segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Confrontar o fascismo

Gustavo Castañon
CONFRONTAR O FASCISMO NOSSO DE CADA DIA

Companheiros, ainda mais agora, com a derrota, é hora de voltar aos espaços perdidos. É hora de voltar a fazer política com prudência e determinação no local de trabalho, no grupo de whatsapp abandonado, no almoço de domingo.

Me lembro de quando a esquerda ironizava a estratégia da direita de satanizar sem descanso o PT: "Esperam ganhar as eleições fazendo os mesmos eleitores deles odiarem duas vezes mais o PT". O resultado está aí.

O Brasil vive a ascensão do fascismo de várias formas. Prefeitos fascistas ou semi-fascistas de várias espécies diferentes foram eleitos em POA, Curitiba, Rio, São Paulo, BH. É uma verdadeira tragédia civilizatória.

Confrontar os fascistas não tem como objetivo mudar-lhes a opinião. Os objetivos são os outros e outros, importantíssimos:

1) Quando eles falam sozinhos, começam a sentir que são portadores de uma verdade absoluta auto evidente e ficam mais perigosos. Os que ouvem, seguem aquele padrão da calúnia: "eles estão exagerando, mas isso também é demais". 

2) Todas as pessoas que não são fascistas não tem argumento para todas as mentiras que eles falam (e o fascista vive basicamente da mentira) e precisam ser informadas delas. Outro dia por exemplo tive que ouvir de um professor universitário que todas as TVs venezuelanas tinham sido estatizadas. Acredito que ele nunca mais repetirá isso. 

3) Nem todo o mundo está dividido entre convictos de esquerda e convictos de direita. Existem os não convictos e os centristas, que quando estão num ambiente contaminado pelo autoritarismo de um ou de outro lado acabam arrastados para fora do centro. Simplesmente a manifestação de uma única pessoa contrária os trás de volta a sua posição original. Psicologia social básica. 

4) Opiniões isoladas sobre fatos, não importa a orientação política da pessoa, se ela for minimamente decente, podem ser mudadas. E isso é muito importante para evitar a contaminação do ambiente. 

5) Opiniões anticivilizatórias, como as de repressão (não crítica, vejam bem) à determinadas religiões, orientações sexuais e posições políticas devem ser execradas publicamente com violência verbal e moral. Não se pode deixar a serpente sair do ovo, os bichos escrotos tem que voltar para os esgotos, tem que se envergonhar de suas piores opiniões, senão a civilização e a democracia correm, efetivamente, risco.

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