sábado, 31 de dezembro de 2016

Um feliz 2017 para todos



Abba - Happy New Year

2016, o ano do Diabo


Поздравления с Новым годом, 2017



Alckmin, o Santo da Odebrecht, sabe receber, mas não sabe dar


O problema é que os golpistas esqueceram que o Mundo existe

por Rogério Maestri 

O que teremos nos próximos meses e anos é um realinhamento das forças políticas que colocarão a Rússia e a China com muito mais evidência que o arsenal nuclear russo e a grandeza da economia chinesa os confere no mundo atual.

Putin simplesmente deu um baile na titubeante diplomacia Norte Americana que é mais conduzida por paspalhos como o John Kerry que bate de frente contra diplomatas russos profissionais como Sergey Lavrov que tem uma carreira de mais de quarenta anos na diplomacia.

Se, por exemplo, o absurdo de prender mais de 110 espiões no meio de Aleppo fosse ao contrário do que ocorreu, onde desta centena 11 eram oficiais norte-americanos e outra penca de oficiais da OTAN e de Israel, fosse os Estados Unidos que tivessem feito à apreensão teriam feito um enorme espalhafato com a CNN filmando os espiões. Mas simplesmente Putin e a diplomacia russa segurou o nome da maioria, divulgou somente 11 e colocou a diplomacia ocidental aos seus pés.

Este incidente, que junto com a tentativa frustrada de golpistas pró-ocidentais de derrubar o presidente Turco, simplesmente tirou o protagonismo de Norte-americanos e europeus do conflito sírio. Bloqueados por todos os lados, turco, curdo, libanês e sírio e sem os mercenários da OTAN e dos USA para apoia-los, surpreendentemente a guerra da Síria, que todos imaginavam que iria se eternizar parece estar chegando a um fim.

Vitória inequívoca de Putin e da diplomacia russa, que sabem aguardar e quando precisam, entram para ganhar. Já por outro lado, Obama não consegue nem eleger o seu sucessor.

Pois bem, com a Rússia se firmando no oriente médio, a China mais firme na Ásia e na África como nunca esteve o mundo começa a ficar muito pequeno para os Imperialistas Ocidentais.

Nesta nova estratégia o Brasil enredado com todos os problemas internos e com um ministro das relações exteriores que nem sabe direito quem são os Brics (isto deve ser a gozação internacional), esquece por completo que o mundo existe, talvez mais tanto pelo grau de Alzheimer do Chanceler brasileiro, como pela falta de completa e total visão de mundo que todos os golpistas e oligarcas brasileiros têm.

A ignorância deste governo em relações exteriores vai custar caríssima para o país. Vamos estar no lado errado, com posições erradas e sem a mínima noção nem que estamos deste jeito.

A debilidade real e verdadeiramente mental de todos na Cleptocracia do golpe é tamanha, pois pensam que o estado mais importante dos EUA é a Flórida, simplesmente porque eles estão só acostumados a irem fazer compras neste estado e se divertirem na Disneylândia. Também a Suíça era importante, até descobrirem que há leis naquele país e que a lavanderia suíça está cada vez menos importante no país, agora vão expandir os conhecimentos de geografia, entrando no cardápio algumas ilhas inglesas, por exemplo.

Esta debilidade fará que o Brasil fique atrás de todas e quaisquer negociações, salvo aquelas que o Itamarati consiga afastar os golpistas, mas se tiver dinheiro envolvido vai ser impossível. Com a exclusão das negociações, sem antecipação nenhuma a eventos políticos e econômicos internacionais, vamos ficar correndo depois das oportunidades surgirem e com isto a nossa balança de pagamentos tenderá a cair.

Imagino o que vai ocorrer quando alguém impuser alguma restrição a soja brasileira pelo uso de determinado agrotóxico que estará sendo fabricado no mesmo local de onde partirá a restrição. A Bancada ruralista ou vai vender a soja por um terço do preço, ou vai haver suicídios em grupo do Caiado e seus associados.

Ou seja, um Estado sem uma política que leve em conta os aspectos externos, é fadado ao desastre. Seremos pegos de calças curtas da mesma forma que os espiões e mercenários da OTAN foram pegos na Síria, e como os israelenses fizeram, vamos pagar alguns milhões pela devolução de cada oficial.

Mensagem de Fim de Ano da Presidenta Dilma Rousseff


2016 ficou marcado como o ano em que nossa democracia foi ferida. O golpe não foi contra mim, foi contra milhões de brasileiras e brasileiros que tiveram suas conquistas interrompidas.

Em outros momentos da história, soubemos, com coragem e ousadia, seguir ao lado das mulheres e homens de nosso País. Defendemos as riquezas do Brasil, superamos a miséria e sustentamos o desenvolvimento.

Nosso caminho sempre teve a democracia como ponto de partida e de chegada.

Neste ano que se aproxima devemos resistir ao retrocesso que os golpistas querem impor ao País. Devemos reunir toda nossa energia para lutar pelo futuro, renovando nossa esperança nessa Nação extraordinária e acreditando sempre na força do povo brasileiro.

Desejo ao povo do meu País um 2017 pleno de esperança e de democracia, que sempre será o lado certo da história. Só ela pode garantir que nossas conquistas sejam preservadas e que novos avanços sejam conquistados.

Feliz 2017!

A bravata do pato manco em mais uma provocação contra Putin

Movimento Brasil Agora
por J. Carlos de Assis

Vladmir Putin deve ter nervos de aço. Graças a isso não precisamos temer uma escalada de provocações entre Estados Unidos e Rússia ao ponto de desembocar numa guerra entre as duas potências que, no limite, poderia arrastar o mundo inteiro. Só com muita paciência uma potência nuclear de primeira linha, como a Rússia, dotada também de exército convencional com capacidade tecnológica para enfrentar qualquer adversário, não alimenta o tipo de escalada de provocações que, no passado, levava a grandes conflitos armados.

A probabilidade de 35 russos terem praticado ataques cibernéticos na nação mais avançada tecnologicamente do mundo com o objetivo de prejudicar Hillary Clinton nas eleições é tão alta quanto a de um degelo no polo norte afogar o resto do mundo. Só vassalos vendidos aos norte-americanos quanto William Waack e a equipe de jornalismo da Globo acreditam nisso. Entretanto, manipulando a grande rede de comunicação que patrocina no mundo inteiro, o grupo de Barak Obama promove essa pantomima provocativa.

É claro que o objetivo não é nada trivial. Os neoliberais/neoconservadores que comandam até o momento a geopolítica norte-americana, e que conquistaram para seu lado o prêmio nobel da paz Barak Obama, se esforçam por todos os meios para arrastar a Rússia a um conflito armado com os EUA, preferivelmente fora do território russo, para afastar de uma vez por todas a sombra de uma potência concorrente ao seu destino manifesto de serem donos do mundo. Até o momento, de forma brilhante, Putin tem escapado dessa armadilha.

Pato manco é o nome que os norte-americanos dão aos presidentes em fim de mandato, no período entre a eleição e a posse do sucessor. Em geral, é um período frio no hemisfério norte. Presume-se, do presidente que sai, uma atitude respeitosa com aquele que entra, facilitando o processo de transição. Obama, ao contrário, tem exagerado nas provocações. Tem tomado atitudes em viagem ou dentro dos EUA para tornar a mais desconfortável possível a passagem de comando, tentando levar Trump às cordas.

Imaginem que este foi o presidente que ganhou, na sua entrada, o Prêmio Nobel da Paz e que, no primeiro de seus discursos para o mundo, prometeu, no Egito, engajar-se no propósito de acabar com as armas nucleares. Talvez o ponto de mutação, conforme me lembrou um amigo, foi a molecagem que fez com o presidente Lula e o premiê turco Erdogan em relação ao acordo nuclear com o Irã: depois de estimular esses dois mandatários a mediar o acordo, e depois que eles conseguiram, simplesmente os desautorizou.

O primeiro presidente negro dos Estados Unidos envergonha sua raça com um governo medíocre do ponto de vista internacional. Reconheço que, internamente, ele enfrentou bem a crise iniciada em 2008 e conseguiu reduzir bastante o desemprego. Para fora, que é o que nos interessa, foi um desastre. Seu pior desempenho é em relação à Rússia, uma potência nuclear de primeira linha que tem todo o empenho em conviver bem com os EUA. Por que, então, a teimosia neoconservadora americana  de provocar a Rússia?

Note-se que todos os acordos estratégicos feitos por Gorbachev e Yeltsin para possibilitar a reunificação alemã foram rompidos. A OTAN estabeleceu um cerco crescente em torno da Rússia, expandindo sua presença militar a nove países do Leste Europeu. A Rússia tolerou discretamente, até que os vassalos dos ocidentais tentaram ocupar a Geórgia e a Ucrânia, limítrofes da Rússia. Aí era demais. Putin moveu suas forças para acabar com a dissidência pró-OTAN na Geórgia, favoreceu a virtual divisão da Ucrânia mantendo em sua vizinha a parte russófila e, mestre da estratégia, promoveu a anexação consentida da Crimeia.

O fato é que toda vez que a Rússia se mexeu, reagindo a provocações americanas, ela saiu ganhando. O último ato é o acordo de paz que acaba de ser assinado pelo presidente Assad, da Síria, que a rede Globo, seguindo suas patrocinadoras mentais americanas, insiste em chamar de ditador. Acredito que as provocações vão acabar com a entrada de Trump em cena, numa aliança com Putin para liquidar o Estado Islâmico. O mundo será muito melhor. Depois disso, tenho a impressão de que o prêmio Nobel que Obama ganhou na entrada Trump acabará tomando na saída.

10 decisões mais vergonhosas do judiciário em 2016

Breve ranking de decisões que (mais) fragilizaram o Direito em 2016


Começo perguntando: O que é o Direito? E respondo: quando cada juiz decide que o Direito é do jeito que ele pensa que é, parece-me que um bom conceito de Direito é o de que, em uma democracia, o sistema democrático deve oferecer um critério acerca dos sentidos da lei que sejam publicamente acessíveis, para que, de posse deles, possamos cobrar padrões sociais que sejam vinculantes a todos, sem distinção de raça, cor, sexo, poder etc. Isto é: deve existir um padrão decisório. Isso se chama decisão por princípio. O que não deve existir é um decidir por decidir. Não posso correr sozinho e chegar em segundo lugar. O Judiciário deve ter um mínimo de racionalidade. Os sentidos da lei não são secretos.

Por isso, as decisões devem ser coerentes e íntegras (o que os tribunais fizeram com o artigo 926 do CPC?). Por exemplo: se o TRF-3 diz — corretamente — em uma decisão que clamor social não é motivo para prisão preventiva, tal decisão não pode ser ad hoc. Deve transcender. Outros juízes devem seguir esse padrão. Que, aliás, é o padrão constitucionalmente correto. De há muito o STF já disse que a violência do crime não prende por si, assim como clamor social não é motivo para prender. Mas essa interpretação que o TRF-3 deu ao caso do ex-secretário municipal de São Bernardo do Campo (SP) não pode ser uma loteria ou um achado. Tem de avisar aos demais juízes também, se me entendem o que quero comunicar. E os TRFs devem decidir por princípio. A integridade e coerência devem também ser horizontais. Afinal, há, hoje, dezenas ou centenas (ou milhares) de pessoas presas preventivamente pelo “fundamento” do clamor social. Compreendem o que quero dizer?  

O inimigo da coerência e da integridade é o “decidir por argumentos morais” (e/ou outros argumentos de cunho subjetivo). Como já falei na coluna passada, 2016 foi o ano em que o Direito sucumbiu à moral. Parece que em definitivo. O que quero dizer com isso? Que estou pregando um Direito isento da moral? Óbvio que não. O que quero dizer é que o Direito é que deve filtrar a moral e a política... E não o contrário. Só isso. O que quero dizer é que não é a apreciação moral do juiz ou tribunal que deve corrigir ou torcer o conteúdo mínimo da lei. Há seis hipóteses pelas quais o Judiciário pode deixar de aplicar a lei. Fora disso, é sua obrigação aplicar. Se a lei não é “boa” — ou seja, se a lei não “bate” com o que o juiz pensa —, ele deve mudar de profissão. Ele não é o superego da sociedade nem corretor do parlamento. Nesta última coluna de 2016, trago uma citação da ex-juíza do Tribunal Constitucional alemão Ingeborg Maus:

"Quando a Justiça ascende ela própria à condição de mais alta instância moral da sociedade, passa a escapar de qualquer mecanismo de controle social — controle ao qual normalmente se deve subordinar toda instituição do Estado em uma forma de organização política democrática. No domínio de uma Justiça que contrapõe um Direito "superior", dotado de atributos morais, ao simples direito de outros Poderes do Estado e da sociedade, é notória a regressão a valores pré-democráticos de parâmetros de integração social".

Dá para entender ou vamos fazer uma letra de funk para ser mais palatável? Isso que disse a professora Maus bate com o que eu falei no início da coluna — o conceito de Direito.

Enquanto isso, apresento uma amostragem de decisões ativistas-behavioristas de 2016 que se enquadram na crítica acima:

  • as decisões judiciais que determinaram o bloqueio do WhatsApp;
  • decisão do juiz Sergio Moro, em 16 de março, de divulgar interceptação telefônica de conversa entre a então presidente da República e um ex-presidente; o STF excluiu tais provas, comprovando a tese da ilicitude;
  • o STF fragiliza a presunção da inocência contra expresso texto de lei e da Constituição (e metade da comunidade jurídica acha "bom");
  • "medida excepcional" da Justiça autoriza a polícia a fazer buscas e apreensões coletivas em favela no Rio de Janeiro contra expresso texto legal e constitucional;
  • mesmo após a vigência do novo CPC, o STJ — guardião da legalidade — continua entendendo que nada mudou acerca do dever de fundamentação, como se o artigo 489, parágrafo 1º, com todos seus incisos, fosse “letra morta”. Isso fica claro no trecho da fundamentação dos Embargos de Declaração no MS 21.315-DF, no qual consta que “o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão”;
  • a decisão do STF na ADPF 347, assumindo a tese do Estado de Coisas Inconstitucional (ECI), que não serviu para nada; passado mais de ano, não colocaram um tijolo no sistema (essa decisão é de 2015, mas é como se fosse de 2016);
  • Tribunal de Justiça de São Paulo anulou o julgamento dos 73 policiais condenados pelo massacre do Carandiru. O voto do relator, desembargador Ivo Sartori, foi baseado exclusivamente na sua consciência;
  • a decisão do juiz Sergio Moro que autorizou a condução coercitiva do ex-presidente Lula. Com base nesse caso, a condução coercitiva tem sido autorizada de forma irregular pelo Judiciário. Judiciário legislando;
  • decisão do ministro Barroso em HC que afirmou — com base na ponderação alexiana — não ser crime a interrupção da gestação até o terceiro mês;
  • decisão do TRF-4 que afirmou que a operação "lava jato" não precisaria respeitar as regras de casos comuns por ser uma situação excepcional
  • decisão liminar do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Mandado de Segurança 34.530, determinando "o retorno do Projeto de Lei da Câmara n. 80/2016, em tramitação no Senado Federal, à Casa de Origem", sob fundamentos que intervém perigosamente no processo legislativo;
  • decisão liminar do ministro Marco Aurélio que determinou o afastamento do senador Renan Calheiros da Presidência do Senado, descumprida pelo Senado até decisão do Plenário do STF, que voltou atrás para manter Renan na Presidência, mas fora da linha sucessória. Errada também a decisão que confirmou a liminar em parte.

Há tantas decisões que poderia fazer um Top 100. Por exemplo, a decisão do STJ sobre o pingente pendurado no pescoço, considerado como porte ilegal de munição e o perigo que isso representou para a paz social de Minas Gerais (o STF teve que conceder liminar em HC para terminar com a “bobagem” — sic); no Acre, ação penal fast food — no mesmo dia, houve denúncia, instrução, julgamento e sentença (leia aqui); o caso da indenização de R$ 7 na Bahia fundada no livre convencimento (leia aqui e aqui); o caso da fonte secreta para decretação de prisão no RN (leia aqui); o caso do dono de banca de jornal condenado a mais de sete anos de prisão por ter cometido crime contra a honra de um juiz; o caso do juiz da Infância e Juventude que mandou usar instrumentos de “persuasão” (meu eufemismo para tortura) contra adolescentes que são proibidos até pelo Senado dos EUA; o caso do uso do PowerPoint pelo MPF, que virou meme nas redes (aliás, PowerPoint é moda; os professores já não conseguem ministrar aulas sem “ele”). PowerPoint com efeito vinculante... E a caneta luminosa.

Numa palavra: 2016 foi um ano difícil para o Direito. Apanhou de todos os modos. Foi lanhado. No cotejo com a moral e a política, foi driblado inúmeras vezes. Também a economia tirou lascas do Direito, como nas decisões do STF sobre a tramitação da PEC 55/241. Na verdade, foram poucas as vezes em que o Direito filtrou a moral e a política. No mais das vezes, ocorreu o contrário. O Direito foi buscar lã e sempre voltou tosquiado, como se diz na minha terra.

Em 2016, foram 54 colunas e alguns artigos avulsos. Sempre na mesma trincheira. Buscando coerência e integridade para o Direito. Sei que não é fácil. Acostumamo-nos a ser torcedores. O juiz é bom quando é a nosso favor. Futebolizamos o Direito. Minha cruzada é: “Isto não deve ser assim”. Parafraseando o famoso bordão “Indignai-vos”, lançado pelo ex-combatente francês Stéphane Hessel, lanço o meu, explicitado na coluna da semana passada: “Envergonhai-vos”! Ou “Só a vergonha nos salvará!”.

Por isso, todas as semanas venho aqui para fincar mais uma bandeira, buscando ganhar nem que seja um milímetro do campo de batalha. Um feliz Ano-Novo para todos, inclusive para os que não gostam da coluna. Mas que, eu sei, esperam-na ansiosamente toda quinta-feira, às 8h da manhã.

Saludo!

Lenio Luiz Streck é jurista, professor de Direito Constitucional e pós-doutor em Direito. Sócio do escritório Streck e Trindade Advogados Associados: www.streckadvogados.com.br.

Revista Consultor Jurídico, 29 de dezembro de 2016, 

Snowden


Snowden from Alfredo Leitao on Vimeo.

NO FILME SNOWDEN, O EX-AGENTE APONTA ENVOLVIMENTO DOS EUA NO GOLPE DADO NO BRASIL.

Em junho de 2013, através do jornal britânico The Guardian, Glenn Greenwald foi um dos jornalistas que em parceria com Edward Snowden levou a público a existência dos programas secretos de vigilância global dos Estados Unidos. Greenwald denunciou em 2016 o golpe que estava em curso no Brasil

O que é perturbador neste filme é ver as imagens da DILMA e da Petrobras estampadas na película, isto é a confirmação do que já sabíamos há muito tempo: que somos um joguete na mão do imperialismo. Que derrubaram Dilma Rousseff, financiaram a extrema-direita, acabaram com qualquer aparência de garantia democrática, em suma, estão virando o país de ponta-cabeça. E para quê? Para destruir a indústria nacional, reduzir os trabalhadores brasileiros a escravos e roubar todo o nosso petróleo e o que mais verem pela frente.

Leia a mensagem de Ano Novo de Vladimir Putin ao presidente dos EUA e a todo o povo americano

Genocida recebe o Prêmio Nobel da Paz
Sputnik Brasil

Nós vemos os novos passos inamistosos da administração cessante dos EUA como uma provocação destinada a minar ainda mais as relações russo-americanas. Isto é claramente contrário aos interesses fundamentais de ambos os povos russo e americano. Tendo em conta a responsabilidade da Rússia e dos EUA na preservação da segurança global, [os novos passos da administração Obama] infligem danos a todo o conjunto das relações internacionais.

De acordo com a prática internacional vigente, o lado russo tem todos os fundamentos para uma resposta adequada.

Reservando o direito de medidas de resposta, não vamos descer até à diplomacia irresponsável de baixo nível. Iremos estruturar os próximos passos na restauração das relações russo-americanos com base na política da administração do presidente Trump.

Retornando à sua terra natal, os diplomatas russos vão passar os feriados de Ano Novo perto dos parentes e amigos - em casa. 

Nós não vamos criar problemas para os diplomatas dos EUA na Rússia, não vamos expulsar ninguém.

Não vamos proibir as famílias e as crianças de usar seus lugares habituais de férias durante os feriados do Ano Novo. 

Mais que isso, convido todos os filhos dos diplomatas americanos credenciados na Rússia para a festa de Ano Novo no Kremlin.

É pena que a administração do presidente Obama termine seu trabalho desta maneira, mas, no entanto, parabenizo a ele e sua família pelo Ano Novo.

Felicito o presidente eleito Donald Trump, todo o povo americano!

Desejo a todos bem-estar e prosperidade!

Janaína Paschoal e o sincretismo do ódio


O artigo de Janaína Paschoal na Folha de hoje é revelador da confluência ideológica da direita brasileira - e, de certa maneira, contradiz a análise de Carlos Melo, em entrevista páginas adiante, de que haveria uma cesura clara entre a nova direita liberal e a velha direita de sempre.

A advogada é expoente de uma visão fervorosamente cristã e vê a si mesma como instrumento da providência divina, como seus discursos deixam claro - e não me refiro só ao da jararaca alada. Alinha-se a uma direita bem tradicional, para quem há uma "desordem" provocada pela ruptura de um ordenamento social que, no limite, vem da vontade de Deus.

Mas, no artigo, ela cita uma única autora: Ayn Rand, a filósofa e escritora de ficção científica estadunidense. Rand é um ícone do ultraliberalismo, criadora de uma filosofia primária, que nem o Olavão leva a sério, que exalta o egoísmo como maior virtude humana.

Próxima do anarcocapitalismo, ela era contra qualquer tipo de imposto. Se houver governo, ele deve ser sustentado por "contribuições espontâneas". E, embora advogasse o credo da liberdade individual total, Rand era simpática à ideia de que houvesse algum tipo de repressão estatal às relações homoafetivas. (Esse é um tema que causa constrangimento nos ultraliberais "moderninhos"; já vi, em fóruns deles, a explicação de que a oposição de Rand à homossexualidade não era "moral", mas "estética", como se isso fizesse algum sentido.)

O ponto é que essa filósofa ateia menor é uma escolha no mínimo bizarra para embasar os argumentos de uma cristã inflamada como Paschoal. Que ela o faça é um sintoma do crescente sincretismo doutrinário da direita brasileira, em que entra tudo, desde que seja contra a igualdade e a justiça social.

Brasil voltou a ser uma república bananeira em 2016

Cardozo: Brasil voltou a ser uma república bananeira em 2016
247 – O ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, avalia que o Brasil voltou a ser uma república bananeira em 2016, após o golpe contra a democracia, imposto pela aliança formada por Aécio Neves e Eduardo Cunha, com aval do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para instalar Michel Temer no poder.
Leia abaixo:

UM ANO PARA SER ESQUECIDO

Por José Eduardo Cardozo

"Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito", afirmou Machado de Assis.

O ano de 2016 deve ser esquecido, para que outros sejam escritos. Não pelas crises econômica e política que vivemos. Elas não foram uma novidade. Basta ter tempo de vida ou cultura histórica para saber disso. Não nasceram neste ano e nem nele terminarão.

Analistas preveem um agravamento da crise econômica em 2017. Os fatos também apontam para um recrudescimento da crise política. A anorexia ética do governo Temer, seu descrédito popular e o nascimento de um agudo conflito entre os Poderes do Estado desenham cenários futuros desalentadores.

O trágico legado de 2016 também não está nas denúncias de corrupção. Por mais que vituperem os moralistas de ocasião, a corrupção não é algo recente. Sua dimensão é endêmica desde a nossa colonização.

A diferença é que, há mais de uma década, foram sendo criadas as condições para que corruptos e corruptores possam ser punidos. O fedor advindo da velha realidade passou a ser sentido por todos.



Então, o que em 2016 deve ser apagado da lousa da história? Creio que seja o rasgar das páginas da nossa Constituição que asseguravam a existência de um Estado democrático de Direito. Nele, todo poder deveria ter sido exercido dentro dos limites da lei, pouco importando a nobreza de propósitos ou clamores do senso comum.

Todo homem que tem o poder tende a dele abusar, disse Montesquieu, e o Estado de Direito nasceu para pôr freio a isso. Nasceu para fazer respeitar direitos e dizer "não" ao arbítrio.

Em 2016, violentamos o nosso Estado de Direito e rasgamos a nossa Constituição, a partir de tramas oportunistas que não aceitavam os resultados das urnas de 2014. Ou ainda pela visão equivocada dos que supõem que "violações constitucionais" não fazem mal, se voltadas para "bons propósitos", como combater a corrupção.

Enganaram-se. Primeiro, porque não se violenta mandatos populares impunemente. Destituir uma presidenta eleita, invocando-se atos que sempre foram considerados legais e praticados por governos anteriores, chegou à beira do ridículo.

Com isso se atingiu a credibilidade das instituições e se inaugurou um período de ausência de limites para os Poderes. Se uma presidenta da República pode perder seu mandato desse modo, ninguém está obrigado a respeitar mais nada. Instaurou-se o "vale-tudo" institucional.

Segundo, porque embora a corrupção deva ser combatida com vigor, isso deve se dar sempre dentro da lei. O arbítrio foi e sempre será uma fonte de instabilidade e insegurança. Se a ninguém é dado o direito de se acumpliciar para obstar "a sangria da classe política brasileira", ninguém também foi investido de poderes para criar "estados de exceção".

O resultado está hoje escrito na lousa da história. Rompemos o Estado de Direito, violamos a democracia. Criamos, com isso, um descrédito institucional, um acirramento de conflitos e tiramos a intolerância do armário.

De país pujante e estável nos tornamos, novamente, uma "república das bananas", onde o pastelão substituiu a Constituição.

Não soubemos punir corruptos, garantindo a sobrevivência de empresas e minimizando prejuízos para a economia, como se faz em todo o mundo. Ignoramos as causas profundas que geram a corrupção, mantendo intocado nosso anacrônico sistema político.

Há, pois, que se esquecer 2016. Há que se escrever de novo, na lousa, sobre o Estado democrático de Direito. Para que agora o que for escrito não seja nunca mais apagado.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Chega ao fim o mandato de Fernando Haddad; Barbárie e corrupção retomam prefeitura

Fernando Haddad

Nunca tinha disputado uma eleição sequer. Havia sido Ministro da Educação por sete anos, uma grande experiência na administração pública - um trabalho que foi reconhecido amplamente por seus avanços na área. E tive a honra de ser eleito para comandar a maior cidade do país, a partir de um programa sólido, de uma plataforma ousada de transformação da cidade de São Paulo.

Ao longo de nosso mandato, atravessamos momentos difíceis de crise econômica, política e institucional no Brasil. E mesmo assim, batemos recorde de investimentos, combatemos a corrupção com mão firme e deixamos a casa arrumada do ponto de vista financeiro. Reordenamos o espaço público, resgatamos a cidadania dos marginalizados, colocamos a vida em primeiro lugar. Quisemos a todo momento construir uma São Paulo amigável às pessoas. Uma cidade vibrante, integrada e inovadora. Com um trabalho sério e responsável, fomos capazes de conduzir São Paulo para a outra margem em tempos de atribulação.

É evidente que não deu pra fazer tudo que gostaríamos. Mas foram muitas as realizações nos quatro cantos da cidade, sobretudo na periferia. Fizemos o que precisava ser feito. Sem cálculo eleitoral, sem demagogia ou pirotecnia. Nunca acreditei nas saídas fáceis para se resolver um problema e, do mesmo modo, jamais tomei uma decisão "jogando para a torcida". Eu sempre acreditei no diálogo e na boa política enquanto ferramentas imprescindíveis para a construção de uma cidade (e de um mundo) melhor. Foi com essas convicções que colocamos em marcha um projeto moderno e humano, visando as mudanças estruturais que São Paulo precisava.

Hoje é meu último dia na cadeira de Prefeito. Como em todo trabalho, aprendi muito a cada dia. Realmente tenho orgulho da trajetória que trilhamos na Prefeitura de São Paulo. É por isso que agradeço imensamente pela oportunidade que os paulistanos me deram de governar essa cidade. Acredito que semeamos a esperança e fizemos crer que é possível romper com velhos hábitos, criar novos valores e fugir dos lugares comuns. Foi uma honra governar esta cidade e saio com a sensação de dever cumprido. Estou certo que deixamos um legado importante para as gerações futuras.

Por fim, acredito que fizemos uma transição de alto nível, colaborativa e republicana com o novo Prefeito João Doria. Mantivemos uma relação cordial, produtiva e transparente. Desejo, com toda a sinceridade, que ele tenha sucesso na condução de uma cidade tão complexa e desafiadora como é São Paulo.

E desejo a todo o Brasil que tenhamos um ótimo ano de 2017. A nossa jornada de luta por um país democrático e com justiça social continua.

Doria e Alckmin prometem congelamento das tarifas e aumentam TUDO

Após congelar tarifa, Alckmin e Doria reajustam integração além da inflação
ARTUR RODRIGUES DE SÃO PAULO EDUARDO SCOLESE EDITOR DE 'COTIDIANO'

Após definirem em conjunto o congelamento da tarifa básica de ônibus, metrô e trens da CPTM em R$ 3,80 em 2017, o prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciaram nesta sexta-feira (30) reajustes acima da inflação na integração e nos bilhetes temporais. As novas tarifas passam a valer a partir de 8 de janeiro (domingo).

O congelamento da passagem de ônibus para o ano que vem foi promessa assumida por Doria logo após a eleição, medida que, após um momentâneo mal estar com o governo do Estado, foi seguida por Alckmin –em decisão antecipada pela Folha nesta quinta-feira (29). Nesta sexta (30), o governador citou a crise econômica para justificar a manutenção das tarifas em R$ 3,80.

...

A integração entre os ônibus e trilhos (metrô e CPTM) será reajustada de R$ 5,92 para R$ 6,80, um aumento de 14,8% –acima dos 7,25% da inflação projetada para o ano, segundo IPCA.

O Bilhete Único Mensal, criado pelo atual prefeito Fernando Haddad (PT) em novembro de 2013 e sem reajuste desde então, aumentará de R$ 140 para R$ 190, variação de 35,7% –a inflação desde a implementação é de 26,6%. Essa modalidade vale apenas para uso exclusivo de ônibus ou trilhos e é sugerida para quem faz mais de 50 viagens –só no sistema de ônibus, há 455.303 usuários por dia que serão afetados com esse reajuste.

O tíquete mensal que integra ônibus e trilhos (metrô e trens da CPTM) passará de R$ 230 para R$ 300, aumento de 30,4% –a inflação é de 26,6%. Essa modalidade é sugerida para quem usa mais de 44 viagens ao mês.

O Bilhete 24 horas exclusivo para ônibus ou trilhos, que hoje custa R$ 10, passará a R$ 15, variação de 50%. Já a versão que integra os dois modais sairá de R$ 16 para R$ 20.

Acima da inflação, os aumentos nas duas modalidades acima da inflação deixam os bilhetes menos atraentes.

Por exemplo, o Bilhete Mensal exclusivo para ônibus ou trilhos vale a pena para quem faz a partir de 37 viagens. Com o reajuste, o número mínimo ideal passa a ser de 50 viagens. O Bilhete 24 horas vale a pena para quem faz hoje a partir de três viagens –com o aumento, compensará para quem faz a partir de quatro.

Um passageiro que usa a integração ônibus metrô duas vezes ao dia, em 22 dias do mês, gasta hoje R$ 11,84 e passará a desembolsar R$ 13,60.

O prefeito eleito e o governador decidiram extinguir a modalidade semanal do bilhete, uma das bandeiras de Haddad. Segundo anúncio, menos de 0,05% dos usuários aderiram a este sistema.

Religiosidade dos assassinos do metrô chama a atenção


O pedreiro Ricardo do Nascimento Martins, 21, que aparece em imagens de vídeo agredindo um ambulante até a morte dentro de uma estação do metrô de São Paulo, disse nesta quarta-feira (28) que está “arrependido” e que não é “uma má pessoa” ao deixar a sede de DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Ele foi preso ontem à noite em Itupeva (interior paulista) por participar da agressão de Luiz Carlos Ruas, 54, na noite de domingo (25) na estação Pedro 2º do metrô, na região central da capital paulista.

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Nascimento e o primo que também aparece nas imagens agredindo o ambulante, Alípio Rogerio dos Santos, 26, tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça ontem. Santos é considerado foragido e, segundo seu advogado disse ontem, não vai se entregar.

Conforme a investigação, eles agrediram Ruas –vendedor de doces havia 20 anos –porque ele teria tentando defender uma travesti, moradora de rua da região, das agressões dos dois jovens.

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As imagens internas mostram Ruas apanhando dos dois rapazes com chutes e socos sem que ninguém intervenha. Em nota, ontem, o Metrô informou que não havia seguranças na estação no momento do crime, mas defendeu que a quantidade desses agentes nas estações atende à demanda.


Fonte: Embalo Gospel

A culpa é do petê


Quando disserem que "A culpa é do Petê", você pode perguntar:

— O Temer não assumiu há oito meses?
— A Globo não disse que o Levy fez tudo certo, e depois o Meirelles?
— A confiança e os investimentos do empresariado não iam voltar assim que Dilma saísse?
— A Lava-jato não destruiu segundo estimativas do mercado 5% do PIB?
— A CPMF que o congresso impediu não teria resolvido a questão fiscal?
— A pauta bomba que o congresso aprovou para Dilma não agravou a situação fiscal?
— A repatriação que o congresso aprovou para temer não foi negada para Dilma?
— Se o PT é responsável pela entrega do pré-sal, o fim de seus direitos trabalhistas e previdenciários, porque tiveram que tirá-lo do poder para aprová-los?
— No primeiro trimestre desse ano com Dilma sabotada ao máximo, o déficit primário do governo foi de 18 bi. Só no mês passado foi de 38 bi. O PT é que era irresponsável fiscal?
— Para o rombo desse ano, foi o PT que aprovou aumento de salários para militares, judiciário, MP, PF, legislativo e a sextuplicação das verbas para a imprensa?
— Foi o PT que deu um golpe de estado reconhecido assim no mundo inteiro?


É claro que você pode resumir isso tudo e perguntar: "Você é um retardado ou é um cínico canalha?"

Revista Veja tenta transformar Sugar Baby Temer em Evita Perón


Veja vende Marcela como consolo para os 12 milhões de desempregados de Temer

247 – A imagem de Michel Temer está consolidada entre os brasileiros. Para a grande maioria da população, ele é visto como traidor, desleal e servidor dos mais ricos, segundo apontam pesquisas.

Não por acaso, de acordo com pesquisa Ipsos divulgada antes das delações da Odebrecht e dos números catastróficos do desemprego, pelo menos 77% dos brasileiros o rejeitam.

À frente de um governo tido como ilegítimo pela  maioria da população, que defende diretas já, Temer tem uma nova ideia: usar a imagem "princesa Disney" de Marcela para levantar a sua popularidade.

Esta é a capa de Veja deste fim de semana, que gerou uma onda de vomitaços e protestos, até mesmo entre os leitores da Editora Abril, sócia do golpe que levou Temer ao poder e quebrou a economia brasileira.

Eis algumas reações:

Bruno Bacanhim Essa capa diz tanto sobre essa revista. Desinformação, propaganda, interesses econômicos, panfletários... E jornalismo que é bom? Nada.

Zazo Guerra Que palhaçada. Temer já é o presidente com a mais baixa popularidade da história do Brasil, agora vem apelar pro "carisma" de uma "primeira dama" distante, frigida e insossa. Era o que faltava.

Bernardo Araujo Me parece que a grande aposta é a Veja, que continua a tentar achar algo de bom nesse governo...e não vou entrar no contexto machista, "jovem e bela"...depois "linda recatada e do lar", a Veja mostra como é o pensamento da elite, dos velhos, brancos e ricos(ou sem noção que se acham ricos).

Norma Rosenbach É deprimente quando um governo precisa se auto legitimar usando como propaganda a beleza alheia para alcançar popularidade.

Denise Moura Uau, com tanta coisa acontecendo no país e essa é a matéria de capa?
A crise afetou a Veja só pode, contrataram estagiários para fazer o serviço dos profissionais pagando menos.

Alexandre Vaz da Silva VEJA, GLOBO e demais órgãos de imprensa golpista. Por causa de tudo o que vem acontecendo em nosso país, todos estão fazendo um trabalho medíocre.


Paty Dantas Oi!!!
Que revista mais ridícula! !
O País está em crise, índice elevado de desemprego, corrupção ativa e a VEJA aborda um tema tão irrelevante...

Ano de derrotas prenuncia longa noite de pesadelos para o Brasil

Luis Felipe Miguel

Estamos chegando ao final de um ano duro. Um ano de derrotas, em que muito do que foi construído ao longo de décadas foi desmontado ou está sob ameaça e a nossa esperança de avançar mais, na direção de um país mais justo e mais livre, parece ter se dissipado - ou, melhor, está "congelada", como tanta coisa mais.

A noite que desce sobre o Brasil se anuncia longa. No momento, ainda não é possível sequer vislumbrar qual saída conseguiremos construir. É possível que o golpe nunca acabe, que simplesmente deslize para uma “normalização” cujos limites só conheceremos quando forem testados, ou então que cheguemos a uma transição ainda mais ambígua e limitada do que aquela que nos tirou da ditadura militar. Ou, quem sabe, podemos reunir forças para de fato impulsionar uma alternativa popular e progressista, construindo uma nova institucionalidade, focada no valor da igualdade política e voltada não para conter, mas para expressar os movimentos que nascem do mundo social.

O fato de que a gente hoje precise lutar para reconquistar o básico, o que era considerado garantido, como a democracia eleitoral, o direito ao dissenso ou o papel social do Estado, não significa que outras pautas possam ser secundarizadas. Pelo contrário, se há uma lição a ser tirada dos infaustos acontecimentos do ano que se encerra é o alto preço que se paga quando determinadas questões não são enfrentadas. Então, da desmilitarização da polícia à democratização da mídia, da legalização do aborto à garantia dos direitos trabalhistas, da liberdade para ensinar e aprender à demarcação das terras indígenas, da reforma agrária ao combate à homofobia, da tributação progressiva à proteção do meio ambiente, da promoção da igualdade racial ao direito à cidade, da ampliação da participação política popular à defesa da laicidade do Estado, há um universo de frentes de combate. A linha divisória, no entanto, é razoavelmente clara, sobretudo agora que nossos adversários parecem mais propensos a assumir, sem disfarce, seu projeto. De um lado, estão todos os que queremos uma sociedade mais igualitária, mais solidária e mais plural. Do outro, estão eles.

É necessário disputar os valores da sociedade que queremos construir e afirmar aqueles que, historicamente, compõem o campo em que estamos. Essa disputa é crucial e precisa ser travada sem esmorecimento.

Que 2017 seja um ano de de muita disposição para a luta.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Temer reduziu valor do salário mínimo para 2017

Gleisi Hoffmann 
Temer reduziu o salário mínimo de 2017 antes mesmo da entrada em vigor, dos R$ 945,50 que estava no projeto orçamentário, foi para R$ 937,00 via decreto presidencial hoje. Segundo ele, essa medida se deu porque a inflação foi menor do que a prevista na peça orçamentária. Aumento real não precisa. Vamos apenas repor a inflação e está ótimo segundo esse governo, né?!

Opinião não é argumento

Por que ‘opinião não é argumento’, segundo este professor de lógica da Unicamp
Discussões servem para a construção de conhecimento, e não para a destruição


Em entrevista ao ‘Nexo’, Walter Carnielli explica como manter uma discussão respeitosa e produtiva

Não é fácil vencer uma discussão. Especialmente em um contexto inflamado, em que as opiniões se polarizam, notícias falsas se proliferam, debatedores recorrem a ofensas e sarcasmo e festas de fim de ano criam ambientes propícios para a briga.

Uma boa discussão, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, não serve para a disputa - e, sim, para a construção do conhecimento. Nesse sentido, saber sustentar uma boa argumentação é fundamental.

“Um argumento é uma ‘viagem lógica’”, diz Walter Carnielli, matemático, professor de lógica na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor de “Pensamento crítico - o poder da lógica e da argumentação” (Editora Rideel), livro escrito em parceria com o economista e jurista americano Richard Epstein.

Para Carnielli, os brasileiros têm uma “péssima educação argumentativa”. Confundimos discussão com briga e não sabemos lidar bem com críticas. Mas há técnicas que podem ajudar na construção de bons argumentos - e também a evitar armadilhas comuns em uma discussão, como o uso de falácias.

Entre elas está, por exemplo, a busca por entender o ponto de vista oposto - ajudando, inclusive, o opositor na construção do próprio argumento. Nesta entrevista ao Nexo, o professor explica algumas delas:

O que é considerado um mau argumento?

Walter Carnielli Um argumento é uma ‘viagem lógica’' que vai das premissas à conclusão. Conforme a definição dada no nosso livro, um bom argumento é aquele em que há boas razões para que as premissas sejam verdadeiras, e, para além disso, as premissas apresentam boas razões para suportar ou apoiar a conclusão.

Em outras palavras, as premissas que você apresenta devem ser precisas e verdadeiras, e devem produzir uma razão para se pensar que a conclusão é verdadeira. Desse modo, há duas maneiras em que um argumento pode falhar, ou ser um mau argumento:

  1. Se as premissas forem falsas.
  2. Se as premissas não apoiam a conclusão.
Em geral as pessoas erram mais na parte 2: parece mais difícil decidir se as premissas apoiam ou suportam a conclusão do que verificar se elas são verdadeiras ou falsas.

Como desmontar um mau argumento de forma respeitosa e produtiva?

Walter Carnielli Existe um princípio metodológico importante na argumentação que é o Princípio da Acomodação Racional, também conhecido como Princípio da Caridade, e que foi tratado por filósofos de peso como Willard Van Orman Quine e Donald Davidson.

O princípio exige que devemos tentar entender o ponto de vista do oponente em sua forma mais forte e persuasiva antes de submeter sua visão à nossa avaliação. Dessa forma, devemos primeiro fazer todos os esforços para esclarecer as premissas e a conclusão do oponente, inclusive ajudando-o a reparar os pontos fracos. Só então, após essa atitude respeitosa, é que devemos gentilmente apontar a ela ou a ele onde suas premissas são falhas ou duvidosas, e/ou porque tais premissas não apoiam a conclusão.

Em outras palavras, o Princípio da Acomodação Racional impõe que interpretemos as afirmações dos outros de forma a maximizar a verdade ou racionalidade do adversário, tanto quanto isso seja possível. É a maneira mais respeitosa e produtiva de manter uma discussão honesta.

Quais são as falácias mais recorrentes?

Walter Carnielli  Nós, brasileiros, temos uma péssima educação argumentativa: confundimos discussão com briga, e vemos as críticas como inveja, falta de amizade, falta de amor etc. Pior ainda: quando começa uma discussão, muitas vezes vem o seguinte: ‘tenho o direito de ter minha opinião’, seja sobre o criacionismo, o governo, a política ou a pena de morte.

Claro que todos têm o direito de manter sua opinião, mas opinião não é argumento. A democracia também é feita de opiniões - ninguém precisa argumentar para votar no candidato que preferir, basta manifestar sua opinião nas urnas. Mas quando o candidato quer nos convencer, ou quando queremos convencer os outros sobre nossa posição política, nossas crenças não bastam.

Fora esta falácia estrutural tremenda, que revela que a pessoa sequer sabe o que é um argumento, algumas das falácias mais comuns são:

  • Ad Hominem: quando se ataca a pessoa, não o argumento. Por exemplo: “o médico me recomendou parar de fumar. Mas ele fuma!”
  • Falso dilema: quando se exageram os dois lados de uma questão, não deixando lugar para nuances ou meio-termo. Por exemplo: “você é a favor do aborto? Então você apoia o assassinato de crianças”.
  • Post hoc ergo propter hoc: ou seja, “depois disso, portanto por causa disso”. Por exemplo: “Hitler era vegetariano, e veja no que deu'”.
  • Inverter o ônus da prova: Por exemplo: "claro que OVNIs existem. Prove o contrário'.'
  • Falsa analogia: por exemplo, tentar comparar casamento homossexual com legalização da pedofilia.

Por que tanta gente recorre às falácias?

Walter Carnielli Há centenas de falácias conhecidas e estudadas, mas a lista é potencialmente infinita. Há falácias lógicas, falácias estruturais, falácias de analogia, falácias emocionais, etc. Uma falácia é um mau argumento que não pode ser reparado. As pessoas gostam das falácias com rótulos em latim, que soam poderosas, e supostamente são usadas por advogados, ou podem ser usadas para impressionar o oponente.

Quão relevante você acredita que é a lógica formal, dado o fato de pesquisas sugerirem que os mecanismos utilizados para formar opiniões não são racionais?

Walter Carnielli  Primeiramente, crenças não são argumentos, embora possam influir neles. Os mecanismos para formar opiniões podem não ser racionais, mas até nesse ponto a investigação lógica é essencial.

Por exemplo, existe uma racionalidade de como revisar suas próprias crenças  - a teoria de revisão de crenças - que são essenciais para computação teórica, por exemplo. Como podemos ‘explicar’ a um computador como ele deve rearranjar seus dados frente a novas informações? Ainda mais, as pessoas podem manter crenças verdadeiras por razões irracionais, ou manter crenças falsas por decisões racionais.

Some-se a tudo isso o fato de que o conhecimento é tradicionalmente visto como um tipo especial de crença, e que o problema das contradições na razão é também um importante tema da lógica.


A lógica formal, e a informal [presente na linguagem comum, que não utiliza nenhum tipo de técnica para ser apresentada], são importantíssimas para se investigar a razão humana.

Golpe produziu o pior novembro de todos os tempos

Caged: recessão de Temer demitiu 117 mil em novembro
Tradicionalmente marcado por contratações para as vendas de fim de ano, o mês de novembro de 2016, com Michel Temer e Henrique Meirelles no comando da economia, conseguiu ser o pior de todos os tempos, segundo dados divulgados na tarde desta quinta (29) pelo Ministério do Trabalho; o Brasil registrou perda líquida de 116.747 vagas formais de emprego no mês passado; no acumulado de janeiro a novembro, o mercado de trabalho brasileiro já fechou 858.333 postos formais; trata-se do 20º mês seguido em que o número de vagas formais diminuiu no mercado de trabalho do país; as demissões foram o dobro das Expectativas de Mercado, o que sinaliza que a economia brasileira entrou em depressão depois do golpe

247 - O Brasil registrou perda líquida de 116.747 vagas formais de emprego em novembro, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta quinta-feira. Em pesquisa Reuters, a expectativa era de que 62 mil empregos seriam fechados no último mês, conforme mediana das expectativas.

No acumulado de janeiro a novembro, o mercado de trabalho brasileiro já fechou 858.333 postos formais, de acordo com dados do Ministério do Trabalho.

Trata-se do 20º mês seguido em que o número de vagas formais diminuiu no mercado de trabalho brasileiro. O último mês em que houve mais contratações foi em março do ano passado, quando foram criados 19,2 mil postos de trabalho.

Esse número contribuiu para o aumento do desemprego no País, que atingiu uma taxa de 11,9% da população economicamente ativa em novembro. Com isso, o número de desempregados no Brasil supera 12 milhões de pessoas, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Cartinha aberta a um negociante de sentenças


Não estranhe eu lhe tratar por você. Você tem idade de ser meu filho, e excelência só uso para os excelentes, ainda que analfabetos e humildes, mas com caráter.

Você formou-se nos Estados Unidos, absorvendo a ideologia dominante lá, depois fez cursos de especialização no Ministério Público de lá e nos serviços de inteligência de lá, o que o faz em perfeita identidade e sintonia com os de lá, a ponto de você, pública e descaradamente, dar assessoria a escritórios de advocacia de lá, para exigirem gordas indenizações das nossas empresas, aqui.

Você vai lá pelo menos uma vez por mês, para orientar e receber orientações, e tem como mister, esfacelar a esquerda brasileira e destruir a Odebrecht, por motivos óbvios.

Nas suas palestras e conferências o que mais ouvimos é “nos Estados Unidos”.

Até aqui temos um problema político econômico, criminoso no âmbito social, mas questionável se imputado a um juiz, embora de primeira instância, degrau primeiro, ao rés do chão, de longa escadaria.

A questão é outra: nessa ideologia que você professa, defende e põe em prática a máxima é que “business is business”, negócio é negócio, o que reduz tudo e qualquer coisa a negócios, transações comerciais.

Assim, por definição, qualquer trabalho, prestação de serviço ou favor deve ser remunerado, a priori ou posteriori. 

Não sendo, cabe ao beneficiado gratificar, normalmente em espécie.

Esta é a regra do jogo, sabemos todos.

Não foi por outro motivo que, acima do STF, do Estatuto do Funcionalismo Público e da própria Constituição, você fez acordos na Europa e nos Estados Unidos, para ter até 15% do dinheiro reavido da corrupção, caso único na história do Brasil, de funcionário público ter remuneração paralela pela execução de serviço para o qual é remunerado pelo povo.

Em caso polêmico, para ser brando no linguajar, você aliviou praticamente todos os membros de vasta quadrilha, que desviou cerca de meio trilhão de reais do Banestado, com todo mundo impune e a dinheirama não ressarcida.

E aí? De graça? Business is business.

Você está municiando empresas estrangeiras, para que se capitalizem a custa de indenizações, a partir das suas informações. De graça? Business is business.

Na medida em que a Odebrecht perde obras, aqui e no exterior, desempregando, é substituída por outras empreiteiras, diretamente beneficiadas por suas ações. De graça? Business is business.

A cada golpe contra a Petrobras ela sente, as suas ações caem, diminuindo o seu poder comercial, o que beneficia diretamente as suas concorrentes. De graça? Business is business.

Você está perseguindo impiedosamente a uns e deliberadamente aliviando outros. Alivia por amor a uma causa, pelos lindos olhos dos aliviados, de graça? Business is business.

Moro, se sobre você fossem feitas as mesmas investigações que você faz sobre os que considera desinteressantes e prejudiciais ao sistema imposto pelos do norte, do qual você é representante aqui, usando os mesmos critérios e jogadas acima da lei, concluiríamos que você tem patrimônio compatível com o seu salário de oitenta e quatro mil reais ou descobriríamos que o seu modus operandi não difere dos que você nomeia réus?

Descobriríamos patrimônio clandestino no exterior, contas secretas, evasão de divisas, lavagem de dinheiro ou no seu caso, único entre os seus pares, business is not business, contrariando tudo o que você advoga?

Todo esse seu empenho, aqui e no exterior, diuturnamente é só porque você é um cumpridor do dever ou há mais por trás?

Todos os milhões de dólares que caem nas continhas dos beneficiários das suas decisões, caem por acaso, sem que você nada tenha feito, deliberadamente, para isso?

Afinal, business is business, de acordo com a sua filosofia, ideologia e ações.

De você nunca terei as respostas, mas, mais adiante, passado o temporal do arbítrio, saberemos todos.

A burrice ostentatória é o novo pretinho básico

Luis Nassif

Nos últimos dias tive dois contatos marcantes. Um deles, com um autêntico representante da ultradireita delirante. Outro, com um representante típico do Homer Simpson.

Vamos por parte.

Fomos apresentados à direita delirante por um amigo gozador, que juntou os três casais em uma feijoada. O sujeito era oftalmologista, estudara nos Estados Unidos, em uma universidade da qual não me recordo o nome, mas, segundo ele,  muito mais afamada que Harvard, tinha sido convidado a trabalhar em um órgão do governo norte-americano, muito importante, e do qual não me recordo o nome, e cometeu outros feitos expressivos, dos quais não me recordo a relevância.

Ele se informa em sites de ultra-direita, não confia em nada do que sai na imprensa e acredita em tudo o que lhe dizem seus pares.

Quando elogiou minha origem libanesa, por ser uma raça pura, percebi que a conversa ia ser marcante. 

Ele é contra todas as raças impuras, diz que Donald Trump vai colocar as coisas nos eixos (sem jogo de palavras). Garantiu, sem pestanejar, que Michele Obama é transexual; que Barack Obama não é Barack Obama, mas um sujeito que se faz passar por Barack Obama. Trata os negros como macacos. E me passou a mais retumbante das revelações que, segundo ele, tem sido sonegada por toda a imprensa ocidental. Aliás, apostou comigo como não conseguiria publicar nem no meu blog a relevante informação de que não há mais peixes no Oceano Pacífico.E não adiantou argumentar que desastre desse tamanho não seria sonegado nem pelo Estadão, mesmo se fosse de responsabilidade do PSDB.

Pulemos para o simpático Homer Simpson, que me aborda no boteco de Poços.

Diz que os problemas no Brasil surgiram com o porto de Mariel, em Cuba. Levaram para lá todos nossos empregos e nossas divisas.

Tento explicar que a construção do porto envolve inúmeros materiais e equipamentos fabricados no Brasil, contratos com indústria mecânica, siderúrgica e muitas outras. Portanto, gerou muitos empregos no Brasil.

E ele: mas o dinheiro foi para fora.

Explico que não, que a obra será paga e os lucros reverterão para o Brasil, através da empresa construtora. 

E ele: não sei não. 

Pacientemente explico que se trata de exportação de serviço praticada por todas as nações, pela China, pelos Estados Unidos. Se não fosse bom, porque os grandes países disputariam mercado?

E ele, com a segurança de um procurador da Lava Jato: “Pode ser bom para a China e Estados Unidos, mas não para o Brasil”.

Aí desisto e, como no começo da conversa ele se apresentou como astrólogo amador, interrompo a conversa com minha saída favorita:

— Eu não ouso discutir astrologia com você.

Ele entendeu, se despediu e foi embora. Educadamente, saliento.

O fenômeno da desinformação

Nos dois casos, a conversa – embora surreal – foi em bases relativamente educadas. No caso do direitoso, um conteúdo de uma violência extrema, mas dito socialmente em uma “conversa de brancos”. No Homer Simpson, um senhor simpático, boa gente mesmo.

Mas o novo normal é a grosseria, o sujeito tratar sua opinião como um bem de raiz, dedicando a ela o mesmo cuidado obsessivo com que cuida das suas posses, seja o carro velho ou a casa a beira-mar. E reagindo agressivamente contra qualquer tentativa de tirá-lo da comodidade das suas verdades estabelecidas.

Na convivência social, um dos primeiros fatores de contenção é o conjunto de regras sociais  consolidadas que impõe um padrão de sociabilidade do restaurante granfino, ao boteco de família, da missa ao estatuto da gafieira.

Cada ambiente tem seu conjunto de regras e seus limites. O machismo e a homofobia estão restritos a ambientes machistas, onde é de mau tom defender transexuais. Mas, se saíssem fora da jaula, seriam coibidos por olhares de reprovação. Nos botecos, as mesas separavam os grupos por afinidade de opinião. Mas não havia interferência nas conversas, mesmo por parte de quem ouvisse e reprovasse.

Nos ambientes públicos, não era de bom tom o preconceito, a intolerância. Uma pitada de esquerda social dava até status intelectual. E havia um respeito (muitas vezes excessivo) pelo conhecimento técnico.

Todas essas barreiras caíram. Hoje em dia, a norma é a grosseria, a opinião fechada, intransponível como a muralha chinesa, em torno do senso comum mais primário ou da piração mais louca, como comprovaram meus dois interlocutores.

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Artigo completo AQUI

10 promessas que a mídia fez em 2016 e os midiotas acreditaram

Retrospectiva 2016: 10 momentos inesquecíveis em que a mídia garantiu que o impeachment salvaria o Brasil


O ano de 2016 se aproxima do fim e é importante lembrar do papel da imprensa no golpe e na subsequente draga econômica e institucional em que nos metemos.

Cheios de amor e de esperança, querendo agradar seus patrões a todo custo, jornalistas fizeram previsões furadas e propaganda, baseados no mais puro wishful thinking e, eventualmente, canalhice.

A ideia era vender a ideia de o golpe não era golpe e que a destituição de Dilma “ia tirar o Brasil do buraco”, tese consagrada por Eliane Cantanhêde, uma espécie de porta voz terceirizada de Temer.

Em abril, numa entrevista a uma rádio, ela disse seguinte: “Conversei com o Michel Temer nessa semana. Ele está muito seguro e muito sereno. Fala que está pronto para assumir a responsabilidade, que é tirar o país do buraco. O Michel Temer, por ter mais gás, parece ter chances de conseguir”.

Confira uma seleção de 10 promessas que a mídia fez e os midiotas acreditaram.

1. O pior que não ficou no retrovisor

Míriam Leitão publicou em 16 de julho a coluna “O pior pelo retrovisor”, no Globo. Num tom otimista, traçava um panorama da economia brasileira baseado apenas na valorização dos papéis da Petrobras e na alta das bolsas de valores.

E acrescentava: “O resultado reflete a percepção de algumas melhoras, inclusive regulatórias, na economia e a avaliação de que a recessão está perdendo força, apesar de estar claro que não haverá a volta rápida do crescimento”.

As contas do governo Temer tiveram um déficit de R$ 38,4 bilhões em novembro, o pior resultado para o mês desde 1997. No mesmo mês do ano passado, com o governo sob Dilma, o saldo negativo foi de R$ 21,2 bilhões. Parece que o pior da economia está longe de sair do retrovisor, seja dos investidores ou dos cidadãos comuns.

2.“Pior que tá, não fica”

Em maio de 2016, quando o impeachment caminhava para minar o poder de Dilma Rousseff, Eliane Cantanhêde publicou várias  colunas no Estadão dizendo que é “pior sem ele”.

No mês de dezembro, o Datafolha divulgou que 58% das pessoas consideram Michel Temer pior do que Dilma. Parece que ficou pior do que estava.

3. Previsão de crescimento de 1% que sumiu

Uma reportagem do site da Exame de setembro apontou que a economia sob Michel Temer poderia crescer 1% em 2016. A previsão foi traçada pela consultoria em negócios internacionais e políticas públicas Prospectiva, levando em conta até mesmo a Lava Jato.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou em dezembro deste ano que a previsão para 2016 é de recessão de 3%, com queda na oferta de crédito bancário. Parece que as consultorias de estimação estão perdendo crédito em suas análises em menos de seis meses.

4. “Golpe contra o impeachment”

Antes de ficar famoso nacionalmente por perguntar a Temer como ele conheceu a mulher numa farsa no “Roda Viva”, Noblat escreveu um artigo bonito acusando um “golpe contra o impeachment”.

O texto faz denúncias de uma compra de votos contra o afastamento de Dilma Rousseff — para variar, sem apresentar provas. Teriam ocorridos pixulecos de R$ 1 milhão por voto “não” e R$ 400 mil pelas ausências.

Parece que o golpe contra o golpe não se concretizou. Noblat nunca explicou como é que essa operação milionária fracassou.

5. “Interrupções presidenciais têm impacto positivo”

Merval Pereira falou no dia 17 de janeiro de um estudo de um economista chamado Reinaldo Gonçalves, da UFRJ. O especialista tentava provar que o impeachment de Dilma poderia ser positivo.

Segundo o texto reforçado por Merval, o impedimento reverteria a recessão em 2017 e impulsionaria a economia em 2018.

Nenhum dos sinais dessas medidas com “impactos positivos” foram vistos com Michel no poder. Merval Pereira aproveitou a coluna para alfinetar advogados que criticaram a Operação Lava Jato. Nunca mais citou o tal Reinaldo.

6. Cunha “não tem nada a ver com o impeachment”

Merval também dá suas cacetadas no Jornal das 10 da GloboNews. No dia 13 de dezembro de 2015, ele soltou no programa que o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não tinha relação com o golpe. Um santo.

“Eduardo Cunha não tem nada a ver com o impeachment. O Eduardo Cunha foi o presidente da Câmara que aceitou, viu que tecnicamente havia condições de aceitar aquele processo, aquele pedido. Então ele não tem nada a ver com isso, quem vai decidir mesmo é o plenário da Câmara”.

Merval jogou a responsabilidade num Congresso que tem maioria com pendências na Justiça só para tentar livrar a cara de um processo conduzido por um notório corrupto. Em 2016, consumado o golpe, Cunha foi preso. Merval Pereira nunca mais tocou no assunto.

5. “Impeachment ou caos”

O economista Rodrigo Constantino, o amigo do Pateta que foi demitido da Veja e do Globo e hoje tem coluna na Istoé, publicou um artigo em abril com o título: “impeachment ou caos!”.

Era baseado em teses esplêndidas como a de que o presidente Temer faria um “governo suprapartidário” caso o golpe prosperasse, usando aspas do professor de filosofia Denis Rosenfield.

Para Constantino, o governo Temer seria um sucesso porque não teria vermelho em sua bandeira. O único golpe possível era o que o PT estava fazendo, seja lá o que isso signifique.

6. Golpe “cristalizado”

Quando o impeachment foi consumado, em setembro, Eliane Cantanhêde afirmou em texto que o governo Michel Temer sofre com protestos mas “termina em pé”. Comparou-o a Itamar Franco.

“A palavrinha mágica ‘golpe’ ajudou a cristalizar, talvez em milhões de pessoas, a percepção de que o impeachment de Dilma foi ilegal e ilegítimo, a ‘jornada de 12 horas’ ajuda a oposição a ratificar que Temer vai retroceder nos direitos e abandonar os pobres à própria sorte. Em vez de falar esse absurdo, o governo bem que poderia ter usado e abusado, a seu favor e a favor da verdade, dos resultados do Ideb, que configuram o fracasso da ‘pátria educadora’ de Dilma”, diz Eliane no jornal.

7. A “revolta armada” do PT que não existiu

O ex-presidente Lula publicou uma cartilha criticando os procedimentos da Operação Lava Jato. Na cabeça do colunista Reinaldo Azevedo, a carta afirmava que o PT ia optar por uma “revolta armada”, segundo sua coluna na Folha de S.Paulo em agosto.

Dilma, segundo Reinaldo, era a “Afastada”. “Que bom que a ópera petista chega ao último ato, com o próprio partido chamando os inimigos por seus respectivos nomes. É o PT quem me dá razão, não os que concordavam comigo”, diz ele, sem explicar como se daria a revolução do partido de Lula em curso.

8. O editorial que mais curtiu o impeachment

Impeachment é o melhor caminho” é o editorial de apoio ao golpe mais explícito publicado na imprensa. Feito pelo mesmo time  do Estado de S.Paulo que chamou o jornalista Glenn Greenwald de “ativista petista” e pediu sua expulsão do Brasil, o texto é rico em previsões furadas sobre o governo Temer já em abril de 2016.

As propostas de novas eleições “são fórmulas engenhosas para resolver um problema complicado. Pena que sejam todas, pelas mais variadas razões, impraticáveis”.

Hoje, a notícia é de que a maioria da população apoia eleições diretas segundo absolutamente todos os institutos de pesquisa.

9. “A saída da crise”, segundo Paulo Skaf

Nenhuma lista dessa natureza ficaria completa sem as revistas da Editora Três, aquela que concedeu a Temer o título de Brasileiro do Ano.

Em março, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, estava na capa da IstoÉ Dinheiro com a chamada “A reação dos empresários”.

“O impeachment de Dilma é a saída mais rápida da crise”, falou. A reportagem destacava a atuação dele para conseguir a adesão “de boa parte da classe empresarial, da indústria ao varejo”.

De acordo com Skaf, a “economia está indo mal por causa da crise política. Há confiança no Brasil, mas não há confiança no governo”.

Ah, sim: o industrial sem indústria é um dos citados na delação da Odebrecht.

10. As instituições funcionam 

O Globo, que defendeu o golpe militar de 64 e só se desculpou 50 anos depois, defendeu o impeachment com unhas e dentes em vários editoriais.

Num deles em especial, de 30 de março, a família Marinho mandou ver: “Na estratégia de defesa e nas ações de agitação e propaganda de um PT e de uma presidente acuada no Planalto, a palavra ‘golpe’ ganha grande relevância”.

O impeachment de Dilma, fomos informados, “transita pelas instituições sem atropelos. Em 64 seria diferente”.

E finalizava: “Aceite quem quiser que políticas de supostos benefícios aos pobres podem justificar a roubalheira. Não num país com instituições republicanas sólidas”.

Pois é.


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