sábado, 30 de abril de 2016

A canalhice de Marta Cunha

Nelson Barbosa

Amigos, horrorizado, de repente me dei conta de que meu então voto em Marta Suplicy para o Senado vai se converter em um voto pelo impeachment de Dilma.

Veja como é a política.

Marta usurpou os votos dos que a elegeram para agora usar contra a presidenta numa vassalagem sem fim à corrupção, ao que há de mais reacionário e retrógrado no país.

Mulher canalha, deveria ao menos ter devolvido os votos ao PT que a elegeu, e não usar o cargo que o PT lhe deu para votar contra a democracia e o direito.

Faz com o cargo o que fez com o nome de Eduardo Suplicy.


Brasil se torna um não-país

Nilson Lage

Não é o governo do PT que cai.

É o Brasil, covarde, frouxo, carola,que se entrega sem um tiro.

Sem que, sequer, seu povo saiba da rendição incondicional.

Tem tudo para ser, em breve, um não-país, fatiado e arrendado por quem pagar aos gananciosos intermediários as melhores comissões.

Tijolaço: o impeachment não pode ser vendido separadamente

O impeachment não pode ser vendido separadamente. O pacote é este, inteirinho
Fernando Brito

No ódio simplório que se implantou neste país, um argumento parece bastar.

“Fora Dilma, Fora, Lula, Fora PT” foi bradado com um uma “chave mágica” para qualquer coisa.

Crise econômica, preço do petróleo, corrupção na política, vírus zika, preço do tomate, da cebola, da batata, 7 a 1 da Alemanha…E olha que a ciclovia do Eduardo Paes só não entrou na conta porque caiu depois da votação do impeachment.

Os milhões de dólares do Paulo Ruberto Costa, do Barusco, do Yousseff já não vêm ao caso: sitio com pedalinho e apartamento no Guarujá tomaram o lugar da saúva na cota de “os males do Brasil são”.

O maior período de prosperidade que este país já viveu, por andar uns meses cambeta (até porque Dilma fez, afinal, o que o “mercado” pedia dela), é solenemente atirado ao lixo, lá onde vão ficar cheios de moscas o Bolsa Família , o Minha Casa Minha Vida, o pré-sal, o Pro-Uni…

Fernando Henrique assumiu anunciando, 50 anos depois, o fim da “Era Vargas”. Agora, sem confessar, mas babujando de apetite, não gastam nem um ano a tentar destruir a Era Lula. Pretendem, seguindo a máxima de Maquiavel aos que ascendem ao principado pelo crime, ” determinar as ofensas que precisa executar, e fazê-las todas de uma vez”.

Não tem, porém, condições políticas, porque só uma brutal ditadura armada o teria e isso se vivêssemos ainda uma quadra mundial onde isso fosse viável.

Lamento informar aos que acham defender a entrada de um “governo técnico”, aos que acreditam que a Justiça funcionará plenamente e que a serenidade voltará a imperar na vida brasileira que, infelizmente, isso é impossível.

Não pode haver um governo ético que se instituiu sob o signo da traição, da dissimulação, da associação com todo tipo de delinquente com este objetivo.

Não pode haver justiça nem direito quando se julga nem com orgasmos de tribuna nem com gélida fixação nazista.

E muito menos haverá administração honrada se esta se erige sob a sobra de um gangster que se adonou da república e que tem, como é de seu estilo e natureza, um caixote de granadas para ser o homem-bomba se tiverem a veleidade de “deixarem um amigo na beira da estrada”.

A charge de Aroeira aí em cima é o que é o governo brasileiro.

O resto serão seus estafetas.

Com Temer: 7 a 1 vai ser pouco



A CLT com Temer: 7 a 1 vai ser pouco (narração Juca Kfouri)

O nível do Congresso nacional

Nelson Barbosa

Na nossa tragédia política, foi preciso o absurdo de um golpe para o brasileiro se dar conta do baixo nível do Congresso nacional, tomado por traficantes, escravistas, torturadores, achacadores, fundamentalistas, traidores, bandidos, entreguistas, fichas sujas, golpistas, atravessadores, lobistas, ignorantes de toda espécie...

A história há de registrar que até este grande serviço foi prestado por Dilma e Lula ao povo brasileiro. Pelo menos, o povo que restar.

Aécio Neves, Eduardo Cunha e Michel Temer, PSDB e PMDB, a direita e a classe média tradicional venceram

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Que loucura!

O Brasil perdeu o rumo. Em nome do Combate à Corrupção, estamos trocando um presidente sobre o qual não há qualquer processo, por um vice-presidente envolvido sob diversas maneiras na Operação Lava Jato.

Em nome do Direito, estamos trocando um presidente que fez “pedaladas”, por um vice-presidente que também as fez.

Em nome da Economia, estamos trocando um ministro da Fazenda competente, Nelson Barbosa, que está buscando retomar o investimento público e impedir a revalorização do real para enfrentar a recessão, por um ministro, Henrique Meirelles, cuja única proposta é a “austeridade fiscal”, e que, enquanto no Banco Central, durante governo Lula, recebeu de FHC, em janeiro de 2003, uma taxa de câmbio de R$ 7,30 reais por dólar (a preços de hoje) e a entregou a Dilma, em janeiro de 2001, a R$ 2,20 por dólar, quando a taxa de câmbio competitiva, de equilíbrio industrial, gira em torno de R$ 3,90 por dólar – por um novo ministro que foi, portanto, o principal responsável por tirar competitividade das boas empresas industriais brasileiras, e, assim, causar a desindustrialização brutal e o baixo crescimento do país .

Em nome da Hegemonia de capitalistas rentistas e financistas, estamos trocando um presidente que tudo fez pelo acordo de classes, mas fracassou, por um presidente que provavelmente chegará ao poder dentro de duas semanas porque foi apoiado por grupos de direita envolvidos na luta de classes.

O novo ministro e o novo presidente “devolverão a confiança aos empresários”, nos dizem os defensores desse impeachment em marcha. Na verdade, graças ao câmbio competitivo, a confiança já está retornando, e a economia já está começando a se recuperar. É para isso que está trabalhando o ministro Nelson Barbosa, procurando aumentar o investimento público e tentando impedir a revalorização do real. Mas com a notícia de que Meirelles deverá ser o ministro da Fazenda, o real já voltou a se valorizar, e a recuperação durará mais, não menos tempo.

Aécio Neves, Eduardo Cunha e Michel Temer, PSDB e PMDB, a direita e a classe média tradicional venceram. Paralisaram o Brasil, desestabilizaram a democracia, tornaram o país sujeito a crises políticas sempre que a popularidade do presidente da República cair, trocaram o acordo pela luta de classes, mas satisfizeram seu desejo de poder. 

Que desastre, que loucura, que irresponsabilidade!

Banana pouca é besteira

Gilson Caroni Filho

O plenário do Senado ainda não aceitou o recebimento do pedido de impeachment. O STF não julgou qualquer recurso sobre ele. Mas a imprensa concentra o noticiário sobre o ministério e políticas do governo Temer. Não se trata, como das outras vezes, de legitimar um golpe, mas de naturalizá-lo, amparado nas evidências. Os procedimentos são meramente formais e as instituições não existem. 

Banana pouca é besteira.

Drauzio Varella e a votação do golpe: senti vergonha de ser brasileiro

247 – O dia 17 de abril de 2016, em que a Câmara dos Deputados, liderada pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), votou o impeachment da presidente Dilma Rousseff fez com o médico e escritor Drauzio Varella sentisse vergonha de ser brasileiro.

"Pela primeira vez em 70 anos senti vergonha de ser brasileiro. Culpa da TV, que me manteve hipnotizado na frente da tela, enquanto transmitia a votação do impeachment na Câmara, duas semanas atrás", diz ele, em artigo publicado neste sábado.

"Não posso alegar desconhecimento, ingenuidade ou espanto, vivo no Brasil e acompanho a política desde criança. Todos sabem que é lamentável o nível da maioria de nossos deputados, mas vê-los em conjunto despejando cretinices no microfone foi assistir a um espetáculo deprimente protagonizado por exibicionistas espertalhões, travestidos em patriotas tementes a Deus", afirma. "Votavam o impeachment de uma presidente da República como se estivessem num programa de auditório, preocupados somente em impressionar suas paróquias e vender a imagem de mães e pais amantíssimos." 

Segundo ele, acreditar na democracia brasileira agora passa a ser um ato de fé. "E pensar que aqueles homens brancos enfatuados, com gravatas de mau gosto, os cabelos pintados de acaju e asa de graúna, com a prosperidade a transbordar-lhes por cima do cinto, passaram pelo crivo de 90 milhões de eleitores que os escolheram para representá-los. Para aqueles que não viveram como nós as trevas da ditadura, manter a crença na democracia brasileira chega a ser um ato de fé", afirma.

De Lula para Zé de Abreu

Recebi do presidente Lula

Querido Zé,

Fiquei emocionado e inspirado com suas palavras na televisão ontem. Aproveito para me solidarizar com você, com a Priscila e família em relação ao episódio de ódio gratuito que você foi vítima num restaurante de São Paulo. Ódio e intolerância não combinam com uma sociedade democrática.

Forte abraço.

Lula

Aos amigos jornalistas


Amigos jornalistas que ainda queiram merecer algum respeito: não é "tese do golpe" nem "narrativa do golpe". É golpe e ponto final.

O primeiro dever de quem trabalha com as palavras é dar-lhes seu sentido verdadeiro.

Criar eufemismos, tergiversar, maquiar, falsear, tudo isso é papel de publicitários, políticos, porta-vozes de empresas, donos de jornal.

Podemos até trabalhar para grandes órgãos de mídia, mas não somos sócios deles nem precisamos ser correligionários.

Profissionalismo é respeito pela profissão. O local de trabalho é contingência.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

A vergonhosa hipocrisia de Cristovam Buarque

Luis Felipe Miguel

A carreira política de Cristovam Buarque derivou de sua eleição para a reitoria da Universidade de Brasília.

Nascida como um projeto libertário, a UnB foi uma das grandes vítimas da ditadura militar. Cassados muitos de seus melhores professores, desfigurada sua proposta pedagógica, ela viveu sob o tacão do capitão-de-mar-e-guerra José Carlos Azevedo, quando a reitoria elaborava listas de textos proibidos nas bibliografias das disciplinas e livros marxistas eram guardados no cofre da biblioteca, para evitar que fossem consultados.

A eleição de Cristovam representou a esperança de deixar para trás esse passado sombrio e fazer com que a UnB reencontrasse sua vocação original. Foi um marco simbólico da superação do autoritarismo. Da reitoria, ele alçou voo para o governo do Distrito Federal.

Hoje, Cristovam é um dos cúmplices do golpe. De público, afirma que vai votar pela admissibilidade do processo de impeachment, mas está "indeciso" quanto ao veredito final - posição de enorme hipocrisia, pois todos sabemos quais são as consequências do afastamento temporário da presidente. Hipocrisia mais vergonhosa ainda quando se sabe que ontem o senador esteve no Palácio do Jaburu para pedir a Temer que lhe dê um ministério.

Ao se aliar ao golpe, Cristovam trai a universidade que lhe deu a carreira política. Se há algo que a história da UnB mostra é como a democracia é vital para a universidade. E o projeto político que leva à deposição de Dilma é aquele que deseja reverter a democratização do acesso ao ensino superior, estrangular a universidade pública gratuita, retirar independência da pesquisa científica e mesmo promover a criminalização do pensamento crítico.

Na próxima semana, vou encaminhar ao Reitor e ao Conselho Universitário proposta de que, caso vote pela admissibilidade do processo de impedimento da presidente, o senador Cristovam Buarque seja declarado persona non grata nos campi da UnB. É o mínimo que podemos fazer diante de uma traição de tamanha envergadura.

José de Abreu: adeus, Brasil cordial

Adeus, Brasil cordial
José de Abreu



Fascistas tentam transformar agressores em vítimas

A crise política que vivemos proporciona uma outra leitura sobre o nosso povo. De "homem cordial", o brasileiro passou a "homem troglodita". Sem escalas.

De que outra maneira explicar, por exemplo, a agressão ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega em um hospital, em fevereiro do ano passado? Não em um hospital qualquer, o que já seria intolerável, mas no Albert Einstein, instituição de referência no país.

Na ocasião, uma grita nacional deveria ter repreendido os que insultaram o ex-ministro em momento de extrema fragilidade, quando ele levava sua mulher, doente, para buscar atendimento.

Nada, contudo, aconteceu. Nada. Algumas notícias depois, o assunto morreu, mas o mau exemplo prosseguiu. Mantega foi hostilizado mais duas vezes, não em hospitais, mas em restaurantes.

Pouco depois, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha foi insultado, também num restaurante. O mesmo ocorreu com o comediante Gregorio Duvivier. E também com Jaques Wagner, ministro-chefe do gabinete pessoal da presidente Dilma Rousseff. O álcool dá coragem.

O disparate chegou a tal ponto que até mesmo o velório de José Eduardo Dutra, ex-presidente nacional do PT, ficou tristemente marcado por ofensas. Panfletos com a inscrição "petista bom é petista morto" foram jogados no local onde o corpo era velado. Talvez em outro país tal ato fosse tratado como um escândalo nacional. Aqui, mais uma vez, nada aconteceu.

Insultaram ainda o ex-senador Eduardo Suplicy (acreditam nisso, o Suplicy?) na Livraria Cultura de São Paulo. E a livraria deixou. A Cultura.

No Rio, Chico Buarque, acompanhado de amigos (o escritor Eric Nepomuceno e os cineastas Cacá Diegues, Rui Solberg e Miguel Faria Jr.), foi hostilizado na saída de um restaurante por um grupo de jovens antipetistas. Um deles confessou depois ter ido perguntar ao pai quem era mesmo Chico Buarque. Aconteceu alguma coisa? Nada.

Poderia citar aqui muitos outros exemplos. Em todos eles, nada aconteceu aos agressores e preconceituosos. Nada.

Por ser um ator conhecido e eleitor do PT, sabia que era um alvo fácil e que minha vez não demoraria a chegar.

Até que chegou mesmo, em um restaurante (mais uma vez) de São Paulo. Reagi como deu, com um cuspe. Ser chamado de ladrão, ver sua mulher xingada de vagabunda e sua mãe de puta, isso não é muito legal. Usei a juridicamente chamada "retorsão imediata à injúria". O injuriante, que se dizia advogado, deve saber que vai ser processado civil e criminalmente e denunciado à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Os fascistas tentaram transformar os vândalos agressores em vítimas. Mas as "vítimas", caso inédito nos anais da criminalidade, fugiram. Nem eles acreditaram na mentira de seus defensores.

Todos esses casos já prefiguravam o golpe que estava por vir, escondido sob a aparente legalidade do processo de impeachment.

Eu sinto muito pelos menos favorecidos. Vão entregar o Brasil ao PMDB carioca. De Eduardo Cunha. Do secretário Pedro Paulo Carvalho Teixeira, que bateu na própria mulher. Do prefeito Eduardo Paes, que gastou quase R$ 45 milhões em uma ciclovia que desabou após três meses de uso. De Moreira Franco, talvez o pior governador que o Estado do Rio já teve em sua história.

E a outros políticos do mesmo calibre, de outros Estados, de outros partidos, mas muitos com a mesma marca: enroscados na Lava Jato.

E o que pesa contra Dilma? Pedaladas. As mesmas que muitos outros políticos também deram. E que, suspeita-se, Antonio Anastasia, agora relator do processo de impeachment de Dilma no Senado, também deu. É tanta hipocrisia, tanto desapego à democracia.

Adeus, Brasil cordial.

JOSÉ DE ABREU, 69, é ator. Trabalhou, entre outros, nas minisséries "O Tempo e o Vento" (1985) e "Anos Dourados" (1986) e na novela "A Regra do Jogo" (2015/16), da TV Globo

O mundo dá voltas

René Amaral

Aí que daqui um tempo, e não vai ser muito, o "guerreiro do povo brasileiro" Eduardo Cunha vai estar respondendo processos diversos, nome arrastado na lama, sem condições de se eleger síndico de sobrado, fugindo da polícia, mulher e filha se prostituindo pra garantir a cachaça e a coca.
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Temer vai ter que se esconder pra não ser agredido na rua com a pecha de golpista.
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aécio vai estar como sua inicial, minúsculo, com uma forte rebordosa e dor lancinante na prótese de platina em seu nariz.
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Marina vai abandonar a política, se converter ao catolicismo e se internar num convento.
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Caiado vai ser castrado e pendurado de cabeça pra baixo num acampamento de escravos fugitivos de seu latifúndio.
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Alckmin, com o CRM cassado, vai ser preso vendendo xilocaína pra viciados na cracolândia.
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Dilma, aquela que graças às alianças esdrúxulas e incapacidade de articulação, que bastava terem deixado quieta que terminaria o mandato impopular e quiçá sem forças para eleger sucessor, mesmo que fosse o Lula, vai ser Heroína da resistência e ter o nome cantado em prosa e verso, gravado no Panteão dos heróis por ter sido duas vezes, num espaço de 40 anos, torturada humilhada e vilipendiada por defender o país e a democracia.
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O mundo dá voltas.

Convulsão social: restam apenas as ruas

Convulsão social
Guilherme Boulos

O Brasil amanheceu na quinta-feira (28) com mobilizações em avenidas e rodovias de nove Estados. A jornada foi organizada pela Frente Povo Sem Medo e levou às ruas milhares de pessoas. Foi uma demonstração da resistência organizada ao descaminho que o Parlamento parece querer impor ao país.

Se de fato concretizar-se o golpe político em curso e a tentativa de aplicação do "Plano Temer", o que ocorreu na manhã de hoje poderá se tornar rotina.

O caráter espúrio do processo de impeachment de Dilma evidenciou-se mais uma vez com a escolha da comissão do Senado na última terça.

Não bastava o processo ter sido iniciado e conduzido por alguém da estirpe de Eduardo Cunha. Não bastava o espetáculo lamentável daquela tarde de domingo, onde os deputados falaram de tudo, menos de crime de responsabilidade. Não bastava. Para completar o escárnio, precisavam também colocar Antonio Anastasia na relatoria do processo no Senado.

Anastasia é o fiel escudeiro de Aécio, candidato derrotado em 2014 por Dilma. Anastasia foi governador de Minas Gerais e ficou conhecido por usar e abusar das ditas pedaladas fiscais, que em seu relatório ele colocará como razão suficiente para a destituição da presidente. Aliás, foi ainda mais criativo ao contabilizar vacina de cavalo nas despesas com saúde pública. Uma verdadeira cavalgada fiscal.

Com essa sucessão de hipocrisias, que desmoralizam por completo o Parlamento –aqui e lá fora–, fortalece-se a descrença popular em qualquer saída institucional para a crise. Restam apenas as ruas.

Mas a mobilização popular, evidentemente, não se pauta apenas pela política: "É a economia, estúpido!". Como disse num descuido o senador Hélio José (do próprio PMDB), "o povo vai sangrar" com o plano arquitetado por Michel Temer, os "Chicago boys" e a Fiesp.

Nos últimos dias, Temer falou na necessidade de "cortes radicais", mantendo apenas os investimentos públicos em andamento e não realizando nenhum novo empenho. Ou seja, deixar de construir casas, obras de saneamento e infraestrutura etc. Traduzindo: aumento do desemprego e desestruturação das políticas sociais.

Falou também que um de seus primeiros projetos para o Congresso Nacional seria a desvinculação das receitas obrigatórias do Orçamento da União, o prolongamento e ampliação da DRU. Traduzindo: redução dos já raquíticos investimentos em saúde e educação, que tem vinculação mínima legalmente prevista.

E, como cereja do bolo, falou nas reformas trabalhista e previdenciária, iniciando pela desindexação do salário mínimo para as aposentadorias.

Ora, alguém duvida de que uma agenda econômica como essa, de regressão social sem precedentes, irá convulsionar a sociedade brasileira?

Ainda mais sendo aplicada por um eventual presidente sem a legitimidade do voto, um presidente biônico.

Se de fato vier a assumir, Temer terá uma maioria parlamentar robusta, um apoio consistente do mercado e uma blindagem da maior parte da mídia. Isso talvez lhe permita aprovar medidas hoje heréticas, como a CPMF, diante do sorriso envergonhado de Paulo Skaf e dos patos que o seguem.

Mas essa trégua dos de cima poderá não vir acompanhada de uma trégua dos de baixo. Se consolidada a aprovação do impeachment no Senado no próximo dia 11, deverá abrir-se um período longo de instabilidade.

A descrença popular nas instituições, um governo sem legitimidade e a aplicação de um programa de profunda regressão social formam a combinação explosiva capaz de convulsionar o Brasil.

Advogada do Diabo é feita de idiota por senador


Apocalipse zumbi: caso Dilma seja afastada, satanista Temer não poderá mudar ministério


Vice-presidente não pode nomear novo ministério, em caso de afastamento da presidenta da República para se defender no processo de impeachment no Senado Federal

Jorge Rubem Folena de Oliveira

Na hipótese de o Senado Federal aceitar o pedido de abertura do processamento de impeachment da Presidenta Dilma Roussef,  é necessário esclarecer à opinião pública que:

1)     Dilma Roussef não deixará de ser a Presidenta da República Federativa do Brasil, pois o que terá início é somente o julgamento  do pedido de seu afastamento do cargo, pelo Senado Federal, sob a presidência do Presidente do Supremo Tribunal Federal (artigo 52, I e seu parágrafo único da Constituição). Esse afastamento deverá ocorrer em respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência (artigo 5.º, LIV e LV e LVII, da Constituição).

2)     Aceito o prosseguimento do processo de impeachment, inicia-se o julgamento, durante o qual a Presidenta da República apenas ficará suspensa das suas funções (artigo 86, parágrafo 1.º , II, da Constituição). Ou seja, a Constituição não diz que o seu governo estará destituído. O governo eleito permanece, com os ministros nomeados pela Presidenta, que devem permanecer até o julgamento final do processo de impeachment. Da mesma forma, a Presidenta da República deverá continuar ocupando os Palácios do Planalto e da Alvorada, de onde somente deverá sair se o Senado Federal vier a condená-la. Sendo certo que a Presidenta retomará as suas funções, caso o Senado não a julgue em até 180 dias (art. 86, parágrafo 2.º, da Constituição Federal).

3)     As funções e atribuições do Presidente da República estão previstas no artigo 84 da Constituição Federal e dentre elas constam: nomear e exonerar ministros de Estado; iniciar processo legislativo; sancionar leis, expedir decretos, nomear ministros do Tribunal de Contas etc.

Prestados estes esclarecimentos, é importante salientar que o vice-presidente da República somente substituirá o presidente no caso de seu impedimento ou o sucederá em caso de vacância do cargo presidencial. Além disso, o vice-presidente auxiliará o presidente quando convocado por este para missões especiais. É o que dispõe o artigo 79 da Constituição Federal. Suspensão de atribuições não implica impedimento ou sucessão por vacância. São três hipóteses distintas.

Ora, impedimento presidencial somente ocorrerá caso haja condenação  por  2/3 dos Senadores da República, depois de concluído todo o devido processo legal; só então se dará a hipótese  da perda do cargo, com a inabilitação, por 8 anos, para o exercício de função pública. (Artigo 52, parágrafo único)

A substituição do(a) presidente(a) da República somente ocorrerá no caso de condenação definitiva no processo de impeachment (depois de esgotadas todas as etapas do impedimento) e em caso de vacância por morte ou renúncia.

Ressalte-se que impedimento não é a mesma coisa que suspensão das funções, pois esta não tem o condão de retirar o status de presidente da República.

Portanto, o vice-presidente somente sucederia a presidenta Dilma, e só então poderia constituir um novo governo, nos casos de condenação definitiva por impeachment (impedimento), ou havendo vacância por morte ou renúncia.

Fora disto, não existe possibilidade constitucional de o vice-presidente constituir um novo governo, com a nomeação de novos ministros, na medida em que o Brasil ainda tem uma Presidenta eleita pela maioria do povo brasileiro, que apenas estará afastada das suas funções para se defender das acusações no Senado Federal.

Então, o que vem sendo veiculado pela imprensa tradicional é mais uma tentativa de implantar o golpe institucional no Brasil, com o estabelecimento de um ilegítimo governo paralelo. Assim, por meio de factóides, tem sido anunciado que o vice-presidente nomeará ministério e já teria um plano de governo, anunciado em 28 de abril de 2016, que não procura esconder seus objetivos de redução dos direitos trabalhistas e previdenciários, além de cortar programas sociais, como o Bolsa família.

Sendo assim, claro está que o vice-presidente não tem atribuição para instituir novo governo nem nomear ou desnomear ministros de Estado e, desta forma, deverá se limitar a aguardar, em silêncio e com todo o decoro possível, o resultado final do julgamento do impedimento, no Palácio do Jaburu, sua residência oficial.

Jorge Rubem Folena de Oliveira - Advogado constitucionalista e cientista político


Janaína Paschoal simboliza a plutocracia predadora brasileira

Uma tragédia nacional

Uma das tragédias de situações como a que o Brasil vive é ver nulidades como Janaína Paschoal ser alvo de torrenciais holofotes.

Não foi fácil suportá-la no Senado hoje, na comissão que discute o impeachment.

Num momento de autoempolgação, Janaína traiu sua confusão mental e seu antipetismo delirante. Ela disse aos senadores que, se eles não tirarem Dilma, teremos dezesseis anos de PT no poder.

Ela completou essa frase dizendo que, ao contrário dos petistas, é “democrata”.

No Planeta Janaína, não é o povo que escolhe quem deve ficar ou não no poder. São eles, os senadores.

Há pouco mais de um ano, 54 milhões de brasileiros deram nas urnas a Dilma um segundo mandato, mas para Janaína isso não é democracia, pelo visto.

Como todo megalomaníaco, Janaína não se limita a falar do assunto que está em discussão. No Senado, ela deu um jeito de atacar a “ditadura” venezuelana.

É uma das frases feitas da direita brasileira, um clichê cínico e obtuso. Chávez primeiro e depois Maduro se submeteram às urnas repetidas vezes em eleições verificadas e aprovadas por observadores internacionais do calibre de Jimmy Carter.

Ditadura?

Ela citou, em tom fúnebre, Leopoldo Lopez como uma vítima do governo venezuelano. Ora, Lopez, um fanático de direita apoiado pelos Estados Unidos, incitou manifestações pela derrubada de Maduro das quais resultaram a morte de dezenas de pessoas.

Lopez e Janaína pertencem a um mesmo grupo: o de extremistas de direita da América Latina dedicados a buscar por meios escusos o que não conseguem pelos votos populares.

São símbolos de uma plutocracia predadora, gananciosa, desonesta – responsável pela desigualdade social indecente que marca a região.

Por conta de gente como Janaína, corremos um enorme risco de nos transformar numa imensa Venezuela. Ou alguém acha que não haverá reação, e forte, ao golpe?

Dias atrás, o homem mais rico do Brasil, Jorge Paulo Lemann, disse que com desigualdade os brasileiros jamais terão estabilidade política. E citou as virtudes de sociedades igualitárias, como a Suíça, onde todos frequentam as mesmas escolas e vão aos mesmos hospitais.

Somos o oposto disso por causa de pessoas como Janaína Paschoal.

Ela adora falar em patriotismo, mas não foi o idealismo que a levou a elaborar o pedido de impeachment. Ela recebeu 45 mil reais do PSDB para montar o parecer que seria a base do golpe.

Janaína estaria na merecida obscuridade não fosse o gesto de vingança de Eduardo Cunha ao aceitar o pedido de impeachment de que ela é coautora porque o PT não o blindou diante de seus múltiplos atos de corrupção.

É uma desgraça que uma pessoa como ela tenha sido colocada numa posição-chave para a supressão, por um golpe, de 54 milhões de votos.

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Nobel da Paz: Papa Francisco apoia Dilma

247 – O vencedor do prêmio Nobel da Paz em 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel revelou, em entrevista ao jornalista Darío Pignotti, do jornal Página 12, que levou à presidente Dilma Rousseff o apoio do Papa Francisco.

O pontífice é também argentino e mantém estreita ligação com movimentos de defesa dos direitos humanos na América Latina.

"O papa Francisco está muito preocupado com o que está acontecendo no Brasil; tudo isso vai trazer consequências negativas para toda a região e teremos um grave retrocesso democrático."

Esquivel se reuniu ontem com a presidente Dilma e depois, no Senado, denunciou o golpe da tribuna, sob protestos de opositores como Ronaldo Caiado (DEM-GO), que exigiram que a palavra golpe fosse retirada das notas taquigráficas.

Esquivel disse ainda que vai escrever ao Papa sobre os acontecimentos no Brasil e afirmou que o impeachment não passa de um golpe brando. Ele também disse que Dilma é uma mulher honesta denunciada por corruptos.

Leia, abaixo, sua entrevista ao Página 12:

Pérez Esquivel llevó a Dilma el apoyo del Papa

Rousseff y el ex presidente Lula da Silva analizaron esta semana varias tácticas de “resistencia democrática”, incluyendo movilizaciones populares como las de ayer y la posible convocatoria a elecciones anticipadas o un plebiscito.

› Por Darío Pignotti

Desde Brasilia

“El papa Francisco está muy preocupado con lo que está pasando en Brasil, todo esto va a traer consecuencias negativas para toda la región, tendremos un grave retroceso democrático.” El Premio Nobel de la Paz Adolfo Pérez Esquivel dialogó con este diario ayer luego de su audiencia con la presidenta Dilma Rousseff en el Palacio del Planalto.

–¿Hablaron sobre el Papa?

–Hablamos con la Presidenta de varios temas, también hablamos sobre el Papa, ella sabe que él está al tanto, de su preocupación, que estamos en contacto con él.

–¿Qué impresión se lleva de la presidenta?

–La presidenta Dilma está muy consciente de lo que está pasando, no estuve mucho tiempo con ella aunque pude ver que es una persona fuerte, que va a luchar por la democracia, está muy decidida a pelear porque sabe que es injusto lo que están haciendo con ella. No hay ninguna denuncia contra la presidenta y los que la acusan están en muchos casos denunciados y procesados.

–¿Tiene previsto viajar al Vaticano?

–Después de que termine este viaje le voy a escribir una carta al Papa para contarle lo que pasa en Brasil, y posiblemente después voy a viajar al Vaticano, más o menos a fines de mayo cuando ya se sabrá que pasó con este todo este proceso que lo llaman impeachment para no decir que es un golpe blando. Esto es muy serio. Para tener un panorama más amplio voy a ir también a la Orden de Abogados de Brasil, pasaré por Curitiba (estado de Paraná) y Porto Alegre (Rio Grande do Sul), voy a estar en los actos del primero de mayo.

–¿La posición del Papa se refleja en la iglesia brasileña?

–Estuve en la Conferencia Nacional de Obispos de Brasil, conversé con el secretario general, don Leonardo (Ulrich Steiner), ellos se mostraron bastante preocupados también. La realidad, lo concreto que pasa en Brasil es que se van hacia un golpe blando, como el que ya hubo en Honduras contra el presidente (Manuel) Zelaya en 2009 y en Paraguay contra (Fernando) Lugo en 2012, ahora no se los quiere llamar golpe, pero está claro que son golpes. Se usan métodos distintos, no necesitan a las fuerzas armadas, porque tienen a los grandes medios, a una parte de los jueces, a los políticos conservadores, los grupos de la oligarquía. Hay que convocar al Mercosur para que trate lo que pasa en Brasil desde la cláusula democrática. Tuvimos una declaración de Unasur contra este proceso destituyente, que es un proceso de la derecha brasileña apoyado por grupos extranjeros que están en contra de la integración regional.

“Estoy Triste”

Dilma Rousseff y el ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva analizaron esta semana varias tácticas de “resistencia democrática”. Una es la movilización popular que ayer se realizó en San Pablo, Brasilia, Río de Janeiro y otros estados y estuvo a cargo de los Movimiento de los Trabajadores Sin Techo. Otra es la posible convocatoria a elecciones anticipadas o un plebiscito, impulsado por una decena de senadores del PT y otros partidos, los que fueron recibidos ayer en el Planalto.

Dilma también evalúa realizar una gira por América latina y Europa para denunciar el inminente quiebre de la normalidad institucional, que comenzará a mediados de mayo cuando el Pleno del Senado seguramente apruebe el inicio del juicio político, tras recibir un parecer de la Comisión Especial de Impeachment que comenzó a sesionar esta semana.

Tan pronto se abra ese proceso Dilma deberá licenciarse del cargo por hasta seis meses en los que será reemplazada por el vicepresidente Michel Temer. Por lo cual el 5 de agosto ella no podrá ser parte de la ceremonia inaugural de los Juegos Olímpicos de Río de Janeiro, tema de que habló en un reportaje puesto al aire ayer por la cadena norteamericana CNN.

“Me siento triste por no poder participar en las Olimpíadas... me gustaría mucho participar (en esta última etapa) de la organización, porque ayudé mucho para ese proceso desde los primeros días.”

“Estoy triste porque creo que lo peor que le puede pasar a un ser humano es ser víctima de una gran injusticia que es este impeachment, con él se pierden nuestras conquistas democráticas”, declaró a la CNN.

En el gobierno consideran que los grandes medios norteamericanos y europeos han registrado e informado sobre las anomalías que contaminan el proceso contra Rousseff y la doble moral de quienes la acusan montados en un discurso sobreactuado de lucha contra la corrupción. A contramano de lo informado por medios progresistas y conservadores de varios países en Brasil la narrativa periodística omite los hechos con noticias en las que se insiste en la normalidad institucional, con el propósito de disimular el golpe.

Igual lo hace la clase política, montando simulacros republicanos como la Comisión Especial de Impeachment en la que nadie lleva en cuenta las evidencias sobre la inocencia de Rousseff en los delitos de Estado que se le imputan. Antes que una comisión para evaluar los argumentos de la defensa y la acusación, ese organismo parece decidido a consumar el rito sumario que inexorablemente desembocará a la licencia de Rousseff.

Después de su paso por el Palacio del Planalto, Pérez Esquivel se trasladó al Supremo Tribunal Federal y al Senado donde expresó ayer su “solidaridad” a los brasileños amenazados de un “golpe”.

Declaraciones que levantaron la ira del senador conservador Ronaldo Caiado, del Partido Demócratas, reencarnación de Arena, la agrupación que dio soporte civil a la dictadura.

En las primeras horas de la noche Pérez Esquivel habló nuevamente con este diario para expresar su “sorpresa por ver como se esconde aquí el golpe, mientras todo el mundo habla de este tema afuera de Brasil, acá se ofenden porque dicen que hay normalidad democrática. Si hay normalidad como dicen los opositores a Dilma ¿por qué no llaman a un plebiscito para ver cómo se soluciona la crisis? Siempre es mejor que el pueblo vote”.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

O medo de que Dilma falasse em golpe na ONU

A segunda vítima 

Por Luis Fernando Verissimo

Não se sabe exatamente o que os dois deputados enviados a Nova York fariam, se Dilma dissesse a palavra ‘golpe’. Pulariam das suas cadeiras e gritariam ‘mentira!’?

Era improvável que a Dilma usasse alguns dos poucos minutos da sua participação na conferência sobre o clima nas Nações Unidas para falar no golpe que ameaça seu governo, mas o pânico se instalou mesmo assim. Ela iria denegrir a pátria diante do mundo! Houve uma mobilização geral para contestar o ainda não dito. Os ministros do Supremo Celso de Mello e Gilmar Mendes se apressaram a declarar que, ao contrario do que a Dilma poderia dizer na ONU, o impeachment em curso estava longe de ser um golpe. Estranho açodamento de quem, cedo ou tarde, terá que julgar questionamentos jurídicos do que está ou não está acontecendo no Brasil. Mas não importava a inconfidência espontânea dos magistrados, importava a negação do que a Dilma diria. Antes que ela dissesse.

O Senado mandou o senador Aloysio Nunes atrás da Dilma, com a missão de rebater o que ela falasse, fosse o que fosse. E a Câmara, que não tinha dinheiro para pagar a passagem de uma testemunha de acusação do Eduardo Cunha na sua comissão de ética, subitamente encontrou uns trocados no bolso de outra calça e mandou dois deputados a Nova York, também para desmentir a Dilma. Não se sabe exatamente o que os dois fariam, se Dilma pronunciasse a palavra “golpe”. Pulariam das suas cadeiras e gritariam “mentira!”? Começariam a cantar o Hino Nacional para abafar a voz da traidora? Nunca saberemos. Dilma não disse o que todos temiam que ela dissesse. Depois, em particular e para jornalistas, falou em golpe à vontade. Mas na ONU, diante do mundo, frustrou a expectativa de todos. O pânico foi em vão. Os dois deputados brasileiros teriam sido barrados na entrada do plenário da ONU, mas isso eu não sei se é verdade. Teria sido um final adequado para a farsa.

Dizem que a primeira vítima de uma guerra é sempre a verdade. Se for assim, a segunda vítima é certamente o senso do ridículo.

Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz, adverte senado para a tragédia que será a consumação do golpe




Mídia Ninja
Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz e lutador pelos direitos humanos nesta manhã no Senado Federal:

"Bom dia a todos e todas, é uma honra estar com vocês. Venho ao Brasil trazendo a solidariedade e o apoio de muita gente em toda América Latina, e a minha pessoalmente, para que se respeite a continuidade da constituição do direito do povo de viver em democracia e logicamente existem dificuldades e esperamos que isso possa se resolver para o bem do povo brasileiro e de toda a América Latina. creio que nesse momento existe grandes dificuldades de um possível golpe de Estado, que já se colocou esse mecanismo em funcionamento em outros países do continente, como Honduras e Paraguai. Foi utilizada a mesma metodologia. Simplesmente dizer que nesse momento para além dos interesses partidários estão os interesses do povo brasileiro e de toda América Latina. Assim, com esse espírito e com essa confiança, hoje tive uma conversa longa com a presidenta Dilma e espero que saia o melhor desse recinto, para o bem da democracia e da vida do povo do Brasil, muito obrigado."

Niemeyer deve estar feliz

Fernando Morais

Lá no céu o velho comuna Oscar Niemeyer deve estar feliz ao ver a mãozona que ele criou para o Memorial da América Latina virar símbolo da luta contra o golpe.

Nobel da Paz diz que impeachment de Dilma é golpe de Estado

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff recebeu hoje (28) o apoio do ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, contra o processo de impeachment que tramita no Senado.

“Está muito claro que o que se está preparando aqui é um golpe de estado encoberto, o que nós chamamos de um golpe brando”, afirmou Esquivel, após o encontro no Palácio do Planalto.

Ele comparou o processo de impeachment de Dilma ao que ocorreu em Honduras e no Paraguai com as destituições dos presidentes Manuel Zelaya, em 2009, e Fernando Lugo, em 2012. “Agora, a mesma metodologia, que não necessita das Forças Armadas, está sendo utilizada aqui no Brasil. A metodologia é a mesma, não há variação com o golpe de estado nesses países. Países que querem mudar as coisas com políticas sociais são alvo dessa política de tratar de interromper o processo democrático.”

Solidário com Dilma

O Nobel da Paz disse que veio prestar “solidariedade e apoio para que não se interrompa o processo constitucional de Brasil porque isso seria um dano não apenas para o povo brasileiro como para toda a América Latina.” “Seria um retrocesso muito grave para o continente. Sou um sobrevivente da época da ditadura [militar na Argentina]. Nos custou muito fortalecer as instituições democráticas. Aqui se está atacando as instituições democráticas”, afirmou Esquivel.

Segundo o argentino, um eventual governo de Michel Temer poderia ser questionado no Mercosul e na União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que poderiam não reconhecer uma administração que surja de um “golpe de estado.”


A competência do Supremo

Carlos Motta

Acho louvável que muita gente acredite na respeitabilidade e honorabilidade do Supremo Tribunal Federal.

Mas cá entre nós, julgar se levar pipoca ao cinema é crime ou não mostra bem o grau de sua competência.

Data venia

O Brasil é o único país do mundo onde juízes da Corte Suprema negociam com réus o valor de seus vencimentos. Data vênia, dá pra falar em Estado de Direito?

Gilson Caroni Filho

Curiosidade legítima

Como será que se sente alguém que botou uma bandeira verde e amarela nas costas e saiu na rua gritando que ia prender essa "corja de ladrões", que ia limpar o país , se sente hoje, tendo legitimado a figura do Cunha no poder?

É uma curiosidade legítima.

Aliviado?

Vingado?

Está finalmente dormindo tranquilo?

Mariana Lima

Povo Sem Medo começa a incendiar o país









Comportamento do STF é um escárnio para o Brasil. Uma bofetada. Melhor: uma cusparada.

Enquanto o país pega fogo, o STF delibera sobre pipoca no cinema. 

As redes sociais repercutiram intensamente nesta quarta a agenda do STF.

A posteridade terá dificuldade em entender. É o triunfo da insanidade.

Nestes dias dramáticos em que uma jovem democracia enfrenta a iminência de um golpe nascido da vingança de um psicopata metido em múltiplas roubalheiras, o STF deliberou sobre se as pessoas podem entrar com pipoca no cinema.

Também a questão da meia entrada foi discutida.

De novo: não é piada.

Faz mais de quatro meses que o procurador de pelo em ovo Janot pediu ao STF o afastamento de Eduardo Cunha. Faz ainda mais tempo que as autoridades suíças entregaram, de bandeja, provas de contas secretas de Cunha na Suíça.

Tais contas significavam não apenas corrupção extrema. Mostravam, além disso, que Cunha mentira sob juramento no Congresso ao dizer que não tinha contas no exterior.

Em tais circunstâncias, o bom senso – para não falar a decência – impunha que o STF julgasse em caráter de urgência o caso Cunha.

Mas nada.

Os eminentes jurados estão ocupando seu tempo com a pipoca no cinema.

É um escárnio para o Brasil. Uma bofetada. Melhor: uma cusparada.

Eduardo Cunha teve tempo, graças ao STF, de fazer todas as coisas típicas de seu arsenal de manobras sujas. Acelerou o processo de impeachment na mesma medida em que retardou as ações da Comissão de Ética da Câmara que deve – ou deveria — julgá-lo.

O pior é que nem Dilma e nem Lula têm como se queixar do STF. Em conjunto, indicaram oito dos onze integrantes da corte que está aí abusando da paciência dos brasileiros.

Não está nesta conta, evidentemente, Joaquim Barbosa, indicado por Lula e hoje vivendo de palestras. JB, que foi um monstro da plutocracia no Mensalão, hoje é ignorado pela mídia, porque anda falando coisas que nenhum jornal ou revista quer publicar. Ele fez severos alertas, no Twitter, em relação ao impeachment, por exemplo.

Outro dos nomeados por Lula, Toffoli, hoje um militante togado da direita, disse há alguns dias que falar em golpe é ofender as instituições brasileiras.

Falei já disso. Toffoli mereceu uma esplêndida resposta de Marcelo Rubens Paiva. Nossas instituições, disse MRP, são uma merda.

Elas se autodesmoralizam sem que ninguém tenha o trabalho de ofendê-las.

O STF, por exemplo. Ao darem prioridade a pipocas no cinema em detrimento de Eduardo Cunha, o que os senhores ministros esperam? Receber aplausos, juras de amor e reverência? Pedidos de autógrafos e de selfies na saída das sessões?

Se tivéssemos instituições respeitáveis não estaríamos na iminência de ver um partido degradante como o PMDB na beira de tomar o poder depois de uma cruzada descarada da plutocracia em nome do “combate à corrupção”.

E nem teríamos que suportar as pipocas aparecerem no topo da agenda do STF.

Dilma deve rodar o mundo para denunciar o golpe

247 – A equipe de Dilma Rousseff já discute com ela a possibilidade de a presidente viajar pelo mundo para dizer que está sendo vítima de um "golpe", segundo a colOnista Mônica Bergamo.

Ela começaria périplo depois que o Senado votasse a admissibilidade do impeachment, em maio –o que a obrigará a deixar o cargo à espera do julgamento final da Casa.

No roteiro imaginado por ministros, sob o apoio de Ricardo Berzoini, da Secretaria Geral, Jaques Wagner, da Casa Civil, e José Eduardo Cardozo, da Advocacia Geral da União, entrariam países da América Latina comandados por governos de centro-esquerda, como Chile e Uruguai, além de França, Itália e Espanha, onde Dilma visitaria representantes de partidos de esquerda.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Império Vitorioso e o Jeca Periférico


Ontem, o magistrado municipal Sérgio Moro, com a sua senhora (para parecer confiável é necessário se mostrar familial), compareceu a uma festa da revista Time, em Nova York.

A fotografia distribuída (via Twitter, portanto deve ser iniciativa unipessoal do juiz) mostra-o "avec" e banhado por luzes rosas.

Um amor!

Vê-se que se trata de um jeca subalterno e periférico em busca de reconhecimento na corte imperial.

Uma autorreferência (autopoiese) demagógica e kitsch, própria dos impostores sociais.

O que era para ser auspicioso e meritório, no contexto maior do cenário conjuntural brasileiro, se transforma em algo impregnado de significados que precisam ser revelados e discutidos

Isso tudo reforça um fato inegável nesta sucessão de pequenos golpes até o iminente Temer-Putsch final (ver o Kapp-Putsch alemão, de 1920): o fato de os Estados Unidos estarem emergindo como os grandes vencedores deste conflito brasileiro - que não é só brasileiro.

O Brasil dos reformistas-suaves (Lula e Dilma) estava incomodando muita gente, seja no plano político-social interno, quanto no plano econômico externo, sobretudo na geopolítica, que insiste em revisitar a velha Guerra Fria.

O Brasil dos reformistas-suaves estava fazendo tecnologia nuclear por via da Nuclebras/Nuclep (submarino atômico, etc).

Estava fazendo tecnologia aviônica, por via de transferência de conhecimento com a Suécia (com vetor positivo para os nossos centros de pesquisa e ensino).

Estava tirando 20% da população (quase 100% dos miseráveis) para a condição de pobreza decente/consumidora.

Estava enfatizando o ensino público superior e incorporando pobres nesta faixa do conhecimento horizontal.

Estava se organizando em um novo circuito financeiro, fora do mainstream oficial, através dos BRICS, e novas alianças não-retóricas e meramente diplomáticas.

Estava organizando, com os vizinhos latinos, uma nova relação autônoma com as economias centrais.

Estava ditando uma nova semântica nas relações Norte-Sul.

Estava se apropriando do próprio subsolo, em autonomia tecnológica e distância econômico-financeira das eternas exploradoras mundiais do óleo e do gás mundial.

Estava excluindo da mesa de poder aqueles políticos profissionais que representam os 1% dos ricos do País e seus interesses internacionais associados, subalternos e dependentes.

Estava dando um novo sentido à noção de nacionalidade e brasilidade, embora faltasse muito para o pleno cumprimento desta primeira fase reformista.

Ora, os Estados Unidos já estavam preocupados com essa mobilidade política silenciosa e subversiva do Brasil.

Algo precisava ser feito.

E foi.

O Temer-Putsch é apenas um biombo de marionetes-lúmpens que esconde o verdadeiro vitorioso deste soturno episódio histórico, onde provisoriamente fomos derrotados.


A homenagem ao provinciano Moro é uma prova subliminar, mas incontestável, de que ele fez a coisa certa para os patrões (dele) certos.

Dilma: eleitores estão sendo roubados

247- Durante abertura da 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, nesta quarta-feira, 27, a presidente Dilma Rousseff afirmou que tem orgulho do País e que é necessário que a luta pela democracia seja continuada.

Para Dilma, o processo de impeachment contra ela no Senado diz respeito à democracia, e não ao seu mandato. "Nós vamos discutir o nome social, eles não vão discutir o nome social. "Vou lutar até o fim para garantir que a democracia seja respeitada. Este é um processo de eleição indireta, daqueles que não têm voto, para se colocar numa disputa e receber os votos do povo brasileiro, que é o único caminho correto para alguém chegar ao governo. Nós não vamos deixar que encurtem o caminho ao poder, através de uma eleição indireta, falsificada de impeachment. O que está em questão não é apenas 54 milhões de votos. É mesmo aqueles que compareceram às eleições, que são 110 milhões de brasileiros. Eles também serão roubados, porque mesmo quando você participa, você tem que respeitar seu adversário. E só tem um vencedor, que é o povo brasileiro. Não podemos desrespeitar eleições diretas no Brasil. Se aceitar isso, estaremos desrespeitando o povo brasileiro", afirmou.  

Dilma disse ainda que o processo tem um pecado original, que é o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). "Ele queria fazer um jogo escuso com o governo. Qual era o jogo: votem para impedir que eu seja julgado no Conselho de Ética, tira os votos que o governo tem no Conselho de Ética, e aí eu não entro com o processo de impeachment. Um governo que aceita uma negociação dessa, entra em processo de apodrecimento, daí nós nos recusamos. Aí, o presidente da Câmara abriu o processo de impeachment. Eu não tenho contas no exterior, jamais usei dinheiro público para me beneficiar, não tenho acusação de corrupção. Então eles arranjaram uma acusação e me acusam de ter práticas contábeis incorretas", explicou.

Dilma destacou que a importância da conquista dos direitos. "Todos nós, inclusive esta presidenta, só chegou aqui porque lutou também, a boa luta, pela democracia, pela inclusão. A democracia só é plena quando os direitos humanos são respeitados", disse a presidente.

A presidente elencou uma série de ações e obras que foram realizadas desde o seu primeiro governo e ressaltou a criação da Comissão Nacional da Verdade. "Significa que nós avançamos na compreensão de uma fase da história brasileira que não queremos que se repita, que foi a ditadura. Tortura nunca mais!", disse Dilma.

Mujica: golpe rebaixa a imagem do Brasil no mundo


O ex-presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, disse hoje (27) que o posicionamento dos deputados brasileiros durante a votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dima Rousseff prejudicou a imagem do Brasil. No último dia 17, a Câmara deu o aval para o pedido de destituição de Dilma seguir para o Senado.

“Essa transmissão [da votação] fez mal ao Brasil como nação, ao prestígio do Brasil. Baixaram a categoria do Brasil na consideração mundial. Se tivessem votado sem fundamentar, teria sido mais saudável para o futuro do Brasil” disse hoje (27) o senador uruguaio licenciado em entrevista a jornalistas brasileiros.

“É paradoxal que queiram tirar a presidenta um monte de gente que tem acusações [criminais], que votam por um monte de coisas, como aquela que votou pela honestidade do marido e no outro dia o marido é preso”, criticou Mujica, ao mencionar o caso da deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG). Casada com o prefeito de Montes Claros (MG), ela citou o marido, Ruy Muniz, com o exemplo de gestor público durante a votação da admissibilidade do impeachment. No dia seguinte (18), o prefeito foi preso pela Polícia Federal em uma operação para apurar a prática dos crimes de falsidade ideológica, dispensa indevida de licitação pública, estelionato, prevaricação e peculato.

Para Mujica, os grandes meios de comunicação brasileiros fizeram uma campanha contra o PT e os partidos mais à esquerda, enfatizando os erros e desvios cometidos por filiados a essas legendas. “A direita tem o controle dos grandes meios de comunicação e os tem utilizado para criar um senso comum. Desnudando nossos defeitos e mostrando o que não são defeitos da esquerda ou do PT, mas da sociedade brasileira”, disse.

“O efeito da corrupção é um patrimônio brasileiro, não é um problema do PT”, disse o uruguaio sobre a situação que avaliou como sistêmica no país. “É um problema que passa por todo o sistema político. Tem gente acusada de todos os partidos. Ela [a corrupção] é tão velha quanto o Brasil”, acrescentou.

Na opinião de Mujica, o grande número de partidos do sistema brasileiro é um dos fatores que tira o foco do debate de ideias e aproxima a política dos interesses de indivíduos ou de pequenos grupos. “Eu não sei como se pode administrar um país com 29 ou 30 partidos. Podem haver 30 projetos políticos? Não! Isso tem mais a ver com interesses pessoais do que ponto de vista ideológico”. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, há 35 partidos registrados no país.

Efeitos da crise

Associada à campanha midiática, o ex-presidente uruguaio acredita que a crise econômica também contribui para a derrubada do governo Dilma. “A direita usou muito bem os erros que cometemos. Mas o fez em um momento histórico que resumo como: a conjuntura econômica estava a favor para gerar descontentamento”, ressaltou.

Sem o cenário econômico não fosse desfavorável, o impeachment de Dilma Rousseff não iria adiante, segundo Mujica. “Se as forças conspirativas da direita dão resultado, é porque tem algo. A conspiração existe sempre.”

Um dos principais efeitos da crise, na avaliação do uruguaio, é a retirada de apoio da classe média ao governo. “Sempre, na história da humanidade, a pobre classe média teve medo. Teve medo de perder”, disse. Nessa parcela dos que estão insatisfeitos com Dilma, Mujica incluiu parte da chamada nova classe média, que teve aumento do poder aquisitivo nos últimos anos. “A mais descontente era parte dessa classe média que emergiu e que não sabe o porquê. Não se dá conta que foram as políticas difíceis de pôr em prática que os fizeram parte da sociedade.”

Segundo o ex-presidente, o capitalismo tem crises periódicas. “O sistema funciona em ciclos. Um ciclo de queda e um de ascendência.”

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