segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O discurso legendado de Leonardo DiCaprio ao vencer o Oscar de Melhor Ator



O discurso legendado de Leonardo DiCaprio ao vencer o Oscar de Melhor Ator <3Legendado pelo incrível pessoal da United :)Curta Tudo é Incrível (Y)www.tudoeincrivel.com.br
Publicado por Tudo é Incrível em Segunda, 29 de fevereiro de 2016

Dilma continua a mesma, até prova em contrário

Wagner Iglecias
RETRANCA

Dilma desloca Zé Eduardo para a AGU, e no seu lugar coloca um procurador pouco conhecido como Ministro da Justiça. Já li criticas positivas e negativas em relação a ele. Mas no geral parece que ninguém conhece muito bem a figura. Interessante seria se ela tivesse nomeado para a pasta o Damous, o Tarso, o Ciro ou o Requião. Seria como colocar um bom camisa 10 para organizar o jogo no meio-de-campo, onde o time adversário tá deitando e rolando já faz tempo. Com esse procurador pouco conhecido que ela nomeou acho que acabou foi colocando mais um volante no time. Sei não.

Delegados da polícia federal querem manter autonomia em relação às leis do país e continuar agindo como milícia


Delegados da federal distribuíram uma nota preocupados com a saída do ministro da justiça, José Eduardo Cardozo. Alguém aí sabe me dizer o que significa "independência funcional" ou "autonomia"? Imagino que seja o direito, por exemplo, de encerrar um auto de busca e apreensão na casa do ex-presidente Fernando Collor e anunciar à imprensa que encontraram uma mala de apetrechos eróticos.
Símbolo da PF: um agente condenado em 2ª instância por crimes variados
Os Delegados da Polícia Federal receberam com extrema preocupação a notícia da iminente saída do Ministro da Justiça, José Eduardo CardoZzzo, em razões de pressões políticas para que controle os trabalhos da Polícia Federal.
Os Delegados Federais reiteram que defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal e adotarão todas as medidas para preservar a pouca, mas importante, autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou (?). 
Nesse cenário de grandes incertezas, se torna urgente a inserção da autonomia funcional e financeira da PF no texto constitucional. 
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal permanece compromissada em fortalecer a Polícia Federal como uma polícia de Estado, técnica e autônoma, livre de pressões externas ou de orientações político-partidárias. 
Contamos com o apoio do povo brasileiro para defender a Polícia Federal.

Cenários futuros em uma semana decisiva



Vamos de novo ao nosso xadrez da política.

O fator Lula

O lance mais óbvio da Lava Jato é o indiciamento e a condenação de Lula. Basta Sérgio Moro condenar e o Tribunal Federal Regional da 4a Região (TRF4) confirmar, para Lula se tornar inelegível, de acordo com a Lei da Ficha Limpa.

Poderia haver o requinte de decretação de prisão de Lula, valendo-se da recente decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de obrigar o cumprimento da pena após o julgamento em segunda instância. Mas dificilmente ocorrerá, porque significaria ungir Lula com o manto do martírio.

Há o risco, sim, da prisão preventiva, humilhação pública e, depois, a libertação. Aí, passaria a ideia da impunidade.

Se houvesse senso de responsabilidade institucional, a esta altura o Presidente do STF Ricardo Lewandowski estaria reunido com o Procurador Geral da República Rodrigo Janot, com o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Francisco Falcão, com o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, buscando maneiras de impedir essa ação de Moro, com claro viés político, em respeito a quem se tornou um símbolo mundial da paz. E para evitar conflitos populares de monta.

Mas hoje em dia tem-se um Judiciário acuado pela besta – o sentimento de manada da opinião pública e um clima em que cada qual cuida apenas do seu quintal.

O cenário provável é a quebra de sigilo e mais uma onda de vazamentos visando o desmonte final da sua imagem. E uma probabilidade menor da prisão preventiva. Em vez da inabilitação política de Lula acalmar a guerra política, ela se acirrando com o xeque final, de derrubar Dilma.

O fator Dilma

Tem-se uma economia em crise aguda, riscos concretos de default fiscal, ampliação do desemprego. Se tirar uma foto de agora, as maiores empresas nacionais -Odebrecht, Vale, Gol, Usiminas, Petrobras, CSN, Gerdau - estão tecnicamente quebradas, sem caixa para pagar as dívidas vincendas.

É evidente que não vão quebrar porque os bancos irão prorrogar os financiamentos, esperando que o cenário econômico melhore. Mas há enormes desafios pela frente e uma presidente com enormes dificuldades em administrá-los.

Tome-se o caso Sete Brasil, a tentativa de criar uma empresa que intermediasse as encomendas de navios e plataformas da Petrobras. Em vez de delegar, Dilma chamou a si o problema. Terminada a reunião, não havia definido nenhuma medida e nenhuma responsável. Apenas meses depois Ministro Nelson Barbosa entrou nas discussões e conseguiu arrumar um pouco a casa.

Tem sido assim em todas as questões relevantes.

Na recente votação do PL sobre o pré-sal, o governo tinha todas as condições para tirar o regime de urgência ou de vencer a votação final. O Ministro Ricardo Berzoini estava nessa linha até a undécima hora,

Independentemente das tentativas de golpe no circuito Moro-Gilmar, se não houver uma mudança no governo Dilma, a mãe de todas as crises, a econômica, engolirá o governo.

O fator Moro e MPF

Não se pense em uma mera conspiração, dessas que se montam na calada da noite. Movimentos dessa ordem, em um ambiente democrático, são frutos de um conjunto de circunstâncias, eventos políticos que impactam a opinião pública, e mudanças institucionais e sociais trazidas pelas novas tecnologias e pela onda de globalização que são aproveitados por alguns agentes oportunistas.

Há um conjunto de peças nessa operação Lava Jato.

Peça 1 – a intenção nítida de derrubar o governo e inviabilizar o PT.

Aí se trata de uma luta pelo poder, seca, crua, objetiva e sem limites. Essa luta garante a blindagem ampla dos aliados do Ministério Público Federal: PSDB e Aécio Neves, e Organizações Globo. O efeito-manada criado pela mídia tem impedido qualquer espécie de moderação nos abusos.

Peça 2 – um componente geopolítico cada vez mais claro.

É um processo pouquíssimo estudado até agora.

Nos últimos anos o sistema judiciário, especialmente as pernas do Ministério Público Federal e Polícia Federal, se internacionalizou através das cortes internacionais e dos acordos de cooperação.

Do lado dos direitos humanos houve um expressivo avanço civilizatório. Do lado da luta contra o crime, uma integração cada vez mais intensa com as forças de segurança internacionais. Em ambos os casos, uma aproximação cada vez maior da nata do MPF com os círculos internacionais, com os melhores quadros se habilitando a cargos nos organismos internacionais.

A premiação da equipe de procuradores da Lava Jato pela Global Investigations Review – um site que cobre investigações internacionais contra a corrupção – e da AP 470 pela Associação Internacional dos Procuradores, são dois exemplos dessa visibilidade e integração internacionais (http://migre.me/t7Nkn).

Quando Sérgio Moro sustenta que a corrupção deriva de uma economia fechada, expressa a visão ideológica que emana dessas organizações internacionais.

Com a mixórdia financeira das últimas décadas, a corrupção adquiriu tal sofisticação que só uma ação coordenada internacional para fazer frente ao crime. E aí entra o maior preparo do FBI, que passa a direcionar as investigações graças à sua maior capacidade de investigação.

A maior experiência dos EUA fez com que há tempos legalizasse um conjunto de ações corporativas visando influenciar governos ou empresas, especialmente um rigor absoluto para impedir que qualquer crime corporativo seja julgado em outra jurisdição.

Já os países emergentes, com pouca tradição de multinacionais próprias, mantêm legislações anacrônicas que, por não prever formas mais flexíveis de atuação das empresas, tendem a criminalizar qualquer coisa. E chegam ao absurdo de alimentar as ações de outros países contra empresas públicas brasileiras.

Na era Macri, o Ministério Público argentino usará contra Cristina Kirchner a mesma fórmula aplicada pelo MPF brasileiro contra Lula e Dlma. É só conferir:

1.       Governos tomam medidas que beneficiam grupos econômicos. Faz parte da própria lógica das políticas econômicas.

2.       Grupos econômicos apoiam governos, em geral todos os partidos, para ficar com um pé em cada canoa.

3.       Basta juntar uma medida de política econômica qualquer, que beneficiou determinado setor – mesmo que justificada sob a ótica do desenvolvimento ou do equilíbrio regional - e bater com alguma contribuição política do setor para o governo. É o caso dessa tentativa da Zelotes de criminalizar a MP da indústria automobilística.


Duas das preocupações nítidas da geopolítica norte-americana é o da disseminação de um populismo antiamericano na América Latina e África e da expansão das multinacionais do continente. A única potência média a emergir nas últimas décadas foi o Brasil, com suas empresas entrando na África e América Latina.

É por aí que se estrutura a cooperação do FBI, conforme pode-se conferir nos exemplos abaixo, todos municiados com informações da cooperação internacional:

1.       O fato do próprio PGR Rodrigo Janot ter comandado a ida de um grupo de procuradores aos EUA e entregado ao Departamento de Justiça elementos contra a Petrobras – uma empresa controlada pelo Estado brasileiro.

2.       A volta dos procuradores, com informações sobre a corrupção na Eletronuclear, fornecidas por uma advogada do Departamento de Justiça ligada à indústria nuclear norte-americana.

3.       As informações sobre as contas de João Santana que deram munição, em uma só tacada, contra todos os aliados políticos brasileiros nos países em que Santana coordenou campanhas eleitorais.

4.       As informações contra a Gerdau, empresa brasileira que atua em 14 países.


Mais as consequências ideológicas dessa cooperação:

1.       A tentativa de criminalização de toda forma de apoio às incursões de empresas brasileiras no exterior – de financiamento às exportações a ações diplomáticas.

2.       Em vez de investigações sigilosas, focadas nos crimes e nos culpados, o trabalho deliberado de destruir a imagem corporativa de todas as multinacionais brasileiras.


Trata-se de uma falha grave institucional – do próprio MPF e do Executivo – de não aprofundar as discussões sobre as implicações da cooperação internacional nos interesses nacionais. Aliás, a noção de interesse nacional é conceito consolidado apenas nas Forças Armadas.

Peça 3 – há tendências claramente ideológicas nesse movimento.

As pregações evangélicas dos procuradores, a visão de Deus contra os ímpios, a graça divina permitindo a limpeza final do país, o discurso evangelizador, a demonização da política e a busca do Brasil limpo, tudo isso fortaleceu o discurso de intolerância dos movimentos de ultradireita e fez a Lava Jato tomar lado.

Quem conduz as ruas são os filhotes de Jair Bolsonaro, que acabaram por conferir a cor da oposição.

Não há nenhuma ligação direta entre os filhotes de Bolsonaro e a Lava Jato, mas há toda uma relação de causalidade.

Peça 4 – Há risco claro de atentados aos direitos individuais, acelerado pela decisão do STF de permitir prisão a partir da segunda instância.

Os Ministros garantistas do STF foram evidentemente pressionados pela besta a votar contra a supressão da Terceira Instância. A intenção óbvia era garantir a prisão dos réus da Lava Jato.

Contudo, abrem uma enorme brecha nos direitos individuais, com consequências amplas em inúmeros campos.

Fiquemos no mercado de opinião.

De uns anos para cá, os blogs se tornaram o único contraponto à cartelização da notícia e das opiniões pela mídia. A maneira encontrada pelos grupos de mídia é combate-los através de ações judiciais. O STF é o único tribunal garantista que tem impedido as condenações abusivas e garantido a liberdade de expressão.

Com a obrigatoriedade de cumprir a pena antes da última instância, os grupos de mídia terão toda a liberdade de ação para sufocar financeiramente os blogs e até para conseguir a condenação criminal dos desafetos. Com a enorme influência da Globo nos tribunais cariocas, da Veja nos tribunais paulistas, seria desafio fácil.

Por outro lado, iniciativas como a do deputado Wadih Damous (PT-RJ) de criminalizar jornalistas que divulguem documentos sigilosos é tiro no pé. Será mais uma arma utilizada contra o jornalismo independente.

Seria muito eficaz uma lei que responsabilizasse diretamente os chefes de cada corporação quando demonstrassem desinteresse em coibir vazamentos, incluindo o Ministro da Justiça, o diretor geral da Polícia Federal e o Procurador Geral da República. E que impedisse a Ministros do STF e ao PGR o uso abusivo da gaveta.

O fator PSDB

A campanha delenda-Lula fornece uma blindagem natural ao PSDB. Com Lula saindo de cena, a guerra interna tornar-se-á mortal. As prévias para a candidatura do PSDB à prefeitura de São Paulo já demonstraram isso, com a profusão de dossiês de lado a lado.

Rompida a blindagem do partido, nenhum presidenciável resistiria a um mês de investigações:

1.       Aécio Neves tem contra si inquéritos engavetados pelo PGR, de lavagem de dinheiro, e o caso de Furnas. E tem a máquina de dossiês de Serra para divulga-las.

2.       José Serra tem a filha Verônica, parceira desde os tempos de recém-formada, quando recorria ao escritório Ippolio, Rivitri Duarte & Sicherle, de ex-colegas da São Francisco, para contratos de consultoria para empresas interessadas em conversar com o pai Ministro. Serra não resistiria a uma pequena cooperação internacional sobre as contas e fundos da filha no exterior. Bastaria um procurador independente analisar os negócios da Experian no Brasil.


3.  Geraldo Alckmin mantém a blindagem junto ao Ministério Público Estadual. Bastará uma investigação sobre obras públicas do estado, financiadas com recursos federais, para se tornar alvo do Ministério Público Federal.

Aliás, uma consequência lateral da enorme influência política do Ministério Público foi dada pelo próprio Alckmin. No final do ano, a queda da receita fiscal poderia deixar ao desabrigo a Justiça estadual, o Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública.Garantiu-se a Justiça e o MPE. E deixou-se ao relento a Defensoria Pública, cujo papel é dar assistência jurídica aos mais pobres.

Conclusões parciais

Tem-se um quadro claro de conspiração pela frente, na parceria Sérgio Moro-Gilmar Mendes.

O sucesso ou não do golpe dependerá da reação das instituições. E essa reação está diretamente relacionada com a capacidade do governo Dilma Rousseff em apresentar um cenário de futuro minimamente razoável.

Poucos darão a cara para bater em defesa da legalidade, se na ponta não houver um cenário futuro minimamente viável.

Ocorre que não se consegue avançar em projetos mais ousados devido ao estilo de Dilma, que inibe a proatividade de seus Ministros. E, por não saber delegar,  sua insistência em centralizar todos os problemas que exigem respostas prontas, atrasando as soluções.

Não é possível prever o que ocorrerá em caso de prisão e inabilitação de Lula. Haverá radicalização nas ruas, exigindo intervenção da polícia. Será um enorme retrocesso civilizatório, já que a imagem de Lula é o último fator a sustentar a institucionalidade democrática de movimentos sociais e grupos socialmente responsáveis. Haverá um enfraquecimento brutal das políticas sociais e de direitos humanos e um retrocesso da institucionalização da luta democrática trazendo de volta, aos movimentos mais à esquerda,  a decepção com a democracia e a busca de formas alternativas de luta política.

Jornais, um Judiciário dúbio, um governo medíocre e uma oposição desvairada criaram espaço para a argentinização da política brasileira.

Por outro lado, contribuirá para jogar o PSDB em uma luta fratricida.

O cenário ideal seria a conspiração refluindo, os tribunais superiores enquadrando os aspectos conspiratórios da Lava Jato. Criada a trégua, Dilma acordar de uma vez e mudar radicalmente seu estilo de gestão, discutindo seriamente e com profundidade medidas mais ousadas para reverter uma crise que se prenuncia fatal.

Por enquanto, há poucos juízes em Berlim, e nenhum candidato a estadista no Planalto.

Sobre o PL do deputado Wadih Damous

Do gabinete do deputado recebo as seguintes informações:

PL nunca objetivou, como explicado ao telefone, reprimir a liberdade de imprensa. Objetiva-se, contudo, que haja responsabilização por parte das autoridades competentes que, na busca por atender interesses alheios aos da boa prática jurídica, vazam conteúdos sem pesar consequências. Ao mesmo tempo, concordamos que a redação pode ser melhorada para que não paire dúvidas quanto aos atores que o PL pretende atingir.

Além de aperfeiçoar o instituto da colaboração premiada, o grande cerne também é proteger pessoas que, apesar de serem citadas durante as investigações não são investigadas e, mesmo assim, tem seus nomes distribuídos para a imprensa sem critério.

§ 18. As menções aos nomes das pessoas que não são parte ou investigadas na persecução penal deverão ser protegidas pela autoridade que colher a colaboração. ” (NR)


Nossa principal preocupação, com a proposta, é impedir que a pessoa presa possa fazer a delação em razão do caráter de voluntariedade que o instituto exige.

Cardozzzo decide deixar o ministério da Justiça; Dilma sonda Demóstenes Torres para o lugar do tucano

José Eduardo Cardozo decide deixar o ministério da Justiça

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deve deixar pasta nesta semana. Interlocutores da equipe de Dilma Rousseff dizem que ele já tomou a decisão.

Afirmam ainda que, embora a presidente preferisse que ele continuasse onde está, desta vez Cardozo, que já ameaçou pedir demissão em outras oportunidades, não deve voltar atrás.

Os dois já teriam inclusive conversado sobre a eventual demissão. Não está descartada a possibilidade de ele ser aproveitado em outro cargo.

A saída do titular da Justiça, se efetivada, ocorrerá em um dos momentos mais delicados do governo Dilma: bombardeada por denúncias que podem envolver a sua campanha eleitoral, em especial depois da prisão do marqueteiro petista João Santana, a presidente está cada vez mais isolada e distante até mesmo do PT, partido que a elegeu e ao qual é ainda filiada.

Cardozo deixa o cargo também em uma semana conturbada, em que novas delações premiadas podem ocorrer na Operação Lava Jato e em meio a rumores de que estariam sendo preparadas buscas e apreensões em propriedades ligadas ao ex-presidente Lula e a seus familiares.

Nas últimas semanas, a pressão sobre Cardozo, vinda do PT, de partidos da base do governo e de representantes de setores empresariais, chegou a limites "intoleráveis", segundo revelam amigos próximos do ministro.

Ele estaria sofrendo críticas "injustas tanto da direita quanto da esquerda".

E teria concluído que "ajuda mais saindo do governo do que permanecendo no cargo", afirma um desses interlocutores à Folha. 

Pacote do MPF retroage mais de mil anos

Lenio Streck: pacote retroage mais de mil anos
Advogado e professor, doutor em Direito e ex-procurador de Justiça

O pacote contra a corrupção que o Ministério Público Federal apresenta dá o que pensar. Por que deixaram de fora a legalização da tortura? Afinal, ela é eficiente. Os procuradores se empolgaram. Teologia juspunitiva. O "pacote" é tão cheio de inconstitucionalidades, que, muitas delas, o porteiro do Supremo Tribunal invalida. Até quando acertam propondo medidas contra o caixa 2, multa para bancos e recuperação de ativos produtos de crimes, acabam colocando parágrafos que violam direitos.

Mas meu papel, aqui, é de jurista e não de torcedor. Ninguém é a favor da corrupção, a não ser o corrupto, é claro. Um país não progride com impunidade. Mas também não progride com supressão de garantias. Ah, nos EUA é assim. Comparação falsa. Sistemas diferentes. Lá erros dão filme. Atire a primeira pedra quem, em Pindorama, não tenha sido vítima (ou não saiba) de algum erro judiciário. E na Alemanha? Não, não é assim.

O pacote propõe uma "eugenia cívica". O agente público deve se submeter a testes que apontem se é propenso a cometer crimes. Como? Já existe tal ciência? Mais: e se o "teste" for positivo, será meio idôneo de prova, ainda que o acusado a tenha produzido contra si mesmo? E será aplicado nos concursos de juiz e procurador? E na indicação de ministros? Não são agentes públicos?

O pacote retroage mais de mil anos ao restringir a possibilidade de pedido liminar em habeas corpus. Mais: o pensamento mágico — corrupção terá pena maior que homicídio. Código Penal reduzido a pó. O pacote também cria o "informante confidencial", que só vale para corrupção. E em homicídio, não?

Faltam páginas para elencar os erros. A maioria das medidas é inconstitucional. Assalto não é crime hediondo, mas a gorjeta para o guarda poderá ser. Se o pai paga dívida de filho servidor público endividado, pode ser processado porque é um terceiro enriquecendo ilicitamente o rebento. O que mais dizer? E olha que coloquei só 10% das ilicitudes propostas pelo MPF. E nem falei das provas ilícitas.

A operação Lava Jato e a disseminação do fascismo


Hoje em dia é quase proibido ser petista no Brasil. Qualquer pessoa que seja identificada como militante ou simpatizante do PT é agredida verbalmente e corre o risco de ser agredida fisicamente. As agressões verbais de que foi alvo Chico Buarque são apenas um exemplo do que vem ocorrendo com milhares de pessoas pelo país a fora. Esse clima de violência verbal e física, de linchamento, vem sendo estimulado pelo juiz Sérgio Moro, pelos procuradores da Lava Jato, por setores da Polícia Federal, por políticos como Aécio Neves, Carlos Sampaio e Ronaldo Caiado, por grupos de extrema direita que pedem a volta dos militares e por setores da mídia. Petistas e simpatizantes honestos, que não praticaram nenhum crime, são criminalizados e perseguidos por essa onda fascista que se alastra na opinião pública.

É certo que o PT, pelos seus erros e pela arrogância exclusivista de se pretender a expressão da verdade num passado recente, também contribuiu para a geração desse ambiente. A virulência com que atacou Marina Silva na campanha, por exemplo, deixou muitos ressentimentos. Mas em favor dos petistas há que se dizer que não criaram um movimento persecutório e excludente, verbal e fisicamente, de adversários como este que se vê agora.

A operação Lava Jato, de ação mais republicana da Justiça brasileira, por ter prendido ricos poderosos envolvidos com a corrupção, descamba rapidamente para uma ação persecutória a serviço de interesses partidários e econômicos. O juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato são, cada vez mais, a expressão de um paradoxo que mistura terror jacobino e reação termidoriana.

Em nome do moralismo, por um lado, agem cada vez mais como um grupo de Robespierres, deixando de lado a técnica jurídica, a imparcialidade, a prudência que se requer de suas funções e a conduta comedida. Emitem juízos e prejulgamentos em despachos, ofícios e justificativas de operações e prisões, promovendo uma verdadeira suspensão das garantias individuais e do direito à defesa, atribuindo-se um poder excepcional que fere claramente o Estado de Direito. Neste lado da coisa, é como se o juiz Moro se elevasse à condição de “presidente do Comitê de Salvação Pública”.

Robespierre à luz do dia, o juiz Moro nega esse personagem à noite e se transveste de Paul Barras que quer instaurar um governo do Diretório através de um golpe de Estado para restituir o poder às elites com o apoio da Polícia Federal. Quer liquidar toda a ameaça representada pela “revolução petista”, pela participação do povo, coisas identificadas com a corrupção.

As decisões de Moro e de seu grupo são politicamente orientadas. As operações visam provocar dano político ao PT e ao governo. Na semana passada era aniversário do PT e desencadeou-se a operação para prender João Santana logo depois deste ter-se oferecido para depor. Não foi a primeira coincidência. Entre outras, na véspera da viagem de Dilma aos Estados Unidos em 2015, divulgou-se que os ministros Edinho Silva e Aloísio Mercadante estariam envolvidos com o escândalo da Petrobrás.

Moro e os procuradores assumiram um ativismo político e moral incompatível com a imparcialidade que se espera de um juiz e do Ministério Público. Transformaram a Lava Jato numa peneira, com vazamentos calculados, seletivos e politicamente orientados, num conluio inescrupuloso com setores da mídia, com o objetivo de produzir danos políticos ao governo e ao PT e de estimular o processo de impeachment.

O caminho da violência política

A estratégia de Moro e dos procuradores consiste no seguinte: lançam-se suspeitas, desencadeia-se operações, prende-se pessoas, promove-se uma pressão psicológica visando delações, e, em muitos casos, quando a pescaria é frustrada pelos fatos,  liberta-se os presos sem maiores explicações. A síntese: primeiro acusa-se, depois buscam-se provas. Na boa técnica policial e jurídica, antes buscam-se fatos e depois acusa-se. Em muitos casos da operação Lava Jato, isto tudo está invertido.

Por tudo o que se sabe acerca do processo penal, o Ministério Público não pode ser visto nunca como parte formal do processo. A finalidade do Ministério Público não é obter a condenação, mas a de conduzir-se pela objetividade estrita dos fatos. Moro e os procuradores não só se toraram parte da operação Lava Jato, mas se alçaram à condição de juízes subjetivos  dos suspeitos emitindo condenações, antes do devido processo legal. Moro foi mais longe: tornou-se o juiz universal da corrupção no Brasil.

Se é verdade que o juiz precisa ter garantida a sua independência em face do poder político e da estrutura administrativa superior do próprio judiciário, ele está submetido também aos sistemas de impedimento e suspeições para que seja garantida a sua imparcialidade. No caso do juiz Moro, pelos juízos subjetivos emitidos e pelas decisões politicamente orientadas que vem adotando, parece evidente que ele se coloca cada vez mais na linha de suspeição de que não é imparcial. É legítimo, portanto, que se questione a sua presença no processo.

O terror moralista dos condutores da Lava Jato e seu engajamento político tem como face complementar o clima de linchamento político e de violência verbal e física que cresce e se dissemina em vários setores sociais. As pregações persecutórias dos grupos de extrema-direita a la Bolsonaro, de Aécio Neves, de Ronaldo Caiado e de Carlos Sampaio são como a infantaria de vanguarda das atitudes e condutas protofascistas que se verificam tanto em setores sociais, quanto em setores de mídia. Na mídia, os suspeitos também são previamente condenados.

As práticas fascistas se viabilizam pelas ameaças veladas ou abertas, acusações sem fundamento, afirmações infundadas, condenações subjetivas, violação ao direto de argumentar e interdição ao debate. Os xingamentos  a quem pondera as decisões dos operadores da Lava Jato, a quem cobra a imparcialidade da Justiça, a quem defende a investigação igual de todos os partidos e de todos os casos de corrupção são consequências desse movimento articulado dos operadores da Lava Jato e do sentimento de poder absoluto que eles emanam e que setores da mídia promovem. O estado de exceção que eles instauraram no processo investigatório e judicial se dissemina como direito excepcional que a mídia se dá de condenar previamente e que as pessoas se dão de agredir verbal e fisicamente os que pensam de forma diferente sobre a Lava Jato ou que simpatizem com o PT e o governo.

No século XX, os movimentos e práticas fascistas sempre se viabilizaram em confronto com a lei. A violência verbal e física, o clima de linchamento político e moral, a interpretação própria do conjunto de leis estabelecidas, a parcialidade de juízes e de agentes públicos foram práticas que visaram negar os consensos jurídicos, legitimar a ilegalidade e viabilizar a arbitrariedade e o medo. Em nome da justiça e da condenação da corrupção, caminha-se para negar a legalidade. O legado destes processos, todos sabem: é a violência política e a desmoralização do próprio judiciário enquanto instrumento da justiça e da legalidade. Parece que é isto o que querem os protofascistas incrustrados no judiciário, no Ministério Público, em setores da política, da mídia e da sociedade.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo. 

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Os melhores do Oscar 2016






Publicação de Jandira Feghali.

Golpista evanjegue Deltan Dallagnol desconhece as leis do país

Renato Janine Ribeiro

O procurador da Lava a Jato disse: ""Existem basicamente dois modos de você responder uma acusação. O primeiro modo é mostrar que aquilo que a pessoa disse é mentira e que está errado. O segundo é desacreditar e tirar a credibilidade das pessoas que te acusam. O que vários acusados têm feito diante da robustez das provas é buscar agredir o acusador, tentando tirar desse modo a credibilidade. Mas isso é criar uma espécie de teoria da conspiração." afirmou o procurador.

(Fim de citação).

Falo eu agora: não é o acusado que tem de provar que a acusação "é mentira". É o acusador que precisa provar que sua acusação procede.

Direitistas têm álibi para o próprio fracasso


O próprio fracasso agora tem álibi.

Chegamos a uma nova fase da "meritocracia" tão alardeada por toda classe de falso-moralistas como o divisor de águas entre aqueles que "fizeram por merecer" toda a riqueza e sucesso que construíram sobre pilares quase sempre duvidosos e aqueles que não passam de "desqualificados" cuja única explicação para não terem chegado ao apogeu do sucesso se encontra exclusivamente na sua incompetência.

Lobão - que todos vocês que entendem o significado de um músico minimamente decente, me perdoem por citá-lo - reclamou recentemente que o culpado por seu "show" ter sido cancelado por falta de um público realmente disposto a pagar por horas de sofrimento sonoro e visual, era tão somente a Dilma e o PT.

Depois disso, Anderson Silva, o atleta pego no teste de doping por uso de substâncias que lhe davam vantagens nas suas lutas, também encontrou os culpados pela sua seqüência de derrotas no esporte que resolveu se dedicar. Coincidentemente, Dilma e o PT. Com o acréscimo surpreendente da corrupção que ele próprio contribuiu em difundir.

Resumindo: se você é um cidadão que acumula fracassos, incapaz de executar bem o que se propôs a fazer, é menosprezado por seus colegas de trabalho, é derrotado mesmo após ficar provado que você trapaceia e encontra amparo apenas nos setores mais retrógrados e incompetentes da sociedade, não se preocupe, você pode continuar defendendo a "meritocracia". A sua bancarrota é culpa de Dilma e do PT. Só.

E por falar em músicos fracassados, Roger, o macaco de circo de Danilo Gentili, também reclamou que os caras dos Rolling Stones o trataram como lixo. Após ver o rolé que esses mesmos caras deram com os Titãs, uma coisa eu sou obrigado a reconhecer. Mick Jagger e Cia. sabem realmente como tratar os artistas como eles realmente merecem.

Máscaras e cinzas: não acontece nada com os crapulosos tucanos

Aldir Blanc

O Tríduo, cada vez mais estúpido, foi redimido pela força de Maria Bethânia. No geral, um desfile cheio de bobeiras, mas Bethânia enobrece tudo. Houve corrupção, jurados patifes, “musas” desvairadas, mulheres jacas e maracujás de gaveta explodindo botóx e idiotices. Pareciam noites de Walpurgis, nas quais bruxas de bundas encaroçadas (mulheres frutas-de-conde?), pretensas fêmeas esculpidas lembrando halterofilistas ucranianos, avacalhavam a tradição. Faz tempo não vejo tanta mulher feia. A síntese dessa miséria é a Peladona da Peruche, uma baranga socialite que rasgou a fantasia e foi atirada à margem do caminho. Ela também é considerada “musa das manifestações”, o que explica o vexame. No dia seguinte, indo pra vovó, sob o “efeito de remédios”, o sol derreteu a vampira. A verdade: uma sub-BBB, com nível intelectual abaixo de zero. Tivemos também a vaca louca racista que invadiu o Fla-Flu. Quer ter o rótulo Rosconaro no sobrenome. Em redes sociais queria que “os crioulos voltassem para a África”. Esse é o tipo de escória que está em ascensão, como aquele membro de família corrupta que atacou Chico Buarque, e depois, bêbado, lambia Ronaldo, o Fenômeno. Fico me perguntando como é possível alguém querer magoar, ferir, Taís Araújo. Quando vejo na TV essa mulher de sonho, só penso em ficar de mãos dadas, pedir colinho. Aquelas falsas musas não representam a extraordinária luta da mulher brasileira, tão bem destacada recentemente no libelo de Isabel Diegues.

Mudando de assunto, pobres refugiados sírios! Vi um barco de borracha no alto de uma onda gigante com os futuros afogados. Quando não morrem no mar, levam chutes e socos, ficam presos no arame farpado, são explodidos por jatos das democracias liberais, ou voltam a nos assombrar como os esqueletos dos campos de concentração. O Horror retornou. Com a queda de popularidade dos que pretensamente os apoiavam — mamães viraram madrastas —, os refugiados já não podem nem mais ir à Merkell de barquinho.


Falei em Fla-Flu, mas o jogo é Fla-Fla, só um time joga, dá pontapés. O resto apanha. Não acontece nada com os crapulosos tucanos. Podem roubar durante décadas nos trens de São Paulo, comprar votos, se meter em negociatas de um bilhão de dólares com refinarias argentinas e até roubar na merenda escolar. Também podem, sendo políticos drogados de alto bordo, espancar mulheres, pois não serão queimados como outros. Vai dar pizza com Samarco e a privada Vale. São frutos tucanos. Eles podem até mesmo pretextar uso político quando são comprometidos em pensões e compras de apês na Europa para filhos — ou não —, fora dos casamentos exemplares, cujas mães foram perseguidas. O sub-relator da CPÍnfima do BNDES, o tucano Alex Baldy Cheio de M quer prender o Lula. Se ele for criminoso, tudo certo, mas, em nome da decência, prendam o Azeredo, a quadrilha no Paraná, os espancadores de esposas que são candidatos à Presidência da Ré-pública.

Não tá tranquilo nem confiável, Bin Laden. Tá Samarco e ChicunCunha.

Aldir Blanc é compositor

O alvo sempre foi Lula

Leandro Fortes
NÃO PASSARÃO

O alvo sempre foi Lula.

É um trabalho interno das velhas estruturas da burguesia brasileira que se congelaram, como um vírus, depois do fim da ditadura militar.

Foi preciso mais de uma década para a construção de uma narrativa de ódio herdada do anticomunismo mais rasteiro adaptada, primeiro, ao antipetismo e, finalmente, à figura de Lula.

Lula foi o mais importante presidente brasileiro de todos os tempos, por várias razões, e os números de seus governos são, no todo, o detalhe menos relevante.

A construção da narrativa de ódio, feita pela mídia e por uma geração de jornalistas adestrados em cursinhos de trainee, foi consolidada em cima de conceitos bizarros e raciocínios absurdos.

Fruto de uma seleta alcateia de monstrinhos treinados nas redações para superar nos métodos e nos desejos os mestres que lhe sobraram, os chapas-brancas da Casa Grande premiados, dia e noite, por sua servil mediocridade.

Nessa sopa de ressentimento, veneno e ódios diversos está a base de convencimento do juiz Sérgio Moro, por mais degradante que esse quadro se apresente sob a ótica da racionalidade de qualquer ordenamento moral.

O alvo sempre foi Lula.

Mas aqueles que pretendem se lançar na aventura de prendê-lo não têm a menor ideia do monstro popular que estão prestes a despertar.

Caso isso aconteça, Moro irá reduzir nossa história ao que éramos antes de Lula: uma nação irrelevante, miserável e permanentemente de joelhos.

Como sempre foi a vontade da Casa Grande e de seus vassalos de plantão.

O alvo sempre foi Lula.

E todos nós.

A grande imprensa brasileira é porta-voz da pior bandidagem

Nilson Lage

A despeito do esforço individual de alguns profissionais brilhantes que ainda se abrigam nela e do esforço dos muitos que resistem o quanto lhes permite a necessidade de sobreviver dentro da máquina, a grande imprensa brasileira é, hoje, porta-voz da pior bandidagem.

Aderem apaixonadamente os convertidos às hostes de Satã. Os demais, que percebem, vão-se afastando.

Nela, com exceções que se contam pelos dedos, as redações são comandadas pelos mais medíocres e submissos, quando não os mais canalhas, e a ética vigente varia entre o epicurismo e o cinismo.

O espírito critico compete com o dos alto-falantes. 

Reportagens trabalhadas e honestas e artigos inteligentes são raros e logo se reproduzem insistentemente - não há tecnologia ou legislação que o impeça. A raridade não justificaria, mesmo, o investimento da leitura costumeira e atenção aos anúncios. 

Se forem medir, a eficácia desses reduziu-se bastante.

As fontes profissionais têm meios de levar seus press releases diretamente ao público - e o fazem até para proteger-se das distorções e chantagens da mídia criminal.

A mais honesta cobertura pratica-se nas editorias hortícolas, em que se cultivam abobrinhas.

A grande novidade é que agora pode-se viver, e ser bem informado sem jamais gastar um centavo com essa indústria apodrecida.

Façam como eu. Tendo militado nessa profissão a vida toda, não pago um tostão para ler os principais jornais, em papel ou online,e não me digam que não sei - ou que demoro a saber - das coisas.

É preciso recriar o jornalismo em bases não calhordas.

Gaspari: "Time da Lava Jato vestiu o uniforme para prender Lula"

Brasil 247 - "Quem conhece os movimentos da Operação Lava Jato assegura: O time vestiu o uniforme, calçou as chuteiras e quer entrar em campo para buscar a prisão de Lula", escreve o jornalista Elio Gaspari, ao iniciar sua coluna na imprensa neste domingo 28.

Para que isso ocorra, são necessárias, segundo ele, algumas condições, como a que o juiz federal Sérgio Moro aceite o pedido, a acusação tenha força suficiente para não ser derrubada no STJ e ainda passar pelo julgamento no STF.

Para Gaspari, com o 'plano Lula', "a infantaria da Lava Jato jogaria numa só mão de carta todas as fichas que acumulou ao logo de dois anos de trabalho. Ganhando, quebra a banca. Perdendo, fica sem uma perna".


DILMA TEM SUA PARCELA DE CULPA

A Polícia Federal é uma estrutura hierárquica e no topo temos um diretor nomeado pelo ministro da Justiça. Dilma deixou a PF se transformar numa milícia. Porque o quis. Da mesma forma, Dilma nomeou um pária para a Procuradoria. Porque o quis!

Lula: "Hoje, neste país, há um partido chamado Globo, um partido chamado Veja"

Em evento que celebrou os 36 anos do PT no Rio de Janeiro, ex-presidente criticou o tratamento recebido pela imprensa, lembrando ainda da mansão da família Marinho. “A Globo fala tanto de democracia e intimou os blogueiros a tirarem as notícias dos Marinho em Paraty”


Em seu discurso no evento que celebrou os 36 anos do Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro na noite deste sábado (28), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o tratamento recebido pela mídia e disse que, se julgar necessário, será candidato à presidência em 2018.

“Eles pensam que vão me tirar da luta. Se quiserem me derrubar, vão ter que me enfrentar na rua. (…) Podem estar certos de uma coisa, se for necessário eu estarei com 72 anos, com tesão de 30, para ser candidato”, disse.

Lula dedicou parte do seu discurso para criticar o comportamento da mídia tradicional. “A gente não tem hoje um grande partido de oposição. Nós temos um partido chamado Globo, um partido chamado Veja, chamado outros jornais, que é quem de verdade lidera a oposição no país. E é preciso que essas pessoas saibam de uma coisa dita por nós, olhando pra nossa cara. Se eles quiserem voltar ao poder, vão ter que aprender a ser democráticos, a disputar eleições e a acatar o resultado. Fazer sacanagem nós não aceitamos. Tentar dar golpe, não vão dar”, disse.

O ex-presidente voltou a negar que seja o dono do apartamento no Guarujá e do sítio em Atibaia. O último, segundo ele, foi comprado por seu amigo Jacó Bittar para que sua família o utilizasse quando deixasse a presidência. “Não imaginava que uma parte do MP era subordinado a uma parte da imprensa”, ironizou.

Lula ainda lembrou da mansão da família Marinho e questionou a postura da emissora de notificar blogueiros para que tirem do ar as reportagens sobre o tema. “A Globo fala tanto de democracia e intimou os blogueiros a tirarem as notícias dos Marinho em Paraty.”

No ato, o ex-presidente ainda conclamou o partido a se unir em defesa do governo federal.  “Por mais que tenha discordância em alguma coisa, a Dilma tem que ter certeza de que o lado dela é esse. Ela precisa de nós para poder sobreviver aos ataques que ela vem sofrendo no Congresso Nacional pelos nossos adversários”, falou.

A faísca

Fernando Morais

É espantoso o poder que uma multidão emocionada exerce sobre um orador. Não é a primeira vez que testemunho isso, claro (assisti a vários comícios das diretas e já vi Fidel falar para um milhão de pessoas na praça da revolução). Mas é sempre impressionante ver o efeito da energia exalada pela massa sobre quem está com o microfone na mão.

Lula falou em público duas vezes no Rio, neste fim de semana. Na sexta, para um grupo de intelectuais, artistas e acadêmicos, em um bem comportado salão no centro da cidade. Eram umas duzentas pessoas, instaladas em cadeiras, diante das quais o ex-presidente falou durante quarenta minutos, de pé, andando de um lado para o outro. Lá estavam, entre muitos nomes, o dramaturgo Aderbal Freire Filho, o grande sociólogo Teotônio dos Santos, o cineasta Luís Carlos Barreto e o músico e ativista Tico Santa Cruz. a certa altura, Lula disse o seguinte:

- O partido tem uma nova geração de militantes qualificados para ocupar os mais altos cargos, e eu estimulo isso. Mas se acharmos que nosso projeto de nação está ameaçado, e se for preciso, serei candidato em 2018.

Um dia depois, neste sábado à noite, lula topou com uma massa de militantes do PT vindos de todo o Brasil para a festa dos 36 anos do partido, comemorada num lugar lindo do Rio de Janeiro, chamado “Armazém da utopia” (acho que é uma antiga fábrica restaurada). O astral do público era altíssimo. O momento alto do seu discurso foi quando ele repetiu a promessa da noite anterior, mas não em linguagem bem comportada e professoral, como na sexta:

- Em 2018 eu terei 72 anos! mas vou estar com tesão de 30 anos para disputar a presidência da república!

A turbamulta entrou em êxtase. Como diria Nelson Rodrigues, o povo tinha arrancos de cachorro atropelado.

Nada como uma boa injeção de adrenalina na veia, aplicada pelo povão.

O caminho e o desastre, por Janio de Freitas

Janio de Freitas

O Brasil experimentou uma democracia frustradamente reformista, passou por golpe de estado, sofreu a tragédia da ditadura militar, voltou à democracia caótica, e chegou. Chegou outra vez aos primeiros anos da década de 1950. O golpismo, o "entreguismo" ameaçador e a "república do Galeão" foram os estigmas daqueles anos. O golpismo volta no estilo PSDB; acompanha-o o "entreguismo" apontado na retirada de pré-sal da Petrobras, aprovada pelo Senado; e a versão civil da "república do Galeão", sob o nome insignificante de Lava Jato, evidenciam juntos o estágio em que o Brasil de fato está.

Mas, se é desculpável a imodéstia de quem se aproximava da vida de adulto naquela década, o pequeno Brasil que não era então menos discriminatório e menos elitista, no entanto era mais inteligente, culto e criativo, menos incivilizado em suas cidades e muito, muito menos criminal.

O mundo se mediocriza, é verdade. A França o prova e simboliza. Mas o Brasil exagera, iludido por uns poucos e duvidosos avanços econômicos. Como a indústria automobilística, por exemplo, que sufocou os transportes públicos e deformou as cidades, dois efeitos antissociais no sentido menos classista da palavra. A degenerescência entra, porém, em fase nova. E acelerada.

São já os esteios do esboço de democracia a sofrerem investidas corrosivas. Ainda que sob outras formas, são prenúncios de repetição, se não contidos em tempo, dos desdobramentos lógicos que períodos como os anos 50 produzem, historicamente.

É melhor, e é urgente, que se comece a forçar o Congresso a ser menos infiel às suas finalidades institucionais e mais responsável com suas funções, seja em apoio ou oposição ao governo. Muitos poucos estão ali, em especial entre os deputados, para serem parlamentares. Dividem o seu tempo entre ser massa de manobra de interesses alheios e agir por interesses subalternos próprios. Uns e outros cada vez mais contrários à instituição e à democracia pretendida pela maioria do país.

A ministra Cármen Lúcia foi muito aplaudida pela invocação, em seu literário voto por liberdade biográfica, ao bordão "cala a boca já morreu". Ninguém observou que o complemento foi omitido: "quem manda aqui sou eu". O bordão é, na verdade, de extremo autoritarismo. Amputá-lo valeu como definição pessoal.

Mas não é o meio bordão, é o autêntico, realista, que os fatos já justificam: partes do Judiciário e do Ministério Público agem como se respondessem aos direitos civis (e por tabela a quem os defenda): cala a boca já morreu, quem manda aqui sou eu. E mandam mesmo, pela reiteração e pela indiferença, porque as instâncias com autoridade e meios de corrigir as deformações não o fazem, acomodadas no seu próprio poder ou intimidadas pela parcela da sociedade adepta do bordão. E os direitos e a Justiça se esvaem.

Crises políticas não se agravam sem imprensa. Crises econômicas expandem-se menos e menos depressa sem imprensa. Hoje em dia a imprensa brasileira pratica uma solidariedade de modos com as deformações no Congresso, no Ministério Público e no Judiciário. Assola-a nova onda de relaxamento dos princípios éticos, para não falar em qualidade jornalística. E cresce a cada dia uma grande dívida de autocrítica, para relembrar as responsabilidades dos jornalistas profissionais. Com medo da internet, a imprensa brasileira foge de si mesma.

O Brasil não é bem-vindo aos anos 1950.

Discurso do Lula


Discurso do Lula
Discurso do #Lula. #PT36anosVia NINJA
Publicado por Juventude Decidida em Sábado, 27 de fevereiro de 2016



"Digo que não é meu, a empresa diz que não é meu, mas um cidadão que obedece à Globo … e a rede globo diz que o triplex é meu . Quero saber quem é que vai me dar esse maldito apartamento !

"Como Deus escreve certo por linhas tortas, inventaram uma offshore no Panamá – offshore, não sei o que é isso, deve ser coisa para enganar pobre.

"Disseram que a empresa veio do Panamá para ser dona do meu apartamento e é dona do triplex da Globo em Paraty é dona do helicóptero (da Globo). E a Globo notificou os blogueiros pra tirar o nome da Globo.

"Então vamos notificar a Globo para tirar o nome do PT como ela usa todo dia."

MPF tornou-se um partido político de direita

Fascismo "republicano" 
Democracia vs empoderamento de Instituições "republicanas"

Não há mais como negar que o MPF se tornou um partido político a serviço da oposição que, ao invés de combater a corrupção, faz enfrentamento político e nada mais

Por José Carlos Lima

Voltando um pouco atrás no tempo, é possível observar que nos últimos 12 anos Instituições foram empoderadas, seja do ponto de recursos humanos como materiais, concursos foram abertos, salários aumentados. Em GO, e com certeza no restante do pais, há alguns anos atrás o MPF era instalado em cortiços alugados, sendo que hoje funciona nm prédio suntuoso, o qual se destaca na paisagem do Jardim Goiás, setor nobre da Capital. Com isso só estou dizendo que o governo do PT empoderou Instituições como MPF e PF, dando-lhes autonomia e suporte financeiro e estrutura material para exercer suas funções, isso é fato. O que é o MPF hoje senão uma Instituição controlada pela Globo e oposição.

Por outro lado temos um povo que, ao contrário das Instituições, não foi empoderado do ponto de vista do conhecimento sobre o mundo e a realidade que os cerca e hoje vemos um exército de midiotas repetindo o mantra dos meios de comunicação oposicionistas e o povo, sem saber, ajuda a cavar sua própria sepultura e não será capaz de manter as suas conquistas, muito pelo contrário, ajudará a sepultá-las, compreendido também, como povo, uma classe média que se julga informada só porque lê Veja e assiste ao JN. Desta forma, a elite zelote de Pindorama deita e rola.

Também pudera, a escravidão acabou dias atrás, o Brasil foi o último pais a aceitá-la, está no DNA da elite deste pais não empoderar o povo e, como sabemos, nestes últimos 12 anos, esse empoderamento do povo não aconteceu, sim, tiveram acesso a muitas coisas mas nem tanto ao conhecimento que lhe permitisse fazer uma leitura correta sobre o que está ocorrendo ao invés de repetirem o que diz a globo, mas temos uma parcela consciente da sociedade, sempre tivemos, mesmo na escravidão, o povo nunca pegou em armas para enfrentar essa burguesia  sovina, hipócrita, nababesca e prá lá de burra, pior que a do Congo e Haiti, quem sabe dessa vez o povo consiga organizar-se para enfrentar de forma adequada seus verdadeiros algozes.

Objetivos políticos da Lava Jato são claros, diz Patrus Ananias


Em entrevista ao 247, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, aponta os excessos e distorções da Operação Lava Jato e fala de sua preocupação com o conjunto de ameaças reais ao Estado Democrático de Direito que vem se ampliando.

Em nome do combate à corrupção, diz ele, a cruzada moralista, que tem objetivos políticos claros, vem quebrando importantes garantias constitucionais, como o devido processo legal e a presunção da inocência.

Na pasta que ocupa desde o ano passado, ele persegue duas prioridades: uma, avançar na reforma agrária, aumentando o número de famílias assentadas. "Pessoas não foram feitas para viver debaixo de lona", diz ele, reconhecendo que em seus governos, o PT não fez tudo o que precisava ser feita nesta área.

Sua outra prioridade é fortalecer a agricultura familiar, através do crédito, da assistência técnica e de garantias de acesso ao mercado, inclusive através de compras e preços garantidos pelo governo.

Hoje, o governo já é obrigado a comprar da pequena agricultura pelo menos 30% dos alimentos que adquire. Patrus vem se batendo para ampliar esta percentual e também para recuperar as verbas do ministério, que este ano sofreram um corte de 50% no orçamento.

A entrevista:

247 – Como o senhor vê o atual estágio da crise política?

Patrus Ananias – Tenho percebido em todas as pessoas, razoáveis e preocupadas com os destinos do país, uma grande apreensão com o quadro político. Todas se perguntam: onde vai dar tudo isso? Até quando o país aguenta? Uma fonte de preocupação é com o crescente grau de intolerância e sectarismo, que compromete o pluralismo, a convivência entre diferentes formas de pensar e diferentes posições políticas. Este ódio ao outro, esta divisão que se aprofunda, tudo isso representa uma ameaça à própria democracia. Uma outra preocupação é com a forma, a meu ver equivocada, com que o problema da corrupção está sendo enfrentado. Os valores éticos e republicanos precisam ser fortalecidos, mas a questão da corrupção deve precisa ser discutida e combatida com uma perspectiva mais ampla, histórica e cultural, revisitando o patrimonialismo que sempre marcou as relações entre as elites e o Estado no Brasil. Um debate fulanizado e estas ações claramente direcionadas para um partido, como acontece agora em relação ao PT pela Lava Jato, não resolverá nada. Além de unir, precisamos atualizar nosso sistema político, criando regras para moralizar o financiamento de campanhas e a relação entre partidos, políticos e empresas. Isso é tão ou mais importante que prender e condenar pessoas, mas não se está cuidando disso.

247 – E por que, apesar destas limitações e dos excessos, a Lava Jato tornou-se intocável?

Patrus – A Lava Jato ninguém questiona temendo ser acusado de conivência com a corrupção, e esta é outra decorrência do sectarismo e da intolerância. Mas hoje está muito claro aonde querem chegar toda esta cruzada moralista.

247 – Ao impeachment da presidente...

Patrus – Existem os objetivos políticos, que são muito claros, mas a condução destes processos judiciais tem representado também uma ameaça à democracia. Tem faltado respeito ao devido processo legal, ao direito ao contraditório, à ampla defesa, à presunção da inocência até prova em contrário. Tudo isso é muito perigoso e não podemos aceitar passivamente. Aplica-se na esfera judicial e também na política, como por exemplo ao caso do senador Delcídio Amaral, que não pode ser cassado pelo Senado enquanto não for julgado e estiverem esgotadas todas as possibilidades de recurso.

247 – E existem as prisões preventivas prolongadas para forçar delações premiadas, muito criticadas pela comunidade jurídica...

Patrus – Forçar delação premiada é um procedimento muito questionável, do ponto de vista moral e jurídico. Primeiro porque este não é ainda um instrumento universalmente aceito pelo mundo jurídico, pelas as cortes e pelas constituições. No Brasil, é muito recente a lei que introduziu este mecanismo, já no primeiro governo Dilma. Há algo de inquisitorial nesta prática de subjugar o preso com a privação da liberdade, sem que esteja condenado, mediante alegações como risco de fuga, para forçá-lo a delatar. Sem falar no fato de que alguns criminosos vêm sendo premiados não só com a redução de penas, mas com o direito de ficar com parte do patrimônio acumulado durante o período em que cometeram ilícitos. E ainda há os vazamentos seletivos, destinados a atingir alvos políticos também selecionados. Do modo como as coisas estão sendo conduzidas, um criminoso que faz delação premiada acaba conquistando o papel de juiz. Conquista o direito de condenar pela simples menção ao nome de uma pessoa. A toda hora lemos e ouvimos dizer: "fulano de tal, mencionado na delação premiada de beltrano". Mencionado, está condenado pela opinião pública. Então, a meu ver, são muitas as distorções neste modo de combater a corrupção e ministrar justiça. Os democratas, e principalmente os que viveram e sofreram o autoritarismo, não podem se calar diante destas ameaças ao Estado Democrático de Direito.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

MP faz jogo da imprensa, diz Lula

Brasil 247

Em um duro discurso contra os órgãos de investigação e o comportamento da mídia, o ex-presidente Lula afirmou, durante a festa de aniversário que comemorou os 36 anos do PT, no Rio de Janeiro, que "não imaginava", depois de vivermos o período da ditadura, "ver um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, fazendo o jogo da Veja"; "Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal", atacou Lula.

Lula negou ser dono do sítio em Atibaia (SP), que é alvo de investigação em duas frentes - da Operação Lava Jato e do Ministério Público de São Paulo -, e de um apartamento no Guarujá, litoral paulista. "Eu ando acabrunhado – de saco cheio – com o comportamento dos nossos inimigos, da nossa imprensa. Eu não imaginava ver um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, da Veja", desabafou.

"Eu sou acusado de ter um triplex do Minha Casa, Minha Vida, porque é um triplex de 200 m²", brincou. "Eu quero saber como vai ficar essa história. Porque eu disse que não tenho, a imprensa diz que eu tenho. E um cidadão do Ministério Público segue ipsis litteris o que diz o Globo", completou, em referência ao promotor Cássio Conserino, alvo de ação do PT no Conselho Nacional do Ministério Público e autor de investigação sobre o triplex e o sítio.

"Agora, como Deus escreve certo por linhas tortas, inventaram uma empresa no Panamá, uma tal de offshore. Eu nem sei o que é isso. Isso deve ser coisa para enganar pobre. Disseram que uma empresa offshore era dona do tal meu apartamento, e o que aconteceu? Ela era na verdade dona do triplex em Paraty e do helicóptero da Globo", disparou Lula. "E a Globo, que fala tanto em democracia, intimou todos os blogueiros a não falar mais nessa história", lembrou.

Sobre o sítio, Lula declarou: "Todo mundo aqui conhece o Jacó Bittar, meu companheiro. Ele inventou de comprar uma chácara, fez uma surpresa para mim. Jacó e meus companheiros quiseram comprar a chácara para me fazer surpresa. Quando terminarem esses processos, eles vão ter que me dar um apartamento e uma chácara. Estão todos os dias tentando levar a um desgaste moral".

O ex-presidente também citou uma denúncia publicada no Blog da Cidadania, de que a nova fase da Lava Jato, que deverá ser deflagrada na próxima segunda ou terça-feira, terá ele e sua família como alvo. "Eu recebi uma informação de que a partir de segunda-feira vão quebrar meu sigilo fiscal, telefônico, do meu filho, da Marisa. Eu só quero que depois que isso acabar, eles me deem um atestado de idoneidade porque eu duvido que tenha algum deles mais honesto do que eu".

"Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal", atacou Lula. "E um país nunca vai ser sério se um ministro do STF, do STJ, do TCU ficar com medo da opinião pública. Hoje, primeiro a imprensa condena. Não dá para primeiro a Globo saber da notícia para depois o advogado saber", protestou.

Sobre as eleições de 2018, Lula voltou a dizer que não é candidato, mas que "se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto [do PT] corre risco, eu quero dizer em alto e bom som: eu estarei com 73 anos e com tesão de 30 para ser candidato a presidente da República".

O ponto de reconhecimento da ameaça

Epa

Luis Fernando Verissimo

Às vezes imagino como seria ser um judeu na Alemanha dos anos 20 e 30 do século passado, pressentindo que algo que ameaçava sua paz e sua vida estava se formando mas sem saber exatamente o quê

No filme “2001 — Uma odisseia no espaço”, do Stanley Kubrick, astronautas descobrem na Lua (ou era em Marte?) um misterioso monólito, de origem desconhecida. Depois fica-se sabendo que o monólito fora posto ali como uma espécie de alarme. Quando exploradores da Terra o descobrissem, seria o sinal de que nossa civilização tinha os meios para invadir o espaço e se tornava uma ameaça para as civilizações extraterrenas que nos estudavam de longe desde que o primeiro primata acertara a primeira cacetada na cabeça de outro, e sabiam do que nós éramos capazes. A descoberta do monólito era um aviso: atenção, a barbárie vem aí, disfarçada de conquista científica.

Às vezes imagino como seria ser um judeu na Alemanha dos anos vinte e trinta do século passado, pressentindo que alguma coisa que ameaçava sua paz e sua vida estava se formando mas sem saber exatamente o quê. Este judeu hipotético teria experimentado preconceito e discriminação na sua vida, mas não mais do que era comum na história dos judeus. Podia se sentir como um cidadão alemão, seguro dos seus direitos, e nem imaginar que em breve perderia seus direitos e eventualmente sua vida só por ser judeu. Em que ponto, para ele, o inimaginável se tornaria imaginável? E a pregação nacionalista e as primeiras manifestações fascistas deixariam de ser um distúrbio passageiro na paisagem política do que era, afinal, uma sociedade em crise mas com uma forte tradição liberal, e se tornaria uma ameaça real? O ponto de reconhecimento da ameaça não era evidente como o monólito do Kubrick. Muitos não o reconheceram e morreram pela sua desatenção à barbárie que chegava.

A preocupação em reconhecer o ponto pode levar a paralelos exagerados, até beirando o ridículo. Mas não algo difuso e ominoso se aproximando nos céus do Brasil, à espera que alguém se dê conta e diga “Epa” para detê-lo? Precisamos urgentemente de um “Epa” para acabar com esse clima. Pessoas trocando insultos nas redes sociais, autoridades e ex-autoridades sendo ofendidas em lugares públicos, uma pregação francamente golpista envolvendo gente que você nunca esperaria, uma discussão aberta dentro do sistema jurídico do país sobre limites constitucionais do poder dos juízes... Epa, pessoal.

Se está faltando um monólito para nos avisar quando chegamos ao ponto de reconhecimento irreversível, proponho um: o momento da posse do Eduardo Cunha na presidência da nação, depois do afastamento da Dilma e do Temer.



Web Analytics