sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Um depoimento sobre depoimentos





Votei em Lula em 2002, como havia feito nas eleições anteriores. Mas votei ressabiado com seu discurso insosso e suas alianças ilimitadas. Embora tenha continuado a votar nos candidatos presidenciais do PT nas eleições seguintes, ao menos no segundo turno, fui crítico de seu governo desde o começo do primeiro mandato. Acho que resumo meu sentimento dizendo que o PT no poder trabalhou para que o Brasil deixasse de ser o país dos nossos pesadelos, mas fez muito pouco para que ele pudesse vir a ser o país dos nossos sonhos. Há quem justifique isso em nome das "possibilidades reais", mas quem faz política sem se preocupar em ampliar o horizonte de possibilidades está fazendo má política. E, como já disse aqui mais de uma vez, se esse possibilismo exacerbado realmente fosse o caminho certo para assentar garantias mínimas num país tão brutal, não teríamos chegado à derrota histórica a que chegamos.

Dito isso, quero fornecer meu depoimento sobre os testemunhos que tenho recebido, sem sequer pedi-los, a respeito do impacto que as mudanças introduzidas pelos governos do PT, ainda que tão moderadas, tiveram na vida de tantas pessoas. Como professor universitário, já há anos encontro estudantes contando como, sem as políticas implantadas nos anos de Lula e Dilma, jamais teriam chegado àquela sala de aula. Estudantes que muitas vezes foram os primeiros de suas famílias a alcançar o ensino superior e que agora estão, talvez, cursando um doutorado. Estudantes que teriam sido condenados ao trabalho precoce sem as políticas de transferência de renda, estudantes cujas residências por vezes não tinham acesso à energia elétrica. Não há dúvidas de que o combate à privação extrema, que foi a prioridade dos governos petistas, fez para essas pessoas toda a diferença. E conta muito a favor delas o fato de reconhecerem que, sem demérito nenhum para elas, o esforço pessoal provavelmente não seria suficiente se as condições sociais não estivessem mudadas. Conta ainda mais o fato de que muitas, quase todas, se empenham na luta contra o retrocesso social, para que as oportunidades de que puderam desfrutar sejam estendidas a mais e mais brasileiros, em vez de revogadas.


Sei que essa postagem despertará a indignação tanto dos petistas apaixonados, que não concordarão com as críticas no primeiro parágrafo, quanto dos antipetistas radicais, insatisfeitos com os elogios no segundo. Mas creio que o legado lulista merece tanto nossa crítica quanto nosso respeito. Os depoimentos espontâneos que ouço repetidas vezes na universidade ampliam esse respeito e ajudam a controlar a tendência de, por vezes, minimizar a importância que pequenos avanços têm na vida de quem carece de quase tudo. E tenho certeza de que o ódio feroz de nossas classes dominantes contra Lula e o PT não nasce de seus limites, mas daquilo que fizeram de melhor.

Aberração americana



Esse é o Jack. Ele tem 13 anos e mora nos Estados Unidos. A HBO levou ele pra comprar cerveja, cigarros, revistas pornô, bilhetes de loteria e uma arma.


Lição da História


O congresso a ser eleito ano que vem, com a grana liberada para compra de eleitores e venda de candidatos, não será diferente do circo de baratas montado nas cuias de Brasília.

O presidente a ser eleito, se cumprido o script, será um bosta como o atual ou um boneco removível de outro modelo. Se não for, enfrentará em condição de fatal desigualdade a mídia e o Judiciário que aí estão.

Consolidado esse quadro, a saída, se houver alguma, algum dia, será revolucionária, com o mais provável perfil de uma guerra de libertação nacional.


Essa é a lição da História.

A falta de caráter de Flávia Piovesan


Já na primeira resposta, na entrevista publicada hoje na Folha, Flávia Piovesan aciona o modo desfaçatez. Explica que aceitou integrar o governo golpista porque "me vejo como um quadro técnico". Claro, política é só política. Cidadania e direitos humanos é "técnica".

Daí para a frente, é o esperado. Quer posar de boa moça, de defensora das boas causas mesmo que só tenha feito referendar retrocessos. É tão gritante que não dá para acreditar que é falta de noção. O que falta é caráter.

Ela foi chamada ao governo por seu perfil de advogada ativista, para dar um verniz um pouco mais civilizado a uma equipe trogloditicamente reacionária. No caso, creio que pecou por soberba. Nem se Nelson Mandela tivesse sido chamado para o ministério o governo do usurpador pareceria menos caduco. Que dirá Flávia Piovesan num cargo de segundo escalão.

Se não serviu para lustrar a imagem de Michel Temer, sua passagem pela Secretaria da Cidadania certamente foi eficaz para destruir a reputação de Flávia Piovesan. Agora, está saindo do governo, pronta para assumir seu esperado prêmio na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, onde certamente continuará fingindo que está do lado do bem - mas sempre, é claro, de maneira a não comprometer os interesses de seus patrocinadores.

E estará condenada a, pelo resto da vida, rezar a qualquer deus em que acredite, para que nunca lhe surja aquele inconveniente chamado "consciência", que não lhe deixaria dormir ou se olhar no espelho.

Ciro Gomes não precisa de adversários



O Ciro Gomes é aquele cara que não precisa nem de marqueteiro, nem de campanha: se afunda sozinho.

Costuma morrer pela boca: numa campanha presidencial anterior, declarou que a função da atriz Patrícia Pillar (então sua esposa) era "dormir comigo". Despencou nas pesquisas.

Agora, em pleno 2017, no ápice das guerrilhas identitárias, declara que "momento é de testosterona".

Mas não para aí: ligado a uma família que, no pior estilo coronelista, domina uma vasta região do Ceará, suas gestões na prefeitura de Fortaleza e no governo do estado foram marcadas por denúncias de autoritarismo e por negligenciar desenvolvimento social e preservação ambiental em prol de alianças com o capital imobiliário.


Com um histórico desses, é inacreditável que muita gente que se diz de esquerda ainda se mostre disposta a votar no cara.

Direita debocha dos trabalhadores



A forma como Gilmar Mendes se referiu hoje ao trabalho escravo, dizendo que achava que ele não se enquadrava como um trabalhador escravo, apesar do estresse no STF, mostra que os algozes desta nação não apenas já se consideram vitoriosos, como também à vontade para o escárnio. Os conservadores perderam de vez o pudor de assumirem o sadismo e a crueldade. O caso de Doria e sua ração para moradores de rua e estudantes mostra a mesma coisa.


O revisionismo conservador não se limita à retirada de direitos e ao massacre econômico dos desfavorecidos, avança para a vingança por um dia parte relevante da população ter pensado que poderia ser alguma coisa além do que é: pobre. Isto é ódio. De braços dados, direita liberal (sim, vocês são culpados), fascistas e conservadores trabalham de forma acelerada para transformarem o Brasil em um enorme rincão fundamentalista cristão de castas, cravado no extremo Ocidente. Um grande Iêmen sul-americano de Cristo, que de Cristo mesmo não terá nada, assim como poucos do outro lado tem de Alá; um lugar estranho para o mundo e para nós mesmos, uma aberração. O Brasil está se desfigurando. Vamos deixar?

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Cada um tem o cachorro que merece


Somos um país para a mão de obra barata e escrava


Não existe mais dúvida nenhuma. Está tudo muito claro. Todos os objetivos foram alcançados. Somos um país para a mão de obra barata e escrava, que trabalha para alguém que não somos nós. Um país para se usar. E se a arte, a saúde e a educação atrapalham, pois embelezam a vida, aprofundam a liberdade da alma, ou dignificam o ser, que sejam sufocados: Bastante futebol pra eles!!!!! Ou então: Manda rezar!!!!!!

É assim que estamos. Pelo fio de voz que me resta, professo ainda poesia, lamento as vidas perdidas e choro, baixinho, pelas crianças.


PS - Se eu fosse um índio não faria contato. É a morte certa.

PF descobre que Aécio e Gilmar Mendes fizeram 33 ligações por WhatsApp em dois meses

EXCLUSIVO: PF descobre que Aécio e Gilmar Mendes fizeram 33 ligações por WhatsApp em dois meses

Relatório da PF aponta que uma das ligações ocorreu no mesmo dia em que Gilmar Mendes deu decisão favorável ao senador. Tucano disse que mantém relação institucional com o ministro.


Repórter do BuzzFeed News, Brasil

Relatório da Polícia Federal aponta que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, fizeram 33 ligações entre março e maio de 2017, período que o tucano passou a ser investigado pela suspeita de receber propina da JBS e alvo de uma operação da PF.

O relatório foi anexado a um dos processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal sem sigilo e que tem como parte Aécio, sob a relatoria do ministro Edson Fachin.

Gilmar Mendes é relator de quatro inquéritos que investigam o senador. Todas essas ligações — de 16 de março a 13 de maio — foram feitas pelo WhatsApp, aplicativo que, até onde se sabe, é capaz de realizar conversas imunes aos grampos da PF. Aécio, aliás, chegou a ser interceptado pela PF em ligações normais, via operadora telefônica, durante a investigação. Uma dessas conversas foi justamente com Gilmar Mendes, para tratar de uma votação no Senado.

Essas 33 ligações e tentativas de ligações feitas via WhatsApp, contudo, não foram interceptadas pela Polícia Federal. Como também não houve gravação na memória interna do celular de Aécio, não foi possível saber o conteúdo das conversas.

A PF descobriu essas ligações a partir da análise dos celulares apreendidos com Aécio Neves na operação Patmos, realizada no dia 18 de maio.


Mas uma delas chamou atenção dos investigadores. Foi no dia em que Gilmar Mendes deu uma decisão favorável a Aécio. Por ordem do ministro, o senador não precisou prestar depoimento à PF no dia seguinte.

No dia da decisão, os registros do celular de Aécio apontam cinco tentativas de ligação e uma conversa de 24 segundos. A defesa de Aécio nega que o senador tenha tratado do assunto diretamente com o ministro. Assim a PF resumiu:


A PF não faz juízo de valor, uma vez que não teve acesso ao conteúdo das conversas. Mas deixa clara a relação entre o ministro, na condição de relator de inquéritos, e de Aécio, como investigado.


Durante o período em que Aécio foi efetivamente grampeado, apenas uma ligação entre o tucano e o ministro foi captada. Era para tratar do voto de um colega de Aécio no Senado.



Em nota, o advogado de Aécio, Alberto Zacharias Toron, disse que o senador mantém relações formais e que as conversas foram sobre reforma política.

"O senador Aécio Neves mantém relações formais com o ministro Gilmar Mendes e, como presidente nacional do PSDB, manteve contados com o ministro, presidente do TSE, para tratar de questões relativas à reforma política. Ressalte-se que pouco mais da metade das ligações citadas foram completadas, conforme consta do relatório da PF. Ocorreram também reuniões públicas para tratar do tema, com a presença do presidente da Câmara e presidentes de outros partidos. O senador Aécio é autor de uma das propostas aprovadas no âmbito da reforma política.

A decisão do Ministro Gilmar Mendes que suspendeu a oitiva do Senador foi resultado de petição protocolada pelos advogados do Senador, de acordo com a súmula 14 do STF.

Tal decisão encontra-se em harmonia com a pacífica orientação do STF e vai na linha de inúmeras outras decisões de outros ministros no mesmo sentido. Essa questão foi tratada pelos advogados junto ao tribunal, não tendo sido objeto de contato do senador com o ministro. A oitiva foi realizada poucos dias depois".

Este texto será atualizado com a posição do ministro Gilmar Mendes, assim que houver.

PowerPoint nos torna estúpidos?


O programa Excel produz “cabeças de planilha”. E o PowerPoint produz o quê? Uma pequena amostra foi dada na delação-show protagonizada pelo procurador Deltan Dallagnol ao dizer: “provas são fragmentos da realidade que geram convicção”. O PowerPoint invadiu a estrutura mental, de decisão e compreensão da realidade. A princípio, qualquer coisa pode ser “bullet-izabel” (“itemizável”). É a pré-formatação da realidade, uma verdadeira estrutura de decomposição do real. Tão fragmentadas e genéricas como as supostas provas contra o “general do maior esquema de corrupção da História”. O PowerPoint se expandiu a todos os setores da sociedade, das empresas ao Estado e à escola onde alunos vão deslizando o olhar por tópicos através dos quais o efeito de conhecimento se confunde com o próprio conhecimento. Cria a linguagem powerpointiana: ilusão, simplificação, distração e anestesia.
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Um dos clichês da criatividade é “pensar fora da casinha”. Tão valorizado pelo atual ideário meritocrático (“fazer a diferença” etc.) é paradoxal que, ao mesmo tempo, o mundo fale para pessoas enredadas numa imensa tigela de espaguete mental de setas, balões, linhas e bullets de uma linguagem que foi além da orwelliana. Agora é powerpointiana.

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Leia o artigo completo em CINEMA SECRETO: CINEGNOSE

Padre interrompe missa ao notar presença de Lula


Notícia falsa sobre expulsão de Lula de missa circula na internet
Da Veja (sic), através do DCM:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue como um dos alvos preferidos dos criadores de boatos da internet brasileira. Depois de duas notícias falsas sobre agressões ao petista em restaurantes, ambas desmentidas pelo Me engana que eu posto, os especialistas em propagar mentiras online inovaram. O cenário da mais recente lorota do gênero envolvendo Lula é uma igreja e o responsável por desancá-lo publicamente teria sido um padre. “Padre interrompe missa ao notar presença de Lula ‘Na minha igreja não entra bandido’”, é o título do boato.

O responsável pela notícia falsa, compartilhada cerca de 65.000 vezes em redes sociais e no WhatsApp, é o site Sociedade Oculta, notório pelas mentiras que publica.

Há três características que não deixam dúvidas sobre a falsidade da notícia. A primeira a ser notada, como o Me engana que eu posto frequentemente alerta, é a quantidade de erros no texto. O autor do boato despreza a vírgula e faltou às aulas sobre o uso da crase. Uma reportagem com credibilidade não seria publicada com tantos equívocos.

Os outros dois pontos a serem notados pelo leitor são a imprecisão da informação e a falta da notícia em veículos de comunicação confiáveis. O texto não informa onde a suposta missa teria acontecido, não menciona o sobrenome de “Padre José” e nem a paróquia pela qual ele é responsável. Caso Lula tivesse mesmo passado por tal infortúnio durante uma celebração religiosa, ademais, certamente não faltariam registros dele em sites de revistas e jornais e em emissoras de TV.

Meritocracia e Justiça





Raquel Dodge x Michel Temer (1° Round)

Claudio Guedes


No ofício que encaminhou ao Ministério do Trabalho (MT) a recomendação da PGR de revogação da portaria que trata da fiscalização do trabalho escravo ou em condições degradantes, a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, afirma:

"Acrescento que o trabalho escravo viola a dignidade e não apenas a liberdade da pessoa humana. É por esta razão que, ao adotar o conceito de trabalho escravo restrito à proteção da liberdade e não da dignidade humana, a portaria n° 1129 fere a Constituição [...]. Por isso, esta portaria implica retrocesso nas garantias básicas da dignidade humana estabelecidas na política pública anterior (princípio da proibição de retrocesso)."

Posição justa e corajosa da PGR, que manda um claro recado ao presidente: não pense que ficaremos calados e inerte aos retrocessos das garantias e direitos da Carta Constitucional de 1988.
A PGR deu um prazo de 10 (dez) dias para revogação da portaria pelo (des) governo do presidente oportunista e corrupto.

Vamos acompanhar!

P.S. Se este é o cartão de visita da nova PGR, podemos saudar como um bom começo. As mulheres brasileiras sempre surpreendendo ... se mostram mais sensíveis e corajosas do que a maioria dos homens no serviço público!

Tem que manter isso


Kakistocracia


Ricardo Costa de Oliveira 

Kakistocracia é o conceito mundial do momento. Kakistocracia significa o governo dos piores, dos maus, perversos, vis, sujos, rasteiros e nocivos. Kakistos é o superlativo de Kakos, este conjunto de termos extremamente negativos e sórdidos. Ainda pensamos com os léxicos gregos clássicos, ainda bem que temos a democracia e a política na arena de lutas. O filósofo Michelangelo Bovero já alertava no começo do século XXI, depois da empulhação italiana das "Mãos Limpas" resultando no governo dos mais corruptos e criminosos, com um farsante tipo Berlusconi, no livro "Contra O Governo dos Piores: Uma Gramática da Democracia". No Brasil só é pior devido ao nosso nepotismo e nossa imensa histórica desigualdade social. A farsa a jato é um produto da nossa justiça elitista, oligárquico-familiar e de classe alta, um produto político da mesma classe social com origem nas famílias da alta burocracia, gente do poder e com apoio da mídia oligárquico-familiar, grupos que sempre controlaram a maior parte dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Agora nos condenam à plena Kakistocracia do desgoverno de Temer, com as três características apresentadas no livro: Governo com oligarquia, tirania e demagogia. Temer é o nosso Berlusconi advindo da farsa a jato, tal como na Itália foi o charlatão Berlusconi. O problema para a hegemonia oligárquica da classe dominante é que pela democracia não conseguirão manter a Kakistocracia deles. O destino do Brasil por muitos anos se definirá no ano que vem na luta pela democracia e pelas eleições. Democracia Popular contra a Kakistocracia golpista.

Portaria assinada por Temer é indigna, desumana e envergonha o Brasil perante o mundo civilizado

Dilma Rousseff 

SÓ FALTA REVOGAR A LEI ÁUREA

Manifesto meu total apoio ao movimento dos profissionais da área de fiscalização do Ministério do Trabalho que estão entrando em greve em todo o o país para protestar contra a portaria do governo Temer que tornou o Brasil tolerante e leniente com a exploração do trabalho análogo à escravidão.

A portaria assinada pelo governo Temer é indigna, desumana e envergonha o Brasil perante o mundo civilizado.

Para obter votos no Congresso que salvem sua pele das acusações de corrupção, o presidente golpista se rende ao que há de pior e mais retrógrado, subordinando-se a empresários atrasados, egoistas e responsáveis por práticas de trabalho escravagistas.

Segundo a portaria com a qual o governo tenta comprar no Congresso o apoio de representantes mais atrasados do setor ruralista, o trabalho em condições análogas à da escravidão só será caracterizado se houver restrição ao direito de ir e vir, pouco importando se o empregado está sendo submetido a condições de trabalho degradantes, a maus tratos e ao descumprimento de direitos trabalhistas fundamentais. 

Além disso, a nova regra decide que a chamada “lista suja” que denuncia os empresários que se aproveitam de trabalho escravo só será tornada pública com autorização do Ministro do Trabalho, o que hoje é feito por rotina da área técnica.

A portaria do golpista Michel Temer protege e esconde atos criminosos, já condenados em sentenças do Supremo Tribunal Federal, e legaliza práticas abjetas que já muitas décadas são tratadas no Brasil como crimes contra a dignidade do trabalhador.

Trata-se de mais um retrocesso civilizatório que apenas o golpe parlamentar cometido no ano passado pode sustentar e que jamais seria sequer cogitado sob um governo legitimado pelo voto. 

Quanto falta para que o governo golpista resolva revogar a Lei Áurea para adquirir mais alguns votos no Congresso?

Usado em três julgamentos recentes, voto de Minerva é uma excrescência

Janio de Freitas

A decisão de tornar mais difíceis a caracterização e a punição do trabalho semiescravo ou análogo à escravidão origina-se em um desprezo sórdido pelo sofrimento alheio, pela própria desgraça humana. Não foi o suficiente para dispensar um agravante: esse ato de torpeza absoluta é em benefício próprio, comprovando uma indignidade pessoal só possível no mais baixo nível da escala humana. O de Michel Temer e sua decisão para assegurar-se mais votos da bancada ruralista, contra o processo criminal que o ameaça.


ELA E ELE

A ministra Cármen Lúcia, tudo indica, foi a personagem mais citada pelos revoltados com a volta de Aécio Neves ao Senado. O "cala a boca já morreu" dos senadores não precisou omitir o complemento, como o de Cármen Lúcia, que pressentidamente omitiu em voto passado o "quem manda aqui sou eu". Até prova em contrário, se houver quem a dê, manda o Senado. Sejam quais forem as deduções que o Supremo faça da sua experiência de emudecido por 44 senadores, é improvável que aborde, mesmo de raspão, um ponto essencial no presente episódio.

Dentre os desencontros do Brasil atual, o dos magistrados tem a importância própria da função. Os desempates e quase empates tornam-se mais frequentes e incidem sobre causas de relevância especial, nas circunstâncias de divergência generalizada. O voto de Minerva —essa deusa esquisita, adaptação romana da grega Atena, com atenções contraditórias nas artes e no comércio— teve adoção recente em três julgamentos de temas influentes na vida nacional. Dois deles, só na primeira quinzena deste mês.

Por 6 a 5, portanto com o voto de Minerva de Cármen Lúcia, o Supremo tomou a polêmica decisão de ampliar o alcance da Lei da Ficha Limpa. Incluiu no impedimento de candidaturas atos anteriores à lei, quando se tem como princípio do direito brasileiro, e não só dele, que a lei não retroage. Essa decisão tem influência grande na preparação partidária de eleições, em reeleições parlamentares e em candidaturas novas.

No Tribunal Superior Eleitoral, os trabalhos e discussões em torno da última campanha de Dilma-Temer atravessaram dois anos. Duas nomeações de ministros novos, feitas por Temer, levaram com facilidade ao empate. Logo, ao voto de Minerva. De quem? Gilmar Mendes, de posição já conhecida por entrevistas suas, como pela apontada assessoria a Temer.

Agora, com novo 6 a 5, resultado do voto de Minerva outra vez de Cármen Lúcia, acrescenta-se à crise mais um tempero forte, com a oposição Senado/Supremo. É insensato que causas assim graves sejam decididas por um voto. O de Minerva é multimilenar, sendo o nome latino de um voto no que teria sido o primeiro julgamento formal —de um Orestes com menos sorte do que o enriquecido homônimo paulista. Mas o tempo não é habeas corpus contra reflexões e reconsiderações.

Já feitas, por sinal, onde menos seriam esperáveis. Levantamentos recentes sobre os grupos de Fernandinho Beira-mar, Nem, Marcola e outros têm impressionado por sua organização, mas, sobretudo, pela inteligência e criatividade nela presentes. Decisões maiores (e julgamentos em certos casos), por exemplo, são definidas por conjunto de opiniões. Número ímpar de opinantes, portanto, para o eventual voto de Minerva. Não, não. Número par. Por uma percepção extraordinária: se há empate, o assunto não está em ponto de decisão, precisa ser estudado outra vez. Tão lógico, tão simples, tão verdadeiro. E tão forte para derrubar uma pretensa sabedoria histórica.

O voto de Minerva é uma excrescência: assume o poder de decisão absoluto, na invalidade mútua de todos os demais, não importam o saber, a lucidez e a integridade de quem decide. Ainda antes da era falsamente cristã, o persa Cambises preocupou-se com julgamentos inconvincentes. Ocorrido mais um, demitiu o juiz, que desapareceu. Ao assumir, o substituto recebeu uma informação: o seu assento está forrado com a pele do juiz que errou.

A solução talvez seja um pouco exagerada, mesmo para estes dias de furiosos. Mas Minerva, com tantos anos e culpas nas costas, precisa descansar.

Soylent Green


Os ricos também sofrem


O fascismo liberal

Fernando Horta

Quando você diz que a pobreza no mundo está aumentando os libero-fascistas dizem que é porque as mulheres pobres têm muitos filhos. Assim a pobreza aumenta. A causa da pobreza é o pobre.

Certamente (para eles), não é o fato de que 20% da população mundial detém 96% da riqueza em um sistema de acumulação de riqueza como é o capitalismo predatório. E aqui a causa da pobreza é o rico concentrador de renda.

Na visão dos nossos proto-fascistas, acumular riqueza é normal e não deve ser questionado. Já ter filhos é uma aberração e deve-se coibir.


Aecitrix

Alves


Quem nasceu Temer jamais será Lula


Brasil 2017


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Quadrilha


Renan que amava Romero que amava Michel que amava Fernando que amava Zezé que amava Edison que amava Cássio que amava
Jader amava Tasso que amava Ivo que amava Hélio que amava Raimundo que amava Simone que amava Omar que amava
Marta amava Roberto que amava Jose que amava tanto que amava a filha que amava Aécio que amava toda a quadrilha

A entrevista de Sérgio Moro à GloboNews


A parte mais interessante da entrevista do juiz Sergio Moro à GloboNews é quando ele diz que foi ver o filme sobre a Lava-Jato e esclarece, sem que o repórter pergunte, que não comeu pipoca.

Sergio Moro é muito engraçado. Ele parece um personagem de desenho que foi mal dublado. Mas se fosse uma figura de desenho, ele nunca seria o personagem principal, seria o amigo do protagonista.


Moro parece o amigo do Dallagnol, mesmo que Dallagnol também pareça apenas o amigo do japonês da Federal.

O discurso fajuto de Ciro Gomes


Luis Felipe Miguel

Ciro Gomes é um cabra inteligente, capaz, não há dúvida disso. Não me inspira confiança, nem por sua história, nem por suas conexões, nem por sua retórica. Mas o que me impede de sequer considerá-lo como opção para a presidência é sua insistência em dizer que Lula não deve ser candidato porque "passionaliza" o debate e "radicaliza a divisão da sociedade".

Quer dizer que é Lula quem impede que tenhamos, nas eleições, um debate sereno e racional de ideias? Mas não foram os adversários de Lula que "passionalizaram" suas bases contra o ex-presidente, fazendo dele uma encarnação de Satã? Por que Lula deve ser punido por ter sofrido a campanha de perseguição que sofreu e ainda sofre? E, por outro lado: a política que nós queremos é mesmo feita sem paixão?

A outra parte do argumento de Ciro é pior ainda. Parece o mantra mebelístico de que "o PT criou a luta de classes". As divisões na sociedade brasileira nascem de nossa estrutura absurdamente injusta, da violência de nossas desigualdades, não da ação de um ou outro líder político. Lula, aliás, chegou ao poder em sua versão mais conciliadora e, se podemos acusá-lo de alguma coisa, é de ter se dedicado demasiado a apaziguar os conflitos e a evitar os enfrentamentos.

No momento atual, todo democrata tem que defender com intransigência o direito de Lula a se candidatar, sem "mas" e sem "porém". Votando ou não votando nele. Com esse discurso fajuto, de querer cercear a candidatura de Lula em nome de uma pretensa transcendência dos conflitos, Ciro Gomes veste a fantasia que ele mais critica em seus desafetos: a do oportunista político.

Festa de Aécio virou a noite


Recado pra juventude pós-moderna



Tenho visto vocês usando expressões "pejorativas", do tipo "esquerdo macho", "branquice" e "hétero cis" como se fossem aberrações. Mas sejamos didáticos pra vocês não se perderem na "liquidez" de suas "bolhas sociais". Homem não é sinônimo de machismo, branco não é o mesmo que racismo e hétero não é necessariamente homofóbico, ora bolas! 

Tenham em mente que para os 8 bilionários que têm metade da riqueza mundial, tanto faz o que você tem nas pernas, a cor da sua pele ou com quem você dorme. Para eles importa que os governos imponham políticas de austeridade, privatizem empresas para eles comprarem e mantenham vocês entretidos com a Mulher Maravilha. Para eles, vocês jamais devem acreditar que são TRABALHADORES e BRASILEIROS, mas indivíduos consumidores em um determinado nicho de mercado. Portanto, enquanto vocês continuarem sustentando a crença de que o problema do mundo é o "homem branco hétero" que está do seu lado, o "homem branco hétero" que está Clube de Bilderberg ri por que é você quem consome "produtos femininos para cabelos cacheados com brilho de purpurina". 

Se liga, juventude e aprendam a ter consciência de classe e nacional. De classe por que a história não acabou, enquanto houver ricos e pobres. Nacional, por que o inimigo principal continua sendo o imperialismo. As identidades são importantes, mas elas veem depois!

Omertà institucional



Além de salvar Aécio, o Senado passou uma forte mensagem para a Nação: Em épocas de fácil reprodutibilidade de aparelhos e gadgets, que nenhuma "pessoa qualquer ou comum", por mais importantes e ricos que sejam, tipo os novos ricos caipiras Joesley-Wesley Batista & Cias, jornalistas investigativos, cientistas sociais, dissidentes políticos, que ninguém jamais ouse tentar gravar, fotografar, rastrear ou denunciar nenhum parlamentar principal do nepotismo porque o "interesse de classe", o "espírito de corpo e de família", "a omertà institucional" jamais aceitarão ou permitirão a queda de um dos seus membros pertencentes ao núcleo duro.

Vai se ferrar quem denunciar qualquer esquema como os irmãos Batista se ferraram, e como denunciantes da grossa corrupção é que acabaram presos e os poderosos denunciados gravados (Temer, Rocha Loures, Aécio e familiares) seguem livres e soltos, para continuarem fazendo o que melhor sabem fazer, que é roubar e mandar familiarmente na República de Bananas.

Qualquer um que estudou minimamente o legislativo brasileiro, federal, estadual e municipal, nos últimos 50 anos sabe dos seus códigos, práticas e relações essenciais na economia política informal de várias atividades criminosas, narcotráfico, contrabando de mercadorias, armas, prostituição, venda de proteções, venda de licitações, desvio de orçamentos, tráfico de influências, subcontratações, superfaturamentos, cobrar pedágios de assessores e de comissionados a cargos políticos indicados, bem como as conhecidas formas variadas de extorsões organizadas, tudo junto com empresários privados ainda mais corruptos, sacanas e vorazes.

Tudo dentro da Constituição


Debiloides nazistas do MBL confundem disco do Pink Floyd com bandeira LGBT


Cidadãos de bem atacam Polenguinho confundindo homenagem ao Pink Floyd com arco íris LGBT
DCM

Em mais uma prova de que a imbecilidade não tem mais freios no Brasil, seguidores do MBL estão atacando o Polenguinho por fazer “apologia da ideologia de gênero”.

Isso porque a marca homenageou no Facebook a capa do disco do Pink Floyd, The Dark Side of The Moon, com o famoso prisma (veja abaixo). Centenas de indigentes viram um arco íris LGBT. É sério.

Os autores da campanha tiveram que se explicar:

Disclaimer (sic): Nossa equipe criativa teve como inspiração a capa do álbum The Dark Side of The Moon, da banda Pink Floyd, para “brincar” com o conceito de fominha, tão utilizado quando o assunto é Polenguinho. Prezamos pela paz, pelo respeito e pela igualdade em nossa comunidade aqui. Embora não tenhamos feito alusão ao movimento LGBT+, temos máximo respeito pela causa. Contamos com todos que adoram o queijinho mais querido do Brasil desde mil novecentos e bolinha para fomentar uma comunicação afetuosa e fluída por aqui! Obrigado. 

Pode fechar a tampa que o Brasil acabou.


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Mais gayzismo i cumunismu:




A Suprema Desmoralização


Moisés Mendes


O que ficou provado na sessão de ontem do Senado? Que a Justiça só alcança a esquerda, de preferência o PT. E que a direita é favorecida pelas vacilações e pela seletividade da Justiça, desde a primeira instância até a mais alta Corte do país.

Quando é para pegar um capo da direita, o Supremo inventa uma gambiarra, como inventou para Aécio Neves na mais constrangedora sessão do STF em todos os tempos. Ah, mas pegaram Cunha e Geddel. Pegam galinhas mortas, porque não há como não pegar.

Ontem, os senadores se esbaldaram desqualificando o Supremo. E a farra aconteceu porque a direita se adonou da política e da Justiça. As gangues das malas são donas do Brasil.

Pelo menos 19 investigados ou processados por corrupção atacaram o Supremo ontem, cada um a seu modo. O Supremo recebeu o troco que merece. Por ter permitido que Eduardo Cunha levasse até o fim a trama contra Dilma, por ter comandado a sessão do Senado do golpe de 31 de agosto do ano passado e por ter protagonizado a manobra que acabou por salvar Aécio.

O Supremo é a instituição mais desmoralizada de todas as instituições envolvidas ou omissas diante do golpe e seus desdobramentos. O Supremo avaliza a impunidade da direita e a articulação do novo golpe que vem aí.

Carreira garantida


A moralidade cristã faz da nossa população um bando de hipócritas compulsivos

Dalvinha Brandão

O moralismo cria o contexto perfeito para o abuso sexual de crianças. Não é a nudez. Não precisa de gente pelada para haver abuso. Precisa da intenção de abusar, pode acontecer de roupa.

Uma amiga foi abusada pelo tio. Ela era pequena, o tio colocava ela no colo, na sala, diante da família toda. Ficava de pau duro, se esfregando nela. Um dia ela foi fazer uma pergunta pra mãe sobre isso. Levou um tapa na cara. A família toda muito religiosa.

O Brasil, país majoritariamente cristão e extremamente conservador, tem um dos maiores índices de abusos de crianças no mundo. Não é por acaso. A moralidade cristã faz da nossa população um bando de hipócritas compulsivos. O cristianismo é uma holding especializada em criar pecados e vender perdões. Como a máfia italiana - a propósito, muito devota - eles cobram pra proteger a população deles mesmos. Não venham culpar a performance. Não venham culpar o funk. Não venham culpar a arte. O Brasil cristão sempre gostou, e muito, de estuprar criancinhas. E sempre detestou ser lembrado disso. Se a arte faz alguma coisa é criar um plano de escape dessa moral venenosa.

Se alguém resolvesse seguir à risca as regras que o cristianismo impõe, não poderia viver em sociedade. Todo mundo sabe que não é viável. Mas o sistema que eles criaram é bem inteligente: não é viável, ninguém consegue, e é assim que as igrejas lucram. Dando culpa e vendendo conforto, dando culpa e vendendo conforto, como se fosse crack. Todo mundo faz, todo mundo finge que não viu o seu, todo mundo fica espionando os outros, todo mundo fica com medo de ir pro inferno, todo mundo precisa da igreja pra ser salvo, todo mundo fica aliviado, todo mundo começa a pecar de novo.

Há poucos meses um grupo de pais saiu às ruas de Rondônia querendo proibir um livro didático. O livro era de ciências. O motivo era uma ilustração de um pênis, no capítulo onde se tratava do aparelho reprodutivo. Uma das mães entrevistadas alegou que a ilustração era muito "avançada para a faixa etária do filho". Qual era a faixa etária? Chutem. 4? 5 anos de idade? Não, gente, 13. O filho dela tinha 13 anos e o livro era voltado ao 8º ano do ensino fundamental.

Agora, digamos que uma criança como esse menino sofresse um abuso - torço pra que não, embora as estatísticas concorram pra isso - como ele poderia contar isso pra uma bosta de mãe dessas, que prefere se convencer de que seu filho de 13 anos não sabe que tem pênis do que lidar com a realidade? É assim que os abusos se perpetuam. Pela moralidade. Essa moralidade torta, doente, autopunitiva, mentirosa, hipócrita, que encontra um prazer doloroso na culpa e na vigília dos pecados alheios.

Cada vez que eu vejo um comentário "em defesa das nossas crianças" eu tenho vontade de ir lá e chutar a boca da pessoa pessoalmente. Os brasileiros estão pouco se importando "as nossas crianças". Quando duas meninas são estupradas por oito homens adultos na Bahia, são chamadas de vagabundas e ameçadas até terem que mudar de cidade. Quando políticos administram redes de prostituição e tráfico infantil, se reelegem, são condenados e descondenados, ficam soltos. Quando os casos acontecem nas suas famílias, ficam em silêncio, preferem não falar nada. E se as crianças forem indígenas, pretas, pobres, nas periferias das cidades, são até capazes de dar uma risadinha safada. São uns bostas.

Falam "deixem as nossas crianças", "deixem as crianças serem crianças", "não falem de homossexualidade com as nossas crianças", "não deixem as nossas crianças saberem que corpo existe", "tirem sua arte de perto das nossas crianças". E largam as crianças ignorantes, sem saber de nada, reprimidas, com medo de si mesmas, de tudo, sem coragem de perguntar nada, de falar nada, vulneráveis. Fazem filhos por obrigação, não cumprem com a responsabilidade de entender e conversar com os filhos, não querem que ninguém converse, porque são preguiçosos demais pra lidar com isso. São uns bostas. Uns bostas que acham que as crianças são propriedade deles. Não mexam com os nossos impostos, não mexam com as nossas crianças. Pra eles é a mesma coisa, propriedade.

Tive uma babá que engravidou aos 16. O cara tinha uns 30 e poucos, era primo dela. Ela cuidava de mim quando eu tinha uns nove, oito anos. Falava de sexo o dia inteiro, sem parar. Sabia todas as piadas mais sujas, trazia as revistas pornográficas dos irmãos dela pra me mostrar. A gente ficava lendo os contos eróticos. Só que nem eu nem ela conseguíamos entender nada daquilo direito. A gente achava que pinto era oco, não conseguia entender direito onde entrava, achava que entrava por um buraco e saía por outro. Não tinha ninguém pra explicar. E nenhum dos dois fazia nenhuma relação entre aquilo e gravidez. Quando ela engravidou já não trabalhava mais lá em casa. Uns meses depois que o bebê nasceu encontrei com ela na rua. Ela me contou que foi descobrir só com sete meses. Achava que era verme. Mas não entendia como tinha acontecido. Não sabia que o cara fazer xixi dentro dela engravidava. Obviamente o cara sumiu da cidade, ela ficou com o bebê sozinha. Se tivesse abortado, seria chamada de assassina.

Uma menina de nove anos era estuprada pelo padrasto. Ficou grávida, de gêmeos. Uma menina de nove anos, pesando pouco mais de 30kg, grávida de gêmeos. O que os nossos bons cristãos, nossas famílias de bem fizeram? Se mobilizaram? Se mobilizaram sim, pra acabar com a vida da menina. Quando ela foi ao hospital abortar, amparada pela mãe e pelas duas situações legais em que o procedimento é permitido - gravidez decorrente de estupro E com risco de vida à gestante - estavam lá as nossas boas famílias, protestando, querendo impedir. Querendo fazer uma menina de nove anos levar até o final uma gravidez de risco, decorrente de um estupro, mesmo que ela morresse, porque aborto é assassinato. Assassinos são eles. E estupradores. E porcos. Como foi porco aquele pedaço de esterco mofado chamado Dom José Cardoso Sobrinho, Arcebispo do Recife, cuja única iniciativa diante do ocorrido foi pedir a excomunhão de todos os integrantes da equipe médica. Oferecer uma ajuda, um dinheiro? Se inteirar da situação? Criar um fundo pra beneficiar crianças vítimas de abuso? Nã-não. Excomunhão. É essa a contribuição que ele pode fornecer. E ainda tá vivo o desgraçado. Que morra com muita dor. Muita. São meus votos. Pra ele e pra cada um dos bandidos que foi pra frente daquele hospital protestar.

Agora eu não tenho dó de moralista. Não tenho um pingo de afeto. Se a gente quer dividir o mundo entre cidadãos de bem e degenerados, já escolhi o meu lado faz tempo. Ou escolheram pra mim, porque eu nunca ia aguentar aquele perfume barato de hipocrisia e desodorante masculino. Não quero conciliação com essa gente, quero guerra, quero treta. Quero estar nos pesadelos deles. Onde eu puder e onde eu estiver, vai ter guerra. Seja simbólica, seja jurídica, seja na porrada. Não vão ganhar, não têm a menor chance, porque são imbecis.

Aécio ganhou, o STF perdeu


Bernardo Mello Franco

"O senador João Alberto cancelou uma cirurgia. O senador Romero Jucá teve arrancada metade das tripas e está aqui firme". Renan Calheiros era só orgulho ao exaltar a bravura dos colegas. Valia até fugir do hospital para ajudar a salvar o mandato de Aécio Neves.

A votação desta terça-feira não definiria só o futuro do tucano. Estava em jogo todo o esforço para estancar a sangria provocada pela Lava Jato. "Com o Supremo, com tudo", como profetizou Jucá, antecipando o julgamento da semana passada.

O tribunal se curvou à pressão dos políticos. O Senado aproveitou o recuo e avançou na guerra contra as investigações. "Não é se deixando subjugar por parte da opinião pública, da imprensa, que nós vamos fazer justiça neste país", discursou o destripado líder do governo.

Jucá falava em nome da corporação e do chefe. Michel Temer também suou a camisa nas articulações a favor de Aécio. O presidente e o senador mineiro firmaram um pacto pela sobrevivência. Um ajuda o outro na luta para enfrentar o Ministério Público e continuar no poder.

Encorajados pelo Planalto, os senadores decidiram desafiar a primeira turma do Supremo. A esperança na salvação venceu o medo da opinião pública. Por 44 a 26, o plenário devolveu a Aécio o mandato e o direito de circular na noite de Brasília.

O triunfo do tucano é uma derrota para o Supremo, que sai do episódio ainda mais arranhado. Ao abrir mão de dar a última palavra, a corte acirrou sua divisão interna e reforçou a imagem de que passou a colaborar com um "grande acordo nacional".

Desgastado, o tribunal apanhou até de quem votou contra Aécio. O ex-tucano Álvaro Dias criticou a "constrangida mudança de opinião" dos ministros. A presidente Cármen Lúcia, que garantiu a salvação do senador mineiro, teve que dormir com um elogio de Jader Barbalho. "Tenho que cumprimentar essa mulher, que merece todas as nossas reverências", exaltou o peemedebista.

A derrota da Globo


Moisés Mendes


O grande debate interno na Globo não é sobre a audiência das novelas. É sobre o fracasso do esforço global para derrubar o jaburu-da-mala e Aécio.

As esquerdas quase que desistiram de discutir a inconsequência dos seus discursos e das suas tentativas de ação. As esquerdas não derrubam nem síndico. Mas a Globo deve estar debatendo todos dias a incapacidade de derrubar o jaburu.

Por que a Globo bate todos dias de forma implacável no jaburu e no Quadrilhão e não consegue derrubar os golpistas que eram seus aliados? Por que a Globo fez todos os esforços nos últimos dias para acabar com Aécio e não conseguiu?

As esquerdas falharam, os estudantes se recolheram, a classe média se encaramujou e o povo está hibernando, mas porque a Globo falha?

Será que o povo, de quem a Globo também depende para levar adiante seu plano, sabe que a Globo está armando o próximo golpe com Rodrigo Maia, ou com Henrique Meirelles, ou com qualquer um que impeça a realização de eleição em 2018?

O que se sabe é que a direita organizada, a direita dos raposões do PMDB e do PSDB, com a ajuda do baixo clero do Congresso, desplugou-se da casa dos Marinho. Essa direita salvou Aécio agora para salvar o jaburu amanhã.

A Globo perderá de novo na votação da segunda denúncia contra o jaburu. E a goleada será maior do que na primeira votação no início de agosto. A Globo já não governa como antes.

Três momentos definidores da destruição da República

Claudio Guedes

Síntese - três momentos definidores da destruição da República

"Alinhando-se ao "atraso", FHC acredita que venceu a esquerda e "neutralizou" a direita. Mas talvez ele tenha neutralizado a direita porque tomou seu lugar - e passou a exercer suas funções."

(Celso Rocha de Barros, na Piauí de outubro de 2017, comentando os Diários da Presidência de FHC)

1. Tenho para mim, com certa clareza, que o primeiro momento definidor do descarrilhar da República, após a redemocratização, se deu quando FHC decidiu comprar a sua reeleição e o custo político dessa opção para a jovem democracia brasileira, ainda buscando se afirmar após o longo período autoritário.

2. O segundo momento, dramático, foi quando FHC cedeu às pressões de Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira e passou a considerar ilegítima a eleição de Dilma Rousseff que, no embate político, com as regras do jogo vigentes, derrotou a dupla tucana nas eleições de 2014. O processo de impeachment e a entrega do país à coalizão conservadora e corrupta que se seguiu foi simples consequência.

3. O terceiro momento, com FHC já neutralizado por seu próprio partido, tem também os tucanos como protagonistas, em particular a dupla Aécio Neves e Aloysio Nunes. A sessão do Senado Federal, na tarde do dia 17/10, que devolveu o pleno mandato ao presidente licenciado do PSDB, flagrado em momento vulgar de corrupção, selou a aliança costurada entre tucanos e a direita patrimonialista, atrasada e corrupta que dirigirá o país nos próximos tempos.

Perdeu-se, por algum tempo, a possibilidade de termos no país uma República, ainda que imperfeita, democrática e com alguma justiça social​.

Tempos amargos à frente.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Parabéns a todos


Marco Antonio Araujo

O que vale, com razão, para senadores corruptos do PT não vale para a oligarquia corrupta tucana.
Aceitem que nossa justiça é seletiva.

E cêis tudo, ó, tão é de parabéns!

Aécio continua sua carreira elogiável

Por Cleyton


No Brasil de hoje, Aécio Neves é um grande vitorioso


Kleber Mendonça Filho

Um Viva e um Parabéns para o eleitor de Aecio Neves. Minha candidata ganhou nas urnas, foi derrubada num Golpe sem ter cometido crime algum. No Brasil de hoje, Aécio Neves é um grande vitorioso.

Número de delinquentes no senado permanece estável


"Se é pra escárnio de todos e esculhambação geral da nação, diga ao povo que Aécio fica."

Fonte

Os cachorros de Temer



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