sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Jornalista José Trajano é demitido da golpista ESPN por defender legalidade e democracia

247 – Bastante surpreso com a demissão da ESPN, emissora na qual trabalhava há 21 anos e que ajudou a fundar, jornalista José Trajano atribui sua saída à sua atuação política.

Trajano foi um forte defensor de Dilma Rousseff durante o processo de impeachment, participando de atos em defesa da presidente e denunciando o processo como um golpe.

"Eu acho um pouco estranho nesse momento conturbado do país. Já me chamaram algumas vezes dizendo que seria melhor não falar nada de política", conta ele, segundo reportagem do portal UOL.

"Eu sempre fui envolvido e nunca escondi as minhas preferências políticas. Achavam que pelo fato de eu ser um 'talent', onde eu estivesse eu estaria representando o canal", acrescentou.

"Houve um documento entregue no mês passado dizendo que havia uma norma da empresa que era de não se manifestar politicamente, disseram que era uma norma que veio dos Estados Unidos. Eu não assinei", contou ainda o comentarista esportivo.

Recentemente, ele também se envolveu em uma polêmica na emissora ao manifestar sua opinião ao vivo contra o convite do canal a Danilo Gentili para uma participação especial. Em entrevista ao 247 no início de junho, ele admitiu que o clima na emissora poderia estar "meio assim". "Não é que tá tudo bem, mas também não tá tudo mal", comentou ao jornalista Alex Solnik (leia aqui).

Companheiro por uma década ao lado de Trajano na ESPN, o jornalista Juca Kfouri, que também é crítico do golpe e defensor de Dilma, fez uma homenagem ao amigo em seu blog, mas disse que não cabia a ele "discutir para fora o motivo de empresa para qual trabalho".

Sem radicalismo...


Bons tempos de outrora

Florestan Fernandes Júnior

Houve um tempo em que, no Brasil também se roubavam galinhas... Diz a lenda que Rui Barbosa ao chegar em casa ouviu um barulho estranho vindo do quintal.

Foi averiguar e constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.

Aproximou-se do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:

- Oh, bucéfalo anácrono!... Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.

- Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.

E o ladrão, confuso, diz:

- Dotô, rezumino... eu levo ou dêxo os patos?


Renato Janine Ribeiro: voto em Haddad

Renato Janine Ribeiro

Voto em Haddad. Realmente não tem o physique do político tradicional. Tem os defeitos do professor, mas tem suas grandes virtudes: a repugnância à mentira. Você vê adversários tomando enormes liberdades com a verdade, e ele responde com dados, com informações. Esclarece. Isso é bem coisa de professor. Poderia contar histórias de indivíduos. Marta Cunha é ótima nisso. Ela sabe que, mais do que uma estatística, vale contar que uma pessoa a procurou e disse que graças a ela etc etc. Media training, ou habilidade adquirida em décadas de TV, rádio, política.

Ele é mais austero e visivelmente se sente quase-ofendido quando ouve uma mentira. 

E é bom lembrar, faltou dinheiro. Dilma não repassou o prometido, nem mesmo antes da grande crise do final de 2014. A FIESP impediu o IPTU progressivo, que ia sustentar as políticas sociais. Alguns jornais, se alguém cair na calçada, vão dizer que foi "a calçada de Haddad". 

Dizem que ele afirmou: Na falta de dinheiro, peguei uma lata de tinta e saí pintando faixas de ônibus... O que acabou surtindo um bom efeito, porque melhorou a velocidade dos coletivos. 

Desafio qualquer um a governar sem dinheiro. As promessas bilionárias de alguns candidatos não vão ser cumpridas, só isso. Melhor contar com a verdade. 

Voto em Haddad.

Desemprego explode com golpe de Temer e Meirelles


Índice bateu mais um recorde histórico sob o comando de Michel Temer na presidência e de Henrique Meirelles na Fazenda; a taxa de desemprego ficou em 11,8% no trimestre encerrado em agosto, com 12 milhões de desempregados no país no período, segundo dados divulgados nesta sexta-feira 30 pelo IBGE; esta é a maior taxa da série histórica, que começou no primeiro trimestre de 2012; o índice aumentou em relação ao registrado no trimestre anterior, de março a maio, quando ficou em 11,2%, e também em comparação ao trimestre encerrado em agosto de 2015, que atingiu 8,7%.

Folha, um jornal isento de verdade

Luis Felipe Miguel

Taí a Falha, de novo, usando a cartada das valências para mostrar como é isentona. Prova o quê? Prova que essa metodologia mais mascara do que desvenda a realidade.

Em situações com a eleição de São Paulo, um noticiário como o da Falha teve dois efeitos básicos. Primeiro, contribuiu para desidratar a candidatura da Erundina, que eles nem incluem em sua comparação. Depois, nivelou a candidatura de Haddad à de seus adversários. Podemos gostar menos ou mais do prefeito, de sua administração, de suas coligações e de sua campanha. Mas ele é um candidato. Os outros três são pistoleiros.

O "equilíbrio" da Falha passa pelo falseamento desse dado.


Jandira denuncia na Globo o golpe da Globo contra a Democracia

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A hipocrisia dos golpistas só ilude os desmiolados


Em tatibitáti discurso soletrado na ONU, MiShell Temer renovou o nosso histórico compromisso de solidariedade aos povos irmãos, o que passa por receber de braços abertos os refugiados de guerra.

Só que o discurso fascista dos impostores não é muito diferente do de Bolsonaro, neste caso mais honesto que Temer, porque assume a sua xenofobia.

Pois o governo brasileiro autorizou um punhado de refugiados a voltarem a seus países de origem, muitos deles já empregados, aqui, outros foram buscar documentos, para regularizarem a vida aqui, inclusive para casar com brasileiras, desde que voltassem num prazo de determinado.

Voltaram e foram detidos nos aeroportos: só podem ficar no Brasil com documentos (vistos) expedidos pelos seus países de origem, o que significa transformar refugiados em migrantes, retirando direitos.

O outro discurso hipócrita é o dos empregos: MiShell está em contato com estaleiros estrangeiros, para a construção de plataformas petrolíferas, aniquilando com a indústria naval nacional e dando empregos no exterior.

Para “acertar” as contas públicas, pretende congelar os investimentos e despesas públicas por vinte anos, o que significa arrocho salarial para os funcionários públicos, mas só os do baixo clero, porque os juízes, parlamentares e altos funcionários do executivo continuarão ganhando acima de 30 000 reais.

Para “acabar” com o rombo da Previdência, MiShell vai desvincular as pensões e aposentadorias do salário mínimo, de maneira que daqui a alguns anos tenhamos os nossos velhinhos ganhando fração do salário mínimo, como antigamente, mas ontem um juiz aliado do PCC foi aposentado com proventos integrais e assim será com todos os magistrados, todo mundo ganhando acima de 30 000 reais; assim será com todos os parlamentares, aposentados após a conclusão de dois mandatos, também com mais de 30 000 reais.

MiShell alardeou a demissão de 6 000 petralhas parasitas, contratados com cargos de confiança, sem dizer que ele, MiShell, contratou 14 000, numa só tacada, para pagar as dívidas do golpe.

Para “fazer caixa”, MiShell pretende acabar ou reduzir muito os programas sociais, só que a pobretada vítima, que aplaude, não sabe que é uma reedição do governo FHC: o dinheiro dos programas sociais vai para o BNDES, para ser emprestado, com juros subsidiados, para as multinacionais comprarem as nossas empresas, com o nosso dinheiro, na verdade uma doação.

MiShell anuncia concessões nas rodovias, o que significará mais uma enxurrada de pedágios.

MiShell não afasta a possibilidade da criação de novos impostos ou da majoração das alíquotas dos impostos já existentes, mas não fala em taxar as grandes fortunas, as grandes heranças, o lucro sobre o capital, as instituições financeiras e religiosas.

Como se vê, a pobretada está na ordem do dia, patrocinando a classe dominante.

Mas há as vitórias do golperno Temer.

MiShell está alardeando a retomada do otimismo entre os empresários.

Verdade, com a possibilidade da reforma trabalhista, na verdade o fim da CLT, com o acordado se sobrepondo ao legislado, estão vendo o lucro vindo da produção (mais valia) e não das vendas (lucros).

MiShell está feliz com o aumento nas vendas de mais de 10% dos imóveis usados.

Verdade, com a devastação das empreiteiras, feita pelo norte-americano Fernand Moro, os lançamentos de imóveis novos estão parando.

MiShell está anunciando uma retomada de crescimento da Petrobras.

Verdade, os países membros da OPEP se reuniram e resolveram peitar a Arábia Saudita, satélite norte-americano, reduzindo a extração de petróleo, o que vai encarecer o produto, nada que dependa do governo brasileiro.

MiShell está vendendo a ideia que a taxa de desemprego se estabilizou.

Mentira. O que está acontecendo é o recrutamento de trabalhadores temporários, no comércio e no setor de serviços, por causa do fim de ano. Para que a taxa não tenha caído (só se estabilizou) houve necessidade de continuidade no crescimento de demissões na indústria (isso é matemática elementar).

Nos próximos dois meses MiShell vai alardear o aumento de vendas no setor automobilístico, escondendo que isto é temporário e natural: as montadoras estarão lançando os modelos novos (2017) com enorme barateamento dos modelos 2016, através de promoções e descontos, para desovar estoques.

O termômetro do desempenho da economia é a arrecadação de impostos. Baseado em que os golpistas estão dizendo que está melhorando se em agosto tivemos o pior volume de arrecadação de impostos dos últimos sete anos?

Por fim, o mais hipócrita dos hipócritas discursos: MiShell anuncia que está retomando as relações comerciais com os nossos parceiros tradicionais, Europa e Estados Unidos, porque o governo anterior se pautou em negociar através da identidade ideológica, sem dizer que quando negociávamos com esses “parceiros tradicionais” éramos a décima sexta economia do planeta, com reservas cambiais de menos de cinquenta bilhões. Com a troca de parceiros, passamos a sétima economia mundial, com reservas cambiais de quase meio trilhão (José Serra, o nosso Jegueceler quer romper com a Venezuela, sem saber que é o país que mais nos dá lucro, com uma balança de pagamentos, a nosso favor, de cinco bilhões de dólares).

É o reino da hipocrisia, da mentira, do engana trouxas.

Política e Economia não são coisas para amadores.


Os golpistas e a mídia sabem disso, e manipulam os alienados babando ódio e elogiando a corda que os irá enforcar.

Como foi o Sérgio Moro da Alemanha nazista

A lição da justiça da Alemanha nazista para o Brasil, segundo o ex-ministro Eugênio Aragão. Por Kiko Nogueira
O Sérgio Moro da Alemanha
O ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão tem sido uma das vozes mais ativas do Brasil contra os abusos e a seletividade da Lava Jato. Faz um paralelo com o Tribunal Popular do Nazismo.

Aragão ficou meses no cargo. Sua coragem e a contundência contrastaram com o “republicanismo” do antecessor, José Eduardo Martins Cardozo — conceito precioso transformado em sinônimo de ser subjugado calado. “Não é justo com ele… Eu já peguei o barco adernando”, afirma.

Ele foi o entrevistado da semana no programa do DCM na TVT. Aragão se preparava para dar uma palestra na Casa do Saber, em São Paulo, num ciclo que tinha também como convidado o ministro Gilmar Mendes.

Destaco alguns trechos da entrevista.

Sobre Moro: “No momento que o Tribunal Regional Federal da 4ª região afirma que em tempos excepcionais as leis são excepcionais e não precisam ser observadas as leis, tudo é possível. Parece  que todo o direito brasileiro foi revogado pelo TRF, que é quem supervisiona a área de Curitiba, para dizer que Moro pode tudo. Então, se Moro pode tudo, seus amigos e o grupo em volta dele também podem. Nós estamos num momento em que parecemos jogados nos escombros daquilo que um dia a gente pensava que era a democracia e a segurança jurídica.

Sobre Deltan Dallagnol: “Quando um procurador vai a uma igreja fazer populismo penal, está alimentando uma cadeia de ódio, por mais que ache que estar dentro de uma igreja significa fazer um papel de purificação. O direito penal é um instrumento de violência do estado. Entanto você fazer, dentro de uma igreja, propaganda do direito penal, para mim parece uma contradição, tanto para a religiosidade quanto para o direito penal. Chega a ser obsceno”.

Sobre uma liberdade total de ação: “Na verdade, tanto o juiz Sérgio Moro quando os procuradores e os delegados estão todos correndo soltos. Parecem bola de gude em boca de banguela.”

Sobre o papel do STF: “Não tem balizamento. Ninguém diz ‘aqui você não pode chegar’. O Supremo declarou ilegais as gravações que Moro publicou a respeito da conversa da presidenta com o Lula. Nesse momento, o que deveria ter sido feito? Mandar imediatamente para a Procuradoria Geral da República para fazer promover um inquérito policial contra o juiz no TRF da 4ª região por conta do crime de quebra de sigilo. Aquilo é um crime. Mas não. Ficou por isso mesmo.”

Sobre a nossa justiça e a da Alemanha de Hitler: “O atual momento me lembra muito a visão de justiça nazista. O Roland Freisler, que era o presidente do Volksgerichtshof, o Tribunal Popular da Alemanha fazia exatamente isso — ‘tempos excepcionais exigem leis excepcionais’. Tudo era para garantir o que se chamava Gesundes Volksempfinden, a pureza, a limpeza do sentimento popular. É o que nós estamos vivendo hoje quando um juiz diz que tinha que publicar grampos porque o povo tem que saber dessas coisas. Ele se comportou como Roland Freisler, ele está protegendo aGesundes Volksempfinden. Nós vimos cenas de pugilato com o senador Lindbergh nas ruas e as pessoas acham normal. É assustador”.

Roland Freisler desempenhou um papel crucial na deturpação do judiciário alemão durante a era Hitler.

Tinha um forte traço patriótico desde a juventude. Foi condecorado com a Cruz de Ferro por suas ações na Primeira Guerra Mundial.

Dono de um vasto conhecimento legal, histriônico, entrou no Partido Nazista em 1925. Teve uma carreira ascendente a partir do triunfo de Hitler em 1933.

Tornou-se rapidamente um dos juízes mais temidos da Europa, graças a uma combinação de excelente conhecimento jurídico com táticas agressivas na corte.

Freisler era capaz de negar um cinto a um réu para, em seguida, condena-lo por suas calças arriarem. Ajudou a dar suporte legal para o Holocausto judeu.

Em 1942, virou presidente do Tribunal Popular, um sistema administrativo separado do sistema judicial regular. 90% dos casos levados a ele resultaram em pena de morte ou prisão perpétua.

Freisler conseguiu fazer de seu tribunal uma arma psicológica e uma forma de controlar os cidadãos sob o nacional socialismo, conferindo aos veredictos algum tipo de legitimidade retorcida.

Entre 1942 e 1945, calcula-se que tenha mandado 5 mil pessoas para a morte, mais do que o Tribunal Popular conseguiu de 1934 a 1942. Arruinou homens por causa do que chamava de “derrotismo”, por venderem bugigangas no mercado negro ou por ser lentos no trabalho.

Tudo cabia sob o guarda chuva de “crimes políticos”. Freisler supervisionou o caso dos integrantes do grupo Rosa Branca, capturado pela Gestapo. A organização não-violenta foi destruída e seus líderes foram para a guilhotina em 1943.


O julgamento foi filmado e usado como propaganda.

Eleição escancarou que Temer tem popularidade zero em São Paulo


Marta fez de tudo para esconder que era a candidata de Temer em São Paulo.

Não adiantou.

Quando os eleitores descobriram ela começou a cair e não parou mais.

Marta teve intenções de voto enquanto o eleitorado acreditou que ela ainda estava no PT.

Ela era o grande trunfo do novo governo para trazer popularidade.

O tiro saiu pela culatra. Marta está fora do segundo turno.

Temer não tem voto na sua terra natal, no seu reduto político, o que mostra a insignificância em que os paulistas o têm.

Estava escrito nas estrelas: os paulistas queriam depor Dilma, mas nem queriam saber – e não sabiam - quem viria em seu lugar. Quando viram que era Temer, deram-lhe as costas. Daqui a pouco estarão gritando "Fora Temer".

Temer tem popularidade zero em São Paulo.

A eleição escancarou essa realidade.

Aplicou uma lição em Temer e outra em Marta.

Mostrou a Temer, que por mais conservadora que seja a cidade, seus cidadãos tão conservadores quanto ele não aprovam seus métodos. Paulistas não gostam de golpistas.

Não há sintonia entre Temer e os paulistas.

Ele nunca fez nada por São Paulo.

A lição para Marta foi: nunca mude de partido somente para ter uma candidatura, principalmente se o novo partido não tiver nada a ver com as suas ideias.

Ela que despontou para o público defendendo a independência feminina entrou num partido cujo presidente entende que as mulheres devem ser "belas, recatadas e do lar".

Ela que, enquanto no PT aderiu às suas teses de defesa dos trabalhadores entrou num partido que, entre o capital e o trabalho, sempre prefere o capital.

Ou seja, foi um casamento arranjado (provavelmente por seu marido) que estava fadado a não dar certo.

Forçada a se posicionar na campanha, ela teve que reafirmar que tem histórico de defesa dos direitos trabalhistas que Temer planeja reduzir.

E foi torpedeada por mensageiros do governo.

Um grande desgaste para Temer e para ela e um sinal de relação conflituosa pela frente, pois, de volta ao Senado, Marta terá que votar medidas antipopulares, com as quais declarou não concordar.

Ou vota a favor e se desgasta ainda mais ou vota contra e entra em rota de colisão de vez com o governo que escolheu para ser seu.

O mandato de senador não é eterno. Daqui a pouco ela vai ter que pedir aos eleitores a renovação.

Mais uma vez cumpre-se a maldição: quem sai do PT nunca mais se elege.

Principalmente quando seu novo partido é comandado por um Mordomo de Filme de Terror.

Apontar para a cabeça da besta


Já não basta defender, é preciso atacar, e isso exige identificar quem são os verdadeiros inimigos da Nação.
Fernando Rosa

Os últimos discursos de Lula foram corretos ao defender as instituições, a legalidade, o papel do PT e os seus governos. É inegável que o Brasil mudou nesses últimos anos, cresceu, incluiu e afirmou sua soberania. O mundo, ou boa parte dele, sabe disso e por isso organiza a campanha #Standwithlula. No entanto, nesse momento, se isso fortalece em parte a defesa, por outra é insuficiente para enfrentar o inimigo.

O problema é que não estamos vivendo uma disputa qualquer pelo poder no país, entre partidos, ou projetos. A mídia, as organizações partidárias, as instituições policiais e do judiciário, capturadas, funcionam como “mariners” de aluguel. A Operação Lava Jato é o Cavalo de Tróia da destruição da democracia e da economia. O seu juiz viaja aos EUA antes de cada decisão adotada para atacar os interesses nacionais.

A presidenta Dilma foi cassada em um julgamento sem provas e o mesmo ocorrerá com o ex-presidente Lula. Não existe mais Lei, mas sim uma ditadura de classe, com sua versão parcial, cruel e vingativa dos fatos. Nada diferente das ditaduras tradicionais, nas quais as leis e as instituições não importam.  A apresentação “convicta mas sem provas” dos procuradores na semana passada simboliza essa realidade.

O Brasil está sofrendo uma agressão imperialista comparável às guerras contra o Iraque e a Líbia. É uma guerra de destruição, que pretende inviabilizar o Brasil como Nação soberana. Atacam a infraestrutura, promovem a destruição da indústria e paralisam a Defesa Nacional. Querem afastar o Brasil do BRICS, do Mercosul, romper com o multilateralismo e transformar o país em uma “colônia americana”.

Mas querem mais do isso, apostam em “liquidar” com qualquer pretensão de independência nacional. Condenaram o Almirante Othon para inviabilizar o submarino nuclear e meteram a parcela nacional e produtiva da burguesia na cadeia. Apostam em prender o ex-presidente Lula e, se possível, assassiná-lo para cortar o mal pela raiz. E também extinguir o PT e, com ele, marginalizar todas as organizações de esquerda do país

Já não basta defender, é preciso atacar, e isso exige identificar quem são os verdadeiros inimigos da Nação. Para isso é preciso perceber quem comanda e quais são os objetivos do  golpe de Estado. O golpe é americano, ou seja, é dirigido por uma inteligência externa e atende aos seus interesses. As evidências saltam aos olhos desde os primeiros passos, nos idos de 2013. Ou até mesmo antes, quando das escutas da NSA e dos e-mails vazados pelo Wikileaks.

É preciso ajustar os caminhos da luta nesse momento, apontar as nossas armas para a cabeça da besta. O nível de luta em curso impõe construir, rapidamente, uma ampla frente política – popular, nacional e patriótica. Mas uma frente que tenha juventude, mulheres, trabalhadores, padres, empresários e militares. Capaz de expressar um Projeto Nacional, que dê rumo ao país. É difícil isso agora, mas alguém precisa começar.

Brasil se desfaz em merda em nome de Jesus e do ódio fascista.

Reichsmarschall Dallagnol conduzindo o gado 

NÃO SER MEDÍOCRE SERÁ UM CASTIGO

Para a maioria dos menores de 40 anos, que não conheceu um outro país, vai tudo bem, tudo normal, mas para os que nasceram num tempo em que se pensava, em que o país se pensava, o Brasil vai se transformando rapidamente no túmulo do pensamento, da razão.

De um lado o fundamentalismo religioso destruindo as nossas raízes.

De repente o samba, a congada, o bumba meu boi, o reizado, o cavalo marinho, frevo, maracatu... Viraram manifestações diabólicas.

As festas juninas, sacrilégio e idolatria.

Se no plano cultural, folclórico, é esta devastação, no plano científico o estrago não é menor, a ponto de idiotas pleitearem introduzir o criacionismo nos currículos escolares e acadêmicos, algo assim como introduzir a crença em cegonha nos cursos de Ginecologia e Obstetrícia.

Observando os candidatos a vereadores e prefeitos, diante de alguns Tiririca é Doutor em Física Quântica e Bolsonaro é a Madre Teresa de Calcutá, figuras risíveis pedindo votos na televisão;
Ressurgem e com muita força o racismo, a xenofobia, o preconceito de classe, paradoxalmente defendido pelos pobres.

Para coroar tudo, uma reforma do ensino médio de arrepiar analfabetos.

Explico: a ciência, hoje, faz uma abordagem holística da realidade, onde as matérias curriculares existem apenas como forma de ordenar o conhecimento, porque nenhum assunto se esgota em si, interdependendo-se.

Por exemplo: houve uma época em que um médico era um anatomista (conhecia a localização e funcionamento dos órgãos) e um farmacologista, conhecendo as substâncias que atuam sobre o organismo humano, e ponto final.

Hoje, a tecnologia invadiu de uma tal maneira a área médica que o médico moderno é um técnico em eletrônica, um físico e químico, também, para dominar o uso de todo o equipamento do setor.

Um biólogo, que no passado era um compilador de nomes científicos, um identificador de espécies, hoje, graças ao domínio da Ecologia e do conhecimento dos mecanismos da Evolução, um biólogo é também edafólogo (solos), bioquímico, biofísico, meteorologista, geógrafo...

Não há mais o especialista, pelo conceito antigo, aquele cara que entendia muito de muito pouco.
Num quadro assim, buscar especializações no ensino médio é fatiar o saber, desde a base, e logo teremos médicos incapazes de redigir um diagnóstico, engenheiros incapazes de redigir um laudo, advogados incapazes de redigir uma petição, todos analfabetos funcionais, porque do português só uma vaga lembrança do que estudaram no curso fundamental.


Num tempo em que as informações nos chegam num ritmo avassalador, abrir mão da cultura geral, de pelo menos as noções básicas em cada campo dos conhecimentos é tornar-se um robô na linha de produção.

Como viver na era atômica sem saber o que é um átomo, de viagens siderais, sem ter pelo menos noção do Sistema Solar, sem conhecer pelo menos os rudimentos de anatomia, para conhecer o próprio corpo, ter noções mínimas de conceitos políticos e sociológicos, para não ser caixa de ressonância de mais espertos?

Quanto mais assuntos um homem domina maior a sua capacidade de análise e crítica, melhor entende e se situa no mundo, ao contrário dos iletrados analfabetos funcionais.

Normalmente o analfabeto funcional é monoideísta, vive de ideia única.

Repare que para muitos está tudo num livro considerado sagrado, tudo se resolve e se resolverá por intervenção divina; para outros, fazer política é apontar os corruptos adversários e defender os seus corruptos; os cuja única preocupação é a vida alheia...

É por demais sabido que os sem informações discutem pessoas, os medianamente informados discutem fatos e os bem informados discutem idéias.

Mas na contramão desses conceitos elementares o governo pretende fatiar os conhecimentos e dar uma fatia, somente uma, a cada brasileiro, a partir do ensino médio.

Como disse o pensador Terêncio: Homo sum: nihil humani a me alienum puto. “Sou humano e nada do que é humano me é estranho...”  

Os neoliberais gênios brasileiros caminham em direção oposta, o que pode ser resumido por “sou brasileiro e nada devo pensar, só trabalhar”.

Comissão de Ética da Presidência é formada por elementos expulsos do PCC for falta de caráter

Moraes mostra que governo tenta influenciar Lava Jato
Janio de Freitas

Nem a “investigação” do ministro da Justiça se justifica, antes devendo-se um agradecimento a esse precário Alexandre de Moraes; nem é verdadeiro que desembargadores paulistas tenham apenas anulado os cinco julgamentos e condenações precedentes dos 74 PMs do massacre de 111 presos no Carandiru.

A tal investigação, por Moraes ter informado jornalistas de nova operação da Lava Jato nesta semana (a prisão de Antonio Palocci), está a cargo da Comissão de Ética da Presidência. A Comissão, porém, não tem condições de investigar a ética de alguém, se não olha à sua volta e toma as providências consequentes.

Está na sua vizinhança, com banca de ministro na Presidência, um “anão do orçamento”, integrante do grupo de deputados que fraudava o Orçamento nacional em proveito próprio. Também com banca na Presidência, também o recordista de fraudes em concorrências, mancomunado com as grandes empreiteiras quando governador do Estado do Rio. E, para não perder mais tempo, um presidente homenageado por delações na Lava Jato e pendurado em processos na Justiça Eleitoral. Nenhum deles notado pela Comissão de Ética.

Acima de tudo, Alexandre de Moraes fez uma delação verdadeira. Quando delações de óbvia falsidade são feitas para receber prêmios, e aceitas como válidas, a delação que se comprovou, já de um dia para o outro, não deveria passar pela inversão ética de ser ela a perseguida.

Se esses argumentos forem insuficientes, ainda há o serviço prestado ao país por Alexandre de Moraes, como convém a um ministro da Justiça. No governo Dilma, os aécios não se cansaram de propalar que o governo interferia na Lava Jato, prejudicava-a, queria controlá-la. Até que o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, em nome da Lava Jato, disse que o governo jamais fez, ou tentou, qualquer interferência na operação.

Moraes e sua delação aos repórteres revelaram mudança essencial. Mostrar-se informado de próximas ações da Lava Jato significa que o governo atual extinguiu a distância que o separaria das operações, como se deu com a liberdade plena entregue, por Dilma e José Eduardo Cardozo, à ação da Polícia Federal.

Conhecimento das ações da Lava Jato, sendo a PF subordinada ao ministro, só tem sentido se for para praticar o poder hierárquico de influência. Para quem se lembra do que disseram Romero Jucá e outros, sobre a necessidade e modo de “parar essa sangria” feita pela operação, Moraes deu sinal de grande utilidade. Por mim, muito obrigado.

O sexto julgamento do Carandiru, por sua vez, ocorre quase um quarto século depois do massacre. Os desembargadores Ivan Sartori, relator, Camilo Léllis e Edison Brandão determinam que o processo volte ao começo. Por sorte, não pensaram em começá-lo um pouco mais atrás, pelo morticínio de 111 presos.

Cinco conjuntos de condenação anulados em sequência, um quarto de século de liberdade e impunidade dos acusados –o que é isso, se não for uma forma de absolvição? Os 74 PMs estão absolvidos de fato, em demonstração irrefutável do massacre que o sistema de Justiça –não os juízes como indivíduos, o sistema que os engolfa– aplica na ideia de Justiça.

O Haiti é aqui



Bob Fernandes
Carandiru: 24 anos e punição anulada. O Haiti é aqui.

Anuladas as penas de 74 PMs que, há 24 anos, chacinaram 111 presos no Carandiru. Penas que somavam 20.876 anos.
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O juiz-relator, Ivo Sartori, opinou: "Não houve massacre, houve legítima defesa".
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Foram mais de 600 tiros contra 111 presos. Muitos nas costas e nuca.
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Anistia Internacional, Humans Rigths Watch, Conectas...mundo afora entidades de Direitos Humanos bateram...
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"Impunidade", "chocante", "violação", "massacre covarde", "desumano e cruel", "sistema falido"...
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Num Tempo em que a Justiça parece poder tudo, quando quer tem o Poder até de não fazer nada.
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Milhões de brasileiros são prisioneiros daquelas Horas do Terror. Abduzidas pelo espetáculo de sangue que comanda programas de rádio e TV.
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Perfeito para faturar, para retroalimentar a violência das ruas. Para quem anuncia, com orgulho e debaixo de aplausos, ser atirador, matador.
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Repete-se o macabro clichê, como se fossem urubus: "Bandido bom é bandido morto". Quando ouvem falar em direitos humanos, que desvirtuam o que é, cobram:
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- E se fosse seu filho, sua mãe, seu irmão?
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Têm razão. Salvo psicopatas, sociopatas, ninguém quer perder ninguém, muito menos os próximos. Mas devolva-se a pergunta.
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O Brasil tem 630 mil presos amontoados em cadeias e presídios superlotados - 40% deles são provisórios, sem julgamento e culpa formada. E tem as chacinas...
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...E se um fosse sua filha, seu pai, sua irmã?
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Indiferença e silêncio diante da maioria das chacinas Brasil adentro. Salvo se muito chocante. Ou, quando um "dos nossos".
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E não se bate uma panela pelos quase 60 mil homicídios/ano.
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Mas quando tanto parece caminhar rumo à barbárie, à escuridão, a arte ilumina, alerta. Sobre o Carandiru, Caetano Veloso já disse:
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-(...)E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina//111 presos indefesos//Mas presos são quase todos pretos//Ou quase pretos...
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Ou quase brancos quase pretos de tão pobres// E pobres são como podres//E todos sabem como se tratam os pretos...
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(...) O Haiti é aqui. O Haiti não é aqui.
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Às armas, cidadãos! Ruanda é aqui!

A Lava Jato em Ruanda
A Lava Jato só acaba quando acabar com o PT
Jeferson Miola

Consumado o golpe para derrubar a Presidente Dilma e interromper o ciclo dos governos do PT que o PSDB não conseguiu licitamente nas últimas quatro eleições presidenciais, a Lava Jato seria encerrada. Uma vez concretizado o plano inicial, a Operação perderia sua razão de ser. Esta era a aposta prevalente na crônica política.

A evolução da Lava Jato, entretanto, indica que os controladores da Operação preferiram evitar o alto custo político de encerrá-la logo após a farsa do impeachment. Optaram por continuá-la, porém ajustando seu caráter, que passou a ser abertamente eleitoral e partidário.

Confortáveis no regime de exceção e de arbítrio que dá guarida à sua atuação político-ideológica, os juízes, delegados e procuradores da Lava Jato removeram a máscara da imparcialidade e da isenção que nunca tiveram.

Perderam o pudor, abandonaram o menor senso de decência pública e atuam acima e à margem da Lei. Se mostram tão despudorados quanto o candidato a prefeito de Curitiba que, sem auto-censura e vergonha humana, admite vomitar com o cheiro de pobre [sic].

Esses personagens se sentem poderosos, heroicos e inatingíveis graças à Rede Globo e à mídia que, no noticiário, incensa-os e glorifica-os, assim como sublima os não-valores que eles representam.

A virulência empregada contra o PT e o ex-presidente Lula assumiu um padrão totalitário nas fases recentes da investigação. Nas semanas pré-eleitorais, a força-tarefa promoveu um espetáculo propagandístico para condenar midiaticamente o ex-presidente Lula sem provas, mas com “muita convicção”; e para decretar a prisão de dois ex-ministros dos governos do PT, em flagrante inobservância ao devido processo legal e ao Estado de Direito. Tudo sob medida para fornecer munição e alvejar as candidaturas do PT na eleição municipal.

O contorcionismo dos agentes da Lava Jato para livrar de investigação e julgamento os integrantes do governo golpista, não é menos apavorante que esta realidade autoritária. A força-tarefa se esgueira em explicações inexplicáveis que não conseguem ocultar a seletividade e o direcionamento para mirar exclusivamente os “inimigos do regime” e safar os “bandidos do regime”.

Por dois anos e meio, os justiceiros da Lava Jato perseguem e caçam Lula, sem encontrar nenhuma ilegalidade. Apesar disso, e com impressionante petulância, transformam Lula no “comandante máximo”, “no general”, no “maestro” do “maior esquema de corrupção” do país.

Contraditoriamente, entretanto, a força-tarefa não investiga, não processa e não julga Cunha, Temer, Aécio, Jucá, Serra etc – todos, sem exceção, multi-campeões em delações, e donos de sabidas contas bancárias em paraísos fiscais, abastecidas aos milhões, com dinheiro provindo de corrupção na Petrobrás e em outras estatais que controlam.

A oligarquia golpista firmou um grande pacto para a restauração neoliberal na sua versão ultra-reacionária, que combina retrocessos nas conquistas do povo brasileiro, com regressão em matéria de direitos e liberdades civis e a re-colonização do Brasil pelas metrópoles imperiais.

A Lava Jato é um instrumento da oligarquia para aniquilar o PT e destruir a biografia e o legado de Lula, impedindo-o de disputar e vencer a eleição de 2018. A verdadeira disputa em curso não é a eleição do próximo dia 2 de outubro, mas sim a guerra final que a Lava Jato proclamou contra o PT e Lula.

A Lava Jato só acaba quando acabar com o PT. Nesta guerra, não há alternativas: ou vence o fascismo, ou vence a democracia.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Estamos sob o terror dos juízes sem lei

Luis Felipe Miguel

Semana passada, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu que a Lava Jato não precisa seguir as regras que se aplicam aos casos comuns. Na prática, significa que seus alvos estão com as garantias constitucionais suspensas. Qualquer um para quem Sérgio Moro torça o nariz perde automaticamente todos os direitos.

Ontem, foi a vez do Tribunal de Justiça de São Paulo anular o julgamento do massacre do Carandiru. Com a possibilidade de simplesmente absolverem os réus, sem convocação de novo júri, ao arrepio de todas as normas. Para arrematar, a justificativa é que o massacre de 111 homens desarmados pela tropa policial, vários deles alvejados múltiplas vezes pelas costas, foi "legítima defesa".

Hoje, o Tribunal de Justiça de São Paulo - de novo - inocentou o casal que torturava (e filmava) uma criança de três anos, fazendo-a andar com as pernas amarradas, impedindo que dormisse quando estava exausta, negando alimento quando estava com fome, obrigando-a a comer uma cebola como se fosse uma maçã etc. Eu falei "tortura"? Equívoco meu, claro. Segundo os desembargadores paulistas, não houve tortura, apenas "conduta atípica" da mãe e do padrasto.

São casos diferentes, com alcance diferente. Mas apontam na mesma direção. Estamos sob o terror dos juízes sem lei.

Sindicato dos Ladrões quer a lavagem da lavagem da lavagem de dinheiro...

Fernandinho Beira-Mar entrou na fila!

 Até condenado penalmente pode "repatriar"!

O Brasil dos brutamontes

Segunda Opinião
Wanderley Guilherme dos Santos

Há quem resvale à beira do ridículo, ou do adesismo, angustiado com o inexistente dilema de apoiar o governo Temer contra o que seria um golpe ainda mais reacionário do PSDB, de Aécio Neves e de Fernando Henrique Cardoso. Estava demorando aparecer o pretexto para a velha cantilena de ser preciso combater a reação por dentro. Em geral, o combate se dá por dentro de bons hotéis, bons empregos e bons salários.

Trapaça entre PMDB, PSDB e assemelhados é assunto de estrito interesse dos salteadores, que só discordam sobre qual o melhor caminho para espoliar economicamente os assalariados e manter os líderes populares indefinidamente afastados da competição pelo governo. Imaginar que os arrufos entre eles expressam pudores democráticos ou é autoengano ou tentativa de empulhar a boa-fé dos democratas. Judas! Judas! Judas!

O Brasil caiu na clandestinidade e a disputa por poder não tem limites, nem constitucionais, nem de protocolos de acordos, nem de projetos administrativos. Os bocados de poder são apropriados e mantidos aos berros, enquanto outro berrante não prevaleça sobre os bezerros. O Ministro da Justiça distribui filipeta de candidato a vereador, é desautorizado por delegados e fica por isso mesmo; procuradores dão espetáculo de ignorância, afetação e desonestidade intelectual, recebendo aplauso de juízes, estes, defensores da tese fascista de que é democrático normalizar a exceção. Promovem desnecessários espetáculos de prisões preventivas, algumas talvez justas, para acobertar arbitrariedades sem conta convertidas em técnica de chantagem. Ministros do Supremo agridem colegas pelos jornais, algo que só faziam durante as sessões da Corte. Tudo diariamente registrado nos jornais; não há pudor nem temor de reação. Ninguém da direita reage a ninguém da direita, ainda não entenderam?

Os brutamontes atuais, no Executivo, Legislativo e Judiciário só entendem a linguagem da brutalidade, o resto é lantejoula. Os ativistas da reação precisam sentir medo. Tergiversar é subterfúgio de colaboradores.

Lindbergh Farias identifica sociopata fascista que o atacou na saída de restaurante no Rio


Lindbergh Farias identifica homem que o atacou na saída de restaurante no Rio

Dos Jornalistas Livres:

 O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) reconheceu o sujeito que o ameaçou na noite de sexta-feira (23/09) na saída de um restaurante. O nome dele é Claudio Roberto Baldaque Guimarães, um valentão que já se envolveu em ocorrências policiais por embriaguês, disparos de arma de fogo e agressão.

Baldaque Guimarães estava no mesmo restaurante em que jantava o senador, acompanhado da mulher e de amigas. Sentado em uma mesa próxima da de Lindbergh, o fascista passou a insultar o petista, gritando: “Quem apoia Lula não pode jantar aqui”.

Quando Lindbergh saía do local, Baldaque Guimarães seguiu-o –sempre gritando e ofendendo. Ridículo, além de violento e covarde, o provocador ainda tirou a camisa, para mostrar sua disposição de partir para o confronto físico. Empurrou a mulher do senador, que caiu no chão, ferindo-se nos braços e pernas.

Lindbergh registrou queixa contra o agressor. E publicou nota na sua página de facebook, pedindo ajuda para que o homem fosse identificado, o que ocorreu nesta tarde (27/9) quando amigos receberam a informação de que o agressor era o Baldaque e o senador o identificou por fotos postadas no facebook.

Em 14 de julho do ano passado, o mesmo Claudio Roberto Baldaque Guimarães apareceu no noticiário policial, por causa de uma sessão de exibicionismo com arma de fogo. Ele e um amigo, José Daltro Queiroz de Magalhães Junior, foram presos em flagrante depois de fazer selfies com uma pistola automática. 380 na varanda do Lagoon, centro gastronômico de luxo na Lagoa, Zona Sul do Rio. Veja a matéria sobre esse fato AQUI.

Segundo o gerente do restaurante, ambos os homens haviam passado horas embriagando-se no local. Quando a PM chegou para dar um paradeiro na loucura, os amigos fizeram de seis a sete disparos para o alto, com o propósito de assustar os policiais. Havia mulheres e crianças no local.

Não para por aí. Baldaque também foi denunciado por comportamento violento em 28 de julho de 2010… Na ocasião, por causa de uma discussão de trânsito, arremessou seu carro contra o do policial Gilmar Pasquini. Na denúncia que fez contra o valentão, Gilmar Pasquini afirmou: [Depois disso, ele] “fugiu em marcha a ré em alta velocidade, tendo derrubado um pedestre de nome Marcio”.

O badboy abandonou no local a mulher que o acompanhava, e ela disse que o havia conhecido naquela noite, sendo que ele se identificou como “Claudio, delegado da polícia federal”. A mulher disse ainda que ele tinha bebido duas garrafas de vinho.

Jornalistas Livres procuraram Claudio Baldaque numa empresa de segurança que aparece ligada a seu nome. Também enviaram mensagem pela página de facebook de sua irmã. Ele não foi localizado.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Lava Jato: braço terrorista do regime de exceção

A Wehrmacht 
por Jeferson Miola

O golpe não se encerrou na sessão do Senado que cassou o mandato da Presidente Dilma na farsa do impeachment. Ali apenas se abriu um capítulo novo do ataque à democracia para a consolidação do regime de exceção que se vive no Brasil.

Os objetivos com a suspensão das regras democráticas são: [1] extirpar Lula e o PT do sistema político brasileiro – portanto, a representação dos pobres na política; [2] transferir a riqueza nacional ao capital estrangeiro mediante a regressão dos direitos do povo; e [3] inserir subalternamente o Brasil, a sétima potência econômica planetária, no sistema mundial.

Os sinais de arbítrio e excepcionalidade institucional já eram perceptíveis bem antes do desfecho do golpe, ainda nas etapas de conspiração e desestabilização do ambiente político.

No Judiciário e no Legislativo, decisões fundamentais que regeram o golpe continham escancarada arbitrariedade e excepcionalidade, mas assim mesmo foram legitimadas pela Justiça e naturalizadas midiaticamente, para envernizar o atentado à Constituição com a aparência de legalidade. A Rede Globo e conglomerados da mídia, praticando um noticiário conivente e de viés partidário, são essenciais para a subversão jurídico-institucional em curso.

O regime de exceção se caracteriza pela adoção de medidas de arbítrio e de coerção em substituição ao Estado de Direito e ao regramento legal; e pelo esmagamento da oposição política e social.

É um regime no qual as instituições de Estado, em especial policiais e judiciais, são capturadas partidária e ideologicamente, e direcionadas para a perseguição, combate e eliminação dos "inimigos do regime".

As Leis e a Constituição deixam de balizar as relações sociais e a resolução dos conflitos. A sociedade é então governada por ocupantes ilegítimos do poder; os sem-voto – usurpadores que, com lógicas totalitárias, distorcem as Leis e a Constituição para aniquilar oponentes políticos e instalar um esquema autoritário de poder.

A manifestação do Tribunal Federal da 4ª Região defendendo a adoção de "situações inéditas [da Lava Jato], que escaparão ao regramento genérico"; ou seja, soluções não subordinadas ao regramento jurídico, é uma evidência assustadora desta realidade.

Na ditadura instalada em 1964, os militares foram gradualistas. As medidas restritivas de liberdade, de repressão e de arbítrio foram instituídas à continuação do golpe, através dos sucessivos Atos Institucionais decretados entre abril de 1964 e dezembro de 1969, e que conformaram a índole fascista do regime.

O arcabouço jurídico do regime ditatorial de 1964, portanto, não foi cabalmente concebido no dia 2 de abril de 1964, quando o auto-proclamado "Comando Supremo da Revolução" [sic], liderado pelo general Arthur da Costa e Silva, assumiu o comando do país depois do golpe que derrubou o Presidente João Goulart.

Já neste golpe de 2016, a oligarquia fascista imprimiu uma dinâmica alucinada desde o primeiro instante. Pretende processar, no menor período de tempo, mudanças cruéis e com forte conteúdo anti-povo e anti-nação, que poderão ter efeito de longuíssimo prazo para a organização econômica e social do Brasil.

Para impor a agenda ultra-reacionária de restauração neoliberal, o governo golpista enfrentará uma oposição radical. Não se pode desprezar que, com a crise de legitimidade e com a propagação da resistência democrática, o regime tenderá ao embrutecimento; deverá assumir formas abertamente violentas, com prisões ilegais, torturas, assassinatos políticos.

O objetivo estratégico da oligarquia golpista é a proscrição do PT e a destruição do Lula no imaginário popular. Nas últimas duas semanas, a Lava Jato, que é o braço terrorista do regime de exceção, deu passos importantes nesta direção.

A força-tarefa da Operação, dominada por militantes fanáticos do PSDB, promoveu na véspera da eleição três ações semióticas, implacáveis, inteligentemente programadas: [1] a encenação espalhafatosa de procuradores "cheios de convicções, mas vazios de provas" contra Lula [dia 12/09]; [2] a aceitação da denúncia estapafúrdia, pelo justiceiro Moro [em 20/09]; e [3] a barbárie jurídica da prisão do ex-ministro Guido Mantega [em 22/09].

A Lava Jato faz um esforço titânico para apagar o legado da maior mobilidade social havida no Brasil em 520 anos no Brasil – 40 milhões de pessoas retiradas da condição de indigência – para ditar, em lugar disso, uma narrativa criminalizadora dos períodos Lula e Dilma, tendo como eixo a corrupção.

Sempre é oportuno recordar o pensador Norberto Bobbio, para quem o fascista não combate de verdade a corrupção, apenas emprega um discurso cínico da corrupção para tomar o poder: "O fascista fala o tempo todo em corrupção. Fez isso na Itália em 1922, na Alemanha em 1933 e no Brasil em 1964. Ele acusa, insulta, agride como se fosse puro e honesto. Mas o fascista é apenas um criminoso, um sociopata que persegue carreira política. No poder, não hesita em torturar, estuprar, roubar sua carteira, sua liberdade e seus direitos".

Com a cassação de Eduardo Cunha, o sócio do golpista e mega-corrupto governo Michel Temer, a Rede Globo, como num passe de mágica, virou a página da corrupção. A única "sujeira" que permanece na cena pública do noticiário da Globo e da mídia dominante, e que deve ser radicalmente extirpada, é o PT.

O banditismo político alcançou um patamar inédito no Brasil. Não só devido à brutalidade do ataque contra Lula e o PT, mas sobretudo devido à inteligência operacional e estratégica da oligarquia fascista na implantação do regime de exceção.

No Brasil nazista, até Hitler dorme com medo

Ódio aos golpistas

Willians Miguel
ÓDIO AOS GOLPISTAS

O Brasil, hoje, é "governado" por um golpista salafrário, uma corja de ministros picaretas da pior espécie e um judiciário venal e mal-intencionado, todos sob o doce olhar conivente de uma imprensa corporativa criminosa e sabuja.

Não tenho o menor respeito por quem, direta ou indiretamente, participa dessa monstruosidade. Não perdoo, sequer, o repórter setorista estagiário. Qualquer um - jornalista, principalmente - que tenha vergonha na cara não participa desse escárnio.

Ficamos assim: quem defende o golpe ou tenta edulcorá-lo é meu inimigo. É inimigo do Brasil e dos brasileiros honrados. Perdi a paciência com esses canalhas. Não há a menor hipótese de me envolver em um debate civilizado com essa escória.

Operação Boca-de-urna


Primeiramente, morte aos bandidos fardados, togados e concursados

Carlos Motta

Lula indiciado por convicções.

Palocci preso por falta de provas.

Mantega preso não se sabe por qual motivo e solto porque a mulher está doente.

Polícia Federal se desculpando por ter achado que JD era José Dirceu.

Nem Kafka seria capaz de imaginar situações como essas.

Cristóvão Feil
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Hoje, o juiz Moro justificou a prisão do Palloci. Ele foi preso porque não encontraram provas que o incriminem. Ficará preso até aparecerem provas.

Luis Felipe Miguel

Sobre o JD: a sigla na planilha da Odebrecht significava "José Dirceu", quando ele era o alvo da vez. Agora, significa "Jucelino Dourado", ex-chefe de gabinete de Palocci, que é quem devia ser preso. Amanhã, se necessário, vai ter outra tradução. Porque, afinal, os culpados já são culpados de antemão; o trabalho é só arranjar alguma coisinha que sirva para condená-los.

De minha parte, ponho fé que JD é "João Doria". Quero ver a PF prender o almofadinha.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Johnbim pode substituir advogado do PCC no ministério da "justiça"

Ex-ministro da Justiça, que já presidiu o Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim é hoje o nome mais cotado para substituir Alexandre de Moraes, que antecipou, durante um comício do PSDB, em Ribeirão Preto, a nova fase da Lava Jato, que prendeu Antonio Palocci; Moraes, que já foi advogado de Eduardo Cunha e secretário de Segurança Pública de Geraldo Alckmin, irritou o Palácio do Planalto por ter instrumentalizado a operação; com bom trânsito na classe política e no Judiciário, além de filiado ao PMDB, Jobim começa a emergir como um nome de consenso num dos momentos mais delicados da história do País, em que as delações de empresas como Odebrecht e OAS ameaçam implodir todo o sistema político; Temer e Moraes terão reunião decisiva nesta tarde, mas a tendência, pela temperatura atual, é a demissão.

A Republiqueta de Alexandre de Moraes

Guilherme Boulos

Ontem o Ministro Alexandre de Moraes anunciou novas prisões - das quais em tese não teria conhecimento - num evento de campanha do PSDB em Ribeirão Preto. Hoje, a PF subordinada a Moraes prendeu Palocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto.

É o mais completo escárnio. Não há como não relacionar isso à disputa eleitoral, há 6 dias das eleições. E não se trata de ter simpatia ou não por Palocci - particularmente não tenho nenhuma - mas de entender a gravidade dos abusos e seletividade da Lava Jato.

Quando um tipo como Alexandre de Moraes decide quem vai ser preso e quando vai, sem fazer questão alguma de esconder isso, é porque o Estado de Direita já não preserva nem as aparências de Estado de Direito.

Fernando Haddad vai perder porque não tem nenhuma das qualidades que o paulistano aprecia

O paulistano anseia por um escândalo de corrupção envolvendo o prefeito
Não é ignorante, não é ladrão, não odeia a cidade...

De tudo o que escrevi por aqui, o que mais gerou revolta foi falar bem de São Paulo. Cariocas ficaram revoltados com um carioca elogiando outra cidade que não o Rio. Paulistanos ficaram revoltados com um carioca elogiando a cidade deles. "Falar bem de São Paulo é fácil!", gritavam. "Quero ver morar aqui!"

Na Redação da Folha me explicaram que quebrei um acordo tácito: aqui não se fala bem de São Paulo. Acho que foi o Juca Kfouri que me ensinou: "O que a imprensa carioca e a paulista têm em comum é que a imprensa carioca odeia São Paulo e a imprensa paulista odeia São Paulo".

Só mesmo essa falta de autoestima explica a maneira como tratam o Haddad. A decepção do paulistano com o prefeito me lembra da tristeza de uma amiga que reclamava do namorado fofo demais. Suspirava: "Se ao menos descobrisse que ele me trai...". Todo dia entrava no Facebook dele e nada. Nem uma cutucada.

Tenho certeza de que todo dia o paulistano abre o jornal ansiando por um escândalo de corrupção envolvendo o prefeito. Algo que fizesse jus à expectativa. Bastava um desviozinho pra paixão voltar com tudo! Mas nada. Enquanto isso, Doria e Russomanno só fazem subir nas pesquisas –na mesma proporção em que pipocam escândalos envolvendo os mesmos.

Tenho a impressão de que os paulistanos votaram em Haddad da primeira vez por causa do sobrenome. Pensaram: "Kassab, Maluf, Temer, Alckmin... Deve ser da turma deles". (Ainda vão explicar a onipresença libanesa na política brasileira).

Ledo engano. Haddad fez corredor de ônibus, levou cinema pra periferia, priorizou a bicicleta, reduziu acidentes, empregou travestis, cuidou dos crackudos, fechou a Paulista pra pedestre, fechou o Minhocão mais cedo aos sábados pras famílias, e nem uma pontezinha superfaturada. Nada. Nem um peculatozinho.

Poxa, Haddad, aí fica difícil te defender.

Por isso, sugiro ao pessoal da campanha do Haddad que invente um desviozinho, uma evasão de divisas, uma rua "incorporada". Não precisa provar nada. Põe um dinheiro na cueca do candidato. Qualquer coisa que mostre aos paulistanos que o prefeito vai se comprometer a tratar a cidade como os antecessores: mal pra dedéu.

Um gesto corajoso seria mudar pro PMDB. Mostraria pro eleitor a seriedade no compromisso com a corrupção. Todos sabem que um candidato honesto no PMDB seria imediatamente exonerado.

PCC sequestra Antonio Palocci

Porta-voz de Marcola exige resgate

O ex-ministro Antonio Palocci foi preso durante a 35ª da Operação Lava Jato Boca de Urna do PCC/PSDB ; ontem, em Ribeirão Preto (SP), cidade de Palocci, o ministro da Justiça Alexandre de Moraes fez campanha por Duarte Nogueira, do PSDB, e antecipou que haveria "mais Lava Jato" nesta semana; "Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim", disse o ministro; para o PT, o governo começa a usar a Polícia Federal com fins eleitoreiros

domingo, 25 de setembro de 2016

Folha acerta uma vez na vida e diz que errou!

Deltan Dallagnol é um idiota

Urgente: pesquisa séria, técnica, honesta e imparcial da Datafolha muda o cenário eleitoral em São Paulo!

Folha de S. Paulo é órgão oficial de propaganda da ditadura


A Folha gasta duas páginas hoje para afirmar que não só ela, mas toda a grande imprensa é crítica ao governo Temer. Mostra várias de suas próprias reportagens e também uma pequena coluna com "Destaques de outros veículos", destinada a provar a imparcialidade do Estadão, do'O Globo e até da Veja.

O simples fato de que sintam a necessidade desta defesa mostra que as críticas à manipulação da informação estão incomodando.

Mas a defesa se baseia, ela própria, em manipulação. Claro que a Folha apresenta matérias críticas ao governo Temer. É possível que Temer, com o complexo de Luís XIV que tem, se sinta profundamente magoado por estarem falando mal dele e de seus amiguinhos. É possível até que a Folha ganhe um diploma de oposicionismo num teste de "valências" do noticiário, mas isto só mostraria, uma vez mais, as insuficiências deste método.

A Folha colabora com o golpe não por evitar críticas ao governo golpista, mas porque participa do processo de criminalização de Dilma, de Lula, do PT e das esquerdas, endossando as denúncias vazias dos procuradores e juízes reacionários e fazendo vista grossa para a maioria das arbitrariedades da Lava Jato.

A Folha colabora com o golpe não por evitar críticas ao governo golpista, mas por aderir à narrativa que justifica suas inúmeras iniciativas antipovo, com o enquadramento conservador e unilateral de questões vinculadas às contas públicas, reforma da previdência, direitos trabalhistas, reforma do ensino etc.

A Folha colabora com o golpe não por evitar críticas ao governo golpista, mas porque, com elas, constrói a oposição entre o governo Dilma, marcado pela corrupção e levando à destruição do país, e o governo Temer, que até tem um ou outro fruto podre e é atrapalhado, mas está tentando acertar.

A Folha colabora com o golpe não por evitar críticas ao governo golpista, mas porque, mesmo nas críticas, segue um roteiro de ocultação, minimização ou viés. Oculta aquilo que reafirma a ilegitimidade do governo, como o ato falho do usurpador nos Estados Unidos. Minimiza as acusações contra a Lava Jato e contra integrantes-chave do governo golpista - na matéria de hoje, reproduz orgulhosamente uma denúncia de corrupção contra José Serra, mas esquece de dizer que enterrou o caso em 24 horas (e quem lê o resumo acredita que o assunto morreu porque as explicações do ministro foram suficientes). E enviesa todo o debate sobre as questões de fundo.

Faz tempo que o jornalismo sabe que o público espera que ele "bata" nos governantes. É seu papel como "cão de guarda" do interesse público. Mas existe muita diferença entre um combate para matar, com soco inglês nas mãos e todos os outros truques sujos, e uma briguinha ensaiada, um telecatch, que pode fazer rir mas não machuca.

Implantado oficialmente o Estado Fascista no Brasil

'Soluções inéditas' da Lava Jato têm um nome: Tribunal de Exceção
Janio de Freitas
A realidade não precisa de batismo nem definição, mas ambos tornam mais difundidas a sua percepção e compreensão. Esse é o auxílio que o país recebe de um tribunal do Sul, quando os fatos fora do comum se multiplicam e parecem não ter fim: a cada dia, o seu espetáculo de transgressão.

Foi mesmo um ato tido como transgressor que levou o tribunal, ao julgá-lo, a retirar a parede enganadora que separava a realidade de certos fatos e, de outra parte, a sua conceituação clareadora. Isso se deu porque o Tribunal Regional Federal da 4a Região (Sul) precisou decidir se aceitava o pedido, feito por 19 advogados, de "processo administrativo disciplinar" contra o juiz Sergio Moro. O pedido invocou "ilegalidades [de Moro] ao deixar de preservar o sigilo das gravações e divulgar comunicações telefônicas de autoridades com privilégio de foro [Dilma]". Parte das gravações, insistiu o pedido, foram interceptações "sem autorização judicial".

Se, entre os 19, alguém teve esperança de êxito, ainda que incompleto, não notara que recursos contra Moro e a Lava Jato naquele tribunal têm todos destino idêntico. Mas os 19 merecem o crédito de haver criado as condições em que o Judiciário reconheceu uma situação nova nas suas características, tanto formais como doutrinárias. Nada se modifica na prática, no colar de espetáculos diários. O que se ganha é clareza sobre o que se passa a pretexto da causa nobre de combate à corrupção negocial e política.

De início era apenas um desembargador, Rômulo Pizzolatti, como relator dos requerimentos. Palavras suas, entre aquelas com que apoiou a recusa do juiz-corregedor à pretensão dos advogados: a ação do que se chama Lava Jato "constitui um caso inédito no direito brasileiro, com situações que escapam ao regramento genérico destinado aos casos comuns". E o complemento coerente: a Lava Jato "traz problemas inéditos e exige soluções inéditas".

O "regramento genérico" é o que está nas leis e nos códigos, debatidos e fixados pelo Congresso, e nos regimentos e na jurisprudência criados pelos tribunais. O que "escapa ao regramento" e, em seu lugar, aplica "soluções inéditas" e apenas suas, tem nome no direito e na história: Tribunal de Exceção.

A tese do relator Rômulo Pizzolatti impôs-se por 13 votos contra um único desembargador. Não poderia ser tida como uma concepção individual do relator. Foi a caracterização –correta, justa, embora mínima– que um Tribunal Federal fez do que são a 13a vara federal de Curitiba, do juiz Sergio Moro, e "a força-tarefa" da Procuradoria da República no sistema judicial brasileiro, com o assentimento do Conselho Nacional de Justiça, do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Conselho Nacional do Ministério Público e dos mal denominados meios de comunicação.

Fazem-se entendidos os abusos de poder, a arrogância, os desmandos, o desprezo por provas, o uso acusatório de depoentes acanalhados, a mão única das prisões, acusações e processos: Tribunal de Exceção.


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