sexta-feira, 31 de julho de 2015

Koyaanisqatsi


Koyaanisqatsi - o mundo fora do comum de Zoltan Merényi no Vimeo .

Vídeo mostra o ataque ao Instituto Lula

O que aconteceria com a Veja se ela cometesse seus crimes nos Estados Unidos?

Por Paulo Nogueira
Foi anunciada hoje a demissão do diretor de redação da Rolling Stone americana, Will Dana.
O motivo foi o erro monumental da revista ao dar uma matéria sobre um pretenso estupro grupal sofrido por uma aluna da Universidade de Virgínia.
A reportagem teve uma repercussão instantânea e extraordinária.
A universidade e seus dirigentes foram imediatamente vítimas de manifestações furiosas porque, segundo o relato, foram omissos ao lidar com o caso.
O problema é que logo os fatos mostraram que o artigo da RS tinha enormes buracos. Tinha se baseado, essencialmente, numa fonte – a alegada vítima.
O episódio gerou um enorme debate nos meios jornalísticos americanos. A revista reconheceu publicamente seu fracasso, e retirou o texto do site.
Em seu lugar, colocou uma quilométrica análise produzida pela consagrada escola de jornalismo Columbia, a pedido da própria RS.
Na análise, foram esmiuçados todos os erros cometidos pela revista.
A queda do diretor de redação ocorre no momento em que várias ações na Justiça correm contra a revista por causa dessa reportagem.
Numa delas, a reitora da universidade reivindica 7,5 milhões de dólares de indenização por danos à imagem e reputação da escola e dela mesma.
As cifras nos Estados Unidos são altas para obrigar a mídia a tomar cuidado  antes de publicar denúncias.
É uma história exemplar a da RS para nós, brasileiros.
Compare com o que ocorre no Brasil, e particularmente com a Veja.
Numa única edição, a revista cometeu dois crimes jornalísticos, um deles infinitamente pior do que o da RS. Foi o que anunciou uma delação premiada que simplesmente não existia.
Sequer os advogados do personagem foram ouvidos pela Veja, como se viu antes mesmo de a revista chegar às bancas. Um deles disse que largaria a defesa caso seu cliente recorresse à delação.
Isso quer dizer: não houve o menor esforço para verificar a qualidade da informação que alguma fonte maligna passou para a Veja.
O segundo crime foi contra Romário, a quem atribuíram uma conta secreta milionária na Suíça que era falsa.
Romário teve que ir à Suíça para checar a veracidade da informação, e constatou que era tudo fajuto. Mais uma vez, ninguém checou.
Esse tipo de procedimento tem nome: crime.
A Rolling Stone vive um pesadelo. E a Veja está na maior tranquilidade.
Ou eles estão errados nos Estados Unidos ao exigir seriedade e precisão da imprensa ou nós é que estamos.
Faça a escolha.
A Veja estaria morta, há muito tempo, com este tipo de comportamento. Melhor: não teria a menor condição de se estabelecer no mercado americano.
O editor da RS perdeu o cargo. Fatalmente a revista pagará milhões de dólares em indenização.
No Brasil, o diretor de redação da Veja permanece firmíssimo em sua posição. Não há perspectiva de punição pela Justiça, tradicionalmente dominada pelas grandes corporações de mídia.
Para a sociedade, é um horror.
Como disse Mark Twain, há muitas leis para proteger a liberdade de expressão. Mas, no Brasil de 2015, não há uma única lei que proteja as pessoas da imprensa.

Cidadão de Bem tem ideia genial

O cidadão de bem Sóstenes teve uma ideia genial: colocar alunos da rede pública pra trabalhar como flanelinhas.

Já os da rede particular podem continuar estudando normalmente.

Jornalismo Wando

Instituto Lula é alvo de um ataque a bomba

Do iG:

A sede do Instituto Lula, em São Paulo, foi alvo de um ataque a bomba que causou danos materiais mas não deixou feridos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o artefato era pequeno e os prejuízos foram poucos.

O ataque ocorreu por volta das 22h de quinta-feira (30) e o objeto foi arremessado de dentro de um carro, segundo o instituto. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o Secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, mantiveram contato e as investigações foram iniciadas, informou a SSP.

Em nota, o instituto afirmou que o ataque foi “político” e informou esperar que os responsáveis sejam punidos.

Sede do PT em Jundiaí após ataque, em março
Há quatro meses, o diretório regional do PT em São Paulo foi alvo de um ataque semelhante, que também não deixou feridos. Uma bomba de fabricação caseira, atirada também de dentro de um carro durante a madrugada, destruiu parte da porta principal de acesso ao escritório, móveis e documentos.

Dias antes, a sede do partido em Jundiaí, cidade do interior de São Paulo, havia sido danificada após um artefato – provavelmente um coquetel molotov – ser atirado contra o local. Cortinas, documentos e móveis foram queimados. A ocorrência também não deixou feridos.

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Leia abaixo:

NOTA À IMPRENSA
Ataque político ao Instituto Lula

São Paulo, 31 de julho de 2015,

Por volta das 22h desta quinta-feira (30), a sede do Instituto Lula, em São Paulo, foi alvo de um ataque político com artefato explosivo. O objeto foi arremessado contra o prédio do Instituto de dentro de um carro. Felizmente, não houve feridos.

O Instituto Lula já comunicou as polícias civil e militar, o secretário de Segurança Pública do Estado de S.Paulo e o ministro da Justiça, e espera que os responsáveis sejam identificados e punidos.

Crise sem fim

PCO faz campanha contra o golpe. PT não faz...

Abaixo o Golpe! Impeachment Não!
Participe da campanha contra o golpe
Para derrotar a direita, ocupar as ruas

O Partido da Causa Operária está organizando uma campanha nacional de rua contra o golpe organizado pela direita nacional e o imperialismo para derrubar o governo do PT para atacar os direitos dos trabalhadores e da população pobre.

A primeira etapa da campanha será a colagem de cartazes denunciando o golpe. Os cartazes serão colados em várias cidades de São Paulo e outros estados. Além da colagem de cartazes será feita distribuição do suplemento semanal do Jornal Causa Operária nos principais pontos de circulação como terminais de ônibus, estações de trem e metrô, portas de fábricas, universidades e escolas.

Entre em contato conosco e participe!

contato@pco.org.br

Almirante Othon é Santos Dumont que deu certo

Sua prisão não é só uma derrota para os direitos humanos e as garantias individuais: no caso de Othon, acrescente-se a derrota política à vergonha cultural.

Paulo Moreira Leite

Para compreender a importância do mais novo prisioneiro da Lava Jato, os brasileiros precisam entender que o almirante Othon Pinheiro da Silva é um pesquisador especialíssimo, capaz de travar batalhas na fronteira do conhecimento científico no plano mundial e sair-se vitorioso apesar de todas as condições difíceis de um país da periferia do capitalismo.

A prisão não é só uma derrota para os direitos humanos e as garantias individuais, como acontece com as dezenas de detidos levados para os cárceres de Curitiba, que contrariam a visão mais recente sobre detenções, que recomenda um uso ainda mais criterioso e prudente do que prevê o Código Penal. No caso de Othon, acrescente-se a derrota política à vergonha cultural.

Equivale, na Lava Jato, a um dos mais grotescos gestos de marketing do governo Fernando Collor, que se deu ao trabalho de ir até o poço de Cachimbo para jogar uma pá de cal num local apontado como área de testes do programa nuclear brasileiro -- alvo permanente de pressão por parte de Washington. Para quem recorda o esforço de Collor para se reaproximar da diplomacia norte-americana, pela abertura das importações e até condenando o voto brasileiro na ONU sobre sionismo, a cena de Cachimbo foi um pedido de benção dirigido aos EUA.   

Pioneiro do programa nuclear brasileiro, o almirante Othon tem uma história com poucas semelhanças no país. Mas, para efeitos didáticos, e com todas as distâncias que precisam ser consideradas, pode ser definido como um Santos Dumont que deu certo. Não é exagero.

Explico: na Paris do início do século XX, que na época abrigava os principais pesquisas de aeronáutico do planeta, o pai brasileiro da aviação foi um pioneiro real dos voos mais pesados do que o ar. Fez inovações consideradas fundamentais, injustamente diminuídas mais tarde. Mas Santos Dumont enfrentou condições adversas que impediram que tivesse um papel relevante quando o transporte aéreo se firmou e tornou-se um dos motores da economia mundial, nas primeiras décadas do século passado. 

O almirante Othon fez sua parte na busca do conhecimento para uso da energia nucelar, uma das necessidades essenciais das sociedades humanas de nossa sociedade.

Claro que ele não inventou o enriquecimento de urânio, mas ajudou na criação de uma tecnologia mais eficaz para isso, a partir de centrífugas desenvolvidas no país. Era uma medida essencial para o desenvolvimento brasileiro, já que não se trata de uma mercadoria que se possa comprar em supermercado. 

Ao contrário do que ocorreu com Santos Dumont, inventor numa época em que não tinha uma noção plena da riqueza que estava sendo criado nos céus da capital francesa, o trabalho do Almirante Othon ocorreu numa situação em que todo mundo reconhece a importância da energia nuclear.

Abastecendo mais de metade da energia dos países europeus -- na França, a porcentagem supera 70% -- ela é essencial na vida de todos os dias, numa necessidade que cresce na mesma proporção em que uma sociedade se eleva tecnologicamente.

Num mundo conflituoso e tenso, o conhecimento atômico também é um fator de relevo para um país interessado em defender-se pela estratégia da chamada dissuasão militar -- a ameaça de destruição mútua que bloqueia todo passo inicial num conflito atômico.

Nessa situação, as potências mundiais, lideradas pelos Estados Unidos, tentam assegurar o monopólio exclusivo do conhecimento e produção de energia nuclear. O controle é essencialmente político.

Um aliado estratégico de Washington, o Estado de Israel, não é incomodado em suas pesquisas, inclusive para uso militar. Já as pesquisas do Irã, como nós sabemos, só avançam contra ameaças, chantagens e atos de guerra e terrorismo.  

O programa nuclear brasileiro, que é parte de um esforço nacional de soberania, sempre foi alvo de pressões dessa natureza. O bloqueio à compra de material estratégico é histórico. As suspeitas de sabotagem a pesquisas que poderiam ser bem sucedidas também. Atuando nessa situação adversa, determinadas compras precisavam ser feitas de forma encoberta para evitar que os fornecedores fossem rastreados e retaliados.

Sem conhecer todos os detalhes da delação premiada de Dalton Avancini, que teria dado base à acusação contra o almirante, não é possível ter uma opinião sobre a denúncia, em si. Qualquer que seja sua consistência, o pouco que se pode conhecer indica algo semelhante ao disse-que-disse de sempre, muito empregado por executivos interessados em garantir uma pena baixa depois de se envolverem em esquemas altos. 

Se ninguém está acima de todas as suspeitas, o almirante Othon tem o direito -- como os outros réus, aliás -- de explicar-se em liberdade. Deve ser ouvido, lealmente.  

Não podemos esquecer que toda pessoa é inocente até que se prove o contrário. Vivemos e queremos viver sob um Estado Democrático de Direito, onde as pessoas vivem em liberdade e só podem ser presas após julgamento, quando sua culpa está demonstrada após o contraditório e o amplo direito de defesa.

A entrevista de Beatriz Catta Preta é mais um prego no caixão de Cunha



A entrevista de Beatriz Catta Preta é mais um prego no caixão de Cunha. Por Kiko Nogueira
Diário do Centro do Mundo

O depoimento da advogada Beatriz Catta Preta ao Jornal Nacional é mais um prego no caixão de Eduardo Cunha.

Ao Jornal Nacional, Beatriz revelou que sua decisão de abandonar a defesa de seus clientes na Lava Jato se deveu a ameaças “veladas”, “cifradas”. Diante delas, foi preciso zelar pela segurança “da família, dos filhos”.

Não especificou nada.

Mas a pressão, contou, partiu dos integrantes da CPI da Petrobras, que querem que ela explique, por exemplo, de onde vêm seus honorários — o que a OAB considera uma ameaça para o direito de defesa no país.

Aparentando segurança, afirmou que está deixando a carreira. A mudança para Miami era um boato. Estava de férias, na verdade. O repórter César Tralli passeou por um escritório vazio.

A “retaliação” começou depois do depoimento do empresário Júlio Camargo, tido como operador do PMDB. Camargo, como se sabe, acusou Cunha de receber propina de 5 milhões de dólares.

O autor do requerimento para Beatriz falar na CPI é o deputado Celso Pansera, que o doleiro Alberto Yousseff chamou de “pau mandado” do presidente da Câmara.

“Sim, venho sofrendo intimidação pelas minhas filhas, minha ex-esposa, pela CPI coordenada por alguns políticos e eu acho isso um absurdo”, disse Yousseff.

Pansera e outros colegas da comissão parlamentar de inquérito teriam solicitado uma investigação de Julio Camargo para desqualificá-lo. A Kroll teria sido contratada para o serviço. Tudo sob a orientação do chefe EC.

“Está em vigor a ‘moral da gangue’, que acredita triunfar pela vingança, intimidação e corrupção”, escreveram os advogados de Camargo que substituíram a Catta Preta.

Beatriz Catta Preta é a maior especialista do Brasil em delação premiada. Orientou nove dos 23 delatores da Lava Jato. Declarou que Camargo tem provas do suborno de Cunha.

Arriscaria tudo numa farsa desta monta? All in?

Ela não é a primeira e não será a última pessoa que se diz achacada por Eduardo Cunha, que aparelhou a CPI, transformando-a em seu instrumento de chantagem.

Cunha dirá que quem está por trás de tudo é o governo federal, mas seus métodos são cada vez mais expostos. A questão é quanto tempo ele — e o Brasil — suporta até jogar a toalha.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

São Paulo, cidade que me seduz

Jornalismo Wando

Parece uma turma da Escolinha do Professor Raimundo mas é só os candidatos da próxima eleição da Loucomotiva do Brasil.

O fascismo não virá, ele já está

Sul 21

Por Alberto Kopittke

Observação inicial: escrevo esse texto “inspirado” pelo vídeo de um jovem que agoniza baleado no chão sendo xingado e que está disponível na minha página do Facebook. O vídeo possui centenas de comentários de apoio e celebração.

O fascismo não é a chegada de um líder de massas ou um Partido, com um projeto totalitário ao poder. Ele é antes de tudo um estado de espírito da sociedade.

As imagens de Hitler e dos campos de concentração têm a importância fundamental de nos alertar até onde uma sociedade pode chegar, independente do seu chamado “grau de desenvolvimento” cultural. No entanto, essas imagens fortíssimas de seres humanos sendo exterminados em massa acabam por encobrir as formas menos “agudas” dessa faceta do comportamento humano.

Hannah Arendt sempre chamou a atenção que o mais perigoso do fascismo era a forma como as pessoas – sejam elas juízes, políticos, jornalistas, professores ou de qualquer outro tipo de profissão – aceitam passivamente a escalada de ódio, até que começam a participar dos seus mecanismos, como se não houvesse alternativas entre silenciar ou aderir.

O fascismo se manifesta no cotidiano de formas muito mais tênues, que não precisam de homens vestindo uniformes e marchando pelas ruas, e não é dirigido apenas contra judeus. Ele é a implosão da capacidade de dialogar sobre os problemas da sociedade e da capacidade de conviver com as diferenças. Em seu lugar entram o que Zaffaroni chamou de discursos justificadores, que justificam e preparam o ambiente para as manifestações de ódio e extermínio contra os “inimigos”.

O pior resultado da atual crise política, é que o Brasil vive, mais uma vez, uma clara escalada do sentimento fascista. As pessoas sentem ódio, crescem os linchamentos públicos e aumenta o apoio a atitudes de “justiçamento” e tortura praticadas pelo aparato público.

Todas as forças democráticas têm responsabilidade sobre isso.

O PT e o Governo Dilma têm responsabilidade por ter interrompido as políticas públicas de prevenção a violência que estavam em curso e no seu lugar não ter colocado nenhum programa de grande escala ao longo de cinco anos. Com isso, as forças autoritárias passaram a se apresentar como alternativa para a redução da violência do Brasil.

FHC, os tucanos e o alto empresariado têm responsabilidade ao aceitarem partilhar a oposição ao PT com segmentos assumidamente fascistas e autoritários.

Ambos têm responsabilidade por não denunciarem o perigoso crescimento dos setores que misturam discursos religiosos fundamentalistas com ocupação de espaços políticos.

A grande mídia tem responsabilidade por não denunciar claramente o discurso do ódio e muitas vezes o difundir nos seus programas sensacionalistas e na falta de qualidade no debate sobre Segurança Pública.

A discussão sobre o fascismo não tem nada a ver com ser de esquerda ou de direita. Em ser liberal ou socialista. Em ser petista ou tucano. Em ser cristão ou ateu. Todas as linhas ideológicas e religiosas já serviram, num lugar ou outro, de justificativa para a barbárie. Trata-se de demarcar claramente a defesa dos princípios do estado democrático de direito e denunciar todos os discursos que justificam sua violação.

É absolutamente incerto o futuro político do Brasil. Nessa incerteza, os comportamentos de ódio ocorrem livremente no cotidiano, com cada vez mais apoio e aplauso. Quem demonstra contrariedade com as diversas manifestações de barbárie é chamado de fraco, de defensor de bandidos e passa a ser ameaçado.

Não é preciso que algum facínora suba a rampa do Palácio do Planalto, pelo voto ou pelas armas, para que o fascismo chegue no Brasil.

O fascismo não chegará. Ele já está.

O tamanho da crise

Fonte

Veja já tinha derrubado Lula em 1979...

28 de março de 1979

Desmentido o acordo entre PSDB e PCC


Conspiração golpista avança

Conspiração pró-Temer avança nos três poderes

Há em Brasília um movimento clandestino que envolve importantes figuras da República, dos três poderes. Seus participantes não falam sobre seus objetivos e agem com muito cuidado. Nas reuniões, geralmente à noite, os celulares são deixados fora da sala. Há extrema cautela nas conversas com jornalistas, para que nenhuma pista seja involuntariamente dada.

O que quer o movimento clandestino, do qual participam até ministros de Estado e de tribunais, é dar à crise política e econômica a solução que convém a seus participantes: o afastamento da presidente Dilma e a ascensão do vice-presidente Michel Temer. Que, elegante e inteligente, não participa de nenhuma conversa nesse sentido. Caso o objetivo dos clandestinos seja atingido, Temer simplesmente cumprirá sua função constitucional – jamais poderá ser acusado de ter conspirado em causa própria.

Para o grupo, Temer na presidência é a melhor alternativa. A convocação de eleições para presidente, depois do por eles desejado afastamento da presidente, fatalmente criaria um clima de beligerância política e social ainda maior do que o já existente. A campanha seria uma guerra e o ambiente econômico seria inexoravelmente deteriorado. Melhor que Temer assuma. Ele fará a convocação de um grande pacto contra a crise. Teria imediato apoio de todos os partidos, PMDB e PSDB à frente, com adesão, no desenho do grupo, do indefinido PSB e até dos hoje governistas PDT e PSD. Uma grande coalizão, e, como no governo de Itamar Franco, apenas o PT e partidos menores de esquerda ficariam fora.  

A opção de instaurar o parlamentarismo também não é considerada boa pelos clandestinos. Dilma continuaria presidente e o primeiro-ministro seria indicado por ela e aprovado pelo Congresso. Não poderia ser, claro, nem Eduardo Cunha, nem Renan Calheiros, nem outros com fichas não exatamente limpas. Os partidos teriam de fazer uma ampla coalizão para mostrar maioria e pressionar a presidente a escolher quem eles quiserem, mas a luta interna pela indicação poderia colocar tudo a perder. Sequer o PMDB e o PSDB têm unidade interna. Em vez de estabilidade, haveria mais instabilidade e o desgaste ainda maior dos parlamentares perante a população.

O grupo pró Temer trabalha para que a situação de Dilma se torne cada vez mais insustentável. A estratégia inclui sabotar o ajuste fiscal proposto pelo ministro Joaquim Levy, rejeitando no Congresso as medidas que levem a aumento de receita e corte de gastos e, em sentido contrário, aprovando mais despesas do governo. Um subproduto dessa ação, no entender dos clandestinos, poderia ser a renúncia de Levy, criando-se assim mais um problema para a presidente. Quanto pior, melhor.

O ponto forte da estratégia, naturalmente, é a exploração ao limite máximo das acusações de corrupção contra o governo. A tática é fazer com que as denúncias cheguem o mais perto possível de Dilma e de Lula. Da presidente, para facilitar sua derrubada. Do ex-presidente, para anular qualquer possibilidade de reação. Isso não quer dizer que os investigadores da Lava Jato estejam participando do movimento. Podem desejar o afastamento da presidente, mas não estão na conspiração.

A decisão do Tribunal de Contas da União, se contrária ao governo, seria o empurrão para justificar o impeachment. Para o grupo, o ideal seria que tudo isso levasse à renúncia de Dilma, para evitar mais comoções. Não é à toa que é grande a pressão sobre os ministros do TCU, que chegam mesmo a tentativas de chantagem. Até porque há alguns bem vulneráveis.

Assim, com ajuda de segmentos da imprensa, está criado o ambiente político para que a sociedade deseje a queda do governo e apoie os que o sucederem. Os conspiradores apostam nas manifestações planejadas para 16 de agosto para o sucesso do movimento.

O roteiro não é complicado. E está sendo executado. 

Quem falsificou os extratos de Romário? A Veja, o MP, a PF?

Tijolaço - Fernando Brito

Gravíssima, apesar da ironia com que Romário a está tratando, esta situação criada pela denúncia da revista Veja de que o senador tinha uma conta oculta com R$ 7,5 milhões em Genebra, na Suíça. De lá, Romário informa que, reunido com advogados do Banco BSI, foi informado que os extratos apresentados pela revista “são falsos”.

Se são, quem os falsificou?

A revista, que o publicou?

O Ministério Público, em posse de quem a Veja diz estar o extrato reproduzido por ela?

A Polícia Federal? A Interpol?

São dois crimes: a falsificação de documento e a denunciação falsa de crime, pois seria crime manter conta no exterior, não declarada.

Romário diz, segundo o  Estadão,  que até amanhã apresenta documentos do banco provando a falsidade dos extratos.

Espera-se que o Ministério Público abra imediato inquérito sobre a falsificação.

E não se alegue “sigilo de fonte” para que a revista se recuse a dizer quem forneceu aquilo que ela publicou.

Não é fonte ou informante quem falsifica documentos para atingir criminalmente a terceiros, mas bandido.

Sobretudo e principalmente se for mesmo alguém do Ministério Público ou da Polícia Federal.
Aí é bandido de alta periculosidade.

Do tipo dos que a Veja gosta de ter como amigos.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Pastor entrega bispo durante culto: "Cheirou muito pó e fumou muita pedra comigo"

Banco suíço confirmou que Veja mentiu e publicou documento falso

Banco suíço confirmou que os extratos de suposta conta são 'falsos', diz Romário

Jamil Chade, correspondente em Genebra - O Estado de S. Paulo

GENEBRA - O senador e ex-jogador de futebol Romário (PSB-RJ) garante que o banco BSI, citado como utilizado por ele para abrir uma conta sua no valor de R$ 7,5 milhões, indicou que os extratos publicados no Brasil em seu nome são "falsos". Em entrevista ao Estado, Romário aponta que tanto o banco como ele abrirão processos criminais. O senador, porém, vê o incidente como um alerta contra seu trabalho na CPI do Futebol, que começa suas atividades no dia 4 de agosto.

Reportagem da revista de esgoto Veja desta semana informou a existência da conta, que não teria sido declarada à Receita Federal no Brasil. Diante da revelação, Romário decidiu viajar até Genebra e, desde ontem, se reuniu com advogados e com o banco.

Segundo ele, o banco enviaria entre hoje e amanhã uma carta oficial a seus advogados para confirmar que a conta não existe.

"Mostramos os extratos e o banco garantiu que esses documentos são falsos", disse Romário, que retorna ainda hoje ao Brasil. "Eu vim aqui e confirmei o que eu já imaginava. Eu não tenho relação com o banco e tinha certeza de que esse dinheiro era impossível de ser meu. Ninguém esquece R$ 7 milhões, principalmente na crise", disse.

O senador e ex-jogador de futebol Romário (PSB-RJ), postou nas redes sociais uma foto em Gebera, na Suíça e ironizou acusação de que teria uma conta não declarada no país

"Estou triste e feliz. Se existisse esse dinheiro, seria algo ganho suado. Talvez eu teria esquecido, o que não é a minha cara", declarou.

Romário confessou que temia que uma conta pudesse ter sido aberta em seu nome, com documentos falsos, e deixou claro que vê a publicação da notícia como uma "manobra" para desestabilizá-lo antes da CPI ou mesmo de sua eventual candidatura para a prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016.

"As pessoas sabem que a CPI vai começar e que tem a possibilidade de uma candidatura à prefeito do Rio em um ano”, disse. “Eles tentaram mais uma vez me destruir, denegrir a minha imagem. Mais uma vez, eles estão mostrando ao mundo que eu sou descente", insistiu, sem dar nomes.

No Brasil, porém, o senador vai pedir uma investigação para saber como os documentos foram produzidos.

Ironizando a situação, Romário ainda insistiu que não poderia "perder o gol". "Eu estava de férias, sentado, e a bola veio e quicou. Não tinha jeito. Está no sangue. Tenho que fazer o gol", disse.

Nas redes sociais, Romário também ironizou. “Chateado. Acabei de descobrir aqui em Genebra, na Suíça, que não sou dono dos R$ 7,5 milhões”. O ex-craque publicou uma foto sua em uma ponte de Genebra.

“Agora, aqueles que devem podem começar a contar as moedinhas, porque a conta vai chegar de todas as formas”.

No fim de semana, Romário anunciou a intenção de processar a revista e disse que não sabia se tinha uma conta na Suíça:  “Obviamente, fiquei muito feliz com a notícia. Assim que possível irei ao banco para confirmar a posse dessa conta, resgatar o dinheiro e notificar a Receita Federal. Espero que seja verdade, como trabalhei em muitos clubes fora do Brasil, é possível que tenha sobrado algum rendimento que chegou a essa quantia. Estou me sentindo um ganhador da Mega Sena, só que do meu próprio honesto e suado dinheiro”.

Nas redes sociais, ele ainda atacou. “Eu não finjo ser decente, não faço de conta ser sério e pareço ser correto. Eu sou!!!” 

Crime Organizado Impresso Veja. Procurada pelo Estado, a revista não quis se pronunciar sobre as declarações de Romário.

Agência de risco rebaixa Globo e segura Petrobras e Odebrecht

S&P rebaixa Globo e segura Petrobras e Odebrecht

Brasil 247 - A agência de classificação de risco Standard & Poor's avisou que poderá rebaixar a nota de 30 empresas e instituições financeiras do País. Entre elas está a Globo Comunicação e Participações S.A, de propriedade da família Marinho. O anúncio foi feito um dia depois de a S&P reavaliar o Brasil: o grau de investimento foi mantido, mas num patamar inferior: BBB-. 

O grupo de comunicação mais rico do planeta, que já deu tantas lições sobre como gerir o Brasil por meio de jornalistas econômicos como Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, e previu por várias vezes a perda do grau de investimento do Brasil, que não se concretizou, demonstra não ter feito o dever de casa. 

A relação completa das empresas analisadas pela S&P foi divulgada pelo Diário do Centro do Mundo. Ironicamente, a Petrobras e a Odebrecht Engenharia e Construção, duas companhias que têm sido alvo constante de notícias negativas nos telejornais da Globo, não tiveram suas classificações alteradas pela Standard & Poor's.

O Brasil sob ataque!


É muito chocante o que está acontecendo.


Setores tucanos incrustados nos aparelhos de repressão, e reunidos na força-tarefa da Lava Jato, estão fazendo o papel de traidores do interesse nacional.

 E os coxinhas ainda tem a coragem de sair às ruas, defendendo esse tipo de jogo sujo, vestindo a camisa do Brasil (o fato da camisa ser da corruptíssima CBF é apenas um detalhe irônico)!

Os procuradores da Lava Jato já foram aos EUA duas vezes, primeiro para pedir ajuda às autoridades americanas para destruir a Petrobrás. Depois para pedir ajuda para destruir a Odebrecht, que concorre com empreiteiras americanas no mundo inteiro, inclusive nos EUA, onde a Odebrecht ganhou licitações para construir parte do aeroporto de Miami.

E agora, a República do Paraná prende Othon Pinheiro (foto), que enfrentou os EUA e ajudou a desenvolver a tecnologia nuclear que tem o segundo melhor desempenho no mundo.

Assista entrevista com o almirante aqui:


Será que os procuradores da Lava Jato vão, pela terceira vez, aos EUA, pedir ajuda para destruir o programa nuclear brasileiro?

É para isso que tucanos, fascistas e mídia querem dar um golpe?

Para entregar o país, de uma vez por todas, para os Estados Unidos?

E agora vão fazer uma CPI do BNDES para quê?

Para prejudicar um banco de investimento que financia a nossa infra-estrutura e nos ajuda a ter independência dos credores internacionais?

Eu já conversei esta semana com executivos graduados do BNDES. Eles me lembraram que o BNDES financia menos de 7% das operações da Odebrecht no exterior; o resto são bancos internacionais. Me asseguraram também que a CPI vai tentar apenas fazer sensacionalismo midiático, mas não vão encontrar nada de errado, porque as operações do banco são extremamente rígidas, com vários tipos de controle interno.

As mesmas fontes me aconselharam a seguir mais de perto o Facebook do BNDES, onde estão postando muitos dados atualizados sobre o desempenho do banco.

*

Com apoio da mídia, as ações políticas voltadas para detonar iniciativas soberanas brasileiras ganharam uma força incrível nos últimos tempos.

Em conversa com o Cafezinho, o representante dos trabalhadores no Conselho da Petrobrás, Deyvid Bacelar, explicou que a refinaria de Pasadena foi o ativo que mais deu lucro à empresa em 2014.

Os tucanos ainda pensaram em usar Pasadena para derrubar Dilma.

A imprensa tucana (Veja, Folha, Globo, Valor), durante meses, tratou Pasadena como uma "sucata velha" que não valia nada.

O Conselho da Petrobrás foi tomado por banqueiros, que parecem trabalhar contra o interesse da própria companhia. Nas últimas reuniões, foram encaminhadas propostas para um grande programa de desinvestimento da empresa, com venda de quase todos os ativos no exterior que não forem ligados à exploração. Mais de 50 bilhões de dólares em ativos da Petrobrás no exterior podem ser vendidos.

Aproveitando-se da conjuntura política turbulenta, e da bem sucedida campanha midiática para desprestigiar a Petrobrás junto à opinião pública, o senador José Serra tenta aprovar um projeto de lei para derrubar importantes dispositivos legais que protegem a Petrobrás e o pré-sal brasileiro das garras estrangeiras. O projeto Serra será votado daqui a uns 40 ou 50 dias. Os petroleiros correm contra o tempo para se mobilizarem contra mais esse crime de lesa-pátria.

*

A prisão preventiva do almirante Othon Pinheiro, um idoso de 76 anos, que não oferece, obviamente, nenhum perigo à sociedade, com base apenas numa delação premiada, é mais um arbítrio de Moro, com a chancela da imprensa.

Os tais R$ 4 milhões de propina, que a República da Lava Jata acusa Othon de receber, são, mais uma vez, uma notícia manipulada. Pega-se o que o maior especialista em energia nuclear ganhou em muitos anos para se chegar a esse valor. Diluindo o valor pelo período investigado, dá cerca de 80 mil por mês, valor perfeitamente compatível com o nível e a importância do trabalho de Pinheiro.

Se lembrarmos que o Faustão, da Globo, ganha alguns milhões por mês, entende-se como, de novo, temos uma acusação ridícula, feita apenas para justificar uma violência judicial.

Agora podemos chamar nossa imprensa não apenas de golpista e fascista, mas também de linchadora. A partir de acusações irresponsáveis, não provadas, e notícias manipuladas, o nome da pessoa é jogado na lama. Centenas de blogs sensacionalistas, que vivem apenas de repetir, qual papagaios, o que a imprensa publica, terminam de fazer o serviço sujo iniciado pela grande mídia.

Lembrando: o Brasil é o país que mais promove linchamentos no mundo, e a imprensa, ao invés de fazer uma campanha para conscientizar a população de que não se deve julgar apressadamente ninguém, incentiva esse vício horrível.

Incentiva e ela mesmo constrói uma atmosfera propícia a linchamentos.

Linchar um idoso de 76 anos, maior especialista em energia nuclear do país, por causa de 80 mil por mês, só mesmo no mundinho golpista da República do Paraná.
*
Os procuradores da Lava Jato parecem ter enlouquecido completamente com os holofotes da mídia. Um fala em "refundar a República", outro vai a uma igreja e praticamente se diz um enviado de Deus para acabar com a corrupção no país.

Enquanto isso, a mídia continua a sua campanha para desmoralizar as instituições políticas, que as elites tem um pouco mais de dificuldade de controlar, por causa do voto, e endeusar as meritocráticas, às quais elas são ligadas, historicamente, de maneira orgânica.

As pesquisas indicam que os brasileiros confiam mais em igreja, forças armadas, polícia e juiz, e quase nada em governos e partidos políticos. A mídia brasileira criou uma sociedade repleta de tendências fascistas.

A nossa mídia jamais investiu, através de suas reportagens e novelas, na construção de uma cultura política onde todas as instituições devem ser postas sob o escrutínio popular.

A Globo nunca mostrou ao público, por exemplo, os jogos de poder, as intrigas e a corrupção, dentro do Ministério Público e Judiciário. Apenas a classe política é satanizada. Nunca mostrou, em suas novelas, um trabalhador politizado. Ao contrário, o cidadão politizado é sempre ridicularizado nos meios de comunicação. A menos que ele seja alienado, de direita ou um dos lobotomizados pela própria mídia: aí ele é endeusado.

Criamos uma quase ditadura judicial, onde o poder político se transferiu para procuradores, delegados e juízes, que decidem quem deve ser processado ou não.

Os tribunais superiores, que deveriam servir para conter o ímpeto golpista de Moro foram tomados por juízes amedrontados por esse clima de linchamento e chantagem criado pela mídia.


Segredos do Almirante Othon devem ser guardados pelo STM


A prisão decretada pelo juiz Aldo Moro contra o vice-almirante Othon Luís Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear - descrito por um jornal carioca como “ícone” da tecnologia nuclear brasileira -, pode ser um ato duplo de sabotagem do mais importante projeto de Defesa do Brasil, o submarino nuclear, assim como da tecnologia das centrífugas, a produção barata de urânio enriquecido que enche de inveja as próprias potências nucleares. Se ficar por isso mesmo, em mais uma normalidade anormal introduzida pela Lava Jato na vida política brasileira, é mais vantajoso e mais barato entregar o poder total aos procuradores.

O almirante Othon é um arquivo vivo de tecnologia. Metê-lo na cadeia como um prisioneiro comum, sujeito às torturas psicológicas do juiz Moro que se especializou em delações premiadas arrancadas pelo stress da cadeia, é um risco para a segurança nacional e para a Defesa. Não tenho nenhuma confiança em que algum desses promotores ansiosos por fama não caiam na sua própria armadilha de comprar informações pela humilhação, passando a vendê-las pelo dinheiro e pela fama de desnuclearizar o Brasil. Um presidente muito afoito já fez isso em Cachimbo, sem nenhuma contrapartida das potências nucleares!

Os órgãos do Estado responsáveis pela Segurança e Defesa tem a obrigação de agir imediatamente. Primeiro, exigindo que se coloque o inquérito em segredo de Justiça. De uma maneira mais eficaz, exigindo a transferência das investigações para órgãos militares sob controle das Forças Armadas e do STM. Na verdade, se a Marinha, que está fazendo o submarino nuclear e fez as centrífugas, guardou tão bem os segredos relativos a esses desenvolvimentos tecnológicos vitais para o Brasil, é claro que se confia mais em sua discrição do que na do juiz Moro e de seus promotores midiáticos que vivem vazando informações para a mídia internacionalizada.

Fora dos blogs e de raríssimos comentaristas da grande mídia, não tem havido informação honesta sobre a acusação contra o almirante. Fala-se que recebeu em sua conta 4,5 milhões de reais em mais de quatro anos. Pergunto: Qual alto executivo de grande empresa, com menos qualificações que ele, ganhou menos do que isso em período equivalente?  Acha-se na fila de emprego, com salário de iniciante, algum engenheiro com as qualificações dele? E por que chamar de propina, e não de remuneração normal? Em qualquer hipótese, o Brasil deve muito a esse engenheiro nuclear e almirante. Ele merece respeito, e não suspeita.

Mas temos uma questão imediata de Defesa e de Segurança Nacional pela frente. A Lei de Segurança Nacional da Ditadura acabou em boa hora; eu próprio fui vítima dela. Mas há uma lei anterior que está em plena vigência. É a Lei 1802, de 5 de janeiro de 1953, em plena democracia. Vale a pena ver alguns de seus termos, literalmente. Isso ajuda a concluir que, se houver uma providência simples do Governo, será possível proteger nossos segredos nucleares e aqueles que foram responsáveis por seu desenvolvimento a partir da avocação do processo correspondente para a Justiça Militar. Eis alguns de seus artigos pertinentes ao caso:

Art. 29. Conseguir, transmitir ou revelar, para o fim de espionagem política ou militar, documento, notícia ou informação que em defesa da segurança do Estado, ou no seu interesse político, interno ou internacional, deva permanecer secreto.

    Pena:- reclusão de 6 a 15 anos.

    Parágrafo único. Se se tratar de notícia, documento ou informação cuja divulgação tenha sido proibida pela autoridade competente, a pena será aumentada da metade.

Art. 30. A pena restritiva de liberdade, estabelecida no art. 202 do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, será aplicada, sem prejuízo de sanções outras que couberem com aumento de um terço, se a sabotagem for praticada:

    a) em atividades fundamentais à vida coletiva;
    b) em indústria básica ou essencial à defesa nacional;
    c) no curso de grave crise econômica.
    A pena será aplicada com agravação da metade:
    d) em tempo de guerra;
    e) por ocasião de comoção intestina grave, com caráter de guerra civil;
    f) com emprego de explosivo;
    g) resultando morte, ou lesão corporal de natureza grave.

Parágrafo único. Constituem, também, sabotagem os atos, irregulares reiterados e comprovadamente destinados a prejudicar o curso normal do trabalho ou a diminuir a sua produção.

Paralelamente à questão do Almirante Othon, não seria a destruição da Engenharia Nacional pela Lava Jato também um caso de “prejudicar o curso normal do trabalho ou a diminuir a sua produção?”

*Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de cerca de 20 livros sobre a economia política brasileira.


Os nossos "Yes, Bwana!" e os novos "Hai, Bwana!" do Financial Times


A imprensa brasileira destacou amplamente na semana passada o "duro" editorial da última quinta-feira do jornal inglês Financial Times sobre a crise política e econômica no Brasil. Com o título "Recessão e politicagem: a crescente podridão no Brasil", o texto conclui que a "incompetência, arrogância e corrupção abalaram a magia" do nosso país.

Assim como há quem se pergunte, nos moldes da sabedoria popular, de que se riem as hienas, seria o caso de se perguntar de que estava falando o Financial Times, quando chamou o Brasil de "um filme de terror sem fim", em seu editorial, prontamente reproduzido e incensado, com estardalhaço, por uma multidão de "Yes, Bwana!" nativos, prostrados - como os antigos criados negros na frente de seus mestres estrangeiros nos filmes de Tarzan - diante do trovejar do Grande Totem Branco do Reino Unido de Sua Majestade Elizabeth, quando ele se digna a contemplar com sua atenção este "pobre" e "subdesenvolvido" país.

Diante de tão poderoso édito e tão diligentes arautos, não há, no entanto, como deixar, também, de se perguntar:

Afinal, na economia, de que estava falando - ou rindo, como hiena - o Financial Times?

Se a Inglaterra, com uma economia do mesmo tamanho da nossa, tem uma dívida externa 20 vezes maior que a do Brasil, de 430% contra menos de 25% do PIB ?

Se as reservas internacionais britânicas são, também segundo o Banco Mundial, quase quatro vezes menores (107 bilhões contra 370 bilhões de dólares) que as do Brasil ?

Se o déficit inglês no ano passado, foi de 5,5%, o maior desde que os registros começaram em 1948, e a renda per capita ainda está 1.2% abaixo da que era no início de 2008, antes da eclosão da Crise da Subprime ?

Quanto à corrupção, também seria o caso de se perguntar: de que estava falando - ou rindo, como uma hiena - o Financial Times?

Se a Inglaterra é tão corrupta, que deputados falsificam notas para receber ressarcimento e aplicam a verba de gabinete até para a assinatura de canais pornográficos?

Se a Inglaterra é tão corrupta, que o político conservador e ex-presidente do Comitê de Inteligência do Parlamento Malcolm Rifkind, que trabalhou por mais de uma década nos gabinetes da famigerada Margaret Tthatcher e do ex-primeiro-ministro John Major, e o político trabalhista Jack Straw, ex-secretário de Justiça, Ministro do Interior, Ministro de Relações Exteriores e ex-líder da Câmara dos Comuns, caíram em uma arapuca criada por um jornal e um canal de televisão, no início deste ano, e foram filmados sendo contratados para vender serviços de "consultoria" para pressionar embaixadores britânicos e líderes de pequenos países europeus para favorecer os negócios de uma empresa chinesa (fictícia), por quantias que variavam de 5.000 a 8.000 libras por dia?

Se em 2010, o mesmo tipo de reportagem, feita também pelo Channel 4, revelou que deputados e Lordes britânicos, como os ex-ministros trabalhistas Stephen Byers, a ex-secretária (ministra) de Transportes, Governo Local e das Regiões, Patricia Hewitt o ex-secretário (m inistro) de Saúde, Geoff Hoon, e o ex-secretário (ministro) dos Transportes e ex-secretário (ministro) da Defesa Richard Caborn estavam dispostos a fazer lobby em favor de empresas privadas em troca de grandes somas de dinheiro, em um esquema que foi totalmente convenientemente blindado pelo governo do Primeiro-Ministro Gordon Brown?

Se, dois anos mais tarde, em maio de 2012, foram revelados que teriam sido oferecidos pelo tesoureiro do Partido Conservador, Peter Cruddas, jantares "íntimos" com o Primeiro-Ministro David Cameron - que está atualmente no poder - pela módica quantia de 250.000 libras, quase um milhão de reais, em "doação" para seu partido, e o gabinete do Primeiro-Ministro se recusou a revelar qualquer detalhe sobre esses jantares, nome dos "convidados", etc, alegando que eles eram "privados"?

Já imaginaram se fosse o Lula no lugar do Cameron? O que não iria dizer do Brasil o Financial Times em seus editoriais?

Finalmente, quanto à questão política, de que fala, como uma hiena - o Financial Times, com relação à popularidade da Presidente Dilma Roussef, se a desaprovação do Primeiro-Ministro James Cameron, segundo a empresa de monitoramento de redes sociais Talkwalker, subiu de 25% para 65%, e o número de cidadãos que o aprova caiu de 9 para 7 % nos últimos meses?

Não seria o caso - se nos preocupássemos com eles da mesma maneira que eles insitem em se meter em nossos assuntos - de escrever um editorial sobre a "permanente podridão da Grã Bretanha" ?

É por isso, por sua mania de dar lições aos outros, que os ingleses acabam tomando as suas. Quando a empáfia é muita, ela incomoda os deuses, e o castigo vem a cavalo.

Na mesma quinta-feira passada, do seu arrogante editorial sobre a situação brasileira, em suave vingança poética, depois de 153 anos servindo de escudo e biombo para a hipocrisia de um império decadente, erguido por corsários, bandidos e traficantes de drogas - vide a Guerra do Ópio - o Grupo Financial Times - por incompetência e risco de quebra - incluído o próprio jornal e todas as suas outras publicações - foi vendido para o grupo japonês Nikkei.Inc, por 1.3 bilhões de dólares.

A partir de agora, os jornalistas, editores e "analistas" do FT, famosos pela visão colonialista que tem do resto do mundo, vão ter que se acostumar - os que sobrarem, depois das demissões - a trabalhar, debaixo de chibata - em sentido figurado, mas não menos doloroso - para o Império do Sol Nascente, como os figurantes do clássico filme de guerra a Ponte do Rio Kwai, e a pronunciar "Hai, Bwana-San!", para seus novos donos nipônicos, expressão que deveria ser aprendida, por osmose - para que possam reconhecer quem são, a partir de agora, seus novos mestres - pelos "Yes, Bwana!" - nacionais.

Lula entra com ação contra os bandidos da Veja

Lula

NOTA À IMPRENSA
Lula aciona a Justiça contra mentiras de VEJA

São Paulo, 29 de julho de 2015,

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou nesta quarta-feira (29) com ação judicial por reparação de danos morais contra os responsáveis pela matéria de capa da revista VEJA desta semana.

São alvos da ação Robson Bonin, Adriano Ceolin e Daniel Pereira, que assinam as reportagens de capa da edição 2.436, que chegou às bancas em 25 de julho passado, além do diretor de redação Eurípedes Alcântara.

"O texto é repugnante, pela forma como foi escrito e pela absoluta ausência de elementos que possam lhe dar suporte", destacam os advogados de Lula na ação. A peça reafirma também que, de acordo com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "a liberdade de comunicação e de imprensa pressupõe a necessidade de o jornalista e/ou o veículo pautar-se pela verdade".

A reportagem repete práticas comuns a VEJA: mente, faz acusações infundadas e sem provas, apresenta ilações como se fossem fatos, atribui falas e atos, não tem fontes e busca atacar, de todas as formas, a honra e a imagem do ex-presidente Lula.

Deltan Dallagnol, um evanjegue a serviço do atraso

Deus vai atender às súplicas do procurador da Lava Jato? 
Por Paulo Nogueira
Aleluia, irmãos Marinho!
Pobre Deus.

Tanta coisa para cuidar do mundo – crianças que morrem de fome na África, que são estraçalhadas por bombas americanas no Oriente Médio etc – e o procurador Deltan Dallagnol ainda quer que ele tome conta da Lava Jato.

Nem Super-homem faria tanta coisa ao mesmo tempo.

Dallagnol, coordenador da Lava Jato, evocou Deus numa igreja batista no Rio de Janeiro, diante de 200 fieis.

Afirmou que Deus abriu uma “janela de oportunidade” para o combate à corrupção no Brasil.

Foi chamado pelos presentes de “servo” e “irmão”.

A defesa de Marcelo Odebrecht definiu a Lava Jato em termos bem menos solenes. Chamou-a de Reality Show, coisa mais para o Diabo do que para Deus.

A intervenção de Dallagnol numa igreja está mais para comédia do que para Reality Show.

Assim como a confusão entre Vaca, o bicho, e Vaccari, o tesoureiro do PT.

Não vai ser surpresa, diante de tamanha confusão e de erros, se o Brasil sair pior da Lava Jato do que entrou.

Parece não haver foco na apuração. Num caos imenso, investiga-se tudo, o que costuma significar investigar nada.

No jornalismo, é comum repórteres ficarem dias, semanas, meses coletando informações copiosas. No final, você filtra e vê que não sobrou quase nada que prestasse.

Mas Dallagnol falou de Deus e então chamo ao debate o Papa Francisco.

O mal maior da humanidade, como tantas vezes insiste Francisco, é a desigualdade.

Fico com Francisco, e não com Dallagnol.

Reduza a desigualdade e tudo de ruim reflui, incluída aí a corrupção. Mantenha a iniquidade, e a sujeira perdurará a despeito de quantas Lavas Jatos aparecerem.

A desigualdade é, em si, corrupta: floresce na lama.

Isso quer dizer que, se Deus abrisse uma vaga em sua complicada na agenda para ajudar o Brasil, sua prioridade um, dois e três seria erradicar a pobreza e construir uma sociedade justa.

A Lava Jato pode esperar.

Moro é o juiz sobrenatural, o Rei do Brasil "republicano"

Por Fernando Brito

O sistema judicial brasileiro vai adquirindo ares sui-generis.

Há uma nova instância judicial instalada: o Supremo Tribunal do Moro, que deixou de ser uma vara judicial entre as cerca de 800 existentes no país e passou a ser o responsável por todas as investigações sejam aonde forem.

Agora, chega à Eletronuclear. Depois, quem sabe a Belo Monte. A seguir, que tal às obras do Porto de Pecém, no Ceará ou à transposição do Rio São Francisco ou às estradas de rodagem do Centro-Oeste ou ainda, talvez, aos trilhos da Ferrovia Norte Sul.

Ou a qualquer lugar onde houver uma obra tocada por uma das muitas empreiteiras envolvidas na Lava-Jato, que se tornou um polvo infinito, que estende seus tentáculos punitivos por todo o território nacional, quiçá pelo mundo, porque não demora a irem ver como andam os contratos da Andrade Gutierrez no México ou da Odebrecht no Oriente Médio.

Obvio que isso não quer dizer que não possam existir irregularidades em outras obras, em outros lugares. Possivelmente haverá, porque, como diz a piada, não há empreiteiro nos campos celestiais.

Ou nas administrações tucanas, claro, porque as mesmas empreiteiras realizaram obras nos governos do PSDB – Aécio, Serra, Richa e Alckmin.

Mas lá, é claro, não se deu um tostão para político ou funcionário algum e, se aconteceu, “isso não vem ao caso”.

Mas quer dizer, sim, que há uma escandalosa violação do princípio do juiz natural, um dos fundamentos do equilíbrio judicial.

Não se alegue que, ao investigar uma situação surgem indícios comprometedores em outra: neste caso, o normal seria a remessa aos juízos e ao MP dos lugares onde tais delitos teriam ocorrido, em lugar de englobarem-se todos eles num leque de inquéritos sob o mesmo comando e o mesmo controle (ou descontrole) judicial.

Segundo o Estadão, ao todo, foram instaurados 789 procedimentos no âmbito da Lava Jato, entre eles 156 inquéritos em andamento, 53 processos de cooperação internacional além de 5 ações de improbidade e 81 ações cautelares patrimoniais. São 119 réus em ações complexas, que envolvem exames em contratos, perícia financeira, milhares de horas de escutas telefônicas e muito mais.

Tudo isso à conta de uma única vara, de um único juiz.

Se ainda não fosse pela violação do princípio do juiz natural – que é a garantia constitucional contra tribunais de exceção -, é uma evidência de que, mais do que a eficiência apuratória, perde-se a independência e a capacidade de exame sereno dos fatos.

E assim, sob o aplauso dos moralistas, criou-se de fato o temido tribunal de exceção que se queria evitar, sob a covardia do Supremo Tribunal Federal, que legitimou o crescente adonar-se do Brasil pelo Doutor Sérgio Moro.

É o monarca judicial, incontestável, onipotente, onipresente e onisciente, algo de que devem se lembrar aqueles que fizeram aulas de catecismo quando crianças.

E , em nome da moralidade, fazer do Brasil terra arrasada.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Limites de velocidade nas ruas: falácias, mitos e verdades

Escrito a quatro mãos com Carlos Aranha*

Quase uma semana se passou desde a implementação dos novos limites de velocidade nas Marginais Tietê e Pinheiros, em São Paulo. Desde terça-feira, dia 21/07, o que se viu foi uma verdadeira avalanche de críticas e opiniões apaixonadas sobre um tema tão banal e óbvio quanto discutir se metrô é mesmo mais eficiente do que carros para a mobilidade urbana.

Por não ser um tema de pronta assimilação ao senso comum, muitas pérolas – e também opiniões intelectualmente desonestas – repercutiram nas redes e na imprensa em geral. Elencamos e desmistificamos algumas delas, para apresentar os fatos e a importância da redução dos limites de velocidade em toda a cidade.

“Já não dá pra dirigir direito em SP e a Prefeitura ainda vem e reduz a velocidade máxima das Marginais?!”

Curioso: a resposta está contida na própria pergunta. Se já não dá para dirigir direito, não há outro motivo que o excesso de carros.

– Então vamos aumentar as ruas, certo?

Errado! O ex-governador e atual senador José Serra pensava assim e até tentou, criando, em 2010, a “Nova Marginal”, uma obra de R$ 1,5 bilhão. Aumentaram três faixas de rolamento e adicionaram uma ponte. Em cinco anos, o congestionamento na Marginal Tietê piorou 80%. Até a poluição do ar aumentou, contrariando um dos argumentos centrais de justificativa da obra bilionária.

“De onde inventaram que reduzir velocidade máxima melhora o fluxo?”

O que importa para a fluidez do tráfego é a passagem da maior quantidade de veículos por unidade de tempo. Fluxo máximo nada tem a ver com velocidade máxima. A redução da velocidade máxima não prejudica a velocidade média, nem a fluidez. Pelo contrário: veja este video sobre o experimento do grão de arroz, realizado pelo Departamento de Transportes de Washington. Carros movimentando-se a velocidades mais baixas melhoram a fluidez e a capacidade da via, pois as distâncias entre os carros são reduzidas e os estrangulamentos, as freadas bruscas e os conflitos nos acessos/saídas diminuem. Sem falar nas colisões, que reduzem em número e em gravidade, e deixam de “atrapalhar o trânsito”.

Veja por exemplo (neste artigo) como Paris melhorou o trânsito (aumentou a velocidade média) com a redução das velocidades máximas.

Mais um efeito é o fato de que, quanto menor a velocidade, menor a chance de uma vítima de atropelamento ferir-se gravemente ou morrer. A velocidade é elemento fundamental neste processo; e apenas um deles. Muito mais ainda precisa ser feito para tornar São Paulo uma cidade mais humana para quem vive nela.


“Se reduzir a velocidade, vai aumentar o número de assaltos e arrastões aos motoristas”.

Este foi o argumento usado pela OAB-SP. São tantos absurdos por trás de uma justificativa como essa, que resolvemos listá-los:

– Qual a diferença entre ser assaltado a 50, 60 ou 70km/h? Acima de 70km/h as pessoas “estão seguras”, é isto?

– A velocidade média na Marginal Tietê, no horário de pico da manhã, já é de 12km/h. Isto por conta do volume de automóveis – não pelos limites de velocidade. Ou seja, qual a preocupação real com os limites de 50, 60 ou 70km/h, se a velocidade média já é 5 vezes menor?

– Justificar a manutenção de velocidades máximas altas como uma questão de segurança pública é como dizer que uma boa solução para a violência urbana é que todos usem coletes à prova de balas. Muros altos, vidros blindados, altas velocidades, segurança particular – estas não são medidas de solução, mas sim de fuga do real problema: as desigualdades sociais.

“Não vamos negar que isso tudo alimenta a indústria da multa…”

Acompanhe: um estudo feito pelo engenheiro de tráfego Horácio Figueira, com base nos dados da CET-SP, aponta que, em São Paulo, uma multa é emitida a cada 4.500 infrações de trânsito cometidas. É isso mesmo, você não leu errado: nós (como sociedade) punimos apenas 0,02% dos erros que cometemos ao volante – erros que põe em risco a vida dos outros e a nossa.

Toda indústria existe a partir de sua matéria-prima. Acabou o milho, não se produzirá curau. Acabou a mandioca, não haverá mais tapioca. Vamos fazer o mesmo com a  tal da “indústria da multa”? Sigamos as regras, respeitemos o código de trânsito, e ela imediatamente desaparecerá. Topa o desafio?

“O número de acidentes vai aumentar porque as pessoas podem frear bruscamente nos pontos com radar”

Precisa mesmo comentar? Velocidade máxima não é “para quando tem radar”: é para a via inteira! Quem freia em cima do radar estava desrespeitando a velocidade regulamentada. Ponto final.

“As Marginais são vias expressas, feitas para altas velocidades”.

Pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), apenas as pistas mais próximas ao rio são expressas, chamadas de vias “de trânsito rápido”. As vias locais, tanto da Marginal Tietê quanto da Pinheiros, não são expressas, pois possuem acesso direto aos lotes lindeiros. Veja o que diz o CTB, no artigo 60.

Quando as Marginais foram construídas – Tietê, em 1957, e Pinheiros, em 1970 – a cidade ainda não possuía as características de hoje (veja foto abaixo). São Paulo cresceu, mudou e se transformou com o tempo; e isto não pode ser desconsiderado.


A Marginal Pinheiros, por exemplo, foi construída visando especialmente facilitar a logística de caminhões que vinham do interior em direção ao porto de Santos. Era uma extensão das rodovias. Com a implantação do Rodoanel, além da proibição de circulação de caminhões, esta característica mudou completamente, fazendo com que sua função – e inclusive existência! – sejam facilmente questionáveis.

Mais: o adensamento populacional ao longo destas vias foi intensificado, especialmente a partir da década de 1970, fazendo com que a vida pujante da cidade incorporasse as Marginais, que não mais se encontram isoladas ou segregadas.

A Marginal Tietê é caso mais grave ainda, pois foi construída ainda na década de 50, quando no seu entorno só havia terrenos vazios, vegetações nativas e algumas indústrias. Nos dias atuais há moradias, lojas de departamento, churrascarias, estádio de futebol e até hotéis. A “via de trânsito rápido em um local isolado” é hoje uma “via de trânsito rápido no meio da cidade”. Não à toa, somente no ano passado foram 73 mortes nas Marginais e quase 1400 pessoas feridas.

Considerando, portanto, as mudanças da cidade, o contexto histórico e as características das vias, conclui-se que é inaceitável termos rodovias, estradas e vias expressas cortando a cidade e a vida das pessoas.

Para o médio prazo, nas Marginais, a questão central será muito além de seus  limites de velocidade: seu desenho, a geometria da via (que faz com que o condutor do carro se sinta convidado a acelerar) precisam ser revistos.

Reduzir os limites de velocidade é uma medida emergencial, corretiva, para forçar os motoristas a dirigirem dentro dos limites, mesmo que a via tenha um desenho que o induza a acelerar. Por isso os motoristas frequentemente desrespeitam os limites de velocidade ou aceleram e depois freiam próximos aos radares: pois a geometria e o desenho da via não é condizente com a velocidade regulamentada.

Por exemplo: tente passar de carro pela Rua 7 de Abril a mais de 30km/h, às 15h em um dia de semana. Será impossível, pois o desenho da via, os elementos visuais, as surpresas, a atenção redobrada, tudo isto fará com que você naturalmente assuma uma postura de cuidado e velocidade bastante reduzida. Este é o cenário ideal para a cidade toda, inclusive para as Marginais. Um novo desenho que altere a categoria de “via de trânsito rápido”, para uma via arterial humanizada, onde as velocidades são respeitadas natural e não forçadamente.

“As marginais não são lugar para gente. Se a prefeitura fizesse o processo de zeladoria naquelas vias, evitaria muitos acidentes, não haveria gente atravessando na pista nem motociclistas caindo”

Pra começo de conversa: não são os pedestres os maiores prejudicados, nas marginais, pelo excesso de velocidade. Das 73 mortes registradas em 2014, 48 foram de pessoas em veículos motorizados.

Segundo: como já dito aqui, nossas marginais não são rodovias, mas avenidas de uma cidade que já a abraçou faz tempo. Suas faixas locais têm (e terão cada vez mais) acessos diretos a ruas menores ou lotes – muitas vezes com entradas ou vagas a 90º –, com estabelecimentos e comércio, além de pessoas nas calçadas ou atravessando pontes.

Terceiro: vidas humanas não são obstáculos. São vidas, de valor sempre inestimável – ao contrário do que sugerem alguns comentários perigosíssimos que andam circulando por aí, como “a maior parte dos atropelados são mendigos ou vendedores ambulantes” (o que se quer dizer com isso?). Não se resolve atropelamentos proibindo pessoas de estarem ali (isso na verdade teria outros nomes: preconceito e higienismo). Ou vidas por trás de um volante valem mais que outras?
Seja quem for que está morrendo ou sendo ferido – pedestres, motociclistas ou ocupantes de carros –, é nossa obrigação como sociedade solucionar o problema.

“Reduzir velocidade máximas das Marginais… Isso é coisa do PT”

Mais um engano. Na última vez em que o PT administrou a cidade (Marta Suplicy, 2001 a 2004), muitas avenidas e vias coletoras da cidade tiveram seus limites de velocidade aumentados – e não diminuidos. A Avenida Paulista é um exemplo. Foi de absurdos 60 km/h para inadmissíveis 70km/h. Resultado: aumento de atropelamentos, mutilações e mortes.

Durante a gestão PSDB/DEM/PSD (Serra/Kassab, 2005 a 2012) mais de 600km de vias da cidade tiveram velocidade reduzida. Praticamente todas as avenidas que ainda possuíam limite de 70 km/h passaram a ter regulamentação de 60 km/h. A Avenida 23 de Maio foi de 80 para 70 km/h. A Avenida Paulista voltou a ser 60 km/h e, a partir de 2013, já na gestão Haddad, foi reduzida para 50 km/h.

A redução de velocidades e o acalmamento do tráfego não devem passar pelo crivo partidário. Devem sim ser compreendidas como políticas públicas inquestionáveis para a harmonia da vida na cidade. E fique com uma boa nova: nas regiões-teste em que o limite de 40km/h foi implementado desde 2013, o número de mortes já caiu 70%.

“Eu tenho um carro potente e seguro. Dirijo bem. Poderia desenvolver velocidades maiores com segurança”

Vale a pena aumentar o risco de todos para ganhar alguns minutos? Os números do trânsito no Brasil mostram que não: ainda matamos mais do que qualquer outro país no mundo e isso é uma vergonha.

Sabemos que é triste perceber o quanto fomos ilusoriamente seduzidos pela publicidade do carro, mas aquelas estradas livres, sem limites de velocidade e liberadas para você e seu possante (repare que nunca há mais de um nos comerciais) só existe mesmo na propaganda. Em outras palavras: você vive em comunidade. Pode ser um ótimo motorista, um carinhoso filho e um exemplar vizinho, porém isso não justifica você ter regras diferenciadas do todo.

Sim, morar na cidade tem prós e contras. Você está perto de tudo – inclusive de outras 11 milhões de pessoas. Ou todo mundo segura a onda, ou vai ser insuportável viver em sociedade. A velocidade baixa e segura regula a nossa convivência nas ruas.

Em outras palavras: quer testar o seu motor? Alugue o autódromo de Interlagos só para você.

“Como pode vir um prefeito e ditar regras sobre como devo dirigir?”

Entenda: não é “o prefeito”, é a cidade! Faz uma década que as organizações civis que debatem a mobilidade urbana clamam por menores velocidades. O debate já acontece há tempos; todo cidadão interessado no assunto deve ir além da reclamação na internet e participar ativamente da administração da nossa cidade.

Reduzir a velocidade máxima pode parecer ruim para os motoristas – se pensarem individualmente – porém é bom para o coletivo, para a convivência, inclusive entre esses mesmos motoristas. Colisões reduzem em quantidade – e, quando acontecem, são mais leves e menos letais. Isto é bom para todos. Dá para entender ou seu individualismo não te permite?

Fato é que uma cidade que mata mais com carros do que com armas de fogo já passou da hora de estancar sua “carrificina”. Hoje, todas as portas de pronto-socorro ficam abarrotadas de gente por causa da violência do nosso trânsito. A neurocirurgia, a cirurgia de medula e a área de amputação e próteses são movimentadas pelo trânsito da cidade (comentário do médico e professor Dr. Paulo Saldiva nesta entrevista). Não acha que este dinheiro público gasto com a alta velocidade e a imprudência de motoristas deveria ser investido em creches ou na criação de mais parques públicos, por exemplo?

Todos os cidadãos – incluindo os motoristas – são vítimas das velocidades excessivas. Reduzi-las é medida para preservar a vida de todos. Ser contra a redução da velocidade na cidade é mostrar-se a favor de mais mortes no trânsito (além das 1.300 que já temos todo ano).

Função social das ruas

Nas cidades se discute muito a função social da terra e da propriedade. E nada se fala na função social das vias públicas, da rua. 80% das vias públicas de São Paulo hoje são ocupadas por automóveis, que transportam somente 30% da população da cidade. Faixas de rolamento inteiras são privatizadas para estacionamento de automóveis particulares.

É no bojo desta lógica privatizante e elitista das nossas vias públicas que devemos refletir: ruas para quem? Para quê? Quem pode, quem não pode, por que não pode? É aceitável que um rio tenha tido seu curso modificado e suas margens tenham virado infinitas faixas de rolamento para carros particulares passarem, com uma pessoa cada, a 90 (ops, 70) km/h? É aceitável que os modos ativos de deslocamento (caminhada, bicicleta e outros) sejam proibidos nestes locais? Quanto custa a manutenção das Marginais e as obras lá realizadas? Quem pagou essa conta? Quantos foram beneficiados, quantos prejudicados? Quais os custos dos (ditos) acidentes (de trânsito) para o sistema único de saúde? E as mortes: quais os custos delas e os impactos nas vidas destas famílias?

Reduzir os limites de velocidade nas Marginais, portanto, é uma medida importante para o processo de re-humanização e democratização deste espaço público da cidade. Mesmo que seja uma medida ainda tímida.

Como cantava Jacinto Silva em seu mais conhecido forró: “Pisa no chão, pisa maneiro, quem não pode com a formiga não assanha o formigueiro”. Função social das vias públicas já!

*Carlos Aranha é jornalista, publicitário e sociopsicólogo. Especialista em mobilidade urbana, participa e influencia o debate sobre políticas públicas na cidade de São Paulo desde 2008. É ex-Diretor de Participação Pública da Associação de Ciclistas Urbanos de São Paulo e um dos fundadores do Bike Anjo.

Hoje é Conselheiro Municipal de Política Urbana, participa na criação da Associação pela Mobilidade a Pé de São Paulo e atua pela Rede Nossa São Paulo.
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