quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Modernização trabalhista


O jornalismo crítico, plural, apartidário e moderno da Folha

Lula na visão isenta e apartidária da Folha
Lula, como incomoda. Por quê? 

Claudio Guedes


Vejo hoje, 15/08, na Folha de S. Paulo não a notícia - uma vez que se trata, ou se tratava, de um jornal, um "newspaper" - mas críticas duras e consonantes sobre o início da nova caravana de Lula pelo Nordeste brasileiro.

O publisher do pasquim paulistano - gosta de ser assim chamado - escalou três jornalistas/articulistas para fustigarem o líder político.

Nenhum para defendê-lo. Só ataques.

Uau! Não era esse o diário que inundou durante meses - ou anos - páginas e espaços publicitários em todo o país se dizendo plural? O jornal que defendia os diferentes pontos de vista? Estou eu enganado?

João Pedro Pitombo (!!!), de Salvador, resume sua matéria a falar dos percalços do início da caminhada. E só.

Ruy Castro, o biógrafo mineiro/carioca descolado, foi ao Japão buscar inspiração (sic) e compara Lula ao Godzilla. Criativo o bacana.

Já o esperto Igor Gielow (vejam na foto dele se o articulista não tem um olhar para lá de esperto, muito esperto) afirma que o "apoio à figura do Lula é enorme na região, seja pela memória afetiva de filho da terra, seja pela identificação com os programas de inclusão social [do governo dele]". Gênio, eu nunca poderia imaginar algo assim, juro, nunca.

Mas, ao finalizar o texto, IG se desdiz completamente e vai buscar inspiração em Karl Marx, ele mesmo, o filósofo alemão, para dizer que no caso de Lula/PT, não é a história que se repete como farsa, porque a história do PT já era "farsesca desde sempre". É pau, é pedra.

É o Lula! Incomoda o sul maravilha, transforma jornalistas em escribas raivosos, não conseguem aceitá-lo como ele é: um homem do povo, com as limitações, a simplicidade, a sabedoria de quem comeu poeira, passou fome, tornou-se líder de trabalhadores, fundou um grande partido político e foi um governante amado por uma grande maioria de pessoas. Não conseguem aceitá-lo.

Para escrachá-lo vale tudo, até compará-lo ao monstro fake do cinema japonês. Farão barulho, todos os dias, de forma articulada, no conforto das redações e dos apartamentos com vista para o mar, mas não vão deter a caminhada do líder petista.

Como sempre, quando a motivação é generosa, quando a objetivo é nobre - e ver e ouvir o Brasil profundo é hoje o único gesto político defensável num país tão avacalhado -, os intolerantes continuarão a pregar e a caravana a passar.

Semelhanças e diferenças entre Hitler e Bolsonaro


Tenho visto que caminhamos diretamente para um momento em que a ignorância tem ficado feliz em ser ignorante. Não ler, não estudar, não saber mais do que o dito num blog virou algo a se vangloriar, enquanto mestrado, doutorado e etc são sinais de "doutrinação".

Assim, penso que o caminho que nós da academia temos que tomar é levantar este véu de ignorância e apresentar de forma mais didática o que estudamos tanto para aprender.

Se você não gosta de textão e não tem interesse em aprender, não siga o post daqui em diante.


O rapaz da foto faz uma indagação que eu mesmo no início da faculdade fazia: Como um país que tinha uma história cultural tão rica (de Goethe a Nietzsche, de Beethoven a Wagner, por exemplo) tinha sido tão rapidamente tomado pela bestialidade do nazismo. Tem muita coisa escrita sobre isto e é preciso dizer que o Nazi-fascismo tomou literalmente todo o mundo, mas gosto bastante das reflexões de Habermas sobre o assunto, especialmente este texto (https://goo.gl/t4zB8h).

A "resposta" dada pelo ser que foi escondido é completamente errada. Nada, absolutamente nada que ele fala de Hitler e de Bolsonaro está correto. Então vamos olhar ponto por ponto dele e não vou usar "livros do MEC", vou usar apenas o livro de Hitler "Mein Kampf" para evitar o "MEC bias" que ele no final pretensamente alega.

1) Ele afirma que Hitler era "socialista" por pertencer a um partido que tinha no nome o "socialista". Na realidade Hitler abomina o socialismo e deixa isto bem claro no livro "Mein Kampf". Hitler dizia que a esquerda tinha "roubado" a palavra "socialismo" para definir um sistema de disputa social "luta de classes", quando ele (Hitler) queria retomar o termo ("o verdadeiro socialismo" Mein Kampf página 290) para indicar uma sociedade onde os trabalhadores trabalhassem para o "bem do Estado, e pela Pátria" (p. 305). Assim a ideia de "socialismo" que Hitler trazia era totalmente oposta ao socialismo conforme descrito por Marx e Engels e outros pensadores depois deles. 

Hitler diz no Mein Kampf, página 236 "Se o programa social do novo movimento consistisse somente em suprimir a personalidade e pôr em seu lugar a autoridade das massas, o Nacional- socialismo, já ao nascer, estaria contaminado pelo veneno do marxismo, como é o caso dos partidos burgueses." em que ele cabalmente mostra a diferença entre o que ele chama de "nacional-socialismo" e o "veneno do marxismo". Na página 255 do mesmo livro, Hitler diz, profético que "A diferença entre marxismo e socialismo até hoje ainda não entrou nessas cabeças."

Assim, tanto Hitler, quanto Bolsonaro, abominam o que eles acham que seja "socialismo", embora nenhum dos dois realmente tenha se interessado por conhecer o que tanto odeiam.

2) O segundo argumento é de que Hitler "odiava judeus" e Bolsonaro apoia Israel. Veja que aqui existe uma falácia. O termo "judeus" é diferente do termo "Israel". Existem milhões de judeus pelo mundo que são contrários às ações do ESTADO de Israel. Bolsonaro apoia a violência que Israel usa para conter os palestinos (e não vou entrar nesta questão aqui), mas é preciso que se diga que entre 1933 e 1944 (quando Hitler esteve no poder na Alemanha) não existia "ESTADO de Israel" e os judeus viviam pelo mundo à fora em situação semelhante ao que vivem hoje os palestinos. Se você quiser ver tem inúmeras associações de "jews against palestinian genocide" dá uma olhada (https://palsolidarity.org/tag/jews-against-genocide/).

3) o terceiro argumento é de que "Hitler queria eliminar raças inferiores". É outro erro comum sobre Hitler. Hitler entendia que existia uma raça superior (os germânicos), raças intermediárias (as nórdicas) e todo o resto. Mas não achava que as "inferiores" deveriam ser eliminadas, pensava que deveriam ser controladas e governadas pelos superiores. É disto que se tratava, controle ao invés de aniquilação. Tanto é que os campos de concentração só foram campos de extermínio genocida após 1943 quando Hitler percebeu que perderia a guerra. Antes disto eram campos de escravidão e trabalhos forçados. As "raças" que não aceitassem a supremacia germânica deveriam ser mortas, aquelas que "reconhecessem o seu lugar" poderiam viver. No fundo é exatamente o mesmo pensamento do Bolsonaro de que existem seres "superiores" e "inferiores". Hitler fez esta distinção baseada na "raça" e estabeleceu ramificações morais. Bolsonaro faz o mesmo. Veja: 

"Se o aglomerado de povos a que se dá o nome de "Áustria" fracassou, isso nada quer dizer contra a capacidade política do germanismo na antiga fronteira oriental, mas é o resultado forçado da impossibilidade em que se encontravam dez milhões de indivíduos de conservarem duradouramente um Estado de diferentes raças com cinqüenta milhões de habitantes, a não ser que ocorressem na ocasião oportuna determinadas circunstâncias
favoráveis." Mein Kampf p. 16
Aqui você pode ver Bolsonaro chamando refugiados de "a éscória do mundo" (https://goo.gl/1qCn6h) e ele já fez semelhantes afirmações sobre gays, mulheres e negros. É o mesmo tipo de pensamento o de Hitler e Bolsonaro.

4) o quarto argumento é que Hitler "achava o cristianismo uma perda de tempo". É outro erro. Hitler se dizia profundamente Cristão e denunciava o Partido Cristão na Alemanha (MK página 147) que segundo ele "tentava confundir a fé católica com um partido". Uma parte do "ódio" de Hitler aos judeus é porque eles teriam negado o "verdadeiro cristianismo" e matado Cristo.

"O produto dessa educação religiosa - o próprio judeu é o seu melhor expoente. Sua vida só se limita a esta terra, e seu espirito conservou-se tão estranho ao verdadeiro Cristianismo quanto a sua mentalidade o foi, há dois mil anos, ao grande fundador da nova doutrina. Verdade é que este não ocultava seus sentimentos relativos ao povo judeu; em certa emergência pegou até no chicote para enxotar do templo de Deus este adversário de todo espírito de humanidade que, outrora, como sempre, na religião, só discernia um veículo para facilitar sua própria existência financeira. Por isso mesmo, aliás, é que Cristo foi crucificado, enquanto nosso atual cristianismo partidário se rebaixa a mendigar votos judeus nas eleições, procurando ajeitar combinações políticas com partidos de judeus ateístas e tudo isso em detrimento do próprio caráter nacional. (MK, p. 168)

De fato, se perguntarmos ao Papa Francisco nenhum dos dois é realmente Cristão. E para entender isto você deveria ler a última encíclica de Francisco, Laudato Si.

5) o quinto argumento é de que "Hitler desarmou a população". Nada mais errado. Não só Hitler rearmou toda a Alemanha (que estava proibida de ter exército pelo tratado de Versalhes) como matou opositores seus dentro do exército utilizando esta população armada (A Noite das longas facas ou Noite dos punhais). Se você verificar o Tratado de Rapallo de 1922 verá que já antes de Hitler a Alemanha procurava se rearmar e que em 1934 se cria a " Wehrmacht Oath" em que o exército alemão (Wehrmacht) jura lealdade a Hitler e este jura dar condições a criação de um exército capaz de atingir o sonho da "Lebensraum" ... o "espaço vital" que Hitler julgava ser de direito da Alemanha e que ele iria conquistar a qualquer preço.

Já Bolsonaro, não quer armar a população, até quer retirar armas de quem coíbe os crimes que ele Bolsonaro gosta de praticar. Como ele gosta de caçar em locais contra a lei ... ele fez isto aqui ó

Ou seja, a ideia é armas para quem pensa igual a ele e para todos os outros a obediência desarmada. Não vi Bolsonaro defendo armas para o MST, a CUT ou o MTST ...

Sobre a questão do Lula, eu realmente falo outra hora. Mas quando se fala de Hitler e Bolsonaro é preciso mostrar a verdade.

Medidas anunciadas pelo governo golpista levam o Estado ao sucateamento completo

Luis Felipe Miguel 

O "Estado inchado" é outra das tantas mentiras que, repetidas à exaustão, ganham foros de verdade no Brasil. Os dados mostram que, em comparação com outros países, o funcionalismo público brasileiro é pequeno e a carga tributária é pequena. Apesar dos casos aberrantes amplamente divulgados pela mídia, até mesmo o salário médio do funcionalismo público é pequeno.


O que há são distorções: inchaços localizados da máquina administrativa quando há carências grandes de pessoal em muitos outros lugares, juízes com vencimentos nababescos, uma carga tributária que é muito maior para os pobres do que para os ricos (a porção da renda familiar que é consumida em tributos pelas famílias que ganham mais de 30 salários mínimos mensais é praticamente a metade daquela das famílias com renda de até dois salários mínimos).

A lógica diz que um país com o Brasil, com carências incompatíveis com suas riquezas e um potencial para o desenvolvimento que está longe de ser aproveitado, exige um Estado muito mais robusto. Mas nossas classes dominantes estão mais interessadas em saquear o país e subordinadas a interesses externos que vetam qualquer possibilidade de progresso sustentado no Brasil.

As medidas que o governo Temer anunciou ontem formam um dos maiores ataques ao Brasil em toda a nossa história. Foi determinado que 60 mil vagas não ocupadas ficarão a descoberto. O salário do funcionalismo foi congelado. Na verdade, foi reduzido, com o aumento da contribuição previdenciária para 14%. Novos servidores que venham a ser contratados terão rendimentos reduzidos (em mais uma violação flagrante da regra legal de "salário igual para trabalho igual").

É mais uma rodada da conta do golpe sendo paga - e Meirelles deixa claro, mais uma vez, quem vai pagá-la. Diretamente, é o funcionalismo. Por tabela, todos os cidadãos que usufruem de serviços públicos. Nada de novo sob o sol, portanto.

Ninguém diz que o Estado brasileiro não tem problemas. Os cortes anunciados, porém, só contribuem para agravá-los - o rumo que está apontado é o do sucateamento completo.

Demência da direita brasileira tem raízes históricas

Marcelo Semer

— Eu vejo socialistas;
— Com que frequência?
— O tempo todo.

"Quer se tratasse do direito de petição ou do imposto do vinho, da liberdade de imprensa ou do livre-comércio, de clubes ou da lei orgânica municipal, da proteção da liberdade pessoal ou da regulamentação do orçamento do Estado, a senha sempre se repete, o tema permanece sempre o mesmo, a sentença sempre já está pronta e tem o seguinte teor imutável: 'socialismo'! 

Declara-se como socialista o liberalismo burguês, o Iluminismo burguês e até a reforma financeira burguesa. Era considerado um ato socialista construir uma ferrovia onde já havia um canal, e era um ato socialista defender-se com um bastão ao ser atacado com uma espada" 

(Marx, em "O 18 Brumário de Luis Bonaparte")

O trabalho de Karl Marx O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (em alemão: "Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte"), escrito entre dezembro de 1851 e março de 1852, publicado originalmente na revista Die Revolution, parte da análise concreta dos acontecimentos revolucionários em França, entre 1848 e 1851, que levaram ao golpe de estado pelo qual Napoleão III se nomeou imperador, à semelhança de seu tio Napoleão I. 
Wikipedia

Nazi-evanjegues do Rio declaram guerra aos muçulmanos

Do DCM:

Manifestantes chamam muçulmanos de ‘assassinos pedófilos’ no Arpoador
De O Globo:

No mesmo sábado em que cariocas fizeram fila para comprar esfihas do sírio Mohamed Ali como sinal de repúdio aos ataques xenófobos que ele sofreu, uma manifestação percorreu a orla de Ipanema e deixou muita gente espantada. Vestidos de preto, integrantes de uma igreja evangélica do bairro de Santo Cristo empunhavam cartazes como o que você vê acima, e cantavam músicas em que chamavam os muçulmanos de “assassinos”, “pedófilos” e “terroristas”.

O que fazer?


Estamos vendo nazistas e fascistas tocando terror nos Estados Unidos e na Europa. Alguns chegando ao poder. Religiosos fundamentalistas na América Latina e Oriente Médio atacando outras religiões, mulheres, negros, imigrantes, gays, etc. Vemos gente de extrema-direita fantasiadas de "emprezario jestor" e de juizeco de primeira instância, batendo em pobres e condenando políticos sem prova. Golpes, guerras e distúrbios em função desses delinquentes. Pergunta: será dançando ciranda e entregando buquês de flores a policiais que vamos enfrentar essa crescente violência política do fascismo? Não estou sugerindo nada. Apenas pergunto: o que fazer?


Uma luz no fim do túnel?

Fernando Horta

Eu não sou advogado, por isto me interessa muito ouvir os que são. Me parece que na última semana ocorreu um consenso institucional no STF. Um consenso institucional pode ser (e acredito que seja) apenas de seis ou sete ministros, garantindo a passagem de um determinado entendimento. Não é a ideia de totalidade dos ministros concordando, portanto. 

Desde 2014, quando o golpe se anunciava e antes do "com supremo com tudo", eu via no STF dois grupos se digladiando internamente e mais alguns "radicais livres". Depois da morte de Teori Zavascki, Eugênio Aragão escreveu um artigo jogando um pouco de luz na questão. Contou Aragão, que Teori tentara por muitas vezes consolidar uma maioria de ministros em conversas de gabinete para retirar Eduardo Cunha, antes da votação do impeachment. Esta era uma evidência de que o supremo, ainda que rachado, lutava contra o golpe. 

Me recordo que o afastamento de Cunha se deu por pressão de Marco Aurélio, que tinha um segundo pedido de afastamento em suas mãos (Teori tinha o primeiro) e informou a Teori que caso este não votasse, ele, Marco Aurélio, colocaria o seu em pauta. 

Teori me parecia muito amedrontado de bater contra o pleno. Marco Aurélio o fez, na questão do Renan, e saiu muito machucado. Sabemos de ministros mudando votos defronte às câmeras. Tudo para deslegitimar Marco Aurélio. 

Digo tudo isto para mostrar o quanto a política de gabinete, aquela que raramente aparece, joga papel central no STF. O quanto tinha razão Teori em buscar consensos mudos antes de votação. Digo isto também para que tenhamos claro que a afirmativa de que o Supremo apoiou o golpe pode ser apenas política, uma bandeira de agregação das esquerdas. Me parece muito mais verossímil que o Supremo rachado (entre apoiadores do golpe e membros contrários) acabou se inviabilizando como instância moderadora. 

Bom, ocorre que, na última semana, penso terem surgido informações interessantes que podem resolver o problema do país. A verdade é que as balas dos golpistas estão acabando e a figura de Temer e seus asseclas claramente não inspira qualquer ideia de futuro do país. Além disto, existe a má gestão da coisa pública por Temer e a má gestão da crise. Tudo isto envolto em um caos institucional coroado por delações pipocando e uma sentença porca e frágil de Moro contra Lula. 

Os membros do STF, salvo os dois tucanos, parecem estarem se convencendo de que não haverá muito do país em 2018 se os excessos de todos os lados não forem contidos. Isto significa também cortar as asinhas do MP e restabelecer a democracia. Ocorre que mexer com Moro na questão Lula, hoje, tem um peso difícil de calcular. Existe uma massa de degenerados éticos que apoiam Moro, mais um grupo de fascistas fardados, uma parte da mídia histriônica e alguns (poucos) empresários grandes. Daí que o circo da condenação está montado. E custa muito desmonta-lo. Contudo, o STF parece entender que custa ainda mais deixar a ópera bufa continuar. 

Nesta situação, creio que surgiu uma forma de reencontrar a normalidade institucional e política com custo social e político baixo. 

Na última semana, o STF deu indicações de que pode reverter a sandice de permitir o cumprimento de pena sem o trânsito em julgado. Uma das maiores idiotias dos últimos tempos. Já existe jurisprudência, do próprio Gilmar Mendes no caso Cássio Cunha Lima, de não permitir os efeitos da ficha limpa antes dos recursos no STF. O senador tucano o só concorreu com liminar e só foi diplomado com outra liminar, todas de Gilmar Mendes. Agora Mendes de novo, pela sorte do algoritmo, recebe o processo do mesmo senador. 

Pois bem, no caso de a segunda instância seguir a idiotia de Moro e Dallagnol, colocando o país em uma guerra declarada, o STF prepara uma saída institucional sem um custo social alto: vai utilizar a reversão da noção de cumprimento de pena antes do trânsito em julgado, mais as decisões de Gilmar Mendes para Cássio Cunha Lima (existem outros também). Assim, mesmo Lula condenado, o STF dirá que há instância superior decisória ainda e, por isto, Lula não cumpre pena nem fica impedido de concorrer. Com isto corre a eleição de 2018. Em Lula ganhando, o STF vai sentar nas barbaridades de Moro e fará o papel que fez com Collor, julgando Lula em 2030. Caso Lula perca, então validará a sentença. 

De uma forma engenhosa, embora não ética ou mesmo correta, vai permitir que o povo decida o futuro de Lula. Além disto, apazígua as tensões até 2018, garantindo que Lula concorre. Devolve um futuro ao Brasil e transforma o pesadelo Temer em algo passageiro e, portanto, suportável. De quebra mantém-se como "guardião" do que quer que eles achem que guardam e usam da mesma institucionalidade que tirou Dilma e colocou Temer para fazer o caminho contrário.

O que acham?

terça-feira, 15 de agosto de 2017

PSTU adere abertamente ao fascismo


Desconexão


Luis Fernando Veríssimo

O político não tem o privilégio do artista, que pode ser um canalha em particular se sua obra o redimir.

Uma única gravura de Picasso absolve toda uma vida de mau-caráter.

Hoje, estuda-se a obra do Marquês de Sade com a mesma isenção moral com que se estuda a obra de Santo Agostinho — que nem sempre foi santo — e ninguém quer saber se o escritor enganava o Fisco ou batia na mãe se seus livros são bons.

Bem, querer saber, queremos, mas pelo valor da fofoca, não para informar a apreciação do seu trabalho.

O poeta W.H. Auden escreveu (mais ou menos) que o tempo — que é intolerante com o bravo e o inocente e esquece numa semana uma figura bela — adora a linguagem e perdoa todos os que vivem dela, e com esta estranha disposição perdoa a Kipling suas opiniões e perdoa tudo em Paul Claudel, só pelo que ele botou no papel.

O tempo de Auden só precisa de mais tempo quando o pecado do artista, como o dos reacionários Kipling e Claudel, for o da ideologia errada.

Pois se não se admite no político a perversão privada do artista, a única inconveniência intolerável no artista é a incorreção política. Assim, um Louis-Ferdinand Céline e um Wilson Simonal continuam esperando a remissão que o tempo já deu, por exemplo, a Nelson Rodrigues, e que um Jean Genet nem precisou esperar. Mas cedo ou tarde a terão.

Políticos como o lendário Ademar de Barros e Maluf, que declaradamente roubavam mas faziam, reclamavam para si um pouco dessa imunidade do artista. Suas obras justificavam seus pecados, quando não eram uma decorrência deles.

O sistema de conveniências e corrupção aberta que domina o atual Congresso brasileiro, certamente o pior que já tivemos, pressupõe a mesma desconexão entre moral privada e moral aparente, ou uma justificativa sem disfarce para a traquinagem sem proveito.

A cultura do clientelismo, em que o proveito substitui a ética, está baseada nesta perversão.

A reação crescente a este despudor explícito vem com a conclusão de que aqui não se tem nem a ética nem o proveito, a não ser para quem concorda que valia tudo, por exemplo, para manter o Temer no governo, às favas a vergonha, como diria o Gilmar.

Em cleptocracias mais avançadas, como os Estados Unidos, a obra dos artistas do desenvolvimento, todos bandidos, redimiu-os. Empresários corruptores e políticos corruptos fizeram do país o que ele é hoje.

O capitalismo americano domou-se a si mesmo, ou controlou-se razoavelmente. O Congresso deles tem picaretas e vendidos iguais aos nossos, mas não tão evidentes.

O tempo de Auden adora a linguagem e perdoa seus craques, o tempo americano adora o sucesso e perdoa todos os seus meios. Aqui, avançamos, resolutamente, para o passado.

O que já era mentira, virou escândalo. O que era abuso, virou catástrofe. O que era esperteza, virou caos nas contas públicas.


A FRAUDE DA META FISCAL

Antes do golpe, meu governo previa déficit de R$ 124 bi para 2016 e de R$ 58 bilhões para 2017, que seriam cobertos com redução de desonerações, a recriação da CPMF e corte de gastos não prioritários.

Após o golpe, a dupla Temer-Meirelles, apoiada pelo “pato amarelo”, que não queria saber da CPMF por onerar os mais ricos, inflou a previsão de déficit para R$ 170 bi, em 2016 e R$ 139 bi, em 2017.

Os golpistas calculavam ganhar uma grande folga para facilmente cumprir a meta e, com isso, fazer a população acreditar numa competência que eles não tinham.

Eis que a verdade vem à tona e se descobre que nem mesmo a meta de déficit de R$ 139 bi eles conseguirão cumprir.

Agora, querem ampliar o rombo para R$ 159 bi. Mas não vão parar por aí. Com mão de gato, aumentarão o déficit, no Congresso, para R$ 170 bi.

Juntam a fome com a vontade de comer, pois os parlamentares que apoiam o governo golpista vão ajudar a aumentar ainda mais o rombo.

Querem mais dinheiro para emendas, enquanto as despesas para educação estão menores do que em 2015 e os investimentos em valores menores do que em 2010.

O que já era mentira, virou escândalo. O que era abuso, virou catástrofe. O que era esperteza, virou caos nas contas públicas.

O resultado será a paralisia da máquina federal e a depressão da atividade produtiva. Ou seja: mais estagnação econômica e menos serviço público para quem precisa.

Aquilo que foi visto não pode ser desvisto



Neoescravidão

Luis Felipe Miguel

Com o aprofundamento da crise, o capitalismo se apressa a dispensar os penduricalhos, aliás complementares, que a luta dos dominados introduzira nele: democracia política e garantia de um patamar mínimo de bem-estar.

Marx observava que o capitalismo reduz a carência do trabalhador à “mais miserável subsistência da vida física” e, a partir daí, calcula a existência mais escassa possível como norma. Esse é o sentido das reformas que visam ampliar a vulnerabilidade do trabalho diante do capital - e que estão em curso não só no Brasil.

Fascistas, neonazistas e cripto-nazistas

Palmério Dória 

Não existe neonazista tampouco cripto-nazista. O que existe é o nazista que se manifesta em estado puro quando abrem as portas do inferno.

Os fascistas à brasileira sempre estiveram aí. Só precisavam de um incentivo da imprensa escrita, togada e televisada pra mostrar sua cara.

Alô, Moro! Hitler, Goering, Goebbels, Himmler e Mengele também acreditavam piamente que estavam executando uma tarefa divina.


"Acredito hoje que estou agindo de acordo com o Criador Todo-Poderoso. Ao repelir os judeus estou lutando pelo trabalho do Senhor".




Doria promete enterrar a fiação elétrica de São Paulo em apenas 400 anos


Sérgio Moro vê Brasil governado por gângsters e diz que não será candidato




Evidência sugere que traficantes apoiam Lava Jato


Polícia Rodoviária Federal apreende carro com 50 kg de maconha em fundo falso no Paraná

G1 PR

A Polícia Rodoviária Federal encontrou 50kg de maconha escondidos no fundo falso de um veículo que trafegava pela BR-277, em Santa Terezinha de Itaipu, no oeste do Paraná. O carro foi parado após o motorista demonstrar nervosismo ao passar pelos policiais.

A apreensão aconteceu no sábado (12) e foi divulgada nesta segunda-feira (14). A maconha estava acondicionada em 72 pacotes. O motorista, de 50 anos, foi preso em flagrante.

 Motorista disse em depoimento que levaria a droga para o Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/PRF)
Em depoimento, o homem contou aos policiais que levaria a droga para o Rio Grande do Sul. O veículo que ele dirigia não era roubado.

O caso foi encaminhado para a Polícia Civil de Santa Terezinha de Itaipu, que deve conduzir as investigações.

Nesta segunda-feira, o homem foi transferido da Delegacia de Santa Terezinha de Itaipu para a cadeia pública de Foz do Iguaçu.


Maconha estava escondida em fundo falso no carro (Foto: Divulgação/PRF)

Mariquinha


Um país que perdeu o medo do ridículo


Luís Nassif

Em São Paulo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima discorre sobre história do Brasil. Fala dos degredados que incutiram nos brasileiros a malandragem atávica, poupando apenas os procuradores.
Em algum lugar do Brasil, o Ministro Luís Roberto Barroso cita Faoro e Buarque e o grande pensador Flávio Rocha, dono das Lojas Riachuelo, para discorrer sobre reforma trabalhista.

No Twitter, o procurador Hélio Telho rebate o economista Paulo Rabello de Castro e diz que ele (Telho) precisa ensinar capitalismo de verdade a esses capitalistas de compadrio.

Seu colega goiano, Ailton Benedito, da Procuradoria dos Direitos do Cidadão, afirma, no Twitter, que os nazistas eram socialistas, porque seu partido se chamava Nacional Socialismo e em que breve os socialistas-nazistas brasileiros matarão os cidadãos nacionais.

Não bastassem os atentados ao estado de direito, a invasão da política, esses gênios do data vênia resolvem agora enveredar por todos os campos do conhecimento, com mesma desenvoltura de um Romário, de Neymar falando platitudes. Tornaram-se celebridades e se sentiram no direito de falar bobagens e não serem cobrados, como fazem as celebridades, que são inimputáveis.


Onde se vai parar esse exibicionismo maluco? Daqui a pouco estarão discorrendo sobre a Teoria da Relatividade, como Ayres Britto. Quando a imprensa terá coragem de dizer para esses gênios que o espaço dado a eles é apenas utilitarista, porque ajudam no seu jogo político e que sua militância intelectual é ridícula e expõe o próprio poder ao qual pertencem?

Esse mundo de faz-de-conta da mídia criou egos tão monumentais, que, além de discorrer sobre os degredados portugueses, Carlos Fernando se viu com o poder de puxar a orelha da futura Procuradora Geral da República! E tudo isso do alto da autoridade conferida por uma cobertura displicente, que não consegue diferenciar o canto da cotovia do zurrar de um jumento.

Dia desses, um desses procuradores estava indignado porque a Polícia Federal tomou medidas internas sem pedir sua opinião.

Ontem anunciou-se que o bravo Ministério Público Federal está proporcionando cursos de Twitter para o procurador que quiser se aventurar. Para quê? Para que exercitem uma militância nociva, politizando as discussões, agindo como partido político com militantes de egos exacerbados?

Para prestar apenas contas de seus atos, não será, porque senão não se permitiria a Dallagnol e outros militantes o uso do Twitter para ataques ao Congresso, por pior que seja, aos advogados e aos críticos da Lava Jato.

É um pesadelo sem fim. Quando se envereda pelo caminho do ridículo, com a sem-cerimônia dos néscios, é porque se chegou ao fim da linha.

O avanço do nazifascismo no Brasil

Bruno Ribeiro


As cenas de horror em #CharlotteVille, que pareciam saídas da idade média, não deveriam ser vistas como um episódio isolado, "coisa de americano". O avanço do nazifascismo parece ser um fenômeno mundial, por mais anacrônico que isso possa parecer. O Brasil não está distante dessa realidade. Muito pelo contrário.


Desde 2013 venho colecionando reportagens que mostram o renascimento do ódio contra partidos e militantes de esquerda (em sua maioria), mas também contra minorias (sobretudo refugiados). Abaixo fiz uma lista com algumas delas, datadas, onde coloco apenas o resumo do que aconteceu. Podem parecer "casos isolados" se lidas de modo avulso. Mas essa impressão se desfaz quando lidas em conjunto e de modo cronológico.


Vale notar que a onda de ódio tem início claro em 2013, nas chamadas "jornadas de junho" e se estendem até os dias atuais. Importante dizer ainda que deixei muitos casos de fora, pois de outra forma a lista ficaria imensa. Também não citei aqui crimes de feminicídio, racismo e homofobia, que de algum modo sempre existiram, mas que passaram a ser mais recorrentes de uns anos para cá.


Cabe a reflexão sobre o perigo da ascensão de um líder extremista como Jair Bolsonaro, ou mesmo de figuras da direita mais "institucional" como João Dória e Geraldo Alckmin, mas que têm demonstrado total conivência com discursos e práticas de perseguição política e ideológica. Numa sociedade altamente polarizada como a nossa, a chegada ao poder de alguém com este perfil teria consequências imprevisíveis. Ou nem tanto. Acompanhem.

Militantes da CUT são agredidos e expulsos de protesto no Rio. (20/06/2013)

Em protestos pelo país, bandeiras de partidos políticos são queimadas e militantes de esquerda são agredidos nas ruas. (20/06/2013)

Médicos vão ao aeroporto vaiar e xingar de “escravos” colegas cubanos que chegaram ao Brasil para trabalhar em programa de governo do PT. (27/08/13)


Cabo eleitoral do PT, o jovem Hiago Augusto Jatobá, de 21 anos, é morto a facadas enquanto colava cartazes em Curitiba. Grupo que o atacou agiu rapidamente e não foi identificado. (22/09/2014)

O humorista Gregorio Duvivier, que declarou voto em Dilma, é agredido por militante de direita em restaurante no Leblon. (16/10/14)

Cadeirante é agredido com chutes e empurrões por militantes de direita. Seu crime: estar usando um broche do PT. (17/10/2014)

No Rio de Janeiro, multidão cerca ciclista que estava usando uma camisa vermelha. PM é acionada e obriga o homem a tirar a peça de roupa. (15/03/2015)

Homem é agredido por militantes de direita no Rio por estar usando um lenço vermelho no pescoço. (15/03/15)

Num viaduto de Jundiaí, bonecos de Lula e Dilma amanhecem enforcados, para o delírio da multidão. (15/03/2015)


Turista estrangeiro usando uma camisa com a estampa da foice e martelo é agredido por grupo de direita no Rio de Janeiro. (16/03/2015)

Sede do PT é atacada com coquetel molotov em São Paulo. (26/03/2015)


Ex-ministro do PT, Alexandre Padilha é hostilizado em restaurante em São Paulo. (16/05/2015)

Após entrevistar a presidenta Dilma Rousseff em seu programa, o apresentador Jô Soares recebe ameaças de morte. Sua casa amanhece pichada com inscrições como “Comunista tem que morrer” e “Jô Soares pago pelo PT”. (19/06/2015)


Ex-ministro do PT, Guido Mantega é hostilizado pela terceira vez em restaurante de São Paulo. Antes havia sido hostilizado na recepção do Hospital Albert Einstein, onde acompanhava a esposa no tratamento de um câncer. (28/06/2015)

Instituto Lula é atacado com bomba caseira. (31/07/2015)

Gari identificado como sendo “simpatizante do governo Dilma” é cercado e agredido por manifestantes de direita em praia do Rio. (16/08/2015)

No Paraná, o jovem Diego Davoli foi espancado por cinco homens por usar uma camisa com o rosto de Che Guevara. No tumulto, uma garota de 14 anos também foi atingida na cabeça ao tentar apartar a briga. (16/08/2015)

Um senhor de idade que caminhava pela Avenida Paulista tentou argumentar com um grupo que insultava feministas. Foi cercado aos gritos de “Viva Bolsonaro” e “Vai pra Cuba”. Ele foi empurrado e teve que sair às pressas do local. A poucos metros um motociclista que se solidarizou com o idoso foi derrubado da moto e teve seu capacete roubado pelos extremistas. (16/08/2015)

Durante passeata de grupos de direita, várias pessoas foram agredidas fisicamente nas ruas por estarem de camisa vermelha ou manifestarem apoio ao governo do PT. (17/08/2015)

Homem que usava camisa de apoio a Lula é cercado e agredido com socos e chutes no Rio. (17/08/15)

Em São Paulo, ciclista é perseguido por um carro que tenta atropelá-lo várias vezes. Dentro dele, o motorista diz: "você tem que morrer, você é comunista". (18/08/2015)

Em Campinas, professora da Unicamp sofre ameaças de vizinho há mais de um ano pelo fato de ser petista. Dessa vez, ele tentou atropelar sua filha na garagem do prédio. A jovem escapou por um triz. (11/09/2015)

Médica faz campanha contra Dilma e maltrata paciente enfartado e pobre no leito do hospital. Família se revolta. (21/9/15)

João Pedro Stédile e sua esposa são recebidos com insultos, ameaças de agressão física e palavras de ordem anticomunistas por um grupo de 30 pessoas no aeroporto de Fortaleza. (22/09/2015)

Pichações em muros da Unicamp pregam a morte de comunistas. (22/09/15)

Comerciante é agredido em voo porque estava lendo a Carta Capital, revista tida como sendo “de esquerda” ou “governista”. (28/05/15)

Homem aborda frentista haitiano em posto de gasolina, o intimida, ameaça e culpa o PT por trazer haitianos ao país e “tirar o emprego de brasileiros”. (3/06/2015)

Vereadora do PT é agredida em Praia Grande, sem motivo aparente. Um homem tentou estrangulá-la enquanto a chamava de “vaca petista”, mas foi contido. (15/06/2015)

Deputada Maria do Rosário, do PT, é cercada e ameaçada de morte em shopping center de Porto Alegre. (19/06/15)

Fascista se infiltra em comitiva e xinga Dilma de “vagabunda” e “terrorista” nos EUA. Nada lhe acontece. (3/07/2015)

Seis haitianos são baleados em São Paulo. Homem gritou antes de atirar: “Voltem para sua terra, vocês tiram os nossos empregos”. Um deles ficou paraplégico. (08/08/2015)

No velório do petista José Eduardo Dutra, militantes de direita ofendem familiares e espalham pelo cemitério panfletos com a frase “petista bom é petista morto”. (05/10/2015)

Professor é identificado como sendo “de esquerda” em protesto pelo impeachment, acaba espancado por grupo e chega a tomar um choque elétrico, aplicado por extremista de direita. (23/10/2015)

O cantor Chico Buarque saía de um bar no Rio quando foi abordado por rapazes de classe média alta. Durante alguns minutos foi agredido verbalmente por ser de esquerda e acusado de “mamar nas tetas do governo” e de “defender bandido”. (23/12/2015)

Em Porto Velho, o ator e poeta Elizeu Braga quase apanha na rua por estar usando uma camisa florida (!!!). “Eles gritaram de dentro do carro que para usar essa camisa escrota eu só podia ser um petralha vagabundo. Aí desceram dispostos a me bater. Foi quando eu corri”. (15/03/2016)

Adolescente é confundido com petista em protesto contra o governo e quase é linchado em São Paulo. Polícia evitou a tragédia usando gás de pimenta e bombas de efeito moral para dispersar a multidão. (17/03/2016)

Casal é agredido com socos e chutes por militantes de direita na Avenida Paulista. Motivo: a bicicleta do rapaz era vermelha. (17/03/2016)

O ator José de Abreu (notório militante petista) e sua namorada são agredidos verbalmente por casal de direita em restaurante. Ele reagiu com uma cusparada – que acabou repercutindo mais do que a agressão sofrida. (23/04/2016)

Médica se recusa a atender bebê doente porque a mãe da criança era eleitora do PT. A Ordem dos Médicos do Brasil aprova sua atitude. (30/03/2016)

Professor sai para jantar com a namorada e é agredido com socos por um homem desconhecido. Motivo: ele respondeu a pergunta que lhe foi feita e disse que era petista. (05/04/2016)

O jornalista Mauri Alexandrino, de 64 anos, voltava do mercado, em Santos, quando um homem jovem o abordou e perguntou se ele era petista. Ao responder que sim, tomou um soco que o jogou no chão junto com as compras. O agressor foi embora sem ser incomodado. (14/04/2016)

Sede do PT é depredada em São Paulo a golpes de picareta. O criminoso foi preso, mas logo em seguida liberado. Meses antes, sedes do partido em Belo Horizonte, Goiânia e Jundiaí haviam sido vandalizadas. Uma delas foi incendiada com coquetéis molotov. (30/06/2016)

Uma marcha de extrema-direita, apoiada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, organizou uma sessão de linchamento contra refugiados árabes na Avenida Paulista. Sob os gritos de “viva a PM” e “comunista tem que morrer ”, as forças da ordem prenderam os estrangeiros, que foram levados para o 78 DP. A ação, filmada pelo grupo neofascista “Direita São Paulo”, mostra a interação e colaboração entre a extrema direita e a polícia militar. (03/05/2017)

Refugiado sírio é cercado e agredido enquanto vendia esfihas nas ruas de Copacabana. (04/08/2017)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Com o judiciário que tem, Brasil não precisa de corruptos e ladrões

Do DCM:
Do Estadão:

O juiz Mirko Vincenzo Giannotte, da 6ª Vara de Sinop (MT), recebeu no mês de julho R$ 415.693,02 líquido de salário, segundo dados do portal da transparência do Tribunal de Justiça do Mato Grosso. O valor bruto pago foi de R$ 503.928,79.

O rendimento inclui uma  indenização de R$ 137.522,61, mais R$ 40.342,96 de vantagens eventuais e R$ 25.779 de gratificações.

Procurada pela Coluna, a assessoria de imprensa do TJMT informou que não se trata de erro e que divulgará nota ainda hoje para explicar o salário milionário do juiz no mês de julho. Segundo a assessoria, o pagamento do valor foi autorizado pelo CNJ.

Salário-base de R$ 300.000,00 !
Os ladrões pelo menos têm que correr riscos para ganhar isto...

Um golpe a deriva


Há algum tempo fiz comparações entre os programas econômicas do golpe de 1964 e do golpe de 2016. Antes disto já havia feito comparações políticas entre os líderes que rasgaram a CF/4946 e a CF/1988 para retirar a soberania popular do cenário político.

Hoje retornarei ao assunto, enfocando as particularidades políticas dos dois golpes. O golpe de 1964 tinha um projeto de nação claro e o colocou em prática sob o comando dos militares. As elites não estavam divididas em relação ao aspecto político mais importante do novo regime: os militares deveriam ficar no comando do Estado e reprimir os dissidentes dentro da Lei (e fora dela quando possível).

A divisão política das elites na atualidade é evidente. Elas concordam com as reformas, mas não conseguem encontrar um único líder para comandá-las. Geraldo Alckmin comanda o Estado mais rico da federação e tem ambições presidenciais, mas está sendo obrigado a enfrentar o sorridente prefeito de São Paulo que rapidamente conquista a preferência da mídia. Bolsonaro é o candidato da direita retro e certamente retirará alguns milhões de votos de qualquer concorrente ao cargo no campo da direita. José Serra e Aécio Neves ainda não disseram se pretendem ou não disputar a presidência. Marina Silva continuará sendo a eterna candidata do Banco Itaú.

Dória Jr. é cortejado pela imprensa e já se apresentou como opção do mercado, mas é desconhecido fora de São Paulo e será sabotado por Alckmin. Ciro Gomes sonha ser o candidato do centro, mas é mais conhecido no Nordeste e não tem musculatura partidária para alcançar seu objetivo. Tudo bem pesado, Doria Jr. é um Ciro Gomes com discurso pró-mercado e Ciro Gomes é um Doria Jr. com propostas desenvolvimentistas.

Lula continua sendo o candidato presidencial preferido dos brasileiros. Se for excluído das eleições o trauma político será terrível e comprometerá o governo do candidato vitorioso, seja ele de centro ou de direita. Se ganhar a eleição e demolir as reformas pró-mercado de Michel Temer, o petista enfrentará dura resistência dos setores políticos, empresariais, financeiros e midiáticos que arquitetaram e ajudam a consolidar o golpe de 2016.

O cenário político pós-golpe de 2016 não propicia a construção de coesão social mediante o uso da força e sob o comando de militares (como ocorreu após 1964). Os próprios militares tentam se desvencilhar de qualquer compromisso com o aprofundamento do golpe.

Impedidas de cancelar as eleições presidenciais, as forças que lideram o golpe sugerem a adoção do Parlamentarismo. O problema é que a mudança de regime esbarra na preferência popular pelo Presidencialismo. Além disso, os regimes parlamentares são frágeis e raramente conseguem se sustentar durante períodos de depressão econômica e instabilidade política. A República de Weimar desmoronou abrindo espaço para o III Reich nazista. A adoção do regime parlamentar neste momento poderia provocar um resultado semelhante, pois a violência do movimento liderado por Bolsonaro só poderá ser minimizado e/ou derrotado através de um regime forte.

Um novo presidencialismo: é disso que o Brasil precisa. O problema é que os ideólogos e líderes do golpe 2016 não tem interesse em fortalecer o Estado. Muito pelo contrário, eles fragilizam o Estado acreditando que assim ocorrerá um florescimento natural do mercado (muito embora o mercado esteja encolhendo a olhos vistos). Além disto, os golpistas nem mesmo tem um único candidato capaz de levar adiante as reformas pró-mercado.

O contexto político e econômico gerado pelo golpe de 1964 favorecia a preservação do regime infame que foi criado. O contexto criado pelo golpe de 2016 só propicia uma coisa: sua superação. Todavia, o Brasil ainda pode sair totalmente dos trilhos com a adoção do parlamentarismo, sob o comando de um cretino como Doria Jr.* ou nas mãos de um maníaco genocida como Bolsonaro. Gostem ou não, os golpistas dentro e fora do Poder Judiciário serão obrigados a fazer um cálculo racional: o Brasil ficará ruim com Lula ou pior sem ele. Melhor para o povo, pois caso seja eleito Lula ao menos conseguirá restaurar a fé dos brasileiros nas urnas. 



* Recentemente o prefeito de São Paulo proibiu as crianças de repetirem a merenda. Criticado ele disse que estava preocupado com a obesidade infantil, mas a verdade é que Doria Jr. conseguiu plagiar o personagem de Charles Dickens que impede Oliver Twist de repetir a refeição no orfanato. 

Eis que surge um Procurador da República mais ignorante que Dallagnol multiplicado pelos Três Patetas de São Paulo

         Perto dele, Bolsonaro é um intelectual. Poderia ser pastor evanjegue com tanta sabedoria



O filme que os seguidores de Olavo de Carvalho, membros do MP e outros fanáticos iletrados deveriam assistir com atenção

O filme que os seguidores de Olavo de Carvalho deveriam ver 
Por Diário do Centro do Mundo

O velho ideólogo da direita brasileira diz que o nazismo era de esquerda, socialista – um procurador de Goiás parece que acreditou e tem escrito bobagem na rede social. Se ele assistir ao filme “Hitler – Uma Carreira”, de Joachim C. Fest e Christian Herrendoerfer, considerado mais completo sobre a ascensão do líder do nazismo, verá que Hitler chegou ao poder com seus seguidores matando e encarcerando, primeiramente, os comunistas, depois os social-democratas e, por fim, os judeus, pessoas que ele odiava. A referência a seu ódio à esquerda está aos 38 minutos e 24 segundos.

AQUI

Bolsonaro defende a eugenia. É uma prática nazista.

Por Felipe Pena


Este senhor foi o vereador mais votado do Rio e seu irmão recebeu 14% dos votos pra prefeito. Nem vou falar sobre o pai. O post é de 2014, mas continua em sua página no twitter.

Não me venham dizer que é um exagero chamá-lo de nazista. A eugenia era uma prática defendida com entusiasmo pelos seguidores de Hitler. A mesma prática defendida no post acima. E o mais inquietante é que uma boa parte da sociedade vai se imbecilizando ao apoiar a família Bolsonaro. São os famosos bolsominions.

As violentas reações dos seguidores dos Bolsonaros não são um fato isolado. Devem ser estudadas como um fenômeno complexo, de expressão contemporânea, mas com raízes muito mais antigas.

Talvez possamos recorrer ao conceito de "narcisismo das pequenas diferenças", explorado por Sigmund Freud nos textos Psicologia de grupo (1921) e Mal-estar na Civilização (1930). Para Freud, a civilização, sob o império da lei, é a responsável pela inibição da agressividade humana, que é uma expressão narcísica do ego. No entanto, tal narcisismo agressivo rompe a barreira do recalque e se manifesta publicamente quando incentivado por líderes que se supõem acima da lei (e, portanto, da civilização) ou quando avalizados por um grupo que recorre a pequenas diferenças em relação ao outro para justificar a barbárie.

Os bolsominions se encaixam em ambos os casos. Seguem o líder, a quem chamam de mito, e dão vazão aos recalques narcísicos atacando as diferenças de grupos que elegem como rivais. Daí a constante referência agressiva a homossexuais, negros e feministas. Em muitos casos, tal referência esconde algo ainda mais profundo: um desejo reprimido de ser o outro. Por isso, considero muito provável a hipótese de o deputado Bolsonaro usar a violência contra grupos LGBT como forma de reprimir seu próprio desejo homossexual.

Quando alguns críticos consideram a palavra nazista exagerada para definir um bolsominion, sempre pergunto se as características citadas por Freud nos parágrafos acima não estavam presentes também na Alemanha da década de 1930. Da mesma forma, recorro a algumas condições históricas, como crise econômica, desgaste da esquerda, falta de representatividade política e a busca por um salvador da pátria. Não estaria sendo pavimentado o caminho para um totalitarismo nazifascista no país? Ou vocês ainda acham que é exagero?

Além de Bolsonaro ter 8% de intenções de voto na última pesquisa do IBOPE (o que significa o apoio de mais de 10 milhões de pessoas), sua página no facebook tem quase 3 milhões de seguidores. É lá que os bolsominions combinam de hostilizar os grupos e pessoas com quem têm as diferenças narcísicas.

Eles usam a expressão "vamos lá oprimir". E, juntos, reverenciam o líder, atacam o "inimigo" e se masturbam mutuamente através dos xingamentos que utilizam. Já vimos esses acontecimentos na história recente.

O problema é que praça virtual pode se transformar rapidamente na praça do seu bairro.

Por isso, denuncie esses criminosos.


* Felipe Pena é jornalista, psicólogo e escritor.

PS: Sobre Eugenia para responder ao comentaristas:

Vamos tratar da eugenia sob o ângulo da história do Brasil. A frase do Bolsonarinho condiciona o recebimento do bolsa-família à laqueadura e à vasectomia e diz que estes procedimentos combatem a miséria e a violência. Ou seja, ele diz que diminuiria o número de pobres e, ainda por cima, afirma que são estes mesmos pobres a causa da violência. No entanto, ignora que a grande maioria da população pobre é negra, o que tem origem na escravidão e no modelo de colonização do país. Portanto, ao propor a laqueadura de pobres, ele propõe também a laqueadura de uma grande maioria de negros. Está, em última instância, propondo um "branqueamento" da população, o que é uma forma de eugenia.

O Nazismo é uma ideologia de esquerda

Vá conversar com eles com uma camisa do Che 
Bruno Ribeiro 

Parece piada, mas há um grupo de retardados dizendo nas redes sociais que o Nazismo nunca foi uma ideologia de extrema direita, mas sim de esquerda.

Isso porque - segundo o "filósofo" campineiro Olavo de Carvalho - o nome do partido de Hitler era "Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães".

Boa, garoto.

É como dizer que o pica-pau é feito de madeira porque tem "pau" no nome. Ou que o cavalo-marinho é um equino.

Se os milhares de comunistas enviados pelo Nazismo aos campos de concentração não conseguirem lhe convencer de que esta é uma ideologia de extrema direita, sugiro que faça o seguinte teste (é tiro e queda):

1) Ponha uma camiseta do Che Guevara
2) Vá a uma reunião de nazis em sua cidade.

Boa sorte, campeão.



"Durante o primeiro discurso de Hitler como chanceler em 1933 foram exibidos enormes cartazes com os dizeres "Macht Deutschland vom Marxismus frei" ("Faça a Alemanha livre do marxismo", em preto e branco) e "Der Marxismus muß sterben damit die Nation wieder auferstehe" ("O marxismo deve morrer para que a nação [alemã] erga-se novamente", colorizado). 

Após a chegada do nazismo ao poder, o Partido Comunista da Alemanha foi fechado e os comunistas perseguidos violentamente, resultando em suas prisões e sendo enviados aos campos de concentração nazista. Tudo isso, somado ao combate entre comunistas e nazistas durante a Segunda Guerra, deveria ser o suficiente para qualquer pessoa entender de que não se tratam da mesma coisa. 

Nas palavras do próprio Hitler: “No dia em que, na Alemanha, for destruído o marxismo, romper-se-ão, na verdade, para sempre, os nossos grilhões." (Minha Luta)

A Ditadura de 1964 nunca foi derrotada

Luis Felipe Miguel

Significativa indicação de como a ditadura de 1964 ainda não foi derrotada - e, de quebra, de qual a mentalidade do grupo que cerca Alckmin. Nós andamos tanto para trás que Alckmin, cujo vínculo com a Opus Dei é público e que sempre encarnou a ala mais retrógrada do PSDB, hoje parece pronto para ocupar o espaço da "direita civilizada", diante de Bolsonaro ou Doria. Mas Alckmin não mudou, não evoluiu; os termos de comparação é que pioraram.

Confesso que não tenho muita ideia de qual seria a cara do Brasil na hipótese, aliás muito remota, de que a VPR tivesse chegado ao poder. Vista retrospectivamente, a luta armada era uma estratégia fadada ao fracasso. Não importa. Carlos Lamarca se levantou contra a opressão e deu a vida lutando contra ela. Por isso, é um herói do povo brasileiro e merece ser homenageado como tal.

Quando o minúsculo secretário de Alckmin declara que o busto de Lamarca estava "plantando o comunismo no coração das crianças", torna-se motivo de chacota. Quando sua assessoria confunde Lamarca com Marighella e ainda erra o nome do revolucionário baiano, também. Mas os argumentos que expõe, ainda que ridículos, precisam ser levados a sério. Ao dizer que Lamarca não pode ser homenageado por ser "guerrilheiro" e "desertor", indica que a ordem vigente na ditadura de 1964 deveria ser respeitada. Transforma em criminosos todos os que lutaram contra ela.

Não é imaginável que um político que se deseje respeitável na França, mesmo que seja conservador, proponha revogar a homenagem a algum herói da Resistência pelo fato dele ter sido comunista. No Brasil, no entanto, a nostalgia da ditadura de 1964 está se tornando um componente cada vez mais explícito do discurso da direita.
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