terça-feira, 31 de maio de 2016

Situação ruim atual tem tudo para piorar

Renato Janine Ribeiro

Do jeito que as coisas vão, se caírem Temer e Renan, a presidência vai para Lewandowski.

Como em 1945, o presidente do STF assume.

Terá que ser discreto e interino. Não poderá revirar o governo e a economia pelo avesso - razão para a qual Temer foi posto no cargo.

Terá que convocar novas eleições. Mesmo que para isso tenha que se mudar a Constituição.

Para evitar esse cenário e garantir as mudanças na economia, penso que vão apressar a eleição do novo presidente da Câmara.

Que tem muita chance de ser um protégé de Cunha.

O que manterá a instabilidade quase extrema atual.

Olinda recebe a Tocha Olímpica

Pedido o impeachment de golpista e nepotista do STF

Ministro do STF, Fux é alvo de pedido de impeachment 
Gustavo Maia
Do UOL, em Brasília

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux foi alvo de um pedido de impeachment protocolado no início da tarde desta terça-feira (31) no Senado.

O documento foi apresentado por um grupo de cinco advogados, com base no artigo 41º da Lei 1.079, de 1950, que regula os crimes de responsabilidade, segundo o qual qualquer cidadão pode denunciar ministros do Supremo Tribunal Federal.


De acordo com um servidor da Secretaria-Geral da Mesa, o pedido será disponibilizado na íntegra no site da Casa após sua leitura no plenário.

O funcionário não soube informar o teor da petição, mas disse que o o documento será encaminhado para o departamento jurídico do Senado, que irá formular um parecer para embasar a decisão do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Segundo o artigo 52 da Constituição Federal, "compete privativamente ao Senado processar e julgar" os integrantes da mais alta Corte do país.

Além do presidente da República, estão sujeitos a processos de impeachment de acordo com a Lei 1.079, o procurador-geral da República, ministros de Estado, ministros do STF governadores e secretários de Estado.

Em abril, outro ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, também foi alvo de pedido de impeachment. O pedido foi arquivado por Renan.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do STF informou ainda não ter conhecimento da representação contra Fux.

Atualização: Veja AQUI o motivo.

Crise é crise

Tom Cardoso

Dizem que crise humaniza. O cacete. Crise é crise. Por causa dela, cortei o Canal Viva e não posso mais ver novela das seis às duas da manhã. Minha insônia voltou. Até o Rivotril ficou caro. Stilnox, então, só na quinto plano Meirelles. E olhe lá.

O pior é ser obrigado a optar pelo Uber Pool, que pra mim não passa de uma lotação gourmet. Eu ia até a Mooca e o motorista me convenceu que era caminho pegar um cara na Vila Carrão. Sou ateu, mas me peguei rezando baixinho. Não teve jeito.

- Opa jovem, tudo bem?

Toda vez que eu pego o Uber Pool o motorista tem mais de 60 anos e senta atrás, junto comigo.

- Você viu o caso da menina estuprada?
- Sim, uma barbárie.
- Sabe o que é isso meu jovem?
- O que?
- Estamos perdendo os nossos valores.
- Pois é.
- Mas nesse caso eu estou com o Maluf. Estupra, mas não dopa. Pra que encher a menina de tanta droga?

Lotação gourmet nunca mais.

Temer já é ruim, mas ainda pode piorar


Os sucessivos desastres políticos ocorridos desde o afastamento de Dilma Rousseff demonstram que uma fraqueza política irremediável tornou o governo de Michel Temer ridiculamente incapaz de oferecer uma alternativa de estabilidade e prosperidade para o país.

Vamos classificar os fatos como eles são. A implosão do ministro da Transparência ocorreu num quadro de insurreição interna. A reconstrução do Ministério da Cultura foi obtida a muque. A revolta do movimento de mulheres forçou uma busca de talentos para integrar altos escalões do governo. Tardia demais para produzir qualquer que efeito político, mostrou-se inteiramente inócua em função da audiência, no ministério da Educação, concedida a um ator celebrizado pelo tom debochado usado para descrever um crime de estupro.  

No plano interno, não há como esconder: o governo provisório perdeu o debate essencial sobre sua legitimidade. No externo, onde o poder de retaliação econômica de Brasília é perto de zero, o esforço do Itamaraty para atuar como agência de publicidade do golpe parlamentar só trouxe resultados patéticos depois que gravações mantidas em conveniente segredo até aqui desmascararam a natureza anti-democrática, mesquinha e suja, da conspiração que afastou Dilma. A desmoralização na realidade é anterior. Começou no Festival de Cannes, que retomou a tradição criada no tempo das ditaduras sul-americanas, quando, pela primeira vez, seu auditório serviu para atos de protesto. Prosseguiu no repúdio de 499 sociólogos reunidos em Nova York ao antigo príncipe da profissão, Fernando Henrique Cardoso.

A situação de fratura exposta não representa nenhuma garantia, porém, para o retorno à democracia e à preservação dos direitos e liberdades colocados em risco, mas a possibilidade de reversão do quadro atual tornou-se pelo menos verossímil.

Afastada do posto, numa espécie de exílio vigiado no Alvorada, hoje Dilma desfruta dos melhores índices de aprovação desde o tumultuado início do segundo mandato. Sua recuperação é expressão, em primeiro lugar, da conjuntura política e da desarticulação visível do governo Temer.

A presença de Dilma no Memorial Darcy Ribeiro, para o lançamento, ontem, do livro "A resistência ao golpe de 2016", que reúne artigos de uma seleção de autores comprometidos com a causa democrática, marca uma diferença que permite comparações -- a favor da presidente afastada.

Em julho de 1964, quatro meses depois do golpe militar, o cronista Carlos Heitor Cony, que foi um dos principais críticos dos anos iniciais da ditadura, assegurando ao Correio da Manhã um prestígio que jamais possuiu, lançou a coletânea O Ato e O Fato, na Feira de Livro do Rio de Janeiro. A presença de leitores foi enorme, como mostram fotos incluídas na contracapa de uma edição posterior, onde se lê: "foi a primeira manifestação civil realmente espontânea contra o regime militar."

A diferença central em relação aos dias de hoje é a presença de Dilma na resistência. Ontem, ela fez um discurso de 40 minutos, tão bem sucedido que, no final, a platéia gritava querendo mais. Acusou os adversários de "usar a democracia contra ela mesma." Para sublinhar que as denúncias usadas para afastá-la não foram mais do que um pretexto, lembrou que, em nenhuma das gravações que documentam a conspiração, fala-se de "pedaladas fiscais nem do plano Safra." Lembrou da condição feminina, referência indispensável numa conjuntura onde o movimento de mulheres assumiu um lugar destacado na resistência. Repudiou os "xingamentos de caráter sexista" usados pelas hordas mais selvagens, dizendo ainda que "a resistência ao golpe é um pouco mais difícil para as mulheres."

"Temos nossa consciência" disse a presidente, ao se despedir. "Sabemos porque lutamos: o único rumo ao nosso país é a democracia."

Ao contrário do que se diz, as gravações descobertas pelo repórter Rubem Valente não revelam a disposição de parar a Lava Jato. Nenhum dos interlocutores engravatados manifestou interesse, por exemplo, em defender o direito de Luiz Inácio Lula da Silva a presunção da inocência. Como notou o indispensável Janio de Freitas, a finalidade das conversas é manter as operações no curso realizado até aqui, como uma ação seletiva contra uma fração definida do sistema político, aquela que as lideranças que se apossaram do poder e da riqueza há mais de 500 anos tornaram-se incapazes de vencer pelo voto do povo.

Não vamos criminalizar as ideias e interesses que movem a luta política. Nem vamos fingir que imaculados princípios morais se encontram no centro das preocupações. O logro Eduardo Cunha descarta inteiramente essa possibilidade.

O objetivo real é destruir pela raiz um projeto político-econômico que permitiu, por uma década e meia, que o país apostasse no crescimento do  mercado de massas e o apoio a industria local. Não se trata de uma disputa democrática -- e por isso não pode ser levada para as urnas. Sua base não é a legitimidade, mas o interesse de uma classe, os 1% que dominam a riqueza e o poder no país. A pressa é tamanha que até a ministra de Relações Exteriores da Argentina protestou contra o ritmo acelerado de seu colega brasileiro José Serra em rever tratados comerciais entre os dois países.

A experiência ensina que rupturas institucionais sem grandes cenas de violência, frequentemente descritas como um tumor quase benigno, podem se transformar num estímulo a aventuras maiores, irresponsáveis e nocivas, que muitas vezes são promovidas quando um regime de exceção não se encontra em posição de força, mas de fraqueza.

O período mais selvagem da ditadura de 1964 foi inaugurado em dezembro de 1968. Naquele momento, o regime dos generais enfrentava um ambiente hostil no país. Por motivos mais do que compreensíveis, a cultura tornara-se um universo dedicado a  formas variadas de protesto. Depois de abençoar o golpe, padres e mesmo alguns bispos passaram a  constituir o "clero revoltoso", na expressão dos aliados do regime. O  descontentamento aparecia nas universidades, ruas e nas fábricas. No Congresso, a ditadura foi derrotado numa votação crucial, na qual estava em jogo a proteção da imunidade parlamentar: 70 deputados do partido criado pelos generais votaram contra o governo. As principais lideranças civis do Brasil anterior ao golpe haviam tentado unificar-se, construindo a Frente Ampla.

Nessa situação, os comandantes militares, que tinham as rédeas do regime,  optaram pela pior opção  possível, numa atitude que confirma a velha observação de que, a beira do abismo, muitas pessoas só conseguem dar um passo em frente. Aprofundaram a  ditadura, suspendendo as garantias institucionais que restavam -- como o habeas corpus --, transformando a violência dura do aparato repressivo em terror organizado pelo Estado. Uma ditadura que durava quatro anos prolongou-se por mais 17.

Retirado de circulação por caminhões do Exército, quando saía de suas oficinas gráficas, o editorial "Instituições em frangalhos," do Estado de S. Paulo, braço midiático do golpe de 31 de março que não deixava de enxergar a tragédia em curso, descrevia a conjuntura que levou ao AI-5 com palavras claras. Falando dos governantes de farda, sem sensibilidade para perceber "sinais precursores de grandes terremotos", o jornal dizia que o marechal-presidente Costa e Silva não fora capaz de perceber que dirigir um país "é coisa muito diferente de comandar uma divisão ou  um Exército." Sintetizando suas avaliação, o jornal falava de um "estado de coisas que tanto se assemelha ao desmantelamento total de um regime...cuja integridade encontra-se por um fio."

Não há comparação possível entre as duas situações e respectivos personagens. A opção de uma parcela importante dos adversários da ditadura para ações armadas ajudou a unificar a elite dirigente e seus fiadores internacionais no apoio à ditadura. A situação é muito diferente de hoje, quando a resistência ao golpe assume a perspectiva da democracia e defesa da liberdade. 

O exemplo de 1968, no entanto, adverte homens e mulheres de 2016 que uma situação ruim sempre pode ficar pior. Por essa razão, o combate ao golpe e à restauração do regime democrático não é uma opção entre outras -- mas uma necessidade, acima de tudo.

Demandas civilizatórias não são "coisas de esquerdistas"

Weden Alves 

O caso da adolescente estuprada no Rio mostra que a discussão sobre a violência contra a mulher é uma questão longe de ser resolvida. Como afirma Cynara Menezes, em seu twitter, se isso é coisa de esquerdista (como foi dito no protesto contra o tema do Enem), imagina o que é ser de direita no Brasil. Mas não para por aí. O cuidado e o zelo para que não se peguem inocentes só para satisfazer a opinião pública parece também coisa de esquerdista. Não, isso é defesa do estado de direito. Quando Haddad estendeu as ciclovias em São Paulo, alguns endinheirados xingavam os ciclistas de "petralhas" pelo simples fato de andarem de bicicleta. Não, isso é uma questão de urbanidade.

Aí vem toda a discussão sobre programas sociais, como coisas de comuna. Não, lógico, que não. A renda mínima começou a ser discutida no contexto da Revolução Francesa. O direito de indígenas e de quilombolas às terras é algo que um direitista civilizado poderia defender com orgulho. Não. É coisa de quem quer prejudicar "quem produz".

Difícil debater com quem acredita sinceramente que demandas civilizatórias são bandeiras de uma só tendência ideológica. E pior: a bandeira adversária. Quando deveriam ser consensos mínimos: o direito das mulheres não serem agredidas, dos primeiros "donos das terras" poderem garantir o seu espaço, de famílias poderem se alimentar, caso não tenham condições materiais para isso, de pessoas serem julgadas dentro do estado de direito.

As esquerdas no Brasil perdem tanto tempo lutando pelo que seria básico, o "consenso civilizatório", que acaba não tendo tempo para se dedicarem às bandeiras mais peculiares - como a luta contra a precarização do trabalho, contra o financismo, etc.

Com o golpe, Dilma passa de presidente impopular à líder de massas

Najla Passos - Carta Maior 

Nos dez últimos dias, tive duas oportunidades de estar frente a frente com a presidenta afastada, Dilma Rousseff. Duas oportunidades históricas de ver como ela é recebida nas ruas, de saber o que tem a dizer após o afastamento forçado e, em um dos casos, até de lhe fazer uma pergunta meio ácida, olhos nos olhos.  A primeira foi no último dia 20, em Belo Horizonte (MG), durante o 5º Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais, quando ela fez sua primeira aparição pública após o afastamento da presidência. A última ocorreu nesta segunda (30), na Universidade de Brasília (UnB), onde ela participou do lançamento do livro “A resistência ao golpe de 2016”.

Em ambos os casos, me surpreendi com o que vi, ouvi e senti. Tanto nas ruas da capital mineira quanto na academia da capital do país, a presidenta afastada foi aclamada como heroína por milhares de pessoas que se acotovelavam para dar a ela uma palavra de apoio, um abraço de incentivo, um grito de solidariedade. Por vários milhares. Como já começam a demonstrar as pesquisas, o golpe transformou Dilma de uma presidenta impopular que até mesmo seus partidários tinham reservas de defender em uma líder de massas que desconhecidos se orgulham de dizer que irão apoiar até seu retorno à presidência.

Não é por acaso. Sem as amarras do Palácio do Planalto, sem ter que medir as palavras para agradar a dita base aliada que tramava nas sombras, Dilma estava mais a vontade do que nunca para se expressar em seus próprios termos, tecer seu próprio discurso, avalizar sua própria análise do retrocesso que corrói o país. A Dilma que ressurgiu das cinzas pós-golpe não precisa mais se preocupar em não desagradar o PMDB para manter o despolitizante “pacto pela governabilidade”. Ela pode dizer coisas como “o golpe tem nome, sobrenome e CPF”. E o que é melhor: citá-los textualmente.

“Volta, querida!”

A lua cheia despontava atrás do Parque Municipal quando, de dentro do hotel Othon Palace, comecei a ouvir a multidão que fechara a Avenida Afonso Pena, no centro de Belo Horizonte, gritando “Volta, querida!”. Quando a presidenta chegou ao hotel, saiu para cumprimentar as mais de dez mil pessoas que, espontaneamente, foram esperá-la no local com rosas e balões vermelhos. Dilma abraçou o povo, tomou o microfone, falou de improviso. Emocionou e ficou emocionada. Chorou duas vezes. As pessoas que, como eu, estão acostumadas à Dilma dura e seca das coletivas no Palácio do Planalto, custavam a acreditar no que viam.

Dentro do Othon, ela falou por cerca de uma hora para o seleto público de blogueiros e jornalistas progressistas que a aplaudiam e gritavam palavras de ordem contra os golpistas e fascistas que tomaram o governo dela de assalto. A presidenta falou do golpe, da luta que se fazia necessária, mas também falou de carinho, de emoção, de solidariedade. Lembrou àquela Dilma pré-ajuste fiscal que arrebatou corações e mentes nas duas últimas campanhas presidenciais. Mas foi ainda melhor.

Depois da jornada dupla, ainda se dispôs a receber alguns jornalistas para uma rodada de bate-papo.    Ainda refém da decepção que seu segundo governo me causou, no bojo do ajuste fiscal, da Lei Anti-terrorismo, da paralisação da reforma agrária e da falta de atitude para avançar com a regulação da mídia, lancei a pergunta que julguei mais adequada à temática do evento:

- A luz dos últimos acontecimentos, considerando o papel central desempenhado pela mídia no golpe que lhe tirou da presidência, a senhora não acha que seu governo poderia ter feito mais pela democratização da comunicação?

Por um minuto, me veio à mente a Dilma dura do Planalto. Imaginei que a resposta viria perfurante. Mas a presidenta respirou fundo, me olhou nos olhos e, pela primeira vez na minha vida, me fez enxergar que a tal governabilidade não é apenas um conto da carochinha para acalmar a militância.

- “Poderia, mas não levaria”, respondeu ela, com convicção.

A presidenta afastada me lembrou da batalha travada por seu governo para aprovar o Marco Civil da Internet construído em parceria com a sociedade civil, que nos garantiu a neutralidade da rede. Ela recordou que foi ali, naquele empate, que o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se consolidou como o arqui-inimigo número 1 do seu governo dentro do partido que até então era o maior aliado do PT.  

Dilma criticou com propriedade o processo de “direitização” do PMDB, aprofundado a partir daí e levado ao extremo no seu segundo mandato, com a eleição do parlamento mais conservador da história recente do país. E deixou claro que a disposição da velha direita brasileira em deixar o PT governar tinha limites muito claros: qualquer mudança na concepção monopolizada de um dos sistemas de comunicação mais concentrados do mundo não seria tolerada.

Ela também afirmou ali, em Belo Horizonte, que sua disposição para a luta não era retórica. Mesmo cansada, abatida, Dilma tinha o brilho nos olhos de quem tem convicção do papel histórico que tem a desempenhar. E deixou claro que a recepção calorosa que tivera na sua terra natal a motivou ainda mais para sair dos limites da Alvorada e correr o país para denunciar o golpe que inviabilizara não apenas seu governo e as conquistas sociais da última década, mas a própria democracia brasileira.

"Boa noite, queridos!”

Na UnB, a presidenta afastada esbanjou simpatia. “Vou cumprimentá-los da mesma forma que vocês me receberam. Boa noite, queridos! Boa noite, queridas!”, disse, sob os aplausos da plateia que lotou o Centro Darcy Ribeiro, popularmente conhecido como “Beijódromo”.

Ela atacou sem reservas “o governo neoliberal dos homens brancos, velhos e ricos”. E afirmou que o golpe em curso tem dois motivos. O primeiro deles explicitado pelo conteúdo das gravações agora tornadas públicas: parar a Operação Lava Jato e impedir que as investigações contra a corrupção avancem para além dos círculos petistas. O segundo, de acordo com ela, implícito nas declarações e entrevistas dos golpistas: impedir a continuação das políticas de distribuição de renda iniciadas pelo PT.

Ela rechaçou as posições expressas do novo governo que apontam para a redução da abrangência do SUS, o fim da contratação dos médicos cubanos, a suspensão do programa Minha Casa, Minha Vida para a parcela mais pobre e o corte de 30 milhões de beneficiários do Bolsa Família.  “Na época de expansão da riqueza, o conflito não é tão visível. Mas na crise ele é. E já está claro quem vai pagar o pato mais uma vez: o povo deste país”, denunciou.

A Dilma simpática e segura de si que emergiu do golpe foi recebida com reverência e carinho pela comunidade acadêmica da UnB, além de intelectuais e artistas da capital federal. Entre eles, a atriz Camila Márdila, que cativou o Brasil e o mundo no papel da Jéssica, do filme “Que horas ela volta?”. Em referência às várias Jéssicas que surgiram no Brasil dos governos populares, Dilma abraçou o tema da educação. “Eu tenho consciência do grande passo que foi dado na educação. Eu tenho consciência do que significaram o Prouni, o Fiés, mas, sobretudo, a Lei de Cotas”, afirmou.

A presidenta afastada homenageou também os autores do livro “A resistência ao golpe de 2016”. Segundo ela, a obra é de extrema importância para a luta em curso. “Enquanto fazemos história, nós também refletimos sobre ela”, observou. Para a presidenta, o golpe de 2016 apresenta trajes diferentes, mas é fruto da mesma oligarquia que sempre derruba os governos populares do país. Segundo ela, se a imagem do golpe de 1964 é a árvore democrática sendo cortada por um machado, a imagem do golpe de 2016 é a da mesma árvore democrática sendo corroída por um parasita. “Só é diferente agora porque o golpe não interrompe o processo democrático, mas sim o corrói”, comparou.

Eliane Tucanhede denuncia golpistas que trabalham contra o Brasil

"Tanto quem é a favor quanto quem é contra o afastamento de Dilma tem de ter em mente a responsabilidade coletiva com a história e que só há três saídas para um país mergulhado em tantas crises. Fora disso, não há alternativa, a não ser anarquia"

 "Uma saída é dar uma trégua para Temer governar e a equipe de Henrique Meirelles tentar por a economia em ordem nesses dois anos e meio, para entregar para os eleitores em 2018 um país razoavelmente saneado."

"O esforço para derrubar Temer, neste momento, é trabalhar contra o Brasil".

Golpe-Matic


Situação da Globo já esteve melhor...



Caruaru, Pernambuco. Repórter fugindo do povo.

Vereador paulistano Jamil Murad propõe que data do golpe vire "Dia da Vergonha"

Vereador propõe que data de votação do impeachment de Dilma vire "Dia da Vergonha" 
Bruno Ribeiro e Fabio Leite

O vereador paulistano Jamil Murad (PCdoB) apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal de São Paulo propondo que o dia 17 de abril entre para o calendário oficial da cidade como o “Dia da Vergonha” por causa da aprovação da abertura do processo de impeachment golpe parlamentar da presidente afastada Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

A sessão de votação foi marcada por uma série de dedicatórias feitas pelos parlamentares a parentes, igrejas e até à memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de torturar militantes contrários à torturador e assassino da ditadura militar .

“No dia 17 de abril de 2016 a população paulista e brasileira assistiu estarrecida a votação, no Congresso Nacional, que autorizou a abertura de um processo de impedimento da presidenta do Brasil, eleita por 54 milhões de votos. A votação foi um verdadeiro espetáculo no qual os deputados declaravam seu voto em nome de esposas, maridos, filhos, netos, Deus e até mesmo em nome de condenado e reconhecido torturador à época da ditadura militar”, justificou o vereador.

O vereador alega que Dilma “foi afastada por os foi afastada por representar projeto político de inclusão social, de avanço democrático e elevação da soberania” e que a votação foi conduzida pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB), afastado da presidência da Câmara pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ser réu em processo no qual é acusado de receber propina no esquema de corrupção da Petrobrás.

“Este episódio trouxe aos brasileiros, em especial aos paulistanos, cuja cidade foi palco de intensas manifestações de ruas em defesa das mais diversas posições políticas, enorme vergonha pelo golpe institucional parlamentar perpetrado contra a presidenta Dilma Rousseff, legítima mandatária eleita pelo voto popular. Tal data deve ficar registrada no Calendário Oficial da Cidade de São Paulo como o Dia da Vergonha – Golpe Institucional Parlamentar – para que as gerações futuras conheçam sua história e possam defender as regras democráticas, de maneira a não mais permitir que tais fatos se repitam”, afirma o vereador.

Para virar lei, o projeto precisa ser aprovado pela maioria dos vereadores no plenário da Câmara Municipal e ser sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT). 

Volta aí querida, pra gente te criticar

Laura Carvalho

Bons tempos aqueles em que a gente ficava criticando a Dilma e ainda precisava de algum nível de sofisticação na análise. A esculhambação do governo Temer é tanta que tudo ficou meio óbvio e trivial. Volta aí querida, pra gente te criticar.

Mais nuances, por favor.

Segue o golpe e o Festival de Besteiras que Assola o País

Luis Felipe Miguel

Michel Temer usurpou a presidência e daí desorganizou a CGU, inventando o tal Ministério da Transparência, onde colocou um indicado de Renan. Quando transpareceu que o interino do ministério inventado queria era livrar o padrinho das investigações, teve que pedir demissão.

Agora não se sabe quem é o interino do interino demissionário, porque o novo secretário-executivo ainda não foi nomeado e o antigo, da CGU de Dilma, já pediu demissão.

Nisso, os conselheiros do usurpador sugerem que seja indicada uma mulher, mas tudo depende de Renan, que é o dono da vaga, mas gosta de dizer que não indica e nunca indicou ninguém.

Tudo isso, por uma coincidência que os astros explicam, no mesmo dia em que Janot rejeitou suspender nomeações de Temer, explicando que não importa se o sujeito é investigado ou não: só se suspende nomeação de ministro quando é o Lula.


Depois do golpe de 1964, Stanislaw Ponte Preta começou a compilar o "Febeapá" - o Festival de Besteiras que Assola o País, com as maiores imbecilidades ditas e feitas pelos golpistas e seus puxa-sacos. O golpe de 2016 seria outro prato cheio para ele.

Que horas ela volta?

Dilma Rousseff

A personagem Jéssica, do filme “Que horas ela volta?”, mostra o que queremos de todas as Jéssicas: uma postura, diante da vida, de autoestima, de força, pela certeza da capacidade de conquistar, afirmou Dilma. A presidenta se encontrou hoje (30), na UnB, com a atriz Camila Márdila, que representou os milhões de jovens que entraram numa faculdade - muitos com a ajuda das políticas públicas implementadas pelos governos Lula e Dilma. #VoltaQuerida


Quem será o próximo?

Presidente a reboque 
Bernardo Mello Franco 
A queda do ministro da Transparência, o segundo a sair em 19 dias, está longe de mostrar Temer como um líder enérgico e intolerante com desvios. Ao contrário: reforça a impressão de que seu governo está a reboque dos fatos — e das fitas
O governo Temer não completou três semanas e já sofreu a segunda baixa. Fabiano Silveira, o desconhecido ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, está fora da Esplanada. Voltará ao anonimato antes de ter saído dele.

O motivo da queda parece uma piada de mau gosto sobre a bagunça geral em Brasília: o ministro encarregado de combater a corrupção foi flagrado em conversas para melar a Lava Jato. Em áudios divulgados pela TV Globo, ele critica a operação e orienta o senador Renan Calheiros, seu padrinho político, a despistar os procuradores que o investigam.

Silveira ainda não era ministro, mas integrava o Conselho Nacional de Justiça. A função do órgão é fiscalizar o Judiciário, e não ajudar suspeitos a escapar das garras da lei.

O diálogo foi gravado por Sérgio Machado, o ex-presidente da Transpetro que assinou um acordo de delação premiada e se transformou no homem-bomba do governo interino. Ele já havia feito uma vítima na semana passada, quando Romero Jucá caiu do Ministério do Planejamento. O motivo foi outro grampo, no qual o senador defendia acelerar o impeachment para frear a Lava Jato.

A gravação do ministro da Transparência foi igualmente constrangedora para o presidente interino. Até a Transparência Internacional emitiu nota, direto de Berlim, cobrando que ele fosse defenestrado do cargo.

A diferença entre os dois episódios é que Temer, desta vez, tentou segurar o auxiliar. Não por apreço a ele, mas por medo de contrariar Renan, responsável por sua nomeação.

O Planalto chegou a dizer à imprensa que Silveira ficaria no cargo por decisão do presidente interino. No início da noite, foi surpreendido com a carta de demissão.

A queda do segundo ministro em 19 dias está longe de mostrar Temer como um líder enérgico e intolerante com desvios. Ao contrário: reforça a impressão de que o presidente está a reboque dos fatos —e das fitas. Quem será o alvo da próxima?

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Envolvidos confessaram... E o Papa Francisco condenou o “golpe suave”




Reunido com bispos, o Papa Francisco disse estar preocupado com "golpes suaves" na América Latina. Sua Santidade referia-se ao Brasil, também.

E o Papa manifestou tal opinião antes de conhecida parte das reveladoras conversas gravadas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.

As gravações de Machado com Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá, são tomografia da derrubada de Dilma Roussef.

O que o PMDB articula nas conversas vazadas é um "acordo". Um "pacto" para derrubar Dilma de qualquer jeito e fazer "Michel" presidente.

Escancarado na expressão "estancar a sangria", motivo óbvio é tentar conter a Lava Jato, que ameaça todos estes envolvidos.

Além do desespero de alvos da operação, o que esse converseiro mostra?

Mostra entranhas do topo do Poder.

Entranhas da Política, do PMDB de Eduardo Cunha -personagem oculto das gravações.

Todos manobrando para depor Dilma e tentar salvar seus pescoços.

Os vazamentos buscam desobstruir o caminho da Lava Jato em direção a alvos secundários. E alargá-lo rumo ao alvo primordial.

O vazamento das conversas entre Lula e Dilma havia contraído a Lava Jato. Por que ilegal ao menos parte da gravação e o vazamento.

Contraído por gravação e vazamento terem atiçado ruas até então encolhidas.

Ruas cada dia mais ocupadas por oposições que hoje estão adiante e para além de partidos e movimentos sociais tradicionais.

Oposições agora ao governo interino.

As gravações de Machado foram em março. O procurador Janot teve acesso ao teor das conversas, e a essa trama, antes do afastamento de Dilma ser autorizado, só em maio?

Governo Temer, terceira semana. Balançava, e caiu na noite desta segunda, 30, o segundo ministro. Como Romero Jucá, vitimado pelo mesmo delator, Sérgio Machado.

Fabiano Silveira, ministro da Transparência, foi gravado aconselhando Renan sobre como driblar a Lava Jato...

Haja transparência.

A propósito de conselhos... Em editorial, a Folha de São Paulo recomenda a Gilmar Mendes "evitar atitudes que destoem das práticas do judiciário".

O ministro preside o TSE. E a Segunda Turma, que julga processos da Lava Jato.

Sábado à noite Gilmar Mendes foi ao Palácio do Jaburu. Diz o ministro do Supremo que foi discutir com o interino Temer o "orçamento do TSE".

Cai Fabiano Silveira, a segunda baixa de Temer em 17 dias de governo

247 - O ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, entregou na noite desta segunda-feira (30) a carta de demissão do cargo.

A decisão do ministro foi tomada após a enorme repercussão negativa da divulgação de sua conversa com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na qual ele criticou a condução da Operação Lava Jato pela Procuradoria Geral da República (PGR). A conversa foi gravada por Sérgio Machado e divulgada na noite de ontem pela Globo.

Temer havia avaliado inicialmente que o caso de Fabiano Silveira era “menos grave” que o do senador Romero Jucá (PMDB-RR), flagrado em gravações de Sérgio Machado sugerindo um "pacto" para barrar a Operação Lava Jato. Em razão da repercussão negativa dos áudios, Jucá teve de deixar o comando do Ministério do Planejamento.

Reinaldo Azevedo vs. Olavo de Carvalho: a direita se debate



Votar contra o Brasil


Dilma deu hoje (29/05) excelente entrevista na Folha. Ressaltou que as verdadeiras causas do impeachment foram a tomada do poder por uma direita liberal inconformada com sua vitória na reeleição e o desejo de muitos políticos comandados por Eduardo Cunha de obstruir a operação Lava Jato. Ela tem toda razão. A história das pedaladas foi uma farsa jurídica.

Dilma foi acusada de ter feito um estelionato eleitoral, mas quem o está fazendo é o seu vice-presidente, que está se propondo a dar uma guinada a favor dos ricos para a qual, definitivamente, não foi eleito.

Dilma espera que o Senado reverta a posição. Ela só teve 22 votos a seu favor, e precisava de 27, mas ela espera ter 30 votos. E argumenta: "Nós podemos reverter isso. Vários senadores, quando votaram pela admissibilidade [do processo de impeachment], disseram que não estavam declarando [posição] pelo mérito [das acusações, que ainda seriam analisadas]. Então eu acredito".

Uma coisa é certa. Votar pela continuidade desse governo interino é votar contra o Brasil e a sua democracia.

A pior notícia para Temer é a próxima

Bomba da Lava Jato explode no colo de Temer 
Alex Solnik 

Está difícil eleger a pior má notícia que Michel Temer recebeu nesse fim de semana. Quando eu me preparava para escrever a respeito da bomba que caiu em seu colo com as novas revelações dos grampos de Sérgio Machado que o "Fantástico" divulgou ontem, me deparei com a informação de que ele colocou dois imóveis no valor de 2 milhões de reais em nome de seu filho Michelzinho, de sete anos, que, embora seja aparentemente legal, pode ser entendida como uma evidente manobra para esconder patrimônio, pois ele declarou à Receita patrimônio de apenas 800 mil reais.

Por uma dessas ironias do destino, tanto a bomba do "Fantástico" quanto a do Riocentro foram detonadas por dois senhores de sobrenome Machado.

A do capitão Wilson Dias Machado, destinada a provocar um atentado no show de Primeiro de Maio e que explodiu, sem querer no dia 30 de abril de 1981 em seu colo, tinha por finalidade abalar o governo do general Figueiredo; a de ontem, detonada por Sergio Machado com a finalidade de incriminar seus amigos é mais um petardo que abala o governo provisório, ao comprometer, numa tacada só, mais um ministro do governo provisório; o presidente do Senado e vice de Temer e o próprio Temer, que chegou onde chegou com a decisiva colaboração de Renan e que nomeou o ministro que caiu em desgraça e, tudo indica, deverá cair ainda hoje. O destino de Renan não será diferente já que, além de ser flagrado em manobras para obstruir a Lava Jato, ficamos sabendo que está envolvido com o doleiro Alberto Yousseff.

O ilustre desconhecido Fabiano Silveira que no dia do grampo integrava o Conselho Nacional de Justiça e hoje é o ministro da Transparência (parece piada) surge nos grampos não só orientando Renan a se defender, mas no papel de seu emissário para espionar a Lava Jato.

Renan se entrega ao dizer que está preocupado com a doação de 400 mil reais que recebeu da Transpetro e, para piorar ainda mais o quadro, o ex-presidente e seu apadrinhado, Sergio Machado, suposto autor do grampo, que fez a tal doação para a sua campanha, tranquiliza-o informando que os recibos foram providenciados pelo doleiro Alberto Youssef. "Youssef [Alberto] cuidou disso", diz Machado no grampo. O doleiro teria providenciado recibos, mas no valor total maior, de R$ 800 mil.

Como é público e notório que Youssef só entra em ação quando é necessário fazer um trabalho sujo, ninguém pode ficar tranquilo com esse tipo de tranquilizante. É a prova definitiva de que a doação era fraudulenta.

Não há como supor que Renan continue na presidência da Senado, tão explosivo é o teor das gravações. Ele terá que renunciar, pela segunda vez em sua carreira, "para se defender", como se costuma justificar a retirada estratégica nos casos de envolvimento em casos como o seu.

Mas não é só. É previsível que seja aberto contra ele (ou a seu desfavor, como está na moda dizer) um processo de cassação no Conselho de Ética por quebra de decoro e que o STF o libere para ser interrogado em Curitiba.

Em outras palavras, Renan, que até ontem era considerado por muitos o bam-bam-bam da política brasileira, é mais uma carta fora do baralho de Temer.

É evidente que o ministro da Transparência também vai cair. Embora seu papel fosse importante para a turma, ele mesmo, por ser inexpressivo, não será um desfalque tão grande assim, mas, ao ser desmascarado ele expôs o presidente provisório, pois ficou claro que ele foi nomeado não para investigar o que acontece de errado no governo e sim para ajudar Temer e seus amigos na árdua missão de driblar a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato.

Foi um fim de semana de pesadelo para Temer. No sábado à noite ele se encontrou com o ministro Gilmar Mendes, atual presidente do TSE, o que não pegou bem, não só porque encontros fora de expediente são sempre suspeitos, mas porque o TSE analisa atualmente o processo de cassação da chapa Dilma-Temer. Encontro esquisito, esse.

Antes mesmo da bomba do Fantástico, já havia indicações seguras de que a Globo não morre de amores por Temer. O primeiro sinal surgiu no dia da reunião em que ele deu um tapa na mesa, logo depois de anunciar, bem ao seu estilo, que uma das coisas que "talvez" venha a fazer será tomar 100 milhões emprestados do BNDES. Nessa mesma noite, enquanto as imagens da reunião eram exibidas na Globo News, Merval Pereira foi taxativo ao declarar que ele não poderia fazer aquilo, a constituição não permite.

O segundo sinal surgiu ontem à noite, no programa Painel, no momento em que a âncora Renata Lo Prete afirmou que erram os que tentam comparar o governo Temer ao de Itamar; mais apropriado seria compará-lo ao de Sarney.

Levando-se em conta que o governo Itamar foi bem sucedido e o de Sarney um estrondoso fracasso e que as opiniões de Merval e de Lo Prete, longe de serem pessoais, expressam o pensamento do diretor de Jornalismo da Globo e, em última análise, da família Marinho, conclui-se que a maior emissora do país não está disposta a ajudar Temer na mesma medida em que atrapalhou Dilma, quando convocou a população a ir às ruas, que foi o álibi de deputados e senadores para aprovarem a primeira fase do impeachment.

Tenho impressão que a postura da Globo é a resposta à nomeação de Marcos Pereira para o ministério da Indústria, Comércio e Desenvolvimento. Ele não é apenas um estranho no ninho, sem nenhuma qualificação para esse cargo, mas um empregado de Edyr Macedo, fundador do partido que preside e dono da Rede Record, com a qual a Rede Globo mantém uma batalha de vida ou morte no ibope. Talvez tenha sido o mais fatal dos muitos erros de Temer ao formar seu governo improvisado, pois governar sem a Globo a seu favor é possível, mas com a Globo contra é arriscadíssimo.

Isso não quer dizer, necessariamente, que a Globo tenha saudades da presidente Dilma, mas significa que não vai ajudar Temer no segundo tempo do impeachment, o que já é um trunfo para ela, cuja popularidade só cresce desde que foi deposta, passando de 18% a 33% de aprovação, mais um bom motivo para a Globo manter-se neutra: enquanto o ibope da ex-presidente cresce, o do presidente provisório desce.

Aqui entre nós, nenhum aliado do governo afastado poderia ter provocado tantos estragos ao seu sucessor ilegítimo quanto os grampos de Sergio Machado e uma Rede Globo mordida. Com que cara os senadores vão alegar, no segundo tempo da votação, sem corar, que o impeachment se fundamenta nas pedaladas fiscais e no Plano Safra diante de tantas evidências de que se tratou de uma conspiração contra a Lava Jato?

A pior notícia para Temer é a próxima.

O que há de errado com a sociedade?



Mr. Robot.

O Brasil sem o PT

Sam AI

- o ministro golpista da "Transparência", pasta criada pra substituir a extinta Controladoria Geral da União, é gravado orientando investigados a escapar da Lava Jato.

- um ministro do SFT vai à casa do presidente golpista, a quem ele deveria investigar, na calada da noite, como um mafioso em tratativas.

- o filho de 7 anos do presidente golpista tem dois milhões de reais em imóveis em seu nome.

- o ministro golpista da "justiça" não consegue explicar a jornalistas estrangeiros (porque os daqui parecem imersos em um caldo de LSD) porque quatro bandidos já identificados no vídeo do estupro coletivo de uma garota de 16 anos não estão presos.

Esse país sem o petê no governo tá uma benção, né, gente?

Irmãos Marinho demitem mais um ministro


A ordem está dada, cabe ao funcionário Temer cumpri-la.

O golpe sem disfarces


As conversas gravadas por Sérgio Machado, e até o momento divulgadas pela Folha de S.Paulo, imprimem novo ritmo e novo rumo à manobra golpista que afastou Dilma Rousseff e entregou o governo interino a Michel Temer, o arguto professor de Direito Constitucional que rasga a Constituição.

Na semana passada permitia-me prever a provável separação entre o poder togado e o poder parlamentar, unidos pelo e no golpe. A hipótese agora se fortalece, e a confirmação vem da própria mídia nativa. Não folheava os jornalões desde a aprovação do impeachment pela Câmara e a partir de segunda 23 passei a ler suas sessões políticas.

Na terça, elegia-se Romero Jucá a bode expiatório e como questão central apontava-se o “pacto” aventado na conversa entre Machado e o ex-ministro para estancar a sangria desatada da Lava Jato.

A verdade factual sacramenta outra evidência, ao alcance da compreensão até do mundo mineral: ocorrido em março passado, o fatídico diálogo é, em primeiríssimo lugar, a prova irrefutável do golpe em marcha, e apresenta inclusive as forças envolvidas na trama. Ali se estabelece a premissa indispensável ao propósito do “pacto”, derrubar Dilma. 

Perguntei aos meus estupefatos botões como haveria de revidar o poder togado à ameaça do poder parlamentar. Mais, de que lado ficariam a casa-grande e a mídia nativa. Antes que respondessem, Temer entra em cena e joga a carta do pacote econômico do ministro Meirelles, o homem de todas as estações, a quem certamente não faltou a colaboração de José Serra.

De quem recordo uma frase retumbante, pronunciada na cozinha da minha casa, durante a campanha eleitoral de 2002, enquanto jantávamos um risotto ai porcini: “Eu sou muito mais de esquerda do que o Lula”.

Pois na tarde de terça os economistas do governo interino, vendilhões do País, firmaram a rendição ao mais cruel neoliberismo, a doença que uma centena de multinacionais, especuladores e rentistas impõe ao mundo para condenar à miséria a larga maioria e enriquecer mais e mais uma ínfima minoria. Comedida, a mídia de quarta celebra em manchetes o corte de gastos prometido pelo pacote e deixa em segundo plano a sua essência nefasta.

Convoco novamente os botões: por quê? Parece óbvio que uma súbita dúvida assola a casa-grande. O caminho do golpe tenderia a bifurcar-se, e a encruzilhada exige meditação profunda ao tornar possível, quem sabe provável, uma escolha. Temer e o Congresso ou Moro e o Supremo? A leitura dos jornalões induz os botões a acentuarem a gravidade do momento e a dificuldade da opção.

Na quarta, a Folha coloca em manchete o anúncio do corte dos gastos do governo e relega um novo diálogo dos idos de março, entre o mesmo Machado e Renan Calheiros, a uma chamada modesta na primeira página e relato na quarta. Soletram os botões: mais uma conversação edificante para confirmar o golpe, o pavor da Lava Jato de quem tem culpa em cartório e o envolvimento do Supremo na grande tramoia urdida contra o Brasil.

A terceira conversa gravada, entre machado e José Sarney, a menos significativa, revela apenas a intenção do ex-presidente de livrar Machado do julgamento de Moro, ao mexer pauzinhos não declinados.

CartaCapital preocupa-se com o destino do País brutalmente desigual e pratica o jornalismo com honestidade e fidelidade canina à verdade factual. Fato é que o governo Lula representa a quadra mais feliz na história do Brasil em termos de paz e bem-estar interno e prestígio internacional.

O ex-metalúrgico soube implementar um começo de política social e promover uma política exterior independente. Contou com uma conjuntura mundial favorável, e este é fato, assim como é fato que o PT no poder se portasse como todos os demais partidos.

Dilma Rousseff não tem o carisma e o extraordinário tino político de Lula e cometeu erros graves de pontos de vista variados. Em boa parte manteve, porém, as políticas sociais do antecessor, ao meio de uma situação econômica cada vez mais adversa. Além disso, trata-se de uma cidadã correta, corajosa e muito bem-intencionada. Talvez um tanto ingênua, murmuram os botões.

Ouço-os, a despeito do tom opaco: seria bom saber como reagiu às razões de João Roberto Marinho, chamado em Palácio para escutar queixas em relação à constante agressividade global, sempre disposta a inventar, omitir e mentir.

Sustentou então o herdeiro do nosso colega Roberto não mandar nos seus empregados jornalistas, livres de propalar o que bem entendem, e, de resto, não ter condições de impedir o efeito manada na direção do golpe. Que fez a presidenta? Caiu das nuvens? Respondeu à altura a tamanha desfaçatez? De todo modo, como se deu que pudesse esperar por outro comportamento?

Cabem mais interrogações: que disse Dilma ao chamar o presidente do STF para discutir as posições do Supremo na perspectiva do golpe e ouvir a reivindicação de aumento de salário? A situação se apinha de dúvidas e incógnitas. Por exemplo. Os efeitos do pacote econômico, bastante agradáveis para a casa-grande, são altamente daninhos para um povo acostumado há tempo a manifestar sua insatisfação por ruas e praças.

Outra incógnita diz respeito ao inter do processo de impeachment, a prever no espaço máximo de 180 dias a sessão definitiva do Senado, presidida pelo ministro Lewandowski, não se sabe se já premiado pelo invocado aumento.

Na entrevista a CartaCapital da edição passada, a presidenta afastada referia-se à possibilidade de conquistar seis votos no Senado, de sorte a invalidar a maioria que a afastou. De fato, basta reverter dois votos em relação ao resultado da primeira sessão. A chance não teria crescido diante dos últimos, surpreendentes eventos?

Há quem volte a falar em eleições gerais antecipadas, quem sabe para outubro de 2017. Solução sensata demais para ser viável. Ideal mesmo, declaram soturnamente os botões, seria refundar o Brasil, tão favorecido pela natureza e infelicitado fatalmente por uma dita elite, prepotente, arrogante, hipócrita, corrupta, egoísta e incompetente. Ah, sim, ignorante. E movida a ódio de classe.

Abandono-me ao devaneio ao imaginar a convocação de uma Constituinte finalmente exclusiva. E me vem à memória a lição de Raymundo Faoro, contida em um dos seus livros mais recentes, A Assembleia Constituinte – A legitimidade recuperada.

Comenta Faoro a crença de que “só revoluções vitoriosas podem convocar Constituintes”. E emenda: “Na verdade, sempre que há crises ou colapso de uma ordem constitucional, ela só se recompõe pela deliberação constituinte, a deliberação constituinte do povo, se democrático o sistema a instituir”. 

Multidão na Paulista grita "Fora, Temer!"



Jornalistas Livres

O incrível Deputado Jean Willys (PSOL/RJ) portando o mesmo emblemático cachecol vermelho da batalha contra "Aqueledeputadoquenãofalaremosonome" no dia da votação do Impeachment, discursa para milhões centenas de milhares na Avenida Paulista dando atenção especial na agenda política da parada, cita a vulnerabilidade Trans e o momento que passa o país.

A multidão responde em coro: FORA TEMER! FORA TEMER! FORA TEMER!

Vídeo: Christian Braga
Edição e texto: Tadeu Amaral

Filho de 7 anos de Temer tem R$ 2 milhões em imóveis

José Roberto de Toledo e Daniel Bramatti 

Aos 7 anos de idade, completados em 2 de maio, Michel Miguel Elias Temer Lulia Filho, mais conhecido como Michelzinho, é proprietário de pelo menos dois imóveis cujos valores somados superam R$ 2 milhões. O pai, Michel Miguel Elias Temer Lulia, de 75 anos, presidente em exercício da República, passou para o nome do único herdeiro do seu casamento com Marcela Temer dois conjuntos comerciais que abrigam seu escritório político em São Paulo.

Localizados no Edifício Lugano, no Itaim-Bibi, zona sul da capital paulista, cada conjunto tem 196 m² e valor venal de R$ 1.024.802, segundo a Prefeitura de São Paulo – os dados são públicos e podem ser consultados na internet. O valor de mercado costuma ser de 20% a 40% mais alto do que o valor de referência usado pela Prefeitura para calcular o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Mesmo assim, na declaração de bens que Temer apresentou à Justiça Eleitoral em 2014, cada conjunto é avaliado em apenas R$ 190 mil. Isso é comum nas declarações de políticos, pois os imóveis costumam ser declarados pelo valor de quando foram comprados. A legislação não obriga a atualização do valor.

Doação. A assessoria de imprensa de Temer informou que a transferência foi feita como doação, uma espécie de antecipação da herança, e que as filhas do presidente em exercício também já receberam imóveis em outros momentos. A assessoria não esclareceu quais imóveis foram doados para as filhas, nem em que data isso ocorreu.

Luciana, Maristela e Clarissa, fruto do primeiro casamento de Temer, são proprietárias de imóveis residenciais na zona oeste de São Paulo, segundo a Prefeitura. A primeira também é dona de um escritório no mesmo prédio onde ficam os imóveis transferidos para seu irmão.

Outros bens. No caso da declaração de bens de Temer apresentada quando foi candidato a vice-presidente a casa que possui na zona oeste de São Paulo também está subavaliada. Em 2014, o presidente em exercício declarou a residência de 415 m² no Alto de Pinheiros, comprada em 1998, por R$ 722.977,41. Na Prefeitura, o valor venal é de R$ 2.875,109. Sobre esse valor incide a cobrança de IPTU.

Se a casa e os dois conjuntos do Itaim-Bibi tivessem seu valor corrigido para pelo menos o valor venal, o patrimônio declarado de Temer aumentaria em pelo menos R$ 3,6 milhões e chegaria a um total de mais de R$ 11 milhões. Isso não inclui outra casa, de R$ 1.434.558, no bairro do Pacaembu, pela qual ele responde a uma ação por não pagamento de IPTU, e que Temer diz ter vendido.

O patrimônio do presidente interino cresceu rapidamente desde 2006. Naquele ano, Temer foi candidato a deputado federal e declarou bens no valor de R$ 2.293.645,53. Se corrigido pelo IGP-M da Fundação Getúlio Vargas, eles corresponderiam, em 2014, a R$ 3.678.526,22. Porém, seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral em 2014 já havia crescido para R$ 7.521.799,27. Ou seja, mais do que dobrou acima da inflação entre duas eleições – e isso sem levar em conta a valorização dos imóveis.

Mais um integrante da quadrilha de Temer e Cunha deve cair hoje

Áudios de Sergio Machado podem derrubar mais um ministro de Temer

Brasília 247 – Depois de Romero Jucá (PMDB-RR), que caiu do Ministério do Planejamento ao ser gravado por Sergio Machado, numa conversa em que confessa que o impeachment foi uma trama para parar a Lava Jato, o governo interino de Michel Temer pode perder seu segundo ministro.

Desta vez, Fabiano Silveira, que responde pelo ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, a  antiga Controladoria Geral da União.

Silveira também foi gravado por Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro. Nas conversas, ele orienta Machado e o senador Renan Calheiros sobre como devem se comportar diante do Ministério Público, nas investigações da Lava Jato.

"A única ressalva que eu faria é a seguinte: está entregando já a sua versão pros caras da... PGR, né. Entendeu? Presidente, porque tem uns detalhes aqui que eles... (inaudível) Eles não terão condição, mas quando você coloca aqui, eles vão querer rebater os detalhes que colocou (inaudível)", diz ele a Renan. "Eu concordo com a sua condição de, tendo sido objeto de uma medida cautelar, simplesmente, não... Dizer assim: 'olha, não é comigo isso...' acho que tem que dizer, tem que se dirigir ao relator prestando alguns esclarecimentos, é verdade", afirma a Machado.

Diante das gravações, técnicos do setor já pedem a cabeça de Silveira. "Não tem como manter o ministro nessa situação. Estamos conversando com as chefias e já tem vários querendo entregar os cargos até que o ministro seja exonerado", diz Rudinei Marques, presidente do Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle.

Silveira disse que esteve na reunião na casa de Renan “de passagem” e que esteve “involuntariamente”, em uma conversa informal. Também informou que seria impossível controlar o Ministério Público. A secretaria de comunicação de Temer não comentou o caso.

Leia, abaixo, a íntegra da nota de Fabiano Silveira:

"Como servidor de carreira do Senado, Fabiano Silveira esteve de passagem na residência oficial do Senado.

Não sabia da presença desse senhor Sérgio Machado, com quem o atual ministro não tem nem nunca teve nenhuma relação, profissional ou pessoal.

Esteve involuntariamente em uma conversa informal e jamais fez gestões ou intercedeu junto a instituições públicas em favor de terceiros.

Chega a ser despropósito sugerir que o Ministério Público - uma instituição que já deu tantas demonstrações de independência e ativez no cumprimento de seus deveres - possa sofrer qualquer tipo de interferência externa."

"House of Soraya"

Gregório Duvivier 

"A política nacional tá melhor que 'House of Cards'!" Quem diz isso nunca viu "House of Cards". Acho uma falta de respeito com "House of Cards".

Se fosse uma série, teria reviravoltas. Mas não. Desde o primeiro episódio que tá todo o mundo dizendo que é golpe. Tudo indica que é golpe. Eis que, na quinta temporada, os roteiristas escrevem uma grande revelação: ouvimos o ministro do Planejamento planejando (perceberam a sacada do roteirista?) um golpe. "Óóóóóóó", grita a plateia, meu deus! "Que surpresa! Por essa não esperávamos!"

Se fosse uma série de qualidade, Temer não teria tanta cara de vilão. Desde "Super Xuxa Contra o Baixo Astral" não se vê um malvado tão caricato –até ACM, o Toninho Malvadeza, achava Temer uma escolha óbvia demais para o papel: "Parece mordomo de filme de terror". Nem no pior filme de James Bond ("007 contra o Foguete da Morte", que se passa, não por acaso, no Brasil) se pensou num malvado tão obviamente malvado. Qualquer criança de seis anos quando vê um sujeito pálido com rosto esticado e voz de sarcófago sabe que é "do mal". "Foi ele, mamãe!", as crianças gritariam no teatro infantil. "Foi o vampiro que matou!".

Numa série de respeito, os vilões tentam, pelo menos, fingir que são "do bem": não escalariam um ministério só com homens, não receberiam o Frota no Ministério da Educação e, sobretudo, não revelariam todo o plano maléfico nem para o melhor amigo.

Esse recurso de roteiro é um truque baixo. Nunca entendi por que o vilão, quando finalmente encurralava o super-herói, perdia tanto tempo explicando o plano para o mocinho, em vez de simplesmente matá-lo –o tempo que levava explicando o plano era o tempo necessário para o herói se livrar das amarras. O áudio de Jucá combinando tirar Dilma, não porque ela está investigada, mas porque ela deixava investigar, parece o capítulo final de "Maria do Bairro", em que Soraya revela: "Sou eu, Soraya! Sua pior inimiga!". Sim, todo o mundo já sabia que era você, Soraya. Quer dizer, todo o mundo, menos a Maria do Bairro, claro.

A maioria das pessoas que clamavam pelo impeachment recebeu o áudio de Jucá tal qual Maria do Bairro: com surpresa. Cristovam Buarque disse que estava perplexo, que "não imaginava" nada disso quando votou pelo impeachment. Ih, rapaz, tenho várias coisas pra te contar. Sabe o Clark Kent? Era a verdadeira identidade do Super-Homem. Sim! Por isso eram tão parecidos! Mas não espalha.

domingo, 29 de maio de 2016

Visita do coronel Gilmar Mendes ao usurpador Temer continua inexplicada


TSE tuitou em pleno domingo que foi sobre orçamento.Agora o Estadão diz que foi sobre o Jucá. Sem combinar, desafina


Atualização:

Lula vai processar jornazista da Globo

CARTA DO ADVOGADO DE LULA ENVIADA ONTEM PARA MERVAL PEREIRA

Ao Jornalista Merval Pereira

Senhor Jornalista,

Em coluna publicada nesta data (28.05.2016) no jornal "O Globo", intitulada "Mistificação eficiente" Vossa Senhoria afirma, de forma incisiva, que a Petrobras teria sido "assaltada e dilapidada por uma quadrilha de políticos comanda pelo próprio ex-Presidente Lula (...)". Esse é um exemplo claro de prejulgamento incompatível com a realidade dos fatos e com a regra de tratamento que emerge da garantia constitucional da presunção de inocência (CF/88, art. 5º, LVII). Não há qualquer elemento idôneo que aponte a atuação do ex-Presidente Lula em ilícitos praticados no âmbito da Petrobras — justamente porque ele não teve qualquer participação no suposto esquema criminoso.

Há mais de 2 anos, Lula e seus familiares estão sendo submetidos a inequívocas devassas e outras arbitrariedades, incluindo até mesmo a privação da liberdade do ex-Presidente por cerca de seis horas e sem previsão legal (a detenção foi chamada de condução coercitiva, embora não tenha qualquer relação com a providência prevista no art. 266, do CPP). A despeito disso, como não poderia deixar de ser, nada foi encontrado. Não existe qualquer valor atribuído a Lula, no Brasil ou no exterior, como mencionado, proveniente desses atos ilícitos, simplesmente porque, como já dito, ele não teve qualquer participação e muito menos foi beneficiado por tais práticas.

Observe-se que o cenário acima apresentado não sofre qualquer alteração em virtude de notícias divulgadas pela imprensa neste final de semana a respeito do suposto conteúdo da delação premiada de Pedro Corrêa. O ex-deputado foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a mais de 20 anos de prisão por ter praticado inúmeros crimes, devidamente identificados por operações envolvendo suas próprias contas bancárias ou de pessoas próximas. É para fugir ao cumprimento dessa pena que o réu negocia uma delação mentirosa, claramente direcionada a comprometer o ex-presidente, contra quem não se apresenta prova alguma.

Como o Jornalista deve saber, a Lei nº 12.850/13 não confere valor probatório a depoimentos realizados no âmbito de delação premiada. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal também confirma essa orientação, afirmando que a delação premiada é "meio de obtenção de prova" (IP 4.130 QO/PR) e não meio de prova.

Também não abala a situação exposta as indevidas ilações apresentadas no anonimato ou, ainda, por algumas autoridades que agem indevidamente com base apenas em pensamentos desejosos ("wishful thinking") — como já exposto pelos advogados do ex-Presidente perante os órgãos de controle, como o Conselho Nacional do Ministério Público.

Registre-se, em abono ao quanto exposto, que Lula não é réu e muito menos condenado pela prática de qualquer crime, como Vossa Senhoria reconheceu em coluna publicada em 16.04.2016 — após anterior pedido de retificação encaminhado pelos advogados do ex-Presidente (http://abemdaverdade.com.br/2/Noticias/MervalCorrigeInformacaoDivulgadaSobreLula_246/?iframe=false).

O quadro apresentado deixa evidente que o Jornalista incorre em flagrante abuso e ilegalidade ao emitir a afirmação destacada no pórtico desta missiva, podendo até mesmo tangenciar a prática de crimes contra a honra do ex-Presidente Lula.

Tal situação torna-se ainda mais grave na medida em que o posicionamento de Vossa Senhoria se confunde com a posição do próprio jornal e das Organizações Globo, que há muito se utilizam da concentração e do controle do mercado da comunicação social - incompatível com o art. 220, §5º, da Constituição Federal - para atingir a reputação e a imagem do ex-Presidente.

É notório – e amplamente registrado na imprensa mundial – o facciosismo dos veículos das Organizações Globo em relação ao ex-presidente Lula. Exemplo disso foi a coluna publicada em 04.05.2016 pelo Jornalista afirmando que "A justiça brasileira levou quase 10 anos para ter condições políticas de denunciar o ex-presidente Lula (...)". Desde quando alguém pode ser denunciado no âmbito criminal a partir de "condições políticas" — e não por haver comprovação de que praticou um fato definido em lei como crime?

Em qualquer lugar em que sejam observados os padrões éticos e jurídicos adequados — e com uma imprensa cumprindo efetivamente o seu papel de informar (a verdade) —, a afirmação feita por Vossa Senhoria deveria ser uma denúncia jornalística e não uma verdadeira comemoração pela arbitrariedade.

Posto isso, pede-se a Vossa Senhoria a retificação da publicação acima destacada, na forma da Lei nº 13.188/2015, sem prejuízo das providências jurídicas cabíveis, mediante a publicação do seguinte texto — no mesmo espaço e com os mesmos caracteres da publicação ofensiva:

"Lula não participou de qualquer ato ilícito antes, durante ou após ocupar o cargo de Presidente da República. Não há, por isso mesmo, qualquer prova contra o ex-Presidente, mesmo após ele e seus familiares terem sido submetidos a ilegalidades e arbitrariedades. Delações premiadas feitas por condenados e pessoas que estão na cadeia não são provas, apenas meio de prova, segundo estabelece a lei e segundo já afirmou o Supremo Tribunal Federal. Tampouco ilações indevidas ou pensamentos desejosos de algumas autoridades autorizam fazer qualquer juízo de valor negativo contra Lula, que não é réu e muito menos foi condenado pela prática de um crime"

Limitado ao exposto.
Cristiano Zanin Martins

Presidente Temer e Senadora Marta são lembrados na Parada do orgulho LGBT de São Paulo







Fora Gilmar, protetor de estuprador!



URGENTE!
Brasilia, hoje, 29-05-16. O povo derruba a muralha que separava o STF da população e grita:
"FORA GILMAR, PROTETOR DE ESTUPRADOR!!!"

O cinismo pode ser uma epidemia?

O prêmio 
Janio de Freitas 

Nas gravações feitas por Sérgio Machado e em sua divulgação há um componente que reflete bem o estágio em que estamos, sendo incerto que apenas o atravessamos. Prefiro não definir nem qualificar o componente, também por desnecessidade. É suficiente sintetizá-lo na prática.

Um homem procura colegas que o têm por confiável, incluído aquele a quem deve o emprego magnífico usufruído por dez anos. Mesmo sem ser explícito, faz entender que busca ajuda solidária para o risco angustiante de ser entregue, por atos de sua plena responsabilidade, a um juiz que valoriza a cadeia como passo preliminar. O homem conduz as conversas, em sutis induções e insistências. Grava-as, sem disso ser suspeitado. Não se sabe quantas foram, nem quantos os gravados.

O homem divulga várias gravações. Gravado que não se comprometeu com propostas condenáveis, passa, no mínimo, pelos dissabores do escândalo. Os que se mostraram mais solícitos com as angústias do colega, porém, fosse por solidariedade ou por combiná-la com sua própria situação, foram –como outros vão ser– por ele entregues às feras, com suas situações agravadas. Por tal atitude, o homem será premiado pela Justiça.

É reconfortante, ao menos, imaginar que não podem ser muitos os capazes de agir da mesma maneira desse homem cujas angústias lhe parecem justificativas para tudo. A imaginação é temerária, no entanto. A naturalidade com que esse enredo é tratado na imprensa e na TV, é lido e ouvido, é citado e comentado até como um momento de comicidade, não pode ser sem significação profunda. Até pela extensão, como se unânime. Se houve algum repúdio, alguma consideração crítica, uma reprovação qualquer, não a encontrei.

O cinismo pode ser uma epidemia? Ou, quem sabe, é uma insensibilidade endêmica e progressiva, um Alzheimer que devora a memória dos valores pessoais. Seja o que for, é o mal de um país que está doente. Muito doente.
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