quinta-feira, 31 de março de 2016

A luta começou na rua, 2016 não é 1964

Com Lula, Ciro e Requião, começar o governo eleito em 2014

Esta é a hora do tudo ou nada. É a hora em que a avalanche democrática e popular que toma conta do país poderá fazer a diferença na defesa da legalidade

Jeferson Miola - Carta Maior

O crime está tipificado: é assassinato. A vítima está identificada: a democracia, o Estado Democrático de Direito e a Constituição. Os autores do crime são conhecidos: os fascistas golpistas que se perfilam ao redor do vice-presidente Michel Temer que, mesmo sem ter recebido um único voto sequer, quer surrupiar a cadeira presidencial conferida à Dilma por 54.501.118 brasileiras/os.

O PMDB anunciou em convenção nacional que durou pouco mais de três minutos – um recorde na história mundial de convenções partidárias – a síntese da política asquerosa construída diuturnamente em 15 meses de conspiratas e traições executadas soturnamente pelo próprio Temer: a saída traiçoeira do governo.

A fotografia do anúncio fala por si: Eduardo Cunha – sim, o Eduardo Cunha que melhor desempenharia o papel de presidiário – estava na linha de frente, de braços erguidos e entrelaçados com outras tristes figuras do golpismo peemedebista que ultrajam a memória de Ulisses Guimarães e Tancredo Neves.

O golpe fascista liderado pela aliança PMDB/PSDB e chancelado pelo condomínio jurídico-midiático-policial e pelo grande capital acelera o galope. Nos próximos 6 meses, ou o golpe será consumado ou então terá sido enterrado pela resistência democrática.

O governo Dilma entra em novo e decisivo ciclo. Na realidade, o governo Dilma recupera a oportunidade de se reencontrar com o programa eleito por 54.501.118 brasileiras/os no dia 26 de outubro de 2014. Com um desafio de transcendental complexidade: resistir ao golpismo que adquiriu uma força descomunal neste 29 de março.

Esta é a hora do tudo ou nada. É a hora em que a avalanche democrática e popular que toma conta do país poderá fazer a diferença na defesa da legalidade e da democracia ao lado da Presidente Dilma e do seu novo governo.

Um novo governo que deve contar com figuras fundamentais neste momento crítico em que se define o futuro do Brasil e de sua democracia.

Um governo comandado por Lula e Dilma e integrado por figuras como Ciro Gomes, Roberto Requião e por outros/as democratas de grande quilate e capacidade política para resistir, enfrentar e derrotar o fascismo golpista que arregaçou as mangas nesta etapa terminal da guerra contra a democracia e o Estado Democrático de Direito.

Cunha no espelho


A doença fatal da médica que negou atendimento a um bebê porque a mãe é petista

Ariane Leitão, mãe de Francisco

A seguidora do Dr. Mengele
Por Kiko Nogueira
Diário do Centro do Mundo

Que tipo de país tem uma médica que se recusa a atender uma criança de um ano e um mês porque a mãe é membro de um partido “inimigo”?

A escalada fascista conseguiu colocar o Brasil de cabeça para baixo em diversos sentidos. Num espectro amplo, se você admite que um meliante como Eduardo Cunha comande o impeachment, você está disposto a aceitar qualquer coisa em nome de sabe-se lá o quê.

Velhinhas de praça com cartazes perguntando “por que não mataram todos em 64”, suas netas mandando Dilma tomar no cu, jovens sendo linchados por estarem numa bicicleta vermelha, endereços de familiares de juízes divulgados na internet — qual o limite?

O limite será ultrapassado dia a dia até surgir o primeiro cadáver, e isso não é garantia de que o ciclo será interrompido.

Ariane Leitão, ex-secretária de Porto Alegre na gestão Tarso Genro, teve o bom sendo se tornar pública uma história repulsiva. A pediatra de seu bebê cancelou uma consulta porque ela é petista.

Enviou-lhe uma mensagem de WhatsApp:

“Bom dia Ariane. Estou neste instante declinando em caráter irrevogável, da condição de Pediatra de Francisco. Tu e teu esposo fazem parte do Partido dos Trabalhadores (ele do Psol) e depois de todos os acontecimentos da semana e culminando com o de ontem, onde houve escárnio e deboche do Lula ao vivo e a cores, para todos verem (representante maior do teu partido), eu estou sem a mínima condição de ser Pediatra do teu filho. Poderia inventar desculpas, te atender de mau humor, mas prefiro a HONESTIDADE (sic) que sempre pautou minha vida particular e pessoal.”

A atitude de Ariane foi oposta à da doutora. Não bateu boca. Não declinou seu nome. Consultou advogados e fez uma denúncia.

“O que mais me deixou chateada e me deixou emocionada quando recebi a mensagem foi que, após cuidar meu filho por um ano, ela declinou do atendimento com tanta facilidade”, disse. “Não é por mim, mas pelo meu filho. Ela não tinha nenhum carinho por ele? Ele gostava tanto dela.”

Ariane terá uma briga longa pela frente com o corporativismo. O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, Paulo de Argollo Mendes, saiu em defesa da profissional.

“Ela tem a nossa admiração”, falou. “O código de ética médico tem um artigo que estabelece como deve se dar a relação entre médico e paciente. Não tem por que se arrepender. Ela tem que se orgulhar disso.”

O código de ética, de fato, estabelece que pode haver renúncia ao ao atendimento “no caso de relacionamento prejudicado com familiares” do cliente.

No Juramento de Hipócrates, porém, lê-se: “Não permitirei que considerações de religião, nacionalidade, raça, partido político, ou posição social se interponham entre o meu dever e o meu Doente.”

E daí?

Mengele também obedecia as regras na Alemanha. Facínoras de todo o mundo operaram sob o manto da lei e da ordem. Massacres foram feitos obedecendo a estatutos.

Norma nenhuma é capaz de dar conta da estupidez, da ignomínia, da intolerância e do fascismo que decidimos cultivar. Em que momento uma profissional da saúde passou a considerar aceitável abrir mão de cuidar de um bebê por causa da opinião política dos pais?

Que categoria de canalha confunde isso com “honestidade”? Que tipo de gente é essa?

Por que seria razoável punir um meninote de 1 ano? E é para sentir “orgulho”? Que tipo de monstro acoberta uma atitude insana dessas, penalizando duplamente a família? Esse é o país que eles querem?

Que tipo de gente é essa? Essa gente tem cura?



Kiko Nogueira

Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Ciro: golpe é “entreguista” e movido por “ladrões”

Rio Grande do Sul 247 – O ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) afirmou nesta quarta-feira 30 em Porto Alegre, onde participa de seminário na PUC-RS, que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff está sendo movido por uma "coalizão de ladrões" que deseja implementar uma "agenda entreguista", submetida a interesses internacionais.

As declarações foram feitas ao portal Sul 21, do Rio Grande do Sul. Nesta quarta, circula a especulação de que a presidente Dilma chamou Ciro para uma reunião de emergência em Brasília, e que por isso ele teria cancelado uma palestra em Criciúma, Santa Catarina, na sexta-feira.

Ao 247, a assessoria de imprensa do ex-ministro não confirmou, nem negou o chamado de Dilma. Disse que assegurava que, naquele momento (por volta de 16h), ele proferia palestra na PUC do Rio Grande do Sul e que, de lá, partiria para São Paulo. Sobre o convite, a assessoria disse que não poderia falar em nome da presidência. Quanto à palestra de SC, "existia um convite e uma previsão, mas por problemas de agenda, não se confirmou", informou ainda a assessoria.

Leia abaixo a íntegra da entrevista ao Sul 21:

'Coalizão de ladrões' quer derrubar Dilma para adotar 'agenda entreguista', diz Ciro Gomes

Luís Eduardo Gomes, do Sul 21

quarta-feira, 30 de março de 2016

Este impeachment é golpe

Luis Nassif

A Rede Globo montou uma campanha implacável em torno do tema “impeachment não é golpe”, recorrendo a um recurso primário. Chega até o jurista e pergunta se impeachment é golpe. É o jurista obviamente responde que não, já que previsto na Constituição.

A pergunta a ser feita é “este impeachment, da maneira como está sendo montado, é golpe?”.

É golpe.

Como impichar uma presidente sem apontar uma culpa sequer, sem comprovar nenhum crime de responsabilidade?

Alguns idiotas da objetividade – parafraseando Nelson Rodrigues – desenvolveram um sofisma primário: mesmo que não tenha cometido crime de responsabilidade, o fato de não ter apoio de dois terços do Congresso é razão suficiente.

Ou seja, é golpe.

A Constituição não prevê o voto de desconfiança ao presidente. Trata-se de um instrumento do parlamentarismo, que permite ao Congresso derrubar o gabinete e ao presidente negociar um novo gabinete. Ou, em caso de impasse geral, decretar a dissolução do Congresso e novas eleições gerais.

Que fique claro, então, que qualquer expediente não contemplado na Constituição é golpe. E, na eventualidade do impeachment passar na Câmara, se o Supremo Tribunal Federal recusar a análise de mérito sobre o que for considerado crime, a ele também se aplicará a pecha de golpista.

Crise: Gilmar Mendes e o PMDB já escolheram um lugar na História



Bob Fernandes

Depois de 31 anos e 14 dias, desde a posse de Sarney, o PMDB anunciou que deixará o governo.
Deixa se todos deixarem, enquanto trama voltar com Temer em algumas semanas.
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E Gilmar Mendes é um símbolo. Em Lisboa organizou Seminário que acaba amanhã, 31 de Março; aniversário de 52 anos do golpe de 64.
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Para debater "A Constituição e a Crise", o ministro do Supremo Tribunal convidou a Lisboa o núcleo de... um governo paralelo.
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Entre convidados, Serra e Aécio, do PSDB. Temer, que como os tucanos quer o lugar de Dilma, desistiu de ir. Mas mandou mensagem de vídeo.
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Em Lisboa, Gilmar Mendes afirmou: uma "cleptocracia" governa "há 14 ou 15 anos". Isso mesmo, só "14 ou 15 anos".
Clepto, como sabemos, quer dizer "roubo".
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Há 23 anos o mesmo Gilmar Mendes defendeu Collor no impeachment.
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No mesmo governo Collor, Gilmar foi Adjunto na Subsecretaria e Consultor Jurídico da Secretaria Geral,
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Desde 95 Gilmar trabalhou no governo Fernando Henrique, que o tornou Advogado Geral da União. E o fez ministro do Supremo.
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Ano passado, para discutir impeachment, o ministro do Supremo foi à casa de Eduardo Cunha, depois réu no Supremo.
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Junto estava Paulinho da Força, também tornado réu no Supremo.


Milhões de brasileiros têm o governo Dilma como incompetente e medíocre, com variados casos de corrupção.
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Muitos apostam que sua última campanha terminará tendo provas de contaminação por dinheiro de origem ilegal.
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Mas não há acusação formal, a sério, por ter Dilma cometido crime, por ser corrupta. Ao contrário de tantos que no Congresso irão julgá-la.
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Parceiros vários de Gilmar Mendes na caminhada política, atuais e passados, têm o presente e o passado e que têm.
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Algum deles, e talvez em breve, o ministro terá que julgar no Supremo. Mas nada disso parece perturbar Gilmar Mendes.
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Gilmar Mendes é desassombrado. Ele é ministro, mas faz Política para muito além da natural em um Supremo Tribunal.
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Gilmar Mendes já escolheu, e já tem seu lugar na História.

Torcida do Corinthians convoca ato contra o golpe


Manifestações internacionais contra o golpe no Brasil em 31/3/2016

Manifestações internacionais contra o golpe no Brasil em 31/3/2016
International demonstrations against the coup in Brazil in 31/3/2016

Cidade: Berlim (Alemanha)
Local: Pariser Platz, às 19h

Munique (Alemanha)
Local: Consulado Geral de Munique, às 14h

Barcelona (Espanha)
Local: Plaça de Sant Jaume, ás 18h

Londres (Inglaterra)
Local: Em frente a Embaixada Brasileira, às 17h

Paris (França)
Local: Manifestação na Place de la Replubique, à partir das 16h às 19h.
Debate no Maison de l´Amérique latine, às 19h

Dublin (Irlanda)
Local: Em frente a Embaixada Brasileira, às 17h

Cidade do México (México)
Local: Fonte em Frente ao Centro Cultural Brasil México - San
Francisco 1220, às 17:30h

Santiago de Chile (Chile)
Local: Embaixada do Brasil no Chile, às 17h

Montevideo (Uruguai)
Local: Embaixada do Abril (Bulevar Artigas, 1394) às 18h

Viena, (Áustria)
Local: Embaixada brasileira na Áustria, edifício Rotschild, às 17h

Copenhague (Dinamarca)
Local: Na Praça da Radhus, às 16h

Nova York (EUA)
Local: Union Square, park south plaza, às 17h

Coimbra (Portugal)
local: Praça Dom Diniz, universidade de Coimbra, às 12h

Buenos Aires (Argentina)
Local: Embaixada Brasileira e caminhará até o Obelisco, às 16h



Advogados vão pedir saída de Temer com argumentos usados contra Dilma


Um grupo de advogados estuda apresentar pedido de impeachment contra o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP). Devem usar texto idêntico ao da OAB , que nesta semana pediu o afastamento de Dilma Rousseff do cargo.

MESMA COISA
Alegando que a lei que prevê o impeachment de presidentes poderia ser aplicada aos vices por "analogia", eles vão dizer que razões que a OAB apresentou contra Dilma valem para Temer: como ela, o vice é citado na delação de Delcídio do Amaral e também assinou decretos de pedaladas fiscais.

ESPELHO
Além disso, assim como o PT, o PMDB, presidido por Temer, foi apontado em delações da Lava Jato como beneficiário de propinas do esquema da Petrobras.

Marco Aurélio Mello: impeachment sem crime é golpe

‘Ela tem razão, impeachment sem crime é golpe’


247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello disse considerar "uma esperança vã" que o impeachment da presidente Dilma Rousseff acabe por resolver os problemas do Brasil e concordou com os argumentos de Dilma de que seu afastamento sem comprovação de crime de responsabilidade "transparece como golpe". 

"É uma esperança vã (que o impeachment resolva a crise). Impossível de frutificar. Nós não teremos a solução e o afastamento das mazelas do Brasil apeando a presidente da República. O que nós precisamos, na verdade, nessa hora, é de entendimento, é de compreensão, é de visão nacional", disse Marco Aurélio. "Acertada a premissa, ela tem toda razão. Se não houver fato jurídico que respalde o processo de impedimento, esse processo não se enquadra em figurino legal e transparece como golpe", observou.

O ministro disse acreditar ainda que o afastamento seria o "contrário" da solução, e que poderia resultar em conflitos sociais. "Precisamos aguardar o funcionamento das instituições. Precisamos, nessa hora, de temperança. Precisamos guardar princípios e valores e precisamos ter uma visão prognostica. Após o impedimento, o Brasil estará melhor? O que nós teremos após o impedimento? A situação é diversa de 1992, porque temos dois segmentos que se mostram, a essa altura, antagônicos, e não queremos conflitos sociais. Queremos a paz social", destacou.

Caso o Congresso opte por levar adiante o processo de impeachment, acrescentou o magistrado, o governo ainda poderá recorrer ao STF. "O Judiciário é a última trincheira da cidadania. E pode ter um questionamento para demonstrar que não há fato jurídico, muito embora haja fato político, suficiente ao impedimento. E não interessa de início ao Brasil apear esse ou aquele chefe do Executivo nacional ou estadual. Porque, a meu ver, isso gera até mesmo muita insegurança", avaliou.

"O ideal seria o entendimento entre os dois poderes, como preconizado pela Constituição Federal para combater-se a crise que afeta o trabalhador, a mesa do trabalhador, que é a crise econômico-financeira. Por que não se sentam à mesa para discutir as medidas indispensáveis nesse momento? Por que insistem em inviabilizar a governança pátria. Nós não sabemos", propôs o ministro do STF.


Minha experiência como empregado do Lobão

Tom Cardoso

O Lobão não toma o lítio direitinho e começa a pedir desculpas pra todo mundo. Pediu pro Caetano, pro Gil, pro Chico, pro Benito de Paula...Fiquei pensando como se deu a mutação do Lobão cheirador, sarcástico, comedor de criancinha para o Lobão adulador da ditadura, escada do Danilo Gentili. Mas esse mistério eu deixo para quem faz pós-doutorado.

Tô aqui pra contar a minha experiência como empregado do Lobão
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O Lobão resolveu fazer uma revista de música e comportamento, a “Outra Coisa”, que era em parte sustentada, veja só, com anúncios da Petrobras. Tudo isso em pleno governo Lula. Não tô inventando. É só pegar as edições antigas e folhear.

Também não tô aqui para julgar o Lobão. Cada um com seus pobrema. A profissão de jornalista é uma merda, mas a gente se diverte. E não tinha nada mais hilário do que as reuniões de pauta da revista “Outra Coisa”,

A gente sempre se reunia - eu, o Lobão e sua mulher Regina - num restaurante alemão do Leblon. Eu não sei se o Lobão já tinha parado de cheirar, ou se a troca de cocaína por rapé fez mal ao cara - experimente dar Yakult para o Keith Richards para ver o que acontece -, mas ele foi o editor mais maluco e sem noção que eu já conheci.

Ele queria de qualquer jeito que eu entrevistasse o Osama Bin Laden. Juro. Eu tentava argumentar, dizendo que se a CIA não tinha pistas do cara, eu, um repórter preguiçoso, teria certa dificuldade. Ele insistia. E a mulher dele dava corda. Papo de maluco total.

Eu trabalhava, nessa época, na redação do Valor. Toda tarde, o Lobão ligava:

- Tom, conseguiu achar o Osama?

Eu achava que era melhor não contrariar.

- Lobão, tô mexendo os pauzinhos. Calma, a gente chega lá.

O Lobão nunca me pagou. Embolsava a grana, mas não pagava os colaboradores. Muito menos o editor. (“É essa gente que quer tomar o poder?”)

A última vez que falei com o Lobão foi por telefone. Ele me fizera a pergunta de sempre e eu, de saco cheio por não receber, com monte de conta pra pagar, respondi:

- Lobão, achei o homem.

- Você está brincando. Sério?

- Sim. Você me manda para o Afeganistão?

- Humm. Não consegue fazer por email?

Pensei em dizer que nas montanhas de Tora Bora não pegava wi-fi, mas achei melhor acabar com aquela maluquice:

- Lobão, vai dar meia hora de cu, vai.

Guilherme Boulos chama presidente do Sindicato de Ladrões de bandido

Coordenador do MTST chama presidente da Câmara de bandido

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, fez um duro discurso de apoio ao mandato da presidente Dilma Rousseff no lançamento da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida.

Ele chegou a chamar de "bandido" o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que conduz o processo de impeachment da presidente. "Vivemos hoje uma perigosa e criminosa ofensiva golpista. Hoje, liberdades democráticas, garantias constitucionais estão ameaçadas por uma ofensiva golpista", discursou.

À medida que Boulos falava, a plateia repleta de representantes de movimentos sociais gritava palavras de ordem contra Cunha, contra a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e a mídia. Boulos foi o quarto a falar em defesa do mandato da presidente. "Vai ter luta, vai ter resistência. Não passarão com esse golpe de araque no Brasil", disse.

Ele também fez críticas ao programa de habitação popular por destinar apenas 2% dos recursos aos movimentos sociais. "O Minha Casa Minha Vida Entidades faz com o mesmo dinheiro que as construtoras recebem uma casa maior, de 60, 65 metros, com três quartos", afirmou. "Quando o povo faz o projeto, gera a obra, quando os próprios futuros moradores tomam conta, o resultado é melhor", completou e pediu que a participação das entidades aumente nessa nova fase.

Diálogo coxinha

Tom Cardoso

Tô aqui na academia, fazendo um supino inclinado com halter. Ouço o seguinte diálogo:

- Sabe o Eduardo Campos?
- Sim, aquele político que morreu num acidente de avião.
- Ele mesmo. Sabe de quem ele é filho?
- De quem?
- Do Chico.
- Que Chico? Chico Anysio?
- Não, sua anta. Do Chico Buarque.
- Sério?
- Sim. Li no site do Revoltados.
- Como descobriram?
- Pela cor dos olhos. Igualzinho.
- E ele nem foi no velório, no enterro..
- Que nada. Ele nem assumiu a paternidade.
- Que filho da puta.
- .Puta cara escroto. Diz que lutou contra a ditadura. Ele queria era comer a mulherada.
- Ele é petista né?
- É, petista doente. Visitou até o Zé Dirceu na prisão. Levou sabonete, livro... Dizem que chegou até a cantar pro Genoíno..
- Minha mulher disse que o pai desse Chico foi um dos maiores professores de história do Brasil.
- O cara é filho de professor e vira petista. Vai entender.
- O pai dele era foda. Minha mulher disse que ele é autor de uma teoria conhecida no mundo inteiro.
- Que teoria?
- Do homem jovial.
- Homem jovial? Como assim?
- É, não sei direito. Mas parece que é por isso que aqui no Brasil tem tanta academia. Somos os primeiros também em cirurgia plástica.
- Sua mulher tá entendida hein!
- É, ela faz aqueles cursos da Casa do Saber. Fala pra Fátima ir também.
- Vou falar.
- Ganha certificado e tudo. Agrega né?

- Show.

Mais um ato de arrogância, autoritarismo e desfaçatez do desqualificado Sérgio Moro

Gustavo Castañon

Moro cometeu dois crimes líquidos e certos: a divulgação de conversas privadas de investigados, não investigados e autoridades e o grampo de advogados de defesa. Provavelmente cometeu um crime contra a segurança nacional, pois tudo indica que a própria presidente foi grampeada em seu gabinete. É por isso que responder à exigência de esclarecimentos pelo STF com um pedido de desculpas pelo "transtorno" causado não tem nada a ver com humildade. É mais um ato de arrogância, autoritarismo e desfaçatez de um indivíduo que despreza a lei, quando ela não o interessa.

Moro + Globo = Golpe

Kátia Abreu diz que impeachment da presidente Dilma é golpe

A rádio, Kátia Abreu diz que impeachment da presidente Dilma é golpe

Valor  -  No dia em que o PMDB caminha para oficializar seu desembarque do governo, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, voltou a defender mais uma vez a presidente Dilma Rousseff e, desta vez, chamou o processo de impeachment em curso no Congresso Nacional de “golpe”.

Segundo a ministra, os argumentos usados pelo Legislativo de que a presidente Dilma teria cometido crime de responsabilidade fiscal por conta das chamadas “pedaladas fiscais” com base em julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU) não condizem com a realidade.

“Temos que admitir que as pessoas estão nervosas e contrariadas com relação a toda corrupção nos governos do PT e que a presidente está com baixa popularidade, mas tenho convicção de que o impeachment da forma como está colocado é golpe”, disse Kátia Abreu em entrevista à rádio CBN. “Nós brasileiros não temos o direito de sermos imprudentes com o processo de impeachment”, acrescentou.

Para Kátia Abreu, é preciso desvincular as investigações da Operação Lava-Jato, que apura denúncias de corrupção a partir da Petrobras, do processo de impedimento de Dilma. Ela diz apoiar o trabalho do Judiciário e defende a prisão para “quem merecer cadeia”, porém faz questão de frisar que a presidente Dilma não é investigada e que “pedalada” não é motivo para impeachment.

Em relação à sua legenda, o PMDB, que deve concretizar a saída da base aliada em reunião marcada para as 15h em Brasília, Kátia diz que prefere aguardar pelo resultado final do diretório nacional. E só então decidir se entrega seu cargo no governo como o partido também deve recomendar nesta terça-feira os ministros pemedebistas.

“Eu prefiro que o partido decida na reunião primeiro e só depois e vou avaliar minha situação no governo”, destacou, informando que não comparecerá ao encontro do PMDB, assim como os outros cinco ministros pemedebistas.

Há uma expectativa no meio político de que Kátia mude de sigla e volte ao seu ex-partido, o PSD, para tentar se manter no governo e leal a Dilma. No entanto, a ameaça de o PSD também anunciar seu desembarque do governo pode deixa incerto o futuro político dela, avaliam fontes.

Um dos ministros mais próximos da presidente, Kátia Abreu ainda comentou hoje que vem conversando diariamente com Dilma, que por sua vez tem se mostrado tranquila. “A presidente está confiante de que vai superar tudo isso, está disposta ao diálogo, mas acha que as pessoas estão confundindo as coisas, de que [baixa] popularidade pode dar em impeachment”, afirmou.

De Paris contra o golpe



MD18 - Manifestação 31 de Março

A mídia golpista e o golpe que não é golpe

Weden Alves

CARTEL DE MÍDIA ACUSA O GOLPE

Desespero dos meios em dizer que não é golpe mostra que eles estão perdendo a batalha semântica. Medo de consequências institucionais (STF) e políticas. Mas está aí uma espécie de xeque-mate retórico em que ela se meteu. Se silenciar, a designação "golpe" ganha terreno sem resistência. Se tentar negar, a própria mídia a faz circular. Não há saída.

O objetivo real dos golpistas

Nilson Lage

Esta é minha tese:

Como o objetivo real não é o PT nem Lula, mas o Brasil e os Brics, as etapas a serem atingidas são:

1. Paralisar áreas estratégicas da economia e prolongar a recessão;

2. Atrapalhar a gestão da coisa pública;

3. Abalar a confiança de investidores externos, em particular dos parceiros do Brics (obviamente, a China, mas também parcerias tecnológicas com a Rússia e a Índia);

4. Quebrar a unidade latino-americana, substituindo-a pela velha estrutura da OEA;

5. Obter maiores concessões em área de soberania (pré-sal, Amazônia), impedir a formação de forças armadas com poder dissuasório e a acumulação de conhecimento científico-tecnológico capaz de formar massa crítica;

4. Transferir para a "inciativa privada" multinacional e a local associada (que subordina a indústria "paulista", redes de comunicação etc.) os recursos públicos aplicados em educação e saúde, bem como os ônus criados pela legislação trabalhista.

Uma coisa conseguiram: implantar o ódio na sociedade brasileira. Será difícil reconquistar a convivência.

Deputados federais do PMDB

Lista completa com nomes, telefones e e-mails AQUI

Como são muitos, é recomendável dividir em dois ou três grupos.

dep.albertofilho@camara.leg.br, dep.alceumoreira@camara.leg.br, dep.alexandreserfiotis@camara.leg.br, dep.altineucortes@camara.leg.br, dep.anibalgomes@camara.leg.br, dep.baleiarossi@camara.leg.br, dep.cabucuborges@camara.leg.br, dep.carlosbezerra@camara.leg.br, dep.carlosmarun@camara.leg.br, dep.celsojacob@camara.leg.br, dep.celsomaldaner@camara.leg.br, dep.ciceroalmeida@camara.leg.br, dep.danielvilela@camara.leg.br, dep.darcisioperondi@camara.leg.br, dep.dulcemiranda@camara.leg.br, dep.edinhoaraujo@camara.leg.br, dep.edinhobez@camara.leg.br, dep.eduardocunha@camara.leg.br, dep.elcionebarbalho@camara.leg.br, dep.fabioramalho@camara.leg.br, dep.fabioreis@camara.leg.br, dep.fernandojordao@camara.leg.br, dep.flavianomelo@camara.leg.br, dep.hermesparcianello@camara.leg.br, dep.hildorocha@camara.leg.br, dep.hugomotta@camara.leg.br, dep.jarbasvasconcelos@camara.leg.br, dep.jessicasales@camara.leg.br, dep.joaoarruda@camara.leg.br, dep.joaomarcelosouza@camara.leg.br, dep.josefogaca@camara.leg.br, dep.josepriante@camara.leg.br, dep.josinunes@camara.leg.br, dep.kaiomanicoba@camara.leg.br, dep.lauracarneiro@camara.leg.br, dep.lelocoimbra@camara.leg.br, dep.leonardopicciani@camara.leg.br, dep.leonardoquintao@camara.leg.br, dep.luciomosquini@camara.leg.br, dep.luciovieiralima@camara.leg.br, dep.manoeljunior@camara.leg.br, dep.marcosrotta@camara.leg.br, dep.marinharaupp@camara.leg.br, dep.marquinhomendes@camara.leg.br, dep.marxbeltrao@camara.leg.br, dep.mauromariani@camara.leg.br, dep.mauropereira@camara.leg.br, dep.mosesrodrigues@camara.leg.br, dep.newtoncardosojr@camara.leg.br, dep.osmarserraglio@camara.leg.br, dep.osmarterra@camara.leg.br, dep.pedrochaves@camara.leg.br, dep.rodrigopacheco@camara.leg.br, dep.rogeriopeninhamendonca@camara.leg.br, dep.ronaldobenedet@camara.leg.br, dep.saraivafelipe@camara.leg.br, dep.sergiosouza@camara.leg.br, dep.silasbrasileiro@camara.leg.br, dep.simonemorgado@camara.leg.br, dep.sorayasantos@camara.leg.br, dep.valdircolatto@camara.leg.br, dep.valtenirpereira@camara.leg.br, dep.venezianovitaldorego@camara.leg.br, dep.vitorvalim@camara.leg.br, dep.walteralves@camara.leg.br, dep.washingtonreis@camara.leg.br, dep.wilsonbeserra@camara.leg.br, dep.zeaugustonalin@camara.leg.br

Ainda tem jogo?

Luis Felipe Miguel 

A questão que todo mundo está se colocando: ainda tem jogo?

O PMDB abraçou de vez o golpe, a Fiesp colocou os patos na rua, a mídia insiste que Dilma está liquidada e os passos daqui até a votação do impeachment são só pra cumprir tabela... mas ainda tem jogo?

Acredito que sim. Como disse Rodrigo Vianna na Fórum, o governo ainda tem como tentar atrair parte do Congresso, até mesmo aproveitando o vácuo deixado com a saída do PMDB. Pouca, muito pouca gente na Câmara se move por qualquer coisa que não seja a busca de vantagem a curto prazo. Por isso, todo cenário é por definição instável. Difundir a ideia de que "o jogo acabou" é reduzir o poder de atração do governo sobre estes deputados. O momento do jogo, portanto, é de definir previsões sobre seu próprio futuro.

Mas o jogo não ocorre apenas nos gabinetes. Mostrar que existe oposição ao golpe, da parte da classe trabalhadora, das periferias, das mulheres, da juventude, da população negra, das/os intelectuais, é uma forma também de passar um recado à elite política, que pode incluir essa reação no seu cálculo de vantagens e desvantagens. E também uma forma de pressionar para que o governo Dilma não apenas sobreviva, mas, quem sabe, se torne pelo menos um pouco melhorzinho.

Lindbergh humilha líder do PSDB e desmascara golpe!

Wagner Moura: Dilma é vítima de um golpe clássico em um Estado policialesco

247 – Para o ator Wagner Moura, a presidente Dilma Rousseff é vítima de um golpe clássico em um Estado policialesco.

‘O que está em andamento no Brasil hoje é uma tentativa revanchista de antecipar 2018 e derrubar na marra, via Judiciário politizado, um governo eleito por 54 milhões de votos. Um golpe clássico’, diz.

Segundo ele, o país vive um Estado policialesco movido por ódio político: “Sergio Moro é um juiz que age como promotor. As investigações evidenciam atropelos aos direitos consagrados da privacidade e da presunção de inocência. São prisões midiáticas, condenações prévias, linchamentos públicos, interceptações telefônicas questionáveis e vazamentos de informações seletivas para uma imprensa controlada por cinco famílias que nunca toleraram a ascensão de Lula”, acrescenta.

Leia abaixo o artigo de Wagner Mora sobre o assunto:

Pela legalidade

Ser legalista não é o mesmo que ser governista, ser governista não é o mesmo que ser corrupto. É intelectualmente desonesto dizer que os governistas ou os simplesmente contrários ao impeachment são a favor da corrupção.

Embora me espante o ódio cego por um governo que tirou milhões de brasileiros da miséria e deu oportunidades nunca antes vistas para os pobres do país, não nego, em nome dessas conquistas, as evidências de que o PT montou um projeto de poder amparado por um esquema de corrupção. Isso precisa ser investigado de maneira democrática e imparcial.

Tenho feito inúmeras críticas públicas ao governo nos últimos 5 anos. O Brasil vive uma recessão que ameaça todas as conquistas recentes. A economia parou e não há mais dinheiro para bancar, entre outras coisas, as políticas sociais que mudaram a cara do país. Ninguém é mais responsável por esse cenário do que o próprio governo.

O esfacelamento das ideias progressistas, que tradicionalmente gravitam ao redor de um partido de esquerda, é também reflexo da decadência moral do PT, assim como a popularidade crescente de políticos fascistas como Jair Bolsonaro.

É possível que a esquerda pague por isso nas urnas das próximas eleições. Caso aconteça, irei lamentar, mas será democrático. O que está em andamento no Brasil hoje, no entanto, é uma tentativa revanchista de antecipar 2018 e derrubar na marra, via Judiciário politizado, um governo eleito por 54 milhões de votos. Um golpe clássico.

O país vive um Estado policialesco movido por ódio político. Sergio Moro é um juiz que age como promotor. As investigações evidenciam atropelos aos direitos consagrados da privacidade e da presunção de inocência. São prisões midiáticas, condenações prévias, linchamentos públicos, interceptações telefônicas questionáveis e vazamentos de informações seletivas para uma imprensa controlada por cinco famílias que nunca toleraram a ascensão de Lula.

Você que, como eu, gostaria que a corrupção fosse investigada e políticos corruptos fossem para a cadeia não pode se render a esse vale-tudo típico dos Estados totalitários. Isso é combater um erro com outro.

Em nome da moralidade, barbaridades foram cometidas por governos de direita e de esquerda. A luta contra a corrupção foi também o mote usado pelos que apoiaram o golpe em 1964.

Arrepio-me sempre que escuto alguém dizer que precisamos "limpar" o Brasil. A ideia estúpida de que, "limpando" o país de um partido político, a corrupção acabará remete-me a outras faxinas horrendas que aconteceram ao longo da história do mundo. Em comum, o fato de todos os higienizadores se considerarem acima da lei por fazerem parte de uma "nobre cruzada pela moralidade".

Você que, por ser contra a corrupção, quer um país governado por Michel Temer deve saber que o processo de impeachment foi aceito por conta das chamadas pedaladas fiscais, e não pelo escândalo da Petrobras. Um impeachment sem crime de responsabilidade provado contra a presidente é inconstitucional.

O nome de Dilma Rousseff não consta na lista, agora sigilosa, da Odebrecht, ao contrário dos de muitos que querem seu afastamento. Um pedido de impeachment aceito por um político como Eduardo Cunha, que o fez não por dever de consciência, mas por puro revide político, é teatro do absurdo.

O fato de o ministro do STF Gilmar Mendes promover em Lisboa um seminário com lideranças oposicionistas, como os senadores Aécio Neves e José Serra, é, no mínimo, estranho. A foto do juiz Moro com o tucano João Doria em evento empresarial é, no mínimo, inapropriada.

E se você também achar que há algo de tendencioso no reino das investigações, não significa que você necessariamente seja governista, muito menos apoiador de corruptos. Embora a TV não mostre, há muitos fazendo as mesmas perguntas que você.

Em nota, Lula afirma ser vítima de complô

247 - O Instituto Lula divulgou nesta terça-feira uma nota em três idiomas (português, inglês e espanhol) para rebater as suspeitas levantadas contra o ex-presidente pelo Ministério Público e pela Polícia Federal:  ‘O ex-presidente Lula não é réu, ou seja: não responde a nenhuma ação judicial que o acuse de ter praticado algum crime. Levar o ex-presidente Lula ao banco dos réus é, sim, o objetivo da plutocracia, do mass media e de agentes partidarizados da Polícia e do Ministério Público, que representam exceções dentro destas Instituições’, afirma o ex-presidente. Leia abaixo: 

NOTA À IMPRENSA

1)      LULA NÃO É RÉU, NÃO COMETEU NENHUM CRIME NEM É INVESTIGADO PELA JUSTIÇA
2)       


No Brasil, a função de investigar é da Polícia e do Ministério Público. A função de denunciar é exclusiva do Ministério Público, de seus promotores e procuradores.

No Brasil, juízes não investigam, não acusam, não denunciam. Juízes julgam. E só participam de investigações indiretamente, autorizando ou não atos invasivos (apreensões, escutas) e coercitivos (conduções, prisões temporárias) formalmente solicitados pelo Ministério Público e pela Polícia.

Somente depois que o Ministério Público apresenta denúncia formal, e se essa denúncia for aceita por um juiz, é que um cidadão torna-se réu, ou, como se diz popularmente, torna-se acusado.

O ex-presidente Lula não é réu, ou seja: não responde a nenhuma ação judicial que o acuse de ter praticado algum crime.

A denúncia apresentada contra ele por três promotores de São Paulo notoriamente facciosos, a partir de um inquérito considerado ilegal pelo Conselho Nacional do Ministério Público, não foi aceita pela Justiça. Portanto, não há ação nem réu.

O ex-presidente Lula não é acusado nem mesmo investigado, porque esta figura não existe no direito brasileiro. Aqui investigam-se fatos, não pessoas. Policiais e promotores que fazem acusações a pessoas em entrevistas, fora dos autos, cometem crime.

Levar o ex-presidente Lula ao banco dos réus é, sim, o objetivo da plutocracia, do mass media e de agentes partidarizados da Polícia e do Ministério Público, que representam exceções dentro destas Instituições.

Mas nenhum desses agentes apresentou uma acusação fundamentada para justificar a abertura de ação penal contra o ex-presidente. E não apresentou porque Lula sempre agiu dentro da lei, antes, durante e depois de ser presidente da República.

Os únicos juízes que um dia condenaram Lula eram membros de um tribunal de exceção, criado pela odiosa Lei de Segurança Nacional da ditadura militar.

Em 1980, Lula foi preso porque lutava pela democracia e pelos trabalhadores.

2) LULA É O ALVO DE UMA CAÇADA PARAJUDICIAL

Em mais de 40 anos de vida pública, a vida do ex-presidente Lula foi vasculhada em todos os aspectos: político, fiscal, financeiro e até pessoal.

Desde a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, um exército de jornalistas, policiais, promotores, procuradores e difamadores profissionais está mobilizado com o objetivo de encontrar um crime – qualquer um – para acusar Lula e, dessa forma, afastá-lo do processo político.

Nada menos que 29 procuradores e promotores de 5 instâncias já se envolveram nesta verdadeira caçada parajudicial, além de 30 auditores fiscais da Receita Federal e centenas de policiais federais.

Os movimentos desse exército tornaram-se frenéticos em meados do ano passado, quando ficou claro que as investigações da Operação Lava Jato não alcançariam o ex-presidente.

Nenhuma conta bancária, nenhuma empresa, nenhuma delação, nada liga Lula aos desvios investigados em negócios milionários com poços de petróleo, navios, sondas, refinarias. Nada.

Desde então, Lula, sua família, o Instituto Lula e a empresa LILS Palestras tornaram-se alvo de uma avalanche de inquéritos e fiscalizações por parte de setores do Ministério Público, da Polícia Federal e da Receita Federal:

  • 4 inquéritos abertos por procuradores federais de Brasília e do Paraná;
  • 2 inquéritos diferentes sobre os mesmos fatos, abertos por procuradores federais e do estado de São Paulo, o que é inconstitucional;
  • 3 inquéritos policiais abertos pela Polícia Federal em Brasília e no Paraná;
  • 2 ações de fiscalização da Receita Federal;
  • Quebra do sigilo fiscal e bancário de Lula, do Instituto Lula, da LILS Palestras e de mais 12 pessoas e 38 empresas de pessoas ligadas ao ex-presidente;
  • Quebra do sigilo telefônico e das comunicações por internet de Lula, de sua família, do Instituto Lula e de diretores do Instituto Lula; até mesmo os advogados de Lula foram atingidos por esta medida ilegal;
  • 38 mandados de busca e apreensão nas casas de Lula e de seus filhos, de funcionários e diretores do Instituto Lula, de pessoas ligadas a ele, executados com abuso de autoridade, apreensões ilegais e sequestro do servidor de e-mails do Instituto Lula;
  •  
Nos últimos 10 meses, Lula prestou 4 depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público e apresentou informações por escrito em 2 inquéritos.

Lula prestou informações ao Ministério Público sobre todas as suas viagens internacionais, quem o acompanhou, onde e quando se hospedou, como foram pagas essas despesas, as pessoas com quem se encontrou nessas viagens, inclusive chefes de estado e de governo; sobre as palestras que realizou, onde, quando e contratado por quem; o Instituto Lula e a empresa LILS Palestras prestaram informações ficais, bancárias e contábeis de todas suas atividades;

Apesar de ter cumprido todos os mandados e solicitações e de ter prestado esclarecimentos às autoridades até voluntariamente, Lula foi submetido, de forma ilegal, injustificada e arbitrária, a uma condução coercitiva para depoimento sem qualquer intimação anterior;

Lula foi alvo de um pedido de prisão preventiva, de forma ainda mais ilegal, injustificável e arbitrária, pedido que foi prontamente negado pela Justiça.

Ao longo desses meses, agentes do estado vazaram criminosamente para a imprensa dados bancários e fiscais de Lula, de seus filhos, do Instituto Lula e da LILS Palestras.

Por fim, o juiz Sergio Moro divulgou ilegalmente conversas telefônicas privadas do ex-presidente Lula, sua mulher, Marisa Letícia, e seus filhos, com diversos interlocutores que nada têm a ver com os fatos investigados, inclusive com a presidenta da República.

Conversas entre advogados e clientes também foram divulgadas pelo juiz Moro, rompendo um dogma mundial de inviolabilidade das comunicações.

Nenhum líder político brasileiro teve sua intimidade, suas contas, seus movimentos tão vasculhados, num verdadeiro complô contra um cidadão, desrespeitando seus direitos e negando a presunção da inocência.

E apesar de tudo, não há nenhuma ação judicial aberta contra Lula, nenhuma denúncia do Ministério Público Federal, nenhuma ação da Receita Federal por crime tributário ou fiscal.

O resultado desse complô de agentes do estado e meios de comunicação é a maior operação de propaganda opressiva que já se fez contra um homem público no Brasil.

Foi a incitação ao ódio contra a maior liderança política do País, num momento em que o Brasil precisa de paz, diálogo e estabilidade política.

3) LULA NÃO FOGE DA JUSTIÇA; LULA RECORRE À JUSTIÇA

O ex-presidente recorreu sistematicamente à Justiça contra os abusos e arbitrariedades praticadas por agentes do estado, difamadores profissionais e meios de comunicação que divulgam mentiras a seu respeito.

A defesa de Lula solicitou e obteve a abertura de Procedimentos Disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público contra dois procuradores da República que atuaram de forma facciosa;

Apresentou ao CNMP e obteve a confirmação de ilegalidade na abertura de inquérito por parte de promotores do Ministério Público de São Paulo;

Apresentou ao STF e aguarda o julgamento de Ação Cível Originária, com agravo, para definir a quem compete investigar os fatos relacionados ao sítio Santa Bárbara e ao Condomínio Solaris;

Recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo e aguarda julgamento contra decisão da juíza da 4a Vara Criminal sobre o mesmo conflito de competência;

Apresentou ao STF habeas corpus contra decisão injurídica do ministro Gilmar Mendes, corrigida e revogada pelo ministro Teori Zavascki em mandado de segurança da Advocacia Geral da União;

Apresentou ao STF recurso contra decisão do ministro Gilmar Mendes que o impede de assumir o cargo de Ministro de Estado, embora Lula preencha todos os requisitos constitucionais e legais para esta finalidade;

Apresentou ao juiz Sergio Moro 4 solicitações de devolução de objetos pessoais de noras e filhos de Lula, apreendidos ilegalmente pela Polícia Federal.

É nas instituições que Lula se defende dos abusos e, neste momento, quem deve explicações ao STF não é Lula, é o juiz Sergio Moro; e quem tem de se explicar ao Conselho Nacional do Ministério  Público são dois procuradores do Ministério Público Federal.

Contra seus detratores na imprensa, no Congresso Nacional e nas redes subterrâneas de difamação, os advogados do ex-presidente Lula apresentaram:

  • 6 queixas crime;
  • 6 interpelações criminais;
  • 9 ações indenizatórias por danos morais;
  • 5 pedidos de inquéritos criminais;
  • e formularam duas solicitações de direito de resposta, uma das quais atendida e outra, contra a TV Globo, em tramitação na Justiça. 
Quem deve explicações à Justiça e à sociedade não é Lula; são os jornais, emissoras de rádio TV que manipularam notícias falsas e acusações sem fundamento de procuradores e agentes de estado notoriamente facciosos.

4) LULA NÃO PEDIU NEM PRECISA DE “FORO PRIVILEGIADO”

É importante esclarecer que a prerrogativa de foro (erroneamente chamada de foro privilegiado) do STF se exerce sobre parlamentares, ministros do governo, presidente e vice-presidente da República e membros dos tribunais superiores.

Neste caso, processos e julgamentos são feitos diretamente na última instância, o que não permite recursos a outras cortes ou juízes.

Lula tem o compromisso de ajudar a presidenta Dilma Rousseff, de todas as formas possíveis, para que o Brasil volte a crescer e gerar empregos, num ambiente de paz, estabilidade e confiança no futuro.

A convocação da presidenta Dilma para Lula ser ministro veio depois, e não antes, de o juiz Sergio Moro autorizar uma série de arbitrariedades contra Lula: violação de domicílio, condução coercitiva injustificada, violação de garantias da família e de colaboradores do ex-presidente.

Não existe nenhum ato ou decisão judicial pendente de cumprimento que possa ser frustrada pelo fato de Lula assumir o cargo de ministro.

E além disso: a mais grave arbitrariedade cometida pelo juiz Sergio Moro – pela qual ele está sendo chamado a se explicar na Suprema Corte – ocorreu no momento em que o ex-presidente Lula detinha a prerrogativa de foro.

Momentos depois de Lula ter sido nomeado ministro, a Força Tarefa da Lava Jato grampeou ilegalmente uma conversa entre ele e a presidenta Dilma, conversa que foi divulgada quase instantaneamente pelo juiz Moro.

Ou seja: nem mesmo nas poucas horas em que foi ministro Lula ficou a salvo das arbitrariedades do juiz – nem ele nem a presidenta da República.

Não existe salvo-conduto contra a arbitrariedade. Contra a arbitrariedade existe a lei.

Para garantir seus direitos, Lula recorre e continuará recorrendo à Justiça em todas as instâncias, todos os tribunais, pois juízes tem de atuar como juízes desde a mais alta Corte à mais remota comarca.

Além disso, as fortes reações – dentro e fora do Brasil – à condução coercitiva de Lula e ao grampo ilegal da presidenta servem de alerta para que novas arbitrariedades não sejam cometidas neste processo.

5) SÃO FALSAS E SEM FUNDAMENTO AS ALEGAÇÕES CONTRA LULA

Em depoimentos, memoriais dos advogados e notas do Instituto Lula, o ex-presidente Lula esclareceu os fatos e rebateu as alegações de seus detratores.

Lula entrou e saiu da Presidência da República com o mesmo patrimônio imobiliário que possuía adquirido em uma vida de trabalho desde a infância.

Não oculta, não sonega, não tem conta no exterior, não registra bens em nome de outras pessoas nem de empresas em paraísos fiscais.

Um breve resumo das respostas às alegações falsas, com a indicação dos documentos que comprovam a verdade:

Apartamento no Guarujá: Lula não é nunca foi dono do apartamento 164-A do Condomínio Solaris, porque a família não quis comprar o imóvel, mesmo depois de ele ter sido reformado pelo verdadeiro proprietário. Informações completas em: http://www.institutolula.org/documentos-do-guaruja-desmontando-a-farsa

Sítio em Atibaia: Lula não é nunca foi dono do Sítio Santa Bárbara. O Sítio foi comprado por amigos de Lula e de sua família com cheques administrativos, o que elimina as hipóteses de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. As reformas feitas no sítio nada têm a ver com os desvios investigados na LavaJato.

Informações completas e documentos sobre Atibaia e o patrimônio de Lula em:


Palestras de Lula: Depois que deixou a presidência da República, Lula fez 72 palestras contratadas por 40 empresas do Brasil e do exterior, recolhendo impostos por meio da empresa LILS Palestras. Os valores pagos e as condições contratuais foram os mesmos para as 40 empresas: tanto as 8 investigadas na Lava Jato quanto às demais 32, incluindo a INFOGLOBO, da Família Marinho. Todas as palestras foram efetivamente realizadas, conforme comprovado nesta relação com datas, locais, contratantes, temas, fotos, vídeos e notícias:


Doações ao Instituto Lula: O Instituto Lula recebe doações de pessoas e empresas, conforme a lei, para manter suas atividades, e isso nada tem a ver com as investigações da Lava Jato. A Força Tarefa divulgou ilegalmente alguns doadores, mas escondeu os demais e omitiu do público como esse dinheiro é aplicado, o que se pode ver no Relatório de Atividades Instituto Lula 2011-2015:


Acervo presidencial: O ex-presidente Lula não desviou nem se apropriou ilegalmente de nenhum objeto do acervo presidencial, nem cometeu ilegalidades no armazenamento. Esta nota esclarece que a lei brasileira obriga os ex-presidentes a manter e preservar o acervo, mas não aponta meios e recursos:


É falsa a notícia de que parte do acervo teria sido desviada por Lula ou que ele teria se apropriado de bens do palácio. A revista que espalhou essa farsa é a mesma que desmontou o boato numa reportagem de 2010:


6) O INTERROGATÓRIO DE LULA

Neste link, a íntegra do depoimento de Lula aos delegados e procuradores da Operação Lava Jato, prestado sob condução coercitiva no aeroporto de Congonhas em 4 de março de 2016.


terça-feira, 29 de março de 2016

Venceremos!




Venceremos
Quilapayún

Desde el hondo crisol de la patria
se levanta el clamor popular,
ya se anuncia la nueva alborada,
todo Chile comienza a cantar.

Recordando al soldado valiente
cuyo ejemplo lo hiciera inmortal,
enfrentemos primero a la muerte,
traicionar a la patria jamás.

Venceremos, venceremos,
mil cadenas habrá que romper,
venceremos, venceremos,
la miseria (al fascismo) sabremos vencer.

Campesinos, soldados, mineros,
la mujer de la patria también,
estudiantes, empleados y obreros,
cumpliremos con nuestro deber.

Sembraremos las tierras de gloria,
socialista será el porvenir,
todos juntos haremos la historia,
a cumplir, a cumplir, a cumplir.

El Pueblo Unido Jamás Será Vencido



El Pueblo Unido Jamás Será Vencido
Quilapayún

El pueblo unido, jamás será vencido
El pueblo unido jamás será vencido...

De pie, cantar
Que vamos a triunfar
Avanzan ya
Banderas de unidad
Y tú vendrás
Marchando junto a mí
Y así verás
Tu canto y tu bandera florecer
La luz
De un rojo amanecer
Anuncia ya
La vida que vendrá

De pie, luchar
El pueblo va a triunfar
Será mejor
La vida que vendrá
A conquistar
Nuestra felicidad
Y en un clamor
Mil voces de combate se alzarán
Dirán
Canción de libertad
Con decisión
La patria vencerá

Y ahora el pueblo
Que se alza en la lucha
Con voz de gigante
Gritando: ¡adelante!
El pueblo unido, jamás será vencido
El pueblo unido jamás será vencido

La patria está
Forjando la unidad
De norte a sur
Se movilizará
Desde el salar
Ardiente y mineral
Al bosque austral
Unidos en la lucha y el trabajo
Irán
La patria cubrirán
Su paso ya
Anuncia el porvenir

De pie, cantar
El pueblo va a triunfar
Millones ya,
Imponen la verdad
De acero son
Ardiente batallón
Sus manos van
Llevando la justicia y la razón
Mujer
Con fuego y con valor
Ya estás aquí
Junto al trabajador

O impeachment é constitucional porque "está na Constituição"?

Flávio Dino

Aos que dizem que impeachment é constitucional porque "está na Constituição". Sim, mas somente para crimes provados, pessoalmente cometidos.

Não existe impeachment por não gostar do governo ou por pressa em chegar ao poder. Isso que está na Constituição, que deve ser cumprida.

Isso que defendo: respeito ao calendário de eleições estabelecido na Constituição. A próxima é em 2018.

Mais um absurdo: configura crime de responsabilidade uma pessoa deixar de ter foro na 1ª instância e passar a ter no STF. Constrangedor.

Essa é a nova "acusação" contra Presidenta da República: baixou Ato que faz com que uma pessoa seja julgada pelo mais alto Tribunal do País.

Se acolhida essa esdrúxula tese da OAB, seria uma agressão à imagem do STF, posto sob suspeição. Realmente não faz sentido.

Importante recordar que, segundo a Constituição, fatos do mandato presidencial ANTERIOR não tem qualquer relevância jurídica para o ATUAL.

Nada está perdido: é possível barrar o golpe no voto, nas redes e nas ruas

Guerra psicológica em curso: mesmo com Temer, oposição hoje não tem votos para dar o golpe
Não está escrito nas estrelas, nem na tela da Globo, que o golpe paulista vai vingar. Com ou sem PMDB, golpe pode ser barrado: nas redes, nas ruas, no STF e na ação miúda do governo.

por Rodrigo Vianna

Hoje (terça-feira, 29 de março) é dia de guerra psicológica. E essa guerra vai-se estender por semanas. Por isso, muita calma nessa hora.

Entidades empresariais (as mesmas que apoiaram o golpe de 64) pagam anúncios gigantes em jornais defendendo o golpe jurídico/parlamentar contra Dilma. E o PMDB (com transmissão pela TV) anuncia rompimento formal com governo…

O objetivo de Temer/Cunha/Globo/Serra é criar uma onda, um clima de que “acabou o jogo”.

Isso é falso!

A oposição golpista, mesmo com adesão oficial do PMDB e do traidor Michel Temer, não tem 342 votos para dar o golpe. Ainda não tem. Poderá ter mais à frente? Quem sabe…

Mil conversas estão rolando: pedaços do PR, PSD e PP podem ocupar no governo os espaços abertos por Temer traíra e seus golpistas.

E atenção ao PRB: PT articula nos bastidores o apoio oficial a Crivella na disputa pela Prefeitura do Rio, além de mais espaço no ministério – o que em tese poderia garantir 24 votos do partido contra o impeachment. As conversas avançam rapidamente, e podemos ter surpresas nas próximas horas.

Claro que esse jogo é volátil. Muda a cada minuto. Faz parte do jogo desanimar o campo adversário com uma onda de “agora já era”.

Com pedaços do PR/PP/PSD, o governo poderia sim reunir tranquilamente 30 votos na Câmara (principalmente nas bancadas do Norte/Nordeste). Contaria, ainda,  com ao menos 10 dissidentes do PMDB (nem todos os ministros entregarão cargos, alguns têm capacidade de reunir pequenas “bancadas” avulsas). E mais a articulação com o PRB.

Reparem: isso poderia garantir em torno de 65 votos. Seriam suficientes para (somados aos 110 votos da bancada de esquerda, firmemente contra o golpe na Câmara) barrar o impeachment.

Reparem também que, desses 65 votos de centro-direita que o governo precisa garantir nos próximos dias, nem todos precisam ir a plenário e votar “não” ao impeachment. Basta que se abstenham. 

Fora isso, há reação nas ruas: a OAB golpista foi escorraçada na Câmara, um acampamento contra o golpe foi montado em São Paulo, e o dia 31 vem aí com marchas em Brasília e acampamentos contra o golpe Brasil afora.

E lembro a ação do jornalista Juca Kfouri, que sozinho pôs pra correr arruaceiros fascistas que o incomodavam de madrugada, em frente de casa – o que indica o caminho da indignação cívica e democrática contra o golpe, para além de qualquer defesa do PT.

Isso tudo quer dizer que Dilma, necessariamente, fica?

Não. Quer dizer que o jogo está sendo jogado. E que a direita partidária, empresarial e midiática pretende desanimar a turma do lado de cá. Pelo que tenho visto nas ruas e nas redes, essa tentativa vai falhar.

Há cerca de 20% do país decidido a ir pra guerra contra o golpe. Se a esse pessoal o governo conseguir agregar setores centristas, mostrando que o golpe é paulista e joga contra os interesses do Norte/Nordeste, o impeachment será barrado. No voto.

Sem contar que há novidades para surgir no STF nos próximos dias. O tribunal pode ser instado a paralisar o processo de impeachment – já que o presidente da Câmara e ao menos 30 dos integrantes da comissão especial estão sob grave suspeita.

Mais que isso. Devemos ter claro que a defesa da democracia terá que se estender por muitos meses. Aconteça o que acontecer!

Se Dilma derrotar o impeachment, o país seguirá conflagrado. Mas ao menos teremos claro quem é quem. Teremos um governo sitiado, com uma base parlamentar pequena mas sólida. Temer terá ganho a pecha de traidor, de porteiro de filme de terror. E a esquerda poderá se recompor em outras bases. Na rua.

E se, ao contrário, Temer/Serra/Cunha/FIESP/Gilmar/Globo ganharem e derem o golpe, terão um governo que só se sustentará debaixo de porrada. Porque as ruas vão virar um inferno!

Portanto, não é hora de desespero, nem de euforia. O outro lado é muito forte. Mas não terá um passeio no parque pela frente.

Não está escrito nas estrelas, nem na tela da Globo, que o golpe paulista vai vingar. Com ou sem PMDB, pode ser barrado: nas redes, nas ruas e na ação miúda do governo.

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