quinta-feira, 30 de junho de 2016

Matar crianças pobres em São Paulo é aceitável para a elite branca

Inversão de valores
Guilherme Boulos

Matar uma criança é o crime universalmente mais abominado. Correto? Depende. De quem morre e de quem mata.

No último mês as forças policiais de São Paulo mataram duas. Ítalo, de apenas dez anos, foi morto com um tiro na cabeça por policiais militares, no último dia 2, na zona sul da capital. E Waldik, de onze, foi assassinado por um guarda civil na semana passada na Cidade Tiradentes.

Ah, se fosse nos Jardins! Os assassinos estariam presos e milhares de pessoas teriam marchado na avenida Paulista com balões brancos. A sociedade se comoveria ante dois futuros ceifados e saberíamos hoje todos os detalhes de suas vidas, seus gostos e preferências. Seriam tratados, enfim, com o luto que se reserva às crianças mortas.

Mas nem todas as crianças têm direito a esse luto. Dois garotos pobres e mortos em "perseguições policiais" não parecem ser dignos de nossa empatia.

O que se sabe da história de Ítalo é uma sucessão de sofrimentos. Abandonado pelos pais, foi encontrado empinando pipa e pedindo comida na rua. Levado a abrigos, uma psicóloga que o acompanhou relata que, apesar das marcas de queimadura de cigarro pelo corpo, era alegre e ensinava as crianças a fazer pipa. Entre a revolta do abandono e a alegria infantil, alimentava o sonho de ser cantor.

Já Waldik vivia com a família e, como as crianças de sua idade, gostava de jogar bola e andar de bicicleta. Em uma de suas últimas fotos aparece sorridente na praça de alimentação do shopping, após ter ido ao cinema. "Vou sentir que ele morreu depois, que ele não vai estar mais na caminha dele", disse dona Orlanda, a mãe.

Duas crianças, nenhuma comoção. Mas o sinal de horror não está apenas na falta de empatia, numa certa indiferença social ao assassinato dos dois. Vai além disso, numa perversa inversão de valores.

Moradores do Morumbi, bairro onde Ítalo foi morto, organizaram um ato em defesa dos "heróis" da PM, em referência aos assassinos do menino. Nas redes sociais proliferaram postagens apresentando as duas crianças como elementos perigosos e comemorando as mortes.

A inversão consiste em apresentar as vítimas como vilões, ainda que sejam crianças de dez e onze anos. Dando voz institucional a isso, o deputado Coronel Camilo (PSD) apresentou um projeto para desmontar a Ouvidoria da Polícia de São Paulo, órgão de controle externo da atividade policial, após declarações do ouvidor em relação ao assassinato de Ítalo.

O ouvidor, Julio Cesar Fernandes Neves, afirmou ver indícios evidentes de irregularidade na ação policial e cobrou investigações. Disse o que qualquer pessoa sensata diria. E o que, aliás, ficou comprovado em perícia posterior, mostrando adulteração da cena do crime pelos policiais.

Mas, como se sabe, nenhuma situação é tão absurda que não possa piorar. O projeto do Coronel Camilo pretende acabar com a indicação da lista tríplice para a Ouvidoria por órgãos da sociedade civil e permitir a exoneração do ouvidor pelo governo antes do fim do mandato. Trata-se, de fato, de destruir qualquer autonomia do órgão.

A Ouvidoria divulgou recentemente o dado de que as forças policiais paulistas mataram 191 crianças e adolescentes nos últimos seis anos, revelando que os casos de Ítalo e Waldik não foram isolados. Mostrou ainda que 60% desses jovens são negros.

É compreensível que denúncias como essa incomodem uma instituição pouco acostumada à transparência e que parece ter salvo-conduto para matar.

O ouvidor está correto e precisa ser respaldado. A Ouvidoria deve ser fortalecida como instituição independente, ganhando inclusive mais prerrogativas na investigação dos crimes praticados por policiais.


Há algo de errado quando os policiais que mataram uma criança estão soltos e quem os denuncia é posto sob suspeita.

Jornazista é condenado a indenizar governador do Acre por danos morais

Reinaldo Azevedo é condenado a pagar R$ 20 mil a governador do Acre por danos morais
Revista Fórum

O colunista da revista Veja, Reinaldo Azevedo, foi condenado pela Justiça a pagar R$ 20 mil por danos morais ao governador do Acre Tião Viana (PT). A decisão em primeira instância foi feita pela juíza Zenice Mota Cardoso em Rio Branco, capital do estado.

O governador processou Reinaldo Azevedo por conta de um artigo publicado no site da revista em maio de 2015 em que o colunista afirma que Tião Viana se comportava como um “coiote” por ter permitido a entrada de imigrantes haitianos no Acre. A palavra coiote é usada para se referir aos atravessadores de imigrantes ilegais. Os coiotes se aproveitam da vulnerabilidade do imigrante para explorá-lo.

Na sentença, Zenice Cardoso diz que “a expressão ‘coiote’ e a comparação refere-se à ação de transporte de pessoas, ou quando não à ações ilegais, de modo que dispor que o autor estava agindo como ‘coiote’ implica não só em uma crítica contundente e ácida à política adotada, mas em flagrante ofensa à honra e à imagem de pessoa pública que ao agir em política pública apoiada inclusive pelo governo federal, tem sua ação equiparada a atividades ilegais de ‘coiotes’”.

Além dos R$ 20 mil que terá que pagar a Tião Viana, Reinaldo Azevedo ainda foi condenado ao pagamento das custas processuais, fixadas em 50% do valor da sentença e custas advocatícias, fixadas em 10% do valor da sentença.

Celso Russomanno propõe ao STF devolver o dinheiro que diz não ter desviado ou roubado...

Russomanno ao STF: “Se eu te devolver o dinheiro que eu não desviei, você me absolve?”

O deputado federal Celso Russomanno (PRB-SP) fez uma proposta inusitada ao Supremo Tribunal Federal. Em um processo que acusa o político de desviar verba da Câmara para pagar uma funcionária fantasma, Russomanno propôs ao Supremo a devolução do dinheiro que ele diz que não ter desviado para ajudar a provar sua inocência. Se condenado, parlamentar cai na lei Ficha Limpa e fica proibido de se candidatar a prefeitura de São Paulo neste ano

Por Redação*

O deputado federal Celso Russomanno (PRB-SP), pré-candidato à prefeitura de São Paulo, fez uma proposta inusitada ao Supremo Tribunal Federal. Em um processo que acusa o político de desviar verba da Câmara para pagar uma funcionária fantasma, Russomanno propôs ao Supremo a devolução do dinheiro que ele diz que não ter desviado para ajudar a provar sua inocência.

A funcionária fantasma Sandra de Jesus recebeu pagamento da Câmara entre 1991 e 2007. O parlamentar foi condenado em primeira instância, mas a pena foi convertida em prestação de serviço e pagamento de 25 cestas básicas (aproximadamente R$ 11 mil).

Se Russomanno for condenado ele ficará proibido de concorrer as eleições de 2016. O deputado e apresentador do programa “Patrulha do Consumidor” na Rede Record é apontado em primeiro lugar nas pesquisas para prefeito de São Paulo.

A defesa de Russomanno diz que ele “está convicto de sua inocência” e propõe o pagamento para que não haja “dúvidas de sua lisura no agir e de dua conduta como homem público”.

“Embora esteja convicto de sua inocência e acredite que esta corte dará provimento ao recurso de apelação interposto, a fim que não se tenha dúvidas quanto a sua lisura no agir e de sua conduta como homem público, requer seja expedida guia de recolhimento, com a devida atualização monetária, do valor que, segundo a acusação teria sido indevidamente pago pela Câmara dos Deputados à senhora Sandra de Jesus, a fim de que o requerente [Russomanno] proceda ao seu pagamento.”

O jornal Folha de S.Paulo fez uma matéria em novembro do ano passado revelando que funcionários registrados no gabinete de Russomanno, em Brasília, trabalhavam na ONG do deputado em São Paulo, o Inadec (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor). Na época, o candidato à prefeito disse que seu escritório político funciona no mesmo edifício que o Inadec. A legislação da Câmara permite que os servidores trabalhem nos Estados de origem dos políticos.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot enviou uma manifestação ao STF pedindo que o deputado seja condenado e que o tribunal negue o pedido de Russomanno para devolver o dinheiro.

“Há a pretensão em ver reduzida a pena imposta na sentença [de primeira instância], tendo em vista a alegada devolução de verba de gabinete e o agora sinalizado compromisso de recolhimento dos valores pagos à ex-servidora Sandra de Jesus. No entanto, essa pretensão não merece acolhida”.

*BuzzFeed Brasil

Poema ao presidente enterino

Luciano Martins Costa

Nada a Temer

Senhor presidente
enterino
dizem que o senhor
é poeta
no entanto, eu diria
que nem todo verso
é poesia.
Portanto, eu lhe dedico
esta idiossincrasia
que o senhor pode
incontinenti
botar num quadro.
Ou no penico.

Senhor presidente
enterino
seu governo intestino
produz o que é
natural
do sistema intestinal.
És um vate? Faz-me rir
pois sua veia poética
é a artéria hemorroidal.

Senhor presidente
enterino
por ironia, o destino
lhe dá o papel principal.
Sua pose, o porte altivo
faz de você, de repente,
um retrato quase vivo
- personagem de Chagall.
Como se sabe, o pintor
juntou passado e presente
e retratou uns viventes
voando no ar, sem chão.

Senhor presidente
enterino
assim se faz a ironia
de quem por mal se define:
ao trair seu compromisso
você virou simplesmente
um tipo de Mussolini
de porca biografia.
E assim, de vice omisso
assume o papel central
na trama da aleivosia.

Senhor presidente
enterino.
Sabemos que nos compete
construir um mundo novo
com o que nos cabe
plantar.
Você escolheu no palco
o papel mais deprimente
do traidor Calabar.
Por isso, fique ciente
ao refletir com capricho
que no balanço dos tempos
seu lugar será o lixo.

Senhor presidente
enterino
Você confiou na mídia
para compor essa farsa
do seu governo baba-ovo
- que é apenas perfídia.
Pois saiba que, no futuro
quem vai escrever a História
seremos nós.
Nós, o povo.

O "Brexit", o fascismo e o medo

Mauro Santayana

Depois de intestina disputa que rachou a sociedade inglesa, cujo ápice foi o emblemático assassinato da deputada trabalhista Jo Cox por um fanático fascista que, ao atacá-la a tiros, gritou “a Grã Bretanha primeiro!”, slogan inspirado, assim como o de “o Brasil acima de tudo!”, no “Deutschland Uber Alles!”, do hino nazista, o Reino Unido - cada vez mais desunido - votou, finalmente, por sua saída da União Europeia.    

O resultado provocou terremotos internos e externos. As bolsas caíram em todo o mundo. O primeiro-ministro David Cameron já marcou data para se afastar do cargo.

E pode levar à desagregação do país, já que a Irlanda do Norte e a Escócia anunciaram que pretendem convocar plebiscitos próprios para decidir, a primeira,  se continua na União Européia, e a segunda, se vai unir-se à República da Irlanda.

Além disso, a libra já caiu mais de 10% com relação ao dólar e ao euro, e os alimentos e as viagens para o exterior ficarão mais caras, porque em alguns produtos, como leite e manteiga, e certos vegetais, por exemplo, mais de 50% do que é consumido na Inglaterra vem do continente, no outro lado do canal. 

Comandada pela direita e pela extrema direita, e provocada principalmente pela ignorância característica dos dias de hoje - milhares de britânicos entraram no Google para perguntar, às vésperas do plebiscito, o que era “União Européia” - e pelo medo e a aversão aos imigrantes, a vitória do “Brexit” é mais um poderoso exemplo do comportamento burro, deletério e ilógico do fascismo.
        

Com a saída da UE, a Inglaterra tende a perder influência na Europa; a enfraquecer-se frente a eventuais adversários extracomunitários; a empobrecer econômicamente, diminuindo seu acesso a um dos maiores mercados do mundo; além de aumentar seu isolamento no âmbito geopolítico e sua histórica dependência dos Estados Unidos.

Uma situação que deveria servir de alerta, no Brasil,  para aqueles que querem acabar com a UNASUL e o Mercosul a qualquer preço e substituí-lo por “acordos” de livre comércio desiguais com países e grupos de países altamente protecionistas, como a própria União Europeia, que contam com capacidade de pressão muito maior que a nossa.
  
Decepcionada e frustrada com os resultados das urnas, a juventude inglesa reclamou que seu futuro foi cortado, lembrando que os jovens britânicos perderam, entre outras coisas, a chance de trabalhar em 27 diferentes países, e  engrossou um manifesto de 3 milhões de assinaturas que pede a realização de novo plebiscito - hipótese improvável, praticamente impossível de avançar neste momento, diante da indiferença e do egoísmo dos vitoriosos.

Nunca é demais lembrar que o fascismo, também em ascensão na Inglaterra de hoje, rejeita e despreza - apaixonadamente -  o  futuro.

Mesmo quando se disfarça de "novo" e disruptivo, como ocorreu com a Alemanha Nazista, ele está profundamente preso ao passado, como mostrou claramente Mussolini - e também Hitler com seus monumentos, estátuas, bandeiras e desfiles - ao tentar emular, canhestramente, a cultura   greco-romana e repetir - nesse caso, na forma  de tragédia, com as seguidas derrotas militares italianas - a glória perdida da Roma Imperial.

O fascismo - ao contrário do que muitos pensam - não é glorioso, mas medroso. 

Fascistas temem, paradoxalmente, aqueles que consideram mais fracos, e por isso são “apolíticos”, homofóbicos, eugenistas, antifeministas, racistas, intolerantes, discriminatorios, xenófobos,  anti-culturais e contrários ao voto obrigatório e universal.

A suástica, girando sobre seu eixo,   reproduz o movimento concêntrico de alguma coisa que se encerra em si mesma, repelindo tudo que venha de fora, como uma tribo ignorante e primitiva, um molusco que fecha velozmente sua concha, ou um filhote de porco espinho ou de tatú que se enrola, tapando a cabeça, ao primeiro sinal de ruído ou de aproximação.

Da mesma forma que faziam, patologicamente, os soldados   nazistas, educados no temor da “contaminação” judaica, cigana ou bolchevique, que se comportavam como diligentes técnicos de dedetização tentando conter uma epidemia, fechando-se a qualquer razão ou sentimento, ao matar récem nascidos e crianças de três, quatro, cinco, seis anos de idade, escondidas debaixo da cama, ou trancadas na derradeira escuridão das câmaras de gás, da forma mais fria e repulsiva, como se estivessem exterminando, simplesmente, pulgas, percevejos e ratos, ou esmagando ovos de barata.

O Brexit - a saída da Inglaterra da União Européia - é mais um perigoso aviso, entre os muitos que estão se repetindo, nos últimos tempos - como sinais proféticos - do próximo retorno de um fascismo alucinado e obtuso.

Um retorno que se dá, e se torna possível, mais uma vez, pela fraqueza e indecisão da social democracia, a existência de uma pretensa massa de “defensores” do Estado de Direito e da liberdade, amorfa, apática, inativa; e de uma esquerda que apenas espera, de braços cruzados, também encerrada, em muitos países do mundo, em seus próprios sites e grupos, disfuncional, estrategicamente confusa, passiva, inerme e dividida, sem reagir ou defender-se quando atacada, nem mesmo institucionalmente, como um letárgico  bando de carneiros pastando ao sol.

O medo fascista está de volta. 
E não se limitará à Inglaterra.

Se não for contido o avanço de sua imbecilidade ilógica, por meio do recurso ao bom senso e à inteligência, outros países da UE, tão xenófobos quanto racistas, seguirão o reino de Sua Majestade em seu caminho de  intolerância, isolamento e fragilidade.

Porque o fascismo só avança com a exploração do medo e do egoísmo.

O medo de quem se assusta com o outro, repele o que é diferente e rejeita o futuro e a mudança.

O egoísmo daqueles que preferem erguer muros no lugar de derrubá-los; que se empenham em separar no lugar de unir; que escolheriam, se pudessem decidir, matar a fecundar, saudando a morte, como fazem em muitos países do Velho Continente e em outros lugares do mundo, jovens e antigos neonazistas de coração estéril, com a artrítica, tremente, mão espalmada levantada,  no ressentimento raivoso de uma velhice amarga, que cultiva e adora o deus do ódio no lugar de celebrar a vida, o amanhã, a alegria, o encontro e a diversidade.

Janaína Paschoal, advogada do golpe, foi escrachada no aeroporto de Brasília


Trumpismo global

Laura Carvalho

A força de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas vem causando rupturas dentro do próprio Partido Republicano. O trumpismo, como apontou um artigo no "Guardian" de 19/5/2016, seria uma miscelânea populista de nacionalismo com protecionismo.

Ao destoar do establishment de ambos os partidos, o caráter antiglobalização do discurso de Trump obtém forte apelo com uma parte da classe trabalhadora –em sua maioria branca– que vem sofrendo há mais de três décadas com os efeitos da desindustrialização e da ampliação das desigualdades no país.

A crise de 2008 certamente deu força ao fenômeno. Em parte pela elevação do desemprego, mas sobretudo pelo caráter simbólico do vultoso programa de resgate que salvou da quebra os principais atores do sistema financeiro, sem que houvesse punição severa para os responsáveis pelo colapso.

Apesar da necessidade concreta de conter o caos, o que grande parte da população norte-americana enxergou foi uma conspiração das elites para salvar alguns de seus membros, que rapidamente voltaram a receber altos bônus de final de ano, enquanto a classe trabalhadora ainda sofria com a perda de empregos e queda no valor de suas casas.

As contradições evidentes fizeram eclodir, ao mesmo tempo, o movimento Occupy Wall Street, que tomou as ruas de Nova York com o slogan "Nós somos os 99%", e o Tea Party, personificado no conservadorismo retrógrado de Sarah Palin.

A força da candidatura de Bernie Sanders nas primárias eleitorais deste ano pode ser vista como um reflexo do primeiro movimento, que questiona o sistema econômico em vigor por suas consequências nefastas sobre as desigualdades de renda. Já a resposta anti-imigratória dada à época pelo Tea Party pode ter ampliado o apoio atual à candidatura mais pragmática de Trump.

Em entrevista recente sobre o Brexit, após discorrer sobre os danos econômicos causados pelo desenho institucional da União Europeia, Mark Blyth, professor de ciência política na Universidade Brown, foi categórico: "Mas não é disso que se trata. É trumpismo. Todos têm sua própria versão".

Segundo Blyth, de Gerhard Schröder na Alemanha a Tony Blair no Reino Unido, os governos de centro-esquerda dos últimos 25 anos teriam deixado de prover "o abraço caloroso da social-democracia".

Em vez da solidariedade com a classe trabalhadora, teriam assumido uma posição de exclusão e policiamento da população mais pobre em nome da segurança dos mais ricos em suas vizinhanças e escolas particulares.

As escolas públicas, para as quais as elites já não querem pagar impostos, continuaram acolhendo os que estão na base da distribuição da renda. Após 20 anos de exclusão, o discurso de que a globalização acabaria compensando a todos igualmente teria perdido a eficácia, causando revolta na classe trabalhadora. Não contra a União Europeia, e sim contra o 1% mais rico da população.

A eventual migração de votos do democrata Bernie Sanders para o republicano Trump ou o apoio ao Brexit pelos mais vulneráveis na economia inglesa podem indicar que estejamos, como nos anos 1930, à sombra de um vulcão.

Franklin Roosevelt deveria ter nos ensinado que quem não garantir a renda, o emprego ou a qualidade de vida dos mais pobres pode sofrer com alternativas racistas, xenofóbicas e autoritárias.

Instituto Millenium, o dream team da direita reacionária brasileira

Numa dessas perambulações virtuais meio ociosas a que a internet nos induz, cheguei ao site do Instituto Millenium. É a locomotiva do pensamento de direita no Brasil, financiada por dinheiro grosso de grupos como Gerdau, Abril, Bank of America. Conta com enorme visibilidade, graças à camaradagem da mídia. Apresenta-se como a encarnação, em solo tupiniquim, dos grandes think tanks estadunidenses.

Daí fui olhar a página de "especialistas", que reuniria exatamente a parte "think" do "tank". São uns 250 nomes, que incluem de orgânicos do Millenium a colaboradores eventuais. Estão lá Mario Vargas Llosa e a indefectível blogueira anticastrista, mas, de resto, brasileiros. Gente, que decepção. Esse é o dream team da intelligentsia reacionária brasileira? Vários nomes eu não reconheci, certamente por ignorância minha. Mas muitos eu sei quem são. Tem, admito, uma meia dúzia de cientistas sociais e economistas respeitáveis, por mais que não concordemos com suas posições. E outra meia dúzia de autores que eu acho que não valem meia pataca furada, mas que ainda são aceitos como sumidades em suas áreas. De resto, é do elenco dos programas da GloboNews pra baixo. Vai de Marco Antonio Villa a Rodrigo Constantino, de Marcelo Madureira a Marcel van Hattem, isso para citar os menos obscuros.

Em qualquer desses manifestos contra o golpe, a gente reúne um elenco de mais peso só entre os nomes começando com a letra "A". A raiva que tanto setores da direita manifestam contra a universidade e contra a cultura talvez provenha disso: sua incapacidade cada vez mais acentuada de produzir contribuições relevantes para pensar o Brasil.

Encontro na República dos Bandidos

Ponto de encontro 
Janio de Freitas

Michel Temer e seu governo agem para salvar Eduardo Cunha na Câmara. Talvez não fosse preciso dizer mais nada sobre a atitude de Temer. Afinal, apesar de todo o esforço da Lava Jato e dos pró-impeachment para incriminar petistas, na opinião nacional ninguém simboliza mais a calamidade política do que Eduardo Cunha. Está dito quase tudo sobre protetor e protegido. Mas Temer leva a algumas observações adicionais.

Descoberto por jornalistas o encontro sorrateiro de Cunha e Temer na noite de domingo (26), o primeiro fez o que mais faz: negou. Não falava com Temer desde a semana anterior. Com a mentira, comprovou que a combinação era de encontro oculto. O segundo deu esta explicação: "Converso com todo mundo. Embora afastado, ele é um deputado no exercício do seu mandato".

A frase é uma medida da lucidez de Temer ou da honestidade de sua resposta ao flagrante: "afastado" mas "no exercício do mandato". Nada de muito novo. Mas a pretensa justificativa de que "conversa com todo mundo" excede o aspecto pessoal. Se é isso mesmo, em quase seis anos de convívio com o Poder ainda não o compreendeu. À parte a liturgia do cargo, de que Sarney tanto falou, o Poder requer cuidados com sua respeitabilidade. Ao menos no sentido, tão do agrado de jornalistas brasileiros, cobrado às aparências da mulher de César.

O sítio de alto luxo não combina, mas não tira o título do Palácio do Jaburu, nem, muito menos, a sua condição de uma das sedes do mais alto poder governamental. O recepcionado aí para a barganha de espertezas não é, porém, como "todo mundo". É um múltiplo réu no Supremo Tribunal Federal, tão excluído do exercício de mandato que está proibido até de simplesmente entrar na Câmara dos Deputados, Casa aberta a todos. Proibição, ao que consta, sem precedente. Não no conceito, de moralidade ao menos duvidosa, que o atual morador aplica ao uso do palácio de governo.

Eduardo Cunha viu-se necessitado de reforço em duas instâncias. Na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, à qual encaminhou recurso contra a decisão do Conselho de Ética, que o considerou passível de perda do mandato. E também na substituição de Waldir Maranhão, em exercício na presidência da Casa, por alguém de sua confiança, para assegurar-lhe decisões favoráveis nas manobras de defesa ao ser julgado em plenário.

Já na segunda-feira (27), Temer fazia iniciar a ação do seu pessoal em favor da eleição de Rogério Rosso para presidir a Câmara. É o preferido por Eduardo Cunha. E viva a nova (i)moralidade.

POR DENTRO DO FORA

A ordem de Michel Temer para suspender a cobertura oficial de sua presença fora de Brasília não é, como alegado, para reduzir gastos. É nenhum o custo de um fotógrafo ou cameraman já integrante da comunicação oficial. O problema está na impossibilidade de eliminar, nas gravações, o frequente "Fora, Temer", dito ou escrito. Sem encontrar outra solução, foi considerado preferível eliminar os registros.

Apesar de imprensa e TV não o noticiarem, coros de "Fora, Temer" estão pelo país todo. No espetáculo do Prêmio da Música Brasileira, por exemplo, o Teatro Municipal do Rio explodiu em repentino "Fora, Temer". Coisas assim acontecem todos os dias, numerosas.

ACHADO PERDIDO

Por falar no mal ou não noticiado, a Lava Jato encontrou nas ligações de celulares de Léo Pinheiro, presidente da OAS, troca de mensagens com Fernando Bittar tratando das obras no sítio de Atibaia, como proprietário associado a Jonas Suassuna Filho. Não foi um bom achado para a tese da Lava Jato e da imprensa/TV sobre a propriedade.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Suíços aprendem português para olimpíada

Jamil Chade

No Museu Olímpico na Suíça, exposição sobre Rio dá dicas de palavras aos estrangeiros.



Senadora Marta é mais sem-vergonha que Cunha

Nelson Barbosa

Meu voto pelo impeachment não é relevante para o eleitor da periferia
[Marta ex-Suplicy]

Com que desfaçatez esta golpista declara isto abraçada ao que há de mais retrógrado e reacionário no país!

É um escárnio que se volta contra seus então eleitores ao senado e à própria periferia, como se os que ali vivem não fizessem efetivamente parte do mundo das decisões políticas no Brasil.

Vejam bem como esta golpista se apropria da ideia da "periferia" revelando-a como apenas e tão somente uma suposta massa de votantes que, no seu entender, vivem alheios e/ou distantes da reais políticas nacionais, somente lembrada em épocas de eleição.

É de envergonhar-me profundamente ter-lhe dado meu voto para que com ele ela pudesse apoiar um dos maiores golpes contra a democracia brasileira.

Golpista, golpista, golpista!

Nilson Lage

Se querem saber que alianças erradas o PT fez, eis é uma delas.

Essa dondoca jamais poderia ser prestigiada em um partido de base popular.

A hipocrisia de seu discurso, a maneira como tentou se insinuar para superar Dilma Rousseff na preferência política de Lula para sua sucessão, o casamento faustoso que promoveu em suas segundas núpcias e, finalmente, a traição que a levou a desnudar sua vocação originária de classe são indicações do descritério do partido na avaliação subjetiva de seus quadros.

A burrice virou regra?

Jorge Furtado 

Vejo dezenas de manchetes sobre a lei Rouanet, capa dos jornais e chamadas na tevê, por conta de uma mega operação envolvendo mais de 100 policiais, 50 mandados de busca em 3 estados, e tudo isso por causa de um produtor ladrão que usava a lei indevidamente. Um só? Imagino que a lei, que tem mais de 20 anos, possa ter sido fraudada muitas vezes, e esperamos que os ladrões sejam punidos, mas criminalizar a lei por isso é simplesmente ridículo.

Manchete do UOL anuncia que o grupo Porta dos Fundos "lança filme sem lei Rouanet". Como é? Faço cinema há 30 anos e nunca usei a lei Rouanet, a imensa maioria dos filmes brasileiros não usa a lei Rouanet, existem outras leis de incentivo para o cinema. Será que isso é só burrice e desinformação? Duvido. Parece uma campanha para acabar com as leis de incentivo à cultura. Enquanto isso, os produtores de fumo (e de câncer), os automóveis, bebidas, e também os jornais, tem dezenas de incentivos e isenções fiscais, e as igrejas não pagam imposto algum.

Menos cultura, mais cigarro, carros, bebida e igrejas picaretas, estas parecem ser as prioridades do Brasil golpista.

Farsa jurídica e golpe parlamentar

Luiz Carlos Bresser-Pereira 

Comissão de três gestores do Senado examinaram cuidadosamente as contas da Presidente Dilma Rousseff, encontraram irregularidades – a liberação de créditos sem aval do Congresso – mas não encontrou as famosas “pedaladas” que foram a justificativa jurídica do impeachment. Confirma-se, assim, o que já está claro para muitos: que o impeachment, do ponto de vista jurídico, é uma farsa. E, portanto, confirma-se que estamos diante de um golpe parlamentar.

Por que dar um golpe? Afinal a democracia já está consolidada no Brasil. Sim, está, mas pode sempre ser arranhada, desmoralizada. O impeachment está ocorrendo porque o quadro econômico internacional agravou-se para os países da América Latina exportadores de commodities em 2014, o governo de esquerda cometeu erros, a recessão foi muito forte, e a direita se aproveitou disto para dar o golpe.

"Mas o governo Dilma perdera condições de governabilidade", dizem os golpistas. Perdeu-as porque os próprios golpistas recusaram ao governo essas condições. Os senadores com espírito público não estão percebendo tudo isso? Não creio. Há muitos que sabem que esse impeachment é uma violência contra o interesse público e a democracia. Vamos, portanto, esperar. E cobrar.

Golpista Elio Gaspari diz que há golpe

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Não fale em crise, trabalhe até morrer!


Barbárie precisa ser combatida

Luis Felipe Miguel

Bolsonaro, que já era réu no Supremo, agora é réu também no Conselho de Ética da Câmara.

Dirigindo-se aos ministros do STF, ele deixou de lado as bravatas e pediu "humildemente" para não ser condenado. Para sua plateia cativa, porém, mantém o velho discurso e agora posa de mártir da liberdade de expressão. Os bolsominions reproduzem as palavras do líder. Bolsominions envergonhados, que por vezes se escondem atrás do falso rótulo de "liberais", têm difundido a tese de que, com tanto corrupto por aí, é injusto ir atrás de Bolsonaro "só" por causa de apologia ao estupro e à tortura.

Na Folha de hoje, um liberal de verdade, o bem intencionado colunista Bernardo Mello Franco, desenvolve o argumento de que os processos ampliam a vitrine do deputado neofascista e conclui: "Em alguns casos, a melhor forma de lidar com um radical que prega o ódio não é discutir os absurdos que ele diz, e sim deixá-lo falando sozinho".

Talvez até fosse. Mas o raciocínio do jornalista não se aplica aos tempos atuais. Mesmo que a mídia tradicional fosse capaz de dedicar a Bolsonaro o desprezo que ele merece (o que não tem ocorrido, já que a persona que ele criou parece irresistível para os repórteres), há uma legião de seguidores e replicadores nas redes sociais. Condenar Bolsonaro é uma boa maneira de mostrar, para todas essas pessoas, que o discurso de ódio está fora da esfera do admissível.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Revoltado On Line e Ladrão Off Line

Os posts indignados contra Lula, Dilma e Haddad de um dos investigados no escândalo da Rouanet
Revista Fórum

Júlio Plácido, sócio diretor da J2A Eventos, empresa acusada pela Policia Federal de desviar verbas da Lei Rouanet para bancar casamentos e festas privadas posta com frequência xingamentos e ofensas a Dilma, Lula, ao prefeito de São Paulo Fernando Haddad e frequenta passeatas contra a corrupção.

É provável que ele esteja entre as pessoas que foram presas nesta terça-feira (28) na Operação Boca Livre. Em alguns posts Júlio Plácido pede para que Lula seja assassinado e xinga a presidenta afastada de “vaca”.

A operação deflagrada hoje diz que produtores culturais, dentre eles a empresa J2A Eventos, integram um grupo ligado a eventos e são responsáveis pelo desvio de cerca de R$ 180 milhões de recursos da Lei Rouanet, do governo federal. Foram cumpridos 14 mandados de prisão temporária de integrantes desse grupo, que atua desde 2001 em São Paulo.

Um dos episódios que mais chamou a atenção da PF foi o casamento de Felipe Amorim e Caroline Monteiro, organizado pela empresa de Plácido, que aconteceu na luxuosa praia em Florianópolis chamada de Jurerê Internacional no dia 22 de abril deste ano na boate 300 Beach Club. O evento contou com a atração musical do sertanejo Leo Rodriguez, que interpreta hits como “Vai No Cavalinho”, “Bara Bará Bere Berê” e “Gordinho da Saveiro”.

Confira abaixo uma seleção de algumas postagens feita por Plácido:

SampAdeus: Diálogos Acadêmicos

Tom Cardoso 

Mais uma da série "Diálogos Acadêmicos":

- O que vamos fazer hoje?
- Bíceps braquial?
- Demorô.
- Cara, ontem fiquei pensando sobre o nosso papo de ontem.
- De São Paulo virar um país?
- Sim. Os nordestinos que estão aqui serão naturalizados ou enviados de volta para o país deles?
- Não sei. O ideal é mandar todos embora, né?
- Também acho. Mas o meu avô é pernambucano.
- Sério? O Seu Antonino é nordestino? Não parece. É mais branco que eu.
- Ele é neto de holandeses. Tem olho azul e tudo.
- É, cada caso vai ser estudado com calma pelo nosso Itamaguarati.
- Ah, e tem minha Tia Nícia. É mineira. Adoro ela.
- Caralho, sua família é uma mistureba só.
- E a sua? Só tem paulista?
- Não, minha mãe é baiana, de Vitória da Conquista.
- Sério?
- É, mas não fica falando por aí. Ela é a única. Somos até considerados quatrocentões.
- O que é isso?
- Quem tem tatatatatataravô nascido em São Paulo. A gente tem até brasão.
- O que é brasão?
- É tipo uma marca. O nosso é lindo. Tá num quadro lá na casa da minha avó.
- Que show. Um dia me mostra.
- Você sabia que a cidade de São Paulo também tem um brasão e um lema?
- Não.
- O lema, aliás, é lindo. É em grego.
- Grego?
- É. Algo como "Num Duco, Ducolico".
- O que quer dizer isso?
- Sei lá. Mas que é bonito, é, né?
- É.

Brexit desencadeia onda de xenofobia no Reino Unido

Do DCM:

Na noite de sexta-feira em Gloucester, um assessor polonês de programas educacionais europeus que esperava com seu filho na fila de um supermercado encontrou um sujeito que perguntava aos gritos a cada um na fila se era inglês ou não: “Isto agora é a Inglaterra, os estrangeiros têm 48 horas para sair daqui! Quem é estrangeiro aqui? É espanhol? Italiano? Romeno?”. Escandalizado, o assessor Max Fras relatou o incidente no Twitter, mas não foi o único a denunciar cenas desse tipo. O resultado do referendo no Reino Unido a favor da saída da UE deve ter destravado algum mecanismo inibidor das expressões de racismo, porque em três dias foram registrados, em diferentes pontos do país, numerosos episódios de xenofobia. Muitos foram divulgados pelo Twitter, em que cidadãos anônimos relatavam, perplexos, cenas que tinham sofrido ou presenciado. Insultos, ameaças e bravatas. Até tentaram tirar o turbante de um cidadão indiano.

O mais preocupante, no entanto, aconteceu no colégio St. Peter’s em Huntingdon, uma tranquila cidade de 23.000 habitantes a uma hora de trem de Londres, com uma grande comunidade polonesa de 10.000 pessoas. Na noite de sexta-feira, desconhecidos colocaram cartazes com a frase, em inglês e polonês, mal traduzido: “Saiam da UE/ Chega de parasitas poloneses”. Dezenas de moradores dessa nacionalidade encontraram cartas ameaçadoras em suas caixas de correio, colocadas em diferentes localidades da região, o que implica várias pessoas e certa organização. O promotor de eventos Daniel Guz, de 40 anos, popular na comunidade, fala em “200 cartas”. “Estamos preocupados, mas devemos ignorar, são só idiotas”, comenta.


Os primeiros protestos das autoridades polonesas levaram o primeiro-ministro David Cameron a telefonar, na segunda-feira, à chefe de Governo da Polônia, Beata Szydlo, para expressar sua “preocupação com os ataques” e afirmar: “Faremos todo o possível para proteger os cidadãos poloneses em nosso país”. O centro cultural polonês de Hammersmith, em Londres, também amanheceu com pichações ofensivas. E foi explícita uma manifestação contra os imigrantes realizada no sábado em Newcastle pela Frente Nacional, de extrema direita. O novo prefeito de Londres, Sadiq Khan, reuniu-se na segunda-feira com o chefe de Polícia para pedir que os londrinos “fiquem atentos” contra as agressões xenófobas. “É minha responsabilidade defender a fantástica mistura de diversidade e tolerância de Londres”, alertou. Os poloneses são a maior comunidade estrangeira da capital, que tem ao todo 850.000 pessoas nascidas fora do país. No conjunto do Reino Unido, os poloneses somam 800.000.

Tapa no focinho


Cunha está cagando na cabeça do interino

Afogados 
Leandro Fortes 

Só há uma razão para um presidente, mesmo ilegítimo, receber um bandido notório: se estiver refém dele.

O mais incrível de tudo é Cunha negar o encontro, mesmo depois de confirmado pela assessoria de Temer.

Cunha não está sequer debochando.

Cunha está cagando na cabeça do interino.

O golpista empedernido


- Pois é, a perícia do Senado mostrou que não havia pedaladas, e agora?
- Ah, mas houve os créditos suplementares!
- Com cortes prévios, os créditos suplementares não aumentaram despesa; eram remanejamentos, depois aprovados, e agora?
- Ah, mas isso ela não poderia ter feito.
- Temer também o fez, e agora?
- Mas ele é apenas vice!
- Não importa, ele é responsável pelos seus atos. Além do que se pratica os remanejamentos desde 2002! E agora?
- Ah. Foi pela corrupção!
- O processo não trata disso, e agora?
- Não havia mais condições de governabilidade!
- Por sabotagem do próprio Congresso, além do que isso não é parlamentarismo, e agora?
- Mas o impeachment é um processo político!
- Processo político é só a admissibilidade pela Câmara, e agora?
- A economia está um caos!
- Isso não tem nada a ver com o processo, e Meirelles acabou de dizer que a economia está sólida, e agora?
- Poxa, rapaz, já dei todos os argumentos, e você ainda acha que sou golpista?
- Golpista, você? Nem pensar...

Conselho de Ética abre processo de cassação de Bolsonazi

Brasília 247 - O Conselho de Ética da Câmara iniciou nesta terça-feira, 28, processo que pode resultar na cassação do mandato do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

A representação do PV ao Conselho de Ética acusa Bolsonaro de ter feito apologia do crime de tortura e pede a cassação do mandato do deputado. Ao anunciar seu voto a favor do impeachment, em abril, Bolsonaro disse que o fazia "pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra".

Além desse processo, Bolsonaro é réu em uma ação no Supremo Tribunal Federal por apologia ao estupro contra a deputada Maria do Rosário (PT-RS).

Temer prova que sabe lidar com bandidos

O fim de semana do Usurpador Temer foi passado em Goiânia, na festa de aniversário do senador Wilder Morais (PP-GO). Wilder era suplente do senador Demóstenes Torres, derrubado no escândalo do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Wilder era casado com Andressa, que o trocou pelo bicheiro.

Segundo interceptações da polícia federal, Wilder e Cachoeira se falaram por telefone quase 300 vezes em um ano. Deve ter sido uma festança.

Michel e Eduardo, feitos um para o outro


Tudo que você queria saber sobre a vitória da Islândia sobre a Inglaterra



Tradução do que diz o narrador islandês para o inglês:
Como foi escolhida a seleção islandesa:


O jornalismo neoliberal e sexista da Folha de S. Paulo

Luis Felipe Miguel

É significativo que as reportagens sobre reforma na previdência sejam colocadas no caderno "Mercado": já fornece um determinado enquadramento à questão. A aposentadoria é uma questão econômica, sim. Mas é uma questão social. E uma questão política.

É significativo também que a diferença no tempo para aposentadoria entre homens e mulheres seja apresentada como "vantagem". Os três repórteres homens que assinam a matéria, o editor homem de "Mercado" e o editor-executivo homem da Folha mostram não apenas insensibilidade, mas ignorância. A aposentadoria mais cedo será "vantagem" no dia em que as tarefas domésticas forem igualmente divididas entre mulheres e homens.

Por fim, nunca é demais lembrar que Temer quer ampliar a idade mínima da aposentadoria - queria 70, agora "recuou" para 65 anos - mas ele mesmo se aposentou aos 55. Ajuste nos olhos dos outros é refresco.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Welcome to River of January


SampAdeus: agora vai!


Mais uma da série Diálogos Acadêmicos:

- Vamos fazer o que hoje?
- Cotovelo e pulso.
- Demorô.
- Cara, você viu a história da Inglaterra?
- O que?
- Ela virou um país de novo.
- E não era?
- Não, seu burro. Era um continente. Tinha virado Europa, mas decidiu sair.
- Hummm.
- E parece que agora São Paulo vai fazer a mesma coisa.
- Sair do Brasil? Virar um país?
- Sim.
- Mas como funciona?
- A gente vai ter fronteira, cara. Nenhum nordestino vai poder entrar aqui sem passaporte. Acabou a festa.
- Será que eu também? Eu moro em Osasco...
- Não, sua anta. O Estado de São Paulo vai virar um país, não a cidade.
- Ah bom. Então São Paulo vai ter uma seleção, disputar Copa do Mundo e tudo?
- Sim.
- Que demais, cara. Já pensou: São Paulo x Alemanha? São Paulo x Argentina?
- Show, né?
- E a moeda?
- A gente vai ter uma só nossa. E não vai precisar pagar mais Bolsa Família pra vagabundo.
- Genial, cara.
- E a nível de país a gente não vai ficar devendo para nenhum outro. O nosso PIB é o quinto da América do Sul.
- E quem será o nosso presidente?
- Estão falando ai no Eduardo Bolsonaro.
- O filho do Bolsomito?
- Ele mesmo.
- Aí sim.

Menino salvo do fosso das ariranhas cresceu e virou corrupto

Luis Felipe Miguel

Aqui em Brasília causou comoção o fato de que o diretor da Postalis preso por desvio de dinheiro era o menino que foi salvo depois de cair no fosso das ariranhas, no zoológico, em 1977. O sargento Sílvio Delmar Hollenbach, que o salvou, morreu dias depois, em consequência das mordidas dos bichos. A relação entre o preso de hoje e o menino do passado chegou a ser a principal manchete do jornal local.

Muitos usaram a notícia para julgar que o heroísmo do sargento foi mal aplicado, uma vez que a criança salva cresceu para tornar-se "um bandido". Fico incomodado com esse discurso. Hollenbach salvou uma criança, com a vida em aberto: não estava fadada a seguir qualquer caminho. Ele enfrentou os bichos em nome do valor da vida humana, sem se preocupar em avaliar o mérito ou demérito de quem corria perigo. Por isso, é mesmo um herói.


HERÓI. MORTO. NÓS.

[Crônica publicada em 1º de setembro de 1977]

Neste texto foi mantida a grafia original da época

Lourenço Diaféria 

Não me venham com besteiras de dizer que herói não existe. Passei metade do dia imaginando uma palavra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Sílvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado pelos bichos.

O garoto está salvo. O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra.

Que nome devo dar a esse homem?

Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói. Se não morreu na guerra, se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor.

Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações. Para mim, o herói -como o santo- é aquele que vive sua vida até as últimas consequências.

O herói redime a humanidade à deriva.

Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatro filhos e sua mulher. Acabaria capitão, major.

Está morto.

Um belíssimo sargento morto.

E todavia.

Todavia eu digo, com todas as letras: prefiro esse sargento herói ao duque de Caxias.

O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel -onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer- oxidou-se no coração do povo. O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar.

O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo. Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos.

No instante em que o sargento -apesar do grito de perigo e de alerta de sua mulher- salta no fosso das simpáticas e ferozes ariranhas, para salvar da morte o garoto que não era seu, ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos.

Esse sargento não é do grupo do cambalacho.

Esse sargento não pensou se, para ser honesto para consigo mesmo, um cidadão deve ser civil ou militar. Duvido, e faço pouco, que esse pobre sargento morto fez revoluções de bar, na base do uísque e da farolagem, e duvido que em algum instante ele imaginou que apareceria na primeira página dos jornais.

É apenas um homem que -como disse quando pressentiu as suas últimas quarenta e oito horas, quando pressentiu o roteiro de sua última viagem- não podia permanecer insensível diante de uma criança sem defesa.

O povo prefere esses heróis: de carne e sangue.

Mas, como sempre, o herói é reconhecido depois, muito depois. Tarde demais.

É isso, sargento: nestes tempos cruéis e embotados, a gente não teve o instante de te reconhecer entre o povo. A gente não distinguiu teu rosto na multidão. Éramos irmãos, e só descobrimos isso agora, quando o sangue verte, e quanto te enterramos. O herói e o santo é o que derrama seu sangue. Esse é o preço que deles cobramos.

Podíamos ter estendido nossas mãos e te arrancando do fosso das ariranhas -como você tirou o menino de catorze anos- mas queríamos que alguém fizesse o gesto de solidariedade em nosso lugar.

Sempre é assim: o herói e o santo é o que estende as mãos.

E este é o nosso grande remorso: o de fazer as coisas urgentes e inadiáveis -tarde demais.

Campanha Moro presidente já está nas ruas


A terceirização da cidadania

Renato Janine Ribeiro 

As eleições na Espanha mostram uma coisa em comum entre esse país, o Reino Unido com seu plebiscito, o Brasil e talvez os EUA com sua campanha eleitoral: em todos os casos, uma sinuca de bico.

Em todos os casos, os políticos estão desafiados a resolver problemas que eles próprios criaram ou deixaram crescer. O eleitorado (e este é o lado ruim da moeda) meio que lava as mãos. Virem-se! São pagos para isso.

Na Espanha, o impasse causado pelas eleições de dezembro somente se acentuou. O PSOE e o Podemos levam a culpa de não terem feito um acordo para a esquerda governar. Governo de esquerda não vai haver, lá. E novas eleições, também não. Caiu a participação popular, num claro recado que inclui "nós, eleitores, lavamos as mãos" e "vocês, políticos, que se entendam". Sabe-se lá como.

No Reino Unido, mal é preciso dizer alguma coisa. Se não saírem da Europa, estarão desqualificando a democracia. Embora, dentro da lei, o referendo fosse apenas consultivo e - entrando no espírito da lei - a Escócia possivelmente pense em cair fora do Reino, para ficar na Europa.

No Brasil, precisa dizer alguma coisa? E nos EUA fica a possibilidade monstruosa de Trump ganhar. Do jeito que as coisas vão...

E toda essa responsabilidade é posta nos ombros dos políticos no momento em que eles estão mais desmoralizados do que nunca. E não só aqui. É amplo o fenômeno.

Surpreende que, quando a confiança nos políticos está talvez no mais baixo ponto de décadas e décadas, os eleitores, em vez de chamarem para si a solução, em vez de renovar, mudar, tomar as coisas em mãos, empurrem para eles os abacaxis.

Até entendo: quem pariu Mateus, que o embale.

Mas é infantil. Como a inglesa de 25 anos que se arrepende de ter votado Brexit, e depois culpa os políticos europeístas de seu país que não souberam fazer a campanha direito...

Me desculpem os amigos que defenderam o impeachment de Dilma, mas era óbvio que sua consequência seria o governo do PMDB.

Causas têm efeitos.

(Se alguém queria "nem Dilma nem Temer", agisse - e aja - nessa direção. Não condeno. O que critico é: fiz minha parte, não sou responsável pela sequência.)

Se não pensamos nos efeitos quando agimos, estamos abrindo mão de nossa responsabilidade.

Alguém disse que ser responsável é fácil? É difícil como o diabo.

Mas nem Brasil, nem Espanha, nem Reino Unido saem de suas sinucas se as pessoas não assumirem suas responsabilidades.

Governo golpista de Temer quer permitir aposentadoria só a partir dos 70 anos

Idade mínima para benefício começaria aos 65 anos, mas seria estendida daqui a 20 anos 
Por Simone Iglesias

O governo de Michel Temer quer que a idade mínima para a futura geração se aposentar chegue aos 70 anos. A ideia, segundo uma fonte do governo que está participando das discussões, é estabelecer no projeto que será enviado ao Congresso duas faixas: a primeira, de 65 anos; e a segunda, de 70 anos, para ser aplicada só daqui a 20 anos.

Há praticamente consenso de que a reforma da Previdência em estudo deverá estabelecer 65 anos como idade mínima a partir da aprovação do texto, mas com uma regra de transição que não penalize tanto quem já está no mercado de trabalho e ainda menos quem está mais próximo da aposentadoria.

Por exemplo, se um homem já contribuiu 30 dos 35 anos que determinam a lei atual e tem 50 anos, ele não terá que trabalhar mais 15 anos, até os 65. Haverá uma transição. O objetivo do governo é elevar a idade média das pessoas ao se aposentarem. Hoje, é de 54 anos.

Os que entrarem no mercado de trabalho a partir da sanção da nova regra se enquadrarão integralmente na faixa de 65 anos. Mesmo que o governo envie o projeto ao Congresso ainda este ano, dificilmente ele será aprovado antes de 2017.

— Se vamos estabelecer a idade mínima agora, já podemos pensar nas próximas décadas, deixando uma faixa mais alta para a futura geração, que está longe ainda de entrar no mercado de trabalho. Agora, a adoção dos 65 anos como idade mínima terá uma regra de transição muito clara para não prejudicar quem já está no mercado de trabalho há mais tempo — afirmou um integrante do governo Temer.

As fórmulas para esta regra de transição ainda estão sendo analisadas pelo governo, mas levarão em conta o tempo de contribuição dos trabalhadores e o período que falta para a aposentadoria. Apesar de o presidente Michel Temer ter declarado na última sexta-feira ser a favor de que as mulheres se aposentem levemente mais cedo do que os homens, a intenção da equipe econômica é, a longo prazo, fazer com que a idade para ambos os sexos coincida.

Amanhã, haverá reunião entre governo e as centrais sindicais, da qual poderá sair a primeira versão da reforma da Previdência. O Planalto ainda tem dúvida sobre a apresentação de um documento para evitar um “pacote pronto”, porque busca entendimento com os sindicatos, que têm se mostrado inflexíveis especialmente quanto a alterações na regra que afetem quem está no mercado de trabalho ou próximo da aposentadoria. A decisão sobre apresentar ou não essas linhas gerais será definida em cima da hora, dependendo do clima entre governo e sindicatos.

— As centrais resistem em praticamente todos os pontos, mas estão começando a assumir a responsabilidade. A previdência não é um problema do governo, que passa; mas de quem vai se aposentar. Se o governo não fizer nada rápido, o Brasil vai acabar daqui a uns anos como países europeus que quebraram — disse uma alta fonte do governo.

A expectativa do governo é receber algumas ideias das centrais na reunião de amanhã, mas há impasse. Os sindicatos querem a manutenção da regra 85/95 (soma entre idade e tempo de contribuição para mulheres e homens, respectivamente) e pedem, em vez de mudanças estruturais no sistema, que o governo faça uma fiscalização rigorosa nos gastos com os recursos previdenciários.

— Queremos que o governo abra a caixa-preta da Previdência. O trabalhador não é o responsável pelo deficit que existe no sistema — disse ontem o vice-presidente da Força Sindical, Miguel Torres, que estará amanhã em Brasília para a reunião no Palácio do Planalto.

Medidas que afetam quem ainda não entrou no mercado de trabalho, no entanto, causam menos polêmica entre as centrais. Segundo Miguel Torres, não há entre as centrais uma decisão sobre o tema.

Há dois pontos apresentados pelas centrais que o governo vê com bons olhos: a abertura de um programa de refinanciamento de débitos inscritos na dívida ativa com a Previdência e a revisão das isenções às entidades filantrópicas.

A Previdência do setor rural é outro ponto polêmico. Os sindicatos afirmam que este responde pela maior parte do deficit do sistema. O governo busca discutir esse problema em mesas separadas. Ouviu as queixas dos sindicalistas, mas quer discutir alternativas com os ruralistas para não contaminar as discussões.

Uma fonte do governo disse que alguma medida terá de ser adotada para reduzir as despesas previdenciárias deste setor.

Pesquisa Ipsos: Temer já é rejeitado por 70%

247 – Mais de dois terços dos brasileiros desaprovam a conduta do interino Michel Temer. Os números fazem parte da primeira pesquisa sobre a imagem do governo provisório, divulgada nesta segunda-feira pelo colunista José Roberto de Toledo, do Estado de S. Paulo.

Temer é rejeitado por 70% da população brasileira, num empate técnico com a presidente Dilma Rousseff (75%), uma vez que a margem de erro é de três pontos percentuais. No entanto, enquanto a imagem dela vem melhorando, a dele piora. A desaprovação a Temer foi de 61% em fevereiro para 70% agora.

O interino é mal avaliado em vários pontos de sua administração: combate ao desemprego (44%), Minha Casa, Minha Vida (43%), Bolsa Família (43%), crise política (42%), combate à inflação (40%) e combate à corrupção (40%).

O levantamento do instituto Ipsos também revela que a classe política foi dizimada pelos escândalos de corrupção decorrentes da Operação Lava Jato, pois todos os presidenciáveis tradicionais têm rejeição superior a 50%. É o caso de Marina Silva (56%), Aécio Neves (63%), Lula (68%), Geraldo Alckmin (55%) e José Serra (55%).

Nesse contexto, salvam-se apenas candidatos a "salvadores da pátria", como os juízes Sergio Moro e Joaquim Barbosa. O primeiro é aprovado por 55% da população brasileira e o segundo por 42%.

domingo, 26 de junho de 2016

Golpe será enterrado por ataques de sincericídio

247 - O processo de impeachment contra a presidente eleita Dilma Rousseff tem sofrido ultimamente forte ataques de sincericídio, cometidos pelos seu principais articuladores, o que deixa claro para até para o leitor menos crítico que o que se passa contra a presidente é de fato um golpe. 

O mais recente foi protagonizado pela senadora Rose de Freitas (PMDB-ES). Em entrevista à Rádio Itatiaia, abriu o coração e, com o conhecimento de quem integra a Comissão de Orçamento do Senado, afirmou que "não teve esse negócio de pedaladas", sobre os motivos que levaram ao afastamento de Dilma.

"Porque o governo saiu? Na minha tese, não teve esse negócio de pedalada, nada disso. O que teve foi um país paralisado, sem direção e sem base nenhuma para administrar", disse Rose, que é líder do governo interino de Temer no Senado. O ex-ministro José Eduardo Cardozo, que defende Dilma no processo de Impeachment no Senado, afirmou que vai anexar a transcrição das falas da senadora na defesa da presidente (leia aqui).

Pouco mais de um mês antes da confissão de Rose de Freitas, seu colega de Senado e de partido, Romero Jucá, presenciou a confissão que fez a Sérgio Machado ganhar o conhecimento mundial. Jucá caiu do Ministério do Planejamento de Temer após ser flagrado em gravações com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Jucá diz claramente que é preciso "mudança" no governo federal para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato. "Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", diz Jucá (relembre aqui).

Além de Rose e Jucá, outro senador que defendeu a saída de Dilma já havia deixado claro que está em curso uma condenação sem a prática de um crime. Depois da primeira votação no Senado que afastou a Dilma, o Senador Zezé Perrella (PDT-MG), aliado de Aécio Neves, também admitiu que as razões do impeachment da Dilma não se sustentavam nas "pedaladas fiscais". 

"Claro que o motivo maior da queda não foram as pedaladas, porque nós estamos num julgamento também político", admitiu Perrella. "Ela caiu principalmente pela falta de articulação do governo aqui dentro [Senado], coisa que o Michel Temer está mais bem preparado do que ela", afirmou (leia mais aqui).

No Poder Judiciário também há manifestações de que não há crime cometido pela presidente, e mesmo assim ela deve sair. Confissão foi feita há cerca de uma semana pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, numa entrevista na Suécia a um jornalista do site O Cafezinho. Ele admitiu que a lma não havia cometido crime de responsabilidade e disse que "o processo é político, se ela tivesse cometido crime, se ficasse flagrantemente provado, que ela tivesse cometido crime, e ela tivesse 172 votos, ela também não seria processada" (confira aqui).


O que ainda falta para o golpe ser enterrado?
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