terça-feira, 30 de junho de 2015

Porcalista vira-lata da Globonews paga mico internacional

Na Casa Branca, repórter da Globo explicita como os patrões dela enxergam o Brasil, mas é rechaçada por Obama; veja o trecho
sugerido por Conceição Oliveira
Nem Obama aguenta jornalismo vira-lata da Globo.

Jornalista da Globo News pergunta pra Dilma como ela reage sabendo que os EUA acham que o Brasil é uma força regional, não global. Obama pega o microfone: eu discordo, Brasil é um player global, o mundo precisa dele e o Brasil está na frente de todas as discussões.


Obama: Encaramos o Brasil como um poder mundial e não regional

Presidenta Dilma Rousseff fez reunião de trabalho com colega norte-americano nesta terça. Para Obama, o Brasil é um parceiro indispensável na luta contra a fome e a pobreza

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou, em coletiva de imprensa, nesta terça-feira (30), que o país norte-americano vê o Brasil como um poder mundial. A resposta foi dada a uma jornalista brasileira que havia afirmado que o Brasil era visto como um poder “regional”.

“Encaramos o Brasil como um poder mundial e não como regional”, respondeu Obama, acompanhado pela presidenta Dilma Rousseff.

“Os países eles passam por crises e dificuldades. O fato de passarem por crise e dificuldades não pode implicar em que haja qualquer diminuição do papel de um país. Até porque um país só é, de fato, um grande país se ele é capaz de superar as dificuldades”, disse Dilma, em defesa do papel do Brasil na liderança mundial.

Além disso, o presidente norte-americano ressaltou a importância do Brasil na luta contra a fome e a pobreza. Para ele, o Brasil é um “parceiro indispensável” nesta questão. Durante a visita, Dilma convidou Obama para as Olimpíadas de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro.

De acordo com a presidenta Dilma, Brasil e EUA estabeleceram, durante a visita dela ao país norte-americano, uma agenda bilateral em áreas como comércio, investimentos, mudança do clima, energia, educação, defesa, ciência, tecnologia e inovação.

“Reforçamos nosso diálogo sobre temas da agenda internacional, como o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, algo que é essencial para o mundo e para cada um dos nossos países, governança econômica e financeira, paz e segurança”, disse Dilma.

Também nesta terça, Dilma e Obama anunciaram o compromisso do governo brasileiro de, até 2030, recuperar 120 mil km² de florestas. Além disso, o termo assinado também prevê que o Brasil implemente políticas para eliminação do desmatamento ilegal.

“Nós queremos chegar no Brasil a desmatamento zero até 2030 – desmatamento [ilegal] zero até 2030. E também queremos virar a página e passarmos a ter uma política clara de reflorestamento. Isso é importantíssimo para o Brasil, tem a ver também com os nossos compromissos próprios que assumimos no Código Florestal”, explicou a presidenta.

Durante a visita aos Estados Unidos, a presidenta Dilma e Obama também entraram em acordo para facilitar a entrada de viajantes frequentes do Brasil, pelo Global Entry. Além disso, foi celebrado acordo para que a população brasileira que vive nos EUA tenha cobertura da previdência social.


PS do Viomundo: É uma repórter que leva a sério o noticiário sobre o desastre que é o Brasil martelado diuturnamente pela emissora em que ela trabalha…

Estamos a caminho de um verdadeiro fascismo impulsionado pela mídia

"Estamos a caminho de um verdadeiro fascismo", alerta Bandeira de Mello
Jurista critica força conservadora e diz que nunca se combateu corrupção como agora

Jornal do Brasil

Ninguém gosta de corrupção, destaca o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello. O escândalo criado com esta prática, contudo, travestida de novidade, é preocupante. Para Bandeira de Mello, estamos a caminho do verdadeiro fascismo, impulsionado pela chamada grande imprensa. Em conversa com o JB por telefone nesta segunda-feira (29), ele lembra que a corrupção nunca foi tão combatida neste país como agora, e que foi durante o governo de Fernando Henrique Cardoso que as estatais ganharam uma "autonomia sem sentido", como um "alô aos corruptos e corruptores". Em 1997, o governo editou a Lei n° 9.478/1997, que autorizou a Petrobras a se submeter ao regime de licitação simplificado.

"Está havendo um abuso em matéria de delação premiada, estão achando que isso é a salvação do mundo. Não é. Ninguém gosta de corrupção, não há quem goste. Eu detesto a corrupção", comentou Bandeira de Mello, resgatando a ocasião em que apontou que estavam "entregando o galinheiro aos cuidados da raposa", com a flexibilização da lei das licitações, durante o governo FHC.

De acordo com o jurista, o fato da corrupção estar sendo tratado como uma novidade escandalosa decorre do momento político. "A presidenta [Dilma Rousseff] ganhou as eleições e desgostou um segmento da sociedade grande, que são as forças conservadoras, e essas forças conservadoras controlam a imprensa. Então, a imprensa tem feito um grande escândalo, como se a corrupção tivesse começado no governo do PT. Não é verdade. Corrupção sempre teve, e nunca se combateu tanto a corrupção como agora."

Em matéria publicada nesta segunda-feira na Folha de S. Paulo, Bandeira de Mello critica a Operação Lava Jato. "Eu critiquei (a Operação Lava Jato) a maneira de prender [os investigados] sem mais nem menos, vai prendendo. O que é isso?, Não é assim. Delação premiada não é isso", explicou ao JB. 

Eu digo isso com grande desgosto, mas é verdade
"Nós estamos, eu disse isso na entrevista que eu dei para a Folha, a caminho do verdadeiro fascismo, impulsionado pela imprensa, pela chamada grande imprensa, que é meia dúzia de proprietários dos meios de comunicação. Infelizmente, isso é verdade, eu digo isso com grande desgosto, mas é verdade."

Para o jurista, esse fascismo se revela no desconhecimento do direito de garantias fundamentais que a humanidade levou séculos para obter. "E agora, a pessoa acha que prender corrupto ou supostamente corrupto é bom, pode fazer do jeito que quiser. Esse juiz gosta muito de mandar prender", disse, completando que isto alimenta a demanda pelo espetáculo midiático. "O que agrada é pão e circo."

Bandeira de Mello também reforçou sua análise de que, colocada a Olimpíada de 2016 no Rio em evidência, essa tendência à espetacularização deve esfriar. "A imprensa, esse segmento da imprensa, ela aproveita tudo aquilo que provoca o escândalo. (...) Quando alguém diz 'olha, não é assim', ela diz 'mas não fui eu que inventei, isso aconteceu, eu estou só noticiando'. Se nós formos adotar como uma desculpa para todo tipo de notícia isso, a humanidade não teria progredido", analisou Bandeira, completando que alguns poderiam responder a sua análise o acusando de ser a favor da corrupção ou de ter petista: "Mas eu também não me incomodo, eu não espero outro comportamento."

Da relação direta entre ter de limpar seu banheiro você mesmo e poder abrir sem medo um Mac Book no ônibus


By daniduc 14 de setembro de 2009

A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade. Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem, e há censura, e há desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como norte na bússola social holandesa.

Um porteiro aqui na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor doutor. Todos trabalham, levam suas vidas, e uma profissão é tão digna quanto outra. Fora do expediente, nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heinekens juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima. A profissão não define o valor da pessoa – trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos. Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.

Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto. Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1300 euros/mês. Um bom salário de profissão especializada, é uns 3500, 4000 euros/mês. E ganhar mais do que alguém não torna o alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando. Todos ali estão em um time, do qual você faz parte tanto quanto os outros (mesmo que seu trabalho dentro do time seja de tomar decisões).

Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade. Entre brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum – há exceções –  estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos – chefe não te olha de cima, o garçom não te olha de baixo. Quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializadas do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?

Os salários pagos para profissão especializada no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time. Os salários pagos à mesma profissão aqui não são suficientes pra esse luxo, e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague (bem mais do que pagaria no Brasil) a um ajudante, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poerinha sua, servindo cafezinho. Eles vêm, dão uma ajeitada e vão-se a cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você. De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio, e pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável (seja porque “estudaram mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade).

Porém, a igualdade social holandesa tem um outro efeito que é muito atraente pra quem vem da sociedade profundamente desigual do Brasil: a relativa segurança. É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência – pessoas são assassinadas, há roubos. Estou fazendo uma comparação, e menos violenta não quer dizer “não violenta”.

O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo.

Eu, pessoalmente, acho excelente os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não têm qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado, ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito. Não enxergo a superioridade moral de um trabalho honesto sobre outro, não importa qual seja. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei” –  não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não. O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior – mas não te torna superior a quem não tenha estudado (por opção, ou por falta dela). Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser cuzão. Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem relação com valor pessoal.

Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde. Limpar o banheiro é um preço a pagar pela saúde social. E um preço que acho bastante barato, na verdade.

PS. Ultimamente vem surgindo na sociedade holandesa um certo tipo particular de desigualdade, e esse crescimento de desigualdade tem sido acompanhado, previsivelmente, de um aumento respectivo e equivalente de violência social. A questão dos imigrantes islâmicos e seus descendentes é complexa, e ainda estou estudando sobre o assunto.

-----------

Escrevo sobre Amsterdam e Holanda no Ducs Amsterdam.

A mesma mídia que glorifica Sérgio Moro e Joaquim Barbosa também aplaudiu o criminoso Sérgio Fleury

O método seletivo da Lava Jato

por Paulo Moreira Leite

Falta de curiosidade pela ligação entre empresários e o PSDB é escandalosa e revela falha essencial de apuração

Sempre que a seletividade das investigações da Lava Jato se torna um fato evidente como a silhueta do Pão de Açúcar na paisagem do Rio de Janeiro, aliados do juiz Sérgio Moro sacam um argumento conhecido: “um crime deve ser tolerado só porque outros o praticam?”

Inteligente na aparência, esse argumento tenta esconder uma verdade mais dura, inaceitável. Vivemos num país onde a seletividade não é um acaso — mas um método.

Essa visão benigna do problema ressurgiu agora, quando a delação premiada de Ricardo Pessoa, mesmo voltada para produzir provas e acusações contra o governo Dilma, Lula e o Partido dos Trabalhadores, não pode deixar de jogar luzes sobre a campanha do PSDB e outros partidos de oposição.

O recursos estão lá, demonstrando que Aécio Neves recebeu mais dinheiro do que Dilma. Que Aloysio Nunes Ferreira levou uma parte em cheque, a outra em dinheiro vivo. Julio Delgado, o relator da cassação de dois parlamentares — José Dirceu e André Vargas — foi acusado de embolsar R$ 150 000 reais de uma remessa maior enviada a Gim Argello para enterrar uma das diversas CPIs sobre a Petrobras.

Será a mesma que permitiu ao senador Sergio Guerra, então presidente do PSDB, levar R$ 10 milhões, uma quantia 66 vezes maior que a de Julio Delgado, para fazer a mesma coisa? Ou essa era outra CPI?

Não sabemos e dificilmente saberemos. A presença de altas somas nos meios políticos é uma decorrência natural das regras de financiamento de campanha, criadas justamente para que os empresários sejam recebidos de portas abertas pelos partidos e candidatos,com direito às mesuras merecidas por quem carrega uma mercadoria tão essencial, não é mesmo?

Não custa lembrar: justamente o PSDB foi responsável pela entrega de votos essenciais para a manutenção das contribuições de empresas privadas em campanhas eleitorais. Os tucanos gostam tanto desse tipo de coisa que, quando ocorreu uma segunda votação, na última chance para se conservar o sistema, até os dois parlamentares — só dois, veja bem –que se abstiveram na primeira vez foram chamados a fazer sua parte e não se negaram a participar de uma manobra que, além de tudo, tinha caráter anticonstitucional.

O PT, seletivamente investigado na Lava Jato, votou contra.

Não é curioso? Não seria muito mais proveitoso entender o imenso interesse tucano pelo dinheiro dos empresários, os mesmos, exatamente os mesmos, que agora são interrogados e presos por longos meses depois que resolveram ajudar o PT?

Isso acontece porque a seletividade não é um acidente de percurso. Está na essência de investigações de grande interesse político — como a Lava Jato, a AP 470 — porque não interessa investigar todo e qualquer suspeito num país onde o Estado “se legitima” quando atua em defesa do ” grupo dominante,” nas palavras da professora Maria Silvia de Carvalho Franco.

Quando você escolhe o alvo e seleciona o inimigo, a regra fundamental de que todos são iguais perante a lei, qualquer que seja sua raça, origem social ou credo, deve ser ignorada porque só atrapalha o serviço. A igualdade deve ser substituída pela seletividade.

No Brasil colonia, a Coroa portuguesa procurava hereges que pudessem ser julgados pela inquisição. Eles eram procurados até nos banheiros, acusados de proferir blasfêmias que ofendiam a Igreja Católica. Localizados e presos, eram conduzidos a Portugal, aprende-se nos relatos do livro Tempo dos Flamengos, do pesquisador Antônio Gonsalves (com “s” mesmo) de Mello.

Esse tratamento, brutal, inaceitável, era coerente com um regime absolutista, no qual homens e mulheres eram desiguais por determinação divina. A seletividade fazia parte natural das coisas.

Em tempos atuais, onde a democracia é um valor universal, é preciso escolher muito bem os alvos e ter noção de seu significado. Quem legitima a escolha? Os meios de comunicação, a principal correia de transmissão entre as ações do Estado e o conjunto da sociedade, que também espelha o ponto de vista do mesmo ” grupo dominante.”

Não vamos esquecer que os mesmos jornais e revistas que hoje glorificam Sérgio Moro e em 2012 endeusaram Joaquim Barbosa também aplaudiram o delegado Sérgio Fleury e outros torturadores que eram apresentados como caçadores de terroristas. Questão de momento, vamos combinar.

Se a denúncia do caráter parcial de uma investigação obviamente beneficia quem está sendo prejudicado, o problema real é muito maior. A seletividade modifica a natureza do trabalho de apuração. Deixa de ser expressão de um erro, humano como todos os outros, para se tornar um método.

Quando uma investigação que deveria produzir uma decisão judicial isenta se transforma numa operação política, os objetivos mudam e os resultados também. Muitos culpados são apenas “culpados”, porque sua culpa está definida de antemão e só precisa ser confirmada pelas investigações. Vice-versa para quem se torna “inocente.”

Para dar um único exemplo, entre vários: policiais que trabalharam para AP 470 descobriram que o ex-ministro Pimenta da Veiga recebeu R$ 300 000 de Marcos Valério, em quatro cheques caídos em sua conta, meses depois do final do governo FHC. Embora essa soma seja seis vezes superior aos R$ 50 000 que João Paulo Cunha recebeu em sua conta, cumprindo pena de prisão por esse motivo, a investigação sobre Pimenta sequer está encerrada — doze anos depois dos cheques de Valério terem caído em sua conta. O ex-ministro tucano é culpado? Suspeito? Quem saberá?

Ignorância boçal e fascistóide avança se não há informação e opinião plural

Luciano Martins Costa deixa o Observatório da Imprensa


Isto é uma despedida

Este observador vai interromper por tempo indeterminado suas análises diárias da imprensa brasileira através deste canal.

Uma crise de gestão torna insustentável a manutenção desse trabalho, que vem sendo feito quase ininterruptamente, desde o dia 16 de julho de 2007.

Ainda antes disso, este colaborador participou dos esforços para a criação e consolidação deste espaço para a crítica democrática da mídia desde seus primórdios, há mais de quinze anos.

Os motivos que levam à interrupção desta jornada são muitos, entre os quais não é possível fazer uma hierarquia de relevâncias.

Talvez fosse possível contornar alguns deles, mas há uma causa que não pode ignorada: não há muito mais o que se analisar na mídia informativa brasileira.

Os principais veículos da imprensa se transformaram em panfletos políticos e vasculhar o noticiário em busca de jornalismo que valha uma referência tem sido como buscar um fio de cabelo no palheiro.
Naquela data de estreia, 16 de julho de 2007, uma segunda-feira, o Brasil já estava imerso em um escândalo político, mas o observador destacava que a Folha de S. Paulo era o único dos grandes diários de circulação nacional que ainda apontava o dedo para suspeitos de todos os matizes.

Nas edições daquele final de semana e da segunda-feira, o jornal paulista havia aberto espaços proporcionalmente adequados tanto para os acusados que eram da aliança governista quanto para os da oposição.

Esse era o quadro do escândalo da época, segundo a visão do observador: "Enquanto o Globo e o Estado de S. Paulo dão claramente mais destaque para os casos de Renan Calheiros e da quadrilha que atuava na Petrobras, a Folha mantem sob os holofotes, com destaque, as irregularidades na CDHU - Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, que respinga no deputado Mauro Bragato, ex-secretário do governo Geraldo Alckmin".

Como se pode constatar, pouca coisa mudou no cenário da imprensa nacional desde então.

Corrupção era o tema de maior destaque, e no comando da seleção de futebol um técnico chamado Dunga boicotava jornalistas da emissora SporTV.

Uma diferença: o Brasil comemorava a conquista da Copa América.

Boa sorte

Naquela ocasião, as revistas Veja e Época faziam jornalismo, ainda que já mostrassem sinais de certa tendência maniqueísta.

A revista mensal Os Brasileiros se apresentava como um projeto que tentava reviver o modelo das reportagens de fôlego, cujo exemplo maior havia sido a revista Realidade, da Editora Abril.

O então presidente Lula da Silva iniciava seu segundo mandato, e os jornais repercutiam as novas políticas sociais com estatísticas sobre desigualdades de todos os tipos.

Nesta terça-feira, o que se lê na imprensa hegemônica não guarda mais qualquer relação com jornalismo de qualidade.

As manchetes dos três diários de circulação nacional fazem uma leitura enviesada de declarações da presidente Dilma Rousseff, evitando entrar no mérito de sua manifestação: a inquietante constatação de que a Justiça tem pautado suas ações no escândalo da Petrobras com base na delação de indivíduos cujo destino depende de sua disposição para justificar os pressupostos da investigação.

O propósito da visita da presidente aos Estados Unidos - reanimar as relações conturbadas pelo episódio de espionagem revelado dois anos atrás, encaminhar acordos sobre a questão climática e estimular investimentos - ficou em segundo plano.

A única pauta que interessa à mídia tradicional do Brasil é a agenda da desconstrução da aliança que controla o Poder Executivo desde 2003.

Mas essa é uma questão que os leitores atentos reconhecem em cada linha do noticiário, em cada expressão dramática nas faces dos apresentadores dos telejornais de maior audiência.

Os demais - aqueles que tomam por verdadeiro tudo que sai na imprensa - seguirão repetindo a linguagem chula dos pitbulls que trucidam a língua culta e subvertem a narrativa jornalística.
Este observador se retira, sem prazo para retornar.

Os primeiros artigos escritos para este Observatório da Imprensa tratavam de sustentabilidade e de propostas para superação da crise que desde então ameaçava o futuro dos jornais.

Esta derradeira observação não pode ser mais otimista, em relação à mídia tradicional, do que as daquele tempo.

Mas sabemos todos que, uma vez colocada a lente da crítica sobre a imprensa, você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito.

Paulinho da Força foi pago para evitar greves

Visivelmente alterado quimicamente
Em delação premiada, o dono do grupo UTC, Ricardo Pessoa disse que a doação oficial a Paulinho da Força (SD), de R$ 500 mil nas eleições de 2012, foi motivada para evitar paralisações nas obras da usina de São Manoel, na divisa entre Pará e Mato Grosso

247 – Em delação premiada, o dono do grupo UTC, Ricardo Pessoa disse que fez doações eleitorais aos deputados Luiz Sérgio (PT-RJ) e Paulinho da Força (SD-SP), ex-presidente da Força Sindical, para evitar greves em suas obras.

Luiz Sérgio foi prefeito de Angra entre 1993 e 1996 e também presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do município, ligado à CUT (Central Única dos Trabalhadores). Ele é o atual relator da CPI da Petrobras.

O empresário contou que em 2011 as empreiteiras ficaram preocupadas com uma grande paralisação na construção da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia – que causou repercussão em outras obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Segundo ele, a doação de R$ 200 mil que fez em 2014 para a campanha do deputado petista teve como objetivo evitar greves na montagem de equipamentos da usina nuclear de Angra 3, no município de Angra dos Reis (RJ).

Sobre a doação a Paulinho da Força, de R$ 500 mil nas eleições de 2012, disse que foi motivada pelas obras da usina de São Manoel, na divisa entre Pará e Mato Grosso, afirmou.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

A privada e a bicicleta

Cara elite,

sei que não é fácil ser você. Nasci de você, cresci com você, estudei com você, trabalho com você. Resumindo: sou você. (Vou fazer uma camisa: “Je suis elite”). Sei que você (a gente) quer o bem do país.

Sei que era por bem que você não queria abolir a escravidão. “Se a gente tiver que pagar pelo serviço que os negros faziam de graça, o país vai quebrar.” Você não queria que o Brasil quebrasse. Você não precisava ficar nervoso: o Brasil não quebrou.

Sei que era por bem que você pediu um golpe em 64. Você tinha medo do Jango, tinha medo da reforma agrária, tinha medo da União Soviética. Sei que depois você se arrependeu, quando os generais começaram a matar seus filhos. Mas já era tarde.

Sei que você achou que o Collor era honesto. Sei que você achou (acha?) que o Lula é um braço das Farc, que é um braço do Foro de São Paulo, que é um braço do Fidel, que é um braço da Coreia do Norte. Sei que você ainda tem medo de um golpe comunista -mesmo com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda. Sei que você tem medo. E o seu medo faz sentido.

Não é fácil ser assaltado todo dia. Dá um ódio muito profundo (digo por experiência própria). A gente comprou um iPhone 6 com o suor do nosso rosto -e pagou muitos impostos. Sei que nessas horas dá uma vontade enorme de morar fora.

Você sabe que lá fora você pode abrir seu laptop na praça, pode deixar a porta aberta, a bicicleta sem cadeado. Mas lá fora, não esqueça, é você quem limpa a sua privada. Você já relacionou as duas coisas?

Nos países em que você lava a própria privada, ninguém mata por uma bicicleta. Nos países em que uma parte da população vive para lavar a privada de outra parte da população, a parte que tem sua privada lavada por outrem não pode abrir o laptop no metrô (quem disse isso foi o Daniel Duclos).

Não adianta intervenção militar, não adianta blindar todos os carros, não adianta reduzir a maioridade penal (SPOILER: isso nunca adiantou em lugar nenhum do mundo).

Sabe por que os milionários americanos doam tanto dinheiro? Não é por empatia pelos mais pobres. Tampouco tem a ver só com isenção fiscal. Doam porque sabem que, quanto mais gente rica no mundo, mais gente consumindo e menos gente esfaqueando por bens de consumo.

Um pobre menos pobre rende mais dinheiro para você e mais tranquilidade nos passeios de bicicleta. A gente quer o seu (o nosso) bem. É melhor ser a elite de um país rico do que a de um país pobre.

Ao calar o Faustão, Marieta Severo deve ser a próxima global a receber ameaça de morte

Diário do Centro do Mundo
Por Kiko Nogueira

O próximo empregado da Globo a sofrer ameaça de morte, depois de Jô Soares, será Marieta Severo. Pode anotar. Marieta foi ao programa do Faustão, uma das maiores excrescências da televisão mundial desde a era paleozóica.

Fausto Silva estava fazendo mais uma daquelas homenagens picaretas que servem, na verdade, para promover um programa da emissora. Os artistas vão até lá por obrigação contratual, não porque gostem, embora todos sorriam obsequiosamente. O apresentador insiste que são “grandes figuras humanas”.

Ele se tornou uma espécie de papagaio do que lê e vê em revistas e telejornais, tecendo comentários sem noção sobre política. Em geral, dá liga quando está com uma descerebrada como, digamos, Suzana Vieira ou um genérico de Toni Ramos.

Quando aparece alguém um pouco mais inteligente, porém, ele se complica. Faustão anda tão enlouquecido em sua cavalgada que não lembrou, talvez, de quem se tratava. Começou com aquela conversa mole sobre o Brasil não ter “estrutura”. A única coisa organizada aqui é o crime, em sua opinião. Somos “o país da desesperança”.

Ela discordou com classe: “Não, eu sou sempre otimista”. O país caminhou muito, falou. “Pra mim, tem uma coisa muito importante: a inclusão social, a luta contra a desigualdade. A gente teve muito isso nos últimos anos. Estamos numa crise, mas vamos sair dela”. Ainda criticou os evangélicos. “Nada contra religião. Só não quero uma legislando a minha vida”, afirmou.

Recentemente, Marieta, que está no papel principal de uma nova série, deu uma longa entrevista no Globo. Se confessou chocada com o que chamou de retrocesso nas conquistas de sua geração (ela tem 68 anos).

“Sou contra a redução da maioridade penal e contra muita coisa que está em evidência e que, para a minha geração, é chocante”, disse a ex-mulher de Chico Buarque. “Eu sou da década de 1960, do feminismo, da liberdade sexual, das igualdades todas”.

Não é preciso dizer que a entrevista no Faustão não foi muito além do script. Marieta deu um recado importante no mesmo dia em que Mantega foi novamente hostilizado num restaurante de São Paulo.

Nas redes sociais, os suspeitos de sempre a enxovalhavam por ter “defendido o PT” (ela não falou no nome do partido). Uma medida sensata seria MS contratar um guarda-costas daqui por diante — inclusive para circular no Projac.

Imprensa conduz País ao fascismo, diz jurista


Prisões são usadas para coagir, diz jurista

Para o advogado Bandeira de Mello, juiz Sergio Moro quer aparecer e usa delação de forma equívoca

De acordo com especialista, corrupção sempre existiu no país, mas imprensa sempre ficou calada

Falha de S. Paulo

Crítico da Operação Lava Jato, o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, 78, diz que a imprensa "monta palco" para o juiz Sergio Moro, que conduz o processo no Paraná, e que, com a Olimpíada, "esse assunto vai morrer".

Professor da PUC-SP e um dos principais especialistas em direito administrativo no país, em 2013 foi um dos advogados que assinaram um manifesto pelo impedimento de Joaquim Barbosa, relator do mensalão. Hoje, afirma que as prisões estão sendo usadas para coação --ele não advoga para nenhum dos investigados da Lava Jato.
-
O juiz

[Sergio Moro] é um juiz que quer aparecer. É evidente que há abuso e excesso. A delação premiada não é um instituto que existe para coagir. Você prende uma pessoa e a mantém presa até que faça uma delação? Isso é coação. Delação deveria ser espontânea.

As prisões

O que tem sido noticiado é empresário sendo preso e submetido a condições muito insatisfatórias. Vamos ser realistas, se você viveu numa favela, sua condição de vida é uma. Se você está acostumado a um mínimo de privacidade e o colocam numa cela que só tem um buraco [sanitário] sem porta, você está sendo torturado. Colocar alguém nessas condições é submetê-lo a tortura psicológica.

Papel da imprensa

Com o apoio da imprensa, o país está caminhando, a passos largos, para o fascismo. Se a imprensa não montasse um palco para esse juiz, isso não aconteceria. Tanto é assim que na hora que aparecer algum assunto novo, como a Olimpíada, esse assunto todo vai morrer. Corrupção sempre existiu, mas a novidade é a imprensa tratar disso como um verdadeiro escândalo.

A corrupção

É óbvio que [as revelações da Lava Jato] são muito graves. Mas corrupção sempre houve. Foi o governo FHC que flexibilizou a Lei de Licitações para as estatais, deixando o galinheiro sob o cuidado da raposa. Agora, esta é a primeira vez que vejo num governo tanto ataque à corrupção. Não é estranho que sempre tenha havido corrupção e a imprensa tenha ficado calada? Não tenho ilusão com a imprensa.


Estado de Direito

No Estado de Direito, existem certas regras. Num regime fascista ou ditatorial, outras. Com argumentos desse tipo [como pedir prisões para impedir destruição de provas], você pode torturar e matar. Se esse argumento do interesse maior da sociedade prevalecer, pode torturar e matar.

domingo, 28 de junho de 2015

A mídia é a matriz do novo fascismo brasileiro.

Reflexões sobre a ascensão do fascismo no Brasil
Miguel do Rosário


Ontem conversei com um professor do Iesp (Instituto de Estudos Sociais e Políticos, um dos mais importantes da América Latina, vinculado à UERJ), que me contou sobre um seminário ocorrido na instituição, na semana passada, para discutir as “jornadas de junho” de 2013.

Um dos professores fez uma abordagem mais crítica, e identificou o embrião, naquelas manifestações, de um novo tipo de fascismo, o qual, desde então, só vem crescendo, com apoio de importantes forças políticas, em especial a mídia.

Espero voltar a este assunto, inclusive entrevistando o professor, mas por enquanto fiquemos apenas nesta menção.

Recentemente, a rua onde mora o apresentador Jô Soares foi pichada com uma ameaça de morte:

“JÔ SOARES, MORRA”.

A razão: Jô Soares entrevistou a presidenta da república, eleita em outubro passado com 54 milhões de votos.

Vou falar de novo: um apresentador foi ameaçado, publicamente, no lugar onde mora, porque entrevistou a presidenta da república de um país democrático.

Por mais que o apresentador tente fingir que não dá bola para isso, e leve na esportiva, é claro que ele deve ter ficado profundamente abalado, assim como todos os apresentadores de TV do país.

É um recado do Brasil fascista ao Brasil democrático: “não insista, nós, fascistas, temos a mídia, temos o dinheiro e queremos o poder!”

Jô Soares, apesar de ser um apresentador da Globo, não foi defendido pela Globo.

Não vimos nenhum editorial, nenhuma reportagem, nenhuma cobertura decidida da Globo contra os ataques fascistas a um de seus apresentadores mais tradicionais.

Ao contrário, a Globo empurrou Jô Soares para o horário mais vazio da madrugada. A própria entrevista com Dilma não foi sequer aproveitada devidamente nos telejornais da emissora.

Por que a Globo nem nenhum outro canal, nenhum jornalão, fez uma defesa decidida de Jô Soares contra os ataques fascistas que recebeu, os quais, aliás, não se limitaram a pichação de sua rua, mas também ofensas e ameaças nas redes sociais?

Porque a nossa mídia não iniciou imediatamente uma campanha contra essa escalada fascista que atinge profundamente a liberdade de expressão no país?

Afinal, que apresentador de TV terá coragem de entrevistar a presidenta Dilma, uma presidenta eleita duas vezes consecutivas pelo povo brasileiro?

Simples.

A mídia não defendeu Jô, porque ela é a matriz do novo fascismo brasileiro.

É duro dizer isso, mas é a pura verdade.

A criação da figura de um juiz-justiceiro, idolatrado pela classe média, ovacionado nos saguões dos aeroportos, e que não respeita direitos de defesa, e que prende ricos e poderosos, integra uma narrativa clássica do fascismo.

O fascismo, para se consolidar perante a opinião pública, precisa de figuras e narrativas que galvanizem a massa.

E como o fascismo esconde, no fundo, uma ideologia profundamente elitista, antissocial e antidemocrática, a única maneira de ganhar apoio das massas é sacrificando cordeiros cordos no altar do populismo penal.

Os fascistas de outrora faziam isso com judeus ricos.

As massas aplaudiam, entusiasmadas, a repressão a toda uma classe de ricos burgueses de ascendência judaica.

Os fascistas de hoje querem fazer o mesmo com empreiteiros que financiaram a ascensão do PT.

Não importa que os mesmos empreiteiros também financiaram, até em maior escala, a oposição.

É preciso promover um circo para o populacho.

Enquanto o populacho segue distraído pelo espetáculo, os representantes do capital fazem avançar sua pauta no congresso, destruindo leis trabalhistas e vendendo o patrimônio público para interesses estrangeiros. É o que fazem Eduardo Cunha e José Serra, faturando em cima do fato da esquerda estar sendo encurralada pelas agressões crescentes de movimentos fascistas.

O capital sempre usou o fascismo para promover seus interesses, como quem solta uma fera em cima de seus adversários.

De que outro nome chamar a pichação contra Jô Soares?

De que outro nome chamar essa onda ultrarreacionária e ultraviolenta que corre o Brasil, culpando menores de idade pela violência urbana, mesmo que as pesquisas apontem que estes respondem por menos de 0,3% dos crimes contra a vida?

Temos fingido não ver a ascensão do fascismo no Brasil, como quem se recusa a acreditar no horror, mas é exatamente isso que está acontecendo. Não é mais um movimento marginal, periférico, insignificante, de grupos radicais nas redes sociais.

Não, é um movimento de massa, que bota milhões de pessoas nas ruas.

As manifestações de 15 de março e 12 de abril foram positivamente fascistas. Qual a solução apontada para elas para a crise política?

Intervenção militar.

Derrubada do governo eleito.

Essas bandeiras não eram “minoritárias”. A maioria das pessoas nessas manifestações apoiaria uma intervenção militar.

O repórter do Telesur que entrevistou pessoas numa dessas marchas, em Copacabana, me contou que 9 entre 10 pessoas com que falou defendiam a intervenção militar.

Viam-se faixas pedindo intervenção militar do início ao fim das manifestações. Os grupos que defendiam intervenção militar tinham carros de som que ocupavam as partes centrais dos protestos.

Outra característica das manifestações fascistas é a mitificação da figura do juiz-justiceiro, modelo máximo da falsa meritocracia fascista. O líder não-eleito, o representante histórico da classe dominante.

E sempre se nota, em toda parte, uma carga de preconceito muito pesada contra o voto popular.

Tenta-se fazer o povo se envergonhar de seu próprio voto.

Olha só o comentário de um internauta lá no Cafezinho:

“NÃO É CERTO ESCREVER O TEXTO E NÃO ASSINAR. O COMUNISTA ASQUEROSO Q ESCREVEU O TEXTO DO BLOG TEM Q ASSINAR PARA SABERMOS SEU NOME. ASSIM ELE TBM PODERÁ SER PERSEGUIDO E PRESO QUANDO OS MILITARES TOMAREM O PODER.”

O meu texto tinha assinatura, sim, o fascistinha é que, de tão nervoso, não viu. Esse tipo de manifestação tem crescido de maneira avassaladora, e agora ocupa as ruas.

Com apoio da mídia.

A imprensa democrática teria a obrigação moral e política de iniciar uma grande campanha contra o avanço do fascismo político na sociedade.

Mas não o faz, porque ela, a imprensa, não é democrática. A imprensa comercial brasileira tem o DNA da ditadura e do fascismo. Os atuais jornalões consolidaram seu poder durante a ditadura.

Beneficiaram-se da ditadura.

A ditadura matou seus concorrentes. Matou economicamente, politicamente e até mesmo fisicamente.

O Brasil que emerge no pós-ditadura era um sombrio deserto jornalístico, onde meia dúzia de oligarcas nacionais, coligados a algumas dezenas de oligarcas regionais, estabelecem um domínio absoluto sobre o mercado de opinião pública.

A democracia brasileira está órfã na imprensa comercial, que rasgou a sua pose democrática que adotou durante o final da ditadura e os anos de redemocratização.

Hoje ela voltou a ser o que é: uma imprensa fascista, golpista, a serviço da preservação dos velhos privilégios de sempre, além de submissa aos interesses do imperialismo americano.

Com Lula e Dilma, a esquerda conseguiu vencer a batalha do estômago. A fome foi vencida no país. Agora vem a batalha mais difícil: a dos corações e mentes, que é onde a direita tem mais poder, por seu domínio sobre os meios de comunicação.

Mais uma vez, é uma batalha de David contra Golias.

Os setores sociais que escaparam da lobotomização midiática, que engoliram a pílula vermelha e decidiram ver a realidade como ela é: uma paisagem sombria e devastada, repleta de conspirações diárias, na qual praticamente todos, absolutamente todos, os fatos jornalísticos são distorcidos com finalidades golpistas, estes setores são minoritários.

Somos poucos diante da manipulação midiática.

Mas estamos aumentando. Enquanto a grande mídia perde audiência rapidamente – e talvez exatamente por isso ela se arrisca mais pela via fascista – a audiência dos blogs e das redes sociais críticas à mídia, cresce.

O crescimento da audiência da blogosfera e das redes sociais críticas à mídia cresce na mesma proporção em que declina a audiência da grande mídia.

Por isso o desespero.

Por isso querem dar um golpe rápido!

Em 2005, éramos alguns gatos pingados. Hoje somos um grupo bem maior.

Quantos somos?

200 mil? 500 mil? 1 milhão? 10 milhões?

A luta política não se dá entre todos os 140 milhões de eleitores. Ela se dá antes num universo bem maior, quiçá um terço disso, ou ainda menos, algo entre 10 a 50 milhões de cidadãos que acompanham a política um pouco mais de perto.

Por isso a grande mídia tem tanto medo dos blogs, e por isso ela faz de tudo para criminalizá-los ou asfixiá-los financeiramente.

As campanhas para que nenhuma estatal, órgão público ou empresa privada anuncie nos blogs é outra vertente do fascismo midiático.

É como se a mídia repetisse o gesto dos pichadores da rua de Jô Soares: BLOGS, MORRAM!

Aliás, não é isso que repetem, em coro, todos os coxinhas, quando comentam nos blogs? .

Sempre que festejam suas vitórias políticas, em geral na esteira do avanço das conspirações midiáticos-judiciais, eles comentam nos blogs: “agora vocês ficarão desempregados, perderão seus patrocínios”.

É como se eles não ficassem felizes com suas vitórias sujas, baseadas em delações forjadas e teorias manipuladas da mídia.

Eles apenas ficam felizes apenas com a perspectiva da eliminação do adversário, de preferência numa câmara de gás.

Entretanto, nunca vencerão completamente. Poderão esmagar nossa economia, fazer sofrer o povo, submeter o país novamente aos ditamos de nações estrangeiras.

Mas enquanto restar um fio de consciência, dignidade e independência intelectual no Brasil, haverá sempre resistência.

E dessa resistência resultará nossa vitória.

Porque o fascismo é uma força enorme, terrível, uma doença política que incha rapidamente. Em algum momento, contudo, ele sempre será derrotado.

A história, neste sentido, se repete.

A mídia fascista, portanto, que aproveite bem os seus últimos dias em Paris.

Enquanto vocês festejam os bombardeios diários sobre nossas cidades, a resistência cresce nos subterrâneos.

O nosso dia D ainda vai chegar.

Morre um dos fundadores do Yes, Chris Squire

Um dos fundadores de uma das bandas mais emblemáticas do rock progressivo, o Yes, morreu na noite deste sábado. O baixista Chris Squire enfrentava uma batalha contra um tipo raro de leucemia desde maio, quando foi diagnosticada a doença, e morreu aos 67 anos.

A notícia foi anunciada pelo Twitter do tecladista Geoffrey Downes, seu companheiro de grupo, que escreveu: "Completamente devastado e sem palavras para dar a má notícia da morte de meu querido amigo, colega de banda e inspiração Chris Squire".

No Facebook, a página da banda também lamentou a morte de Squire, em comunicado.


  Fonte

Só um idiota para acreditar no "escândalo" da UTC

Paulo Nogueira

Doou para Aécio por causa dos belos dentes branqueados

Somos todos idiotas.

É, pelo menos, o que a grande mídia pensa.


O ridículo estardalhaço em torno das alardeadas revelações do dono da UTC ultrapassa todos os limites do descaro, da hipocrisia e da desonestidade.

Colunistas – os suspeitos de sempre –parecem fingir que acreditam nos disparates que escrevem.

Mais uma, o coro é pelo impeachment de Dilma. Dia sim, dia não, aparecem supostas novidades que levam os colunistas das empresas de mídia a gritar, histéricos, pelo fim de um governo eleito há pouco tempo com 54 milhões de votos.

O caso particular do UTC é icônico.

Todos os holofotes vão, condenatórios, para Dilma e para o PT, pelo dinheiro dado para a campanha petista.

Foram, segundo cálculos de um site ligado à Transparência Brasil, 7,5 milhões de reais.

Não é doação: é achacamento, propina, roubo.

Ninguém diz que a campanha de Aécio levou ainda mais da UTC: 8,7 milhões.

Neste caso, não é propina, não é achaque, não é roubo. É demonstração de afeto e reconhecimento pelos dentes brancos do candidato Aécio.

E eles querem que a sociedade acredite nesse tipo de embuste.

A mídia presta mais um enorme desserviço ao Brasil com essa manipulação grosseira e farisaica.

Você foge do real problema: o financiamento privado de campanhas, a forma como a plutocracia tomou de assalto a democracia.

É um problema mundial, e não apenas brasileiro. Dezenas de países já trataram de evitar que doações de grandes empresas desvirtuem a voz rouca das ruas e das urnas.

No Brasil, a mídia não trata desse assunto, em conluio com políticos atrasados e guiados pelo dinheiro, porque se beneficia da situação.

Nem o mais rematado crédulo compra a história de que as doações empresariais são desinteressadas.

A conta vem depois do resultado, na forma de obras ou leis que beneficiam os doadores.

Veja os projetos de Eduardo Cunha, para ficar num caso clássico, e depois observe as companhias que o têm patrocinado.

Em alguma publicação, li até uma lição de moral na forma como o PT teria abordado o dono da UTC para pedir dinheiro para a campanha de Dilma.

A abordagem não teria sido “elegante”.

Imagina-se que quando o PSDB solicita dinheiro seja coisa de lorde inglês, pelo que pude entender: ninguém fala em dinheiro, ninguém toca em dinheiro. É como uma reunião social, entre amigos, em que o dinheiro é a última coisa que importa.

Como disse Wellington, quem acredita nisso acredita em tudo.

Outro crime jornalístico que é cometido é dar como verdadeiras quaisquer coisas ditas nas delações, como se elas estivessem acima de suspeita.

Quer dizer, esse tratamento só vale contra o PT. Quando se trata dos amigos da mídia, aí sim entram as ressalvas. Há que investigar, provar etc – coisas que absolutamente não valem para o PT.

Que a imprensa, movida pelo interesse de seus donos, aja assim, até que você pode entender.

O que não dá para aceitar é que a justiça faça a mesma coisa, e com ela a Polícia Federal.

Porque aí você subverte, por completo, o conceito de justiça, e retrocede aos tempos de João V no Brasil.

Sua mulher, a rainha Carlota Joaquina, mandou matar uma rival no amor.

Dom João pediu investigação rigorosa.

Quando chegaram a ele os resultados do trabalho, com Carlota Joaquina comprovadamente culpada da morte, ele refletiu, refletiu – e queimou os documentos que a incriminavam.

Aquela era a justiça, e esta nossa não é muito diferente quando se trata da plutocracia.

É injusto acusar acusar o justiceiro Moro de fazer vazamentos seletivos

Fernando Morais

É injusto acusar o juiz Sérgio Moro de fazer vazamentos seletivos no caso da operação Lava Jato. O meritíssimo tem vazado informações equitativamente para os Marinho, os Frias, os Mesquita e os Civita.


Se Lula quisesse falar com a Folha de S. Paulo, falaria com a Folha de S. Paulo


"Se Lula quisesse falar com a Folha de S. Paulo, falaria com a Folha de S. Paulo"

São Paulo, 28 de junho de 2015,

Assim como algumas pessoas são maníacas por impetrar Habeas Corpus à revelia e contra a vontade das pessoas, a Folha de S.Paulo tem a estranha mania de sem nenhuma procuração ou comprovação, atribuir declarações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir de fontes anônimas.

O jornal nos procurou na sexta-feira (26) com uma informação incorreta. Respondemos que se tratava de invenção e de que "o ex-presidente repudia e lamenta a reiterada prática do jornal Folha de S. Paulo de lhe atribuir afirmações a partir de supostas fontes anônimas, dando guarida e publicidade a todo o tipo de especulação". Mesmo assim a matéria foi publicada com destaque na capa.

Na matéria a Folha não coloca a nossa resposta de que se trata de uma invenção, logo, publicamos aqui a troca de e-mails entre a assessoria de imprensa do Instituto Lula e o jornal.


Abaixo resposta para a Folha de S.Paulo:

Cara,
Segue nossa resposta:
Parece que todo o sábado o jornal Folha de S. Paulo reserva espaço para atribuir alguma fala ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Semana passada fizeram isso. Fazem novamente esta semana. O ex-presidente repudia e lamenta a reiterada prática do jornal Folha de S. Paulo de lhe atribuir afirmações a partir de supostas fontes anônimas, dando guarida e publicidade a todo o tipo de especulação. Se o ex-presidente quisesse falar com a Folha de S. Paulo, falaria com a Folha de S. Paulo. Esta afirmação é uma invencionice do jornal ou da sua fonte anônima.

Abaixo o email enviado pela Folha de S.Paulo:

Caros,
Estamos fazendo uma matéria sobre uma conversa do ex-presidente Lula com o ministro do TCU José Múcio Monteiro, em que o ministro falou da possibilidade de o órgão rejeitar as contas de 2014 do governo Dilma. Segundo relatos, Lula disse achar razoável o órgão pedir explicações sobre as chamadas "pedaladas fiscais" e disse que isso "daria um susto" na presidente.
Gostaria de saber se o Instituto Lula quer se posicionar sobre o assunto.

Panorâmica do futebol brasileiro


Operação Lava Jato é sádica, hipócrita e abusiva


Jatos que mancham
É preciso estar muito entregue ao sentimento de vingança para não perceber certo sadismo na Lava Jato 

Como inquérito "sob segredo de Justiça", a Operação Lava Jato lembra melhor uma agência de propaganda. Ou, em tempos da pedante expressão "crise hídrica", traz a memória saudosa de uma adutora sem seca. 

Em princípio, os vazamentos seriam uma transgressão favorável à opinião pública ansiosa por um sistema policial/judicial sem as impunidades tradicionais. Mas, com o jorro contínuo dos tais vazamentos, nos desvãos do sensacionalismo não cessam os indícios que fazem a "nova Justiça" -- a dos juízes e procuradores/promotores da nova geração -- um perigo equivalente à velha Justiça acusada de discriminação social e inoperância judicial. 

É preciso estar muito entregue ao sentimento de vingança para não perceber um certo sadismo na Lava Jato. O exemplo mais perceptível e menos importante: as prisões nas sextas-feiras, para um fim de semana apenas de expectativa penosa do preso ainda sem culpa comprovada. Depois, a distribuição de insinuações e informações a partir de mera menção por um dos inescrupulosos delatores, do tipo "Fulano recebeu dinheiro da Odebrecht". Era dinheiro lícito ou provou-se ser ilícito? É certo que o recebedor sabia da origem, no caso de ilícita? 

A hipocrisia domina. São milhares os políticos que receberam doações de empreiteiras e bancos desde que, por conveniência dos candidatos e artimanha dos doadores, esse dinheiro pôde se mover, nas eleições, sob o nome de empresas. Nos últimos 60 anos, todos os presidentes tiveram relações próximas com empreiteiros. Alguns destes foram comensais da residência presidencial em diferentes mandatos. Os mesmos e outros viajaram para participar, convidados, de homenagens arranjadas no exterior para presidente brasileiro. Banqueiros e empreiteiros doaram para os institutos de ex-presidentes. Houve mesmo jantares de arrecadação no Alvorada e pagos pelos cofres públicos. Ninguém na Lava Jato sabe disso? 

Mas a imprensa é que faz o sensacionalismo. É. Com o vazamento deformado e o incentivo deformante vindos da Lava Jato. 

A partir de Juscelino, e incluídos todos os generais-presidentes, só de Itamar Franco e Jânio Quadros nunca se soube que tivessem relações próximas com empreiteiros e banqueiros. A íntima amizade de José Sarney foi mal e muito comentada, sem que ficasse evidenciada, porém, mais do que a relação pessoal. Benefícios recebidos, sob a forma de trabalhos feitos pela Andrade Gutierrez, foram para outros. 

Ocorre mesmo, com os vazamentos deformantes, o deslocamento da suspeita. Não importa, no caso, o sentido com que o presidente da Odebrecht usou a palavra "destruir", referindo-se a um e-mail, em anotação lida e divulgada pela Lava Jato. O episódio foi descrito como um bilhete que Marcelo Odebrecht escreveu com instruções para o seu advogado, e cuja entrega "pediu a um policial" que, no entanto, ao ver a palavra "destruir", levou o bilhete ao grupo da Lava Jato. 

Muito inteligível. Até que alguém, talvez meio distraído, ao contar o episódio acrescentasse que Marcelo, quando entregou o bilhete e fez o pedido ao policial, já estava fora da cela e a caminho de encontrar seu defensor. 

Então por que pediria ao policial que entregasse o bilhete a quem ele mesmo ia encontrar logo? 

As partes da historinha não convivem bem. Não só entre si. Também com a vedação à interferência na comunicação entre um acusado e seu defensor, considerada cerceamento do pleno direito de defesa assegurado pela Constituição. 

Já objeto de providências da OAB, a apreensão de material dos advogados de uma empreiteira, em suas salas na empresa, foi uma transgressão à inviolabilidade legal da advocacia. Com esta explicação da Lava Jato: só os documentos referentes ao tema da Lava Jato seriam recolhidos, mas, dada a dificuldade de selecioná-los na própria empresa, entre 25 mil documentos, foram apreendidos todos para coleta dos desejados e posterior devolução dos demais. 

Pior que uma, duas violações: a apreensão de documentos invioláveis, porque seus detentores não são suspeitos de ilicitude, e o exame violador de todos para identificar os desejados. Até documentos secretos de natureza militar, referentes a trabalhos e negócios da Odebrecht na área, podem estar vulneráveis. 

Exemplos assim se sucedem. Em descompasso com uma banalidade: condenar alguém em nome da legalidade e da ética pede, no mínimo, permanentes legalidade e ética. Na "nova Justiça" como reclamado da "velha Justiça". 

sábado, 27 de junho de 2015

Governos tucanos de Minas blindaram "amigos" em roubo ao Banco do Brasil

Rede Brasil Atual

Polícia mineira conclui investigação que indicia parentes diretos da mulher-forte do 'choque de gestão' de Aécio e Anastasia. Empresa já é denunciada por golpe em outro banco público, a CEF

por Helena Sthephanowitz, para a RBA

Um inquérito da Divisão Especializada em Investigação de Fraudes, da Polícia Civil, que investiga o roubo de R$ 22,7 milhões de agências do Banco do Brasil em Minas Gerais por meio da empresa de transporte de valores Embraforte, em 2013, aponta uso político da Polícia Civil mineira pelo então governo do PSDB daquele estado para blindar criminosos "amigos".

O delegado Cláudio Utsch, que assumiu e concluiu o inquérito, indiciou e pediu a prisão dos donos da Embraforte, Marcos André Paes de Vilhena e seus dois filhos – Pedro Henrique Gonçalves de Vilhena e Marcos Felipe Gonçalves de Vilhena. São respectivamente irmão e sobrinhos de Renata Vilhena, chefe da Secretaria de Planejamento e Gestão, entre 2006 e 2014. Trata-se da poderosa secretária estadual do "choque de gestão" dos governos tucanos de Aécio Neves e Antônio Anastasia. Ela também foi secretária adjunta de Logística e TI do Ministério do Planejamento do governo Fernando Henrique Cardoso.

"O poder de Renata esteve sempre pronto a auxiliar o irmão, e como é cediço*, tempos atrás a Deif (Divisão Especializada em Investigação de Fraudes) fora usada para atender interesses do grupo político do qual faz parte a ex-secretária", diz o inquérito. O problema, segundo o delegado, seria interferências políticas para atrapalhar as investigações.

*Cediço: indiscutível, claro, notório, conhecido de todos etc. (nota da edição)

Desde que o Banco do Brasil deu queixa do roubo a investigação na Polícia Civil não andou. Só em abril deste ano o novo titular da Deif (Cláudio Utsch) assumiu o caso e concluiu a investigação, em junho.

Entre as evidências de "blindagem" dos investigados, Utsch relata o que considera manobras para atrasar a investigação, "orquestradas por meio da influência de Renata Vilhena". Uma delas teria sido tirar a investigação da Deif e levar para a Delegacia de Crimes Cibernéticos, que não tem nada a ver com as características do caso. Outra foi a retirada de peças importantes do inquérito pelo antigo delegado do caso.

A Embraforte prestou serviços de transporte de valores ao Banco do Brasil de 2006 a 2014 nas cidades mineiras de Belo Horizonte, Varginha e Passos. O Banco do Brasil descobriu uma fraude nos caixas eletrônicos abastecidos pela empresa, que colocava menos dinheiro do que declarava. Flagrados, os donos reconheceram o ocorrido mas colocam a culpa nos empregados. Estes disseram ter cumprido ordens que vinham de cima, inclusive sob coação.

O inquérito afirma que a Embraforte roubou R$ 22,7 milhões do Banco do Brasil por meio de depósitos com valores inferiores que os incluídos no sistema da empresa. O esquema foi descoberto pelo próprio banco, uma vez que as investigações pararam em algum gabinete da Polícia Civil.

Utsch pediu também o afastamento de seu antecessor nesta investigação, o delegado César Matoso, acusando-o de ter agido como um "advogado de defesa" dos Vilhena. "A autoridade policial, travestindo-se de advogado de defesa de criminosos, e em parceria com os advogados de defesa, produziu tais peças! Jamais tais oitivas poderão ser consideradas como interrogatórios de criminosos que cometeram graves crimes de colarinho branco", descreve, no inquérito.

As peças referidas são depoimentos dos investigados de forma completamente anormal e suspeita. Em vez de o escrivão taquigrafar diretamente no PCNet, sistema oficial da Polícia Civil próprio para isto, o fez num programa de edição de texto comum, como se fosse um rascunho, abrindo a possibilidade de seu conteúdo ser alterado antes de ser lavrado como o depoimento oficial. Não bastasse, o próprio delegado César Matoso fez o serviço de passar o "rascunho" para o PCNet oficial, uma atitude bastante suspeita.

A Embraforte é alvo de outro inquérito na Polícia Federal por ocorrência semelhante na Caixa Econômica Federal. Casas lotéricas deram queixa de furto de dinheiro pela empresa. Parte do dinheiro recolhido nas lotéricas pelos carros-forte não era depositada no banco de destino, apesar dos controles apontarem exatidão nas operações.

Os negócios da Embraforte não ficam apenas nos bancos públicos do Brasil. Outra denúncia contra os donos da empresa foi apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) por trabalho escravo dentro da sede da empresa. Em 2012, fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego encontraram 115 empregados submetidos a jornadas extenuantes, em alguns casos com duração superior a 24 horas, e a condições degradantes de trabalho.

De certa forma, aplicavam na iniciativa privada conceitos que guardam alguma semelhança com aquilo que "choque de gestão tucano" propõe ao serviço público.

Tudo que é preciso ser dito sobre a seleção da CBF

Leandro Fortes
SELECINHA

Chega de Dunga.
Chega de CBF.
Chega de Galvão.
Chega dessa merda toda.

Grexit

Luiz Carlos Bresser-Pereira

O governo de Alexis Tsipras encontrou uma solução perfeita para o impasse que se estabeleceu entre a Grécia e os credores externos sob o comando da União Europeia, o FMI e o Banco Central Europeu.Convocou dentro de cinco dias um referendo no qual o povo grego deverá dizer "Sim ou Não à proposta dos credores". Estes protestam, dizendo que o referendo deveria dizer "Sim ou Não à permanência da Grécia na Zona do Euro". É verdade que o Não deverá implicar a saída da Grécia do euro. Os eleitores gregos sabem muito bem isto. Mas o que eles estarão decidindo é se aceitam ou não as condicionalidades impostas pelos credores. Se não aceitarem, caberá a estes excluir a Grécia da Zona do Euro, não aos eleitores. Que certamente gostariam de permanecer com o euro, mas talvez - vamos ver daqui a cinco dias - não estejam dispostos a pagar um preço absurdo para conservarem uma moeda que não é deles, gregos, nem a eles presta serviço.

Qual a opinião de Silas Malafaia sobre os Estados Unidos?

Eis o Homem

Ecce Homo
Wanderley Guilherme dos Santos

Poucos personagens públicos do Brasil contemporâneo serão homenageados com lápides congratulatórias. Em sua maioria nada têm de si senão a obsessão de sobrepujar o próximo. Aí confraternizam acadêmicos, artistas, esportistas, jornalistas e, claro, políticos, salvo Lula. Atávica inclinação vampiresca, o canibalismo de caráter não é produto exclusivamente nacional, está globalizado, mas temos produzido inspirados episódios de canalhice. Não lhes faltam aplausos externos. Se o vampirismo é inevitável, o afã construtivo é matéria de escolha e competência – aqui a excepcionalidade de Lula. Ninguém dele dirá que tenha sido angelical. Nem isento de graves pecados. Provavelmente só o próprio conhecerá a extensão de sua vilania. Assim como seus adversários saberão das suas. Mas o que é público e notório está à disposição de todos, não obstante o verbo ressentido das denúncias.

Na lápide de Lula hão de constar a incorporação dos miseráveis à agenda governamental, o desmascaramento da ideologia da sociedade sem classes e sem raças, o desafio ao complexo de subalternidade das elites tradicionais. Audácia imperdoável. Há de constar que, ferido o indivíduo, empunharam armas os sombrios heróis dos assassinatos sem risco, das infâmias subsidiadas, da valentia do monólogo. Através do indivíduo miram os descalços e esfarrapados, como se o desejado féretro de um abolisse a existência dos outros. Em vão. Nem sucumbirá o homem público nem o soterrarão os carnavais de almas rotas pelo ódio. É simplesmente triste observar a revelação da mesquinharia das assim chamadas pessoas de bem, justiceiros de oportunismo em busca de um naco da reputação do grande líder popular. Lula, o intérprete dos desassistidos, permanecerá intacto, ainda que o comprovem privadamente pérfido. É possível, mas será o homem com CPF, não o vitorioso no duelo com os reacionários. Estes não terão lápide, não terão memória, não terão registro. Serão abolidos.

O fracasso de Babilônia marca o fim da tevê como a conhecemos

Diário do Centro do Mundo

Por Paulo Nogueira

A Globo vive num regime de autoilusão, como se pode verificar pela entrevista com o diretor-geral Carlos Schroder publicada pela Folha.

Perguntaram a Schroder sobre o fiasco da novela Babilônia, que dias atrás cravou 17 pontos no Ibope em São Paulo, um extraordinário recorde negativo na trajetória das novelas da Globo.

Schroder achou vários culpados.

O primeiro deles, naturalmente, é o povo brasileiro, “mais conservador” do que as pessoas imaginam.

Depois, ele citou uma novela da Record e outra do SBT.

Admitiu, ligeiramente, que alguma coisa na trama “não funcionou”.

Schroder só não tocou na maior razão do fracasso: o declínio veloz da televisão como mídia na Era Digital.

Rapidamente, a tevê como conhecemos caminha para o mesmo local reservado a jornais e revistas: o cemitério.

Considere o slogan do aplicativo de vídeos que a Reuters acaba de lançar: “A tevê de notícias para quem não vê tevê”.

O consumo de vídeos está cada vez menos na televisão e cada vez mais na internet.

No campo do entretenimento, sites como o Netflix e agora a Amazon oferecem uma fabulosa quantidade de séries, filmes e documentários.

Você vê quando quer, na hora que quer, o que quiser.

No campo das notícias, vídeos selecionados pelas comunidades são postados nas redes sociais, e ali consumidos – fora das emissoras tradicionais.

Uma parte expressiva dos vídeos que viralizam nas redes sociais é produzida pelos próprios internautas – ao flagrar cenas notáveis no dia a dia, como a surpresa que aguardou o dono de um automóvel que parou numa vaga de deficientes.

No esporte, você começa a ter a opção de assinar canais específicos para ver o que deseja – sem ter que comprar um pacote caro de tevê por assinatura.

Sabia-se faz tempo que a internet ia matar jornais e revistas. Mas não se imaginava que a tevê se transformaria tão celeremente na próxima vítima.

Uma pesquisa recente nos Estados Unidos mostrou que o número de pessoas que não se imaginam sem internet e celular cresceu vigorosamente nos últimos anos, na mesma medida em que decresceu o contingente dos que não podem viver sem tevê.

No Brasil, um levantamento deixou claro que televisão é hoje uma coisa para um público velho e com baixo nível de educação, exatamente o oposto daquilo que os anunciantes buscam.

A Globo, neste sentido, é a próxima Abril.

Caíram todas as circulações das revistas da Abril nos últimos anos. A única falsamente estável é a da Veja graças a manobras (custosas) que inflam artificialmente os números, e que os anunciantes fingem não ver.

Do mesmo modo, todas as audiências da Globo são uma sombra do que foram antes do surgimento e expansão da internet.

O Jornal Nacional luta para se manter na casa dos 20 pontos, marca que seria uma tragédia há dez anos.

O Fantástico já escorregou para baixo dos 20, e ninguém mais comenta o que ele deu ou deixou de dar.

Quando, no futuro, alguém for estudar a história da tevê convencional, Babilônia será citada provavelmente como um capítulo especial.

Babilônia, com sua miséria de Ibope, é o grande marco do fim da tevê como a conhecemos.

A culpa não é do povo, como quer a Globo, mas de uma coisa chamada vida, ou mercado, como você preferir.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Resposta à revista Época sobre as viagens do ex-presidente Lula

Instituto Lula

Recebemos hoje (26), às 9h55, um e-mail da reportagem da revista Época com questionamentos a respeito das viagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Faz quase dois meses que a Época tem essa prática de mandar e-mails perto do fechamento em vez de fazer entrevistas cara a cara sobre as atividades do Instituto. É a última vez que perderemos tempo com a Época, que agora receberá o mesmo tratamento reservado à Veja pela assessoria de imprensa, após reiteradas práticas de parcialidade e falta de isenção jornalística. Mediante os questionamentos da publicação, fazemos os seguinte esclarecimentos a respeito das viagens realizadas pelo ex-presidente:

Sim, o Instituto Lula tem como política divulgar as viagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao exterior.

Desde abril de 2011, quando se constituiu a assessoria de imprensa do então Instituto Cidadania, hoje Instituto Lula, todas as viagens do ex-presidente foram divulgadas à imprensa por e-mail, e desde o segundo semestre de 2011, quando o Instituto Lula criou seu site, também por esse canal. E desde 2012 também por Facebook. E também por Twitter. Embora o ex-presidente não ocupe cargo público e, por isso, não tenha nenhuma obrigação de divulgar viagens para o exterior, elas foram divulgadas.

As viagens anteriores a abril de 2011 também foram registradas no site do Instituto Lula. Bastaria aos jornalistas da revista pesquisarem no site para encontrar a relação de viagens.

As viagens do ex-presidente Lula ao exterior não foram a turismo ou passeio. Foram para dar palestras, falando bem do Brasil no exterior para investidores e autoridades estrangeiras, estimulando a participação de jovens na política e divulgando políticas sociais de combate à fome em eventos na África, América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia.

Os principais destinos do ex-presidente ao exterior não foram, como já publicou erroneamente Época, Cuba, República Dominicana e Gana. Como o Instituto já respondeu para a revista, no texto “As sete mentiras da capa de Época sobre Lula” (http://www.institutolula.org/as-sete-mentiras-da-capa-de-epoca-sobre-lula/), os principais destinos foram os Estados Unidos, com 6 viagens, e depois México e Espanha, cada um com 5 viagens.

Como já também foi respondido para a Época, quase dois meses atrás. "No caso de atividades profissionais, palestras promovidas por empresas nacionais ou estrangeiras, o ex-presidente é remunerado, como outros ex-presidentes que fazem palestras. O ex-presidente já fez palestras para empresas nacionais e estrangeiras dos mais diversos setores - tecnologia, financeiro, autopeças, consumo, comunicações - e de diversos países como Estados Unidos, México, Suécia, Coreia do Sul, Argentina, Espanha e Itália, entre outros. Como é de praxe, as entidades promotoras se responsabilizam pelos custos de deslocamento e hospedagem.”

Ao contrário do que já publicou Época, e já foi rebatido pelo Instituto Lula, a maioria das viagens do ex-presidente ao exterior não foram pagas pela Odebrecht, que contratou palestras para empresários e convidados em países onde a empresa já atua. Uma pergunta da revista contém um equívoco porque a LILS não recebe doações. A LILS é uma empresa de palestras. Ela recebe pagamentos por serviços prestados. O Instituto Lula é uma entidade sem fins lucrativos que recebe doações para a manutenção das suas atividades. O ex-presidente não recebe pagamentos do Instituto Lula. Dezenas de empresas, de diferentes setores, doaram para o Instituto Lula. Os institutos de ex-presidentes, não só o do ex-presidente Lula, vivem de doações privadas. Sobre esse assunto de doações e contratações, como já foi respondido para a Época semana passada:

“O Instituto é uma entidade sem fins lucrativos, e as doações de indivíduos, fundações e empresas privadas de vários setores, entre elas a Odebrecht, assim como as parcerias com organismos multilaterais são para a manutenção do Instituto e realização das suas atividades.

A Odebrecht já falou sobre o seu apoio às atividades do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e também de outros ex-presidentes, entre outras notas e declarações para a imprensa, no artigo 'Viaje Mais, presidente', de Marcelo Odebrecht, em 7 de abril de 2013, na Folha de S. Paulo. Ou seja, mais de dois anos atrás.

Todas as doações ao instituto estão contabilizadas e foram pagos todos os impostos correspondentes. Nem o apoio feito ao Instituto pela Odebrecht, nem as palestras profissionais do ex-presidente contratadas pela empresa são objetos de sigilo. O Instituto Lula nunca negou ter recebido doações da Odebrecht e a empresa nunca negou ter concedido este apoio. Aliás, como o próprio artigo de Marcelo Odebrecht mencionado acima deixa explícito.”

Temos em nosso site uma lista respondendo a dúvidas frequentes sobre o Instituto. http://www.institutolula.org/duvidas-frequentes-a-respeito-do-instituto-lula.
Web Analytics