domingo, 31 de janeiro de 2016

O sono da memória

O sono da razão cria monstros

Luis Fernando Verissimo

Não há problema em publicar o “Mein Kampf” do Hitler, cujos direitos de edição recém caíram em domínio público. O livro interessa a historiadores e estudiosos da psicologia de massa e a qualquer pessoa curiosa sobre o poder das suas ideias, um poder capaz de galvanizar uma nação e mudar radicalmente a sua história. Eu só acho que as novas edições de “Mein Kampf” deveriam vir com um DVD encartado, com cenas dos cadáveres empilhados e dos moribundos esquálidos descobertos em Auschwitz e outros campos de extermínio, no fim da Segunda Guerra Mundial. Cenas terríveis dos esqueletos das cidades bombardeadas e dos milhares de refugiados tentando sobreviver em meio aos escombros, enquanto o mundo ficava sabendo, nos julgamentos dos criminosos, das barbaridades cometidas em concordância com a Kampf do Hitler. Assim, o comprador do livro teria o nazismo como teoria e o nazismo na prática. As ideias e suas consequências.

Seria bom se as ideias viessem sempre acompanhadas de suas consequências. As pessoas pensariam melhor no que dizem e pregam, para não terem remorso depois. Já se disse que muitas barbaridades teriam sido evitadas no mundo se existisse algo parecido com o remorso antes do fato, uma espécie de remorso preventivo. Não se imagina o próprio Hitler se arrependendo das suas teses e, diante dos horrores que elas desencadearam, dizendo “Ei, pessoal, não era nada disso!”. Está claro que no cerne patológico da pregação de Hitler há uma volúpia de destruição, um desejo secreto de caos que tem tanto a ver com o romantismo alemão quanto com a geopolítica da época. Mas outros não têm o mesmo motivo para desprezarem as consequências. Ou para esquecerem-se delas.

Naquela famosa legenda de uma gravura do Goya está escrito que o sono da razão cria monstros. Pior que o sono da razão, Goya, é o sono da memória. As pessoas que hoje defendem a volta da ditadura militar no Brasil esqueceram-se de como foi. Esqueceram-se das prisões arbitrárias, das torturas, do terror e dos assassinatos de Estado, da censura, do número de estrelas nos ombros como única credencial para governar. Se não lhes falta memória, lhes falta razão. Ou miolos.

O Jair Bolsonaro, principal proponente da volta à ditadura, é o deputado mais votado do Rio. Tem uma multidão de apoiadores. E tem mais do que isso: na recente mudança no Comando Militar do Sul, Bolsonaro foi um convidado especial do novo comandante para a cerimônia de posse. Não se sabe se o comandante também é um nostálgico como ele. De qualquer maneira, tenho tido longas conversas com a minha paranoia, tentando acalmá-la.

O país dos elegantes

Flávio de Castro, professor de arquitetura da UNIFEMM

"Eu confesso que não sei a verdade: não sei se Lula é ou não dono de um triplex no Guarujá como não sei se FHC é ou não dono de um apartamento na Avenue Foch, em Paris.

Sei apenas que a presunção de ser dono de um triplex no Guarujá é inequivocamente associada à corrupção e a presunção de ser dono de um apartamento em Paris não tem nada a ver, obviamente, com corrupção.

Especialmente se o apê do Guarujá for um tanto novo-rico e o apê de Paris, um tanto elegante.
A questão é estética.

Lula carregando uma caixa de isopor e sendo dono de um barco de lata é uma cômica farofa. Se FHC carregasse uma caixa de isopor e fosse dono de um barco de lata seria uma concessão à humildade.

A questão é classista.

Um Odebrecht sentado à mesa com FHC é um empresário rico. O mesmo Odebrecht sentado à mesa com Lula é um pagador de propina.

Nada disso tem a ver com corrupção. Nada disso revela qualquer preocupação com o país.

A cada dia que passa, é mais evidente que o que está em discussão é quem são os verdadeiros donos do poder.

E os donos legítimos do poder são os elegantes. Aqueles com relação aos quais não interessa saber como amealharam riqueza porque, simplesmente, a riqueza lhes cai bem.

A casa grande tem um perfume que inebria toda a lavoura arcaica e sensibiliza até a senzala. É o que estamos assistindo.

Tudo o mais, tudo o que não é casa grande é Lula e os amigos de Lula!

A questão é preconceito.

Vejam como um fraque cai naturalmente bem em FHC. Um fraque assim em Lula, certamente, deveria ter sido roubado.

O Brasil é o país dos elegantes. De uma elegância classista, racista e preconceituosa deitada eternamente no berço esplêndido do aristocrático século XIX.

Documentos de Lula expõem ao ridículo imprensa facciosa e agentes públicos partidarizados

Importador de maconha sintética e pentedrona http://goo.gl/O2rKBL
Com documentos, Lula desmonta farsa do triplex


Por meio do Instituto Lula, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de publicar um dossiê completo em que disponibiliza todos os documentos referentes ao famoso "triplex" do Guarujá.

Lula publica seus contratos com a Bancoop, sua declaração de Imposto de Renda, a declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral e os contratos que compravam a desistência da ex-primeira-dama Marisa Letícia em continuar com o imóvel.

"A mesquinhez dessa 'denúncia', que restará sepultada nos autos e perante a História, é o final inglório da maior campanha de perseguição que já se fez a um líder político neste País", diz a nota do Instituto Lula. "Sem ideias, sem propostas, sem rumo, a oposição acabou no Guarujá. Na mesma praia se expõem ao ridículo uma imprensa facciosa e seus agentes públicos partidarizados".

Confira a íntegra:

Os documentos do Guarujá: desmontando a farsa


Como os adversários de Lula e sua imprensa tentam criar um escândalo a partir de invencionices. Entenda, passo a passo, mais uma armação contra o ex-presidente.

Abril de 2005

Marisa Letícia Lula da Silva assina o “Termo de Adesão e Compromisso de Participação” com a Bancoop – Habitacional dos Bancários de São Paulo.

A cláusula 1a. do Termo de Adesão diz: “O objetivo da Bancoop é proporcionar a seus associados a aquisição de unidades habitacionais pelo sistema de autofinanciamento, a preço de custo”.

O que isso significa?

Que Marisa Letícia tornou-se associada à Bancoop e adquiriu uma cota-parte para a implantação do empreendimento então denominado Mar Cantábrico, na praia de Astúrias,  em Guarujá, balneário de classe média no litoral de São Paulo.

Como fez para cada associado, a Bancoop reservou previamente uma unidade do futuro edifício. No caso, o apartamento 141, uma unidade padrão, com três dormitórios (um com banheiro) e área privativa de 82,5 metros quadrados.

Maio de 2005 a setembro de 2009

Marisa Letícia paga a entrada de R$ 20 mil, as prestações mensais e intermediárias do carnê da Bancoop, até setembro de 2009. Naquela altura, a Bancoop passava por uma crise financeira e estava transferindo vários de seus projetos a empresas incorporadoras, entre as quais, a OAS.

Quando o empreendimento Mar Cantábrico foi incorporado pela OAS e passou a se chamar Solaris, os pagamentos foram suspensos, porque Marisa Letícia deixou de receber boletos da Bancoop e não aderiu ao contrato com a nova incorporadora.

O que isso significa?

1)  Que a família do ex-presidente investiu R$ 179.650,80 na aquisição de uma cota da Bancoop. Em setembro de 2009, este investimento, corrigido, era equivalente a R$ 209.119,73. Em valores de hoje, R$ 286.479,32. Portanto, a família do ex-presidente pagou dinheiro e não recebeu dinheiro da Bancoop.

2)  Que, mesmo não tendo aderido ao novo contrato com a incorporadora OAS, a família manteve o direito de solicitar a qualquer tempo o resgate da cota de participação na Bancoop e no empreendimento.

3)  Que, não havendo adesão ao novo contrato, no prazo estipulado pela assembleia de condôminos (até outubro de 2009), deixou de valer a reserva da unidade 141 (vendida mais tarde pela empresa a outra pessoa, conforme certidão no registro de imóveis).

Março de 2006 a março de 2015

Na condição de cônjuge em comunhão de bens, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ao Imposto de Renda regularmente a cota-parte do empreendimento adquirida por sua esposa Marisa Letícia, de acordo com os valores de pagamento acumulados a cada ano.

A cota-parte também consta da declaração de bens de Lula como candidato à reeleição, registrada no TSE em 2006, que é um documento público e já foi divulgado pela imprensa.

O que isso significa?

Que o ex-presidente jamais ocultou seu único e verdadeiro patrimônio no Guarujá: a cota-parte da Bancoop.


2014-2015

Um ano depois de concluída a obra do Edifício Solaris, o ex-presidente Lula e Marisa Letícia, visitam, junto com o então presidente da empresa incorporadora OAS, Léo Pinheiro, uma unidade disponível para venda no condomínio.

Era o apartamento tríplex 164-A, com 215 metros de área privativa: dois pavimentos de 82,5 metros quadrados e um de 50 metros quadrados. Por ser unidade não vendida, o 164-A estava (e está) registrado em nome da OAS Empreendimentos S.A, matrícula 104.801 do cartório de imóveis de Guarujá. 

Lula e Marisa avaliaram que o imóvel não se adequava às necessidades e características da família, nas condições em que se encontrava.

Foi a única ocasião em que o ex-presidente Lula esteve no local.

Marisa Letícia e seu filho Fábio Luís Lula da Silva voltaram ao apartamento, quando este estava em obras. Em nenhum momento Lula ou seus familiares utilizaram o apartamento para qualquer finalidade.

A partir de dezembro de 2014, o apartamento do Guarujá tornou-se objeto de uma série de notícias na imprensa, a maior parte delas atribuindo informações a vizinhos ou funcionários do prédio, nem sempre identificados, além de boatos e ilações visando a associar Lula às investigações sobre a Bancoop no âmbito do Ministério Público de São Paulo.

Durante esse período, além de esclarecer que Marisa Letícia era dona apenas de uma cota da Bancoop, a Assessoria de Imprensa do Instituto Lula sempre  informou aos jornalistas que a família estava avaliando se iria ou não comprar o imóvel.

As falsas notícias chegam ao auge em 12 de agosto de 2015, quando O Globo, mesmo corretamente informado pela Assessoria do Instituto Lula, insiste em atribuir ao ex-presidente a propriedade do apartamento. Em evidente má-fé sensacionalista, O Globo chamou o prédio de Edifício Lula na primeira página de 13 de agosto.

O jornal mentiu ao fazer uma falsa associação entre investimentos do doleiro Alberto Youssef numa corretora de valores e o contrato da OAS com o agente fiduciário do projeto Solaris, com a deliberada intenção de ligar o nome de Lula às investigações da Lava Jato. O editor-chefe do jornal e os repórteres que assinam a reportagem estão sendo processados por Lula em grau de recurso. (http://www.institutolula.org/lula-entra-com-acao-contra-o-globo-por-conta-de-mentiras-sobre-triplex-no-guaruja)

 26 de novembro de 2015

Marisa Letícia Lula da Silva assina o “Termo de Declaração, Compromisso e Requerimento de Demissão do Quadro de Sócios da Seccional Mar Cantábrico da Bancoop”.

Como se trata de um formulário padrão, criado na ocasião em que os associados foram chamados a optar entre requerer a cota ou aderir ao contrato com a OAS (setembro e outubro de 2009), ao final do documento consta o ano de 2009.

A decisão de não comprar o imóvel e pedir o resgate da cota já havia sido divulgada pela Assessoria de Imprensa do Instituto Lula, em mensagem à Folha de S. Paulo, no dia 6 de novembro.

O que isso significa?

Que a família do ex-presidente Lula solicitou à Bancoop a devolução do dinheiro aplicado na compra da cota-parte do empreendimento, em 36 parcelas, com um desconto de 10% do valor apurado, nas mesmas condições de todos os associados que não aderiram ao contrato com a OAS em 2009.

A devolução do dinheiro aplicado ainda não começou a ser feita.

Por que a família desistiu de comprar o apartamento?

Porque, mesmo tendo sido realizadas reformas e modificações no imóvel (que naturalmente seriam incorporadas ao valor final da compra), as notícias infundadas, boatos e ilações romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento.

A família do ex-presidente Lula lamenta que notícias falsas e ações sem fundamento de determinados agentes públicos tenham causado transtornos aos verdadeiros condôminos do Edifício Solaris.

Janeiro de 2016

A revista Veja publica entrevista do promotor Cássio Conserino, do MP de São Paulo, na qual ele afirma que vai denunciar Lula e Marisa Letícia pelos crimes de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, no curso de uma ação movida contra a Bancoop.

Trata-se de um procedimento que se arrasta há quase dez anos, do qual Lula e sua família jamais foram parte, e que é sistematicamente ressuscitado na imprensa em momentos de disputa política envolvendo o PT.

Além de infundada, a acusação leviana do promotor desrespeitou todos os procedimentos do Ministério Público, pois Lula e Marisa sequer tinham sido ouvidos no processo. A intimação para depoimento só foi expedida e entregue na semana seguinte à entrevista.

No dia 27 de janeiro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Triplo X, que busca estabelecer uma conexão entre o Edifício Solaris e as investigações da Lava Jato, reproduzindo dados da ação dos promotores de São Paulo.

Diferentemente do que fazem crer os pedidos de prisão e de busca apresentados ao juiz Sergio Moro pela força-tarefa da Lava Jato, as novidades do caso, alardeadas pela imprensa, já estavam disponíveis há meses para qualquer pessoa interessada em investigar esquemas de lavagem de dinheiro – seja policial, procurador ou jornalista "investigativo".

A existência de apartamentos tríplex registrados em nome da offshore Murray e a ligação desta com a empresa panamenha Mossack Fonseca constam, pelo menos desde agosto passado, da ação que corre em São Paulo. Foram anexadas por um escritório de advocacia que atua em favor de ex-cotistas da Bancoop.

O mesmo escritório de advocacia anexou a identificação e os endereços dos supostos representantes da Murray e da Mossack Fonseca no Brasil.

Mesmo que tenham vindo a público agora, em meio a um noticiário sensacionalista, estes fatos nada têm a ver com o ex-presidente Lula, sua família ou suas atividades, antes, durante ou depois de ter governado o País. Lula sequer é citado nos pedidos da Força-Tarefa e na decisão do juiz Moro.

O que isso significa?

1)  Que fracassaram todas as tentativas de envolver o nome do ex-presidente no processo da Lava Jato, apesar das expectativas criadas pela imprensa, pela oposição e por alguns agentes públicos partidarizados, ao longo dos últimos dois anos.

2)  Que fracassaram ou caminham para o fracasso outras tentativas de envolver o ex-presidente com denúncias levianas alimentadas pela imprensa, notoriamente a suposta “venda de Medidas Provisórias”, plantada pelo Estado de S. Paulo no âmbito da Operação Zelotes.

3)  Que aos adversários de Lula – duas vezes eleito presidente do Brasil, maior líder político do País, responsável pela maior ascensão social de toda a história – restou o patético recurso de procurar um crime num apartamento de 215 metros quadrados, que nunca pertenceu a Lula nem a sua família.

A mesquinhez dessa “denúncia”, que restará sepultada nos autos e perante a História, é o final inglório da maior campanha de perseguição que já se fez a um líder político neste País.

Sem ideias, sem propostas, sem rumo, a oposição acabou no Guarujá. Na mesma praia se expõem ao ridículo uma imprensa facciosa e seus agentes públicos partidarizados.


PF intima peixe para depor: "Lula matou e comeu minha família"

Jornalismo brasileiro virou fanfiction tucana
Por Pablo Villaça, em seu Facebook


Lula é um gênio do crime, um Moriarty moderno, o Lex Luthor do ABC.

Depois de ser investigado continuamente por quase 40 anos - uma investigação sempre estampada nas capas de jornais e revistas interessados, como de hábito, em defender os interesses das corporações que os bancam -, este Blofeld do sindicalismo conseguiu, graças ao seu brilhantismo maquiavélico, evitar que qualquer prova acerca de suas décadas e décadas de malfeitos fosse descoberta. Nem o próprio Hercule Poirot conseguiria detê-lo, tamanho seu cuidado na concepção de seus milhares de esquemas.

Mas tudo chega ao fim. E Lula, enriquecido além do possível depois de tanto roubar, finalmente tropeçou ao desistir de comprar um apartamento (que tolamente havia declarado previamente à Receita), ao visitar o sítio de amigos (estupidamente às claras, sem esconder de ninguém) e, principalmente, ao permitir que sua esposa comprasse um barquinho de pesca de menos de 5 mil reais (e pateticamente com nota fiscal no próprio nome).

Por sorte, os Woodward-Bernsteins que compõem a equipe da Foxlha conseguiram descobrir esta compra (sorrateiramente feita com emissão de nota fiscal no nome verdadeiro de dona Marisa) e - ainda mais chocante - comprovaram que o caminhoneiro que entregou o barquinho tinha nada menos do que 25 anos de profissão (como destacaram na chocante matéria que renderá a eles o Pulitzer por terem derrubado o ex-presidente).

É um alívio saber que nossa imprensa sabe priorizar o que merece destaque: a revista Veja, que um dia será eternizada em sua própria versão de Spotlight (título provisório: Boimatlight), fez uma matéria fabulosa cuja manchete resume, por si só, o imenso apuro jornalístico do veículo: "Publicitária presa disse ter ouvido ‘zum-zum-zum’ sobre tríplex de Lula no Guarujá".

Ah, o "zum-zum-zum", esta prova que consta de todos os Códigos Penais como a mais inquestionável das evidências.

O ZumZumZumGate, como será conhecido pelas gerações futuras, acertadamente ganhou as páginas do jornalismo brasileiro no lugar de helicópteros com 500 kg de cocaína, de certos aviões dos Estados de SP e MG que foram usados para voos particulares de amigos e da esposa de certos governadores, de testemunhos repetidos sobre o mineiro "chato das propinas" e, claro, de contratos sem licitação feitos pela gestão de Alckmin para comprar 200 milhões anuais de merenda escolar.

Nossos barões da mídia sabem que tucanos são pré-anistiados e, portanto, não fazem o leitor perder tempo lendo notícias que não levarão a nada. São gentis assim.

Por outro lado, quando o roteirista dos clássicos modernos O Candidato Perfeito e Até que a Sorte os Separe 3 declara que o governo federal "cerceia críticas", ninguém aponta a aparente contradição: seus filmes tiveram captação de recursos aprovada pela Ancine. E ainda bem que não fazem isso, pois poderiam acabar levando o leitor a acreditar que o governo NÃO está implantando uma ditadura comunista no país. Sim, ela está sendo implantada há 14 anos, mas isto é apenas prova da incompetência de seus líderes.

Como apreciador do bom jornalismo, fico encantado ao perceber como a imprensa brasileira foi de “Lula era o cabeça do esquema na Petrobras” a “mulher de Lula comprou barquinho de pesca”. E fico esperando, ansioso, pelas manchetes que virão a seguir:

"Lula teria matado ao menos 200 minhocas ao longo dos anos; barquinho de pesca foi utilizado para atirar cadáveres na água."

"PF intima peixe para depor: “Lula matou e comeu minha família”; esposa teria ajudado a cozinhar os corpos."

"Esposa de Lula comprou vara de pescar; vendedor com 32 anos de profissão relembra: “Ela ainda pediu desconto”."

E aguardo, ansioso, pelo discurso que será feito pelo repórter da Foxlha ao receber seu segundo Pulitzer por sua matéria investigativa que provará que Lula mentiu ao afirmar ter pescado peixe de 18 kg.

É claro que poderia haver outra explicação para tudo isso, mas hesito em abraçá-la, já que implicaria em aceitar algo revoltante:

Que o jornalismo brasileiro virou fanfiction tucana.

O fracasso da ultraesquerda

Trabalhando de graça para a CIA 
Corrente é a que mais fracassou na era neoliberal, pelo erro de suas visões e pela impotência decorrente para construir alternativas

por Emir Sader para a RBA

As correntes de ultraesquerda e os articulistas vinculados a essa visão são especialistas em fazer balanço crítico das outras correntes da esquerda. Fracassou o chavismo! Fracassou o lulismo! Fracassou o kirchnerismo! E tudo com um tom de se se apoiassem em grandes experiências de sucesso, desde as quais dirigem sua voz radicalmente crítica a correntes que aparentemente teriam sido um fracasso total.

Depois de um silêncio relativamente prolongado, por não saber dar conta do prolongado sucesso dos governos progressistas da América Latina, se dirigem agora para o suposto fracasso dos governos da Venezuela, da Argentina, do Brasil, do Equador, quando não de todos os governos pós-neoliberais, incluindo os da Bolívia e do Uruguai. Não são capazes, antes de tudo, de dar conta das extraordinárias transformações sociais que esses governos puseram em prática nas nossas sociedades e que fizeram  deles a esquerda do século 21 e referência até mesmo para as forças de esquerda na Europa, como na Grécia, na Espanha e em Portugal, entre outros.

Tampouco consideram que esses governos, coordenados, foram os responsáveis pelo fortalecimento e pela expansão dos processos de integração regional, do Mercosul à Celac, passando pela Unasur, de forma independente em relação aos EUA.

Enquanto isso, a ultraesquerda não foi capaz de apresentar nenhum resultado de suas posições, que não tiveram sucesso em nenhum país do continente, tampouco na Europa. As alternativas aos governos progressistas estão sempre na direita. Ao contrário, quando apresentam candidatos, os resultados que obtêm sao irrelevantes, sempre próximo do 1% de votos. Como última demonstração, os mesmos setores que falam com ênfase do fracasso do kirchnerismo na Argentina, que consideram que entre essa força e a direita não haveria diferenças, e propuseram o voto em branco no segundo turno, tiveram exatamente isso – 1% dos votos. Mas seguem falando com ênfase desde esse 1%.

Porque se trata de que, concentradas no fracasso dos outros, as vozes da ultraesquerda não se dedicam a analisar seu próprio fracasso na própria Argentina. A posição típica dessa corrente, de autonomia dos movimentos sociais, que não deveriam nem participar da disputa política nacional, nem fazer alianças com outras forcas políticas, levou à desaparição dos movimentos piqueteiros, que tinham surgido com grande potencial. Não se encontra nenhum balanço autocrítico dos que levaram esse movimento à sua desaparição. Ao contrário, os próprios responsáveis por essas posições e seu fracasso total – intelectuais latino-americanos e europeus – continuam falando com convicção de suas teses, sem aprender nada do sucesso dos movimentos sociais e forças politicas que não aceitaram suas posições, nem do fracasso dos que as seguiram.

Mas o principal fracasso da ultraesquerda foi o de não haver sabido compreender o caráter da época histórica atual, de grandes retrocessos em escala internacional. Continuaram expressando sus posições verbalmente radicalizadas, sem se dar conta de que o objetivo maior da esquerda hoje é derrotar e construir alternativas concretas ao neoliberalismo, projeto em que avançaram tanto os governos progressistas da América do Sul.

Por outro lado, setores da ultraesquerda aderiram às teses liberais contra o Estado, apoiados na “sociedade civil”, como se esta fosse uma tese factível na luta contra o neoliberalismo. Não saíram da fase de resistência ao neoliberalismo, sem participar da disputa hegemônica do governo e sem capacidade de construir forças alternativas. Tem a companhia de ONGs, mas completamente distanciados da história contemporânea concreta da esquerda realmente existente.

Em suma, a ultraesquerda é a corrente que mais fracassou na era neoliberal, pelo erro de suas visões e pela impotência decorrente para construir alternativas. Isso acontece no Brasil, na Argentina, na Venezuela, no Equador, na Bolívia, no Uruguai, onde se limitam a artigos de crítica. Tampouco consegue se desenvolver em outros países, como o México, Peru, Chile ou a Colômbia. Só existem como colunismo critico, não tem peso algum na luta concreta.

O futuro da luta contra o neoliberalismo continua sendo protagonizado pelas forcas e as lideranças – como Evo Morales, Lula, Rafael Correa, Cristina Kirchner, entre outros – que disputam  com a direita e seus projetos de restauração conservadora.

Janio de Freitas: Uma visita ao sítio

Uma visita ao sítio

A renovada notícia sobre obras em um sítio que a família de Lula frequentaria, na paulista Atibaia, dá oportunidade à recuperação de dois casos reais da afinidade rural comum a presidentes e empreiteiros. Embora um caso se passasse na ditadura e outro na democracia, a discrição que os protegeu teve a mesma espessura.

A ótima localização de um sítio em Nogueira, seguimento de Petrópolis, não chegava a compensar o aspecto simplório dada à área, nem a precariedade da casa. Em poucos meses, porém, acabou o desagrado do general-presidente com as condições locais. O terreno foi reurbanizado, a casa passou a ser um moderno bangalô de lazer. Surgiram piscina, uma pista de hipismo, estrebaria, estacionamento e um jardim como as flores gostam. Uma doação da empreiteira Andrade Gutierrez ao general Figueiredo, então na Presidência.

Em poucos anos de novo regime, a Andrade Gutierrez podia provar que sua generosidade não padecia de pesares nostálgicos. Proporcionou até uma estrada decente para a fazenda em Buritis, divisa de Goiás e Minas, que o já presidente Fernando Henrique e seu ministro das Comunicações e sócio Sérgio Motta compraram em operação bastante original. Como a democracia tem inconvenientes, dessa vez a estrada foi guarnecida de um pretexto: era só dizer que serviria a uma área que a empreiteira comprara ou compraria na mesma região.

O sítio que não é de Lula, mas recebeu-o em visitas injustificadas para a imprensa e depois para a Lava Jato, entrou nas fartas suspeições de crime quando "Veja" e logo Folha noticiaram, em abril do ano passado: a OAS de Léo Pinheiro "realizou uma reforma em um sítio a pedido do [já] ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva", área de 173 mil m² dos sócios de um filho de Lula.

A descoberta desse fato deu-se, disse a notícia, nas "anotações feitas por Léo Pinheiro no Complexo Médico Penal, em Curitiba". Mas, como ninguém da Lava Jato falou nada, os jornalistas calaram o assunto por sete meses. Ou até que, em novembro, a opinião pública foi blindada com a aparente notícia de que "a Polícia Federal investiga se a OAS beneficiou a família do ex-presidente" Lula "ao pagar por obras" no sítio "frequentado pelo petista e seus parentes". Mas a obra deixara de ser "realizada" pela OAS para ser apenas "paga" pela empresa.

Nove meses depois da revelação, o sítio reaparece, ainda sem um esclarecimento da Polícia Federal e da Lava Jato: não houve delação a respeito, logo, só se investigassem. Nem por isso faltam novidades: sumiram a OAS e Léo Pinheiro e entrou a Odebrecht, empreiteira da moda. Citada por uma senhora vendedora de material de construção e um carpinteiro, com alegada base em alguns recebimentos que tiveram. E a tal anotação de Léo Pinheiro, que falava em OAS? Outra tapeação?

Figuras imaculadas, deve ter sido para não ver os seus novos bens em tal protelação e barafunda que Figueiredo, Fernando Henrique e Sérgio Motta preferiram que ninguém soubesse deles. Mas o sítio de Atibaia mostra bem o quanto fatos relevantes, pelas suspeitas-já-acusações que os utilizam, estendem consequências no tempo e confundem a indefesa opinião pública.

Como o sítio de Atibaia, há muitos fatos e circunstâncias, não só da Lava Jato, na atualidade brasileira.

O MENTIROSO

O delator Fernando Moura deixou uma pista nos depoimentos em que se desdisse, muito sugestiva de qual deles é o autêntico. No segundo, que desmentia o de suas ofertas para ter direito a delação premiada, negou que José Dirceu fosse o patrono da nomeação de Renato Duque na Petrobras, como a Lava Jato difundiu. Disse que Dirceu foi chamado a dirimir a indecisão final entre dois pretendentes, em reunião a que estava presente também Dilma Rousseff, então da equipe de transição. A indicação foi de Silvio Pereira.

Para quem buscava o prêmio por delação, seria um acréscimo estúpido citar a própria presidente da República como testemunha em narração que fosse falsa, sujeitando-se a um trompaço desmoralizador. Fernando Moura é cínico, mas não é estúpido. Só veio a desdizer o depoimento corretivo porque oprimido pela ameaça, reiterada em público, que lhe fez um procurador da Lava Jato.

É culpa da Dilma!



Os Mortadelas

Ladrão Eduardo Cunha é acusado de ter MAIS cinco contas no exterior para receber propina

Diário do Centro do Mundo


Cunha tem mais cinco contas no exterior, apontam delatores
Da Folha:

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é acusado por dois empresários da Carioca Engenharia de ter recebido propina em ao menos cinco novas contas mantidas no exterior e até então desconhecidas das autoridades brasileiras.

Em outubro, a descoberta de quatro contas secretas na Suíça mantidas por Cunha e sua família agravou sua situação política e gerou um novo inquérito contra o peemedebista. Se confirmados os novos relatos, totalizariam nove contas bancárias no exterior ligadas ao deputado.

A Folha teve acesso à tabela de transferências bancárias no exterior entregue pelos empresário Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior no acordo de delação premiada que firmaram com a Procuradoria Geral da República na Operação Lava Jato. A documentação está sob sigilo.

De acordo com os empresários, as transferências eram propina para Cunha com o objetivo de obter a liberação de verbas do fundo de investimentos do FGTS para o projeto do Porto Maravilha, no Rio, do qual a Carioca Engenharia obteve a concessão em consórcio com as construtoras Odebrecht e OAS.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Mino Carta: "Tudo se faz para incriminar alguém à força"


Mino Carta: "Tudo se faz para incriminar alguém à força"
"É um cerco ao Lula na busca desesperada de uma mazela, de um deslize, de uma escorregada que seja capaz de criar uma enorme dificuldade para ele", afirma, Mino Carta.Na #tvCarta, o diretor de Redação de CartaCapital comenta a cobertura midiática sobre um acontecimento recente envolvendo o ex-presidente. Assista.-----------Assine CartaCapital: http://bit.ly/AssineCarta
Publicado por CartaCapital em Sábado, 30 de janeiro de 2016

Jornalismo patético para patetas

BATEU O DESESPERO
Leandro Fortes


Dona Marisa recebeu a encomenda de um barco de 4 mil reais (!) no sítio dos sócios do filho.
O destaque a essa incrível notícia revela duas coisas:

1) Os barões da mídia e seus cães de guarda resolveram reagir à decisão de Lula de finalmente meter essa canalha toda na Justiça;

2) Para atingir o ex-presidente, resolveram deixar de lado o senso de ridículo e usar qualquer refugo de informação que ainda vier do volume morto da Lava Jato.

Jornalismo patético para patetas.

O ponto a que a mídia chegou

José Geraldo Couto

Ok, gente, vamos admitir: os grandes jornais e revistas abriram mão de leitores pensantes.

Estão dizendo com todas as letras: "não queremos vocês, queremos uma plateia tão idiota ou cínica que engula ou não se incomode com a nossa escandalosa parcialidade, nossa patética manipulação. Dane-se o juízo da história. Queremos nos dar bem aqui e agora."


Quem é esse mané?

Companhia das Letras:

Nasceu em Jaú, interior de São Paulo, em 1957. É jornalista e crítico de cinema. Trabalhou durante mais de vinte anos para a Folha de S.Paulo. É tradutor do inglês e do espanhol. Do inglês traduziu, entre outros autores, Henry James, Saul Bellow, Norman Mailer, Truman Capote, Michael Cunningham e Martin Scorsese. Do espanhol, Adolfo Bioy Casares e Enrique Vila-Matas.

Tudo o que você precisa saber sobre Bolsonaro

A linguagem a serviço da ideologia


Análise do discurso é uma ferramenta prática ou mais propriamente um campo da Linguística e da Comunicação especializado em compreender por meio de análises minuciosas construções ideológicas presentes e determinantes em um texto. É muito utilizada, por exemplo, para analisar textos da mídia e as ideologias que os engendram.

Pois uma breve análise do discurso midiático por meio dessa ferramenta nos mostra com clareza a realidade política em que vivemos.

Vejam só:

"o amigo de Lula" / "o filho de Lula" / "a mulher de Lula" / "o/a ministro/a de Lula" / "a fazenda do filho de Lula" / "o sítio do amigo de Lula"... e por aí vai. Nunca ou muito raramente há uma notícia em que Lula apareça como o único foco de denúncia.

O uso desse recurso revela que, dado que a perseguição a Lula não consegue de fato atingi-lo objetivamente - e também porque atingi-lo objetivamente significa atingir seus apoiadores e sua militância em maioria -, empregar a terceirização da suposta "corrupção" aos seus significa que indiretamente ele está envolvido em todas as situações levantadas, ainda que por meio de factoides. Dessa forma, obtém-se o efeito do ditado do "onde há fumaça, há fogo", que é bem compreensível no senso comum, que ao fim e ao cabo é o grande alvo desses textos.

Mas a despeito dessa conclusão um tanto óbvia, há também a leitura de que afinal os textos midiáticos envolvendo Lula acabam revelando a realidade também dos fatos, uma vez que de fato o texto midiático sempre "ronda" Lula sem jamais efetivamente poder abocanhá-lo. E isso é facilmente comprovável quando Lula fala, pois é dono de um discurso poderoso e altamente empoderado, contra o qual nenhum "doutor" consegue se manter em pé. Assim, para além da impossibilidade de tocá-lo, os textos também o evitam de modo singular procurando não dar o foco exclusivo na sua figura, mas na figura dos que o entornam. Claro que esta é a forma de atingi-lo porque afinal a honestidade de Lula não compactua com a perseguição aos seus sem que ele se envolva. E quando não se envolve diretamente, é porque também aprendeu que esse jogo é importante para evitar o desgaste de sua fala colocada à exaustão no caso de um confronto direto. Engana-se muito quem aposta na "burrice" ou falta de estudo de Lula.

Enfim, o que vemos é a linguagem a serviço da ideologia. E ainda há quem acredite que esses assuntos não têm nada a ver com as relações políticas ou sociais. Hitler, por exemplo, sabia muito bem como utilizar todos esses recursos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Relações pornográficas

Por Rogerio Dultra dos Santos - Democracia e Conjuntura

Já não era sem tempo. Depois de virar o ano recebendo pedradas sem cessar, caiu a ficha. Lula percebeu – e declarou, em sua entrevista a blogueiros na semana passada – que a grande mídia no Brasil tem lado e tem operado criminosamente. O conjunto de ataques ao governo, ao PT, ao Lula e à política como um todo, atua através da produção incessante e repetida de “factoides”, deturpações, opiniões orquestradas e da mais deslavada invenção, corroboradas por ilações, suspeitas, indícios e possibilidades judiciárias.

A Fase “Triplo X” ou XXX, da “Operação” “Lava-Jato”, é um claro “chiste” de teor psicanalítico – já que o gracejo supostamente revela o que está oculto. O triplo x, afirmam os jornais, se refere ao tal do tríplex do Guarujá, que pertenceria ao Lula. Mas – de novo, diz a imprensa – a alcunha quer ou gostaria de apontar o caráter pornográfico da relação entre certas empresas, algumas construtoras, uma estatal e poucos agentes públicos (a corrupção seletiva, que atinge o PT? Francamente, não dá para rir).

Aliás, criar uma gozação em torno de assunto tão grave – supostamente a corrupção – daria o tom do imaginário agressivo ou mesmo perturbado de seus idealizadores, tanto mais se forem agentes públicos. Mas não é possível repetir o erro do carrasco e fazer ilações do que não foi dito. Se a “força tarefa” de policiais, procuradores e juiz (agrupamento inconstitucional, lembre-se) não teve coragem de explicitar a suposta “brincadeira” com a pornografia, só nos resta imaginar sentidos para o não-dito, para o censurado. A imaginação corre solta.

Pornográfica é, por exemplo, a requentada tentativa da imprensa de imputar a Lula uma propriedade que nunca teve. Pornográfica seria a nomeação de uma operação da justiça com um nome pornográfico que objetivaria acusar um Ex-Presidente da República por algo que ainda sequer foi devidamente investigado. É a conhecida – e pornográfica – antecipação da culpa (ou como dizemos os juristas, a presunção de culpabilidade).

Pornográfica é a moralização de um processo judicial, ou seja, quando a avaliação de fatos imputados como criminosos pelo código do direito é substituída por valores morais de origem duvidosa e de aceitação relativa.

Pornográfica é a discussão de um processo em andamento na televisão pelos funcionários públicos que deveriam examiná-lo imparcialmente, de forma sóbria e discreta. Pornografia é esses mesmos funcionários públicos transformarem a sua atividade laboral em uma cruzada quase religiosa/partidária.

Pornográfica é a tortura que o sistema judicial como um todo imputa a milhares de presos sem condenação. Pornográfico é um juiz manter presos de natureza política, sem provas, sem direito à ampla defesa, ao devido processo, ao contraditório, à fundamentação racional das decisões.

Pornográfica é a promiscuidade entre setores do judiciário com pessoas desonestas, cuja desonestidade passada em cartório é o salvo-conduto para que o que se diga se transforme em verdade inquestionável. Afinal, só os ingênuos e os mal-intencionados acreditam em delatores premiados.

Pornográfica é a decepção que se tem, depois da grade expectativa depositada na Justiça após a Constituição de 1988: o poder judiciário – e suas instituições cada vez mais corporativas –, tornou-se o braço funcional do processo político que captura os poderes da República. Pornográfica é, assim, a criminalização da política pela via judicial.

Acusações infundadas, conluios inconfessáveis e indefensáveis, expectativas frustradas. São apenas alguns rápidos exemplos do tal do “Triplo X”, a verdadeira tripla pornografia que nos aflige. E o pior é que não é piada.

Piada são as relações pornográficas que modificam as instituições políticas numa direção muito pouco democrática.


Esses meninos e seus apartamentos

Francisco Costa

Três apartamentos: um no Guarujá, um em Miami e o terceiro, em Paris.

Valores dos apartamentos: o do Guarujá: 1,8 milhões de reais; o de Miami: um milhão de dólares (4,2 milhões de reais); o de Paris: 11 milhões de euros (44,7 milhões de reais).

Examinemos agora como se deram as transações.

1) O do Guarujá – suposto proprietário: Luis Inácio Lula da Silva. Histórico: comprado, a prazo, na cooperativa Bancoop, do Sindicato dos bancários de São Paulo, em 2006, ano em que o comprador declarou a aquisição na sua declaração do imposto de renda. Escritura: não há. Responsabilidade civil pelo imóvel: Empreiteira OAS. Suspeita-se de que o casal Lula-Letícia sejam donos. Prova documental: não há. Prova material: não há. Prova testemunhal: segundo vizinhos o casal Lula-Letícia foi visto lá.

2) O de Miami – de propriedade da empresa ASSAS JB CORP, de propriedade de Joaquim Barbosa (JB). Histórico: a Constituição brasileira e o Estatuto da Magistratura vedam terminantemente que magistrados tenham empresas, aqui ou no exterior. A empresa não tem atividade definida, tudo indicando que só foi criada para mascarar a propriedade do apartamento, a menos que tenha outras atividades não declaradas, o que a caracterizaria como empresa off-shore, intermediária em negócios secretos. O endereço dado por Joaquim Barbosa, como o da empresa foi o do apartamento funcional que ele ocupava, quando membro do STF. O Estatuto do Funcionalismo Público veda qualquer atividade, que não a residencial, em apartamentos funcionais. Não foram feitas remessas de dinheiro, do Brasil para os Estados Unidos, para a constituição da empresa, lá, e a compra do apartamento, o que leva a uma das duas situações possíveis: evasão de divisas e sonegação fiscal, se o dinheiro saiu clandestinamente do país, ou os recursos foram provenientes de conta não declarada (secreta) no exterior.

3) O de Paris – de propriedade de Fernando Henrique Cardoso. Histórico: provavelmente comprado no período das privatizações. Por anos FHC, a exemplo de Cunha, negou ter negócios ou propriedades fora do Brasil. Quando passou a faixa presidencial a Lula, este comentou que FHC tinha um apartamento na Avenue Foch, com FHC negando não ser dele, mas de um amigo, que o emprestou. Posteriormente, em uma reunião de muitos amigos, o jornalista Jânio de Freitas presenciou uma saia curta, em 2003: uma dondoca, tipo Ofélia, esposa de importante figura pública nacional (Jânio não revelou quem) dirigindo-se a FHC: “Pois é nós estamos sabendo do ap. que o Sergio Mota e você compraram na Avenue Foch...”, seguindo-se silêncio sepulcral, com FHC, sem responder, saindo, lívido de raiva. 

Agora embolou, porque a justiça está correndo atrás, não do ap de FHC, muito menos do ap de Joaquim Barbosa, mas do Lula, que não chegou a ter o ap que FHC e Joaquim Barbosa dizem que ele tem.

A justiça brasileira, a direita brasileira e os seus coxinhas amestrados entendem que FHC e JB são honestos, já o Lula... Um perigoso corrupto.

Só rindo da justiça, dos juízes, da mídia, dos coxas e de nós mesmos, porque a zona virou circo.

Moro não é um juiz, é um inquisidor


A Lava-Jato criou uma nova modalidade de delação.

Por falta de uma palavra na língua portuguesa que explique mais exatamente o que está acontecendo no universo paralelo que se formou em Curitiba, fiquemos com "escandaloso" mesmo. Se antes ainda havia um mínimo de cuidado para acobertar os verdadeiros interesses que movem os atos do juiz Sérgio Moro e seus lacaios, agora simplesmente mandaram os pudores às favas.

Questão de dias após um dos inúmeros vigaristas que sucumbiram às torturas físicas e morais e acabaram por ceder ao vergonhoso expediente da delação ter afirmado que mentiu no seu depoimento ao acusar José Dirceu puramente para ter o benefício da redução de sua pena, Fernando Moura voltou atrás e tentou refazer mais uma vez a sua história furada.

Bastou uma "pressãozinha" dos procuradores para que já no dia seguinte Moura mudasse tudo pela segunda vez e voltasse a incriminar Dirceu. Nesse momento duas coisas ficam mais do que evidentes. Uma é que a delação desse bandido é tão desqualificada que até os seus próprios advogados abandonaram o caso. Outra é que inexiste qualquer resquício de imparcialidade e justiça nessa operação. A "meta" é destruir um partido especificamente.

Se a vida imita a arte, a operação Lava-Jato é a materialização na vida real do clássico O Processo de Franz Kafka. Com o detalhe assombroso que neste caso os absurdos nos procedimentos policiais e jurídicos são ainda mais inacreditáveis e revoltantes. Que o mestre Checo perdoe Sérgio Moro por ter criado algo ainda mais absurdo que o seu magistral realismo fantástico.

Moro, definitivamente, não é um juiz. É um inquisidor.

Triplex errado

Clique na imagem para AMPLIAR o banditismo

Uma nova modalidade de crime do judiciário brasileiro

Francisco Costa

A Gestapo de Curitiba já usou de todos os métodos: prisões arbitrárias; chantagens contra familiares de presos; uso de policial expulso da corporação, por contrabando na fronteira, posteriormente reintegrado pelo mesmo Judiciário ao qual voltou a servir; omissão de depoimentos que inocentam, como aconteceu com Marcelo Odebrecht; vazamento seletivo de depoimentos que correm em segredo de justiça, quando não da VENDA de vídeos de depoimentos, por policiais federais, para a mídia; blindagem de citados mas que pertencem ao grupos dos investigadores e julgadores, onde vale tudo, desde o juiz recusar a denúncia do depoente, afirmando “isso não vem ao caso”, até colocarem tarjas pretas sobre os nomes de denunciados amigos, como aconteceu com o nome de José Serra; com o juiz mandando que se invada escritórios, para apreender as peças de defesa, elaboradas pelos advogados do réus; considerar ou desconsiderar documentos de acordo com os interesses políticos do juiz...

Na SS-TF, em Brasília, a banda não tem tocado muito diferente, quando não repetindo o mesmo repertório, dando salvo conduto para que o macabro concerto continue.

A polícia federal está investida de mais poderes que o Ministério da Justiça, ao qual está subordinada, fazendo o que quer, como quer, onde quer e quando quer; determinando quais presos deverão ficar incomunicáveis ou não, um atribuição dos juízes; e até colocando em isolamento, numa cela sem janela e sem sanitário, uma cadeirante em fase de recuperação pós operatória.

Mas isto é pouco, a justiça brasileira tem que se superar na arte do arbítrio e da manipulação, fazendo com as leis o que os militares fizeram com as baionetas, em 64.

A nova modalidade de embuste jurídico, de crime institucional, é a investigação paralela, o inquérito paralelo, não oficial, sem autorização judicial e nenhum controle de qualquer autoridade.

E como funciona este despautério?

Imagine que você comece a ser investigado por um juiz, com a polícia realizando diligências, o juiz ouvindo testemunhas, a perícia avaliando os documentos apreendidos...

Seus advogados estarão permanentemente atentos, inserindo nos autos do processo documentos que contradigam os que lhe incriminam, contestando depoimentos, “farejando” contradições e inconsistências nos depoimentos, pedindo detalhamentos de laudos, mostrando álibis... Como deve ser, para que o juiz tenha dados suficientes para formar juízo e pronunciar uma sentença.

Agora imagine que, enquanto tudo isto acontece, secretamente a polícia federal lhe investigue, sobre a mesma acusação que lhe fizeram, pegando depoimentos, apreendendo documentos... Sem que os seus advogados saibam, de maneira a lhe defender.

Ao fim do processo as duas investigações são juntadas, tendo já se exaurido o período de recursos da defesa, de maneira que apareçam muitos dados novos, contra você, sem chance de defesa, sejam eles verdadeiros ou não.

Assim, através desse mecanismo, a justiça brasileira está condenando.

E antes que eu dê o artigo por terminado, temos um novo herói na praça, um novo mito, o “japonês bonzinho”, o ex contrabandista, agora vendedor de depoimentos secretos para a mídia, segundo o Senador Delcídio Amaral.

Não demora a Globo vai premiá-lo, como fez com Joaquim Barbosa e Sérgio Fernando Moro.

O japa passa o dia fazendo selfies com coxinhas e paneleiros.

O jornal The Economist, um dos municiadores da Globo, e porta voz do capital internacional, trata o Moro como brazilian hero (herói brasileiro), enquanto o sério e independente jornal francês “Libération”, trata o “japonês bonzinho” como “a piada do momento”, o herói dos coxinhas e paneleiros.

Ou os defensores dos réus da Lava Jato e os departamentos jurídicos dos partidos progressistas recorrem às Cortes Internacionais, para mostrarem em que se transformou o Judiciário brasileiro, ou abrem mão dos julgamentos, encaminhando-se para as celas, passivamente.
Francisco Costa

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Governo Alckmin divulga que Brasil empatou em 1 a 1 com a Alemanha

Quase que o Brasil faz o segundo e vira!
Secretaria de Segurança de Alckmin divulga que Brasil empatou em 1 a 1 com a Alemanha

PINDAMONHANGABA – Após divulgar que São Paulo tem a menor taxa de homicídios desde 1996, Geraldo Alckmin usou a mesma metodologia para recalcular o placar de Brasil e Alemanha na Copa de 2014. “Para calcular o número de homicídios, usamos uma metodologia com base no número de casos e não na quantidade de vítimas. A chacina de Osasco, que levou oito pessoas ao óbito, conta apenas como uma morte, por exemplo. Dessa maneira, podemos dizer que Brasil e Alemanha terminaram empatados em 1 a 1. Não importa a quantidade de gols que cada time fez, mas sim o fato de que os dois times estufaram as redes adversárias”, explicou, didático, estirando os dois dedos indicadores.

Seguindo a mesma diretriz lógica, Alckmin fez um revisionismo histórico de diversos índices que manchavam a reputação de São Paulo. “A qualidade do ar em Cubatão é melhor que em Honolulu, o trânsito na capital empata com o de Amsterdã e o Corinthians é o único clube do Brasil que tem mais de um título mundial – já que ganhou dois campeonatos diferentes”, elucidou. Em seguida, o governador celebrou as taxas recordes de ocupação escolar em 2015.

No final da tarde, uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo mostrou que São Paulo registra a menor confiança nos índices de segurança do governo desde 1996.

A instabilidade do Universo

O projeto do cientista era assombroso: deter a marcha do tempo para estudar uma estrela bem de perto, daqui a 27,5 milhões de anos. O plano funcionou perfeitamente. Só faltou um detalhe...



O professor Firebrenner explicou tudo cuidadosamente.

-A percepção do tempo depende da estrutura do Universo. Quando o Universo se expande, percebemos o tempo indo para frente; caso se contraísse, perceberíamos o tempo indo para trás. Se de alguma forma pudéssemos forçar o Universo a ficar estático, sem se expandir nem se contrair, o tempo permaneceria imóvel.

-Mas não se pode tornar o Universo estático – disse Mr. Atkins, fascinado.

- E, no entanto eu posso tornar estática uma pequena porção do Universo – disse o professor – Apenas o bastante para conter uma nave. O tempo se deterá e poderemos andar para frente e para trás â vontade, e a viagem inteira vai durar menos que um instante. Mas todas as partes do Universo vão se mover enquanto ficarmos parados, fixados ao tecido do Universo. A Terra gira em volta do Sol, o Sol se move rumo ai centro da Galáxia, a Galáxia se desloca ao redor de um centro de gravidade – todas as galáxias se movem. Calculei esses movimentos e descobri que daqui a 27,5 milhões de anos uma estrela anã-vermelha irá ocupar a posição do nosso Sol hoje. Então, se avançarmos 27,5 milhões de anos no futuro, em menos de um instante a anã-vermelha estará perto de nossa nave espacial e nós poderemos voltar para casa depois de estudá-la.

Atkins disse:

- Será que isso é possível?

- Eu já enviei animais de laboratório através do tempo, mas não consigo fazer com que eles regressem automaticamente. Se você e eu formos, podermos manipular os controles de modo a voltar.

- E você quer que eu vá junto?

- Claro. É preciso haver dois. É mais fácil acreditar em duas pessoas do que em uma. Venha. Será uma aventura incrível.

Atkins inspecionou a nave. Era um modelo 2217 Glenn movido a fusão e parecia lindo.

- Suponha – ele disse – que ela pouse dentro da anã-vermelha.

- Isso não acontecerá – disse o professor -, mas se acontecer é o risco que corremos.

- Mas, quando voltarmos, o Sol e a Terra terão se movido. Ficaremos no espaço.

- Claro, mas quanto o Sol e a Terra podem se mover nas poucas horas em que ficaremos observando a estrela? Com esta nave alançaremos nosso amado planeta. Está pronto, Mr. Atkins?

- Pronto – suspirou Atkins.

O professor Firebrenner fez os ajustes necessários e fixou a nave no tecido do Universo, enquanto 27,5 milhões de anos passaram. E então, mais rápido que um relâmpago, o tempo começou a mover-se para frente de novo, como sempre, e tudo no Universo moveu-se com ele...

Pela escotilha da nave, o professor Firebrenner e Mr. Atkins podiam ver a pequena esfera da estrela anã-vermelha. O professor sorriu.

- Você e eu. Atkins, somos os primeiros a ver de perto uma estrela que não é o nosso próprio Sol.

Eles ficaram ali duas horas e meia fotografando a estrela e seu espectro e tantas estrelas próximas quanto puderam. Fizeram ainda observações corona gráficas especiais, testaram a composição química do gás interestelar e então, com alguma relutância, o professor Firebrenner disse:

- Acho melhor a gente voltar agora.

Novamente os controles foram ajustados e novamente a nave foi fixada ao tecido do Universo. Eles viajaram 27,5 milhões de anos rumo ao passado e, mais depressa que um relâmpago, estavam de volta ao local de partida.

O espaço negro. Não havia nada, Atkins disse:

- Que aconteceu? Onde estão a Terra e o Sol?

O professor franziu a testa. Disse:

-Andar para trás no tempo deve ser diferente. O Universo inteiro deve ter-se movido.

-Para onde?

- Não sei. Outros objetos mudam de posição dentro do Universo, mas o Universo como um todo tem de mover-se numa determinada direção. Aqui estamos no vácuo absoluto, no Caos original.

-Mas nós estamos aqui. Não é mais o Caos original.

- Exatamente. Isto quer dizer que introduzimos uma instabilidade neste lugar em que existimos, e isso quer dizer...

No mesmo instante em que ele disse “isso”, uma Grande Explosão os aniquilou. Um novo Universo surgiu e começou a se expandir.

Vote na direita e seja feliz

Em compensação Macri baixou os impostos sobre artigos de luxo.

Há mais o que fazer do que dar picadeiro a palhaço

Kim Kataguiri, colunista da Folha de S. Paulo
DO TRÁGICO AO CÔMICO
Guilherme Boulos

Uma breve passagem do trágico ao cômico: Kim Kataguiri. O rapaz é pior do que eu pensava. Duas laudas e nenhum argumento, só empáfia. "Chefe de milícia", "dinheiro do governo", blá-blá... Em seu comovente esforço para parecer maduro, adotou tom professoral, querendo ensinar gramática. E, como é tão comum nas certezas adolescentes, errou –tal qual nos mostra Pasquale Cipro Neto neste comentário. Paro por aqui. Há mais o que fazer do que dar picadeiro a palhaço.

Manutenção de Cardozo no ministério é uma ofensa aos que lutam pela democracia

Cardozo, o maior mistério da era Dilma
Luis Nassif

A Lava Jato lança a Operação Triplex, visando o prédio do qual Lula adquiriu cotas de participação. No próprio nome, a operação já indica o alvo.

Em Quito, a presidente da República Dilma Rousseff reage, pela primeira vez admite os estragos  que a Lava Jato tem imposto à economia e diz que o ônus da prova cabe à quem acusa. Obviamente estava se referindo às insinuações contra o suposto proprietário do apartamento triplex.

O ministro-chefe da Casa Civil Jacques Wagner reage contra o que taxa de perseguição a Lula.

Todas as reportagens baseadas no Palácio exprimem a avaliação de que a operação visa Lula e, a partir dele, a desestabilização do governo.

A equipe da Lava Jato, mais um procurador exibicionista do Ministério Público Estadual de São Paulo, já trataram de preparar terreno, vazando todas as suspeitas para a imprensa.

E o inacreditável Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo se exime de qualquer atitude, meramente garantindo que "Lula não está sendo investigado". Não é uma frase neutra: é um endosso total ao cerco que a Lava Jato impõe à maior figura do seu partido e, por tabela, ao seu governo. Ou Cardozo se pela de medo - seria interessante saber do quê. Ou atua deliberadamente contra seu próprio governo.

Algum dia Dilma Rousseff terá que esclarecer os motivos que a levaram a manter Cardozo durante tanto tempo em seu governo. Sua presença é uma ofensa a todos que se empenham em lutar pela manutenção das regras democráticas e contra o impeachment.

Decididamente, não é normal essa complacência de Dilma em relação a seu Ministro.

A Marcha dos Camisas Negras

Moro, ao centro
- Gostaríamos das gravações em que o delator delata meu cliente. Quero ouvir o que ele disse.
- Cadê as gravações?
- Então, seu juiz, sabe como é. Tem aí o papel. Não precisa de gravação.
- Mas o delator acabou de dizer que não reconhece a autoria de certas afirmações contra meu cliente que constam nesse papel.
- Então...cadê?
- Sabe o que é, seu juiz? Eu gravei o nascimento dos filhotes da Agata em cima das fitas do depoimento do individuo...
- Então não tem mais fita nem gravação?
- Nem fita, nem gravação. Vai ter que ser no papel mesmo.
- Então, seu advogado, sem fita nem gravação vai ter que valer o papel.
- Mas no papel tem coisa que ele não disse.
- Infelizmente não tem áudio nem vídeo. E o processo marcha sempre pra frente...Marchando...marchando...marchando... Conseguem escutar a marcha?

Humberto Capellari

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Estadão ofende a raça humana de novo

Fonte

"Após as críticas, o jornal retirou a foto da banda de rock da reportagem, porém, não se pronunciou sobre o erro."

Onde está a crise?


J'accuse

As opiniões expressas neste livro não são as do autor
Gustavo Castañon

EU ACUSO

Eu acuso Dilma Vana Rousseff.

Antes de tudo eu a acuso por ter feito questão de um segundo mandato que não teria condições políticas de exercer. 

Eu acuso Dilma de ter feito acordo com a banca nacional para não sofrer um golpe. De ter se eleito fazendo discurso contra o controle dos bancos na economia e depois nomear um Chicago Boy empregado de segundo escalão do Bradesco para controlá-la. 

A acuso de ter o ministério mais medíocre da história da república, sem que ele seja totalmente responsabilidade dos acordos necessários com o congresso campeão de bandidagem que o povo (e as urnas eletrônicas) deram para ela governar. 

Eu a acuso de ter se escondido no Planalto enquanto a Polícia Federal passava por cima das leis com escutas ilegais, prisões ilegais, vazamentos ilegais e mesmo tortura para cumprir os desígnios da CIA de destruição dos pilares da indústria nacional e do projeto nuclear brasileiro. 

Eu a acuso de manter como ministro da justiça um pusilânime que se esconde enquanto o homem que a elegeu é perseguido implacável, venal e injustamente. 

Eu a acuso de ter aumentado 21% em um ano a dívida pública para cobrir a queda de arrecadação causada pela recessão de Levy-lavajato e o pagamento de absurdamente imorais 496 bilhões de juros para os donos do país. Eu a acuso de praticar os juros reais mais altos do mundo e permitir o saque do Brasil. 

Eu a acuso de ter se transformado numa moralista pequena burguesa, que acredita que combater a corrupção dos próprios aliados (da oposição, não) é mais importante que promover o emprego, a riqueza, o desenvolvimento e a felicidade da nação. 

A acuso de lamber a mão de Kissinger, um genocida que foi o artífice da ditadura que a torturou para agradar seus algozes. De fazer acordo com os EUA. De alimentar financeiramente as quadrilhas falidas que parte da população chama de mídia. 

A acuso de tentar a reforma da previdência, de colocar a crise no lombo dos trabalhadores, de não aumentar imposto sobre heranças, de não regulamentar imposto sobre as grandes fortunas, de não mudar a tabela do imposto de renda, não taxar lucros, alterações tributárias justas que não dependem de reforma constitucional. 

Eu a acuso de ter vetado a impressão de voto e a auditoria da dívida, bandeiras históricas da esquerda. 

Eu a acuso de não capitalizar a Petrobrás, de não recomprar nossa empresa com os recursos de nossas reservas. 

Eu a acuso por não ser uma líder, nunca ter mostrado ousadia, por não explicar a situação à população, por ser uma dependente química da propaganda do João Santana. 

Eu a acuso de ter vendido um coração valente e nos entregar tanta covardia.

Dilma, a única credibilidade que você tem hoje vem de seu passado distante. Honre a ele, mude, mas mude agora.

Assinado: um eleitor brasileiro otário qualquer, que votou em um coração valente.

Perseguição criminosa da PF transformará Lula em mártir

Agente da PF investiga petistas 
Gustavo Castañon

A perseguição da Polícia Federal a Lula é uma das coisas mais venais da história da República. Até as pedras já sabem que o objetivo da Lava-jato é impedir a candidatura Lula em 2018 e que Moro é um político que não investiga obras estaduais, o PSDB nem as três denúncias contra Aécio. Contra Lula não há uma única delação, uma única evidência. Se não encontrarem uma coisa muito direta contra ele, o tempo vai passar e Lula será elevado a condição de mártir. Se já não foi.

O Judiciário brasileiro é igual à Máfia ou pior?

O Cafezinho

Lava Jato perde a prudência, desvia o foco e vai atrás de "triplex" de Lula

Na semana em que circula reportagem da Veja, mentirosa como sempre, abordando o "triplex de Lula", a Lava Jato lança operação intitulada Triplo X. E a operação investiga exatamente um triplex...
O procurador admite que o triplex - que Lula não comprou, mas que a Globo trata como se fosse dele - também é investigado.

Chega a ser irônico. A Lava Jato, uma operação eterna e onipresente, com tentáculos para investigar até a construção da basílica de São Pedro, em Roma, agora investiga apartamentos em São Bernardo do Campo e Guarujá.

O que isso tem a ver com a investigação original, não vem ao caso.

Não mudaram completamente a Zelotes, esquecendo os sonegadores gordos e focando em Lula?

São muito descarados. Não escondem mais que estão manipulando as investigações com objetivo partidário-político.

Zelotes de um lado, Lava Jato de outro.

Estão desmoralizando completamente as principais investigações da Polícia Federal, transformando-as cada vez mais em conspirações midiático-judiciais de terceira categoria, apesar de perigosas, com ares fascistas, de perseguição política.

A agenda da grande imprensa nunca foi tão mesquinha, tão golpista, tão óbvia e homogênea.

Nada acontece no Brasil a não ser isso.

Chuvas no Nordeste? Recomposição dos reservatórios? Queda na conta de luz?

Não, não acontece nada.

É só Lava Jato, Lava Jato, Lava Jato, Lula, Lula, Lula, filho de Lula, triplex de Lula, e agora Etapa Triplo X.

E o Cafezinho fora do ar. Se eu fosse paranoico, acharia que atacaram o blog para evitar críticas, mas prefiro acreditar que é um problema passageiro no servidor Bluehost - nosso técnico está vendo isso.
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