terça-feira, 23 de maio de 2017

Reinaldo Azevedo foi vítima de retaliação ilegal e imoral de Rodrigo Janot

Pablo Villaça

Não gosto de Reinaldo Azevedo. Nem um pouco. Não aprecio sua postura política, não concordo com a dissimulação de passar-se por "imparcial" quando se tem uma posição mais do que óbvia e sei que ele apoiou o golpe, defende o "governo" de Temer, o Pequeno, e é tucano até a raiz dos cab.... até a alma, embora não assuma isto.

Também o culpo, ao lado de alguns outros colunistas da Veja, por começar a plantar as sementes de ódio ideológico lá atrás, quando escrevia com veneno sobre o governo Lula. Sua visão de mundo não poderia ser mais oposta à minha; discordamos de basicamente tudo.

Mas nada disso me impede de enviar a ele minha solidariedade. A atitude da PGR de divulgar suas conversas particulares com Andrea Neves é injustificável. Em primeiro lugar, não há - ao menos nos trechos que tornaram públicos - indício algum de crime sendo cometido pelo jornalista. Em segundo, ele não está sendo (ao que se saiba) investigado por nada.

O que a PGR fez foi pura retaliação pelas críticas de Azevedo à Lava-jato; simples assim. É um abuso de poder e um desrespeito aos direitos constitucionais do colunista/blogueiro.

É por isso que desde o começo falei que a direita iria se arrepender de apoiar a ruptura democrática; todos sabem como o golpe começa, mas ninguém pode antecipar como irá terminar. As estratégias utilizadas para atacar Lula e Dilma agora se voltam contra qualquer crítico das ações abusivas da PGR, da PF e de Moro - até mesmo contra a mesma direita que os apoiou.

Isto não é causa de comemoração, mas um sinal de alerta vermelho (com o perdão do duplo sentido). Se celebramos crimes cometidos contra nossos oponentes políticos, perdemos o direito de protestar quando as vítimas são nossos aliados.

Simples questão de coerência.

Grampo com Andrea Neves derruba Reinaldo Azevedo


247 - O jornalista Reinaldo Azevedo teve uma conversa com Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves, interceptada pela Polícia Federal, informa o portal BuzzFeed.

No diálogo, ele classificou uma reportagem da revista Veja, onde trabalha, como "nojenta" e criticou também o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O assunto tratado são as acusações contra Aécio contidas na delação da Odebrecht.

Assim que a conversa foi divulgada, Reinaldo pediu demissão de Veja e disse que o grampo violou um dos pilares da democracia, que é o sigilo entre jornalistas e suas fontes. 

"Há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo", escreveu.

"A PF não considerou indícios de crimes na conversa realizada entre o jornalista e sua fonte, Andrea Neves. Mesmo assim, as gravações foram anexadas pela Procuradoria-Geral da República ao conjunto de áudios anexados ao inquérito que provocou o afastamento de Aécio e a prisão da irmã", diz a reportagem do BuzzFeed.

Leia aqui o diálogo gravado e a resposta de Reinaldo Azevedo.

Vereadora gaúcha Eleonora Broilo diz que "nordestino sabe se unir para roubar e aumentar corrupção"



Vereadora de Farroupilha, Eleonora Broilo criticou nordestinos em seu discurso durante a sessão de segunda-feira (22) na Câmara Municipal. Eleonora Broilo (PMDB) pediu a palavra depois de ouvir a manifestação de outros colegas.

"Eu acho que os nordestinos sabem muito bem se unir, sim, para roubar. Eles sabem ganhar propina. Eu acho que eles sabem se unir para aumentar a corrupção. Isso eu acho que eles são donos. Isso eu concordo plenamente. Talvez até eles não saibam nem falar muito bem, mas sabem roubar que é uma maravilha", declarou em plenário.

ELEONORA PETERS BROILO
Pediatras e Pediatria
    
R Pinheiro Machado, 20 - s-73 - Centro - Farroupilha, RS - CEP: 95180-000
(54) 3268-6299


Curitibana bolsonarista diz que ataque de Manchester deveria ter sido na Bahia

Mulher diz que ataque de Manchester deveria ter sido na Bahia: 'gente nojenta e escurinha'
Correio 24 horas

Internautas denunciaram, na manhã desta terça-feira (23), o perfil de uma mulher, que informa em seu perfil viver em Curitiba (PR), após ela fazer um comentário racista e xenófobo a respeito dos baianos. Em um comentário que causou revolta de muitos usuários, ela diz que o ataque terrorista que matou 22 pessoas e feriu mais 100 em Manchester deveria ter ocorrido na Bahia.

Nelma Baldassi
"Só lamento que tenha sido em Manchester e não na Bahia. Seria lindo ver aquele gente nojenta e escurinha da Bahia explodindo. Kkkkkkkkkkkk", escreveu a mulher. Revoltados, os internautas passaram a compartilharam prints do comentário e da página do Facebook.

"A racista [nome] lamenta q um ataque com bomba ñ tenha acontecido na Bahia. Mande um recado pra ela no facebook. Cadeia pra ela!", escreveu uma internauta no Twitter.

"Triste é constatar que grande número dos ofendidos por [nome] agem como ela nas redes sociais. Um lixo de cidadã!", respondeu outro. "Alô @policiafederal, dona [nome] se enquadra no artigo 20 da lei 7.716/1989. preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional", marcou outro indignado.

O CORREIO tentou entrar em contato com a mulher para verificar a autenticidade das mensagens, mas até a publicação do texto não obteve resposta. Segundo outros internautas, após a repercussão negativa do comentário, o perfil foi bloqueado pela mulher.

Nelma Baldassi

Nazismo continua crescendo em Curitiba


Dois países

Eleição indireta é ditadura 

Renato Janine Ribeiro

Não é curioso que nenhum nome cogitado para ser presidente em eleições indiretas tenha chance de se eleger se elas forem diretas?

E que os nomes para as diretas não estejam sendo mencionados para as indiretas?

Até parece que são dois países.

Como Michel Miguel contratou Ricardo Bolinha de Papel


Cadu de Castro


- Alô.

- Molina? Aqui é Michel Miguel.

- Ave! Como vai Vossa Majestade?

- Mal, né? Isso é pergunta que se faça? Xingá-lo-ia se não precisasse de vossos serviços. Seguinte, vacilei feio e preciso de um laudo de perito sobre umas gravações.

- Sem problemas, tenho laudo para pronta entrega. Vossa Santidade quer a favor ou contra as gravações?

- Contra, estúpido!

- Contra estúpido eu tenho também, preencho com o nome do Bolsonaro?

- Não, idiota, é contra a gravação que o Joesley fez. Trairagem das grossas.

- Ah tá! Fique tranquilo, já tá pronto, comigo é que nem atestado médico pra empresa. A gente só troca uns nomes e fica tudo certo. Só faço uns ajustes.

- Ótimo! Agradecer-lo-ia se não estivesse tão transtornado. Não renuncio! Não renuncio!

- Olha, fique tranquilo. Vou começar por desqualificar o gravador, dizer que foi comprado no Mercado Livre.

- Ideia maravilhosa!

- Atestarei que a frase "Todo mês" é na verdade "Tô no meio". Muda o sentido entende?

- Estou adorando!

- Argumentarei que metade do áudio é ininteligível e que o PC Farias se suicidou.

- Tá louco? Esse caso foi outro.

- Tá certo! Tá certo! É que é tanto laudo que eu vendo que as vezes confundo. Mas pra fechar com chave de ouro, vou dizer que a sua voz é na verdade a Dilma afônica.

- Menos, Molina. Acho que não cola. Vamos fechar no ininteligível. Ah! O do pato amarelo é que vai fazer teu pagamento, tá?

Permanência de Temer humilha os brasileiros, diz Janine

"Ter um presidente com o diálogo que ele teve com o Joesley é humilhante. Não é positivo aceitar esse tipo de coisa. Seria sinal de que aceitamos qualquer coisa. Que eticamente a sociedade brasileira chegou a um nível de desmoralização muito grande", diz o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor de ética da Universidade de São Paulo, que defende eleições diretas.

247 – Michel Temer no comando é a humilhação suprema dos brasileiros, avalia o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor de ética da Universidade de São Paulo.

"Ter um presidente com o diálogo que ele teve com o Joesley é humilhante. Não é positivo aceitar esse tipo de coisa. Seria sinal de que aceitamos qualquer coisa. Que eticamente a sociedade brasileira chegou a um nível de desmoralização muito grande", disse ele ao jornalista Ricardo Mendonça.

"Eu considero que isso terminou com a credibilidade que Temer por acaso pudesse ter. Ele chegou à Presidência de uma forma complicada e para efetuar um programa que tinha sido derrotado nas urnas. Sua legitimidade dependia estritamente de conseguir fazer a economia melhorar. Adotou todas as receitas neoliberais. O empresariado fez o acordo de aceitar políticos duvidosos, conservadores, suspeitos, em troca disso. Mas os resultados não apareceram. Só segundo analistas econômicos, mas a sociedade não está vendo. Agora, as denúncias acabam com o pouco de credibilidade que tinha", afirma.

Janine defende as diretas, mas vê dificuldades pelo caminho. "Acho que seria o mais correto, mas é difícil; pois passaria por aprovação de emenda constitucional, exige consenso grande na sociedade".

Basta seguir a Constituição


Proletário-raiz

Fernando Horta

Como todo proletário-raiz eu só aprendi a dirigir depois que comprei um carro (usado). Isto foi aos 30. Assim, dirigir não é algo natural para mim. Faço com certa desenvoltura, mas preciso estar - para usar um palavreado neoliberal empreendedor - com o mindset focado. 

Aliás, inglês também não é natural para mim. Nunca estudei formalmente inglês, tudo o que sei é "de ouvido". Falo um inglês navarro-jê em que os pronomes he, she e it são totalmente intercambiáveis e as preposições on, in e at dependem da sonoridade que farão com a palavra seguinte. "At a table" por exemplo, parece uma cacofonia infantil e deve estar errado. Não uso. A despite de tudo isto, tenho notas bastante altas no Toelf, o que me garante poder apresentar meus estudos em seminários internacionais. A vantagem do inglês navarro-jê é que se algum gringo tem a desfaçatez, a woodface de me ofender por causa da língua eu tiro o papel do toefl da bolsa e jogo na cara dele. O ato, dentro dos costumes navarro-jê, também é uma declaração de guerra e normalmente o furdunço acaba tirando a atenção dos interlocutores para o trabalho. Daí, o que vale é o certificado na caixa e os pontos no Lattes. 

Esta semana recebi um amigo norte americano que está fazendo uma pesquisa no Brasil. Ótimo tempo, conversamos muito, trocamos ideias tudo muito bom. Como fiquei com ele o tempo todo notei que, quando falava com ele em inglês dirigindo, eu cometia inúmeras barberagens. Trocava marcha quando não podia, fechava os outros e tal. Percebi que enquanto esgrimava mentalmente para achar as palavras e os verbos a CPU, velha de guerra, falhava. Como eu tenho uma low level configuration dizendo que atividades mentais tem precedência sobre as físicas, a barberagem corria solta. 

Ai de sopetão (do inglês "soup et.al") o gringo pergunta:

- Fernando, could you please offer to me a short explanation about what is going on with Brasil since 2013 till now? Give me a broad picture.

No que eu comecei a tentar responder, o Pentium100 velho deu tela azul e eu bati o carro. Fiquei uns dois minutos imóvel para reiniciar o sistema todo, o meu amigo pensou que eu tivesse me machucado, mas no fim estava tudo certo. 

Disse a ele que não deveria ter feito pergunta difícil e tal... Rimos muito e agora não sei se mando a conta da arrumação para o Aécio ou para o Joelson. 

Desculpem-me o tom, mas hoje estou muito gripado e decidi não falar de política. Por dentro muita gripe, por fora Temer.

Mais uma ação criminosa de Doria

Nelson Barbosa

No Ministério Público, entidades envolvidas com ações humanistas/religiosas na Cracolândia relataram ter sido surpreendidas com as ações de Alckmin/Doria na região.

Toda ação se resume numa farsa policial de grande violência, uma vez que não há efetiva programação de inteligência para prender os verdadeiros traficantes. Os atingidos são usuários já altamente vulneráveis. Menos ainda um programa efetivo de recuperação social e de saúde por parte da prefeitura.

Doria assumiu já há cinco meses, até hoje não apresentou nenhum projeto social, despachou Soninha e destruiu o programa bem-sucedido de Haddad, ignorando sua eficácia no mundo todo que adota a "redução de danos".

Esta é mais uma ação criminosa de Doria, como a reversão dos limites de velocidade nas marginais, fazendo subir os índices de mortes no trânsito.

Para que perito?

Jorge Furtado

Alguém tinha que avisar ao perito Molina - que prova qualquer coisa que for contratado para provar - que a integridade ou autenticidade da gravação não interessa de nada. Aquilo que o golpista Michel Temer reconheceu que fez - recebeu o sujeito investigado no meio da noite, em sua casa, sem agenda, ouviu ele dizer que tinha juízes e promotores na mão (diz que não acreditou), ouviu dizer que ele sustentava Cunha na cadeia, etc. - é mais do que suficiente para provar seus crimes. Quem reconheceu a autenticidade da gravação e os crimes que ela revela foi o próprio Temer. Para que perito?


Pelo direito de não ter direitos!


Se não fosse uma tragédia, a Justiça brasileira seria uma piada

A República arde e o MP denuncia Lula por pedalinhos, barco de lata e shampoo


Trechos que extraio da denúncia apresentada por Deltan Dallagnol e demais “tarefeiros da Força” de Curitiba, para provar que Lula e Marisa Letícia usavam o sítio de Atibaia, o que jamais foi negado por eles.
Em 05 de agosto de 2014, MARADONA [caseiro do sítio]encaminha para o INSTITUTO LULA correio eletrônico com o título “lago e pato”, com seis anexos de fotos do lago e pedalinhos do sítio, adquiridos por segurança de LULA459 . Com efeito, por ocasião do cumprimento de mandado de busca e apreensão no sítio de Atibaia, os pedalinhos foram lá encontrados pelos Peritos Federais, assim como suas capas, as quais levavam os nomes dos netos de LULA.”
 Em 05 de outubro de 2014, MARADONA encaminha para o INSTITUTO LULA com o título “armadilha”. No e-mail, o caseiro do sítio de Atibaia informa que “morreu mais um pintinho essa noite e caiu dois gambá nas armadilhas” No banheiro da suíte principal também foram encontrados diversos produtos manipulados que apresentavam em seu rótulo a identificação de MARISA LETÍCIA LULA DA SILVA como cliente
Notas fiscais de fornecedores e prestadores de serviços que indicam ser LULA o proprietário e possuidor do Sítio de Atibaia:
MARISA LETÍCIA adquiriu uma pequena embarcação para o Sítio de Atibaia junto a empresa Miami Náutica Ltda., representante comercial da Alumax Náutica Eirelli – EPP485 . Conforme informado pelos responsáveis por tais estabelecimentos comerciais, dois senhores, que se identificaram como DARIO (Tel. xx) e LUIS (Tel. xx), efetuaram a compra de um Barco Squalus 600, no valor de R$ 4.126,00, em nome de MARISA LETICIA.
Na residência de LULA, também foram encontrados documentos relativos a pedalinhos que foram adquiridos da empresa IPE FIBRA DE VIDRO LTDA (CNPJ 20.886.339/0001- 44), em setembro de 2013, pelo valor de R$ 5.600,00, e entregues no Sítio de Atibaia
Tudo isso para provar o que não é negado: que Lula e Marisa faziam uso do sítio, que pertence a Fernando Bittar, filho de Jacob Bittar, velho amigo do ex-presidente. Ao menos que eu lesse, não é descrito o conteúdo das latas de lixo certamente reviradas.

Daí, parte-se para relacionar obras feitas de favor para dotar o sítio de mais conforto como resultado de um esquema criminoso que inclui navios-sonda da Petrobras, refinarias e outras obras de bilhões, numa evidente desproporção com o que poderia ser achaque.

Francamente, não consigo fugir dessa impressão de ridículo que tudo isso causa, numa República que está em chamas, com malas de dinheiro passando de lá para cá, com percentagem de 5% em negócios de milhões, com o presidente da República ouvindo – com ou sem edição – que o silêncio de Eduardo Cunha e juízes e promotores haviam sido comprados…

Se não fosse uma tragédia, a Justiça brasileira seria uma piada.

Criaram o Presidente-Zumbi na Farsa/Impeachment e ainda querem pilotar o futuro


Bob Fernandes


O governo Temer acabou. O que ainda se move e fala são zumbis. Os que há um ano deram vida a isso aí estão divididos.

Uns pretendem manter os zumbis; ainda querem a entrega do serviço contratado.

Outros, até pra escapar à contaminação, querem se livrar dos zumbis. Esse zumbinato nasceu de uma Farsa.

Presidente do Supremo quando das condenações no "Mensalão", Joaquim Barbosa definiu essa Farsa como "Impeachment Tabajara"...

...Um conjunto de gambiarras para mascarar como "legal" a junção de interesses econômico-financeiros, e ressentimentos. Ressentimentos de classes e por sucessivas derrotas eleitorais.

Políticos também corruptos, obscuros e notórios "Movimentos" -que agora se escondem- instigaram e arrastaram multidões.

Sempre com fundamental apoio midiático nessa Cruzada, parcial, contra a "corrupção".
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Enfim exposta amplamente a corrupção, não apenas porções selecionadas, pergunte-se: onde estão aquelas multidões e helicópteros?

Onde editoriais pela queda imediata dos governantes corruptos? Temer ocupou redes de rádio e Tv: onde estavam as panelas?

Por cinco anos cansamos de repetir aqui: "a corrupção político-partidária-empresarial é 'Sistêmica', envolve todos os grandes".
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Agora, à revelia de Curitiba, Joesley & Friboi entregou: doou R$ 600 milhões para 1.829 candidatos de 28 partidos. Contaminados Ministério Público e Tribunais.
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O DNA dessa corrupção estava nos dados das empreiteiras. Escolheu-se o que investigar e o que não enxergar.

Escolhas com profundas, graves consequências econômicas, sociais, político-eleitorais.

Ainda sem provas conhecidas, Joesley & Friboi entregou megaorganização criminosa. Joesley, segundo sua própria delação, portava-se como gangster.

E, segundo Temer, Joesley acrescentou mais um aos seus muitos bilhões; ao especular na Bolsa com os efeitos da sua explosiva delação.

Perdoado pela Justiça, Joesley mudou-se com empresas e bilhões para os EUA.

Com citações, loas ao onipresente "mercado", seguem brados, basicamente, contra... "us puliticus". Ainda não entenderam: "us puliticus" são os serviçais, os capatazes...

...Vasta porção do topo do capitalismo brasileiro, o mesmo que ora patrocina, ora caça "corruptos", é a cabeça deste "Sistema" podre.

Expostos intestinos, brandindo legalidade que estupraram, os cabeças buscam agora pilotar o futuro pós-Zumbis.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Força-tarefa da CIA em Curitiba faz outra denúncia absurda e canalha contra Lula


247 – A força-tarefa da Operação Lava Jato ofereceu nova denúncia à Justiça Federal contra o ex-presidente Lula, desta vez no caso do sítio em Atibaia, interior de São Paulo. A defesa sempre negou as acusações e sustentou que Lula não é dono do sítio.

A denúncia do Ministério Público Federal atribui a Lula "propina para o seu benefício próprio consistente em obras e benfeitorias relativas ao sítio de Atibaia, custeadas ocultamente pelas empresas Schahin, Odebrecht e OAS".

Para o MP, Lula é o responsável por "estruturar, orientar e comandar esquema ilícito de pagamento de propina em benefício de partidos políticos, políticos e funcionários públicos com a nomeação, enquanto presidente da República, de diretores da Petrobrás orientados para a prática de crimes em benefício das empreiteiras Odebrecht e OAS".

Lula é denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro. Além do ex-presidente, também foram denunciados outros 12 investigados.

Experiência

Gustavo Castañon

EXPERIMENTO MENTAL

Suponha que Lula foi pego numa gravação pedindo dinheiro para um investigado, dizendo que tinha que derrubar o ministro da justiça para parar a Lava Jato e acertando o assassinato preventivo dos intermediadores da grana. Suponha ainda que um irmão do Lula tenha ido pegar o dinheiro com tudo filmado.

O que estaria passando no JN há dias? Onde estaria Lula agora?

Sugestões para pesquisas de opinião

José Geraldo Couto

Sugestões de pesquisa Datafoda-se:

- popularidade de Temer

- popularidade de Sergio Moro

- diretas x indiretas

- quem deve ser o novo presidente

Claro que não vão fazer, e se fizerem não vão publicar.



O rato pariu a montanha


Por Felipe Pena 
 
Tem que manter isso aí, viu?

São onze horas da noite e um presidente da república está comprando o silêncio de um ex-deputado. O encontro acontece no porão do palácio, após o interlocutor ultrapassar a cancela de segurança usando um nome falso como senha. O interlocutor é um dos maiores empresários do país e carrega um gravador no bolso.

Tem que manter isso aí, viu?

O empresário informa ao presidente que faz pagamentos mensais ao ex-deputado e a um doleiro responsável por suas operações financeiras, ambos presos em uma carceragem de Curitiba. Também conta que comprou dois juízes e conseguiu infiltrar um procurador na equipe do ministério público que o investiga.

Ótimo. – responde o presidente.

O empresário precisa resolver pendências junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, onde trava batalha contra uma estatal sobre o preço do gás que é fornecido à sua empresa. Está disposto a pagar 5% de propina. Pergunta quem pode ajudá-lo. O presidente indica um deputado cujo gabinete funciona no Palácio do Planalto.

Posso falar tudo com ele? – pergunta o empresário.

Pode. Ele é da minha estrita confiança. – responde o presidente.

O empresário deixa o palácio após conversar 36 minutos com o presidente. O gravador registra o começo e o fim do diálogo marcando o horário da rádio CBN. Não há cortes, não há edições.

Joesley Batista, dono do grupo JBS, sabe o poder do material que tem nas mãos. Nos próximos dias, ele negociará o acordo de delação premiada que acabará com o governo golpista de Michel Temer. Também levará à lona o senador Aécio Neves, articulador dos primeiros movimentos do golpe, logo após perder as eleições presidenciais de 2014; e o deputado Rodrigo Rocha Loures, o tal homem da estrita confiança do presidente.

Agentes da polícia federal seguirão o deputado pelas ruas de São Paulo, onde ele receberá uma mala com 500 mil reais de propina cujas notas estão marcadas. Rocha Loures será filmado durante o trajeto.

Outra equipe seguirá o primo de Aécio Neves, Frederico Medeiros, que também recebe 500 mil reais. O senador tem um motivo claro para a escolha de Frederico: "tem que ser um que a gente mata eles antes dele fazer delação".

Frederico continua vivo.

A carreira de Aécio vira pó.

No dia 17 de maio de 2017, às sete e meia da noite, o jornalista Lauro Jardim revela toda a história. Faz exatamente um ano que Temer demitiu o copeiro do Palácio do Planalto, José da Silva Catalão. Agora é o próprio Michel que assina o aviso prévio.

Na cadeia, o ex-deputado Eduardo Cunha olha para a imagem de Temer na TV e lembra-se da frase de Danton quando ia para guilhotina: "O que me consola, Robespierre, é que atrás de mim virá você".

No dia seguinte, 18 de maio, o presidente convoca a imprensa para dizer que não vai renunciar. Inconscientemente, repete o gesto de Richard Nixon, quatro décadas antes. Está nervoso, tenso. Não contesta as informações, apenas parte para o ataque.

Ao ouvir a gravação, Temer minimiza seu conteúdo e diz que a montanha pariu um rato. Mas parece o contrário.

O rato pariu a montanha. E é uma imensa montanha de crimes.

O Sindicato dos Jornalistas de MG decreta o dia 18 de maio como "dia da liberdade de imprensa em Minas Gerais" por causa da prisão da irmã de Aécio, Andréa Neves, que perseguiu diversos profissionais durante os governos da famiglia no estado. Frederico, o primo, também é preso. O senador é suspenso do cargo.

Vejo isentões e coxinhas envergonhados em todos os lugares. Fotos de artistas e jogadores de futebol ao lado de Aécio desaparecem das redes sociais. Lembro-me dos motivos que os levaram às ruas para pedir o golpe.

Nunca foi pela corrupção.

Foi ódio de classe mesmo. Com pitadas de misoginia.

As pedaladas serviram apenas como pretexto para derrubar Dilma. Nunca serviram para condenar Temer, que fez o mesmo. Talvez porque a presidenta fosse vista constantemente numa bicicleta e Temer nunca tenha andado em outro veículo que não fosse um carro importado.

Mas agora é diferente. O crime existe e foi gravado. Os ratos começam a abandonar a montanha. Leio o "Discurso sobre a servidão voluntária", de Étienne La Boétie, escrito na primeira metade do século XVI. O jovem Étienne diz que o tirano só governa porque há pessoas que aceitam ser governadas por ele, mas quando esta obediência voluntária cessa, cessa também o poder do tirano.

Os coxinhas se cansaram do tirano.

Não tenho a mesma certeza sobre Sérgio Moro.

Nos três anos em que a operação lava jato foi comandada por Moro e a república de Curitiba, nenhum tucano foi atingido. E, entre os caciques do PMDB, apenas Eduardo Cunha foi preso. No final do ano passado, Cunha fez 21 perguntas a Michel Temer. Elas antecipariam em muitos meses a sua queda, mas Sérgio Moro barrou todas. O dono da JBS procurou o MP de Brasília porque talvez acreditasse que Moro, mais uma vez, blindaria Aécio e Temer. E, principalmente, não deixaria que o primo e a irmã do senador, que não têm foro privilegiado, fossem presos.

Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal julga o recurso do presidente para suspender o processo. Logo saberemos o que mudou no grande acordo nacional. Podemos apostar na queda do tirano que alterou o currículo do ensino médio por decreto, sem consulta à população? Podemos apostar na queda dos que defendem o neofascismo do projeto Escola Sem Partido? Podemos apostar no fim das contrarreformas que retiram direitos dos trabalhadores?

Sim e não.

O tirano cai, mas o golpe continua.

Este é o país que liberta um branco milionário condenado por corrupção e mantém preso um negro pobre condenado por porte ilegal de pinho sol.

Este é o país que usa uma projeção de PowerPoint como prova.

Este é o país do rato que pariu a montanha.

E só há uma maneira de escalar:

Diretas já!

Diretas!

Já!


:: Felipe Pena é jornalista e escritor. Doutor em Literatura pela PUC, com pós-doutorado pela Sorbonne, é autor de 15 livros, entre eles o romance "Fábrica de Diplomas".

A ideologia paulistana


Ao transformar a varrição de pessoas da Cracolândia como a maior atração da Virada Cultural, Dória criou um exemplar cruzamento entre cultura e barbárie. Está se superando.


A ideologia paulistana que coloca gente como Dória no poder consiste em empurrar a miséria para a lixeira da periferia, mantendo a metrópole igualzinha a uma cidade do primeiro mundo, no entanto provinciana e retrógrada, roncando nas SUVs, guardada de todos os vícios pelo Primeiro Comando da Capital.

Bolsonaro é um mito


A masmorra de Curitiba é para foros desprivilegiados

Moisés Mendes

É compreensível que alguns jornalistas ainda teimem em defender o jaburu, sempre fazendo uma aposta que tem dado certo: resiste agora, nosso líder, porque a direita sempre consegue dar a volta e se segurar.

Esta é a tática do grampeado. Vai ficando, porque foi assim com o Padilha, o Moreira Franco e outros.

Se quiserem, diz ele à Folha, que tentem me derrubar. Ele sabe que as ruas tiveram um espasmo de reação, na quinta-feira, e depois o entusiasmo refluiu.

Mas enquanto o jaburu tem apoios fortes (o da Folha é vergonhoso), é quase comovente o abandono de Aécio. O mineiro foi largado na sarjeta por Globo, Folha, Estadão. E Aécio tem grandes serviços prestados à imprensa embarcada.

Este é um que teria muito a contar se caísse na masmorra de Curitiba. Mas a masmorra de Curitiba não é para foros privilegiados, não só no sentido previsto em lei. 

A masmorra é para foros desprivilegiados.

Veja abandona Aécio Scarface

Como Huck, a Veja também abandona Aécio e diz que ele tem “crises de choro” alternadas com “goles de uísque”

DCM:

Como Luciano Huck, a Veja também tenta apagar o passado com Aécio e produz matérias como esta:

Desde o minuto em que soube das gravações até a noite de quinta-feira, Aécio alternou crises de choro, goles de uísque e conversas com advogados. Atendeu a poucas ligações e ignorou até mesmo telefonemas de assessores próximos. Recebeu em sua casa no Lago Sul apenas alguns senadores, como Tasso Jereissati (agora presidente interino do PSDB), e ministros de seu partido, como Aloysio Nunes. Aos que o visitaram, disse que seu único alento era o fato de a mulher, Letícia, e os filhos gêmeos não estarem em casa, no momento das buscas feitas pela PF. Eles haviam viajado para o Rio Grande do Sul, onde vivem os pais de Letícia. Segundo os interlocutores do senador, sua principal angústia nesses dias era a prisão da irmã. Aécio mobilizou advogados e amigos em busca de um meio de libertá-la. No telefonema que deu ao ex-ministro do STF Carlos Velloso, chorou. “Ela é quase uma mãe para mim”, disse.

Não há saída fora das Diretas Já

Luis Felipe Miguel

A proposta de Fernando Henrique, diz reportagem n'O Globo online, é arranjar uma "saída controlada" para a crise: a substituição de Temer por um nome de "consenso". As disputas ficariam adiadas para 2018. O ex-presidente teria mandado Nelson Jobim discutir a questão com o PT.

Muito sensato, claro. Mas o problema é que, nas atuais circunstâncias, a "saída controlada" significa congelar a política brasileira no pós-golpe.

FHC e outros operam como se o problema fosse que Temer perdeu a legitimidade para exercer a presidência. Mas o problema é outro; é que Temer jamais teve essa legitimidade. A crise atual é um desdobramento do golpe e sua solução passa necessariamente pela reversão do golpe.

Não sei como o PT reagirá à proposta. Alguns próceres do partido têm dado sinais ambíguos, usando uma linguagem de "Estado de direito" de um modo que o golpe tornou anacrônico. Parece que aquele vontade de ser aceito como par na távola redonda da política tradicional brasileira, como diria o próprio Temer, ainda não foi enterrada.

Espero que a vinculação com o campo popular e democrático fale mais alto. Do nosso lado, a solução fernandista não tem nenhum apelo. O "nome de consenso" que FHC procura é o do consenso entre as elites; a preocupação é impedir que o povo se manifeste. Mas é o contrário: as saídas que excluem as maiorias não servem. Uma vez que a solução estritamente constitucional é politicamente inviável (a devolução da presidência à escolhida pelo eleitorado em 2014), a única saída é #DiretasJá.

O fascismo nosso de cada dia ... ou quem será comido primeiro?



Fernando Horta

Muitos colegas, professores e pesquisadores da área de humanas torcem o nariz quando ouvem o termo “fascismo” para descrever o momento atual do país. Pensam que é uma demasia. Respeito opiniões em contrário, mas creio que já estamos sim dentro do espectro do fascismo. O fascismo não é um estado em que a sociedade entra, de uma hora para outra, com líderes gritando em microfones, matando pessoas, fazendo guerras, atacando os direitos das minorias e etc.. Isto é muito clichê. As imagens, normalmente em preto e branco, com um líder fardado falando e uma massa organizada respondendo, formam uma estética característica que, quando comparada com as cores atuais, manifestações de ruas e a ausência de uma liderança forte, parecem demonstrar que as duas coisas não são semelhantes. Daí as pessoas acharem “demasiado” se falar em fascismo.

Ocorre que o fascismo, tem algumas linhas clássicas de explicação. Uma delas passa pela análise da psicologia dos indivíduos e argumenta que o fascismo é um comportamento. Não é algo inoculado no indivíduo, de fora para dentro. Mas algo que é pré-existente em muitas pessoas, embora silenciado quando em uma sociedade sadia (com limites e regras igualitárias, respeito pelos direitos individuais e etc.). Durante muito tempo, os historiadores se perguntaram como uma sociedade como a alemã, cujo lastro cultural remonta à Idade Média, sucumbiu ao irracionalismo tão abruptamente? Uma das explicações – que hoje é bastante repelida – falava da genialidade maléfica de Adolf Hitler. Um indivíduo extremamente inteligente, sagaz e com uma retórica insuperável. Este “mal encarnado” teria hipnotizado toda uma nação e criado o nazismo.

Este tipo de explicação, que até hoje tem adeptos, foi se alastrando e aprofundando. Saíram livros sobre a sexualidade de Hitler, sobre sua “brilhante retórica” entre outros assuntos. Também, para reforçar a tese das “lideranças maléficas”, se publicou sobre Göring, Goebbels e Himmler. Cada vez com mais evidências do “mal insuperavelmente inteligente”. Este tipo de narrativa servia aos interesses do ocidente naquela época. Retirava das costas da Alemanha (que tinha virado aliada do ocidente contra a URSS) o peso da culpa pelo nazismo e prometia que o mal havia sido extirpado. A verdade, entretanto, é mais complicada. Hitler se mostrava bastante limitado em sua inteligência. Nada ali sugeria genialidade. Os estudos sobre a história da Alemanha no entre-guerras mostravam o lento processo de fortalecimento do nazismo, que surgia pela polarização política e crise econômica. Os partidos de centro passaram a ficar esvaziados de votos, enquanto a extrema-esquerda (o SPD, partido comunista alemão) e a extrema direita (o nacional socialismo nazista) começaram a concentrar as votações.

Neste processo, a classe média e as elites, temerosas da retirada de seus direitos como os partidos de esquerda prometiam, acabavam aliando-se ao espectro da extrema-direita. Esta é a explicação política que ganhou fôlego na década de 70 e ainda hoje é bastante utilizada. Ocorre que ela usa argumentos estruturais. Invoca o “conservadorismo da classe média”, o “anticomunismo”, os interesses do “grande capital”. A partir da década de 80, os pesquisadores passaram a desconfiar destas grandes generalizações e foram buscar entender os processos mentais que levavam o indivíduo a escolher o caminho A ou B em determinadas situações. Aí se chegou ao viés psicológico do fascismo. Individualmente, o narcisismo mesclado com um autoritarismo e um desprezo pelo diferente eram apontados como características que poderiam ensejar o fascismo. Assim, o fascismo poderia existir mesmo sob uma capa “liberal”. Este é o argumento clássico de Deleuze e Guattari em “Mil Platôs”. O Fascismo seria como uma predisposição psicológica que certos indivíduos apresentam que, quando encontrando um ambiente social favorável, se desenvolveria até o processo de estabilização do autoritarismo.

Em sociedades que quisessem manter-se longe deste perigo, impunha-se algum tipo de controle sobre as “liberdades individuais”. A liberdade de expressão não poderia acobertar o racismo e o preconceito. O livre pensamento não poderia dar guarida às ideologias que não respeitassem a democracia. A livre associação não poderia ser usada para constituição de milícias que visassem atacar grupos minoritários. E assim se reconstruiu a Europa. Lá, é punível imediatamente, declarações fascistas. Por quê? Porque se reconhece que esta “predisposição” se encontra latente na sociedade e, uma vez deflagrado o processo de fortalecimento do fascismo, ele era de difícil contenção. O problema é que este controle social foi completamente anulado pelas redes sociais. Indivíduos totalmente autoritários e violentos se retroalimentam sem controle com discursos de ódio e preconceito em qualquer canto da rede mundial de computadores. “Empoderados” estas bestas-feras saem para as ruas formando grandes grupos políticos articulados. E o monstro surge.

O fascismo inicia-se com a conjuminância de três fatores: uma negação da política como ferramenta de solução dos conflitos sociais, um desprezo pelo que é diferente cultural, política ou socialmente e um fortalecimento do ideal punitivista jurídico ou físico, sempre resguardando o fascista como “reserva moral” do mundo. O fascista crê que está certo, que sua moral é superior à dos outros, que ele é o único que trabalha e que preza pelos “valores tradicionais”. E ataca tudo o que é diferente disto. Tudo vira “corrupção”. Todos são “farinha do mesmo saco”. Esta desconstrução político-social enseja a violência. E através da violência o indivíduo fascista sacia suas duas outras necessidades: minora seu sentimento de inferioridade, porque se vê parte de um coletivo “moralmente superior” e satisfaz seu sadismo através da agressão.

Se o leitor me seguiu até aqui, não pode deixar de ter observado as similaridades com o Brasil atual. Polarização política, as crescentes agressões às minorias, o retorno das ideias conservadoras de “família”, “religião”, “padrões éticos”. A negação do papel social da política, como se algo pudesse (e até devesse) ser “apolítico”. O ativismo jurídico com corte moralizador, pensando em “reconstruir o brasil” pelas mãos togadas. Enfim, é o retrato do Brasil atual. De onde estamos para um fascismo aberto e sem medo de se afirmar não há muita distância. Os discursos contra os direitos humanos já são “normais”, contra os direitos das “mulheres” também. As minorias cada vez mais agredidas e ultimamente até ameaçadas de extinção, afinal quilombolas e índios “não servem nem para procriar”. O quadro é aterrador.

O que agora fica ainda mais evidente, com as denúncias atingindo o PSDB e o PMDB em cheio, é que os que soltaram os monstros, serão comidos primeiro por eles. Tais partidos tinham financiados grupos fascistas como MBL, “Vem pra Rua” e assemelhados contra Dilma, agora serão engolidos pelos mesmos grupos. O problema é que ao serem comidos pelo monstro que soltaram, eles se tornam parte e fortalecem o fascismo. Suas carreiras políticas acabadas nada significam frente à violência que será gerada em nossa sociedade. Todos pagaremos pela irresponsabilidade de lideranças como Temer, Aécio e outros. Afinal, “se todos são iguais”, se “todos são ladrões” quem nos governará? Algum impoluto líder que se diz apolítico e que tem “valores” nacionais, que luta pela “família”, pelos “bons modos”, pelo “bom senso” e que tem capacidade de “gestão”? ... Daqui, só falta ter um bigodinho aparado, falar alemão e fazer péssimas pinturas de vasos, pensando ser um artista incompreendido.

Disputa entre Folha e Globo é a mais significativa na mídia desde os anos 80

Luis Felipe Miguel

A briga, agora escancarada, entre Folha e Globo é a disputa mais significativa entre órgãos da grande imprensa brasileira em muito tempo, talvez desde a primeira campanha das diretas.

A Folha tomou a dianteira na defesa de Temer - embora, para tentar manter o pouco de credibilidade que lhe resta, tenha que fingir algum distanciamento em relação às versões do usurpador. Mas foi ela que tomou a iniciativa de desacreditar as gravações de Joesley Batista, chamando um "perito" para dizer que tinham sido editadas. Ontem O Globo desacreditou o descrédito, mostrando o perito como um amador e dizendo que ele estava retificando seu parecer. Hoje, na Folha, ele retifica a retificação e reafirma o parecer inicial. A Folha, no entanto, não discute a precisão do software usado, o profissionalismo de Santos ou a natureza de sua vinculação com o TJ-SP, todos pontos atacados pelo Globo.

Mas a manchete da Folha, hoje, é a entrevista exclusiva de Temer, com destaque para a frase de efeito, desonesta e sem qualquer relevância: "Não renuncio; se quiserem, me derrubem". É o esforço do golpista para parecer vítima. De contrabando, é transmitida a ideia de que seu mandato é legítimo.
A entrevista é camarada. Os repórteres fingem que fazem perguntas "duras", mas aceitam as respostas de Temer sem questionar suas debilidades e contradições.

O problema, para Temer, é que mesmo Folha e Estadão têm que trabalhar ostensivamente com o Plano B, que é o Plano A da Globo: eleições indiretas. Há uma permanente ambiguidade, com a simpatia pela permanência do usurpador convivendo com o discurso de que ninguém é mais importante do que o sucesso das "reformas" - e, portanto, no momento em que se tornou um estorvo para elas, Temer pode ser sacrificado.

* * *

Também na Folha, Aécio Neves escreve sua coluna de despedida. O jornal lhe deu a colher de chá de fingir que está abandonando o espaço por vontade própria - para "dedicar-me integralmente à minha defesa", diz ele.

Há seis anos Aécio escrevia na página 2, às segundas-feiras. Quem a Folha vai colocar em seu lugar? Fernandinho Beira-Mar ou Marcola?

domingo, 21 de maio de 2017

Mídia continua unida contra a Democracia

Leandro Fortes 

POLÊMICA DE ARAQUE 

O Globo quer a destituição de Temer e eleições indiretas.

O Estadão quer a permanência de Temer, mas se ele cair, quer eleições indiretas.

A Folha, tucana até o tutano, acha as gravações contra Temer inconclusivas, mas, na dúvida, quer eleições indiretas.

Ou seja, estão todos jogando para evitar as #DiretasJá e a possibilidade real de Lula voltar à Presidência da República.

E todo o castigo é pouco para quem ainda dá bola para os editoriais desses jornalões decadentes e seus patrões reacionários.

"Aécio não tem um mínimo de cerimônia com os escrúpulos", diz seu tio

Bomba: Desembargador do TJ-MG, pai do Fred (primo preso do Aécio), tio do senador afastado, postou nas redes sociais.



Quem não sabia que o Aécio é o que é?

Palmério Dória

Quem não sabia que o Aécio é o que é? Talvez só o imbecil do Marcelo Madureira. E a face total do golpista canalha só veio a público agora porque os donos da notícia jamais se preocuparam em destrinchar a fortuna de Aécio. Ninguém precisa ser vidente para saber que o sucessor dele na presidência do PSDB tem uma fortuna incalculável, Perto de Tarso Eu Tenho Avião Porque Posso Jereissati , Aécio é um mero pedinte. Aguardemos a surpresa de Madureira quando um delator contar detalhes sobre essa fortuna,

Ratos que apoiaram Aécio e o golpe tentam pular do barco

Leandro Fortes

MADALENAS

Primeiro, foi Marcelo Madureira, o bobo da corte tucana e palhaço do circo fascista.

Agora, é o galã de quinta Márcio Garcia, da vida de quem Aécio Neves fazia parte, o sol que iluminava a política nacional.

Aos poucos, a rataiada que fez campanha para Aécio e, mais tarde, se juntou à patetada de camisa da CBF nas manifestações pelo impeachment de Dilma, vai pulando do barco do golpe, na cara dura.

Mas não serão esquecidos.

A definição de "perícia" foi atualizada pela mídia

O perito da Folha constatou ter havido 50 edições no áudio. O do Estadão viu 18. Os da Globo não viram nada. Atualizem a definição de PERÍCIA.

Wilson Gomes‏ @willgomes

Mais cinco observações sobre o momento atual da crise


Luis Felipe Miguel

(1) A Rede Globo decidiu demonstrar sua força. Por motivos que ainda não estão inteiramente claros, ela resolveu rifar Michel Temer e reorganizar a coalizão golpista em outras bases. Não está sozinha nesse projeto, nem é necessariamente quem o comanda, mas é sem dúvida o grande instrumento de sua execução. Ainda que o restante da mídia corporativa não tenha o mesmo propósito (como demonstra o esforço da Folha de S. Paulo para desacreditar as gravações de Joesley Batista), o empuxo da Globo é forte demais e todos já tratam a queda de Temer como questão de dias. Ou seja: as sucessivas vitórias do PT mostraram que a Globo não tem o poder de definir os resultados eleitorais, mas ela continua capaz de desestabilizar governos a seu bel-prazer. O fato de que o usurpador não mereça que se derrame uma lágrima por ele, muito pelo contrário, não significa que não precisemos entender o que significa esse poder tão desmedido.

(2) Temos hoje dois conflitos sobrepostos. O primeiro é interno à coalizão no poder. O golpismo está dividido, uma vez que Temer decidiu resistir e usa todos os recursos de que dispõe para adquirir os apoios que lhe garantam uma sobrevida, ainda que frágil. O problema, para ele, é que a principal ameaça vem não do Congresso, mas do TSE. A tranquila maioria que ele construiu nos últimos meses, para aprovar a esdrúxula tese da separação da chapa, não existe mais. O colegiado que vai definir sua sorte é menos suscetível aos agrados que o Executivo pode fazer e tende a seguir o consenso das classes dominantes, que cada vez mais aponta para a substituição de Temer. Afinal, com exceção do usurpador e de seus cúmplices mais próximos, todos julgam que rifá-lo é um bom negócio, se com isso superam a crise. O segundo conflito é entre o golpismo e o campo democrático. É aqui que entra a bandeira das diretas-já. O golpe não foi dado para que alguma vontade popular pudesse se expressar, muito pelo contrário. Foi dado para implantar um projeto que as urnas sempre rechaçaram. Por isso, as eleições diretas têm que ser evitadas a qualquer custo.

(3) Entre os problemas que as diretas-já geram, para os donos do poder, está o fato de que não haverá tempo para impedir a candidatura de Lula. Mas as diretas não são para eleger Lula. As diretas são para interromper e reverter o golpe. Por isso, a luta pelas diretas é indissociável da luta contra o retrocesso nos direitos. O povo deve ser chamado a se manifestar não para escolher um nome, mas para escolher um programa. O programa mínimo do campo democrático e popular é a revogação da emenda constitucional que congela o investimento social, o retorno da plena vigência dos direitos trabalhistas, a sustação da reforma da previdência, a plena vigência das liberdades - a partir daí, tentamos avançar, mas esse é o mínimo. Lula vai se comprometer claramente com esse programa? Ou não vai resistir à tentação de acenar para as elites, para recompor a "governabilidade" que deu no que deu? Seja como for, a realização desse programa depende da pressão organizada, mais até do que da eleição de A ou B.

(4) O oposto das diretas é a pressão ostensiva do "mercado" (que, no noticiário, é o nome de fantasia do capital) para que o sucessor não esmoreça nas "reformas" (o nome de fantasia para a retirada dos direitos). É impressionante como, na imprensa, a necessidade de ouvir a população é desdenhada como irrelevante ou estigmatizada como "golpe" (!), mas as vozes do capital são reverberadas cuidadosamente. O recado é claro: a vontade popular não pode atrapalhar a vontade do "mercado". O casamento entre capitalismo e democracia, que sempre foi tenso, agora se mostra claramente como uma relação abusiva. A regra era que o capital impunha sua vontade pelos mecanismos do mercado, o que já lhe dava um poder de pressão descomunal, mas os não-proprietários tinham a chance de limitar esse poder graças ao processo eleitoral. Essa salvaguarda não é mais aceita. Ela terá que ser imposta novamente ao capital, como o foi nas primeiras décadas do século XX.

(5) Não se vê uma única voz se levantar em favor de Aécio Neves. O pragmatismo da direita devia servir de alerta àqueles que a servem: são todos descartáveis. "Acéfalo" com a prisão da irmã, como disse a Folha de S. Paulo; sem poder contar sequer com o abraço amigo de Luciano Huck... Triste fim do Al Capone de Ipanema.

Vale a pena ver de novo

Marta: "Quero um país livre de corrupção e o PMDB é o meu lugar"
Por Chrystiane Silva | Valor


A senadora Marta Suplicy formalizou neste sábado sua adesão ao PMDB em um evento com as principais lideranças do partido, no Teatro Tuca, em São Paulo. A escolha do local, que reuniu centenas de militantes, foi um pedido da senadora, que considera o Tuca palco da luta democrática. 

Em um discurso curto, mas emocionado, a senadora agradeceu às lideranças presentes, citando qualidades em todos elas. "Algumas decisões são difíceis, mas diante de relações conflituosas, que ferem nossos princípios, o melhor caminho é o rompimento. Hoje, me sinto acolhida no PMDB, não tenho dúvidas de que aqui é o meu lugar", disse. 

A senadora afirmou que quer um Brasil livre da corrupção. "Livre daqueles que usam a mentira para obter vantagens. Estou no PMDB de Ulisses Guimarães e Michel Temer, que vai reunificar o país", disse.

Elogios a Ulisses, Cunha e Renan

Segundo ela, o PMDB é o partido do gigante Ulisses Guimarães, do focado Eduardo Cunha, e do paciente Renan Calheiros, que sempre trabalha com uma agenda positiva. "Agora, o PMDB é meu também ", disse. 

Ela aproveitou para pedir ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que ajude a aprovar a lei que prevê quotas para mulheres no Congresso. "Somos 52% da população e apenas 10% no Congresso", disse. 

Marta agradeceu aos amigos de outros partidos que estavam presentes ao evento como o ministro Aldo Rebelo (PC do B) e a deputada Cristiane Brasil (PDT), ao marido Marcio Toledo, que faz aniversário hoje. Também agradeceu aos filhos André, Eduardo e João - os dois últimos não estavam presentes porque se apresentam neste sábado no Rock in Rio, no Rio de Janeiro. 

O discurso de todas as lideranças presentes no evento foi o de reunificação do PMDB, que possa servir como um exemplo de reunificação para o país.

Entre os presentes estavam o presidente em exercício, Michel Temer, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros, o vereador por São Paulo Gabriel Chalita, o senador Edison Lobão, o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf

O fim do usurpador

Leandro Fortes

TRANSE

Esse último discurso de Michel Temer, a narrativa de um autômato montada por uma marquetagem em desespero, me lembrou os últimos dias de Fernando Collor de Mello, na Presidência da República, em 1992.

Eu era repórter da sucursal da Zero Hora, dentro do Palácio do Planalto, e pude perceber, junto com os colegas que lá também cobriam a Presidência, um fenômeno que se agravava todo dia: o descolamento de Collor da realidade que o cercava.

Dentro de seu modelito de mordomo de filme de terror (na definição imortal de ACM), Temer agitou aquelas mãozinhas indecentes para marcar o compasso das bobagens que dizia, como se pudesse, a essa altura, reverter o quadro terminal em que se encontra.

Que seja assim, sempre, o fim de todo golpista.

Após discursar, Michel Temer sai acompanhado por Lúcifer


PatoDoPoiPoint‏ @PatoCorporation

Ninguém notou, mas ao fim do pronunciamento, Temer saiu de mãos dadas com Lúcifer (Você não vê pois o coiso está em outro plano astral).

Versão artística do evento:


De autoria incerta e não sabida.


Não há saída boa dessa situação


As condições do caos
Janio de Freitas

Toda a dramaticidade da situação sintetiza-se em uma pequena frase: não há saída boa. A pior seria a permanência de Michel Temer ainda mais apalermado. Mas nenhuma das outras possíveis evitaria a continuidade das condições caóticas que sufocam o país.

Com alguma sorte, no máximo se chegaria sem tumulto maior às eleições daqui a perto de ano e meio. Isso, se não for gasto tempo demais, enquanto o país deteriora, com a disputa das correntes políticas (não só as partidárias) para definir o que se seguirá ao atual estado crítico.

É preciso considerar ainda que as denúncias, sejam as já iniciadas, sejam novas, podem agravar a situação interna das instituições, com decorrências de efeito extenso. Está visto, para ninguém mais negar, que os motores da corrupção política e administrativa não são só as empreiteiras.

E não falta quem, para receber os generosos prêmios dados aos delatores, mostre mais aos brasileiros como é de verdade o seu país. Nem faltam candidatos a ver-se, de repente, passando de louvados a execrados. Como a estrela do bom-mocismo, Aécio Neves.

Agora senador afastado pelo Supremo, e com Eduardo Cunha preso, Aécio fica mais exposto a que afinal se esclareçam em definitivo as trapaças de contratos em Furnas, cuja lista de beneficiários lhe dá lugar de destaque. Associados nessa lista, os dois retiveram por muito tempo as investigações devidas e suas consequências.

Com esse inquérito em andamento, Aécio se torna um dos senadores mais apreciados por procuradores e juízes: seis inquéritos – um por suborno e fraude na construção da Cidade Administrativa em seu governo mineiro, outro por suborno na construção de usinas hidrelétricas, três por caixa dois, e o de Furnas. Aguarda-se o sétimo.

Não foi sem motivo, portanto, que esse senador e presidente do PSDB (retirado de um cargo e licenciado do outro), conforme suas palavras agora públicas, disse ser necessário acabar com tais investigações e estar "trabalhando nisso como um louco".

E pensar que esse era o presidente da República desejado e proposto ao país pelo "mercado", pelos conservadores de todos os tipos e por imprensa, TV e rádio. Derrotado e ressentido, foi o primeiro a conclamar pela represália que originou o desenrolar político hoje incandescente.

Para onde vai esse desastre em sua fase judicial, continuaremos sem saber. As gravações de Joesley Batista ainda aumentam muito a obscuridade, com pequena menção que a conveniência deu por despercebida pelo pasmo.

Como queixa por perseguições a sua maior empresa, ele conta a Temer ter visto o vídeo da delação de Sérgio Machado, o ex-diretor da Petrobras que gravou Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney. Esta é a cena: procuradores da Lava Jato dizem a Machado que fale sobre a JBS, Machado diz desconhecer fatos que incluam a empresa.

Os procuradores insistem em vão. Até que Machado aparece lendo um pequeno papel, decora o lido, e o recita como depoimento: é uma acusação à JBS. Não há menção a quem lhe passou o dizer exigido. Nem era necessária, para proporcionar a advogados mais um questionamento e a magistrados isentos um problema, sobre certos métodos e motivos da Lava Jato.

A JBS, parte da empresa-mãe J&F, é a maior exportadora mundial de carne bovina e de frango. Seu crescimento no mundo tem sido, em grande parte, decorrente de apoios financeiros e outros, legítimos ou não, dos governos brasileiros. E contraria poderosas multinacionais e governos estrangeiros empenhados na promoção internacional de seus exportadores.

sábado, 20 de maio de 2017

As contas bancárias de Lula e Dilma no exterior

Cristóvão Feil 

Joesley jamais abriu conta para Lula e Dilma, nominalmente.

Isso é tão factível quanto você poder admirar o saci de perna cruzada.

Ele depositava dinheiro (certamente desviado do CNPJ para o CPF, o que constitui crime pela Lei das S.A.) em uma offshore cujo titular era ele próprio, Joesley Batista da Silva.

Portanto, não havia "conta de Lula" ou "conta de Dilma".

Isso foi uma ficção de Joesley para ser premiado com uma pena futura menos severa, já que citar Lula/Dilma é condição indispensável para obter leniência deste Judiciário contaminado.

Alguém duvida?

Basta ler o depoimento/delação de Joesley.

É claríssimo. Ele chega a admitir que tirava extratos regulares das tais contas.

Ora, quem está habilitado a tirar extrato é o titular da conta, mais ninguém.

O que não podemos é acreditar nos comentaristas mequetrefes da Globo e suas edições tendenciosas.

O que eles querem é poder estampar essas "bandalheiras petistas" em horário nobre da TV Globo e seus satélites.

Mesmo que depois fique judicialmente insustentável toda essa fantasiosa denúncia.


Quem disse que não existe o crime perfeito?

Joesley Batista e Henrique Meirelles 
Breno Altman

CRIME PERFEITO

Joesley Batista, vulgo Joesley Safadão, foi além da imaginação:

- Com sua delação premiada, conseguiu se livrar de qualquer condenação penal e pagará em módicas parcelas uma multa que não chega a 10% de seu patrimônio pessoal.

- De mala e cuia, está mudando para os EUA, onde poderá usufruir de sua riqueza e acumular mais fortuna.

- De quebra, tem a chance de ver um ex-funcionário seu, Henrique Meirelles, atual ministro da Fazenda, sucedendo por via indireta, leia-se golpista, o usurpador Temer.

Quem disse que não existe o crime perfeito?

Perguntinhas que ninguém respondeu...

Flavio Gomes 


- essa mesada pro Cunha, que está na cadeia, estava sendo entregue para quem?

- o dinheiro entregue pela JBS ao primo do Aécio foi levado para a empresa do Perrela. Por que ainda não convocaram o Perrela para explicar? Quem recebeu a grana no escritório? Onde ela está, essa grana toda? Por que ninguém pergunta ao Aécio por que esse dinheiro que ele pediu para Joesley foi parar com Perrela?

- Aécio é riquíssimo. Para quê, exatamente, precisa de dois milhões em dinheiro vivo? Para pagar advogados? É mentira, o dinheiro foi para o escritório do Perrela. O Perrela é o dono do helicóptero com 400 kg de cocaína que foi descoberto anos atrás e até agora a PF não disse de quem era o pó.

- Andrea, a irmã do Aécio, foi presa imediatamente. Não se sabe direito do quê é acusada. Ninguém vai perguntar o que essa mulher fez de verdade? Ser irmã do Aécio não é crime -- quando muito, uma tragédia pessoal. O dinheiro foi para o escritório do Perrela, não foi ela que recebeu. Óbvio que tem alguma coisa muito grande e muito errada com essa mulher, senão ela não iria para a cadeia desse jeito. As pessoas em Minas sabem o que ela fez durante os anos de governo de seu irmão. Era a dona do cofre das verbas oficiais de publicidade e perseguia jornalistas ferozmente. Mas tem alguma coisa grande aí. Muito grande.

- os irmãos Batista confessaram vários crimes, crimes pesados, inaceitáveis. Dizem que compraram milhares de políticos, financiaram a eleição de deputados, compraram a eleição de Cunha à presidência da Câmara e compraram deputados na votação do impeachment. Não consigo imaginar crimes mais graves, que mudaram a história do país. Aparentemente, eles mesmos decidiram se delatar e delatar políticos, mas foram eles que impuseram condições tão... generosas para fazer isso? Os caras foram para os Estados Unidos e acabou? Vai ficar por isso mesmo? Não sofrerão nenhuma sanção? Nenhuma punição? Ficarão livres e bilionários para sempre? Como é que o MPF aceitou isso? Como o STF aceitou isso? Que acordo é esse?

- um jornal como a "Folha" fica com filigrana sobre as gravações (faz perícia e o caralho a quatro) e não questiona o fato de um presidente da República receber em sua casa tarde da noite uma visita fora da agenda de um empresário investigado e processado em vários inquéritos para tratar de seu relacionamento com um ex-presidente da Câmara preso, e nessa conversa o cara confessa que comprou juízes e procuradores, e o presidente responde "ótimo, ótimo", e a porra do jornal diz que os áudios são INCONCLUSIVOS? O que está por trás dessa defesa de Temer, o indefensável?

- o rei do gado fala claramente que comprou dois juízes. Ninguém se interessou em saber quem são?
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