segunda-feira, 29 de maio de 2017

Qual governo de esquerda que deu certo?


Quando um neoliberal ou um protofascista sustentado com informações de think tanks que ele não compreende direito perguntava "qual governo de esquerda que deu certo?", era incômoda a resposta "o governo Lula". "triplicou o PIB, diminuiu desigualdade, aumentou o salário mínimo e tirou 26 milhões de pessoas da linha da fome."

Esta era uma resposta tão incômoda que ele elegeu sua sucessora e assim continuaria. Por algumas décadas.

Daí inventaram a Lava a Jato. Para reescrever a história do Brasil e dizer que nos últimos 13 anos foram de "corrupção em níveis singulares, aparelhamento do estado e mentiras para se perpetuar no poder". Não se trata do passado. De punir corruptos. Trata-se do futuro. De nunca mais deixarem um presidente oriundo de classes trabalhadoras assumir.

PSOL fez ontem o que faz sempre

Claudio Daniel  

Sempre considerei o P$OL um partido da pequena-burguesia, purista e autista, cuja única função é dividir a esquerda e facilitar o caminho dos fascistas. Um bom exemplo da ação nefasta e traidora dessa agremiação é o que aconteceu ontem no Rio de Janeiro:
"Ato de ontem foi um show organizado pelo PSOL, infelizmente não teve o caráter político e combativo que o momento brasileiro pede. Bandeiras do PT foram proibidas no caminhão de som. Barraram as falas de Benedita da Silva, Chico D'Angelo, Wadih Damous e de outros parlamentares do PT; Lindenberg Faria foi vaiado e o nome de Lula também, pela juventude psolista. Era pra ser um puta evento em Copacabana pelas #DiretasJá. Mas o PSOL Oficial tomou pra si a condução e barrou a presença do PT. E que seja diferente em São Paulo. Aqui foi só uma festinha do Marcelo Freixo e seus pares."

Hackers invadiram o computador do Aécio



Cursos de medicina viraram antros de playboys e patricinhas transbordando de ódio de classe

Médicos alemães durante julgamento em Nuremberg, 1946

Leandro Fortes  
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REAÇAS E FURIOSOS  

Já passou da hora de inserir a variável "noção" no filtro de admissão dos cursos de medicina, no Brasil, sobretudo nos das universidades públicas.

Não adianta ser ótimo aluno, ser a primeira da turma, passar em um vestibular dificílimo, mas ser uma toupeira política com a visão social de um bisturi.

Os cursos de medicina viraram antros de playboys e patricinhas transbordando de ódio de classe e visão mercantilista do ofício. Sem falar nos neonazistas e apologistas do estupro.

Não por outra razão, a categoria ficou tão incomodada com os médicos cubanos e com o viés social do programa Mais Médicos, dos governos do PT.

Versão tupiniquim de House of Cards


Claudio Guedes

Zombaria

Vejo que o ministro da Justiça nomeado no domingo, 28/05, pelo presidente Michel Temer, o governante flagrado em meio a negociatas comprometedoras, é advogado e pós-graduado na Universidade de Michigan.

Mas não foi por sua formação que Torquato Jardim foi indicado ministro. E sim por sua ligação e conhecimento do modus operandi do Tribunal Superior Eleitoral onde foi ministro por longos anos (1988-1996). O TSE é uma das cortes onde o destino de Michel Temer será em muito breve decidido.

O presidente postiço, produto de uma farsa constitucional, é entretanto um mandatário coerente. Com ele a liturgia e o comportamento republicano que se devem esperar de alguém que ocupa a presidência da República se resumem a uma postura démodé ensaiada e um jogo de mãos irritante. 

Seus métodos políticos são tão arcaicos quanto.

A corrupção é tratada no próprio palácio oficial que o hospeda, seus assessores diretos suspeitos de corrupção são ministros porque necessitam de blindagem, seu novo ministro da Justiça é nomeado não para ser um elo de interlocução do poder executivo com o poder judiciário, mas alguém para usar sua influência & conhecimento para "livrar" o presidente dos problemas que enfrenta com a justiça. 

Seu assessor de confiança para assuntos de grana & aposentadoria foi guindado ao Congresso Nacional pela nomeação de um "ninguém" ao ministério da Justiça. E agora a ida do inexpressivo deputado federal Oscar Serraglio para o ministério da Transparência mantém o foro privilegiado do deputado afastado pelo STF, Rodrigo Rocha Loures, que é suplente de Serraglio no estado do Paraná.

Parece mentira, um roteiro da versão tupiniquim de House of Cards, mas não é: é isto um resumo do desgoverno Temer. O detalhe é a rejeição de mais de 90% da população à sua presença no Planalto.

Mas ainda não acabou. Tem mais.

O novo ministro da Justiça nomeado, o advogado Jardim, disse, em entrevista à Folha de hoje, 29/05, que ele como "jurista" não se preocupa nem um pouco com o fato de que temos pela primeira vez um presidente da República alvo de um inquérito no STF. E negou que temos uma crise política no país, uma crise de legitimidade política que atinge diretamente o presidente da República e seu governo. Negou simplesmente. Disse que a crise é só na economia.

Como diria aquela modelo muito bonita: é isso que temos "para o dia", ao que eu posso acrescentar: é isso, é essa "coisa" que temos agora no ministério da Justiça.

Está fácil?

De Hitler a Doria, da Nova Berlim à Nova Luz



A Cracolândia e o documentário "Arquitetura da Destruição"

O leitor certamente já deve ter assistido, ou pelo menos ouvido falar, no documentário do sueco Peter Cohen Arquitetura da Destruição. Produzido em 1991, é um dos melhores estudos sobre o Nazismo. Traça o percurso de Hitler e de seus mais próximos colaboradores com a arte - do sonho de se tornar artista ao ponto em que suas antigas gravuras foram utilizadas como modelos para colossais obras arquitetônicas, depois de chegar ao poder.

Mas o documentário principalmente descreve o princípio fundamental de “embelezamento do mundo”, vinculado diretamente a “limpeza”: urbanística, arquitetônica, médica e racial – a eliminação dos judeus como doença que poderia “deformar o corpo da nação”.

Embelezar o mundo, nem que para isso fosse necessário destruí-lo.

Enquanto a guerra acontecia, Hitler e seu arquiteto (e favorito para sucedê-lo) Albert Speer trabalhavam freneticamente na construção de obras monumentais na Alemanha, principalmente o projeto da “Nova Berlim” – mais de 20 mil apartamentos de judeus e inimigos do regime foram demolidos no projeto de reconstrução de Speer. Cem mil pessoas foram desalojadas, presas e finalmente confinadas em campos de concentração.

Princípio das Ruínas

Porém, o mais curioso por trás desse conceito de “embelezamento do mundo” estava presente o chamado “Princípio das Ruínas” idealizado por Hitler e Speer. Eles imaginavam um futuro distante em que todos as gigantescas obras nazistas em mármore e granito ruiriam, formando ruínas pitorescas que seriam descobertas por arqueólogos. Então, ficariam estupefatos e inspirados diante da grande revelação dos princípios que motivaram essas obras, estremecendo sociedades futuras – Hitler falava explicitamente nesse princípio em seus discursos.

Speer costumava apresentar para Hitler desenhos de como seria o aspecto daquelas obras monumentais em ruínas e cobertas pela vegetação.  

 O paradoxo desse princípio é que a vitória na guerra não era tão importante para Hitler (talvez isso explique os nazistas travarem uma guerra moderna com objetivos e estratégias antigas). Para ele, a queda da Alemanha e as ruínas da sua arquitetura monumental inspirariam gerações futuras.

E parece que Hitler com a sua, por assim dizer, “arquitetura subliminar” estava com razão. Além da propaganda de Goebels, o “princípio das ruínas” e do “embelezamento do mundo” da dupla Hitler/Speer não só perpetuaram para a História os valores da eugenia, racismo e intolerância mas, principalmente a associação da arquitetura e urbanismo com a destruição ao invés da integração.

Da Nova Berlim à Nova Luz

Nova Berlim


Setenta anos depois, na maior cidade da América Latina, ao invés da “Nova Berlim” temos o projeto da “Nova Luz”; e no lugar do “embelezamento do mundo”, a instituição do programa “Cidade Linda” comandada por João Doria Jr. Um prefeito que, certa vez, considerou a cidade de São Paulo um “lixo vivo” e “filme escabroso” com pancadões (bailes funk) “patrocinados por atividade criminosa”.

A região conhecida por Cracolândia (no centro da cidade de São Paulo onde a partir dos anos 1990 desenvolveu intenso tráfico de drogas com a comercialização e consumo principalmente do crack livremente pelas ruas) sempre foi pensada como um grave  problema social no qual furtos, mendicância e prostituição gravitam em torno do problema das drogas.

Programas sociais da Prefeitura como Recomeço e Braços Abertos sempre visaram o acolhimento, tratamento e reintegração à sociedade das almas perdidas nessa região da São Paulo.

Tudo mudou com a chamada “megaoperação de combate ao tráfico de drogas”, como a mídia corporativa quis que parecesse - ação policial em blitzkrieg com bombas, prisão de traficantes e apreensão de drogas e armas na manhã do domingo do dia 21 que culminou com a decisão da Justiça de autorizar a Prefeitura de internar à força dependentes químicos que forem encontrados pelas ruas da Cracolândia.

Porém essa foi apenas a superfície midiática: as imagens do prefeito Doria Jr. subindo em uma escavadeira posando para fotografias; caminhando rápido e trajando uma jaqueta negra ao lado de um secretário entre lixo, escombros e ruínas em uma rua da região; prédios, pensões e bares sendo demolidos a toque de caixa inclusive fazendo vítimas entre moradores pegos de surpresa apontam para algo mais -  o decreto de 19 de maio declarando aquela área como “utilidade pública” o que permitirá desapropriações sumárias e demolições de quarteirões inteiros.

O pretexto do combate às drogas esconde uma intervenção urbanística radical que, assim como a Nova Berlim dos anos 1940, implica no “embelezamento” por meio da higienização social e destruição.

Nova Luz


Um projeto sintomaticamente chamado “Nova Luz” (a flagrante alusão ao nome projeto urbanístico de Hitler e Speer não é mera coincidência) que começa exatamente ao lado dos quarteirões da Cracolândia – substituição do centro velho por um distrito de negócios elitizado com prédios envidraçados sobre a história região da Luz em São Paulo. Projeto solicitado ao escritório  arquiteto e ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner – clique aqui e aqui.

“A única higiene do mundo”

Desde que o artista italiano Marinetti, em seu Manifesto Futurista de 1906, falou em “glorificar a guerra” porque era a “única higiene do mundo” capaz de destruir tudo que era velho e clássico para instituir o moderno e “libertário”, o fascismo aliou-se às ideias de modernidade e progresso.

Guerra e a destruição eram vistas como algo positivo para a humanidade para diversos estratos da sociedade: ajudaria os jovens a se livrar dos vícios como o alcoolismo, a vagabundagem e a libertinagem sexual. Tanto o nazismo como o fascismo, com sua políticas de higienização e embelezamento do mundo, transformaram essa percepção em valores de propaganda e princípios de urbanização – leia ENGLUND, Peter. A Beleza e a Dor – uma história íntima da Primeira Guerra Mundial, Companhia das Letras.

Essa positividade na destruição chegaria até à Teoria Econômica com o conceito de “destruição criativa” criado em 1942 pelo austríaco Joseph Schumpeter para o quem a destruição de empresas pela livre concorrência seria a força motriz para o desenvolvimento econômico e inovação tecnológica.

Atropelados pelo Progresso

A estrada da Modernidade está repleta de cadáveres atropelados pelo Progresso. A modernização exige o confinamento e extermínio daqueles que estão no lugar errado e na hora errada – judeus, drogados, alcoólatras, pobres, homo-afetivos, desempregados etc. serão sempre os inimigos ou o bode expiatório da vez para que ocorra guerra e destruição.

Limpeza, higienização social, urbanização e arquiteturas monumentais são  etapas desse embelezamento do mundo baseado na destruição, desintegração e aniquilamento de tudo aquilo que é “velho”, “passado” e, por isso mesmo, suspeitos de doenças e vícios.

 A barbárie de Estado da atual operação na Cracolândia e o programa Cidade Linda é mais uma evidência da força do legado místico da arquitetura da destruição e o “princípio das ruínas” de Hitler e Speer: continuam inspirando gerações – um velho princípio agora mascarado por modernos eufemismos do jargão administrativo como “gestão”, “programa de metas”, “parcerias”, “índice de eficiência” etc. A tragédia se repetindo como farsa.

Essa barbárie de Estado é ainda mais perniciosa do que a ação direta dos famigerados neonazistas: esses pelo menos são mais identificáveis com o seu discurso estereotipado e sua violência ritualizada que tenta emular as ações da SS e SA da velha Alemanha nazista.

Ao contrário, megaoperações da guerra às drogas e coisas como “Cidade Linda” se escondem sob a aparência midiática da “gestão” e “modernização”.

Não é à toa que no filme Ele Está de Volta (mockumentary em humor negro que mostra o que aconteceria se Hitler reaparecesse no século XXI graças a uma anomalia temporal), Hitler vê os neonazistas na Alemanha e os chama de “fracotes!” – clique aqui.

Certamente são os gestores, CEOs de empresas e toda a gama de tecnocratas, sanitaristas e urbanistas os que melhor compreenderam o cerne dos princípios que marcaram o século XX, criado por um arco formado desde os futuristas na Arte, passando pelos nazifascistas na Política até chegarmos ao neoliberais na Economia.

Grupos neonazistas são apenas “fracotes”. Os mais perigosos mesmo são os chamados “gestores” nos governos e corporações: sob o eufemístico jargão da moderna gestão, escondem o fascínio pela arquitetura da destruição e o princípio das ruínas.

Cresce o rebanho


Ligações perigosas


domingo, 28 de maio de 2017

Vida indiscreta


O que são "evidências" e o que são "provas"?

Fernando Horta

Mas afinal, o que são "evidências" e o que são "provas"?

Muita gente (e gente boa) tem caído nesta aqui. É claro que o ordenamento jurídico brasileiro permite um espaço tão grande ao juiz que ele virtualmente pode dizer o que é uma e outra coisa. Pode "convencer-se" da existência de uma, outra ou ainda de que nenhuma existe. Embora alguns juristas de peso sejam contra esta liberdade toda o corporativismo dos magistrados pensa ainda em aumentar tal noção. Imagine que na última reforma do código, havia um artigo que obrigava o juiz em sentença justificar sua decisão. Por pressão da magistratura, tal dispositivo foi retirado. Livre convencimento não é bem livre se você tem que se explicar... 

Mas enfim, as noções de "evidência" e "prova" não são afeitas exclusivamente ao direito. Elas surgem como ferramentas científicas e são utilizadas no dia-a-dia (ou deveriam ser), e entre elas existe muita diferença. A ideia de evidência remete a uma constatação indutiva que um sujeito faz sobre a realidade a partir de um enfoque pré estabelecido. Quero saber se já amanheceu e abro meus olhos. Vendo alguma luminosidade tenho uma evidência de que sim, já amanheceu. 

Evidências são observações da realidade com nada mais do que noções pré-existentes desta realidade. Note que preciso saber anteriormente o que é "amanhecer" e como ele acontece GERALMENTE, para que eu tenha na luz uma evidência dele. A evidências é uma cognição a priori, sobre a qual não se exerceu em profundidade o crivo da razão ou da ciência. 

Se abro os olhos e percebo luz está provado que já amanheceu? Não, de maneira nenhuma. Um sem número de situações podem estar ocorrendo, desde você estar próximo aos polos e estar experimentando o famoso "sol da meia noite", até um eclipse, ou luz artificial. A evidência se caracteriza por ter um poder explicativo tópico e geralmente sem contestação. 

O grande problema de explicações ou convencimentos baseados em evidências é o número imenso de erros que elas podem gerar. Como evidências não são objeto de crítica elas podem dar a entender uma realidade que inexiste. Ao raciocinar sobre a evidência eu posso ou não transforma-la em "prova". 

A prova se caracteriza por ser parte de um narrativa causal, que busca uma explicação testada, criticada e organizada segundo uma "teoria". O que transforma e evidência em prova é a investigação. Esta investigação será tanto mais forte quanto mais rígida para evitar erros de origem, falácias lógicas, manipulações de contexto ou entendimento e etc. 

Normalmente a "prova" é "forte" quando ela tem 3 características: 

1) objetividade, ou seja... Ela depende pouco do sujeito. Normalmente se usam os princípios da repetibilidade para mostrar isto. Vários testes, com variáveis controladas e etc., mas se pode usar também o princípio da múltipla origem. Quando temos a narração de um determinado evento colhida dentro de diferentes culturas, diferentes tempos e que estas culturas não possam ter entrado em contato, estamos fortalecendo, por diversidade de origem a ideia de que aquele evento realmente ocorreu. É assim que os historiadores fazem. O dilúvio, por exemplo, tem registros em civilizações muito distintas, distantes e sem contato. Da evidência, temos uma prova que vai fortalecendo a teoria. Na lava a jato temos muitas "delações" oriundas de pessoas muito próximas de si, que se conversam, que tem interesses comuns... Aqui o número de citações não joga pelo fortalecimento da "prova", mas ao contrário, pelo seu descrédito.

A segunda (2) característica de uma boa prova é a independência. Quando a prova é colhida (ou constituída) num ambiente em que se pode afastar a ideia de viés de origem. Uma confissão, por exemplo, pode não ter nenhum valor uma vez que é gerada com vícios (vícios de origem). Já uma carta escrita anteriormente à investigação, em ue o sujeito relata sem ser perguntado sobre determinado evento, tem força. Presume-se que ali estavam ausentes forças externas que poderiam condicionar uma confissão. De fato nem o interesse do pesquisador em "provar algo" existia. A prova é independente em sua gênese, mas não em sua interpretação ou encaixe na teoria maior. Provas independentes são o ponto mais avassalador usado por roteiristas ou escritores policiais. Aos 45 do segundo tempo o investigador já sem chances de provar seu ponto dá de cara com uma prova independente e clara. Normalmente inteligente e chocante. É a aliança no filme "sexto sentido", que rola da mão adormecida da mulher do personagem.

A terceira (3) característica é a falseabilidade. A prova tem que ser tal que em ela sendo invertida o resultado lógico também teria que ser. Fulano cometeu estupro e aqui está o material encontrado no corpo da vítima. Vamos ao DNA, se for do réu a narrativa segue afirmando sua culpa, mas se no DNA for encontrado material diferente do do réu a narrativa deve mudar. Aqui todo escritor ou roteirista de suspense ou drama se lava. Apresenta uma prova falseável, que parece conduzir a história para o caminho A, mas no final do drama mostra-se que ela estava errada por algum motivo e então temos que seguir pelo caminho B. Sherlock Holmes de Conan Doyle usa muito esta estratégia em seus contos. 

Evidência é pois uma informação tópica sobre a realidade. Prova é uma constituição mediada por critica, metodologia e teoria para oferecer um quadro capaz de estabelecer uma explicação causal. No direito as provas devem ser sempre abertas e submetidas ao "contraditório" da defesa. Evidências não. Se a acusação quiser transformar evidência em prova, que trabalhe para isto. Um dos maiores abusos jurídicos é o tal "quadro evidencial não conclusivo" que é usado no lugar da prova. Teve até ministra do STF assim julgando, em voto redigido por Moro. Isto é de uma ignorância epistemológica imensa. 

Veja este caso: Você está dormindo calmamente quando se lembra que tem um compromisso importante às 8 da manhã. Acorda apavorado, e olha para o relógio da cabeceira e ele marca 7:30, você dá graças, entra no banho se veste, pega o carro e chega, enfim no horário. O dia transcorre bem, porque você conseguiu. Ao voltar para a casa no final da tarde, feliz, você percebe que o relógio continua marcando 7:30. O que era prova mostrou-se errado e as coisas que tinham relação causal foram apenas fruto do acaso.

Epistemologia e o mundo seria muito melhor.

Edit 1: Evidências são coisas tão frágeis que numa dissertação de mestrado ou tese de doutorado evidências são prova da falta de trabalho. Se no final da pesquisa tudo o que você tem são "evidências" você não tem nada. Evidência se trabalha para transformar em prova ou descartar.

64


Por Luis Fernando Verissimo

Lucia e eu nos casamos em março de 1964. Fomos morar num quarto-e-sala da Rua Figueiredo Magalhães, em Copacabana. Eu, sem emprego, tentava começar um negócio que só provaria minha total inabilidade para negócios. Vivíamos do dinheiro mandado de casa, o bastante para pagar o aluguel e pouca coisa mais. E éramos felizes.

Quando marcamos a data do casamento, me ocupei em saber o que o ano de 64 nos reservava. Não tinha nenhuma crença em desígnios ocultos, mas nunca se sabe. Encontrei uma lista num livro chamado “Símbolos”.

Descobri que 64 são os caminhos da Cabala para o conhecimento.

Que a mãe do Buda era de uma família com 64 tipos de virtude.

Que 64 gerações separavam Confúcio do começo da dinastia Hoang Ti.

Que Jesus Cristo era o sexagésimo-quarto na linha de descendentes diretos de Adão, segundo São Lucas.

Que 64 mulas puxaram a carruagem fúnebre de Alexandre Magno.

Que 64 pessoas carregavam os restos mortais dos imperadores da China.

Que 64 são as casas num tabuleiro de xadrez.

E que 64, oito vezes oito, é o numero da plenitude humana.

Deduzi que 64 era um bom ano para começar um casamento. Mal sabia eu…

A lista não dizia nada sobre o general Mourão.

A notícia de que as tropas estão na rua outra vez me enche, portanto, de revolta, mas também de nostalgia. Saudade não do golpe e do que viria depois, mas de nós, naqueles dias. Minha única atividade antigolpe, além de comprar o “Correio da Manhã” para ler o Cony, era preparar a fuga de uma tia que estava sendo hostilizada no trabalho, caso fosse necessário. Mas quando penso em 64, penso no nosso pequeno apartamento na Figueiredo Magalhães, na festa que era quando sobrava algum dinheiro para jantar no “Rondinela”.

Não sei se teremos 64 de novo. Nem sei se a tropa já não foi, sensatamente, recolhida aos quartéis. Nossa juventude é que certamente não volta mais.

Transmissão do grande ato pelas Diretas Já, na Praia de Copacabana




Pastor golpista Caio Fabio foi preso e está na Papuda

Do DCM:
Pastor Caio Fabio, conhecido pelos discursos antipetistas, foi preso e está na Papuda

Do portal Gospel Prime:

Um áudio enviado para a redação do portal Gospel Prime, por uma pessoa ligada ao pastor Caio Fábio dá conta que ele foi preso nesta quarta-feira (24) pela Polícia Federal.

A voz é inegavelmente do pastor, que procura explicar a situação para as pessoas ligadas ao seu ministério.

“Aquela ação lá de [19]98 do dossiê Cayman, teve vigência hoje e eu estou sendo conduzido para a superintendência da [Polícia] Federal e depois para a Papuda, num regime semiaberto. Não teve ainda nenhuma ação do meu advogado e eu mesmo estava absolutamente certo que esse era um processo vencido há muito tempo e acabado. Então, com toda tranquilidade, gostaria só que vocês informassem o pessoal da igreja…. o que aconteceu”, diz o material.

Ouça na íntegra:



Ainda segundo a fonte do Gospel Prime, que prefere manter o anonimato, a família do pastor Caio está abalada, mas ele garantiu a todos que está em paz.  Não há, por enquanto, uma nota oficial da assessoria do pastor, mas ela deve ser publicada nas próximas horas.

As primeiras informações dão conta que o advogado de Caio Fábio perdeu o prazo da defesa e pretende recorrer.

Entenda o caso

O dossiê Cayman, como ficou conhecido, foi revelado em 1998, nas vésperas da eleição presidencial. Ele continha dados sobre uma empresa e de contas que supostamente eram controladas por Fernando Henrique Cardoso, candidato à reeleição.

O conjunto de papéis também mostrava depósitos de US$ 368 milhões nessas contas, dinheiro arrecado por meio de propina recebida pela privatização de empresas do setor de telecomunicações.

Entre as pessoas que integram o inquérito estavam os adversários políticos de FHC: Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu, Paulo Maluf, Ciro Gomes, Marta Suplicy, Marcio Thomaz Bastos, Leonel Brizola e Benedita da Silva.

Em seu depoimento ao caso, Lula afirmou ter tido um encontro com o pastor Caio Fábio e outro com o ex-ministro Luiz Gushiken. Ao perceber que os documentos eram falsos o PT não continuou as negociações sobre o dossiê.

Em 2011, a Folha de São Paulo divulgou que o pastor fora condenado pela juíza Léa Maria Barreiros Duarte a quatro anos de prisão por ser considerado o autor dos documentos, mas ele não foi preso.

Mineirinho e Goianinho


Leandro Fortes

MINEIRINHO & GOIANINHO

Esse vídeo da delação de Ricardo Saud, da JBS, é duplamente revelador sobre a pilantragem tucana.

Primeiro, ele revela que Aécio Neves pedia tanta propina que virou uma "sarna" para Joesley Batista.

Depois, acrescenta que, para aplacar a fome de Aécio, Joesley prometeu dar ao tucano mineiro o mesmo tratamento dado a Marconi Perillo, governador de Goiás, também do PSDB.

Assim falou Joesley, segundo Saud:

“Vou fazer com você igual eu fiz com Marconi Perillo. Cansei de dar dinheiro para o Marconi Perillo”.


Não se derruba um governo sujo com rosas


Mil no bolso


Para caracterizar o samarcal do desgoverno Temeroso, vou citar o guerreiro do Império, Winston Churchill, em suas “Memórias da Segunda Guerra Mundial”. O trecho está na página 112 do primeiro volume, na edição da Nova Fronteira, e refere-se a Mr. Baldwin, uma espécie de Treme-Temer inglês: 
“E assim vai ele num estranho paradoxo, decidido só a não decidir, resolvido só a não resolver, firme na deriva, sólido na fluidez, onipotente na impotência”. 
É ou não é a cara do presigárgula? Imaginem aquele sorriso falso de Mono Esburacado, ajeitando o nó da gravata deformada pelo barrigão. Ele desliza feito réptil em direção à tribuna para não falar a verdade e, seguindo Churchill, ser coerente na incoerência, forte na tibieza, sólido na flatulência... Em suma: o cara passará à História como “ele recebeu a propina, separou mil e jogou no bolso”Homem da Zona Norte, conheci malandros de palavra, que tinham elevado sentido de honra, como o saudoso Maneca, cuja promessa era sagrada. Pensem na figura patética de Dá-o-pé-Loures, mais um caso de “jogou no bolso”. Devolveu a tal mochila faltando 35 mil. Depois, “achou” a grana e devolveu. Outro descalabro: precisamos de alguém para nos defender do minidef, membro caído do PPS (Partido Paleolítico Senil), aquela agremiação cujo dono é Robertov, que já abandonou o navio. A presença do vomitivo político na Defesa não faz o menor sentido.

A casa também caiu sobre Mineirinho. Entregou o passaporte e aguarda a prisão. Já a irmã, usada e abusada, está presa. É preciso ressaltar que Mineirinho continua impune em espancamento de mulheres e blindado no tenebroso escândalo de Furnas (e aí, juízes do Supremo? Não vão abrir esse cofre de Pandora?). É preciso investigar também o helicoca, a Samarco (19 homicídios culposos, um rio morto, a maior catástrofe ambiental do Brasil, estragos que chegam ao litoral da Bahia). Dá nojo a forma como homens (?) vis exploram irmãs que os idolatram. O desespero Temeroso pode ser avaliado pelo grito de help às Forças Armadas, uma estupidez, com, é claro, a cumplicidade do minidef.

A ONG Alerta Brasil e o Projeto #Colabora denunciam que, desde que Temeroso abundou-se no trono presidencial, um direito foi perdido por dia! Esse é o líder “jogou mil no bolso”.

Como cravou a jornalista Dorrit Harazim, o presipodre poderia ter dito aos animais proteicos “Fora daqui”.

Vi no canal Bloomberg a seguinte pérola: “O mercado exige a continuação das reformas”. Qual mercado? Aquele que quebrou o mundo em Wall Street na megafraude de 07/08, ninguém preso? O da Fiesp? O de Pedro Parente Deles, onde o Brasil paga caro para explorar suas próprias riquezas?! O da “reconstrução” da Halliburton no Iraque? Vão se fifar!

Toda solidariedade ao repórter fotográfico André Coelho, chutado por um PM em Brasília. Quando se homenageia o Capitão Sampaio por esfacelar o rosto de um jovem, o resultado é esse.

Não se derruba um governo sujo com rosas.


Aldir Blanc é compositor

Jornalismo de aluguel

Luis Felipe Miguel

Em 1983, a Folha de S. Paulo tomou uma decisão ousada e apoiou a campanha das diretas. Foi uma decisão mercadológica. O jornal reforçou sua identidade com um público leitor que já não aceitava mais a ditadura. Projetou uma imagem "progressista", até mesmo "transgressora", de forma surpreendente para uma empresa que, pouco antes, mergulhara até o pescoço na cumplicidade com o terrorismo de Estado. É necessário reconhecer: foi uma jogada de mestre do velho Octávio Frias. A Folha tornou-se o maior e mais influente jornal do país.

Hoje, o jornal segue no rumo oposto. Está na linha de frente da defesa de Michel Temer e, sabendo que a permanência do golpista no poder está se tornando inviável, faz de tudo para abater no nascedouro a nova campanha das #DiretasJá. A manchete de hoje é um primor: "Maiores partidos rejeitam votar a favor de Diretas-Já". Deve ser um furo de reportagem digno de um Prêmio Esso: a Folha "apurou" que as direções do PMDB, PSDB, DEM etc. são contra as diretas. O objetivo de dar informação tão banal em manchete é cristalino: fazer pensar que a campanha é inútil, que o jogo já está decidido.

Se tudo se resumisse ao Congresso, seria isso mesmo. Quanto mais a pressão por diretas crescer, porém, maior será o custo de escolher o substituto de Temer sem consultar o eleitorado. É isso que a Folha deseja evitar.

Na página 3, com direito a chamada de capa, um artigo assinado por Temer, afirmando que permanecerá até o final no cargo que usurpou - "a serviço das reformas" - e proclamando sua honestidade e sua devoção à democracia e à Constituição. Mesmo depois do vexame da entrevista exclusiva, em que a Folha foi incapaz de perceber contradições gritantes na defesa que Temer fez de si mesmo, o jornal permanece como veículo privilegiado da comunicação do Planalto.

O que mudou na Folha, da primeira campanha das diretas para cá? Não creio que apenas a falta de horizontes de Frias Filho explique. Mudou também o mercado, mudaram as condições de existência dos jornais. A Folha mantém seu discurso do "mandato do leitor", a bizarra construção ideológica com que busca justificar a falta de pluralidade do mercado de mídia brasileiro, mas claramente se despreocupou disso. No mundo novo que as tecnologias da comunicação geraram, é cada vez mais difícil sobreviver vendendo informação. É mais negócio vender influência, alugando, a quem puder pagar, o que restou de seu prestígio.

O buraco negro do golpe

Carlos D'Incao 

Quando Temer embarcou na aventura golpista, não o fez sem antes estar municiado até os dentes de todas as garantias legais para não ser derrubado por uma espécie de "contra-golpe". Entrou no poder com um exército de advogados na retaguarda. Os melhores que o dinheiro podia comprar.

Ele sabia muito bem de cada risco que corria e para cada um deles ficou precavido:

A impopularidade nas ruas seria calada pelos grandes meios de comunicação; a Lava-Jato se tornaria aos poucos uma arma exclusiva para combater a esquerda (e para isso contava com o dinheiro da JBS para comprar o silêncio de Cunha e as vistas grossas do juiz Sérgio Moro); No TSE conseguiria forjar os argumentos jurídicos para cassar apenas Dilma e, para engolir suas "teses esdrúxulas", formaria uma maioria nesse mesmo Tribunal.

As coisas caminhavam relativamente bem para Temer... O que aconteceu que de repente tudo parece ter virado de ponta-cabeça?

O seu grande erro foi acreditar que sua aliança com o PSDB de alguma forma estava sob controle... O nosso usurpador tupiniquim não tinha dimensionado o fato de que os tucanos não queriam (e ainda não querem) simplesmente formar uma nova hegemonia política.

Eles querem mudar toda a natureza do Estado brasileiro até o ponto de se estabelecerem novas relações sociais de produção que atendam aos interesses do capital internacional em um nível nunca antes visto na nossa História.

Assim, Temer não percebeu que a sua Ditadura "Temer-Tucana" precisava se tornar em uma Ditadura "Tucana-Temer" para depois se tornar em uma Ditadura "Tucana solo".

Enquanto Temer realizou seus tradicionais pacotes de maldade, como a PEC da morte, a Lei da Terceirização, a Reforma Educacional, etc., tudo estava bem... Mas os tucanos quiseram dar outros dois passos que geraram um verdadeiro descompasso na ordem geral do golpe:

O primeiro foi a Reforma da Previdência. Esse passo é um brutal ataque a TODOS os trabalhadores. E a cadeia produtiva do trabalho está longe de ser simples... Ela oculta uma complexidade e uma pluralidade gigantesca. Isso significa que essa Reforma também acabou por atacar os interesses de uma elite patrimonialista que antes o apoiava... Mas esse ponto ainda pairava de forma embrionária no Congresso...

O segundo passo foi o mais decisivo... a grande Reforma Trabalhista. Essa Reforma não destrói apenas os direitos dos trabalhadores mais humildes. Ela vai muito além do que a grande imprensa está divulgando...

Ela fratura todas as áreas da Justiça brasileira, alterando na prática toda a essência do Direito brasileiro de forma absolutamente negativa ao Poder Judiciário.

Mais uma vez: não se trata de uma mini-reforma que, entre outras coisas, flexibiliza as relações entre empregados e empregadores e que pode reduzir o seu tempo de almoço. Ela vai fundo... atinge frontalmente, o Direito Trabalhista, Tributário, Empresarial, Civil, Penal e Constitucional.

Essa Reforma, com mais de 200 artigos, foi um teste para analisar qual é a disposição do Poder Judiciário em se auto-destruir.

Mas... ao que parece esse poder está longe de querer isso... Ao contrário... ele quer avançar sobre os outros poderes. E foi no momento em que o Poder Judiciário tomou consciência do que se tratava essa Reforma Trabalhista, lançou uma ação contra Temer para, entre outras coisas, paralisar o seu governo.

Vejamos o caos que os golpistas criaram até então:

1 - Em primeiro lugar tivemos o boicote e uma conspiração que tirou Dilma do poder em um processo corrupto e ilegítimo.

2 - Depois tivemos um projeto conduzido pela direita para destruir as conquistas sociais dos 13 anos petistas. Sob o argumento do déficit público, cortaram fundo na área social, privatizaram nossas riquezas e devolveram aos banqueiros o monopólio do crédito.

3 - Como ato contínuo, os tucanos quiseram - na surdina - infiltrar o seu próprio golpe sob a máscara das Reformas da Previdência e Trabalhista.

Eles simplesmente subestimaram a capacidade de ler e escrever do Poder Judiciário... E esse poder é muito maior e poderoso do que os seus dois tucanos infiltrados (os juízes Sérgio Moro e Gilmar Mendes) podem sonhar... E o Judiciário partiu para a contra-ofensiva: destruíram com Aécio Neves e colocaram uma guilhotina no Palácio do Jaburu para Temer.

A rigor a Globo sempre esteve ao lado do "Judiciário tucano". Agora teve que jurar fidelidade ao "Judiciário maior" e, por essa razão, abandona os tucanos e abraça aos poucos a ideia de cortar a cabeça de Temer... A imprensa paulista por outro lado possui seus laços de vassalagem com os tucanos... Enfim... A grande imprensa rachou...

Ainda assim, se destilarmos os elementos ruidosos desse caos institucional podemos encontrar, enfim, o grande elemento tóxico de toda essa história: os tucanos e sua subserviência total ao capital internacional.

Não deixa de ser irônico que agora, no meio dessa bagunça, todas as peças começam a se encaixar: os Ministérios que o PSDB exigiu, as pastas que os tucanos queriam controlar, os inimigos que queriam combater... Tudo... Absolutamente tudo se encaixa perfeitamente nos interesses do imperialismo que está infiltrado na nossa crise nacional.

Bom... E agora? Os bandidos já não se entendem mais e muito menos não confiam um no outro...
Temer não confia no Judiciário que está partido ao meio e muito menos nos tucanos; os tucanos não confiam em Temer e perderam a fé no Judiciário e, por fim, o Judiciário não confia em ninguém, incluindo ele mesmo.

Caso Temer caia na cassação da chapa Dilma-Temer, ele levará consigo todo mundo... De tucanos à Moro, passando pela Rede Globo... Ele vai cair atirando... E a solução das Diretas Já se tornará irresistível...

Caso Temer fique, o seu governo cairá em um atoleiro sem fim... teremos a prisão paulatina de todos os seus apoiadores e o término rápido da Lava-Jato sob ordens superiores (a absolvição da esposa de Cunha já é sintoma de fim de feira). Os tucanos chegariam em 2018 como entulho eleitoral...

O projeto neoliberal dos tucanos precisava de dois golpes, mas se esqueceu de contabilizar o Estado patrimonialista brasileiro... Um erro crasso... Quase uma demência... Se os especuladores acham que o preço do Brasil está por volta dos 65 mil pontos da Bovespa porque contabilizam a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista como já aprovadas, provam que nada entendem do Brasil e das forças que aqui estão em voga.

Provavelmente quando descobrirem que essas Reformas não vão ocorrer, vão fugir do país com seus preciosos dólares. Resultado: inflação com recessão e um índice de desemprego chegando a extremos inéditos... Quem segurará o rojão das ruas?

No fim, esse golpe se tornou em um grande Buraco Negro... Uma força capaz de atrair e destruir tudo... tão forte e dramática que nem a luz lhe escapa... Enquanto o país inteiro vai seguindo em sua fatal direção esperamos que os aventureiros do golpe comecem a fazer para si mesmos uma simples pergunta:

"A opção Lula é ruim... por que mesmo?"

Estamos próximos do teste final para sabermos se há vida inteligente na direita brasileira...

sábado, 27 de maio de 2017

O que fizemos para merecer isso?


Advogado defende condução coercitiva e internamento compulsório de João Doria

Kakay defende internação compulsória de Doria
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, um dos principais criminalistas do Brasil, defende que o prefeito de São Paulo, João Doria, seja internado compulsoriamente; Kakay fez essa declaração ao reagir à iniciativa do prefeito, que defende internar compulsoriamente usuários de drogas da Cracolândia, em São Paulo, mesmo que não haja autorização dos dependentes químicos nem de suas famílias; "É um escândalo", diz Kakay, que diz nunca ter visto nada tão teratológico; ação desastrada de Doria na Cracolândia já provocou a demissão de sua secretária de Direitos Humanos e foi amplamente criticada por especialistas; "precisamos fazer um exame de sanidade mental neste prefeito", diz Kakay; Doria tenta "limpar" a área para facilitar empreendimentos imobiliários na região da Luz, mas sua ação criou várias novas Cracolândias em São Paulo.
SP 247 – O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, um dos principais criminalistas do Brasil, defende que o prefeito de São Paulo, João Doria, seja internado compulsoriamente para exames de sanidade mental.

"É um escândalo", diz Kakay, que diz nunca ter visto nada tão teratológico.

A ação desastrada de Doria na Cracolândia já provocou a demissão de sua secretária de Direitos Humanos, Patrícia Bezerra, e foi amplamente criticada por especialistas.

"Precisamos fazer um exame de sanidade mental neste prefeito", diz Kakay.

Doria, por sua vez, tenta "limpar" a área para facilitar empreendimentos imobiliários na região da Luz.


Moro pode rever sentença de Cláudia Cruz após surgimento de nova prova


Um personagem interessante

O cara é um narcotraficante com mania de grandeza. Tentou ser presidente e se irritou porque não conseguiu, derrubou um avião, construiu um aeroporto ilegal numa fazenda, escapou por muito pouco da prisão, comprou apoio de todo mundo, até do judiciário, enfiou a família toda nos seus negócios e adquiriu o hábito de matar as pessoas antes de abrir o bico.

Pablo Escobar é mesmo um personagem interessante.

Fonte


Brasil tem a elite social mais ignorante, presunçosa e intelectualmente preguiçosa do mundo


Os ricos, famosos e… analfabetos funcionais brasileiros 

A INTELIGÊNCIA DA ELITE SOCIAL NO BRASIL 
por Henrique Abel *

Um dos preconceitos mais firmemente bem estabelecidos no Brasil é aquele que afirma que a culpa de todos os problemas do país decorre da “ignorância do povo”. A elite social da população brasileira, formada pelas classes A e B, em linhas gerais, está profundamente convencida de que o seu status de elite social lhe concede – como um bônus – também o título de “elite intelectual” do país.

Dentro desse raciocínio, a elite brasileira “chegou lá” não apenas economicamente, mas também no que diz respeito às esferas intelectuais e morais – talvez até espirituais. O país só não vai pra frente, portanto, por causa dessa massa de ignóbeis das classes inferiores.

Embora essa ideia preconcebida seja confortável para o ego dos que a sustentam, os fatos insistem em negar a tese do “povo ignorante versus elite inteligente”.

O motivo é simples de entender: em nenhum lugar do mundo, a figura genericamente considerada do “povo” se destaca como iluminada ou genial. Por definição, uma autêntica elite intelectual de um país se destaca, precisamente, por seu contraste com a mediocridade (aí entendida como “relativa ao que é mediano”).

Ou seja, não é o “povo” que tem obrigações intelectuais para com a elite social, e sim, justamente o contrário: é preferencialmente entre a elite social e econômica que se espera que surja, como consequência das melhores condições de vida desfrutadas, uma elite intelectual digna do nome.

ANALFABETOS FUNCIONAIS

Uma elite social que, intelectualmente, faça jus ao espaço que ocupa na sociedade, não apenas cumpre com o seu papel social de dar algum retorno ao meio que lhe deu as condições para uma vida melhor como, ainda, cumpre o seu papel de servir como exemplo – um exemplo do tipo “estude você também”, e não um exemplo do tipo “lute para poder comprar um automóvel tão caro quanto o meu”.

Tendo isso em mente, torna-se fácil perceber que o problema do Brasil não é que o nosso povo seja “mais ignorante”, pela média, do que a população dos EUA ou das maiores economias europeias.

O problema, isso sim, é que o nosso país ostenta aquela que é talvez a elite social mais ignorante, presunçosa e intelectualmente preguiçosa do mundo, que repele qualquer espécie de intelectualidade autêntica precisamente porque acredita que seu status social lhe confere, automaticamente, o decorrente status de membro da elite intelectual pátria, como se isso fosse uma espécie de título aristocrático.

Nenhum país do mundo tem um povo cujo cidadão médio é extremamente culto e devorador de livros. O problema se dá quando um país tem uma elite social que é extremamente inculta, lê e escreve num nível digno de analfabetismo funcional.

Pesquisas dão por conta que apenas 25% dos brasileiros são plenamente alfabetizados, e que o número de analfabetos funcionais entre estudantes universitários é de 38%. A elite social brasileira possivelmente acredita que a totalidade desses 75% de deficientes intelectuais encontra-se abrangida pelas classes C, D e E.

SEM DIFERENÇA

Será mesmo? Outra pesquisa recentemente divulgada noticiava que o brasileiro lê uma média de cerca de quatro livros por ano. Enquanto os integrantes da Classe C afirmavam ter lido 1,79 livro no último ano, os integrantes da Classe A disseram ter lido 3,6.

O número é maior, como naturalmente seria de se esperar, mas a diferença é muita pequena dado o abismo de condições econômicas entre uma classe e outra.

Qual é o dado grave que se constata aí? Será que o problema real da formação intelectual do nosso país está no fato de que o cidadão médio lê apenas dois livros por ano? Ou está no fato de que a autodenominada elite intelectual do país lê apenas quatro livros por ano?

Vou encerrar o argumento ficando apenas no dado quantitativo, sem adentrar a provocação qualitativa de questionar se, entre esses quatro livros anuais, consta alguma coisa que não sejam os últimos e rasos best-sellers de vitrine, a literatura infanto-juvenil e os livros de dieta e autoajuda.

O que importa é ter a consciência de que o descalabro intelectual brasileiro não reside no fato de que o típico cidadão médio demonstra desinteresse pela vida intelectual e gosta mais de assistir televisão do que de ler livros. Ora, este é o retrato do cidadão médio de qualquer país do mundo, inclusive das economias mais desenvolvidas.

O que é digno de causar espanto é, por exemplo, ver Merval Pereira sendo eleito um imortal da Academia Brasileira de Letras em virtude do “incrível” mérito literário de ter reunido, na forma de livro, uma série de artigos jornalísticos de opinião, escritos por ele ao longo dos anos.

Ou seja: dependendo dos círculos sociais que você frequenta, hoje é possível ingressar na Academia Brasileira de Letras meramente escrevendo colunas de opinião em jornais.

Podemos sobreviver ao cidadão médio que lê dois livros por ano, mas não estou convencido de que podemos sobreviver a uma suposta elite intelectual que não vê diferença literária entre Moacyr Scliar e Merval Pereira.

“VÃO TER QUE ME ENGOLIR”

Apenas para referir mais um exemplo (entre tantos) das invejáveis capacidades intelectuais da elite social brasileira: na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que uma celebridade global havia perdido a compostura no Twitter após sofrer algumas críticas em virtude de um comentário que havia feito na rede social.

A vedete, longe de ser uma estrelinha de quinta categoria, é casada com um dos diretores da toda-poderosa Rede Globo.

Bem, imagina-se que uma pessoa tão gloriosamente assentada no topo da cadeia alimentar brasileira certamente daria um excelente exemplo de boa formação intelectual ao se manifestar em público por escrito, não é mesmo? Pois bem, vamos dar uma lida nas suas singelas postagens, conforme referidas na reportagem mencionada:

“Almas penadas, consumidas pela a inveja, o ódio e a maledicência, que se escondem atrás de pseudônimos para destilarem seus venenos. Morram!”

“Só mais uma coisinha! Vão ter que me engolir, também f…-se, vocês são minurias [sic] e minuria [sic] não conta.”

EM QUEM SE ESPELHAR?

Não vou nem entrar no mérito da completa falta de educação dessa pessoa, que parece menos uma rica atriz global do que um valentão de boteco. Vou me ater apenas a dois detalhes.

Primeiro: a intelectual do horário nobre da Globo escreve “minoria” com “u”, atestando para além de qualquer dúvida razoável que se encontra fora do grupo dos 25% dos brasileiros plenamente alfabetizados (ela comete o erro duas vezes, descartando qualquer possibilidade de desculpa do tipo “foi erro de digitação”).

Segundo: ela acha que “minorias não contam”, demonstrando, portanto, que ignora completamente as noções mais elementares do que vem a ser um Estado democrático de Direito, ou mesmo o simples conceito de “democracia” na sua acepção contemporânea. Do ponto de vista da consciência de direitos políticos, sociais e de cidadania é, portanto, analfabeta dos pés à cabeça.

Com os ricos e famosos que temos no Brasil, em quem o mítico e achincalhado “homem-médio” poderia mesmo se espelhar?

– – –

Henrique Abel é advogado e mestre em Direito Público


O demente de cashmere

Bruno Torturra

Depois de violentar, tirar os pertences, demolir suas casas, romper o pacto de confiança que havia entra a prefeitura e a população de rua da cracolândia, empurrar comida podre a eles, João Dória vai sequestrá-los para clínicas de abstinência forçada e zero eficácia.

É hora de parar com piadinhas, memes e ironias com a pecha de gestor ou playboy. E suspeito que não seja mais a hora de xingar e ecoar suas ações, mas achar formas de explicar algo - na vida analógica mesmo - para quem ainda vê nele algo novo ou positivo.

Que a gente seja capaz de traduzir o que Dória representa de fato: a extrema direita populista no poder. De explicar que ele posa de Bloomberg, mas não passa de um Trump.

E aí não vai adiantar colocá-lo em oposição à esquerda, simplesmente. Esse é seu melhor, senão único jogo para crescer. Temos que colocá-lo é como um extremista diante da social democracia que ele finge representar. Como um extremista diante dos princípios mais fundamentais do liberalismo. Um extremista perto de consensos mínimos mesmo dentro da polarização.

Se São Paulo, então o Brasil, não entender esse radicalismo e a morbidez de suas ações e projeto, esse monstro vai longe.

E o PSDB, que a esse ponto é o partido que mais estuprou seu já medíocre passado, deveria vasculhar uma gaveta mofada no IFHC atrás de alguma vergonha e colocar um freio nesse demente de cashmere.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O que move Moro, o bipolar?

Francisco Costa

Excetuando próprio Moro, Eduardo Cunha e Cláudia Cruz, ninguém neste país seria capaz de apostar que ele absolveria a zoiudinha, tanto que o Ministério Público está recorrendo da premiação à corrupção, digo sentença.

O dinheiro que estava na conta da gentilmente absolvida saiu do Brasil legalmente, pagando impostos?

A resposta é não, então houve evasão de divisas, segundo o juiz, por ingenuidade ou imprevidência dela, coitada, realmente inocente.

A conta estava no nome dela, o que quer dizer que só podia ser movimentada por ela ou com a anuência dela, por procuração, titular da conta, o que caracteriza o crime, mas o juiz afirmou que quem movimentava a conta era Cunha, o que faz dela uma laranja.

Se se prestar a laranja não caracteriza crime, todos os laranjas que este juiz mantém preso devem ser soltos, a lei é ou deveria ser igual para todos.

Carlos Fernando do Santos Lima, um dos procuradores da Força Tarefa de Moritiba, justificou a sentença creditando ao “coração generoso de Moro”, mais uma figura jurídica nascida no limbo do Judiciário brasileiro: “generosidade do juiz”.

Para Moro, Cláudia foi ingênua ao não perceber que ter gasto mais de um milhão em futilidades deveria ter desconfiado que isto não poderia ter vindo do salário do marido, foi imprudente ao não perguntar ao marido de onde vinha tantos milhões em suas contas, em não desconfiar que os milhões que a sustentava nas lojas de roupas, jóias, hotéis e restaurantes mais caros do mundo não se encaixavam nos rendimentos do marido... Muito ingênua mesmo, muito imprevidente, mas o que esperar de uma mulher simples, doméstica, de pouco estudo, só jornalista na Globo?

Não houve dolo, só inocência.

Procurando mais evidências dessa generosidade de Moro, vamos encontrá-la nas mordomias dadas a Eduardo Cunha, na hospedagem na cadeia e nas sentenças, generosas, minguadas, para a gravidade dos delitos cometidos, a mesma generosidade que ele usou com Youssef, o doleiro do Banestado e da Lava Jato, já em casa, o bom menino; a mesma generosidade que o fez ver como peraltices de amigo excêntrico os crimes de Aécio Neves...

Só que Moro é, no mínimo, bipolar, quando a sua generosidade se manifesta na forma de cruéis perseguições, garimpagem de provas inexistentes, transformação de convicções políticas em provas jurídicas, em manifestações de ódio explícito, vazando seletivamente informações que logo se mostram sem fundamentos, impondo a humilhação, quando transforma conduções coercitivas e prisões preventivas em cenas hollywoodianas, nos telejornais, sem poupar nem o luto alheio e a memória de mortos.

É preciso que o Conselho Nacional de Justiça – CNJ, o órgão competente, comece a entender essa bipolaridade de Moro, de aos amigos favores, aos inimigos, mais que os rigores da lei, a perseguição, talvez até para melhor entender tanta generosidade com Eduardo Cunha, coincidentemente quando ele ameaçou delatar gente do Judiciário e recebeu semanalmente uma ajuda de custo de quinhentos mil reais.

E por falar nisso, já descobriram quais são os dois juízes que o empresário Joesley Batista Friboi afirmou ter nas mãos?

Esses meninos são muito enrolados, vão acabar canonizando Aécio Neves, por relevantes serviços prestados no transporte de mercadorias em helicópteros, e prendendo Lula, por sonegação de um dedo.

Quando eu era menino, tinha um cantor chamado Miltinho, que cantava:

“Cara de palhaço, pinta de palhaço,
Foi este o meu amargo fim...”

Às vezes me sinto assim.

Uma semana na vida do gestor João Doria

Guilherme Assis 

Em uma semana, a gestão João Doria:

1. Realizou uma mega-operação violenta na Cracolândia durante a virada cultural, colocando em risco a integridade tanto das pessoas que moram na região quanto de quem estava curtindo um show.

2. Desrespeitou propriedade privada de maneira flagrante, fechando e demolindo empreendimentos (bares, hotéis, pensões, padarias) cujo "crime" foi "existir na Cracolândia".

2.1. Em uma dessas demolições tinha gente dentro do prédio a ser derrubado, gente que ficou ferida.

3. Declarou que "a Cracolândia acabou", para ser imediatamente desmentido por todos os relatos possíveis, que dizem que os viciados apenas migraram para ruas próximas, e que as novas cracolândias estão dobrando de tamanho.

4. Foi à justiça exigir o poder para internar compulsoriamente viciados - o que ele quer é poder sequestrar e prender gente na rua, sem autorização do judiciário (ou seja, sem que um juiz analise caso a caso), segundo a opinião de "conselhos médicos" subordinados a ele. Ou seja, ele quer o poder de prender gente sem devido processo legal, um flagrante desrespeito dos direitos individuais. O judiciário e o ministério público estão contra essa atitude.

5. A cereja do bolo: os viciados acolhidos em um centro emergencial pós "fim da Cracolândia" foram ENVENENADOS por comida ESTRAGADA. A prefeitura expulsou esse pessoal de onde eles moravam, teoricamente para "ajudá-los", e aí deu comida podre pra eles. A justificativa do governo até agora é "uma empresa terceirizada que fornece o marmitex... a culpa não é nossa".

Não vou julgar Doria pela minha métrica, mas sim pela dele: a da gestão. O prefeito quer projetar uma imagem moderna, de administrador dinâmico, eficiente, competente. Além disso, afirma que representa o trabalhador, o empresário, certos direitos liberais.

Bom: sua tentativa de solucionar um problema - a Cracolândia - aparentemente só piorou a situação. A inépcia na operação feriu gente ao demolir um prédio com gente dentro. Nesse meio tempo, a operação desrespeitou direitos de propriedade - ao demolir e atacar empresas - e individuais - ao buscar internar pessoas sem devido processo legal.

Segundo a própria visão de Doria, as últimas ações da gestão Doria são um tremendo fracasso. Atitudes autoritárias, violentas e, ainda assim, INEFICIENTES. Nem na hora de dar comida pras pessoas eles acertaram - e Doria, como gestor, sabe que "a culpa é da empresa que eu contratei" nunca vai ser uma justificativa válida.

Resta agora aguardar para ver se Doria vai cumprir mesmo suas promessas de eficiência e gestão, ou se vai se agarrar à violência truculenta e estúpida típica de qualquer caudilho autoritário, porque o que importa é "mostrar serviço e mão forte", mesmo que isso só gere resultados ruins.

(Dica: a opção pessimista costuma ser a mais provável).

No capricho


Vazam informações confidenciais da casa de Aécio Neves


Bruno Predolin‏

Cai a casa do Mineirinho: PF apreende documentos de caixa dois e doleiro


Minas 247 – Complica-se a situação do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), que liderou o golpe parlamentar de 2016 e é o principal responsável pela crise política e econômica atravessada pelo Brasil.

Na operação de busca e apreensão realizada em seus endereços, a PF encontrou documentos com anotações referentes a caixa dois, uma agenda que confirma o encontro com o empresário Joesley Batista, da JBS, e até mesmo papéis que o aproximam de um doleiro, chamado Norbert Muller, especializado na abertura de contas para políticos.

O procurador-geral Rodrigo Janot já pediu a prisão de Aécio, numa decisão que será tomada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

As informações são da jornalista Carolina Brígido. "A Polícia Federal apreendeu no apartamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) uma série de papéis e objetos — entre eles, 'diversos documentos acondicionados em saco plástico transparente, dentre eles um papel azul com senhas, diversos comprovantes de depósitos e anotações manuscritas, dentre elas a inscrição 'cx 2', conforme indica ao relatório dos investigadores enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF)", informa a jornalista.

"A PF também encontrou no gabinete de Aécio 'folhas impressas no idioma aparentemente alemão, relativo a Norbert Muller'. De acordo com outras investigações, Muller era um doleiro especializado em abrir contas no exterior para políticos (...) Num outro papel manuscrito, havia anotações citando 'ministro Marcelo Dantas', em possível alusão ao ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), investigado no STF por tentativa de obstruir as investigações da Lava-Jato."

Confira, abaixo, a relação de obras de arte apreendidas:


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