domingo, 31 de maio de 2015

Não, Fernandinho, nunca se apurou e se prendeu tanto

Tatu subiu no pau
Aldir Blanc

Nunca se apurou e se prendeu tanto, o que não acontece quando os criminosos pertencem à tucanagem

O gatuno e atiçador dos cães assassinos da ditadura militar J. M. Marin foi preso na Suíça. Por que não aqui? A resposta cabe à Polícia Federal, Receita e outros órgãos complacentes diante da corrupção de direita. J. Hawilla, da Traffic (que não se perca pelo nome), também está entre os envolvidos e já foi confessando geral. Só no caso dele, a roubalheira pode chegar, por baixo, a quase meio bilhão de reais. Será que os outros membros dessa quadrilha de trafficantes serão presos no Brasil?

Aos 68 anos, vi a tal foto que vale por mil, ou bilhões de palavras: no evento de 1º de Maio da Força (faz força, Paulinho, que a sujeira sai!), quase abraçadinhos sob o pé do flamboayant, Dudu Cucunha e Anéscio Neves, o canibal do avô, cochichavam. Cucunha enfiou o indicador da mão direita na deep narina, enquanto fazia Aócio rir feito Mutley, o cachorro do Dick Vigarista. A chopeidança primou pelos discursos que pediam a cabeça da Dilma. Por isso, um dos seus aliados estava lá, quase osculando o Abóstulo do Terceiro Turno. De vomitar. Aócio chamou Dilma de covarde por ter evitado pronunciamento na telinha. Está exercendo seu direito de livre expressão em uma democracia. Minha opinião é diferente: covarde é marmanjo que, entupido de pó, bate em mulher. Outra frase jocosa foi de FHC I e II: “Nunca se roubou tanto nesse país”. Não, Fernandinho. Nunca se apurou e se prendeu tanto, o que não acontece quando os criminosos pertencem à tucanagem. Taí o mensalão do Azeredo, 20 anos de esbórnia nos trens metropolitanos de São Paulo, escândalos nas privatizações selvagens etc. que não me deixam mentir. Empreiteiros corruptos estão sendo soltos. Banqueiro condenado a 21 anos de cadeia tem a sentença anulada, todos em casa, aliviados, preparando o próximo golpe. A balança da Cegueta precisa de um ajuste fiscal...

O cenário pornopolítico foi dominado pelo massacre dos professores no Paraná. Depois do “prendo e arrebento”, temos Bato Racha, vulgo Beto 9.9 em violência na escala Richa. Bato Racha levou nove dias para se arrepender, e com a frase mais — desculpem, não há outra palavra — escrota que pode brotar da boca de um covarde: “Machucou mais a mim...” O perdigoto não agradou, Racha deu ré e agora aprova de novo a pancadaria sanguinolenta, balas na cara, bombas, pitbulls... Foi um tremendo rasgo na Cortina de Penas do bom-mocismo tucano. Eles são aquilo mesmo. Bato Racha mandou fitas para jornalistas comprovarem a ação de “elementos infiltrados” no protesto. Ninguém encontrou um único agente provocador. Bato Racha é também um deslavado mentiroso.

Estão soltas no pedaço as feras do CCE (Comando de Caça aos Esquerdistas). Parecia que o senadô Lulu Menopausa Nunes dedaria sem luva a próstata do Fachin, em plena sabatina. Dez horas de humilhação. Mas vento que venta pra lá... Uma delação premiada saiu pela culatra: propinas para caixa 2 na reeleição de Bato Racha. Não invadiram a casa do espancador para apreender obras de arte. Afinal, convenhamos, são todos “artistas” medíocres.

Aldir Blanc é compositor

Caras do Brasil

Janio de Freitas

Da arquibancada ao poder econômico, o maior por aqui, Havelange e Teixeira faziam uma síntese perfeita do país 

Muito mais do que mostrar o que tem sido a cúpula do futebol no mundo, o escândalo da Fifa mostra ao mundo o que é o Brasil. Como se ainda fosse necessário fazê-lo. 

A Fifa, que recebe aqui o tratamento apropriado para os covis, baniu dos seus quadros, há muito tempo, os ilustres brasileiros João Havelange e Ricardo Teixeira, seu ex-presidente e o ex-conselheiro por ela declarados catadores de suborno e de outros modos de corrupção. Nem depois disso a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público (o Federal e o do Rio) foram capazes de dar aos dois as consequências da lei. Ambos enriquecidos, muito antes de chegarem aos balcões internacionais, aqui mesmo na CBD/CBF. 

A aparência é de que Ricardo Teixeira tratou de escapar para Miami. Mas não o fez, de fato, senão para as delícias de que desfruta em sua mansão. Os vários processos que ainda tem no Brasil jamais o incomodaram, tal como os anteriores. Havelange tornou sua velhice suportável em um dos prédios magníficos de São Conrado. A rejeição da Fifa não chegou ao prestígio social de ambos. 

Da arquibancada ao poder econômico, que é o maior poder por aqui, Havelange e Ricardo Teixeira faziam uma síntese perfeita e discreta do Brasil. José Maria Marin, o mau discípulo, escancarou. Já se percebe que as autoridades brasileiras sentem necessidade de adotar iniciativas. Deve ser o melhor que pode acontecer a Marin. 

Tudo que você precisa saber para entender a corrupção no futebol brasileiro

Roberto Irineu Marinho (presidente da TV Globo), e Ricardo Teixeira (presidente da CBF) em visita a Gilmar Mendes (presidente do STF, nesta época).
José Maria Marin e Joaquim Barbosa
Marin, Romário e Del Nero

Aécio e Teixeira

Teixeira e seu senador preferido

Marin declarou oficialmente apoio a Aécio

Senador Aécio, deputado Perrella e senador Perrella (parabéns, eleitores!)

PSDB e CBF, amigos para sempre!


Entenda a capa da Veja dessa semana

- E aí? Alguém do PT metido nesse lance da FIFA e CBF?
- Não, chefe. Marin apoiou Aécio.
- Puta merda! E agora? Botamos o que na capa?
- Tem aquela matéria do ovo.
- Ok, manda vê.

Rafael Cavalcante
Fonte

Burrice de Russomano e Cunha torna lei pró-corrupção inútil

ESPERTEZA, QUANDO É MUITA, COME O DONO
(Ou por que o financiamento empresarial vai cair!)

Jean Wyllys

Vocês que acompanharam a tramitação da (contra) "reforma política" na House of Cunha sabem que, um dia depois de o presidente da Casa ter perdido a votação em que tentou incluir na Constituição, mediante emenda, o financiamento empresarial de campanha, ele fez uma manobra ilegal para votar novamente e, dessa vez, obteve a maioria necessária. Vocês que acompanharam sabem, também, que a "emenda aglutinativa" rejeitada permitia a doação de empresas a partidos e candidatos, e o artifício usado por Cunha na segunda votação foi pedir ao deputado Celso Russomano, do PRB, que apresentasse (fora do tempo, quando a matéria já tinha sido rejeitada) uma nova "emenda aglutinativa" que permite a doação de empresas (pessoas jurídicas) apenas a partidos, mas não a candidatos, que só poderão receber dinheiro ou bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas.

Certo?

Pois bem, leiam com muita atenção o que o texto ilegalmente votado diz:

«Dê-se ao artigo 17 da Constituição Federal, constante da redação do artigo 2º do Substitutivo apresentado pelo Relator, a seguinte redação:

"Art. 17
§5º É permitido aos partidos políticos receber doações de recursos financeiros ou de bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas ou jurídicas.

§6º É permitido aos candidatos receber doações de recursos financeiros ou de bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas.

(...)».

Vamos repetir: os PARTIDOS poderão receber dinheiro ou bens de pessoas físicas ou jurídicas, mas os CANDIDATOS só poderão receber dinheiro de pessoas físicas.

O que é que Cunha e Russomano esqueceram?

OS PARTIDOS SÃO PESSOAS JURÍDICAS!

Ou seja, os partidos, com essa emenda, não poderão repassar UM TOSTÃO aos candidatos, mesmo que receberem milhões das empreiteiras amigas! Quer dizer: esse dinheiro poderá ser usado pelo partido para qualquer coisa MENOS PARA FINANCIAR AS CAMPANHAS DOS SEUS CANDIDATOS.

Não é engraçado? Tantas manobras, tanto atropelo, e eles mesmos atiraram no pé. Desesperados e com pressa por redigir uma emenda para ser votada (mesmo que isso atropelasse a Constituição Federal), Cunha et caterva criaram uma aberração jurídica que pode fazer com que os partidos que se submeterem a essa prática arrecadem milhões de reais, mas não possam repassar nada aos seus candidatos! Um verdadeiro Frankenstein!

Sem prejuízo a essa burra malandragem, o Mandado de Segurança contra a manobra golpista do Eduardo Cunha para aprovar essa emenda — iniciativa do meu mandato e do PSOL que conquistou o apoio de dezenas de parlamentares de diferentes bancadas — já foi protocolado no Supremo Tribunal Federal: http://bit.ly/1eHm3Hz

Quem quiser acompanhar a tramitação desse recurso, é só ficar de olho no link: http://goo.gl/Cl6mee

Gol de Messi



Que pintura, Leo Messi! Olha a fila que ele fez! #ESPNtemCopadoRei
Posted by Mundo ESPN on Sábado, 30 de maio de 2015

sábado, 30 de maio de 2015

O sentido do capitalismo


Entenda o silêncio de Ronaldo Fenômeno e Pelé sobre a corrupção no futebol

Corrupção na Fifa: Entenda por que o silêncio de Ronaldo e Pelé está ligado a J. Hawilla e aos EUA, país que lidera investigações


No país do futebol, não são poucos os brasileiros que se questionam sobre o silêncio de grandes ídolos da bola, como os ex-jogadores Ronaldo Fenômeno e Pelé acerca do escândalo de corrupção na Fifa. Uma rápida busca nas redes sociais permite ver que a demanda por uma palavra deles existe. Porém, a expectativa não deve ser atendida por pelo menos dois motivos: José Hawilla e os Estados Unidos.

Citado pela Justiça norte-americana como um delator no processo que investiga o pagamento de propinas a cartolas nos últimos 24 anos, o empresário brasileiro J. Hawilla possui conexões com os principais dirigentes do futebol nacional há décadas. Ele intermediou negócios da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no auge da era Ricardo Teixeira. A empresa fundada por ele, a Traffic, comandou diversas negociações, de direitos de transmissão a jogadores.

A ligação com Hawilla fez do empresário Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo,o primeiro alvo de buscas por parte da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF), na quarta-feira (27), no Rio de Janeiro. As autoridades brasileiras participam do esforço concentrado que, além dos EUA, ainda possui um braço investigatório na Suíça – este apurando mais precisamente os processos das escolhas das Copas do Mundo de 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar).

Tanto Ronaldo quanto Pelé possuem conexões antigas com Hawilla. O primeiro projeto do Fenômeno na área de comunicação, em 2002 – a compra dos direitos de transmissão do Campeonato Espanhol pela Rede Bandeirantes – aconteceu em uma parceria com a Traffic. Na época, Kleber Leite (então vice-presidente da empresa de Hawilla) disse ao jornal Folha de S. Paulo que a “intenção é fazer com que o brasileiro possa assistir ao maior jogador da atualidade todos os domingos”. Ronaldo integrava o time galáctico do Real Madrid na ocasião.

Posteriormente, a Traffic chegou a ter algumas disputas de mercado com a 9ine, empresa que o Fenômeno abriu para atuar no mercado do marketing esportivo – uma delas no Flamengo, como noticiou o Lance! em 2011. Apenas um ano antes, em uma festa que comemorou os 30 anos de atuação da Traffic no mercado, Hawilla reuniu a nata do futebol nacional – incluindo Ronaldo, Pelé e Ricardo Teixeira –, mostrando ao mundo por que era tido como "dono do futebol brasileiro".

Hawilla se afastou dos negócios e se mudou para os EUA em 2013. Lá, passou a ser figura importante na NASL, sendo dono inclusive de alguns times da liga que é uma espécie de segunda divisão do futebol americano. Em dezembro de 2014, Ronaldo adquiriu uma participação no Fort Lauderdale Strikers, time adquirido quatro meses antes por um grupo de empresários brasileiros da Traffic – que ainda detém o Carolina RailHawks.

A sociedade indireta entre Ronaldo e Hawilla no futebol dos EUA também atinge, em menor grau, o Rei Pelé. Enquanto explodia o escândalo da Fifa, com prisões em um hotel de luxo de Zurique – incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin –,Pelé estava em Nova York. Lá o maior jogador de futebol de todos os tempos fez história com o New York Cosmos, clube com o qual mantém relações (emocionais e econômicas) até hoje. Pelé inclusive irá com a delegação da equipe para Cuba, onde um jogo amistoso entre o Cosmos e a seleção cubana será realizado no dia 2 de junho.

Os dados disponíveis até o momento em torno das investigações nos EUA não implicam o nome de Ronaldo ou de Pelé em irregularidades. Possivelmente isso nem venha a ocorrer. O mesmo não pode ser dito da Traffic e da própria NASL. O executivo Aaron Davidson, ex-presidente dos Strikers, atual presidente dos RailHawks e da Traffic nos EUA, é um dos executivos da Fifa denunciados pelas autoridades americanas. Para tentar conter a crise, a NASL e seus executivos suspenderam Davidson e também os negócios com a firma de Hawilla.

A mão que ajuda o fascismo


Benevolência com atos contra a democracia explica cenas de violência e tentativas de intimidação

Imagine você que na quarta-feira passada eu me encontrava no café da Câmara de Deputados, quando apareceu um dos líderes do PSDB, conhecido de várias entrevistas e conversas civilizadas. Ao reparar que eu tinha um livro aberto, perguntou do que se tratava. Mostrei: era a edição, em espanhol, de “O Fascismo e a marcha sobre Roma” reportagem histórica de Emilio Gentile sobre o assalto ao poder comandado por Benito Mussolini, em 1922, na Itália.

Comentando o que se passava fora do Congresso, onde se fazia uma concentração com barracas de acampamento e faixas que pediam ” intervenção militar,” “extinção do PT já,” e outras afirmações de óbvia inspiração fascista, comentei:”É para ajudar a entender o que está passando lá fora.” Meu interlocutor, cujo nome será preservado porque não se tratava de uma conversa para ser publicada, me corrigiu em tom benevolente:

— Não é nada disso. Os fascistas são uns poucos, que deveriam se juntar com o Jair Bolsonaro e formar um partido de extrema-direita. Mas a maioria dessas pessoas não são nada disso. São democratas, inconformados com a corrupção e os desmandos da turma do PT.

A conversa prosseguiu mais um pouco, incluiu com algumas provocações de parte a parte, mas o essencial está aí. Voltei a minhas leituras. Já me encontrava nas páginas finais da narrativa sobre a ascensão de Mussolini, naquele trecho da história em que a marcha dos fascistas sobre a capital italiana se transformou no golpe de Estado mais pacífico da história europeia, sem enfrentar resistência alguma.

O aspecto mais instrutivo da obra de Emílio Gentile é que ele descreve, detalhadamente, a paralisia das autoridades que tinham o dever legal e político de defender a Constituição italiana e os direitos democráticos da população, inclusive de escolher governos através do voto. Um gabinete que unia liberais e conservadores assistiu à ação das esquadras fascistas pelo país inteiro — invadiam prefeituras, fechavam jornais, atacavam quartéis para pegar armas, feriam e assassinavam — sem mover um músculo. Conforme o autor, os comandantes militares tinham disposição de resistir ao fascismo, possuindo instrumentos e homens para isso. Mas a ordem, que deveria partir do poder civil, não veio.

Horas antes da chegada do próprio Mussolini a Roma, os principais ministros conseguiram imaginar que tudo estava tão tranquilo que recolheram-se a seus aposentos e foram dormir — acredite!

Apenas numa reunião de emergência, alta madrugada, decidiu-se, enfim, convocar o Estado de Sítio, que na pior das hipóteses poderia ter ajudado a retardar a escalada fascista. Mas cabia ao Rei, Vitório Emanuel III, decretar a medida. Quando Sua Majestade, enfim, foi encontrada, ocorreu a cena decisiva. O Rei não apenas se recusou a assinar o Estado de Sítio, como demitiu o ministério e chamou o próprio Benito Mussolini a formar o novo governo, dando início, assim, a uma ditadura que durou 20 anos.

Sabemos que a paralisia daqueles governantes que tinham a responsabilidade legal de preservar o regime democrático obedecia a considerações variadas. A principal dizia respeito a definição de quem era seus verdadeiros adversários políticos e quem poderiam ser seus aliados. Quatro anos antes, o Partido Socialista — muito mais à esquerda do que se tornaria com o passar dos anos — havia se tornado a maior força do parlamento italiano. Ao mesmo tempo, a mobilização de operários ganhou força nos centros industriais do país, onde se formaram conselhos de trabalhadores. O exemplo da Revolução Russa de 1917 estava em muitas mentes — para temer ou admirar.

“Muitos temiam que a ação da força legítima do Estado contra a força ilegal do fascismo pudesse provocar um banho de sangue” que terminaria por fortalecer a esquerda socialista e comunista, escreve Gentile.

A visão da esquerda como adversária principal a ser vencida de qualquer maneira contribuía enormemente para que muitos ministros já sonhassem em chamar Mussolini para integrar o ministério, oferta que ele sempre recusou, deixando claro que não pretendia ser coadjuvante num governo de base parlamentar.

Ex-diretor do Avanti,jornal socialista de tendencias revolucionárias, Mussolini tinha aquela postura problemática de quem passou por uma mudança radical nas próprias convicções. Manifestava um ódio profundo pelos partidos de esquerda, como se quisesse dizer que ele, e apenas ele, fora um ” verdadeiro” socialista em seu devido tempo, enquanto seus adversários de hoje não passavam de farsantes. (Acho que todos nós jã vimos esse comportamento em nossa paisagem, não é mesmo?)
Mussolini também não escondia que sentia “asco, muito asco,” pelo jogo parlamentar. Mesmo assim, fazia o possível para apresentar-se com um perfil político moderado, necessário para abrir as portas dos salões do capitalismo italiano. Ao mesmo tempo, estimulava atos violentos e criminosos contra lideranças de trabalhadores e do movimento popular, cultivando uma ambiguidade de aparências, que ajudava a convencer quem queria queria ser convencido mas tinha um certo pudor de assumir isso abertamente.

O tempo mostrou que a postura política em relação a comunistas e socialistas contribuiu para o embelezamento do fascismo, enfraqueceu toda possível visão crítica e diminuiu todo esforço que poderia impedir sua ascensão ao poder — inclusive na reta final, quando as milicias passaram a atacar com violência e ameaças militantes católicos e liberais que recusavam a liderança dos camisas negras.

Poucas leituras podem ser instrutivas, sobre a época, como os registros de elogios e avaliações positivas sobre Mussolini e seus aliados. “Estamos assistindo a uma bela revolução de jovens. Nenhum perigo,” escreveu o embaixador dos Estados Unidos numa carta familiar. Sempre lembrando os méritos do fascismo pela derrota do socialismo e comunismo a revista L ‘ Illustrazione Italiana, leitura preferida da elite do país, também elogiava um governo jovem (“sem barbas grisalhas”) e profetizava: “nunca um governo teve possibilidades tão grandes (de sucesso) como o de Benito Mussolini”, escreveu a revista, torcendo ainda para que o ele “saneasse a Itália” do ódio político.

A ilusão durou pouco mas se desfez quando era tarde. Avaliando, meses mais tarde, o estado ditatorial que se esboçava, meses mais tarde o Corriere della Sera publicou um artigo no qual fazia uma constatação dolorosa: a grande massa dos italianos, incluída “a totalidade de sua classe dirigente,”havia demonstrado “ser capaz de perder todas as suas liberdades civis sem protestar.” Assinado por Giuseppe Prezzolini, o texto dizia: “Somos todos um pouco culpados de termos nos iludido de que as liberdades eram um fato consumado, que não se poderia perder; e descuidamos, deixando que alguém começasse a pisoteá-las.” Sem mencionar o nome de Mussolini, o que poderia revelar-se perigoso, o artigo conclui: “e esse tal indivíduo terminou por defenestrá-las.”

Juro que seguia na leitura do mesmo livro, comprado numa viagem recente a Buenos Aires, quando ocorreu aquela cena inacreditável de sexta feira, no Congresso Nacional. Um bando de fascistas atacou — com empurrões, gritos, e vários atos de provocação — um grupo de parlamentares do PT que convocava uma coletiva para fazer uma denúncia grave: a segunda votação sobre financiamentos de campanha políticas foi um ato juridicamente nulo, pois violou o artigo 60 da Constituição Federal, que estabelece regras claras para se votar um projeto de emenda constitucional.

Isso aconteceu no Salão Verde do Congresso, endereço de tantos atos de resistência democrática durante o regime. No dia seguinte, fiquei sabendo da história do empresário ameaçado durante um voo Brasilia-São Paulo porque lia a Carta Capital.

Quarenta e oito horas antes, naquela conversa no café da Câmara, um parlamentar do PSDB tentava me convencer, explicava, em tom benevolente, que não havia motivos de preocupação com ameaças fascistas.

Onde mais?

José Geraldo Couto

Vocês ficam falando mal do Facebook, mas onde mais a gente teria o prazer inigualável de se livrar de gente pentelha com um único clique (que não seja o gatilho de uma arma de fogo)?

Congresso pornográfico



Mais 'sem-vergonha' que os vídeos que João Rodrigues via no celular é a Reforma Política de Eduardo Cunha e a constitucionalização do financiamento privado, o motor da corrupção nas campanhas

O deputado João Rodrigues, do PSD de Santa Catarina, teve seu dia de fama, ou de infâmia. Enquanto os deputados votavam a famigerada Reforma Política de Eduardo Cunha (PMDB), Rodrigues dava uma olhadela nas fotos de mulher pelada enviadas por “amigos do Whatsapp”.

A cena acendeu na redes sociais o debate sobre a safadeza, com gente condenando a “sem-vergonhice” do parlamentar. Mas afinal, quem é o mais pornográfico nesta história? 

Em entrevista ao SBT, o deputado disse que este é “um ato normal que qualquer cidadão de bem, qualquer cidadão brasileiro faz”. Bem... Num país que transmite imagens de gente seminua no Carnaval, custa acreditar que as pessoas se sintam realmente ultrajadas porque alguém vê cenas de filme pornô na nossa Augusta Casa de Leis. 

Mais pornográfica, me parece, é a Reforma Política de Eduardo Cunha. Enquanto o tal João Rodrigues se divertia com os colegas, votava-se pela constitucionalização do financiamento privado, que é justamente o motor da corrupção nas campanhas eleitorais do País. Se nesse quesito hoje estamos ruins, pode-se sempre piorar. 

Cunha, aliás, lançou mão de um pequeno golpe para lograr o que sempre foi um de seus maiores objetivos no Parlamento. Depois de ver derrotada sua proposta de financiamento privado na terça-feira, reapresentou-a dois dias depois, contrariando a Constituição que diz que não se pode votar a mesma PEC em um mesmo ano. PT, PPS, Psol, PSB, Pros e PCdoB entraram no STF com uma liminar na esperança de barrar tamanho desvario.

Na prática, o financiamento privado cristaliza a lógica reinante hoje nas eleições – é preciso ter muito dinheiro para virar deputado. São exceções os que são eleitos com menos de 1 milhão de reais. Sabe-se que a conta pode facilmente ultrapassar os dois dígitos aqui.

Vale lembrar que Eduardo Cunha só conquistou tamanho poder porque é um exímio arrecadador junto a empresários milionários, cheios de interesse na pauta do Congresso (Terceirização, Imposto sobre Grandes Fortunas... e aí vai). 

Durante a campanha eleitoral, a imprensa ventilou valores que batem dezenas de milhões de reais arrecadados pelo deputado fundamentalista carioca – não apenas para ele, mas para um batalhão de discípulos eduardinos, quase todos integrantes do baixo clero e fiadores de sua eleição para a Presidência da Casa.

O financiamento das campanhas e a forma de eleição (distritão, voto em lista ou distrital misto) são os pontos fundamentais da Reforma Política. Para que a gente tenha um Congresso mais representativo, que dê conta das demandas de setores mais amplos da sociedade (e não apenas de empresários dispostos a “doar milhões de reais) é preciso democratizar a política institucional.

Com o atual modelo (e a proposta de Cunha), continuaremos a ser cada vez mais um Congresso de  senhores com mais de 50 anos, brancos, ricos, que conseguem juntar milhões de reais para custear suas campanhas, seja com a ˜doação” de empresários, seja com o valioso dízimo das igrejas militantes – dinheiro este livre de impostos, sempre é bom lembrar.

Se passa a Reforma Política de Cunha, minorias, mulheres, negros serão cada vez mais escassos no Congresso. Aborto, casamento igualitário e pautas do gênero serão miragem em Brasília.

O caso do deputado João Rodrigues faz lembrar o do deputado Barreto Pinto, o primeiro parlamentar brasileiro a ser cassado por falta de decoro. O afastamento ocorreu em 1946 após o parlamentar se deixar fotografar de fraque e cueca samba-canção.

O raio moralizador dos parlamentares fulminou Barreto Pinto na época, mas foi complacente menos de 20 anos depois com o senador Arnon Collor de Melo, pai do ex-presidente e atual senador Fernando Collor. Em 1963, Collor pai matou a tiros um colega dentro do próprio Senado. Escapou e foi absolvido.

Os dois casos passados, e o caso presente, lembram que no Congresso a moral e o compromisso público sempre se medem com os interesses em voga dos "representantes do povo". É provável que Rodrigues saia ileso do caso. A preocupação atual é mesmo fazer a tal Reforma Politica de Cunha, nem que para isso seja necessário desnudar o jogo de poderes escusos do Congresso. Foto de gente pelada é coisa pueril em toda essa história. 


sexta-feira, 29 de maio de 2015

EUA desenham caminho da propina que atinge a Globo

Na entrevista coletiva em que apresentou ao mundo as vísceras da corrupção na Fifa, a secretária de Justiça dos Estados Unidos, Loreta Lynch, foi didática, até desenhou o caminho da corrupção na entidade; entre os personagens que pagaram propina para adquirir direitos de transmissão da Copa do Mundo, Libertadores, Copa América ou Copa do Brasil, estão os grupos de mídia que transmitem os eventos; segundo Lynch, a corrupção é "sistêmica, desenfreada" e funciona há pelo menos 24 anos; se a Globo é dona dos direitos de todos os campeonatos investigados e mantém relações empresariais com o pivô do escândalo, o brasileiro José Hawilla, dono da maior afiliada da emissora, a TV TEM, e réu confesso de crimes de extorsão e lavagem de dinheiro, fica difícil acreditar no editorial da edição de quarta-feira do "Jornal da Globo" de que "não pesam suspeitas sobre as empresas de mídia que compraram desses intermediários os direitos de transmissão"

247 – Na entrevista coletiva em que apresentou ao mundo as vísceras da corrupção na Fifa, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostrou, didaticamente, o que pode ser chamado de fluxograma da propina, que, se as investigações avançarem no Brasil, pode atingir em cheio as Organizações Globo, da família Marinho.

O esquema é de fácil compreensão e trata-se basicamente de uma reação de corrupção em cadeia: os organizadores de um evento de futebol, seja a própria Fifa, ou as confederações dos continentes, regionais ou até nacionais, como a CBF, são quem primeiro detêm os direitos de transmissão e marketing dos eventos. Para comprar esses direitos, empresas de Marketing Esportivo, como a Traffic Group, do brasileiro José Hawilla, pagavam milhões às confederações, e outros milhões de dólares em propina para os dirigentes das entidades.

De acordo com o esquema desenhado pelo governo americano, as empresas de marketing esportivo, de posse dos direitos de transmissão de campeonatos importantes, como a Copa do Mundo, Libertadores, Copa América ou até a Copa do Brasil, revendia-os aos grupos de comunicação e patrocinadores, que também pagavam propina às empresas para fecharem os contratos.

Não é novidade para os brasileiros que as Organizações Globo detêm há décadas o monopólio na transmissão de eventos internacionais de futebol. Só da Copa do Mundo, a parceria com a Fifa vem desde o mundial de 1970. Todos os campeonatos em que foi identificado pelo FBI o pagamento e recebimento de propina, a emissora da família Marinho é a transmissora oficial no Brasil (leia aqui reportagem do 247 sobre o assunto).

Segundo a secretária de Justiça dos EUA, Loreta Lynch, a corrupção em jogos comandados pela Fifa e suas confederações subalternas existe de forma "sistêmica e desenfreada" há pelo menos 24 anos. 

Se a Globo é dona soberana dos direitos de transmissão no Brasil dos principais eventos mundiais do futebol desde os anos 70, e mantém relações empresariais com o pivô do escândalo, o brasileiro J. Hawilla, dono da maior afiliada da emissora, a TV TEM, e réu confesso de crimes de extorsão, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, fica difícil acreditar no editorial do "Jornal da Globo" de quarta-feira 27 de que "não pesam acusações ou suspeitas sobre as empresas de mídia de todo o mundo que compraram desses intermediários os direitos de transmissão".

O que você, leitor, acha?

O ninho de ratazanas

Romário, Marin e Del Nero



 Por Luciano Martins Costa

A imprensa brasileira se regozija com a prisão, na Suíça, do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, por conta das investigações de autoridades americanas sobre corrupção na organização internacional do futebol profissional. Nas edições de sexta-feira (29/7), um dos destaques é a fuga do atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que deixou a conferência da Fifa em Zurique e preferiu se refugiar no Brasil.

O noticiário equivale a uma bomba num ninho de ratazanas.

Os jornais abrem algumas frentes para abordar o assunto, e a principal delas é a chance de retomar as apurações da CPI da Nike, aberta no ano 2000 e concluída no ano seguinte. O relatório (ver aqui) já apontava irregularidades nas relações da CBF com a empresa de material esportivo e o Grupo Traffic, cujo dono, José Hawilla, fez um acordo de delação com o FBI.

O senador e ex-jogador de futebol Romário de Souza Faria (PSB-RJ) protocolou o pedido de abertura da CPI e é tido como provável relator, por sua familiaridade com o assunto e por haver denunciado, sucessivas vezes, irregularidades na gestão do futebol brasileiro. O assunto também mobilizou o senador Zezé Perrella (PDT-MG), que em 2013 se empenhou em abortar uma iniciativa semelhante, convencendo vários colegas a retirar a assinatura de apoio à abertura de uma investigação sobre a CBF.

Perrella, que se notabilizou como presidente do Cruzeiro Esporte Clube e foi citado na crônica policial, em 2013, quando um helicóptero de propriedade de sua família foi apreendido com 450 quilos de cocaína, saiu coletando adesões para uma CPI já na manhã de quarta-feira (27/5), quando as prisões de dirigentes da Fifa ainda chegavam aos portais noticiosos da internet.

Evidentemente, o destino da investigação no Congresso estaria selado se fosse criada a CPI de Perrella e não a de Romário.

Essa é, aliás, uma das táticas mais comuns que levam muitas Comissões Parlamentares de Inquérito à desmoralização: deputados ou senadores que têm alguma coisa a temer se antecipam, participam ativamente ou tratam de ocupar um posto estratégico, como a relatoria ou a presidência, para conduzir o trabalho a resultados inócuos.

Um “encosto” da ditadura

Mas esse é apenas um dos aspectos presentes na profusão de reportagens, entrevistas e opiniões abrigadas pela imprensa. Nas entrelinhas, pode-se colher alguns detalhes que devem orientar a ação da Polícia Federal, que também deu início a uma investigação para apurar crimes previstos na legislação brasileira. A abertura dessa nova frente ganha destaque na mídia, mas não parece assustar alguns protagonistas, como Marco Polo Del Nero, que substituiu Marin na presidência da CBF.

A fuga do dirigente para o Brasil faz sentido, porque aqui ele tem mais chances de se safar da prisão e de evitar a deportação para os Estados Unidos: segundo a Folha de S.Paulo, a Polícia Federal já abriu, nos últimos 15 anos, 13 inquéritos sobre a gestão do futebol nacional, e nenhum deles teve qualquer resultado. Nesse período, a entidade patrocinou congressos e viagens de policiais e até cedeu a Granja Comary, centro de treinamentos da Seleção Brasileira, para um torneio de futebol de delegados federais.

Del Nero trata de se distanciar de seus padrinhos, José Maria Marin e Ricardo Teixeira, que renunciou à presidência da CBF em 2012, para fugir das acusações que pesavam contra ele, e passou a viver em sua casa em Miami. Sabedor das investigações nos Estados Unidos, Teixeira voltou a morar no Rio de Janeiro, onde também espera estar a salvo da Justiça.

Ricardo Teixeira ainda não se manifestou, Marin está recolhido a uma pequena cela num presídio comum de Zurique, e Del Nero trata de se distanciar dos dois. Mandou retirar o nome de Marin da fachada do edifício-sede da CBF, no Rio, e entregou ao Ministério Público Federal cópias dos contratos que estão sendo investigados pelo FBI.

Todos os dedos apontam para José Maria Marin, embora as investigações da polícia americana citem negociatas iniciadas na gestão de Ricardo Teixeira e alcancem o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero.

O esquema criminoso remonta ainda ao longo mandato de João Havelange, mas é a figura de Marin que acende essa espécie de catarse que excita a mídia: com seu passado de sabujo da ditadura, um dos incentivadores da repressão que resultou no assassinato do jornalista Vladimir Herzog em 1975, Marin é um fantasma do passado que o Brasil moderno quer ver exorcizado.

Eduardo Cunha permitirá que Congresso se chame Arena Odebrecht

Eduardo Cunha aprovou cotas de patrocínio para as mangas dos deputados
SALA FRIBOI - Após aprovar uma mudança na Constituição que legaliza o financiamento privado de campanhas, o cancioneiro de Orlando Morais e a pizza doce, Eduardo Cunha apresentou seus planos para o segundo semestre. "O momento é difícil e exige criatividade. Precisamos estar abertos para os novos tempos”, declarou, para logo emendar: “Nada mede o tempo como os relógios Longines, novo patrocinador oficial do painel de votação do Congresso.”

Após lavar as mãos com panos umedecidos Kleenex –“patrocinador oficial da bancada ética do PMDB” –, Cunha negociou a venda de naming rights de todos os imóveis do Eixo Monumental. "Já temos um acordo para renomear o Congresso de Arena Odebrecht. Paralelamente, graças ao empenho de Gilmar Mendes, o STF está prestes a ser rebatizado de Supremo BTG Pactual."

Cunha não confirmou os rumores de que já é certo que o Itamaraty será administrado por um consórcio formado por PDVSA, Granma e o Partido Comunista Chinês. “Há conversas nesse sentido, sim, mas o esforço de parte importante tanto da base quanto da oposição, notadamente do PSDB, é para que o Ministério seja cedido a um grupo liderado pela OAS, Moët & Chandon e Air France.”

O presidente do Congresso informou que ainda não há data para a oficialização do nome Palácio do Planalto Lubrax.

Com o intuito de economizar recursos públicos, Cunha pretende que, até o fim do ano, todos os vencimentos dos deputados sejam pagos diretamente pelos patrocinadores.

Professor de Harvard alerta sobre reais interesses dos EUA em crise na Fifa

Daniel Lisboa
Do UOL, em São Paulo

"Eu estou chocado, você não está?", diz John Shulman ao atender a reportagem do UOL. Ele tem uma opinião diferente sobre o envolvimento dos Estados Unidos no escândalo da FIFA. Professor convidado da Fundação Dom Cabral, especialista em mediação de negociações, cofundador do Centro para a Negociação e a Justiça dos EUA, e formado em direito pela Universidade de Harvard, ele acredita que a intervenção "não teve cunho legal, mas geopolítico".

"Com essa ação, os EUA enviam dois recados. Para o mundo, o de que o nosso sistema legal pode te pegar se você estiver fazendo algo errado. Internamente, mostramos que tomamos a iniciativa de resolver a corrupção dos outros", diz o professor.

E John entende tanto de geopolítica quanto de futebol. Seu currículo de mediador inclui diversos trabalhos ao redor do mundo, incluindo no Oriente Médio, na Índia e em Ruanda. Sobre o "soccer", uma curiosidade: o hoje professor já jogou profissionalmente na Índia, onde, segundo ele, foi o primeiro jogador ocidental por aquelas bandas.

"Os Estados Unidos nunca deram a menor bola para o futebol. De repente, pela primeira vez na história, o The New York Times vem com a primeira página inteira falando do assunto. Aí eu me pergunto: por quê?", questiona John. Para o professor, há vários pontos obscuros no envolvimento americano. "A logística de uma operação internacional deste porte simplesmente não vale a pena. Até porque não há um número de vítimas nos EUA que justifiquem tamanha mobilização", argumenta ele. "Há empresas nos EUA muito mais corruptas do que a FIFA, pode ter certeza", crava o especialista. 

"Para mim, trata-se claramente do seguinte: são os EUA mobilizando seu aparato legal interno em prol de questões geopolíticas. No caso, para colocar pressão na Rússia, com quem o país tem tido problemas recentemente, e no Qatar, onde também existem questões geopolíticas". 

John cita ainda a chance para os EUA desestruturarem uma organização que, corrupta ou não, tem tentáculos de poder que fogem ao seu alcance. "A ONU está presente em vários países, mas os EUA têm poder sobre ela. Isso não acontece com a FIFA, o que causa uma ruptura da hegemonia americana."

Quer dizer, se você está feliz que alguém finalmente tomou a iniciativa de enquadrar a FIFA, comemore com moderação. "É claro que a FIFA é corrupta. Todo mundo sabe disso. Mas os EUA não estão fazendo isso pelo bem do futebol", completa John.

Cronologia do Metrô de São Paulo, a construção mais lenta do mundo



Cronologia do Metrô de São Paulo 1974-2014
Publicado por Entendeu ou quer que desenhe? 

Comentário esportivo

Assisti ao jogo River x Cruzeiro, onde o time da casa foi derrotado com o Monumental de Nuñes lotado. Depois de apoiar o time o jogo inteiro, a torcida do River aplaudiu os jogadores derrotados.

Ontem assisti Racing x Guaraní. Depois de apoiar o time o jogo inteiro, a torcida do Racing aplaudiu os jogadores eliminados da Taça Libertadores em casa. 

Ou os argentinos são cheios de amor para dar ou nós brasileiros somos um povo cuja emoção dominante é o ódio. Aqui os derrotados são ofendidos ainda em campo, chamados de mercenários e, se possível, agredidos fisicamente. 

Há algo de podre na província do Brasil.

Os Três Poderes


Dono e herdeiro da Globo são sócios de J. Hawilla

As relações entre a família Marinho, dona das Organizações Globo, e o empresário J. Hawilla, são mais próximas do que a de emissora e afiliada; João Roberto Marinho, responsável pelo jornal O Globo, é sócio da TV Aliança Paulista, de Sorocaba (SP); Paulo Daudt Marinho, filho de José Roberto Marinho e diretor do canal Gloob, é sócio da TV São José do Rio Preto; réu confesso nos Estados Unidos, Hawilla é o pivô do escândalo de corrupção que atinge o futebol mundial e se comprometeu a devolver mais de R$ 500 milhões; Hawilla confessou fraudes na compra de direitos de transmissão de torneios como a Copa do Brasil e a Copa América, que foram revendidos à Globo; segundo a emissora, grupos de mídia não estão sendo investigados

247 - O executivo Paulo Daudt Marinho, filho de José Roberto Marinho e, portanto, um dos herdeiros da Globo, é sócio direto de J. Hawilla, dono da Traffic e pivô do escândalo de corrupção que atinge o futebol mundial. O mesmo ocorre com João Roberto Marinho, filho de Roberto Marinho e responsável pelo jornal O Globo.

Réu confesso nos Estados Unidos, Hawilla é o pivô do escândalo de corrupção que atinge o futebol mundial e se comprometeu a devolver mais de R$ 500 milhões. O empresário confessou fraudes na compra de direitos de transmissão de torneios como a Copa do Brasil e a Copa América, que foram revendidos à Globo – segundo a emissora, grupos de mídia não estão sendo investigados.

As informações foram levantadas pelo jornalista Gustavo Gindre. Leia, abaixo, texto postado em seu Facebook:

Paulo Daudt Marinho (filho de José Roberto Marinho e neto de Roberto Marinho), além de diretor do canal Gloob, tem 10% da TV São José do Rio Preto S.A. (CNPJ 50.023.373/0001-56).

Seu tio, João Roberto Marinho, tem 10% da TV Aliança Paulista, de Sorocaba (CNPJ 58.833.997/0001-40).

O sócio dos Marinho, controlador dessas geradoras (ambas afiliadas à Globo), se chama J. Hawilla.

A síndrome de Pelé


A base ideológica da proibição da reeleição reside numa persistente visão que despreza a capacidade da população reconhecer seus interesses: "o povo não está preparado para votar"

O debate sobre o direito de presidentes, governadores e prefeitos disputarem a reeleição é uma dessas conversas permanentes da política brasileira. Seu horizonte é a improvisação e o preconceito. Periodicamente, tenta-se manipular a reeleição ou a não-reeleição ao sabor das conveniências do momento.

Ao votarem contra a reeleição os deputados assumiram uma escolha irracional e anti-democrática. Em minha opinião, ninguém pode impedir a população de reconduzir ao cargo — pelo voto, em eleições limpas — um governante de seu agrado. Isso não a ver com regras eleitorais, mas com respeito a soberania popular.

Costuma-se dizer que, por causa da reeleição, o Brasil tem uma tradição de maus governos. Por ironia, é um raciocínio extremamente generoso com a quase totalidade de nossos políticos, já que a reeleição é um direito novo em nosso processo político, tendo sido experimentado, pela primeira vez, em 1998.

Será que as dezenas de presidentes, centenas de governadores e milhares de prefeitos que tivemos desde a proclamação da República foram governantes exemplares, cônscios de seus deveres e responsabilidades? Quantos não deixaram o palácio sem deixar saudades? Quantos não foram embora por que o povo queria sua permanência?

Outro problema envolve Luiz Inácio Lula da Silva, o mais popular presidente de nossa história. Lula conservou e ampliou a aprovação popular justamente no segundo mandato. Deixou o Planalto consagrado. Mau exemplo? De que? Para quem?

Na verdade, a lógica contra o direito de disputar uma reeleição é tão primitiva que não resiste a uma segunda reflexão.

Consiste em dizer que o cidadão eleito já inicia o primeiro mandato motivado pela má-intenção de fazer “tudo” para ser eleito uma segunda vez. Falta responder a pergunta oposta. Por que não imaginar que o sujeito que sabe que não pode disputar um segundo mandato “nada” será um preguiçoso que nada fará para conservar e até ampliar o apoio conquistado, condenando o país a uma gestão medíocre?

Uma decisão que retira do eleitor o direito de escolher seus governantes entre os candidatos que achar melhor se apoia numa verdade inconfessável mas real. Estou falando do profundo desprezo pela capacidade da população de reconhecer quais são seus interesses reais e escolher quem está mais preparado para defendê-los.

A certeza de que muito possivelmente a população será levada a fazer escolhas erradas está por trás da visão de que uma regra, elaborada pelo Congresso, deve se sobrepor a seu direito de escolha. O que se está propondo, afinal, é mutilar a soberania popular.

Pode-se votar uma vez — ainda bem, não é mesmo? — mas quem já ocupou determinado cargo não pode permanecer no posto.

O direito de um presidente disputar a reeleição foi estabelecido em 1997, quando Fernando Henrique Cardoso aprovou a emenda que lhe deu o direito de tentar a reeleição. Depois de 1997, todos os presidentes que tentaram a reeleição conseguiram um segundo mandato. Você pode achar, como dizia Pelé sob o regime militar, que o povo não sabe votar.

Ou pode reconhecer que o eleitor costuma fazer a melhor escolha de que é capaz, nas condições dadas no momento em que se dirigiu às urnas.

Surpresas agradáveis e decepções profundas são uma contingente natural dos regimes democráticos, esse sistema que é muito superior a todos os outros exatamente porque, ao contrário das ditaduras, admite com honestidade um grau inevitável de incerteza nas decisões políticas e na maioria das decisões humanas.

O democrata Franklin Roosevelt permaneceu quatro mandatos consecutivos na Casa Branca e é muito provável que, sem ele, a recuperação do país após a Depressão teria sido muito mais prolongada e difícil. Mas é claro que o segundo mandato pode ser menos empolgante do que o primeiro. O começo de Dilma Rousseff, em seus cinco meses de 2015, não guarda a menor relação a fase inicial do primeiro. Mesmo os aliados de FHC estão convencidos de que o primeiro mandato foi bom — e o segundo, muito ruim.

Não por acaso, o cientista político Adam Przeworski, que conheceu de perto os rigores das ditaduras comunistas do Leste, cunhou uma frase insubstituível: “Amas a incerteza e serás um democrata.”

Os países com regimes democráticos mais duradouros aceitam o direito à reeleição e, nos casos da Europa parlamentarista, sequer se debate um limite para o direito de um primeiro-ministro — titular do poder de fato — disputar quantos pleitos conseguir. Margareth Thatcher permaneceu quinze anos no posto. O trabalhista Tony Blair ficou quinze. Na Alemanha, Charles Adenauer foi reeleito quatro vezes, entre 1949 e 1963 e Angela Merkel já completou dez anos no posto. Nos regimes presidencialistas, a reeleição também costuma ser permitida. Depois que Franklin Roosevelt venceu quatro eleições consecutivas, o Congresso norte-americano estabeleceu que um presidente eleito só tem direito a disputar uma reeleição. Na França, a regra aceita dois mandatos consecutivos, também.

Você pode ter uma opinião sobre o desempenho de cada um desses governantes. Pode achar que foram um desastre ou a maravilha de sua época.

Dificilmente irá negar que só conseguiram uma longa permanência em seus respectivos cargos depois de demonstrar que eram bom de serviço — pelo menos, na opinião da parcela da população que lhe deu a vitória na primeira vez.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Os deputados canalhas que aderiram ao golpe de Eduardo Cunha

José Geraldo Couto

71 deputados aderiram ao golpe do Eduardo Cunha e mudaram seu voto na calada da noite para garantir a grana suja dos financiadores de campanha.

Os canalhas têm nome, sobrenome e partido, para quem quiser conferir:

DEM:
Jorge Tadeu Mudalen (SP)
Mandetta (MS)
Misael Varella (MG)
Moroni Torgan (CE)
Professora Dorinha Seabra Rezende (TO)

PDT:
Roberto Góes (AP)

PMDB:
Baleia Rossi (SP)
Daniel Vilela (GO)
Edinho Bez (SC) – se absteve na terça e votou pelo “sim” na quarta-feira
João Arruda (PR)
Lelo Coimbra (ES)
Marinha Raupp (RO)
Rodrigo Pacheco (MG)
Ronaldo Benedet (SC)
Roney Nemer (DF)
Vitor Valim (CE)

PMN:
Antônio Jácome (RN)
Hiran Gonçalves (RR)

PP:
Conceição Sampaio (AM)
Missionário José Olímpio (SP)
Odelmo Leão (MG)
Sandes Júnior (GO)

PR:
Cabo Sabino (CE)
Lincoln Portela (MG)
Paulo freire (SP)

PRB:
Alan Rick (AC)
André Abdon (AP)
Antonio Bulhões (SP)
Carlos Gomes (RS)
Celso Russomanno (SP)
Cleber Verde (MA)
Fausto Pinato (SP)
Jhonatan de Jesus (RR)
Jony Marcos (SE)
Marcelo Squassoni (SP)
Márcio Marinho (BA)
Roberto Alves (SP)
Roberto Sales (RJ)
Ronaldo Martins (CE)
Rosangela Gomes (RJ)
Sérgio Reis (SP)
Tia Eron (BA)
Vinicius Carvalho (SP)

PROS:
Domingos Neto (CE)
Leônidas Cristino (CE)
Rafael Motta (RN)

PRP:
Marcelo Álvaro Antônio (MG)

PRTB:
Cícero Almeida (AL)

PSB:
João Fernando Coutinho (PE)
Valadares Filho (SE)

PSC:
Edmar Arruda (PR)
Marcos Reategui (AP)
Pr. Marco Feliciano (SP)
Professor Victório Galli (MT)
Raquel Muniz (MG)

PSD:
Paulo Magalhães (BA)
Sérgio Brito (BA)

PSDB:
Daniel Coelho (PE) – Se absteve na terça e votou pelo “sim” na quarta-feira
Mara Gabrilli (SP) – Se absteve na terça e votou pelo “sim” na quarta-feira

PSDC:
Aluisio Mendes (MA)

PSL:
Macedo (CE)

PTC:
Uldurico Junior (BA)

PTdoB:
Luís Tibé (MG)
Pastor Franklin (MG)

PTN:
Bacelar (BA)

PV:
Dr. Sinval Malheiros (SP)
Penna (SP)
Sarney Filho (MA)
Victor Mendes (MA)

Solidariedade:
Augusto Carvalho (DF)
Elizeu Dionizio (MS)

Havana Connection #7

Presidente Joaquim Levy, tire dos ricos, não dos pobres! (Havana #7)



O presidente Joaquim Levy e o vice Michel Temer decretaram cortes bilionários no orçamento - que atingiram as áreas da saúde e da educação. Apesar do aumento de impostos juntos aos bancos, quem deve mesmo sentir o peso do ajuste fiscal é quem mais precisa do Estado, ou seja, o trabalhador. A conselheira deles, Dilma Rousseff, apoia a decisão.

Com mediação do jornalista, Leonardo Sakamoto, o Havana Connection conta com a participacão do coordenador do MTST, Guilherme Boulos, do deputado federal Jean Wyllys e da jornalista Laura Capriglione.

Presidente da República Joaquim Levy, tire dos ricos, não dos pobres! (Havana #7)
Íntegra do Havana Connectiom #7: http://mais.uol.com.br/view/15485920

Bloco 1 - O Brasil que dá porrada por discordar: http://mais.uol.com.br/view/15485858
Bloco 2 - Presidente Joaquim Levy decretou cortes bilionários no orçamento. A conselheira Dilma apoia: http://mais.uol.com.br/view/15485874
Bloco 3 - Assassinato do ciclista no Rio: uma tragédia que esconde outras: http://mais.uol.com.br/view/15485878
Bloco 4 - Casamento gay: A Irlanda disse sim. No Brasil, a votação seria uma desgraça: http://mais.uol.com.br/view/15485886

Veja também:
Havana Connection #6: http://mais.uol.com.br/view/15465746
Havana Connection #5: http://mais.uol.com.br/view/15443059
Havana Connection #4: http://mais.uol.com.br/view/15417169
Havana Connection #3: http://mais.uol.com.br/view/15402420
Havana Connection #2: http://mais.uol.com.br/view/15385856
Havana Connection #1: http://mais.uol.com.br/view/15370196

Congresso liderado por Eduardo Cunha transforma o país inteiro num puteiro

Ninguém é de ninguém na Sodoma Renascida no Planalto

"A inclusão do financiamento eleitoral privado na Constituição foi aprovada com 330 votos, 22 a mais que o mínimo necessário (308). Na véspera, o placar havia sido 266 a favor, 44 abaixo do necessário.

Para conseguir aprová-lo após a rejeição da véspera, Cunha quebrou um acordo que havia feito e, com apoio da oposição, colocou um texto semelhante em votação." (Matéria da "Folha" de hoje).

Ou seja, no mesmo dia em que a corrupção no futebol recebe uma estocada mortal, o congresso brasileiro, por conta de uma manobra escusa, trafega na contramão e consagra a putaria generalizada.
E o pessoal do tal 'movimento brasil livre' festeja em fotos cheias de dentes o crápula-mor que tramou o golpe sujo.

Diante disso só tenho a lembrar os versos do Cazuza: "transformam o país inteiro num puteiro/ pois assim se ganha mais dinheiro".

Seguidores do analfabeto mirim do MBL imitam Estado Islâmico

O Brasil livre da democracia
DCM

Os paneleiros do Movimento Brasil Livre adotaram um gesto simbólico para sua principal demanda, o impeachment. O dedo em riste penetrou os salões do Congresso e foi usado nas fotos com os novos herois do grupo, Jair Bolsonaro e Eduardo Cunha.

A ideia foi inspirada em outra facção extremista, o Estado Islâmico. De acordo com especialistas ouvidos pela Bloomberg, quando o EI faz o gesto, ele está “afirmando uma ideologia que exige a destruição do inimigo, bem como qualquer forma de pluralismo. Para os potenciais recrutas em todo o mundo, também mostra a crença de que eles vão dominar o mundo”.

A tabelinha entre Eduardo Cunha e Gilmar Mendes

Falhou o plano perfeito

Tudo foi planejado e articulado meticulosamente. O plano de regulamentar o financiamento empresarial das campanhas eleitorais, que envolveu a cúpula do Legislativo, o vice-presidente da República e um ministro do STF, parecia perfeito. Mas foi derrotado pelo plenário da Câmara na madrugada desta quarta-feira (27). 

A tabelinha entre Eduardo Cunha e Gilmar Mendes começou a se consolidar quando a Adin 4650 da OAB –que argumenta pela inconstitucionalidade do financiamento empresarial de campanha– obteve maioria de 6 votos a 1 no Supremo. No mesmo dia, 2 de abril de 2014, o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo. 

Escandalosamente, o pedido de vista se prolongou por mais de um ano, até hoje. Gilmar permanece sentado confortavelmente em cima da ação, que já tem maioria assegurada na corte. Mas mesmo com a empáfia e o autoritarismo que lhe são próprios, o ministro não se exporia tanto sem um plano definido. 

O plano foi arquitetado junto ao comando do PMDB, para quem a manutenção do financiamento empresarial é questão de vida ou morte. A Câmara retomaria a PEC 352/13 (PEC Vaccarezza/Cunha, também apelidada de PEC da Corrupção), que introduz na Constituição a legalidade das "doações" empresariais e, com sua aprovação, tornaria sem efeito a decisão do Supremo. 

Para tanto bastava que Gilmar sentasse em cima, ou "matasse no peito" (na linguagem de outro ministro do STF) até que a Câmara conseguisse aprovar a matéria. A eleição de Eduardo Cunha para a presidência em fevereiro coroou o plano com bom agouro. Cunha anunciou que o tema seria prioridade. 

Malandramente, o novo presidente se valeu do anseio popular por mudanças no sistema político e anunciou um pacote de medidas com o nome de "reforma política". Na verdade, costurou uma contrarreforma política, que agravaria ainda mais os vícios do atual sistema, constitucionalizando a corrupção e reduzindo a já esquálida participação popular nas decisões. 

Gilmar pautou a Câmara e disse que devolveria a Adin em junho. A votação portanto precisava ocorrer antes disso. Mas Cunha, com seus anos de experiência em jogadas parlamentares, deveria saber que a pressa é inimiga da perfeição. Acreditou demais na própria soberania, a ponto de humilhar seu colega de partido, o deputado Marcelo Castro, que não fez a relatoria do projeto a seu contento. O plano falhou. 

A proposta do distritão foi o bode na sala, para desviar as atenções daquela que era a cereja do bolo: a aprovação do financiamento empresarial. Se passasse, ainda melhor, mas o foco não era esse. O distritão é uma excrescência, que só vigora em dois países em todo o mundo, Afeganistão e Jordânia. Na prática, significa estender o modelo de votação majoritária ao parlamento, enfraquecendo os partidos, estimulando o personalismo e dificultando a representação das minorias. Sua derrota era previsível, na medida em que muitos dos atuais deputados não se reelegeriam se o sistema fosse pelo distritão. 

Imprevisível contudo era a derrota no tema do financiamento empresarial. Mostra que uma parte do Congresso não está decidida a mergulhar de cabeça no autismo político que seria regulamentar um modelo responsável pelos principais casos de corrupção do país, inclusive o da Petrobras. Vale lembrar as palavras de Paulo Roberto Costa em sua delação: "Por que uma empresa vai doar R$ 20 milhões para uma campanha, se lá na frente ela não vai querer isso de volta? Não existe almoço grátis". 

O plano liderado por Gilmar, Cunha e Temer falhou. Mas não nos animemos tanto: apenas barrou-se um retrocesso. Por enquanto, as coisas ficam como estão, ou seja, ainda muito ruins. Um sistema político impermeável à participação popular e escancarado à influência do poder econômico. 

O primeiro passo para avançar é Gilmar Mendes tirar a roupa de coronel mato-grossense e vestir a toga, devolvendo de uma vez por todas o processo para a conclusão de julgamento do Supremo. Ao posicionar-se como parte interessada, o ministro Gilmar puxou para si a vitória ou a derrota. Que tenha agora o senso republicano de reconhecer que essa ele perdeu. 

NO TAPETÃO 

Esta coluna foi escrita antes da manobra mais vergonhosa da história recente do parlamento brasileiro. Na noite desta quarta, menos de 24 horas após a rejeição do financiamento empresarial, Eduardo Cunha conseguiu levar a voto novamente a questão, desta vez obtendo maioria. O casuísmo foi proibi-la aos candidatos, mas autorizá-la aos partidos, que por sua vez repassam aos candidatos. Ele é o dono da bola: se perdeu, volta o jogo. Este é o nível da Câmara dos Deputados. Vejamos agora se o Senado chancelará esta vergonha. 

O vexame de estrangeiros prenderem dirigentes do futebol brasileiro

SERVIÇO GARANTIDO 
Janio de Freitas

Tínhamos que passar o vexame de serem polícias estrangeiras a levar para a cadeia um ex-presidente da CBF, dos três possíveis. 

Desde seu distante tempo de CBD, a CBF goza no Brasil de um habeas corpus incassável e não concedido. As suspeitas suscitadas pelas administrações de João Havelange e Ricardo Teixeira, com extensão aos próprios, tiveram sempre a protegê-las o argumento de que, sendo privada e não pública, a entidade não está sujeita a investigações da Polícia Federal. E menos ainda a intervenção. 

As contestações ao argumento jamais encontraram espaço e tempo bastantes para prosperar. Na verdade, não foram muitas. As ramificações sociais e políticas de Havelange e Teixeira, sempre lubrificadas pela CBD e depois CBF, prestavam serviço completo. 

A Costa Rica instaurou inquéritos ontem mesmo contra sua a entidade do futebol e contra o dirigente preso na Suíça. 

A ascensão e queda de J. Hawilla: de dono do futebol brasileiro a delator

De dono do futebol brasileiro a delator: a ascensão e queda de J. Hawilla

Quando os agentes do FBI invadiram o hotel Baur au Lac, em Zurique, os executivos da Fifa que estavam prestes a serem presos devem ter se perguntado: “Quem nos dedurou?”. Um deles era muitíssimo conhecido porque, entre outros, cuidou da comercialização de direitos internacionais da Copa do Mundo de 2014, por meio da empresa que comprou nos anos 1980. José Hawilla, dono da Traffic, chegou a ser um dos homens mais poderosos do futebol brasileiro, e hoje, tornou-se um dos delatores premiados do mega esquema da Justiça americana contra a corrupção na Fifa.

J. Hawilla, como ficou conhecido pelo grande público, 71 anos, confessou extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, obstrução da justiça e concordou em devolver U$ 151 milhões (cerca de R$ 475 milhões). Segundo a Folha de S. Paulo, vive em liberdade nos EUA por causa do acordo que firmou com o governo. Aparece envolvido na negociação dos direitos comerciais dos torneios, como a Copa do Brasil, um dos primeiros que adquiriu em 1990 e manteve até agora.

Hawilla nasceu em São José do Rio Preto e ganhou a chance de mudar de vida na cidade grande por meio do futebol. Era radialista e gerenciava a Rádio de Votuporanga quando foi convidado a trabalhar na Rádio Bandeirantes. Virou repórter de campo da Rede Globo, chegou a apresentar o Globo Esporte e liderar uma greve que causou seu afastamento da emissora por cem dias. Durante o desemprego, perdeu a vontade de trabalhar para os outros. Comprou a Traffic, em 1980, à época uma empresa de anúncios de ponto de ônibus (daí o nome “tráfego”). O embrião da maior empresa de marketing esportivo do Brasil.

Mas como um jornalista do interior de São Paulo, muitas vezes chamado pela imprensa de dono do futebol brasileiro, conseguiu ganhar tanta influência a ponto de negociar os direitos de transmissão dos torneios da CBF, dos amistosos da seleção brasileira, da Libertadores, da Copa do Mundo, intermediar o milionário contrato do time então tetracampeão do mundo com a Nike, participar da criação do primeiro Mundial de Clubes da Fifa e ser considerado pela World Soccer o 56º homem mais influente do futebol? Fórmula bem simples: levando um sopro de profissionalismo a um esporte constrangedoramente amador.

É nesse vácuo que forasteiros costumam entrar no futebol. Ninguém comercializava direito as placas de publicidade em volta dos gramados dos estádios até J. Hawilla usar a sua empresa para fazer isso, e nada agrada mais os dirigentes brasileiros do que terceirizar o trabalho e apenas recolher os lucros. Sugeriu, em 1982, a Giulitte Coutinho que a CBF vendesse todos esses espaços nos torneios organizados por ela. Foi a sua porta de entrada à entidade.

A Copa do Brasil mal havia nascido, e Hawilla já havia garantido os direitos comerciais da competição. Ricardo Teixeira um dia afirmou que José Hawilla foi o primeiro a conseguir levar patrocínios a CBF que não fossem governamentais, e o contrato de dez anos em 1996 com a Nike foi o ápice disso. Os US$ 160 milhões que a empresa americana desembolsou naquela época foram o impulso financeiro que levou a entidade a se tornar milionária de uma vez por todas. Segundo a investigação americana, a brincadeira rendeu US$ 15 milhões a Teixeira e US$ 40 milhões à Traffic. Esse negócio foi alvo de uma CPI do Congresso brasileiro, mas a investigação terminou em pizza.

Ainda mais dinheiro entrou na conta corrente da empresa em 1999, quando a Hicks, Muse, Tate & Furst, parceira do Corinthians, comprou 49% da empresa brasileira. O grande negócio de Hawilla naquela época foi ajudar na criação e na divulgação do primeiro Mundial de Clubes da Fifa, realizado no Rio de Janeiro. Era detentora dos direitos de exibição da competição ao lado da TV Bandeirantes, que havia se tornado a sua parceira em 1998. Os tentáculos da Traffic estendiam-se do marketing esportivo para direitos de transmissão, organização de torneios e intermediação de contratos.

Quando o panorama do mercado de direitos comerciais começou a mudar e a concorrência cresceu, isso tudo aliado a uma profissionalização maior dos clubes, a empresa enfrentou alguns problemas e teve que se reinventar. Entrou no ramo de agenciar jogadores. O Desportivo Brasil foi fundado em 2005 para registrar os jogadores que a empresa contratava e emprestava às vitrines dos grandes clubes. Firmou uma parceria mais ativa, em 2007, com o Palmeiras, que culminou com o título do Campeonato Paulista do ano seguinte. Chegou a agenciar aproximadamente 90 jogadores, entre eles Darío Conca e Hernanes. Em 2010, colocou o pé na Europa ao comprar o Estoril Praia, de Portugal.

Novamente, pegava o vácuo do profissionalismo, mas o cenário novamente mudou. O polpudo contrato de televisão que os clubes assinaram em 2011 encheu os seus cofres, e o investimento da Traffic não era mais tão necessário. Mais uma reinvenção foi necessária, mas Hawilla já estava perdendo fôlego. Deixou o Brasil para morar nos Estados Unidos, em 2013, e deixou os seus negócios nas mãos dos filhos. Entre eles, além dos clubes e dos jogadores, as vendas dos camarotes do Allianz Parque e a comercialização dos direitos de torneios como a Libertadores e a Copa do Brasil.

Alguns anos antes, em 17 de maio de 2010, quando organizou uma festa gigante para comemorar os 30 anos da Traffic, foi tietado por Pelé, Ronaldo e Ricardo Teixeira. Recebeu a presença de Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab e Aloysio Nunes, à época a cúpula do PSDB paulista. Faturava nas centenas de milhões de dólares e estava com mais influência do que nunca. Mal sabia que os dias de glória estavam chegando ao fim. Com Hawilla exposto, assim como suas práticas, e a multa de quase R$ 500 milhões, é perfeitamente possível questionar qual será o futuro da Traffic, ou mesmo se ela ainda tem um. Querendo ou não, é um dos personagens mais presentes do futebol brasileiro nas últimas décadas.
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