domingo, 30 de abril de 2017

Homenagem ao assassino de cashmere



Atirar objetos do veículo é infração média, prevista no artigo 172 do CTB. 
Multa de R$ 85,13 e quatro pontos na CNH.

A boçalidade de Temer

Dilma Rousseff 

A CEGUEIRA POLÍTICA DE TEMER 

A entrevista do senhor Michel Temer ao apresentador Ratinho é um primor de misoginia e patriarcalismo.

É estarrecedor que no século 21 um presidente, mesmo ilegítimo, tenha opiniões tão tacanhas, rebaixadas e subalternas sobre o papel da mulher na sociedade brasileira.

Sua fantástica cegueira política e seu imenso conservadorismo o impedem de ver a importância das lutas e a realidade das conquistas obtidas pelas mulheres brasileiras ao longo das últimas décadas.

As mulheres brasileiras não merecem que um golpista, líder de um governo que está impondo o retrocesso social e econômico mais impiedoso sobre o nosso País, venha, mais uma vez, a público e manifeste suas opiniões machistas ultrapassadas.

O Brasil precisa de eleições diretas já!

Vaza, Temer, vaza!

Temer, vaza! 

Como se sentiu na sexta-feira, golpista? Não adianta fingir. Se desse, teria baixado o pau, né? Mas não baixou, porque lhe deu paúra. Gente demais. Mais de 30 milhões de trabalhadores paralisados em todo o País. E seu ministro da porrada, aquele da bancada ruralista, chama isso de pífio. A raposa falando das uvas. Para quem não tem popularidade e é avaliado como o pior "governante" da história do Brasil, tanta gente na rua não é um bom presságio.

Pífios são vocês. Traidores mesquinhos. Gente feia. Smeagols. Poderia ter entrado para a memória como pacificador, dando apoio à Presidenta Dilma Rousseff e articulando sua base parlamentar, mas preferiu comprar bancada para golpeá-la pelas costas com o Eduardo Cunha, que hoje apodrece na cadeia em Curitiba. E agora você distribui cargos num descarado clientelismo, como se a República fosse res privata sua. A FUNAI, por exemplo, não serve mais aos povos indígenas, serve ao PSC, "é do André Moura"... Nada mais impressiona nesse arrastão que você e sua turma promovem no governo. Política indígena, assim como a educacional, a de saúde, a de moradia... tudo deixou de existir. As pastas que deveriam dar suporte às políticas públicas foram transformadas em regalos para os politiqueiros sem princípios que lhe dão apoio por pura ganância e ambição. Nunca o Brasil chegou tão baixo.

Já não nos comovem cenas deprimentes como aquela experimentada semana passada por seu ministrinho da falta de educação, o Mendoncinha, que gosta de conselhos de ator pornô. Saiu da Universidade Federal da Bahia cortando a cerca, para não ser vaiado pelos estudantes. Neste seu "governo", nada mais surpreende. Nem mesmo manter nos seus cargos oito ministros investigados por corrupção. 

Você conseguiu zerar o investimento público neste ano. Assaltou o BNDES, desviando 1 bilhão de reais de seus cofres. Tudo para debelar uma crise que você e os seus criaram para derrubar uma Presidenta eleita com 54 milhões de votos. Depois a aprofundaram com um déficit primário artificial de 170 bilhões de reais, para distribuir 50 bilhões a amigos. E este ano quis fazer a mesma coisa, não fossem os cofres vazios.

Para alimentar sua rede de favores, resolveu desnacionalizar o Brasil, vendendo campos de petróleo a preço de banana para companhias estrangeiras, abrindo o mercado aéreo para empresas não brasileiras, permitindo a venda de terras a estrangeiros sem qualquer limite e por aí vai. É o jeito de manter seu cassino funcionando, né? Ou será o butim que coube a seus aliados do Norte na guerra que moveu contra nossa jovem democracia?

E acha que nós aceitamos pagar a conta desse seu jogo contra a sociedade? Claro que não. Quando as instituições se omitem na defesa da democracia, devolve-se ao detentor da soberania popular – ao povo – o direito de resistir à arbitrariedade. Somos nós os verdadeiros e originários guardiões da Constituição! Os próximos dias de seu "governo" serão seu ocaso. É bom se acostumar. Sexta-feira foi só o começo. Quem sabe a gente se surpreenda em algum momento próximo com um lampejo de dignidade que em toda sua vida não mostrou e possa aceitar seu pedido de renúncia na paz? Sonhar é de graça. Mas seria melhor assim. Seria melhor você sair pela porta dos fundos da história, para não ter que passar por seu corredor polonês pela frente.

Agora, se insistir nessa coisa bandida de destruição da previdência pública para enriquecer seus sócios de fundos financeiros e em pensar que o trabalhador brasileiro é otário e se submeterá a seu capricho de nos catapultar de volta para o regime constitucional de 1891, estará escolhendo o caminho mais doloroso. O povo vai se transformar no pior pesadelo de sua malta. Pense bem antes de testar. Ano que vem – ou até antes – haverá eleições. Ainda é tempo de recuar.

O dia 28 de abril de 2017 foi nossa primeira resposta, a da sociedade brasileira, ao espetáculo deprimente que você e seus ratos no Congresso protagonizaram em 17 de abril de 2016. Foi uma resposta à altura e é bom ouvi-la. Sua liga de super-heróis, a Rede Globogolpe e os MBLs da vida, não tem tamanho para enfrentar o que começamos sexta-feira. Quem viver verá.

Vaza, Temer, vaza!

Greve geral fracassa


Doria recebe flor de ciclista pelos mortos nas marginais e atira no chão

Mulher abordou prefeito na saída de evento na Avenida Paulista.

Por Tatiana Santiago, G1 São Paulo

O prefeito João Doria (PSDB) recebeu flores de uma ciclista na Avenida Paulista, no início da tarde deste domingo (30), quando saía de carro da cerimônia de abetura da Japan House São Paulo. "Esta flor é em homenagem aos mortos nas marginais", disse a mulher. Doria não pegou a flor. A ciclista então colocou o braço para dentro da janela do passageiro e deixou a flor no painel do carro. Doria pegou a flor e a atirou no chão para fora do carro. "Agradeço".

Giulia Gallo, a ciclista, diz ser contra a posição da Prefeitura em transformar ciclovias em ciclorrotas, além da mudança no limite de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros. Desde 25 de janeiro, data da implantação do novo limite de velocidade, sete pessoas morreram em acidentes nas marginais.

"Falei que estava entregando flores em homenagem aos mortos que vieram. Ele jogou a flor no chão", disse Giulia. "Eu como ciclista e pedestre estou me sentido muito desprotegida. Se ele tirar as ciclovias vamos correr risco.

A assessoria da Prefeitura de São Paulo diz que "o prefeito reagiu a um gesto invasivo e desnecessário".

Fora Temer diz que país precisa de marido para controlar despesas

Laura Carvalho

A comparação do orçamento de governos com orçamento doméstico já era ruim o bastante quando remetia à realidade país afora. Com pouco acesso a crédito e diante de juros altíssimos cobrados pelos bancos, as famílias têm mesmo de cortar despesas quando a renda cai. Com o governo, não é bem assim: cortes de gasto podem aprofundar a crise e prejudicar as receitas, agravando o desequilíbrio inicial.

Mas ao falar na necessidade dos "maridos" para o controle de gastos do governo, Temer também revelou completo desconhecimento do público para o qual falava. A referência machista de que mulheres são gastadeiras e precisam de um marido para controlar suas despesas só tem algum apelo na classe da qual faz parte o próprio Michel Temer: a elite branca dos maridos machistas e suas esposas belas, recatadas e do lar. Nos lares que assistem ao programa do Ratinho, não é assim que a banda toca. Pode perguntar.

Obrigada, Michel Temer, por tornar a perigosa metáfora da "dona de casa" cuidando do Orçamento muito menos eficaz.

Belchior - MPB Especial (02/10/1974)



Durante a trabalhosa tentativa de emplacar seu primeiro LP, umas das várias aparições de Belchior foi no programa intimista "MPB Especial", da TV Cultura, em 02 de Outubro de 1974.

Nele, um Belchior ainda muito novo, aberto e relativamente zangado (como no depoimento ao fim do programa), se apresentava ao público através de um diálogo autobiográfico, provando que o novo sempre vem.

Imagem e som restaurados. 720p e 60fps.

TV Cultura, 1974

Belchior - Especial Acústico



Belchior Especial Acústico na TV Diário Canal 22 - Fortaleza 24-04-09

A Palo Seco - Belchior

A Palo Seco - Belchior from Guilherme de Lima on Vimeo.

Cantor e compositor Belchior morre no RS

O Povo

O cantor e compositor Belchior morreu na noite deste sábado, 29, em Santa Cruz do Rio Grande do Sul, aos 70 anos. Familiares confirmaram o falecimento, entretanto, não informaram a causa da morte. O corpo deve ser trazido para o Ceará ainda hoje. O sepultamento deve ocorrer em Sobral.

Em nota, o governador Camilo Santana decretou luto oficial de três dias no Estado e reconheceu a importância de Belchior para a música brasileira. Confira a nota na íntegra:

"Recebi com profundo pesar a notícia da morte do cantor e compositor cearense Belchior. Nascido em Sobral, foi um ícone da Música Popular Brasileira e um dos primeiros cantores nordestinos de MPB a se destacar no País, com mais de 20 discos gravados. O povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente por tudo que fez e pelo legado que deixa para a arte do nosso Ceará. Que Deus conforte a família, amigos e fãs de Belchior. O Governo do Estado decretou luto oficial de três dias.  
Camilo Santana  
Governador do Ceará"

Relembre especial sobre os 70 anos do Belchior comemorado em 2016

Folha de S. Paulo chama PM criminoso de "homem trajado como policial militar"


O capitão da PM de Goiás PM Augusto Sampaio de Oliveira Neto


Pesquisa Datafalha mostra vitória de Lula e morte do PSDB

George Marques

Pesquisa DataFolha divulgada hoje no jornal Folha de S. Paulo projeta o ex-presidente Lula vencendo em praticamente todos os cenários para 2018. Na rabeira das intenções de voto estariam Marina Silva e Jair Bolsonaro.

Para o DataFolha a notícia caiu como uma bomba no ninho do PSDB, com o derretimento dos candidatos tucanos. João Dória, que se vende como de fora do sistema político, perderia em todos os cenários projetáveis até hoje.

Chama atenção que figuras do judiciários como o juiz Sérgio Moro, capitão da Lava-Jato, recebeu 9% de intenção de votos; Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF 5%. Aqui os gráficos para quem quiser entender as projeções:

sábado, 29 de abril de 2017

Lembram dos "blogs chapa branca"?


Gustavo Castañon

A imprensa corporativa gostava de desqualificar jornalistas como Nassif, Azenha, Paulo Nogueira, PHA e Rodrigo Vianna, dizendo que vendiam apoio ao governo.

Agora tudo foi cortado e estão todos aí fazendo o que sempre fizeram: enfrentando o poder real, que sempre foi o capital e seu aparato judicial e midiático. De quebra, ainda enfrentam o poder político do governo federal.

Enquanto isso, os mercenários e sicários da verdade que se dão o nome de jornalistas e se prostituem em pocilgas como a Globo e a Veja voltaram à sua condição comum rastejante e servil de vender textos e estórias não só para o poder real, o econômico, mas também para o poder político, mentindo todo dia barbaramente sobre economia, protestos, líderes políticos.

Não há convicção política em jogo aqui: é só dinheiro, manter o estilo de vida.

Esse papo de "jornalistas que ficaram constrangidos na redação" com as notícias sobre a greve ou as manifestações me enoja.

Não há ninguém mais com moralidade ainda escrevendo ou produzindo matérias nesses antros morais.

Só gente que não satisfeita em não ter nenhum caráter, ainda arrumou um jeito de vender a alma de novo, todo santo dia.

PM tem que ser extinta: nenhum país civilizado tem algo semelhante

Leandro Fortes 

TROGLODITAS 

Até agora as autoridades de Goiás não informaram o nome dessa besta fera fardada que QUEBROU um cassetete no rosto de um ser humano.

Esse ASSASSINO não pode ficar mais um minuto dentro da PM, embora a única solução para esses casos é a extinção dessa instituição majoritariamente fascista, violenta e despreparada.
O capitão da PM de Goiás PM Augusto Sampaio de Oliveira Neto

A nulidade moral dos coxinhas

Gustavo Castañon

A posição política e econômica de alguém nunca é só fruto de conhecimento ou de moralidade.

É sempre fruto dos dois: do que pensa que o mundo é e do que pensa que o mundo deveria ser, nos limites da realidade.

É daí que de fato acredito que algumas pessoas de direita são decentes. Tomam decisões políticas e morais de acordo com o que pensam que o mundo é.

Sim, porque decisões políticas são decisões morais.

Mas empiricamente podemos ver que a maioria somente busca num discurso político a justificação para o que já é e fez da vida, sem nenhuma consideração moral real.

É por isso que para o coxa nosso comportamento deve ser explicado com base em quem está nos pagando para militar ou em não querermos trabalhar.

É simplesmente aplicar nos outros seu próprio processo de tomada de decisão para não se sentir um merda.

A maioria dos coxas, sabendo muito bem como o mundo é, só quer sobreviver nele, não importa como.

Mudá-lo, nem pensar.

Nunca, jamais, tomou uma decisão sequer na vida pensando em mudar algum aspecto do mundo.

E aqueles que tentam isso são odiados pelo simples motivo de que, ao existir, denunciam sua nulidade moral.

O que você sabe sobre Margaret Thatcher?


Por Leonardo Stoppa

Margaret Thatcher, assim como Temer faz hoje, governou para a elite e permitiu que a Inglaterra se tornasse um dos países com a maior desigualdade social entre os desenvolvidos. Uma forma interessante de saber como foi a política que é hoje exaltada no Brasil é entrar em grupos de ingleses e fazer as simples perguntas: “Você gosta da Margaret Thatcher?” “Você concorda com o que ela fez na Inglaterra?”


O aprendiz de hipócrita



O janotinha nasceu rico. Papai era publicitário de sucesso. Casa confortável, mesa farta. Bons colégios, motorista particular.

Passou um pequeno aperto quando Papai foi cassado pelos militares em 1964, não por ser da esquerda ou por ser líder sindical, mas por estar metido até o pescoço em tramoias de financiamento irregular na campanha que o elegeu (foi financiado com dólares de amigos/patrocinadores americanos, o que era vedado pela lei).

Mas nada da passar fome, pequenos ajustes na vida burguesa.

Agora é franco defensor das reformas que debilitam o mundo do trabalho e que, no bojo de combater alguns direitos absurdos dos funcionários públicos, quer penalizar milhões de trabalhadores dos extratos mais explorados e com menor remuneração na escala salarial do país.

Seu discurso: sou um trabalhador, acordo cedo, trabalho dezesseis horas por dia ...

Tudo uma farsa só.

Não usa transporte coletivo. Só se desloca em automóveis de luxo, helicóptero e avião particular.

Mora numa mansão com mais de 2.000 m², no aprazível bairro dos Jardins em São Paulo. Iluminação, saneamento e segurança: tudo provido e garantido pelo estado.


Passa os fins de semana numa Vila em estilo Toscano em Campos do Jordão. As férias no exterior vai curtir em Miami onde também possui residência. Ambientes luxuosos, de gosto duvidoso, mas confortáveis e seguros.

Está sempre cercado de ajudantes, assessores e puxa-sacos dos mais variados estilos & competências, que fazem o trabalho duro, enquanto o bacana dá as ordens.

E se compara ao trabalhador que mora a duas horas do local de trabalho, que pega trem e ônibus lotados todos os dias, que mora em uma casa ou apartamento de 50, 60 ou 80 m², em rua não asfaltada, com iluminação precária e sem saneamento básico. Que luta pela sobrevivência, que luta contra a insegurança, que luta cotidianamente para alimentar com dignidade os filhos. Que não tem plano de saúde, nem estabilidade no emprego, nem reservas financeiras.

Quem é o janotinha?

É um tal de João trabalhador (sic), um farsante.

Um aprendiz de hipócrita, na escola tucana da política.

Na histórica Greve Geral de 2017, Globo fez pior do que nas Diretas Já de 1984


Em 1983 eu era repórter da TV Bauru, afiliada da Globo no interior paulista. Porém, vivia “cedido” à emissora em São Paulo, cobrindo férias de colegas. Morava no Hotel Eldorado da rua Marquês de Itu, no Higienópolis, na capital paulista, como repórter do chão de fábrica.

Fui, como pessoa física, à primeira manifestação pelas Diretas Já em São Paulo, diante do estádio do Pacaembu, à qual compareceram cerca de 15 mil pessoas. Foi em 27 de novembro de 1983, poucos dias depois de meu aniversário.

Outros protestos já tinham acontecido antes, pedindo que a ditadura estabelecida em 1964 tivesse fim com eleições presidenciais diretas. Outras aconteceriam depois, com destaque para Curitiba, onde se reuniram cerca de 40 mil pessoas.

Portanto, posso dizer que eu estava lá vivendo a realidade paralela pela primeira vez: enquanto as notícias fundamentais para o futuro do Brasil aconteciam do lado de fora, a TV Globo desconhecia as notícias do lado de dentro — especificamente, na sede da emissora em São Paulo, na praça Marechal Deodoro.

Era uma sensação bizarra. As ordens vinham do Rio: na Globo, nada de Diretas Já.

Portanto, não houve exatamente surpresa quando, no aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro de 1984, o repórter Ernesto Paglia falou sobre a manifestação de cerca de 300 mil pessoas na praça da Sé, que reivindicava outra vez Diretas Já, como se fosse a comemoração da efeméride. Sim, é fato que a reportagem tratou dos discursos e da manifestação em si, mas foi embalada pelos editores, a mando da direção da Globo no Rio, como se fosse a cobertura de uma festa.

A maneira como a TV Globo tratou a histórica Greve Geral do 28 de abril de 2017 é, na minha avaliação, muito pior do que aconteceu com a cobertura das Diretas Já em 1983/1984.

Àquela época, a emissora poderia alegar — como alguns globais chegaram a alegar — que vivíamos os estertores de uma ditadura militar e que desafiar o regime poderia ter consequências para a própria abertura “lenta, gradual e segura” prometida pelo ditador João Figueiredo.

Agora, não. Graças às redes sociais — facebook, twitter, whatsapp — qualquer pessoa pode avaliar o grau de descontentamento com as medidas de impacto social tomadas por um governo que tem o presidente da República e nove de seus ministros sob suspeita e/ou investigação, medidas que por sua vez são submetidas a um Congresso igualmente sob suspeita.

Mesmo os mais devotos apoiadores do impeachment de Dilma Rousseff e antipetistas vários sabem que Michel Temer não foi eleito vice-presidente para tomar o rumo que tomou, nem tem legitimidade para golpear os direitos sociais da forma como pretende fazê-lo.

Age em nome do 1% do topo, com 4% de ótimo/bom na pesquisa de opinião pública mais recente e desemprego na casa dos 14%, quando a promessa era de que a derrubada de Dilma provocaria um cavalo-de-pau imediato na economia.

Portanto, desta feita a TV Globo e seus satélites não tem onde se esconder: o apoio dado às medidas do governo Temer expressa acima de tudo o interesse político e econômico dos próprios donos da mídia e dos usurpadores do poder no Planalto e no Congresso que os representam.

No caso da emissora, é absolutamente impossível do ponto-de-vista jornalístico que uma organização com tantos tentáculos espalhados por todo o Brasil tenha sido incapaz de registrar o descontentamento popular ANTES da greve geral, de forma a expressá-lo em seu noticiário.

Será que só nós, internautas, vimos por exemplo as manifestações da CNBB e de um terço dos 100 bispos da Igreja Católica, os quais certamente não podemos acusar de agirem a mando do anarco-sindicalismo?


A Globo, para ficar apenas na nave mãe, simplesmente fez mau jornalismo. Não foi pela primeira, nem será pela última vez.

Agora, porém, não tem como se esconder atrás da ditadura, da qual foi a principal beneficiária, como fez em 1984.

Agora, fez mau jornalismo — distorcido, omisso, descontextualizado — porque coloca seus interesses empresariais, representados pelo governo Temer, acima do interesse da maioria dos brasileiros.

PS: Que fique registrado. Quando Lula se elegeu presidente e foi à Globo do Rio dar entrevista ao Jornal Nacional — estava em minha segunda passagem pela emissora — eu fui um dos poucos jornalistas presentes que não o aplaudiram na entrada. Não acho que o papel de jornalista seja bater palma para autoridade, tampouco negar a realidade que o cerca.

Leia também:


Sérgio Moro precisa de internação ou cadeia

Leandro Fortes

MORO EM SEU LABIRINTO

A reação do juiz Moro à postura corajosa e digna de Lula à perseguição abjeta que tem sofrido, gerou, agora, uma excrescência de moralidade que, por si só, já deveria ser suficiente para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastá-lo daquele hospício que virou a Vara de Curitiba.

Moro mandou recolher presentes que Lula ganhou, quando era presidente, em confronto direto com a lei e, principalmente, com os padrões de sanidade mental que devem nortear a ação de um juiz.

Agiu como um adolescente mimado ao perceber que, diante de Lula, ele é obrigado a recuar aos espaços criados artificialmente pela Globo junto à turma de extrema-direita que se divide entre loas a Bolsonaro e o consumo indiscriminado de Lexotan.

Essa ação contra os presentes de Lula revela, portanto, muito mais do que mesquinharia.

É um sinal de que Moro, mesmo com a ajuda da Globo News, não sabe mais para onde ir.

Thatcher e Temer, uma boa comparação

Mário Marona 

Ontem, assessores de comunicação de Temer fizeram circular que ele gostaria de ser comparado a Margaret Thatcher.

Submisso, o editorial do Globo faz hoje exatamente esta comparação.

Depois de subjugar o movimento sindical, Thatcher fez explodir a desigualdade, dilapidou o estado de bem estar social, e entregou ao século XXI um país que nunca conseguiu se recuperar.

Sua morte foi motivo de celebração nas ruas da Inglaterra e da Escócia.



A greve parou o Brasil; e o monstro midiático da mentira mostrou as garras – de novo!


Greve não é comício! Objetivo de greve não é encher as ruas, mas esvaziar locais de trabalho, e barrar a produção. As cenas de um Brasil quase vazio, em plena sexta-feira, indicavam a vitória total da maior greve dos últimos 30 anos.

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador

Logo pela manhã, cruzei a região de Pinheiros e Perdizes, na zona oeste de São Paulo, e tive o primeiro impacto: a cidade estava vazia, parecia manhã de domingo. Com um agravante: não vi sequer um ônibus circulando num trajeto de cerca de oito quilômetros.

Pelas redes sociais, saltavam imagens idênticas Brasil afora: ruas vazias, terminais de ônibus desertos. Esse era o mundo real. Mas do rádio do carro brotava a voz do collorido comentarista Claudio Humberto, que apresentava outra realidade: “o país segue vida normal”, dizia o ex porta-voz de Collor, hoje travestido de jornalista temerário. A imagem acima mostra a estação Sé do Metrô em São Paulo: vida normal?

Da tela das tevês, também brotava o divórcio com a realidade. Relatos de colegas jornalistas eram de que as chefias, nas redações, tinham uma cartilha definida: proibido usar a expressão greve geral; obrigatório mostrar imagens de pequenos grupos de manifestantes nas ruas vazias (pra dar a ideia de “manifestação de poucos”); valorizar cenas de confrontos/brigas, acrescidas da informação de que a greve foi organizada “pelos sindicatos” (ia ser organizada por quem? pelo Silvio Santos?); e destacar sempre o drama dos trabalhadores “prejudicados” pela greve.

O dia 28 de abril deixou claro que se pratica no Brasil um jornalismo de guerra. E o alvo não é apenas a esquerda partidária, não é apenas Lula, mas todo tipo de manifestação coletiva que ouse desafiar o projeto de desmonte dos direitos sociais sob comando de Temer/PSDB. Mais triste: o alvo é a verdade; mente-se descaradamente.

A mídia tradicional, azeitada por anúncios federais, tentou construir a narrativa de uma greve de poucos. E antes que algum incauto embarque nesse discurso, explique-se: greve não é comício! Objetivo de greve não é encher as ruas, mas esvaziar locais de trabalho, e barrar a produção. É a luta mais básica no capitalismo: quem produz recusa-se a produzir.

Por isso, a insistência de certos canais de TV em mostrar ruas vazias era além de tudo obtusa. As cenas do vazio, em plena sexta-feira, indicavam a vitória, e não o fracasso da greve.

Às 14 horas, fui ao centro de São Paulo. Metrô Anhangabaú fechado, viaduto do Chá vazio. Calçadão da Barão de Itapetininga às moscas. De cada 10 lojas, uma estava aberta.

Ruas desertas, escolas trancadas, fábricas fechadas, ônibus e metrôs sem circulação. Não há dúvida de que a greve foi um sucesso. O que me interessa discutir não é isso, mas o fato de que o dia 28 de abril coloca a disputa em outro patamar. Trabalhadores perceberam que estão diante de um ataque sem precedentes, que não é ao PT, aos sindicatos, mas a todo aquele que não é patrão. E a turma do golpe mostrou que partiu pra guerra total.

De um lado, a PM com seus carros de combate, que parecem aqueles usados pelos israelenses para massacrar palestinos, aprofunda a violência – em parceria com um sistema judicial que mais e mais será utilizado para criminalizar quem se manifesta. De outro, nas telas a mídia aprofunda a violência simbólica, ajudando a sustentar essa narrativa.

O sistema golpista – baseado num componente policialesco, que vende a imagem do combate à corrupção, mas tem como objetivo eliminar direitos sociais e trabalhistas – não se sustenta sem uma imprensa mentirosa e, literalmente, vendida.

Não se trata mais de jornais e canais de televisão terem posição anti-trabalhista e deixarem isso claro nas coberturas. Mas se trata de falsear a realidade. Jornalismo de guerra.

Não há volta. A mídia, sob comando da Globo, transformou-se em elemento central do campo golpista. Não se reverterá esse quadro se houver qualquer ilusão de que a mídia em algum momento cumprirá papel diferente. Esqueça.

Sobre isso, gostaria de dividir ainda duas reflexões.

Primeiro: até 2013, quando o país crescia e o lulismo era forte, havia brechas em setores da imprensa convencional para estabelecer algum contraditório. Isso desapareceu. Agora, há uma ordem unida sem espaço para qualquer contraditório nas redações.

Segundo: setores da esquerda superestimam o instrumento das redes e da internet. De fato, sem blogs e redes, nossa vida seria pior. Aqui, ao menos, temos alguma voz (na imprensa convencional, temos perto de zero). Mas o fato é que mesmo na internet não falamos sozinhos, longe disso; há pelo menos 3 bolhas em disputa, e que pouco se comunicam: a da esquerda, com algumas nuances; a da direita antipetista, que se divide entre a liberal e a abertamente fascista; e a turma nem lá nem cá.

Para alguns analistas, esse é o desenho dos novos tempos! Toda a estratégia deveria ser: como conversar com as outras bolhas; e, principalmente, como ganhar adeptos entre a turma que fica no meio do caminho (nem lá nem cá)…

Tenho visão diferente. O desenho acima descreve apenas parte do que se passa na batalha de comunicação brasileira.

No Brasil atual, convivem dois tipos de comunicação: o mundo das redes, horizontal, com muitas vozes, e em disputa permanente; e o mundo da comunicação convencional (corporações de mídia, sob liderança da Globo), absolutamente vertical, controlado, com um discurso cada vez mais unificado.

O mundo das redes/horizontal e o mundo da comunicação corporativa/vertical se interpenetram. A mídia convencional mantem o poder não só de formar o discurso da bolha de direita, mas a capacidade de influenciar de forma quase irreversível a turma do meio do caminho.

Num dia como esse histórico 28 de abril, nós aqui vamos resistir e mostrar que a narrativa de uma greve de poucos é mentira grosseira. Certamente, o campo que se informa a partir dessa área terá argumentos e informação para sustentar essa narrativa.

Mas do outro lado há a mídia convencional, com um bombardeio absolutamente unificado. E poderoso. Contra ela, não podemos quase nada. Quem teria força para enfrentá-la seriam governantes, no poder. Durante 13 anos, governos Lula e Dilma fizeram o oposto: em vez de desconstruir o discurso dessa mídia, ajudaram a dar legitimidade a ela.

Milhões de brasileiros seguem acreditando que o que passa no noticiário televisivo/radiofônico vem de um lugar neutro, longe da sujeira da “politica”. Essa legitimidade a Globo e suas sócias menores seguem a carregar.

Só nas épocas de campanha eleitoral, com o horário gratuito, parecemos ter alguma força para enfrentar esse discurso unificado que transforma manifestação em “baderna”, que esconde a greve gigantesca, que mente e manipula.

Acontece que, até 2018, teremos uma imensa travessia. Só chegaremos lá se conseguirmos a tarefa gigantesca de enfrentar esse monstro midiático. E hoje, na cobertura mentirosa sobre a greve, o monstro mostrou que não está para brincadeira

Não nos iludamos: a partir de amanha, 30% do país saberão (pela internet ou pela vivência nas ruas) que a greve foi gigante. Outros 30% seguirão a dizer que foi algo de petistas baderneiros.

E o terço final? Sob influencia da mídia verticalizada, permanecerá no meio do caminho, desconfiado, perdido, sob um bombardeio propositalmente confuso? Pressionará parlamentares contra as reformas? Ou sera dominado pelo discurso de que a greve não foi tão grande e que as reformas são necessárias? A simples dúvida é o que basta para que Temer, mesmo impopular, siga no trabalho de desmonte de direitos. A narrativa de que a greve “não fez assim tanto estrago nas bases” será repetido pela mídia a soldo do Palácio, para ganhar votos decisivos nas chamadas reformas.

Portanto, a batalha do dia 28 prossegue. É preciso manter fogo alto e conquistar corações e mentes, mostrando o divórcio entre mídia e realidade. Nas Diretas, em 84, a Globo perdeu ao apostar no divórcio. Mas em 89, com Collor, a Globo ganhou ao praticar terrorismo eleitoral.

Hoje, o monstro midiático está mais forte do que há cinco anos, pois que mais unificado, e menos aberto para contraditório e dissidência. Essa é a força dele, mas é também sua fraqueza. Quanto mais se divorciar da realidade, maior a chance de que o monstro possa ser abatido e derrotado junto com o governo Temer.

Mas será uma tarefa gigantesca travar esse combate, ao mesmo tempo em que a principal liderança do campo popular se encontra sob ataque e sob ameaça de prisão e interdição.

Trata-se da mesma luta, dividia em duas: resistir ao desmonte social, e garantir que o campo popular tenha candidato em eleições razoavelmente livres.

Nessa luta, o adversário principal a ser batido é o mesmo: o monstro midiático da mentira.

A grande desgraça é a mídia

Francisco Costa

Observou a postura da mídia, particularmente da Globo e da Band, quando das micaretas do pato da Fiesp e ontem, quando a greve foi na Venezuela é quando é aqui?

A mídia brasileira ontem funcionou como o anti piquete, incentivando as pessoas a trabalharem, e se a mídia dá ânsia de vômitos, alguns jornalistas primam pela falta de caráter, alugando a consciência e a inteligência para os patrões.

Começa logo quase de madrugada, com um tal de Luis Megali, criticando engarrafamentos, fazendo entrevistas só com os alienados reclamando dos transtornos, afirmando que o metrô está parado mas deverá funcionar, tirando as pessoas de casa.

Segue-se Boechat, com o mesmo discurso monocórdico de que a greve é dos funcionários públicos e dos sindicalistas, que a paralisação é resultado da falta de transportes, culminando por dizer que é a greve dos pneus queimando.

Passemos para a Globo, onde o Jornal Nacional foi o único telejornal a não noticiar a greve do dia seguinte, ignorando-a.

Como aconteceu na criação do décimo terceiro salário, do FGTS, da licença maternidade, na anistia, nas Diretas Já, a Globo foi a última emissora a aderir ao noticiário, antes ignorando.

A noite, no Jornal Nacional, o cínico e vendido Bonner afirmou que a Globo manteve plantão jornalístico durante todo o dia, cobrindo a greve, o que é verdade.

Mostrou piquetes nas portas das garagens de ônibus, passando a ideia de que os rodoviários não pararam por vontade própria, mas impedidos de trabalhar; mostrou ativistas apedrejando a polícia, sem esclarecer que era revide, atribuindo à militância a agressividade; mostrou umas poucas vitrines quebradas por uns poucos vândalos, tentando passar a imagem que a greve foi um movimento de vândalos; nas entrevistas de rua a chantagem emocional: a velhota que perdeu a consulta médica, o bobo alegre que pagou táxi, ao invés de ônibus, sem ressarcimento do patrão; o pai revoltado porque o filho ficou em casa, enchendo o saco, já que não teve aulas... Entremeadas com as declarações de um grevista, cuidadosamente pinçado e editado, reclamando das reformas e isentando Temer, na proporção de dez para um.

A Globo subliminarmente tentou criminalizar a greve, como sempre.

Os jornalistas da farsa, bonecos dos ventríloquos Marinhos, se esmeraram em direcionar tudo conforme as vontades dos patrões.

E há uma desgraça nova no telejornalismo brasileiro, a padronização do estilo Datena, o falar postiço, entremeado com gritinhos, como maritacas loucas.

De todos os cretinos, no entanto, sobressai um: Alexandre Garcia.

Este pobre coitado, de espírito miúdo, que foi o porta voz do General ditador João Batista de Figueiredo, não foi avisado que o ridículo tirano, no melhor estilo Cantiflas, já está no inferno, e pensa que o fascismo ainda é o regime oficial.

Cinquenta anos depois e pensa a mesma coisa, fala a mesma coisa, quer a mesma coisa. Os canalhas também envelhecem.

Enquanto a Globo fazia isso, inseria declarações dos doutos comentaristas econômicos afirmando que a Reforma da Previdência não retira direitos porque constitucionais, o que é uma verdade, desde que não se coloque – e serão colocados, em prática alguns artigos da reforma, justamente os que os comentaristas propositalmente omitem.

Sem uma Lei da Mídia, ou providenciais e acidentais incêndios em redações e estúdios, estaremos condenados às senzalas, irremediavelmente.

Madureira é o humorista-Jaburu que o Brasil do golpe merece

A DIREITA-JABURU É A PIADA
Moisés Mendes

Marcelo Madureira, o ex-Casseta golpista, é uma figura patética do humor brasileiro. Ele e alguns de seus ex-companheiros de programa são militantes de uma direita quase bolsonarista.

Ontem, no Rio, Madureira foi posto a correr por manifestantes, quando tentava fazer gracinha com a greve. Foi a cena hilária do dia (o vídeo está abaixo na primeira linha dos comentários).

Madureira e a turma do Casseta ficaram desamparados quando Bussunda morreu em 2006. Bussunda levava o grupo nas costas.

Sem Bussunda, não sobraram alguns humoristas perdidos, mas um monte de direitosos medíocres tentando fazer trocadilhos. A Globo viu que eles eram fracos e acabou com o programa.

Mas Madureira ainda tenta viver da fama daquela época. Dá pra ver que é apenas um reacionário sem piada. Ele é a piada.

O Brasil pós-golpe virou um país tão estranho que os humoristas (ou ex-humoristas) da TV são de direita. Deve ser um dos poucos países do mundo onde ainda tentam fazer piada com índio, negro, pobre, gay e mulher burra.

Madureira é o humorista-Jaburu que o Brasil do golpe merece.

A maior greve geral da história

Da Central dos Sindicatos Brasileiros

Milhões de trabalhadores atenderam ao chamado das centrais sindicais em todo o Brasil e não compareceram ao trabalho, deixando as ruas, empresas e lojas desertas na histórica greve do dia 28 de abril. Ao mesmo tempo, dirigentes de centrais sindicais, sindicatos, confederações, federações, representações variadas e milhares de trabalhadores saíram às ruas nesta sexta-feira (28) para protestar contra as reformas trabalhista (PL 6787/16) e previdenciária (PEC 287/2016), propostas pelo governo e já em tramitação no Congresso Nacional.  A greve contou com a participação, na avalição da CSB, de 35 milhões de pessoas.

A CSB mobilizou suas bases e a população em todos os estados. "Em todas as capitais do Brasil e em centenas de municípios, trabalhadores foram às ruas para dizer ao governo federal, ao Congresso Nacional, que parem com essa história de acabar com o direito dos trabalhadores e destruir a Previdência Social dos trabalhadores. Hoje é um dia de orgulho para você, trabalhador brasileiro", afirmou o presidente da CSB, Antonio Neto.

O movimento nas capitais e em várias cidades foi até menor do que em feriados. "Essa foi a resposta dada. É bom o governo central, o Congresso Nacional, atentarem para isso, que é um 'esquenta'. Estamos dizendo em alto e bom som: O som rouco das ruas dizendo a vocês, parlamentares, governantes, que é chegada a hora de respeitar o direito dos trabalhadores e pensar num país justo, solidário, desenvolvido, com inclusão social e crescimento econômico. É isso que vai resolver o problema do Brasil", analisou o dirigente.

O País parou. Principais ruas, avenidas, empresas, comércios e serviços em geral permaneceram fechados por todo o dia. O sistema de transporte das cidades também cruzou os braços e aderiu à greve. No Rio de Janeiro, manifestantes concentraram-se na Cinelândia. Servidores públicos e professores passaram da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) para a Candelária, na avenida Presidente Vargas. No entorno da Rodoviária Novo Rio, populares fecharam as vias no início da manhã. A ponte Rio-Niterói foi fechada durante as primeiras horas.

Em São Paulo, os ônibus não funcionaram, trens e metrô tiveram capacidade reduzida. O rodízio municipal de veículos foi suspenso. As rodovias Anchieta, Dutra, Régis Bittencourt e Anhanguera foram bloqueadas por protestos. Na capital, houve registro de atos na avenida João Dias e na Estrada de Itapecerica. Em Guarulhos, 700 ônibus não saíram das garagens e 99 linhas ficaram paradas.

Belo Horizonte amanheceu com paralisação parcial de ônibus. Manifestantes se reuniram pela manhã na praça Sete, no centro da capital mineira, o que interrompeu o fluxo da região. O Anel Rodoviário de Belo Horizonte foi fechado por três vezes.

Em Brasília, ônibus e metrô não circularam. Os acessos do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitscheck foram interditados. Diversos estabelecimentos comerciais foram fechados. Na maior parte do dia, nenhum carro conseguiu trafegar a partir da rodoviária no sentido Congresso Nacional, por meio da Esplanada dos Ministérios.

O balanço do dia é de sucesso e de grande adesão. "Eu quero parabenizar todos os dirigentes da CSB, todos os militantes da CSB, o povo trabalhador do Brasil, as centrais coirmãs por essa grande vitória, essa demonstração de qualidade na sua organização, de compromisso com a história do povo trabalhador na defesa da CLT, na defesa dos direitos dos trabalhadores e da Previdência Social", finalizou Neto.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Ministro Gilmar Dantas Abdelmassih Neves Mendes manda soltar Eike Batista

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a libertação do empresário Eike Batista, preso desde janeiro pela Operação Eficiência, que investiga fraudes em contratos de empresas com o governo do Rio de Janeiro. Na decisão, que ainda não foi divulgada na íntegra, o ministro suspende os efeitos da ordem de prisão preventiva decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio.

Ele ressaltou que a libertação só tem validade se o empresário não estiver sido preso também por determinação de outro juiz. Essa informação será apurada na própria vara federal, quando receber a decisão de Gilmar.

O ministro também afirmou na decisão que o juiz da 7ª Vara Federal poderá analisar a necessidade de aplicação de medidas cautelares – como, por exemplo, a prisão domiciliar ou o monitoramento por tornozeleira eletrônica.


Leia mais: http://oglobo.globo.com/oglobo-21274542#ixzz4faKVyKKX

O porcalismo minúsculo da Falha de S. Paulo








Golpista Marcelo Madureira é expulso de manifestação na ALERJ






O dia em que Lula encarou Sergio Moro


Moisés Mendes

Lula senta-se diante do juiz Sergio Moro e decide falar o que vem pensando há muito tempo.

– Eu sei que sou o réu aqui, mas gostaria de fazer alguns comentários antes de responder às suas perguntas.

O juiz demonstra surpresa e ajeita-se com inquietação na cadeira. Olha para os que estão na sala, mas não interrompe a fala de Lula, que continua:

– O senhor gosta de jogar para a torcida.

Moro franze a testa e continua em silêncio. Lula se sente autorizado a prosseguir:

– Vou começar pelo começo. O senhor determinou que me levassem à força para depor no ano passado. Foi quando ouvi falar pela primeira vez da tal condução coercitiva.

– A lei permite – diz Moro, com a voz baixa e mais fina do que o normal, enquanto examina as unhas, como faz nos vídeos em que aparece ouvindo delatores.

– A lei, no seu caso, permite tudo. Eu não havia me negado a depor, eu não estava fugindo, eu não ameacei ninguém e mesmo assim me levaram para o Aeroporto de Congonhas.

– Foi uma decisão da Polícia Federal, por questão de segurança.

– Logo depois, o senhor divulgou o grampo de uma conversa minha com a presidenta Dilma.

– Achei que seria relevante para conhecimento do público – diz Moro.

– Conheço a sua tese, mesmo que o ministro Teori tenha decidido que o senhor cometeu um delito. Ao grampear e ao divulgar a conversa.

– Eu admiti que errei e pedi desculpas ao Supremo – diz Moro.

– O que interessava era mandar a gravação para a Globo. Não servia para nada do processo, mas servia tudo para o marketing da Lava-Jato e do Jornal Nacional. Era uma coisa sem valor legal algum. Mas o senhor nunca foi punido por isso.

– Nunca fui punido por nada.

– Eu sei. O senhor é quem pune. O senhor tentou até censurar o cientista Rogério Cerqueira Leite, sugerindo à Folha que não publicasse seus artigos, porque faziam críticas à sua atuação.

– Ele estimulou a violência, ao escrever que eu poderia arder na fogueira da própria direita.

– Aquilo se chama metáfora. Aprendi na escola em Garanhuns. É uma fogueira simbólica. Mas é real que o senhor tirou fotos com Aécio Neves, o sujeito mais delatado e mais impune da Lava-Jato.

– Também admiti depois que foi um equívoco – balbucia Moro, examinando as unhas da mão esquerda.

– E o senhor ainda participa de eventos de tucanos, como aquele promovido pela empresa Lide, do Doria Júnior, em São Paulo.

– Eles me convidam.

– Depois das passeatas do pato da Fiesp, pouco antes do golpe, o senhor emitiu uma nota oficial elogiando “a voz das ruas”. Nunca antes se viu um juiz no Brasil divulgar uma nota sobre uma manifestação política, ainda mais estando envolvido no julgamento de um caso essencialmente político.

– Foi no impulso, eu fiquei tocado com o apoio deles – fala Moro, com a voz cada vez mais baixa.

– Também no impulso, para jogar para a torcida, há pouco o senhor gravou um vídeo com agradecimentos a quem apoia o que o senhor faz. Eu vi, um vídeo caseiro, gravado em casa.

– Eu valorizo as redes sociais.

– Pois eu quero lhe dizer, antes das suas perguntas, que eu também gosto das redes sociais. Eu lido ao vivo com as redes desde meu tempo de sindicalista.

– Mas o senhor parece querer conduzir a audiência, e o juiz aqui sou eu – reage Moro, tentando engrossar a voz.

Lula leva o tronco para a frente e se aproxima mais da mesa do juiz e soletra:

– Quero que o senhor grave o seguinte. Eu sei, todos aqui sabemos, o Brasil sabe que o senhor gosta de arregimentar apoio para o que faz, o que é justo. Mas sabemos também que muitas das suas atitudes são políticas, marcadamente políticas, no sentido mais amplo do que seja política, e pouco têm a ver com os ritos do Judiciário.

– É o meu jeito de atuar.

– Eu sei. O senhor atraiu o apoio dos golpistas e, de impulso em impulso, politizou a Lava-Jato. O senhor transformou Marisa Letícia em ré e se disse constrangido por isso. Grampeou Dilma e avisou a Globo e pediu desculpas. Tirou foto com Aécio e se desculpou. Mandou que eu participasse de todas as audiências das minhas testemunhas, no processo do tal terreno do meu instituto, mas depois recuou.

– Onde o senhor quer chegar? – indaga Moro, assertivo.

– Calma que eu estou chegando. O senhor sempre se desculpa pelo que não é essencial e não muda nada no que importa. O senhor quer ganhar sempre. Por isso, mantém gente em prisão preventiva por mais de ano. E continua avançando e politizando suas ações na Lava-Jato. Pois eu sei muito bem como politizar um cenário como este que estamos vivendo.

– É uma ameaça? – quis saber Sergio Moro.

– Não. É apenas um comentário. Eu estou numa situação em que tenho que provar que não cometi crimes, quando se sabe que a acusação é que deve provar que eu sou criminoso. E juristas de toda parte dizem que o senhor não é o juiz, que o senhor é o acusador.

– É uma acusação leviana.

– São constatações de gente da sua área. Todo mundo também sabe, inclusive a sua torcida, que o jogo da Lava-Jato não está sendo jogado apenas com as regras da Justiça. Eu, por alguma esperteza que Deus me deu desde o sindicalismo, percebo isso. Só quero dizer, para concluir, que se for para politizar ainda mais toda essa história, eu aceito esse jogo.

– Não entendi – diz o juiz, examinando as unhas da mão direita.

– O senhor não precisa entender. Encerrei. Agora, o senhor pode fazer as perguntas.


Moisés Mendes | Jornalista, autor do livro Todos querem ser Mujica – Crônica da Crise (Diadorim Editora, 154 páginas).

Jornalistas estão em greve há muito tempo

"Obrigado pela propaganda", disse o entrevistado. 
Sylvia Moretzsohn 

Se a greve é geral, o que fazem esses jornalistas que estão trabalhando normalmente?

Minha primeira resposta: greve é de trabalhadores, e jornalistas não são trabalhadores. Não estão afetados pelo golpe ou pelas reformas, do contrário o noticiário não seria essa vergonha.

Mas o Alfredo Teixeira pensou em algo mais correto: a rigor, eles não fazem jornalismo, de modo que, de fato, não estão trabalhando.

Daí a forçosa conclusão: os jornalistas estão em greve, sim.

Há muito, muito tempo.

Lula fala para Rádio Guaíba do Rio Grande do Sul




Ódio contra greve retrata atraso do Brasil

Mário Magalhães 

Se eu fosse antropólogo, estudaria um fenômeno curioso e obscuro: por que muitos brasileiros que viajam ao exterior são tolerantes com conflitos sociais no estrangeiro e intolerantes aqui?

Mais pontualmente, por que encaram ou aparentam encarar as greves de lá como episódios do cotidiano democrático e as do Brasil como aberração extremista?

É frustrante ir ao Louvre e dar com a cara na porta, em mais uma paralisação dos funcionários do museu parisiense. Mas ninguém, ou quase, corre às redes (antis)sociais para insultar os trabalhadores franceses. Não os achincalham como vagabundos.

Ao contrário do que se observa nas nossas bandas neste 28 de abril de xingamentos cabeludos.

Não faltam motivos para irritação em viagem. Suponhamos que uma família se hospede em San Sebastián e planeje o passeio de um ou dois dias em Biarritz. Vai de trem. Entre as duas cidades bascas finca-se a fronteira Espanha-França. Naquela manhã, os ferroviários franceses acabam de começar uma greve. Como gostam de fazer greve os ferroviários franceses! Passeio interrompido, no meio do caminho. Mas não se assiste a surto de ódio.

Já, por aqui, multiplicam-se os discursos demonizando a greve geral e os protestos de hoje.

Lá longe, sobretudo na Europa, costumamos aceitar as greves como lances do jogo. Mesmo quando nos contrariam ou atrapalham em incursões a trabalho ou turismo.

É assim também que os cidadãos locais se comportam. Muitos podem não simpatizar com greves e grevistas, porém não têm acessos de cólera. As sociedades aprenderam a conviver com greves, inclusive gerais.

A ojeriza à greve no Brasil, como se ela constituísse anomalia, retrata o nosso atraso cultural e político.

É como se o direito constitucional à greve fosse abuso.

Quando abuso é impedir greves legítimas e legais.

Chilique por causa de greve é atitude autoritária.

E, às vezes, ridícula.

Black Mirror in Brazil

NACHO DOCE / REUTERS 

Quem é a base da sociedade?



Eduardo Marinho

Que deselegante: maquiadora da Sandra Annenberg adere à Greve Geral






Web Analytics