sexta-feira, 19 de maio de 2017

Divisão nas forças golpistas torna futuro mais incerto

Claudio Guedes

Confusão?

Acho que a situação está confusa. Não sou o único que que acha. Mas algumas coisas estão claras. O que vou dizer pode ajudar algumas pessoas a entender melhor o que está acontecendo.

Pela primeira vez nos últimos dois anos, ou mais um pouco, estamos vendo uma cisão clara no bloco de forças políticas e midiáticas que coordenaram a inviabilização do governo Dilma e sua queda.

Por que a cisão?

Porque está tão difícil fazer uma análise concreta da situação concreta, que qualquer análise pode parecer um fútil exercício de futurologia.

Mas devemos tentar. É o que vou fazer.

Simplificando:

O grupo Globo, parte do PSDB (FHC liderando), parte do DEM (Ronaldo Caiado) e parte do PPS (Roberto Freire), entendem que o governo Michel Temer entrou em rota de profundo desgaste e não conseguirá retomar a iniciativa política.

Outra parte das forças políticas citadas + o Estado de São Paulo, a Folha e o grupo Bandeirantes, acham que o governo Temer ainda tem condições de levar adiante as reformas que defendem [trabalhista e da previdência, em particular] e que seria arriscado apostar na queda do governo e na unção de um governo de transição.

Essa é a cisão no bloco de forças que apoiou a derrubada do governo liderado pelo PT e que nos últimos tempos aposta tudo na capacidade da Lava Jato em implodir a candidatura de Lula 2018, inviabilizando uma candidatura que poderá ser a única viável para enfrentar a onda "liberal" conservadora em curso.

Por apenas uma coincidência acho que a leitura feita pelo Grupo Globo & aliados é a mais correta. Acho que dificilmente Temer & seus asseclas vão sobreviver politicamente às próximas semanas. A paralisia do governo dificilmente poderá ser evitada.

O grupo Globo aposta na queda de Temer e quer sair na frente para conduzir/orientar o governo de transição. Acho - e posso estar enganado - que a idéia deles é um governo até 2018, dirigido por uma figura mais simbólica do que política que monte um ministério de tecnocratas, basicamente a equipe de Henrique Meireles reforçada por mais duas dezenas de "técnicos" indicados pelo mercado, que "ponha" o país nos eixos. Ou seja, que aprofunde as reformas liberais, diminua os direitos do mundo do trabalho, privatize a "toque de caixa" tudo que possível e prepare um sucessor de mesmo credo & religião que chegue forte para 2018.

Minha leitura é que sairá na frente do processo quem melhor ler a conjuntura. E nesse sentido acho que os estrategistas ligados ao grupo Globo estão mais próximos de uma leitura correta.

Como disse, repito: acho que o governo Temer é fósforo queimado. Nesse quadro, devemos nos preparar para negociar a transição, evitando a hegemonia do esquema Globo/liberal na montagem do governo que poderá suceder ao agonizante governo Temer.

Acho que devemos estar atentos ao crescente domínio da judicialização da política, coibindo nas ruas e por meio de manifestações de partidos, associações e sindicatos o predomínio dos procuradores e juízes no processo político.

A saída é pela negociação da transição, pela manutenção da democracia e pela convocação de eleições livres.

Um comentário :

  1. Acho melhor apostarmos no contrario...creio se Temer ficar dificilmente poderão prender o Lula...afinal pau que da em chico tem que dar em Francisco....

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