o presidente da época, José Sarney, a quem se pediu a demissão de Doria.

Mas o presidente da Embratur se manteve no cargo. Suas costas eram quentes: ele era apadrinhado de Roseana Sarney, filha da presidente, a quem ele acompanhava no Rio de Janeiro, no período em que Roseana esteve separada de Jorge Murad.

Adísia já está com mais de 80 anos, é articulista do jornal O Povo, mas não trabalha mais no rádio. Eu conversei com ela pelo telefone. Adísia disse estar impressionada com a popularidade que Doria alcançou em São Paulo, mas não quis falar do assunto.

“Faz tanto tempo”, disse.

João Doria chegou à prefeitura de São Paulo com um discurso de gestor eficiente, que nunca foi político, um trabalhador desde adolescente.

Para tanto, mostrava sua carteira de trabalho, tirada quando tinha 13 anos de idade, e a exibia como prova de sua inclinação para o trabalho honesto.

O que Doria nunca mostrou é um registro profissional que teria tido nesta idade.

As pessoas mais velhas sabem que, durante a ditadura, a carteira profissional era um documento mais importante do que o RG para adolescentes.

Era a primeira coisa que os jovens mostravam à polícia quando abordados, para evitar prisões por vadiagem, que eram comuns na época. E menores eram encarcerados tanto quanto os adultos.

Uma face mais aproximada do verdadeiro jovem Doria foi descrita por ele mesmo, num artigo publicado na Folha de S. Paulo em 1988, quando já buscava oportunidade de negócio em Campos de Jordão.

Narrando como era sua vida lá, Doria contou:

— Já adolescente, no final da década de 60, eu peguei os resíduos talvez da época áurea de Campos de Jordão. Os jovens usavam calças rancheiras da marca Far-West e camisas de flanelas listrada, aplaudiam os shows de Elis Regina, Jair Rodrigues e até atrações internacionais nos salões do já então tradicional Grande Hotel. Os chás no Toriba eram e permanecem sendo um ato de elegância gastronômica e de moda. Julho era um mês aguardado pelos que subiam a serra, numa horrível viagem de quase quatro horas pela antiga estrada, para desfrutarem do frio seco e gostoso.

No mesmo texto, explica como se divertia com as brigas dos playboizinhos:

— Em Capivari, um dos centros de Campos, a badalação era animada, com batidas do bar Cremerie. Ajustavam-se namoricos e marcavam-se encontros na boite Maumauzinho. Noites quentes aqueles no Maumau, especialmente quando os irmãos Abdalla e Conde resolviam exercitar dotes pugilísticos. Sobravam dores, mesas quebradas e muitas estórias (sic) para alimentar as rodas de papo à beira da lareira. Gincanas e as disputadas eleições de Miss Suéter no Tênis Clube, completavam o cenário das temporadas de inverno.

Alguém consegue ver neste perfil o João Trabalhador apresentado na campanha para a prefeitura de São Paulo?


PS: Doria foi demitido da Embratur em agosto de 1988, sob a suspeita de desvio de recursos, entre outras irregularidades.

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João Doria queria usar fome e sede no nordeste como atração turística



Como Deus colocou Temer lá?



Não sei como Deus me colocou aqui...


Sérgio Moro, aberração fascista, mantém Vaccari preso sem condenação, sem provas e sem medo de ser FDP


Depois de ser derrotado no TRF-4, num processo que anulou a primeira condenação de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, sob o argumento de que ninguém pode ser condenado apenas com base em delações, o juiz Sérgio Moro não cumpriu o alvará de soltura; Moro alegou que Vaccari deve continuar preso por estar condenado em outros processos que ele próprio julgou; ao contrário de Vaccari, os cinco delatores que o acusaram ganharam o regime aberto; Vaccari já ficou mais de dois anos presos preventivamente, embora tenha sido agora absolvido em segunda instância



Por que Luciana Genro prefere destruir Lula a combater a direita?

Luciana Genro e Janaína Paschoal são a mesma pessoa 

Do DCM
Por Kiko Nogueira
Luciana Paschoal e o Jesus de pau

Circula na internet uma montagem de Luciana Genro com o Jesus de pau de Janaína Paschoal.

Janaína e Luciana se encontraram nos extremos e se descobriram a mesma pessoa.

Uma à direita e a outra à esquerda, ambas têm uma obsessão invencível por Lula que as une e as apequena irremediavelmente.

Nos últimos dias, com as denúncias de Janot contra Michel Temer, o ladrão que sequestrou o Brasil com sua corriola, a musa do impeachment concentrava sua indignação nos petistas. 

“Para o país, seria muito bom que Temer saísse logo. Mantê-lo só fortalece Lula, que confortavelmente sai do foco. Ninguém percebe isso?”, escreveu no Twitter, onde mora.

Luciana aproveitou o pronunciamento de Michel e bateu na velha tecla: “Não foi Deus que te colocou na Presidência, Temer. Foi Lula que te escolheu como vice da Dilma e Cunha que abriu a porta para o impeachment”.

Michel foi indicado pelo PMDB para a vice presidência na chapa com 84,8% dos votos dos convencionais. Poderia ter sido barrado? Talvez. Dilma e Lula o apoiaram. Dava para governar sem o PMDB? São outros quinhentos. 

O oportunismo de Luciana é emblemático de um estilo político do pensar pequeno. Faz sentido esse tipo de cotovelada a essa altura?

O ódio de Luciana Genro a Lula e Dilma pode ter uma explicação psicológica na transferência da raiva que ela sente pelo pai,  Tarso.

Como seu doppelganger Janaína, ela idolatra a Lava Jato. Já disse que tem “vibração com a investigação”, sabe-se lá o que isso signifique.

Quando da coercitiva de Lula, frisou que o ex-presidente  “foi tratado com dignidade pelos policiais, algo que não acontece com os mais pobres”, numa justificativa pueril para a arbitrariedade (se os mais pobres são maltratados por policiais, Lula também deveria ser).

Em sua cegueira, Luciana ama, ou finge amar, a República de Curitiba — que a despreza como uma bruxa bolivariana e quer queimá-la na fogueira.

Ela prefere destruir Lula a combater a direita. Você nunca verá essa ferocidade incessante, por exemplo, contra a Globo. Para isso, falta-lhe coragem.

Uma coisa é cavar, legitimamente, um espaço à esquerda num cenário dominado pelo PT e seu pragmatismo há décadas e que precisa de alternativas.

Outra é atacar de maneira desleal e estúpida um líder popular no momento em que despontam, do lado lá, um Bolsonaro, um Doria e o obscurantismo.

Michel Temer e o conservadorismo brasileiros podem ficar sossegados. Enquanto houver Janaína Paschoal e Luciana Genro, os banheiros do Ibirapuera continuarão limpos.


Por que assistir o Greg News


Nilson Lage

O primeiro one-man show que vi - no auditório do Colégio, era adolescente - foi dramático e impactante: As mãos de Eurídice, de Pedro Bloch, por Rodolfo Mayer.

De humor, mais ou menos na mesma época, um filme, de Red Skelton. E, mais tarde, Dercy Gonçalves, mas essa, acho, não conta porque sempre representou ela mesma.

Monólogos, assisti a centenas, embutidos em obras cênicas como áreas em óperas - espaços para virtuosismo do ator.

No caso desse programa do Gregório Duvivier - Greg News - , não gosto do formato - cenário, pop-ups. Irrita-me particularmente a gravação com palmas e risos onde o roteirista acha que foi engraçado: é a coisa mais chata de comédias americanas na TV .

Também não consigo achar graça na maioria das piadas, mas isso deve ser defeito meu.
Por que indico, então, indico este programa especificamente?

Porque a informação é da melhor qualidade e a conspiração de silêncio da mídia a esconde o mais que pode.

Denuncia uma forma de exploração do trabalho engendrada no modo capitalista de produção e que vem sendo imposta aceleradamente.

O objetivo é superar a condição proletária - o contrato coletivo de trabalho,esteio da solidariedade de classe - substituindo-a por outra, que recupera e inverte o modelo da escravidão.

Nela, em lugar de condenado à dependência, o trabalhador se condena à liberdade.

No primeiro momento, a sensação é ótima, a novidade comove.

Mas logo o sujeito descobre que não está livre como um pássaro, com com vastos horizontes, mas como os órfãos e os náufragos, inseguro e só.

Rezaram a missa sem o corpo presente


Por Fernando Horta
“A explosão de vontade popular que o Partido dos Trabalhadores prometia ficou apenas na vontade. (...) Lula ficou muito aquém da expectativa. Esse malogro relativo complica bastante o futuro dessa legenda; se todo o carisma do líder metalúrgico não lhe trouxe o suporte que se esperava em São Paulo, como será a organização nos demais estados, onde não há Lulas disponíveis?”
O texto acima foi veiculado na Folha de São Paulo no dia 16 de novembro de 1982. Lula ficou em terceiro colocado, com pouco mais de 10% para o governo do estado. O PT fez 8 deputados federais e 12 estaduais no Brasil inteiro. Nenhum governador, nenhum senador. Os comentaristas políticos afirmavam que seria uma legenda “natimorta”. Se em dois anos que teve para se organizar o PT não tinha colhido bons frutos, a verdade é que nada ali indicava – segundo a mídia – que o partido “vingaria”.

Em 1989, Lula recebeu quase 12 milhões de votos para a presidência, fazendo pouco mais de 17% do total. Em 1994, Lula recebia 17 milhões de votos (27% do total) e em 1998 – antes de FHC liberar a crise do real – Lula recebia 21,5 milhões de votos perfazendo quase 32% do total do eleitorado. O PT, que havia recebido 3,1 milhão de votos para governador em 1986, recebeu 5,3 milhões em 1990 (elegendo seu primeiro senador) e em 1994 recebia 6,7 milhões de votos para governador, elegendo os dois primeiro governadores da sigla.

Para um partido que tinha “o futuro bastante complicado” sem “Lulas disponíveis” pelo país, o crescimento era homogêneo, tanto Lula quanto do PT amalhavam votos de forma semelhante. Em 1994, a bancada federal do PT era composta de 5 senadores (um eleito em 1990 e 4 em 1994) e cincoenta deputados federais. Nas eleições de 1998, dominadas pela polêmica emenda da reeleição, o partido faria apenas 59 deputados federais, três senadores e três governadores. O modelo do partido “amador”, na terminologia de André Singer, parecia esgotado. Em 1997, José Dirceu era eleito de forma indireta para a presidência do PT, e com ele surge o chamado “partido profissional”.

Nas eleições de 2002, o partido faria 91 deputados federais, crescendo mais de 70% e Lula seria eleito presidente com 39,5 milhões de votos no primeiro turno e 52,7 no segundo. Em 2001, o PT tinha cerca de quinhentos mil filiados. Qualquer análise séria destes números deve levar em conta a nova gestão feita por Dirceu, mas também o absoluto fracasso do segundo governo de FHC e seu receituário neoliberal. O PT havia crescido suas bases até o máximo que o convencimento oral e a manutenção do “partido-raiz” conseguiram até 1998. O salto dado em 2002 é certamente maior do que o PT. A classe média, cansada e empobrecida, não comprou mais o discurso engomado do PSDB. Lula por seu turno, deixou de usar camisa polo vermelha e figurar como um líder sindical, para vestir terno e gravata. O famoso “lulinha paz e amor”.

De 2002 a 2014, entretanto, durante o momento mais alto da Era Lula e depois o primeiro governo Dilma, o número de deputados federais que o PT elegeu caiu constantemente. Foram 83 em 2006, 73 em 2010 e apenas 70 em 2014. O PMDB mantinha-se como a maior bancada no plano Federal. Já nos municípios, o PT ameaçava seriamente o controle do PMDB. Em 2012 o PT governava 37 milhões de pessoas em termos municipais, batendo pela primeira vez na história da República pós-64 o PMDB, embora fosse apenas o terceiro partido em número de prefeituras. Para um partido que nunca havia feito mais do 5% dos votos totais nas eleições municipais este era um indício perigoso para o fisiologismo do PMDB.

Em 2006, em função do mensalão muitos declararam o Partido dos Trabalhadores “morto”. Inclusive há versões sobre análises internas da oposição à Lula, de que seria melhor evitar o impeachment e deixa-lo “sangrar”. Em 2006, após o primeiro ataque midiático-jurídico ao PT Lula se reelegia com 46,5 milhões de votos no primeiro turno (mais do que na eleição anterior) e 52,2 milhões no segundo turno. O aumento do número de votos supera o crescimento do número total de votantes, mostrando que Lula e o PT ganhavam votos em meio à crise. Ainda, o partido passava de 411 prefeitos eleitos em 2004 para 564 eleitos em 2008 e atingiria o auge de 635 em 2012.

A pergunta que se deve fazer é, este aumento do PT durante o período de crise é efetivamente “PT”? Penso que não. O tamanho de um partido de matriz rígida ideológica é sempre pequeno. O PSOL padece deste problema. Para crescer e amealhar espaços efetivos no sistema federal é preciso aumentar o conjunto de pressupostos ideológicos aceitos como válidos. Alguns dirão que o PT “aumentou demais” o seu conjunto, mas penso que aqui jogou ainda o papel da classe média, embalada pelo crescimento da economia. Em 2010, Dilma faria 47,6 milhões de votos no primeiro turno (mais que Lula em 2006) e 55,7 milhões no segundo turno. No início de 2013, Dilma atingia 79% de aprovação, em 19/3, segundo o IBOPE. O índice era maior que Lula e FHC em seus primeiros mandatos.

Em 2013, começa o ataque ao PT e ao governo Dilma. Primeiro as chamadas “Jornadas de Junho” e, em seguida a campanha presidencial do PSDB coloca em movimento as ferramentas das redes sociais. A economia já dava sinais de retração, seja pelo custo da crise internacional e o recuo das demandas de China e União Européia (nossos dois maiores compradores), seja pela fim do “superciclo” das commodities, o que se vê é que o orçamento brasileiro passa a diminuir. Logo em seguida, em 2014, temos a criação dos grupos protofascistas no Brasil (MBL e assemelhados), hoje se sabe que com financiamento internacional e de partidos como PSDB e PMDB. E recrudesce a Lava a Jato com a tática de Sérgio Moro dos vazamentos para “ganhar o apoio da população”, como ele indicaria em artigo escrito em 2004.

Mesmo com forte ataque midiático, jurídico e social (com os movimentos de internet direcionados pela histeria comunista) o PT faria nas eleições de 2014 seu maior número de governadores, cinco. O número de filiados em 2015 crescia mais de 80% em relação a 2014 e era o maior registrado entre os partidos no Brasil. O partido que tinha cerca de 840 mil filiados em 2005, vai atingir quase 1 milhão e seiscentos mil em 2014, aumentando ainda mais este número nos anos seguintes.

No ano de 2014 ocorre um fato que é cabal para o impeachment e o acirramento da campanha de criminalização do PT. Ao mesmo tempo que se discutia no judiciário a proibição do financiamento de campanha por meio de empresas, José Dirceu, José Genoíno e outros políticos do PT conseguiam levantar imensas somas em doações espontâneas e individuais para fazer frente às multas impostas pela justiça. Gilmar Mendes, o representante da oposição no STF naquele momento, perde a compostura diversas vezes, pois via que o PT teria como financiar suas campanhas sem as empresas (o “partido amador”, lembram?), já a elite não. O desespero toma conta de Gilmar, que não só vota contra o fim do financiamento como pede “vistas” ao processo para que a lei não valesse para as eleições de 2016.

Diante de toda a crise política, da lava a jato, da crise econômica, das traições do PMDB e do custo midiático do constante ataque, nas eleições de 2016 o PT ganha apenas 255 prefeitos e faz 2812 vereadores, pouco mais da metade do que fez em 2012 (5181). Parte dos analistas políticos, da mídia e dos intelectuais “ex-esquerda” vestiram preto e sorriam felizes no velório do PT. Vociferavam o fim do partido com felicidade semelhante ao espanto com que receberam a notícia desta semana, de que o PT era o partido mais preferido pela população e que crescia o número de simpatizantes. Vários intelectuais postaram-se a fazer verdadeiras ginásticas retóricas que envolviam desde “compra de apoio por cargos” até a velha “falta de memória do povo”. Tristes pessoas.

A verdade é que a campanha colocada em prática desde 2013 fez desembarcar do projeto nacional petista a classe média que o tinha alçado à presidência em 2002. Mas o custo desta campanha é imenso, seja para o Brasil seja o custo individual, e esta classe média já percebe que a economia do projeto neoliberal vai lhe colocar de novo em 1998. Ainda, estão evidentes os abusos contra Lula (e também contra Vaccari, condenado por Moro a 15 anos, preso por quase dois e depois absolvido no segundo grau!). Isto tudo ajuda na recuperação dos índices do PT, mas o principal ponto é sua militância.

Em toda a turbulência, o militante do PT tem se mantido fiel. Não precisou trocar de candidato nem apagar fotos correndo, conforme provas robustas iam sendo apresentadas na mídia contra PSDB e PMDB. Lula é sem dúvida o grande nome para 2018, mas não subestimem o maior partido de massas de esquerda da América Latina. Tampouco imaginem que a classe média é completamente manipulável. Quando começa a faltar comida na mesa não adianta vídeo no youtube, pastor entregando panfleto anticomunista ou palestra motivacional de “empreendedorismo”. A verdade é que alguns fizeram um velório sem corpo. Riram antes da hora e agora não sabem explicar o motivo do crescimento do PT. Desconfio, pela ética dos comentaristas, que vai acabar terminando no “povo”. Vão voltar a dizer que o povo é “burro” e “sem memória”. Tudo fazem para conseguir uma “democracia sem povo”, uma democracia “mais limpinha e cheirosa”. As máscaras caem mais rápido do que eles conseguem recoloca-las. 

O faz-de-conta


O faz-de-conta: FHC e eleições, Palocci e delação, Moro condena, Ricardo Teixeira ameaça...
Bob Fernandes

O faz-de-conta é um método de comunicar e fazer política. Acredita nos contos quem quer, ou quem não tem como saber.

Fernando Henrique pregou renúncia de Temer, eleições gerais e fim da reeleição.

O mesmo Fernando Henrique que teve comprada a emenda para reeleição e defendeu a "pinguela" com Temer.

Uma década de debate feroz sobre corrupção... e usaram a gambiarra "pedalada" para derrubar Dilma. E enfiar na presidência um bando de antigos e conhecidos corruptos.

Nesse faz-de-conta, por anos manchetes com corruptos pontificando sobre... a corrupção alheia...

...Por anos marqueteiros Caixa 2, e agregados, produzindo marketing ou pontificando sobre... o Caixa 2 alheio. Caixa 2 é crime ou não? E as panelas? Depende do faz-de-conta.

Por anos, procuradores sentados sobre informações que indicavam: a corrupção política-partidária-empresarial é Sistêmica. Generalizada...

...Mas silêncio do faz-de-conta. Como se já nas portarias do Sistema Judiciário, de empresas e redações, não se soubesse... Como funciona e quem pagava a conta.

Moro condenou Palocci a 12 anos. E mesmo se não tiver "provas cabais" condenará Lula. E se faz-de-conta não saber que assim será.

Na justiça, Palocci, ex-ministro da Fazenda, tentou informar sobre auxílio dado a empresas. Disse:

-Empresas de Comunicação tiveram sérios problemas, inclusive com algumas empresas declarando default (calote) nos compromissos externos.

A fala foi imediatamente interrompida. Palocci ainda ofereceu:
.
-Posso dar caminho que talvez vá dar um ano de trabalho, mas é trabalho que faz bem ao Brasil.

Agora, ao condenar Palocci, o juiz Moro respondeu às ofertas de ampla delação feitas pelo ex-ministro. Disse:

-Soaram mais como ameaça (...) do que como declaração sincera...

É o faz-de-conta... Na real, Palocci está conversando com procuradores. Já se busca, inclusive, desenhar um acordo de leniência para o setor financeiro...

...Executivos assumiriam crimes. Os bancos pagariam multas e livrariam a cara.

Ricardo Teixeira negocia delação nos EUA. Se delatar, pode abrir o jogo sobre negociatas & Copas. E sobre os negociadores... E assim escancarar o faz-de-conta.
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