quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Um momento de união entre os homens


Feliz Ano Novo!


Do que nos livramos

Laurindo Lalo Leal Filho

Alguns dias na Argentina confirmam as piores previsões sobre o novo governo. Avanços democráticos conquistados nos governos de Néstor e Cristina estão sendo destruídos rapidamente.

Estrago mais recente: mudança por decreto da Lei de Meios aprovada pelo parlamento e confirmada pela Justiça. Tudo para atender aos interesses dos donos da mídia. Do que nos livramos!

Titi Civita, um retrato da elite branca

Brasileiro é tudo idiota,tem é que roubar mesmo esse povo.
‘Brasileiro é tudo idiota': um colega relembra filho de Roberto Civita na escola
Diário do Centro do Mundo


De um antigo colega de Titi Civita, um dos herdeiros de Roberto Civita:

Oi, Paulo! Li o artigo sobre a Veja, o Reinaldo Azevedo e os Civitas.

Fui colega do Titi quando menino, no Graded, e ainda que ele seja simpático, está longe de ser boa pessoa. Na época, meninos todos, sem filtro e sem capacidade de separar afeto de princípios, andávamos muito juntos.

Escutei várias vezes o Titi se vangloriar das picaretagens do avô, que tinha vários interesses associados ao Sr Paulo Maluf, então governador biônico. Adorava nos contar sobre como o avô havia conseguido, com o Maluf, terreno público, no já esquecido escândalo do Hotel 4 Rodas.

Contava como o Maluf havia assegurado asfalto nas terras da família para valorizá-las e como beneficiava a Abril em contratos públicos.

Numa ocasião, eu o vi quebrando uma coleção inteira de LPs, meio alcoolizado, aos berros de que podia ter os discos que quisesse porque era muito rico.

Nessa ocasião, eu já era um pouco mais velho e me dei conta do canalha que tinha como amigo. Afastei-me e nunca mais o vi.

Mas me incomoda um pouco ver qualquer tolerância em relação aos Civitas. Das nossas últimas conversas, jamais me esqueci de uma observação do Titi: Brasileiro é tudo idiota. Tem é que roubar mesmo esse povo.

Foi nesse dia que tomei aquilo que identifico como consciência de classe. Não pertencia àquele mundo, mas só me dei conta disso quando percebi que era o único no meu grupo que se identificava com o rótulo “brasileiro” e o único que se ofendeu com o comentário.

(…)

Cláudio Lembo, conservador de carteirinha, explica essa lumpen-burguesia.

Delator que citou Aécio falou também em propina a Renan e Randolfe

Do G1, através do DCM:

No mesmo depoimento em que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi mencionado por suposto recebimento de R$ 300 mil a mando do doleiro Alberto Youssef – o senador nega –, o delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, o “Ceará”, citou supostos valores repassados ao senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

O depoimento, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi dado em julho. Nele, Rocha disse que fazia para Youssef serviço de entrega de dinheiro para políticos. Mais cedo, o G1  confirmou o teor do depoimento do delator, revelado em reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”.

De acordo com Rocha, entre janeiro e fevereiro de 2014, Youssef informou que teria de levar R$ 1 milhão de Recife a Maceió. O delator disse que entregou o dinheiro, em duas partes de R$ 500 mil, para “um homem elegante” num hotel na capital alagoana. Rocha disse ter questionado Youssef  sobre o destinatário do dinheiro, e o doleiro teria respondido: “O dinheiro é para Renan Calheiros”.

O delator também informou que, entre 2009 e 2014, ouviu Alberto Youssef dizer que iria disponibilizar R$ 2 milhões para Renan Calheiros a fim de evitar a instalação de uma CPI para investigar a Petrobras. Ele não informou, no entanto, se o repasse de fato ocorreu. A assessoria de imprensa de Renan negou as acusações.

Em relação ao senador Randolfe Rodrigues, Rocha disse que Youssef afirmou, em referência ao senador socialista: “Para esse aí já foram pagos R$ 200 mil”. Ele disse ter questionado o doleiro se ele tinha certeza, e Yousseff teria respondido ter certeza “absoluta”. Rocha, porém, disse não saber se o valor foi efetivamente pago e nem como. 

Época produziu a capa mais furada de 2015

Em julho deste ano, a revista da Globo colocou o vice Michel Temer e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na linha de frente da chamada "guarda do palácio"; pouco tempo depois, Cunha acolheu um pedido de impeachment e Temer, com sua carta com um pote até aqui de mágoas, se lançou como alternativa de poder.
247 – A competição foi duríssima, o ano foi repleto de barrigadas jornalísticas, mas ninguém tira de Época o título de capa mais furada de 2015.

Ela foi publicada no dia 9 de julho deste ano e colocou tanto o vice-presidente Michel Temer como o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na linha de frente de uma suposta "guarda do palácio".

Como se sabe, pouco depois disso, Cunha acolheu o pedido de impeachment e Temer passou a conspirar abertamente para assumir o cargo da presidente Dilma Rousseff.

No entanto, para Época, ambos faziam parte da "tropa de choque" de Dilma.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Por que Cunha não tira férias?

Alex Solnik

Já rolam bolões nos meios jornalísticos e políticos de Brasília para adivinhar por que, na contramão de todos os deputados e senadores, a essa altura de chinelo e bermuda, Cunha continua dando entrevistas e tomando café da manhã com jornalistas em vez de sair de férias. Os palpites mais recorrentes são:

1) para aproveitar intensamente os últimos dias que lhe restam na presidência da Câmara;

2) medo de "ir a Portugal e perder o lugar";

3) viajar ao exterior ficou perigoso;

4) ele ia a Cuba, mas como O Globo vazou, ele cancelou;

5) como se dizia na UDN, "o preço da liberdade é a eterna vigilância";

6) para não tirar os olhos do Renan;

7) quer ser notícia na entressafra de notícias;

8) acha que o Brasil não merece tirar férias dele;

9) para ficar atento a novas oportunidades de exportação de carne enlatada para a África;

10) para averiguar de perto se os membros da comissão de ética estão observando a ética nas suas férias;

11) porque já conhece a Suíça.

Capa da revista Piauí



20 furadas épicas da imprensa brasileira em 2015




Crise política, abertura de impeachment, pauta reacionária de Eduardo Cunha no Congresso, retração do PIB, voos de Aécio Neves com celebridades e figurões da imprensa, corrupção na Sabesp, Lava Jato, assunto não faltou em 2015. Mesmo assim, o jornalismo conseguiu furos que se provaram enormes furadas, além de teses catastróficas que não se provaram verdadeiras.

No dever de informar, a mídia brasileira dominou a arte de prever acontecimentos sem embasamento, prestando um desserviço aos seus leitores. Selecionamos as maiores furadas e profecias erradas publicadas neste ano.

1. As capas da Veja tentando colocar Lula na cadeia

A Veja se consagrou em 2015 como a pior revista semanal e fez isso batendo à beça em Lula. A capa de 29 de julho tentou enquadrar o ex-presidente com base na delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, que desmentiu as informações após a publicação da edição. No dia 4 de novembro, conseguiu colocar Lula num uniforme de presidiário.

O ex-presidente não foi preso e entrou na Justiça.

2. O furo de Lauro Jardim sobre o filho de Lula no Globo – que era uma furada

Ex-titular da coluna Radar da revista Veja, Lauro Jardim saiu do seu cargo de editor-executivo na editora Abril para assumir uma coluna no jornal O Globo. No primeiro texto, em 11 de outubro, Lauro já estampou a manchete sobre a operação Lava Jato: “Baiano diz que pagou contas do filho de Lula”. O operador desmentiu o colunista, falando que passou dinheiro para o pecuarista José Carlos Bumlai. O Globo só admitiu a mentira em 8 de novembro, pedindo desculpas a Lula e Fabio Luis Lula da Silva.

3. Outra furada de Lauro sobre a suposta viagem de Eduardo Cunha a Cuba

Nem depois do Natal Lauro Jardim deixou de publicar uma barrigada no Globo. Ele divulgou no dia 26 de dezembro que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tinha embarcado para Cuba para passar o ano novo. O texto trazia uma foto compartilhada pela enteada de Cunha no Instagram com uma bunda original e um dedo em riste do perfil de Kendall Jenner, irmã da socialite Kim Kardashian. Cunha desmentiu a coluna na sua conta do Twitter, afirmando que estava no Rio de Janeiro. Ele ainda teve tempo de chamar Lauro de “colunista pilantra” e disse que a Globo é petista. O jornalista, que já tinha passado pela informação furada do filho de Lula, só publicou uma atualização no texto de Cunha em Cuba, sem dar a errata real.

4. As capas de todas as revistas semanais, exceto Carta Capital, prevendo o impeachment

Precisa comentar? Não é necessário, basta olhar três capas. A maioria foi publicada entre outubro e novembro de 2015. As revistas brasileiras se uniram para apostar no afastamento e erraram todas.

5. As reportagens mostrando Eduardo Cunha como “homem forte” contra Dilma


Mal sabiam os jornalistas envolvidos nestas reportagens que Eduardo Cunha receberia acusações graves de recebimento de propina na operação Lava Jato vindas da Suíça. A capa da Veja, publicada em 25 de março, não traz uma linha de qualquer acusação que Cunha recebeu ao longo de sua trajetória política como lobista e ainda tece elogios por sua atuação nos bastidores. Naquele mesmo período, Joice Hasselmann, a apresentadora da TVeja que plagiou mais de 60 textos, fez uma entrevista igualmente bajulatória. Já a revista Época, em 17 de outubro, tentou dar poder ao presidente da Câmara perto do período em que ele abriria o processo de impeachment.

Cunha terminou 2015 como um morto vivo.

6. A quantidade de vezes em que Diogo Mainardi e Mario Sabino profetizaram a prisão de Lula

Criado o blog Antagonista no final de 2014, Diogo e Mario dedicaram-se diariamente a fazer torcida contra Lula, Dilma e o PT. Perdeu-se a conta da quantidade de vezes em que eles profetizaram a prisão do ex-presidente, a delação premiada de Delcídio — fora a quantidade enorme de artigos com informações erradas sobre pedaladas fiscais, entre outras barbaridades. E eles prometem continuar com tudo em 2016.

7. A tese furada de Carlos Alberto Sardenberg sobre a crise da Grécia

Para o comentarista da CBN e do Jornal da Globo, Lula e Dilma foram os responsáveis por convencer o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, a adotar o programa antiausteridade em 2015. A maluquice foi comentada no dia 2 de julho na rádio CBN. Lula utilizou seu Facebook para responder ao jornalista econômico.

8. A República que Marcelo Odebrecht não derrubou

Reportagem de capa de 20 de junho da revista Época estampou a prisão do empresário Marcelo Odebrecht, com uma reportagem que dava como certa uma delação premiada do empreiteiro que “implodiria” a república brasileira como conhecemos. Tudo cascata. O redator-chefe Diego Escosteguy alardeou no Twitter sobre o conteúdo “bombástico” do texto. A república não caiu, mas a Época continua indo para o buraco.

9. As capas querendo colocar Michel Temer no lugar de Dilma

Michel Temer se tornou queridinho da grande imprensa, como Eduardo Cunha foi enquanto era conveniente. A Veja apostou que ele e seu partido já teriam um plano para a sucessão, enquanto o PMDB se perde em uma disputa interna. Mas quem namorou de verdade Temer em 2015 foi a revista ISTOÉ, concedendo-lhe pelo menos quatro capas no ano. O ápice foi em 23 de dezembro, quando o veículo da editora Três deu o prêmio de “Brasileiro do Ano” para o “vice decorativo” de Dilma. Ele terminou o ano como autor de cartas medíocres.

10. A torcida pelo fim da crise da Sabesp

Os jornais Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo noticiam com certo otimismo a elevação do nível do sistema Cantareira para perto de 29%, o que significaria a saída do volume morto após dois anos de crise hídrica. No entanto, o que a grande imprensa omite é que foram gastos quase R$ 30 milhões para transferir água do Rio Guaió, e de outras fontes, pela Sabesp e que isso não impediu que as reservas do Alto Tietê caíssem pra cerca de 20%. O Ministério Público abriu processo contra o DAEE, a Sabesp e o governo Geraldo Alckmin por improbidade administrativa no dia 14 de dezembro. A crise hídrica não acabou e a torcida da mídia omite acusações graves de corrupção e de formação de cartel entre as empresas terceirizadas, conforme apurou o próprio DCM em sua série de reportagens sobre o tema.

11. A tentativa de transformar a ida de Aécio, Caiado e outros até a Venezuela num fato importante

Aécio Neves, Aloysio Nunes e Ronaldo Caiado bem que tentaram, com amplo espaço na grande imprensa, visitar os “presos políticos” na Venezuela, mas foram barrados por um protesto de chavistas. Disseram que foram “sitiados”, deram meia volta e não ficaram em Caracas para ver o que aconteceria. Caiado jura que filmou no seu celular um manifestante querendo quebrar o ônibus em que estavam. Ninguém nunca viu  tal gravação.

12. A tentativa de transformar o fechamento de 94 escolas em “reorganização”

O governo Alckmin teve espaço nos telejornais, nas revistas e nos jornais para defender seu projeto de “reorganização” de escolas estaduais. No entanto, isso não impediu que um áudio de uma reunião entre 40 dirigentes de educação vazasse para o site Jornalistas Livres, com uma verdadeira declaração de guerra contra estudantes que começaram a ocupar as 94 escolas. Mobilizados, os alunos entraram em mais de 200 escolas e derrotaram a iniciativa do governo.

Foi mais uma tentativa da mídia de dar voz a Alckmin que não deu muito certo.

13. O acidente no Minhocão que virou culpa da ciclovia

A imprensa noticiou em peso que o zelador Florisvaldo Carvalho Rocha, de 78 anos, teria morrido na ciclovia sob o Minhocão em agosto deste ano. O problema é que uma perícia da Polícia Civil provou que o ciclista que o matou passou no corredor de ônibus, e não na faixa vermelha desenhada pelo petralha Fernando Haddad. Foi mais uma tentativa mal-sucedida de tentar culpar o prefeito em cima de uma informação incorreta.

Os antipetistas ainda  juram de pé junto que o zelador morreu na ciclovia, infelizmente.

14. A falácia do processo do Bill Gates contra a Petrobras

Em tempos de Lava Jato, uma notícia de que a Fundação Bill & Melinda Gates estaria processando a Petrobras seria uma bomba, certo? A imprensa internacional e a brasileira caíram neste factoide em 25 de setembro, que foi desmentido pelo próprio fundador da Microsoft. Bill Gates foi visitar Dilma Rousseff em uma viagem até Nova York para pedir desculpas pelo erro de informação.

Quem estava processando a Petrobras era um investidor externo de sua empresa, por perdas em ações depois das operações da Polícia Federal. Poucos veículos brasileiros deram destaque ao desmentido de Gates.

15. A mentira de que a “Paulista fechada atrairia o caos”

O prefeito Fernando Haddad decidiu em 2015 abrir a Avenida Paulista para os pedestres e fechar para carros aos domingos, uma medida revolucionária que incentiva um contato mais humano com a cidade. O Instituto Datafolha em novembro indicou que pelo menos 47% dos paulistanos aprovam a medida, contra 43%. Mesmo com protestos dos blogueiros da revista Veja e do senador tucano José Serra, a Paulista aberta segue como um sucesso.

16. O sucesso das ciclovias em São Paulo, contrariando setores da imprensa

A mídia brasileira bem que tentou, mas não conseguiu conter a aprovação de 56% dos paulistanos a respeito das ciclovias segundo o Datafolha neste final de ano. Mesmo com o blogueiro Reinaldo Azevedo chamando os usuários de “talibikers” ou de “fascistas sobre duas rodas” e profetizando o caos, parece que a galera está gostando de pedalar e está usando menos o carro na maior metrópole brasileira.

17. Redução das Marginais em São Paulo que evitou mortes, não provocou catástrofes

Haddad deve causar dor de cabeça nos seus críticos. O prefeito reduziu as velocidades máximas das pistas expressas nas Marginais Pinheiros e Tietê de 90 km/h para 70 km/h em julho de 2015. No mês de setembro, a medida reduziu em 36% os acidentes com vítimas de acordo com a CET. Isso deve ter deixado os comentaristas da Jovem Pan com os cabelos em pé.

18. A cobertura convocatória dos protestos coxinhas que não evitou seu esvaziamento

A GloboNews cobriu em tempo real as manifestações pró-impeachment em São Paulo e em Brasília com os bonecos inflados de Lula e Dilma, com adesão de todos os veículos da grande imprensa. Mesmo com todos os holofotes, os protestos de 13 de dezembro só reuniram 30 mil pessoas na Avenida Paulista, com direito a olavetes e manifestantes pró-ditadura militar dividindo caminhões de som com o mítico líder do MBL, Kim Kataguiri. O número de manifestantes foi muito inferior aos 210 mil do dia 15 de março. As estatísticas são do DataFolha e a campanha da mídia, pelo visto, não funcionou.

19. Uma década depois do mensalão do PT, o mensalão mineiro teve a primeira condenação

Embora seja ainda em primeira instância, o ex-governador tucano Eduardo Azeredo foi condenado a 10 anos de prisão pelos crimes praticados no chamado mensalão mineiro, esquema de caixa dois que envolveu o publicitário Marcos Valério em 1998. A mídia não profetizou nada a respeito deste processo de Azeredo e só deu capa para os 10 anos do mensalão que culminou na prisão de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Para a grande imprensa, o caso dos tucanos é “menor”, o que é mais uma furada de 2015.

20.  A profecia furada da separação entre Dilma e Lula

Para Lauro Jardim, o mesmo repórter da furada sobre o filho de Lula, o ex-presidente estaria longe de Dilma desde março de 2015, quando ele ainda trabalhava na Veja. Ricardo Noblat sentenciou em setembro no Globo que Lula “desembarcou do governo”. De onde eles tiraram tais informações eu não faço ideia, mas no dia 4 de dezembro o ex-presidente disse em sua fanpage de Facebook que “Dilma fica”, contra o processo de impeachment aberto por Eduardo Cunha.

Se isso for indício de separação, me parece um divórcio muito adocicado. Diogo Mainardi, aquele que faz torcida em seu Antagonista, acha que Dilma Rousseff quis provocar Lula ao transformar Leonel Brizola em herói nacional neste final de ano. Acredita nisso quem realmente quiser acreditar.

Delator aponta propina para Aécio de R$ 300 mil

247 – O senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu R$ 300 mil de um diretor da UTC Engenharia, uma das empresas investigadas na Operação Lava Jato, segundo o delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará. A informação foi publicada em reportagem de Rubens Valente, da Folha de S. Paulo, nesta quarta-feira 30.

Rocha é apontado como entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, e teve sua delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele contou aos investigadores ter levado a quantia no segundo semestre de 2013 a um diretor da UTC no Rio de Janeiro chamado Miranda, que lhe disse que o montante teria como destino o senador tucano.

O diretor financeiro da UTC, Walmir Pinheiro Santana, confirmou que o diretor comercial da empreiteira no Rio chamava-se Antonio Carlos D'Agosto Miranda e que "guardava e entregava valores em dinheiro a pedido" dele ou de Ricardo Pessoa, dono da empresa.

Segundo Rocha, Miranda "estava bastante ansioso" pelos R$ 300 mil, o que lhe causou estranheza e o levou a perguntar o motivo. O diretor da UTC contou então que "não aguentava mais a pessoa" lhe "cobrando tanto" o dinheiro. Rocha teria perguntado quem era e Miranda respondeu Aécio Neves, de acordo com o delator.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o tucano chamou de "absurda" a citação de Rocha.

Anteriormente, Aécio já havia sido citado pelo próprio Youssef como responsável por um mensalão em Furnas (leia mais aqui).

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

A tragédia de termos tantos jovens conservadores



O que Dizer aos Jovens Conservadores? 
Prof. André Azevedo da Fonseca 

Uma das distorções mais lamentáveis que a gente tem visto nas redes sociais é essa quantidade alarmante de jovens conservadores, reacionários, homofóbicos e misóginos. O que dizer a eles?

Não tem nenhum sentido jovem conservador. É compreensível ver velhos conservadores. É um declínio natural. Quando gente envelhece, fica menos idealista, mais cansado, com preguiça de experimentar, de mudar, de curtir ideias novas, fica menos paciente, mais cínico, perde muito da capacidade e da disposição em aprender coisas novas, em aceitar as diferenças, em compreender coisas diferentes do nosso próprio universo, aí tem que trabalhar para pagar as contas, para pagar os remédios, tem que se preocupar com os filhos e tende a ficar mais egoísta. 


A gente se acostuma a 40, 50, 60 anos com uma coisa e aí é muito mais difícil mudar. São raros os velhos de espírito juvenil e que ainda se entusiasmam com o mundo e querem descobrir coisas novas. E é normal. A gente envelhece e fica doente, cheio de dor, tudo que a gente quer é sossego, é manter o mundo do jeito que a gente está acostumado, a gente prefere rever as coisas que gente já gosta. Muitos tentam reviver o passado, ficam sonhando em recuperar o que perdeu.

Mas, velhos conservadores não são de todo mal. Sempre foi papel dos velhos manter a tradição, servir de memória para a sua comunidade e conservar alguns princípios básicos que sustentaram a sua realidade durante tantos anos. Agora, há muitos problemas aí, porque se há realmente tradições que precisam mesmo ser conservadas, se há um patrimônio cultural riquíssimo que precisa ser conservado para que gente não percas as referências que nos conduziram a que somos hoje, há também muitas tradições violentas que devem na verdade ser desconstruídas e transformadas. 

Mas a juventude, ao contrário, é o período perfeito para questionar, para experimentar, para testar, desafiar as regras do mundo, se contrapor ao conservadorismo e avançar. Juventude não é um tempo de respostas, mas de perguntas. Não é um tempo de certezas, mas de curiosidade. Não é para desperdiçar energia defendendo aquelas coisinhas que ele já sabe, mas para aprender mais. Não é para ficar ciscando. É para voar. A gente precisa da imaturidade, da inconsequência e da rebeldia dos jovens para contrabalançar o cansaço, a preguiça e o desencantamento dos adultos. 

Ao contrário dos velhos, os jovens têm energia, ainda estão descobrindo a vida, não tem nem o que conservar. Jovens só têm futuro, eles têm pouquíssimo passado. Os elementos para compreender o mundo ainda estão se ligando. Não há nem referências, não há experiência o suficiente para compreender o mundo e dizer que é melhor assim. E ao contrário do passado, patrimônio dos velhos, que é certo, já aconteceu, já se solidificou, ninguém tira o seu passado; o futuro, o patrimônio dos jovens, é incerto, é instável, não é uma garantia, ele é indisciplinado, imprevisível por natureza, como devem ser os jovens. 

Jovens tem todo o potencial físico, psicológico, biológico para serem bem mais abertos em relação às ideias. Eles têm mais oportunidade, mais tempo e, de certa forma, há até mais tolerância social para o jovem arriscar, errar, falar bobagens, coisas que fazem parte do processo de aprendizagem, e também de experimentar novas possibilidades, de fazer combinações inesperadas, de se propor a fazer coisas que são consideradas pelos velhos como impossíveis, utópicas; de desafiar as ideias antigas para ver se elas se sustentam diante os novos questionamentos ou se elas se tornaram insustentáveis, e por isso devem ser substituídas.

E aí o jovem conservador joga toda essa potência fora para conservar ideias, tradições ou valores que nem foram eles que construíram, e se igualam aos velhos cansados. É uma tragédia. A vida, o mundo e a história são tão amplos de possibilidades, tão interessantes, tem tanta coisa para fazer, para descobrir, para inventar.

Salário mínimo sobe acima da inflação

Salário mínimo sobe para R$ 880 em 1º de janeiro
Sabrina Craide - Repórter da Agência Brasil

A partir do dia 1º de janeiro de 2016, o salário mínimo será de R$ 880. O valor foi definido em decreto assinado hoje (29) pela presidenta Dilma Rousseff, que será publicado no Diário Oficial da União de amanhã (30).

O aumento do salário mínimo será de 11,6%, já que, atualmente, o valor é de R$ 788. "Com o decreto assinado hoje pela presidenta Dilma Rousseff, o governo federal dá continuidade à sua política de valorização do salário mínimo, com impacto direto sobre cerca de 40 milhões de trabalhadores e aposentados, que atualmente recebem o piso nacional", diz nota divulgada pelo Palácio do Planalto.

A proposta de Orçamento aprovada pelo Congresso Nacional previa um salário mínimo de R$ 871. Ainda hoje o governo irá dar mais detalhes sobre o novo valor do salário para o ano que vem.

A bunda do ano

Nem Paolla Oliveira, nem Kim Kardashian. A bunda do ano é de Kim Kataguiri. 
Por Kiko Nogueira, no DCM 

Em 2014, foi Kim Kardashian quem quebrou a internet com uma foto de capa da revista Paper. Seu derrière foi um acontecimento mundial, gerando memes, vídeos, debates, assassinatos e catástrofes climáticas.

Em janeiro deste ano, Paolla Oliveira repetiu o feito com uma cena da minissérie “Felizes Para Sempre”. Paolla interpretava uma garota de programa que aparecia na varando de um apartamento no Rio de Janeiro.

Sua caminhada em direção ao horizonte, vestida apenas com um fio dental e um sapato de salto alto, entrou na antologia dos grandes momentos da TV brasileira, seja lá o que isso quer dizer.

A bunda de Paolla parecia imbatível, até que um valor mais alto se alevantou e a deixou comendo poeira. Kim Kataguiri, o “Japonês Ruinzinho” do Movimento Brasil Livre, mandou ao DCM uma foto de suas politizadas nádegas e colocou as de Paolla em seu devido lugar.

Paolla Oliveira

Um traseiro pode ser mais do que um traseiro, e o de Kataguiri carregava toda uma carga cultural, social e política, algo que transcendia a anatomia pura e simples. Um clássico instantâneo.

O momento era muito especial. Foi durante o auge da Marcha da Liberdade, uma caminhada entre São Paulo e Brasília empreendida em nome do impeachment.

Em maio, nosso colaborador Pedro Zambarda enviou-lhe algumas perguntas, tais como: como está a viagem de vocês? Quantas pessoas se juntaram à marcha? Nas redes sociais, parte do público de vocês tira sarro da marcha. É normal?

A resposta do MBL foi o selfie de Kataguiri, mais exatamente um belfie (o nome técnico do autorretrato da bunda). É uma coisa triste e flácida, o oposto do que exibiram Kardashian e Paolla — embora cheia da indignação cívica daquela milícia.

Diante da repercussão, Kataguiri deu uma explicação no Facebook segundo a qual a bunda não era dele, mas sim de um dos “coordenadores estaduais” (?!) do MBL que o acompanhavam na andança.

Foi tarde demais e não colou. A imagem ganhou as redes sociais e tornou-se o símbolo de seu grupelho. De tudo o que ele queria derrubar, KK (e não me refiro a Kim Kardashian) tirou apenas a bunda de Paolla Oliveira do posto de campeã de 2015.
Kim Kataguiri

Balanço final de 2015


Lemmy Kilmister, vocalista e baixista do Motörhead, morre aos 70 anos




Lemmy Kilmister, baixista e vocalista da banda Motörhead, morreu ao 70 anos de idade, nesta segunda-feira (28). Segundo comunicado da banda através do Facebook, o músico faleceu após descobrir, no dia 26 de dezembro, que estava com câncer.

Lemmy nasceu em 1945, na cidade de Stoke-on-Trent, na Inglaterra. Antes do Motorhead, ele dividiu um apartamento com Noel Redding, baixista de Jimi Hendrix, e depois trabahou como roadie para o guitarrista. Em 1975, ele iniciou o Motorhead, que influenciou inúmeras bandas no mundo do rock, com álbuns como Ace of Spades, Bomber e Overkill. Em 2015, a banda passou pelo Brasil e lançou o álbum Bad Magic.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Os piores e os ainda piores de 2015

Alex Solnik 

Pior ator: Michel Temer. Depois de ter se destacado por muitas temporadas no papel de “Mordomo de filme de terror” atraindo atenção para a verossimilhança com a sua vida real, decepcionou seus fãs partindo para um papel cômico em “Trair e coçar é só começar”, no qual não convenceu nem o público nem a crítica.

Pior cantada: “Dizem por aí que você é muito namoradeira”. Foi com essa que Dom Juan levou todo aquele mulherio para cama.

Pior vinho: o que Katia Abreu jogou na cara do Serra. Ninguém desperdiça um bom vinho nem com a pior cantada do mundo.

Melhor figurino: Supremo Tribunal Federal. Meu Deus, quem corta aquelas capas? Batman morreria de inveja.

Pior figurino: Sérgio Moro. Continua tentando combinar gravatas pretas com camisas idem.

Pior novela: “Impeachment”. Autoria de Eduardo Cunha (sob pseudônimo), direção de Eduardo Cunha (completamente sem direção), com Eduardo Cunha no papel principal. Motivos do fracasso: um enredo inverossímil, sem consistência, péssimos atores, muitas brigas nos bastidores derrubaram o ibope de capítulo para capítulo até ser retirado do ar

Pior Suplicy: Marta Suplicy

Exportador do ano: Eduardo Cunha. Em plena crise mundial conseguiu vender para a África, sem fazer o menor alarde e sem ajuda do BNDES muitas toneladas de carne em lata e nem precisou matar os bois ou emitir notas fiscais.

Pior roteiro de fuga: Delcídio do Amaral, que planejava tirar Nestor Cerverò do Brasil pelo Paraguai e depois largá-lo na Espanha onde seria confundido com um quadro do PicassoMelhor gravação: Bernardo Cerverò

Pior troca de partido: Marta Suplicy, que, não suportando mais a companhia de envolvidos da Lava Jato no seu partido trocou-o pelos envolvidos na Lava Jato do outro partido

Troféu Bola de Ouro: José Maria Marin - as bolas acorrentadas a seus pés são de ouro maciço cuja origem está sendo investigada pela Interpol

Pior enredo: “Vai indo que eu não vou”, de autoria de Aécio Neves, criado especialmente para os desfiles de rua pela volta de Dom Sebastião os quais estimulava, mas não ia

Pior pássaro: Hélio Bicudo que, na muda, não canta

Pior cidade do mundo: Curitiba

Pior lugar para curtir um porre: Leblon

Troféu Vivo Sem: Lula, que nunca teve, não tem e nunca terá telefone celular

Pior strip-tease: Maytê Proença – ou não fala que tira e não tira ou fala que tira e tira, mas falar que tira e não tirar é caso para anular todo o campeonato da série B e começar tudo de novo

Drama do Ano: Esperando Janot. Quando ele resolveu agir, o ano acabou.

Pior ex-presidente com mais de 80 anos: Fernando Henrique Cardoso. Levou a melhor porque Sarney passou o ano calado.

Capitalismo real


A mão invisível do mercado é muito diferente do que os coxinhas e neoliberais-toddynho imaginam....

Ataques de ódio no Brasil são produto importado dos EUA?

Caso Chico: os ataques de ódio serão uma receita “made in USA”?
Mulher em surto xinga brasileiros de terroristas. Fenômeno importado?
Por Ivo Pugnaloni - Blog dos Desenvolvimentistas

Os ataques de ódio sofridos por Chico Buarque são matéria de altíssima repercussão nas redes sociais.

Mas será que eles são um produto Made in Brazil ou importados?

Quem assistir o ataque de ódio racista publicado pelo jornal inglês Daily Mirror, mostrando o que uma cidadã norte-americana fez a dois brasileiros que estavam na Flórida terá a mesma dúvida.

Afinal, nós estamos importando ou exportando essa praga?

Vejam com atenção.

Ela para o carro, e desce do seu carro já gritando que eles são “terroristas, sacos de merda” e cobrindo-os de injúrias, como querendo chamar a atenção dos passantes para ajudá-la a prender os “terroristas” que mais parecem garotos normais, inclusive vestem camisetas com a bandeira americana, como muitos jovens brasileiros, que gostam muito mais dela do que da brasileira.

Mas nem o “disfarce de americano” salvou os nossos patrícios. A mulher, aparentemente uma pessoa normal, em segundos transforma-se em um quase-animal, que xinga, ataca, ofende e ameaça a segurança dos rapazes brasileiros.

Parece mesmo ser o mesmo produto da campanha de ódio e de intolerância que invade o Brasil, comandada e difundida pelos mais importantes meios de comunicação social. E pelo jeito, seguindo uma mesma receita “made in USA”. O mesmo “manual de instruções”. A mesma linguagem de horror ao diferente, que não consegue nem parar para ouvir o que dizem os meninos, quando afirmam que são do Brasil. Ela está convencida de que são “terroristas” do oriente médio e pronto. Não escuta nada mais. Está possuída pelo ódio. E tem o mesmo comportamento típico dos coxinhas-zumbis do Brasil que estão convencidos que “petista é ladrão” , “merda” e pronto.
Uma receita psicossocial de ódio  que em doses diárias nos noticiários e programas “policiais” aos poucos vai transformando pessoas normais e pouco interessadas em política em animais raivosos e selvagens, um tipo de zumbis, controlados pela TV e pelas redes sociais. Prontos a atacar qualquer “inimigo” que aparecer esperando que outros zumbis, na mesma hora, parem o que estão fazendo, parem de andar na rua, para linchar o inimigo…

Capitalistas liberais do Brasil são contra o capitalismo e o liberalismo

Renato Janine Ribeiro

O espírito capitalista no Brasil é tão precário que amigos meus do FB, que se dizem liberais, repetem a frase do PseudoMillôr atacando Chico Buarque por ganhar dinheiro com seus ideais.

Houvesse maior coerência de sua parte, e eles criticariam Millôr por ter os preconceitos da colonização ibérica e católica contra ganhar dinheiro com atividades honestas.

Essa crítica eles fazem com frequência, mas na ânsia de atacar Chico renunciaram ao próprio liberalismo econômico.

(Da série Dois pesos, duas medidas)

Quem precisa de corruptos e criminosos quando se tem um Judiciário como o do Brasil?

Procuradora da República Monica Cheker de Souza, salário bruto
 em abril  de 2015: R$ 83.538,00; líquido R$ 63.409,25

Juiz Federal (1ª Instância!) Sergio Fernando Moro, salário bruto 
em  abril de 2015 R$ 77.423,66; líquido R$ 64.928,12






A elite mais estúpida do mundo

Em uma faixa litorânea de cinco quilômetros entre uma movimentada rodovia e áreas de preservação, construtoras erguem uma fileira de arranha-céus. No térreo, a disputa é por um lugar ao sol: os edifícios criaram zonas de sombra na areia da praia.
O estilo das construções, que varia de colunas gregas a dezenas de andares envidraçados, gera comparações com Dubai, nos Emirados Árabes, que hoje tem o maior edifício do mundo, com 828 m.
Mas também desperta críticas. A mais visível delas é a zona de sombra que as construções projetam na praia a partir do meio da tarde. Há também os paredões dos prédios, que transformam ruas em corredores de ventania. "Ninguém gosta de ficar em uma rua sem luz do dia. Querem fazer [de Camboriú] a Mônaco brasileira, mas veja bem: isso não é um elogio", diz o professor de arquitetura Carlos Barbosa, da Universidade do Vale do Itajaí. 
Folha de São Paulo 



Temos ou não temos a elite mais estúpida e mané do mundo?

Bacia do Rio Doce


Oposição e sua trilha sonora se merecem

247 – O colunista Gregório Duvivier abordou a agressão sofrida por Chico Buarque, em sua coluna desta segunda-feira, intitulada "Os ignorantes do Leblon".

"Quando vejo as agressões ao Chico – e não estou falando do bate-boca na calçada, mas da campanha difamatória da qual os ignorantes do Leblon são meros leitores –, para mim é como se chutassem uma santa ou rasgassem a Torá", escreveu Duvivier.

"Como sou a favor da liberdade total de expressão, inclusive quando ela fere o sagrado dos outros, limito-me a torcer para que passem a eternidade ouvindo Lobão e Fábio Jr., intercalados com discursos do Alexandre Frota e Cunha tocando bateria. Uma coisa é certa: a oposição e sua trilha sonora se merecem."

Ontem, o cineasta Cacá Diegues disse que Chico foi alvo de uma "intolerância burra" (leia aqui). Antes, Eric Nepomuceno afirmou que a direita raivosa saiu de seu armário embutido (leia aqui). Os dois presenciaram as agressões.

Os ignorantes do Leblon

Nunca aprendi a rezar o Pai Nosso. Comemorávamos Natal só porque é aniversário da minha mãe. Celebrávamos a Páscoa, mas confesso com bastante vergonha que não faço ideia do que significa. Sim, sei que tem a ver com Jesus. Mas não sei qual era a relação dele com o coelho, e nem por que raios esse coelho põe ovos, e por que diabos são de chocolate.

O mais perto que tinha de religião lá em casa era a música: meus pais só veneravam deuses que soubessem tocar. Ninguém rezava antes de comer, mas minha mãe botava a gente pra dormir religiosamente cantando Noel e acordava cantando Cartola. Meu pai passava o dia no sax tocando Pixinguinha e a noite no piano tocando Nazareth. Música não era um pano de fundo, era o caminho, a verdade, a vida. Tom era o Pai, Chico, o Filho, Caetano, o Espírito Santo.

Podia falar os palavrões que eu quisesse, mas ai de mim se ousasse tocar violão com acordes simplificados. “A pessoa que fez esse arranjo devia ir presa”, dizia minha mãe. Preferiam me ver pichando muros a me ver batucando atravessado. Quando descobriram que eu fumava maconha, meus pais me disseram que não tinha nada de errado, desde que eu só fumasse em casa. Quando eu comprei um CD do LS Jack, disseram que não tinha nada de errado, desde que eu nunca ouvisse aquilo em casa.

Às vezes organizavam um sarau que parecia missa. “Silêncio, que se vai cantar o fado”, dizia a Luciana Rabello, e daí tocavam choro como quem reza. Todos se calavam como numa igreja. A criança que abrisse o bico tomava logo um tabefe. Aquilo era sagrado. Pra mim, ainda é.

Herdei deles a devoção (sem herdar, no entanto, o talento para a música). Às vezes queria me importar menos com isso. Quando vejo as agressões ao Chico –e não estou falando do bate-boca na calçada, mas da campanha difamatória da qual os ignorantes do Leblon são meros leitores–, para mim é como se chutassem uma santa ou rasgassem a Torá. Como sou a favor da liberdade total de expressão, inclusive quando ela fere o sagrado dos outros, limito-me a torcer para que passem a eternidade ouvindo Lobão e Fábio Jr., intercalados com discursos do Alexandre Frota e Cunha tocando bateria. Uma coisa é certa: a oposição e sua trilha sonora se merecem.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Uma não-defesa do Chico Buarque

Luiz Caversan

Não, não vou defender o Chico Buarque de Hollanda por causa das suas posições políticas. Tampouco repreendê-lo. Não acho que me caiba uma coisa ou outra.

Mas não posso deixar de condenar aqueles que o xingaram na rua, assim como condenaria, sempre, qualquer um que ofendesse na rua quem quer que seja porque discorda de sua opinião democrática - veja bem, democrática.

Não quero defender ninguém, repito, somente a civilidade, o respeito, a diversidade, o pluralismo, a delicadeza, a tolerância.

E é pensando nestes valores tão caros e cada vez mais tão raros que me ponho ao lado de Chico Buarque de Hollanda. E também porque ele escreveu, entre outras, as seguintes canções:

Tatuagem

Ana de Amsterdã

Apesar de Você

Retrato em Branco e Preto

Cálice

Olhos Nos Olhos

Construção

Geni e o Zepelim

Roda Viva

O Meu Amor

Eu Te Amo

Cotidiano

Vai Passar

O Que Será

Atrás da Porta

O Meu Guri

Meu Caro Amigo

Mulheres de Atenas

A Noiva da Cidade

A Rita

Homenagem ao Malandro

Acorda Amor

Almanaque

Anos Dourados

Até o Fim

Bárbara

Basta Um Dia

Bastidores

Boi Voador

Bom Conselho

Bye, Bye, Brasil

Cambaio

Camisola do Dia

Carolina

Com Açúcar, Com Afeto

Copo Vazio

Cotidiano

De Todas As Maneiras

Deixe a Menina

Deus lhe Pague

Essa Moça Tá Diferente

Exaltação À Mangueira

Fado Tropical

Feijoada Completa

Festa Imodesta

Flor da Idade

Folhetim

Funeral de Um Lavrador

Gente Humilde

Gota D'água

Joana Francesa

João e Maria

Jorge Maravilha

Ligia

Madalena Foi Pro Mar

Mambembe

Maninha

Meu Caro Amigo

Não Existe Pecado ao Sul do Equador

Não Sonho Mais

Noite dos Mascarados

O Cio da Terra

Olê, Olá

Partido Alto

Passaredo

Pedaço de Mim

Pedro Pedreiro

Pequeña Serenata Diurna

Piano na Mangueira

Pivete

Quando o Carnaval Chegar

Sabiá

Samba de Orly

Se Eu Fosse Teu Patrão

Sinal Fechado

Sinhá

Sobre Todas As Coisas

Tanto Mar

Teresinha

Trocando Em Miúdos

Vai Trabalhar Vagabundo

Valsinha

Yolanda

Você Não Entende Nada

(PS - Se na listinha acima eu deixei passar alguma música que não seja do Chico, mas "apenas" de sua interpretação, você me perdoa?)

Jesus na Terra dos Coxinhas

JESUS NA OSCAR FREIRE
João Capítulo 6

Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: "Onde compraremos pão, para estes comerem?" Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer. Filipe respondeu-lhe: "Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco". E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe: "Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?" E disse Jesus: "Mandai assentar os homens". E havia muito espaço naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam. E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: "Ouvi vós, Filipe, André e Simão Pedro!"

"Parece que há pessoas dando louvor ao nosso gesto de tanta graça". Filipe desconfia: "Sei não, Jesus. Acho que não é bem isso"..."Psssssiu"...Jesus, absolutamente absorto, preferiu tentar escutar aquele grupo que se aproximava:

- Dar esmola com impostos dos outros é mole!!!!
- É um monte de pão com mortadela!!!
- Vai pra Cuba!!! Emoticon grumpy
- To aqui pra sustentar vagabundo não, hein!!!!
- Cambada de comunista!!!
- Mate um pobre por dia e seremos felizes!!!
- Só faltava essa, multiplicar pão pra favelado!!!
- Negócio é ensinar a pescar e fazer pão, seu Jesus...

E Jesus perguntou surpreso: "O que eles falam, André. Não os compreendo".E, André, muito pragmático, ensinou a Jesus. "Ih, Meu Senhor, relaxa..É a galera que lê a revista Veja". E Simão Pedro: "Ou talvez O Globo"...


E assim ficaram surpresos, quando Jesus perguntou: "Quando é a Páscoa mesmo?"


Mídia abafa a corrupção tucana

247 – No texto Seletividade, o jornalista André Singer condena a hipocrisia e os dois pesos e duas medidas da imprensa brasileira par abordar o tema corrupção.

"O pagamento de R$ 60 milhões por parte da Alstom, como indenização por uso de propina no mandato do pessedebista Mário Covas em São Paulo (Folha, 22/12), a revelação de que a dobradinha Nestor Cerveró-Delcídio do Amaral remonta ao tempo em que ambos serviam ao governo Fernando Henrique Cardoso (Folha, 18/12) e a condenação do ex-presidente tucano Eduardo Azeredo a 20 anos de prisão (Folha, 17/12), por esquema análogo ao que levou José Dirceu à cadeia em 2012 (condenado à metade do tempo), confirmam que há dois pesos e duas medidas no tratamento que a mídia dá aos principais partidos brasileiros", diz ele.

"Enquanto o PT aparece, diuturnamente, como o mais corrupto da história nacional, o PSDB, quando apanhado, merece manchetes, chamadas e registros relativamente discretos. O primeiro transita na área do megaescândalo, ao passo que o segundo ocupa a dimensão da notícia comum", afirma. "A salvaguarda do PSDB pelos meios de comunicação reforça a tese de que o objetivo é destruir a real opção popular e não regenerar a República."

Seletividade
André Singer

O pagamento de R$ 60 milhões por parte da Alstom, como indenização por uso de propina no mandato do pessedebista Mário Covas em São Paulo (Folha, 22/12), a revelação de que a dobradinha Nestor Cerveró-Delcídio do Amaral remonta ao tempo em que ambos serviam ao governo Fernando Henrique Cardoso (Folha, 18/12) e a condenação do ex-presidente tucano Eduardo Azeredo a 20 anos de prisão (Folha, 17/12), por esquema análogo ao que levou José Dirceu à cadeia em 2012 (condenado à metade do tempo), confirmam que há dois pesos e duas medidas no tratamento que a mídia dá aos principais partidos brasileiros.

Enquanto o PT aparece, diuturnamente, como o mais corrupto da história nacional, o PSDB, quando apanhado, merece manchetes, chamadas e registros relativamente discretos. O primeiro transita na área do megaescândalo, ao passo que o segundo ocupa a dimensão da notícia comum.

Isso não alivia a situação do PT, o qual, como antigo defensor da ética, tinha compromisso de não envolver-se com métodos ilícitos de financiamento. No entanto, o destaque desequilibrado distorce o jogo político, gerando falsa percepção de excepcionalidade do Partido dos Trabalhadores. A salvaguarda do PSDB pelos meios de comunicação reforça a tese de que o objetivo é destruir a real opção popular e não regenerar a República.

Note-se que o acordo feito pela Alstom não inclui os processos "sobre o Metrô, a CPTM e as acusações de que a multinacional francesa fez parte de um cartel que agia em licitações de compra de trens", diz este jornal. Os 60 milhões de reais ressarcidos dizem respeito só ao "contrato de fornecimento de duas subestações de energia". Será que o montante completo dos desvios, caso computado, não chegaria a proporções petrolíferas?

Se a mídia quisesse, de fato, equilibrar o marcador, aproveitaria o gancho para mostrar que juízes, procuradores e policiais, vistos em conjunto, têm sido parciais. Enquanto a máquina investigatória avança de maneira implacável sobre o PT, o PSDB fica protegido por investigações que andam a passo bem lento. Aposto que se uma vinheta do tipo "e o metrô de São Paulo?" aparecesse todo dia na imprensa, em poucas semanas teríamos importantes novidades.

O problema, contudo, pode ser mais grave. Hipótese plausível é que os investigadores poupem o PSDB exatamente porque sabem que não contariam com a simpatia da mídia se apertassem o cerco aos tucanos. Conforme deixa claro o juiz Sergio Moro no artigo de 2004 sobre a "mãos limpas" na Itália, a aliança com a imprensa é crucial para o sucesso desse tipo de empreitada. Trata-se de um sistema justiça-imprensa, que aqui tem agido de modo gritantemente seletivo.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Aécio finalmente vence uma eleição

DCM elege Aécio 'o pior brasileiro do ano'

247 – O jornalista Paulo Nogueira, editor do Diário do Centro do Mundo, elegeu o senador Aécio Neves (PSDB-MG) 'o pior brasileiro do ano'.

"Ele consumiu seu tempo em conspirações contra a democracia em 2015. Tentou, e continua a tentar, cassar 54 milhões de votos, sob os pretextos mais esdrúxulos, cínicos e desonestos. Adicionou um novo e definitivo rótulo a sua imagem de playboy do Leblon, adepto de esforço mínimo e máximas vantagens: o de golpista", escreveu Nogueira, ao justificar sua escolha.

"Para tanto, andou sempre nas piores companhias da República. Esteve constantemente junto de Eduardo Cunha, que só não levou o título de Pior Brasileiro porque Aécio existe", disse ainda o jornalista. "Aécio protegeu, preservou Cunha. E assim contribuiu decisivamente para que ele chegasse ao fim do ano ainda na presidência da Câmara, o que representa uma tonitruante bofetada moral no rosto da nação. Pode-se dizer que Cunha é filho de Aécio. São sócios no crime de lesa democracia."

Leia a íntegra no DCM.

Papai Noel não gosta de pobre


Natal reaça


Natal coxinha


Natal paulistano


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Confesso que chorei

O Chile devolveu meus olhos vermelhos
Visitar as três casas de Neruda, quando o governo investiga seu possível assassinato, é homenagear todos os que lutam por um mundo livre e justo

… Yo pisaré las calles nuevamente
de lo que fue Santiago ensangrentada
y en una hermosa plaza liberada
me detendré a llorar por los ausentes…


(Pablo Milanés)


Confesso que chorei quando toquei o solo de Santiago. Quem visita a capital do Chile pode se deliciar com a linda paisagem dos Andes coberto de neve na primavera. Eu preferi visitar o Chile que viveu o sonho de ser o primeiro país socialista no sul da América Latina.

Confesso que chorei quando vi as curvas do rio Mapocho, suas águas barrentas, e vislumbrei do alto do Cerro de San Christóbal a Santiago que foi violentada por abutres e fez o país andino mergulhar em uma das mais violentas ditaduras do século XX.

Confesso que chorei ao percorrer as três casas de Pablo Neruda. Ninguém será o mesmo ao penetrar nas moradas onde o poeta, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, viveu intensamente seu amor por Matilde Urrutia e escreveu versos que ficarão para sempre na memória de todos que anseiam por um mundo livre e justo.

La Chascona, La Sebastiana e Isla Negra – as três casas onde viveu o poeta, hoje transformadas em museus – nos dão um pouco do muito que foi o grande poeta latino-americano. As três casas de Neruda são um soco na face do fascismo e crava feito navalha na jugular de direitistas. Suas coleções de conchas, besouros, borboletas, fotografias de Rimbaud, Verlaine, Rilke, Baudelaire e tantos ou  maiores escritores nos transportam ao mágico mundo da literatura.

Confesso que chorei em Isla Negra, pequeno vilarejo que fica a 96 km ao sul de Valparaíso e a 120 km de Santiago, onde Neruda viveu a maior parte do tempo com a sua mulher, ao mirar durante quinze minutos o túmulo onde o poeta e Matilde estão enterrados. O frio do Pacífico, aquelas ondas infinitas que quebram pela eternidade nas rochas que cercam a casa de paredes que lembram um navio, tudo isso me transportou para outra dimensão: a dimensão da poesia. E chorei feito criança, escondido num canto de Isla Negra. As lágrimas eram minhas, só minhas.

O maior poeta do Chile teria sido assassinado em 1973 na clínica Santa Luzia por militares após o golpe sangrento que fez milhares de vítimas e levou ao desespero pais, mães, irmãos, filhos… 

Quando escrevo, o governo do Chile investiga se Neruda, que estava com um câncer em estado avançado, teria morrido por conta de uma injeção que lhe provocou uma parada cardíaca, doze dias após o golpe de 11 de setembro. Nesse louco mundo, tudo é possível.

Mas uma coisa é certa em tudo isso: confesso que chorei ao ver a escultura do presidente Salvador Allende diante do La Moneda (sede da Presidência) bombardeado por assassinos. Os ditadores estão enterrados e esquecidos numa grande vala de merda. Os loucos, os poetas, os revolucionários, dominam de novo o que foi uma Santiago ensanguentada, como diz a belíssima letra do cantor cubano Pablo Milanés, citada no início desse texto.

Confesso que vivi para ver isso e mergulhar no último dia de minha curta visita ao país andino no Museu dos Direitos Humanos. O memorial resgata a história chilena recente e nos apunhala sem dó nem piedade com as atrocidades cometidas contra um povo libertário. Não é um passeio para fracos. Mas saí de lá com a alma lavada. Viva Chile, carajo!

O Verdadeiro Espírito do Natal


Madre Teresa de Calcutá, O Anjo do Inferno

O Espírito do Natal


Desconstrução




Aécio envenenou o ambiente e Cunha se aproveitou

Janio: Aécio envenenou o ambiente e Cunha se aproveitou

247 - Em um balanço na véspera do Natal, colunista Janio de Freitas diz que Dilma Rousseff vai passar a festa menos ruim do que poderia prever há um mês. “ Apesar de Dilma e Levy, com ou sem Dilma e Barbosa, a economia brasileira se arranjará mais depressa, até por si mesma, do que o pântano da política se deixará drenar”, constata.

Ele afirma que do lado da oposição, Aécio Neves “trouxe, difundiu e incentivou o componente odiento, de esgares, de ameaças destruidoras, de passagem da política de pessoas furiosas para a fúria sem política contra pessoas”.

Segundo ele, o tucano “fez o envenenamento do ambiente” e quem aproveitou foi Eduardo Cunha. “Uma prova de que foram no mínimo paralelos, quando não enlaçados por projetos de resultados semelhantes, é que o PSDB de Aécio e Cunha encerram um ano e começam outro de volta à aliança fraterna, domesticamente íntimos, a planejarem juntos os ardis convenientes a um e ao outro”, acrescenta (leia aqui).

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Décadas depois da ditadura, nas ruas Chico Buarque volta a enfrentar fascistas




Bob Fernandes

2015. O ano em que, infiltrando-se em manifestações democráticas, fascistas voltaram às ruas em bandos.
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Haddad, Suplicy, Mantega, o ministro Patrus Ananias, entre vários, foram ofendidos pelo fascio. Até um morto, José Eduardo Dutra, no seu velório. Sempre em bando.
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Agora foi Chico Buarque. Na madrugada desta terça-feira, 22, no Leblon. Com Chico, os cineastas Cacá Diegues, Rui Solberg, e Miguel Faria Jr.
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Também com Chico, Eric Nepomuceno. Escritor, tradutor de Gabriel Garcia Márquez, Julio Cortázar, Eduardo Galeano...
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"Gustavo", Tulio Dek e Guilherme Motta se identificaram entre os que provocavam ou ofendiam Chico. Presente também "Alvarinho", filho de Álvaro Garnero.
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Os rapazes usam a expressão "Petista" como se ofensa fosse. Assim como há quem use "Tucano" como palavrão. Faltam argumentos, informação e, sobretudo, inteligência.
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Um deles argumenta: "O PT é bandido". Chico, sorridente e calmo, responde provocando: "Acho que o PSDB é bandido... e agora?". Como argumentar numa estrebaria?
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Ao que se lê, depois Álvaro Pai teve que explicar para "Alvarinho" filho, já adulto, quem é Chico Buarque.
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Na madrugada de libações pré-Natal, o mais agressivo dos rapazes, como se acusasse um criminoso repetiu varias vezes para Chico Buarque:
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-Você mora em Paris...
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O rapaz, que disse ser Chico Buarque um m... é Guilherme Junqueira Motta Luiz. No facebook, fotos de Guilherme.
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Não em Paris. No circuito Miami-Orlando, esquiando em Aspen, ou em Capri. E posts com Ronaldo Caiado, bispo Malafaia, Danilo Gentili...
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No facebook, Chico respondeu aos tipos com música: "Vai Trabalhar, Vagabundo".
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Trabalhar. Mas, por exemplo, nunca numa usina e canavial condenados por negar folga para trabalhadores aos domingos e feriados...
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Exercendo um direito, 105 milhões de cidadãos votaram em Dilma ou Aécio.
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Usar "PT" ou "PSDB", "petista" ou "tucano" com intenção de ofender, como se faz, têm precedentes na História.
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Nazistas, e fascistas de outros regimes, já se valeram disso. Chamaram de "Responsabilização Coletiva".
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Com hegemonia nas narrativas, começaram infamando adversários publicamente. Terminaram no nazi-fascismo, com assassinatos em massa.

A Frase do Ano

‘Eu acho que o PSDB é bandido': é de Chico a Frase do Ano 

Chico é autor de muitas das mais lindas e pungentes frases em língua portuguesa.

Algumas:

A felicidade morava tão vizinha que de tolo até pensei que fosse minha.
Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.

Mas foi longe de sua atividade de compositor que ele produziu sua melhor frase em muitos anos.

Eu acho que o PSDB é bandido.

Foi de improviso, sem reflexão, sem um caderno e uma caneta nas mãos, num fim de noite no Leblon. E não foi no silêncio ideal para juntar palavras, mas diante do alarido agressivo e atrevido de jovens analfabetos políticos que se sentiram no direito de importuná-lo depois de um jantar.

Era preciso que alguém, enfim, juntasse essas duas palavras: PSDB bandido. Como foi Chico, isso imediatamente se espalhou pelas redes sociais. Mesmo a mídia tão amiga do PSDB foi obrigada a dar, contrariada, a sentença de Chico.

Ao contrário dos vociferantes analfabetos políticos, Chico não ergueu a voz. Manteve o sorriso amistoso nos lábios, em vez da carranca dos que o cercavam. Ele poderia estar dando boa noite a eles, paternalmente.

Mas disse que para ele o PSDB é bandido.

A importância da frase reside na contestação da ideia, insuflada tenazmente pela mídia, de que o PT é bandido e o PSDB mocinho.

Nunca ninguém, muito menos alguém com a estatura de Chico, dissera tão claramente que o PSDB é bandido.

Não que seja: muito mais que bandido, o PSDB é reacionário, atrasado, golpista e péssimo perdedor. Chico estava apenas mostrando a insignificância desprezível deste clichê – PT bandido – que tanto contribui para a existência hoje de dois Brasis, um dos quais, o representado pelos antipetistas que o assediaram, odeia o outro.

Chico deu, de bônus, outra frase soberba, a que associou aquele tipo de comportamento feroz à leitura da revista Veja.

Leia a Veja e você se transformará num idiota como aqueles que abordaram Chico. Repetirá mentiras, dirá asneiras, se encherá de preconceitos: será, enfim, um perfeito idiota brasileiro.

Do alto de sua grandiosa estupidez, você se achará em condições de dizer para provavelmente o maior compositor da história da música brasileira: “Você é um merda!”

Chico, a seu jeito, contribuiu para o retorno do Brasil a um grau de civilidade perdido com a proliferação de analfabetos políticos.

Se a discussão fosse futebolística, e não política, Chico teria ouvido o seguinte: “O Fluminense é um horror.” E teria respondido: “Pois para mim o Flamengo que é um horror. E daí?”

E daí que podemos ter nossos gostos e preferências sem agredir os outros. A tolerância pode triunfar sobre a intolerância, a civilização sobre a barbárie, os bons modos sobre a grosseria, o bom humor sobre a rispidez. (Em sua página no Facebook, Chico postou, com seu humor de carioca, a música Vai Trabalhar, Vagabundo!)

Numa palavra, o mundo de Chico – e não estou falando de ideologia — pode triunfar sobre o mundo dos desordeiros que perturbaram sua paz no Leblon. Por tudo isso, é de Chico a frase do ano.

Eu acho que o PSDB é bandido.
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