terça-feira, 31 de março de 2015

Aí já é vandalismo...


Caiado vs. Demóstenes: duelo de gigantes

Caiado "oportunista e financiado por bicheiro" x Demóstenes "bandido". Esse é um duelo de gigantes. Eles se exibem na lama da hipocrisia. 

Ronaldo Caiado (DEM) é o senador valentão,conservador, que foi pra Paulista pedir "Fora PT",  usando uma camiseta que debochava de Lula por só ter nove dedos.

Os dez dedos de Caiado servem pra recolher favores do bicheiro Cachoeira, diz o ex-senador do DEM Demóstenes Torres - que também posava de "ético" na revista (sic) Veja, mas teve o mandado cassado porque se lambuzava nas águas turvas da Cachoeira.

Agora, com que roupa Caiado irá pra Paulista berrar "contra a corrupção"?

Demóstenes diz que Caiado perderá o mandado de senador. Quais segredos de Caiado serão revelados por Demóstenes?

Um bolo para Gilmar Mendes

Um bolo
Janio de Freitas

Santa embora, a próxima quinta-feira marca uma profanação constitucional: um ano exato do pedido de vista que Gilmar Mendes fez de uma ação direta de inconstitucionalidade e não mais a devolveu ao julgamento no Supremo Tribunal, impedindo-a de vigorar. Já vitoriosa por seis votos a um, os três votos faltantes não poderiam derrotá-la. 

A ação foi movida pela OAB em 2011, recebendo adesão subsequente de entidades como a CNBB, com o argumento de que as doações de empresas que financiam as eleições são inconstitucionais e devem ser substituídas por doações dos cidadãos, com um teto para o montante doado. 

Gilmar Mendes é favorável à permanência do financiamento dos candidatos e partidos por empresas. Sabe-se de sua opinião não só por ser previsível, mas também porque a expôs em público. Ainda há dez dias, dizia a repórteres: a proposta da OAB (Gilmar Mendes é costumeiro adversário da Ordem) "significa que o sujeito que ganha Bolsa Família e o empresário devem contribuir com o mesmo valor. Isso tem nome. Isso é encomendar já a lavagem de dinheiro. Significa que nós temos o dinheiro escondido e vamos distribuir para quem tem Bolsa Família. Não sei como essa gente teve a coragem de propor isso. Um pouco de inteligência faria bem a quem formulou a proposta". 

A explicação é ininteligível. "Essa gente", que é a OAB, é a CNBB, são outras entidades e inúmeros juristas, não propôs nada parecido com doações iguais de empresários e de recebedores do Bolsa Família. E lavagem de dinheiro e caixa dois são características comprovadas do financiamento das eleições por grandes empresas, com destaque para as empreiteiras e alguns bancos. O eleitor comum é que iria lavar dinheiro nas eleições? 

Em artigo divulgado no último dia 28, encontrável no saite "Viomundo", a juíza Kenarik Boujikian, do Tribunal de Justiça-SP, pergunta: "Quem de fato está exercendo este poder" de eleger os "representantes do povo" no Legislativo e no Executivo? "O povo brasileiro ou as empresas?". E segue: 

"A resposta está dada: nas eleições presidenciais de 2010, 61% das doações da campanha eleitoral tiveram origem em 0,5% das empresas brasileiras. Em 2012, 95% do custo das campanhas se originou de empresas" [2014 não está concluído]. "Forçoso concluir que o sistema eleitoral está alicerçado no poder econômico, o que não pode persistir." 

O PT pretende a solução do financiamento eleitoral com verba pública. E lá iríamos nós financiar o pouco que se salva e o muito que não presta na política. O PMDB quer o dinheiro das empresas, mas cada doadora financiando um único partido. O PSDB é contra as duas propostas, o que leva à preservação do atual sistema. No Congresso há projetos para todos os gostos. Daí a importância da ação no Supremo. 

Desde a reforma do Judiciário, há 11 anos, a Constituição aboliu o bloqueio de processos, como Gilmar Mendes faz a pretexto de vista de uma questão sobre a qual emite publicamente posição definida. Como diz a juíza Kenarik Boujikian, "não é tolerável que, com um pedido de vista, um ministro possa atar as mãos da instância máxima do próprio Poder Judiciário, o que soa ainda mais desarrazoado se considerarmos o resultado provisório [6 a 1] do processo e a manifestação do ministro. Com isto quero dizer que a soberania popular, que cada magistrado exerce em cada caso e sempre em nome do povo, não pode ficar na mão de uma pessoa, em um órgão colegiado". 

Gilmar Mendes desrespeita o determinado pelo art. 93 da Constituição porque não quer que se imponha a decisão do STF, como está claro em sua afirmação de que "isso é assunto para o Congresso". Mas, além do problema de sua atitude, a decisão do Supremo tem importância fundamental. Eduardo Cunha avisa que levará a reforma política à votação já em maio. O dinheiro das campanhas é um dos temas previstos. E a decisão do Supremo, se emitida em tempo, ficará como um balizamento que não poderá ser ignorado pela reforma política, uma vez que antecipará o que é ou não compatível com a Constituição. E, portanto, passível ou não de ser repelido pelo Supremo Tribunal Federal. 

Ronaldo Caiado é financiado pelo crime organizado, diz ex-senador Demóstenes Torres



Demóstenes afirma que Cachoeira financiou Caiado

Goiás247 - O procurador de Justiça e ex-senador cassado Demóstenes Torres acusa o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado, de ter sido financiado pelo contraventor Carlos Cachoeira nas campanhas que disputou à Camara Federal nos anos de 2002, 2006 e 2010. Segundo Demóstenes, as digitais da contravenção seriam facilmente identificadas com uma investigação nas contas de material gráfico, transporte aéreo e gastos com pessoal. As afirmações estão contidas em artigo publicado na edição desta terça-feira (31) do jornal Diário da Manhã, de Goiânia.

Demóstenes diz que Caiado era amigo de Cachoeira e médico do filho do contraventor, que recorre em liberdade de uma condenação de primeira instância a mais de 39 anos de prisão pela Operação Monte Carlo, deflagrada em 2012 e que resultou na cassação de Demóstenes e na CPI do Cachoeira, que não teve resultados concretos. "Ronaldo, fazia sim, parte da rede de amigos de Carlos Cachoeira, era , inclusive, médico de seu filho. Mas não era só de amizade que se nutria Ronaldo Caiado, peguem as contas de seus gastos gráficos, aéreos e de pessoal, notadamente nas campanhas de 2002, 2006 e 2010, que qualquer um verá as impressões digitais do anjo caído. Siga o dinheiro.

Demóstenes cita ainda um suposto "esquema goiano" que teria financiado a campanha do presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), e outros integrantes da chapa, que elegeu ao governo potiguar a então senadora Rosalba Ciarlini. "Caiado não ousou me defender, me traiu, mas, em relação a Agripino Maia, figura pouquíssimo republicana, disse que ele merece o benefício da dúvida. Poucos sabem, mas o político potiguar e seus companheiros de chapa em 2010 foram beneficiados pelo "esquema goiano", com intermediação de Ronaldo Caiado.

O senador cassado diz ainda que Caiado intercedeu em favor do delegado aposentado da Polícia Civil de Goiás, suposto operador de jogos ilegais, para que Cachoeira abrisse espaço para a ampliação de suas operações ilegais: "Ronaldo Caiado é chefe de um dos mais nocivos vagabundos de Goiás, o delegado de polícia civil aposentado Eurípedes Barsanulfo, que era o melhor amigo de Deuselino Valadares, o delegado de polícia federal que fez um 'relato', segundo Carta Capital, onde me acusava de ser beneficiário do jogo do bicho. Esse relato jamais apareceu oficialmente, mas serviu para que o PSOL dele se utilizasse para representar-me perante o Conselho de Ética do Senado. No final do ano passado, o jornal Diário da Manhã, de Goiânia , publicou uma matéria assinada em que acusa o dito delegado de ter forjado o documento a mando de um seu chefe político. Quem era ele? Ronaldo Caiado, todos sabem. Aliás, Eurípedes Barsanulfo, este sim, era prócer das máquinas caça-níqueis em Goiás. Ronaldo uma vez, inclusive, me pediu para interferir junto a Carlos Cachoeira para ampliar a atividade de Eurípedes no jogo ilícito."

Demóstenes faz críticas severas ao comportamento do ex-aliado, que qualificou-o como "grande decepção" à Coluna Radar, de Veja, o que terias motivado a reação: Ronaldo é um mitômano e tem um comportamento dúbio, às vezes tíbio, às vezes dissimulado. Na tribuna oscila. É sintomático o caso Garotinho. Ronaldo o acusa de formação de quadrilha, é o que está unicamente nas redes sociais; Garotinho o acusa de ser traíra por ter me abandonado; Caiado volta à tribuna e pede arreglo à Garotinho. Os dois últimos vídeos desapareceram das redes sociais."

E ainda mandou uma advertência: "Me deixe em paz, senador. Continue despontando para o anonimato. É o seu destino. Não me move mais interesses políticos. Considero vermes iguais a você Marconi Perillo e Iris Rezende. Toque sua vida, se fizer troça comigo novamente não o pouparei. Continue fingindo que é inocente e lembre-se que não está na sarjeta porque eu não tenho vocação para delator"

Laia a íntegra do artigo.

Ronaldo Caiado: uma voz à procura de um cérebro
Fiz uma opção íntima, à partir das turbulências que enfrentei , de permanecer em silêncio até que a justiça desse o veredito final e me aclamasse inocente, como de fato sou. Já obtive duas liminares no STF e uma no STJ, suspendendo os processos contra mim, porque, na verdade, fui vítima de um grande complô, que , ao final, será desnudado. Jamais desejei vir a público expor meu enredo antes que houvesse uma decisão definitiva sobre a licitude da prova contra mim forjada e mesmo sobre o conteúdo desta ,ou seja, não me recuso a enfrentar o mérito das escutas, ainda que elas sejam ilegais.

Sofri toda espécie de acusação, pilhagem intelectual e moral, deserções e contrafações, a tudo resisti porque as esvaziarei.

Mais que as decisões de instâncias superiores, há várias verdades iniludíveis. Jamais fui acusado de desviar qualquer centavo público: ninguém diz que roubei valores de estradas, pontes, hospitais, escolas... Nada.

Uma perícia realizada pelo próprio Ministério Público, e jamais oficialmente divulgada, assevera que eu poderia ter um patrimônio 11 por cento maior do que possuo; prova de que não há enriquecimento ilícito, que o apartamento que financiei junto ao Banco do Brasil teve todas as parcelas pagas em débito de conta corrente, cujo único abastecimento é o salário que percebo e com mais 27 anos de prestações restantes. A insinuação de que tinha conta corrente no exterior sucumbiu, nada sequer passou perto de ser comprovado e nas garras da imprensa continuo, vez por outra, sendo arranhado. Aliás, todos os membros do Ministério Público que me molestam têm um padrão de vida superior ao meu e muitos com gostos idênticos. Não os acuso de nada, mas por que então o que eles possuem é legal e o que eu tenho não?

A acusação que pesava contra mim era ser amigo de Carlos Cachoeira. Era não, sou. Não vivo como Lula e José Dirceu, nem como um monte de hipócritas. Não devo e não temo.

Clamei da tribuna, que me investigassem, que me dessem o direito de defesa e do contraditório, tudo em vão. Em um processo sumário fui execrado e humilhado, o que não acontece com os parlamentares envolvidos na operação lavajato , que contribuíram para o desvio de bilhões de dólares dos cofres da Petrobras. O PT e os governistas me enxovalharam no intuito de melar o julgamento do mensalão. O PSDB resolveu salvar Marconi Perillo, que gastou uma fortuna dos cofres públicos para custear sua absolvição. Os "éticos" do Senado viram uma oportunidade para se livrarem de quem os retirava do noticiário cotidiano nacional. O Judas Ronaldo Caiado reinventou a tese de que não existem traições de pessoas e sim de princípios e que para isso estava autorizado a qualquer coisa com algum alcance moral, inclusive trair, à semelhança de Hitler, Mussolini, Stalin e tantos outros degenerados. Viu aí uma oportunidade para soerguer-se politicamente. Bastava afundar-me no buraco e, prazenteiramente, o fez.

Hoje, lamentavelmente, saio do ostracismo a que me tinha recolhido para enfrentar declarações dadas ao "painel" da revista Veja, em que o senador por Goiás, Ronaldo Caiado, afirma que sou uma grande decepção em sua vida e um traidor.

Confesso que surpreendi-me. Ronaldo fez uma campanha em que aproveitou meu número, 251, e o meu slogan "defender Goiás". Jamais fez qualquer pronunciamento sobre mim, mesmo na presença de correligionários seus que às vezes me atacavam entendendo que isso granjearia votos junto à claque.

Nesse período, mandou vários recados na tentativa de "tranquilizar-me", sem obter resposta e num dia, quando não era ainda candidato, encontrou-me num estabelecimento comercial chamado "Jerivá", quando eu saía do banheiro, e tentou conversar comigo, bem risonho, o que mereceu uma esquiva de minha parte.

Ronaldo é um mitômano e tem um comportamento dúbio, às vezes tíbio, às vezes dissimulado. Na tribuna oscila. É sintomático o caso Garotinho. Ronaldo o acusa de formação de quadrilha, é o que está unicamente nas redes sociais; Garotinho o acusa de ser traíra por ter me abandonado; Caiado volta à tribuna e pede arreglo à Garotinho. Os dois últimos vídeos desapareceram das redes sociais.

Mas, enfim, Caiado se passava como uma espécie de irmão mais velho pra mim, falava da afinidade de nossas teses, que era um conservador não beligerante, pra isso não poupando sequer seus antepassados, e que desejava um futuro liberal para o Brasil.

Ronaldo, fazia sim, parte da rede de amigos de Carlos Cachoeira, era , inclusive, médico de seu filho. Mas não era só de amizade que se nutria Ronaldo Caiado, peguem as contas de seus gastos gráficos, aéreos e de pessoal, notadamente nas campanhas de 2002, 2006 e 2010, que qualquer um verá as impressões digitais do anjo caído. Siga o dinheiro.

Caiado não ousou me defender, me traiu, mas, em relação a Agripino Maia, figura pouquíssimo republicana, disse que ele merece o benefício da dúvida. Poucos sabem, mas o político potiguar e seus companheiros de chapa em 2010 foram beneficiados pelo "esquema goiano", com intermediação de Ronaldo Caiado.

Ronaldo Caiado é chefe de um dos mais nocivos vagabundos de Goiás, o delegado de polícia civil aposentado, Eurípedes Barsanulfo, que era o melhor amigo de Deuselino Valadares, o delegado de polícia federal que fez um "relato", segundo "Carta Capital", onde me acusava de ser beneficiário do jogo do bicho. Esse relato jamais apareceu oficialmente, mas serviu para que o PSOL dele se utilizasse para representar-me perante o conselho de ética do Senado. No final do ano passado, o jornal Diário da Manhã de Goiânia , publicou uma matéria assinada em que acusa o dito delegado de ter forjado o documento a mando de um seu chefe político. Quem era ele? Ronaldo Caiado, todos sabem. Aliás, Eurípedes Barsanulfo, este sim, era prócer das máquinas caça-níqueis em Goiás. Ronaldo uma vez, inclusive, me pediu para interferir junto a Carlos Cachoeira para ampliar a atividade de Eurípedes no jogo ilícito. Simplesmente, disse a ele, como era verdade, que desconhecia a prática de ilicitudes por parte de Cachoeira.

Ronaldo Caiado é um oportunista. Muitos que vivem fora de Goiás devem imaginar que ele é um coerente, uma figura emergida dos anseios das ruas, um puritano. Qual o quê! Na atividade política é um profissional de lupanar. Dois fatos podem elucidar seu caráter de Fouché. No primeiro, em 2006, Caiado me incentivou a ser candidato a governador. Quando minha candidatura fez água, ainda em agosto, ele pode ser visto acompanhando tanto o candidato Maguito ,quanto o outro, Alcides. No pior declínio moral, chegou a ser filmado no palanque da candidata Vanusa Valadares, mulher do hoje prefeito Eronildo Valadares em Porangatu. Portanto, quadrúpede que é, tinha suas patas, simultaneamente, em 3 canoas.

Ano passado sua degradação se expandiu. Ronaldo Caiado ,no afã de ser candidato a Senador ao lado de Marconi Perillo, foi atrás de Aécio Neves e Agripino Maia(este dependente financeiro de Perillo) para que eles compusessem a chapa com coerência nacional, apesar de todo histórico de desavenças com o carcamano. Um pouco mais vexatório, mandou a própria esposa num evento na cidade de Americano do Brasil, onde a apedeuta, além de usar a palavra, pregou o voto em Perillo, alegando que ele era um grande estadista e que esperava sua reeleição para o bem de Goiás. Relembre-se: quem teve negócios com Cachoeira foi Perillo, eu não.

Resumo da ópera: o tenor recusou os apelos da mezzosoprano e mandou o barítono procurar rumo. Ronaldo acabou nos braços de Iris Rezende a quem tinha acusado ,toda a vida, de ser um corrupto diante do qual os demais se afigurariam "trombadinhas".

Nessa sua linha vesga de assinalar uma coisa e fazer outra, Ronaldo Caiado deseja a extinção do DEM a fim de se filiar ao PMDB de Íris Rezende por um motivo muito simples: ambiciona estar em uma agremiação que lhe dê estrutura para disputar o governo de Goiás. Na fusão do DEM com o PTB irá para o PMDB, possibilidade constitucionalmente aceita de adesão partidária. Irá, oficialmente, se opor. Parecerá até o fim um coerente, um habanero puro. Seguirá as ordens de seu chefe político ACM Neto, que financiou sua última campanha em Goiás e que lhe assegurou, caso perdesse a eleição, o confortável posto de secretário de saúde em Salvador, em cuja região Caiado costuma passar suas férias às expensas da empresa OAS.

Quem pensa que Ronaldo Caiado é espontâneo se engana. Tudo é meticulosamente calculado. Por que ele não veio para as ruas de Goiânia na passeata e preferiu São Paulo? Porque em Goiânia seria vaiado. E por que São Paulo? Porque era mais fácil de mentir. O desafio a mostrar uma filmagem dele no meio dos manifestantes na avenida Paulista em São Paulo. Só aparecem coisas periféricas. Tirou uma fotografia com uma camiseta fascista - não porque Lula não mereça vaias, as merece mais que os demais- e deu motivos para uma gritaria justa em favor de um injusto. Como é do seu caráter, estava simulando caminhar na passeata. Nesse aspecto , se assemelha ao Deputado Federal goiano Giuseppe Vecci que participou da passeata em Goiânia por ser um ilustre desconhecido, apesar de eleito. Ironia: Vecci desfilou porque é uma nulidade da sombra, Caiado se absteve por ser uma do sol. Parece que o tesoureiro-mor,Jaime Rincon, chefe da agência goiana de obras públicas, também fez evoluções pela passarela.

Ronaldo Caiado foi um dos relatores da reforma política na Câmara dos Deputados, sempre alegou que sua motivação era a coerência política, que a prática demonstrou não ser o seu forte. Ele diz que gostaria de ter um embate com Lula na eleição pra presidente da república. Eu acho que seria ótimo, os dois se equivalem moralmente. Um já foi desmascarado , o outro poderá sê-lo amanhã.

Um dia, no meu escritório político no setor sul, em Goiânia, houve um telefonema entre Ronaldo Caiado e o hoje conselheiro do Tribunal de contas dos municípios de Goiás, Tião Caroço. Este trazia uma notícia que transtornou o Senador, que disse então aos berros: "avisa ao Marconi que eu vou resolver com ele da forma que ele quiser, no braço, na faca, no revólver". Esse episódio se tornou público e gerou os maiores desgastes para o fanfarrão, que pra minha surpresa repeliu tudo. Um dia, me contando a história, negou que havia falado isso, se esquecendo que eu era a testemunha ocular.

Pois agora, Ronaldo Caiado, quero ver se você é homem mesmo. Nos mesmos termos que você mandou oferecer ao frouxo Marconi Perillo, eu me exponho.

Me lembro da veneração ,que quando criança, meu pai tinha pelo grande Emival Caiado e pelo seu pai o advogado Edenval Caiado, que se envergonharia de ver que um filho seu foge à luta.
Você diz em seus discursos que Caiado não rouba, não mente e não trai. Você rouba, mente e trai.
Talvez o meu silêncio tenha sido entendido por você como um sinônimo de covardia, de pusilanimidade. Essas palavras não existem no meu dicionário. Não posso dizer que você seja um mau-caráter, pois você simplesmente não o possui. É , na verdade, um espécie de Zelig oportunista e bravateiro.

Você deveria ir pra Brasília em seu cavalo branco, estacioná-lo na chapelaria do Senado e subir à tribuna para fazer o que já faz: relinchar, relinchar.

Me deixe em paz Senador. Continue despontando para o anonimato. É o seu destino. Não me move mais interesses políticos. Considero vermes iguais a você Marconi Perillo e Íris Rezende. Toque sua vida, se fizer troça comigo novamente não o pouparei. Continue fingindo que é inocente e lembre-se que não está na sarjeta porque eu não tenho vocação para delator. Tome suas medidas prudenciais e faça-se de morto.

Ano passado deu-se o centenário do nascimento de Carlos Lacerda e uma horda de hipossuficientes passou a rotular a qualquer um de lacerdista, que para eles é apenas alguém estridente e barulhento. Ronaldo Caiado diz que se inspira em Lacerda.Mentira, Lacerda foi tradutor de Shakespeare, foi o primeiro brasileiro a romancear um quilombola, falava e escrevia como um clássico. Demoliu presidentes e adversários. Eleito governador foi sem sombra de dúvidas o melhor gestor da Guanabara. Ronaldo Caiado jamais conseguiu terminar de ler um livro. Por sua formação francesa, o mais perto que chegou do fim foi" o menino do dedo verde" , mas o achou muito "profundo". 

Ronaldo Caiado é só uma voz à procura de um cérebro.

Demóstenes Torres é ex-senador e procurador de Justiça

Parlamento de espoliação

 
Vladimir Safatle

"Nobres deputados, digníssimos senadores. Estamos em um limiar da história nacional. Chegou o momento de assumirmos a responsabilidade à qual somos conclamados pelas ruas e dizer ao país que eis que se projeta o fim do presidencialismo de coalização. Raiz de todos os males da governabilidade de nossa pátria, este presidencialismo morreu de inanição" (aplausos, aplausos). 

"O país pede mais ousadia, mais vigor e lideranças ilibadas (neste momento, um popular grita: "Mas o senhor é diretamente indiciado no escândalo da Petrobras". No que os seguranças do Congresso dão um jeito de tirá-lo rapidamente de cena, à custa de alguns hematomas. Parlamentares gritam: "Respeite esta Casa"). Como estava dizendo, o país pede mais ousadia, por isto proclamo o fim do presidencialismo de coalização e o início de uma nova era: a era do parlamentarismo de espoliação" (fortes aplausos e choro de comoção no plenário). 

"Sim, aproveitemos da fraqueza congênita do governo para passarmos as pautas que realmente interessam este país. Viagem para mulheres de deputado subsidiada pelo dinheiro público, triplicação da verba de custeio de partidos, R$ 10 milhões em emendas para os novos parlamentares em pleno ano de recessão, reforma política que coloque, de uma vez por todas, o fantasma da participação popular direta para longe de nossas terras. É isto que o povo quer." 

"Para diminuir a pressão que os inimigos da pátria podem querer fazer contra nossa legítima espoliação, lembremos ao povo que o caos espreita nosso país. As famílias não sabem mais o que são famílias. O Estado precisa explicar à sociedade qual é o conceito de família. A ditadura gay atinge até mesmo nossas novelas. Gays, nobres deputados e senadores, querem ter os mesmos direitos que nós (alguém grita: "O sangue de Jesus tem poder", "Sai, Satanás"). O cidadão de bem clama pela redução da maioridade penal, por uma lei contra o terrorismo. O deputado Bolsonaro, aquele que diz que só estupra mulher que merece, será nosso relator." 

"Quem se volta contra o Parlamentarismo de espoliação se volta contra a democracia. Pois fomos eleitos pelo povo, mesmo que, em vários Estados, mais de um terço da população não votou para o Congresso Nacional ou que, segundo o Instituto Data Popular, 75% da população diz não confiar nos candidatos a deputado federal da última eleição, e 65% não confiar nos candidatos ao Senado." 

(Fim do terceiro ato. Alguém diz ter visto dois urubus em cima de um edifício no cerrado. Mas, na verdade, era uma instalação de Nuno Ramos). 

segunda-feira, 30 de março de 2015

Lama e sangue


Está uma confusão tão grande que a gente já não sabe quem é corrupto e quem também é.

Registro uma declaração do professor da PUC-SP, economista e consultor na ONU Ladislau Dowbor: “(O ataque à Petrobras) faz parte da mesma guerra que levou à invasão do Oriente Médio e às tentativas de desestabilizar a Venezuela, outra fonte de petróleo. No nosso caso, é o pré-sal que desperta o interesse internacional, apoiado por forças locais.” O grifo é meu. As tais “forças locais” lutam, como já fizeram na privataria selvagem, roubalheira nos trens metropolitanos de São Paulo e sucateamento das empresas estatais, contra os interesses do povo brasileiro. Agora, manobram criminosamente pela volta da inflação. Retiraram, em operação de guerra, a Petrobras do índice Dow Jones, como se aqueles ladrões tivessem algo a ensinar. Quebraram o mundo, na monstruosa fraude de 2008, e ninguém foi preso.

Dito isso, meu abraço a Cid “Charise” Gomes, pela dança de pontapés contra os achacadores. É isso aí, mesmo: “Larguem o osso!” Poderia ter acrescentado: “Não cuspam no chiqueiro em que rebolam, não chutem as tetas em que mamam, porcos!”, etc etc.

Também dei uma olhadinha na folha corrida do — me faz até gaguejar — Cucunha: foi aliado de Bumbum Garoto e seus pastores. Brigaram. Pulou com a varinha para a presidência da exemplar Telerj, envolveu-se com fundos de pensão, Furnas, Eletrobras, mutretas na hidrelétrica de Serra do Facão, rolos na também modelar Cedae, e enfiou os chifres numa jogada em Angra com traficantes colombianos. Dá-lhe, Cucunha. É o cara!

Passemos ao Exmo. Juiz Moro. Sr. Juiz, não tema uma Wanderléa barbuda e careca gritando “Pare, agora!” Também acho “assustador que Duque receba propina durante a Lava-Jato”. Quanto ao confisco de 130 obras de arte do suspeito, data venia, nunca vi confiscarem CHONGAS de Mamaluf. A primeira vez em que li sobre a possível prisão desse lídimo representante da classe política foi em 1991!!! Em todo caso, um abraço sincero por ter visto indícios de tucanos envolvidos com propinas. Quebrou o tabu...

Tucanos não diferem tanto assim de seus pares. Até os filhos fora do casamento deram bafafá — embora, justiça seja feita, Lula e Réu-nan não tenham perseguido profissionalmente a mãe da criança gerada, como fez gente educadééééérrima... Coragem e isenção, Sr. Juiz!

Sobre as contas de brasileiros no HSBC, é curioso que recebam tanto destaque enquanto o estrondoso escândalo do próprio banco, 180 bilhões de dólares (por baixo, muito por baixo), não, hum, se distribua pelo espaço que merece.

E ainda temos que aturar o senadô ex-(são sempre ex) comunista Aloysio “Menopausa” Nunes querendo o sangue de Dilma. É considerado o pitbullshit tucano. Lulu Menopausa deve protagonizar a nova série “Crepúsculo — O apodrecer”. Vai de Viagra, senadô! Os lugares secos recebem o tal sangue ansiado, pinta a saudosa ereção e o furor melhora.

Não desesperem. Como diz meu neto Pedro: “O Polenguinho agora abre mais fácil”.

Aldir Blanc é compositor

Líder das manifestações coxinhas é um parasita financeiro


O líder do Vem Pra Rua não é um "cidadão comum" indignado contra o governo, mas um agente do sistema financeiro que atua pela destruição da economia brasileira

O fundador do Movimento Vem Pra Rua, principal organização da direita nas manifestações pela derrubada da presidente Dilma Rousseff (PT), Rogério Chequer, tratado pela imprensa burguesa apenas como empresário, é um parasita do sistema financeiro. Antes de aparecer nos comícios do PSDB em 2014 e nas manifestações neste ano, o dito empresário morava nos Estados Unidos e viva de especulação em fundos de investimento, junto a bilionários norte-americanos.

Atualmente, o líder do Vem Pra Rua se apresenta como dono da empresa SOAP, que seria especializada em ensinar a criação de apresentações de slides para executivos. Vendo o seu histórico, no entanto, é difícil imaginar que se limite a isso. Chequer foi sócio até 2011 da Atlas Capital Manegment, empresa de especulação que gerenciava fundos hegde, investimentos parasitários de alto risco, junto com David Chon e Harry Kretsky.

Entre os fundos, o Discover Atlas Found US$ 115 milhões em ativos, de acordo com o site Institutional Investitor. Rogério Chequer também foi sócio do bilionário da lista da revista Forbes, Robert Citrone, em outro fundo, de nome similar, Discovery.

Não é por acaso que o líder, como boa parte dos apoiadores das manifestações que visam a derrubada da presidente, seja um especulador. O setor financeiro é um dos maiores interessados nesta operação e nas mudanças que já apontam para depois deste processo. A privatização da Petrobras, uma das principais bandeiras, será feita para garantir o repasse dos lucros desta empresa para os especuladores, retirando qualquer retorno que possa haver para a população do país.

O setor financeiro está todo jogando contra o país. Estão retirando os investimentos da Petrobras e de outras empresas nacionais, um fator importante para a subida do valor do dólar frente ao real. Esta é a mesma atuação que têm em outros países cujo governo querem derrubar, como na Venezuela e na Argentina.

A atuação de Chequer como parasita financeiro só reforça o caráter burguês das manifestações da direita. Quem está organizando, propagandeando e saindo às ruas pela derrubada do governo nada tem a ver com o nacionalismo que pintam de verde e amarelo, mas é a expressão dos interesse do imperialismo no país.


A esquerda está sem liderança


"A esquerda perdeu a capacidade de liderar"

Mais original teórico da paralisia decisória que levou ao golpe de 1964, Wanderley Guilherme dos Santos não tem dúvidas de que o país vive um grave crise política pela corrosão do que chama de 'poder causal' das instituições. Credita esta erosão à perda da capacidade da esquerda de capitanear o centro e diz que a crise só será superada pelas lideranças políticas: "É a hora da virtude".

Na semana passada, ao receber o Valor em seu apartamento em Ipanema, repleto de telas do mais velho de seus três filhos, Juliano, Wanderley Guilherme rompeu um silêncio a que se impôs desde o início do 'petrolão'. Um dos intelectuais que mais se expuseram na defesa da tese do mensalão como caixa 2, desta vez Wanderley Guilherme não tem dúvidas. Com a serenidade de quem se aproxima dos 80 anos, é taxativo: "O banquete de escândalos servidos diariamente à direita não justifica a solidariedade em relação a bandidos".

O autor do premonitório "Quem dará o golpe no Brasil?" (1962) diz que mudanças podem acontecer se o PT se cansar de sangrar e exigir mudanças na política econômica e no governo.

A seguir, a entrevista:

Valor: A esquerda tem criticado o caráter elitista das manifestações. Esta crítica não ignora a capacidade de a classe média que sai às ruas galvanizar uma insatisfação que a extrapola?
Wanderley Guilherme dos Santos: As manifestações do dia 15 são resultado de circunstâncias contemporâneas e desaguadouro de condicionantes que vêm se acumulando. Divirjo profundamente da opinião majoritária da esquerda. Está equivocada no diagnóstico, na interpretação do passado recente e nas suas propostas. A começar pelo fato anedótico de reclamar da direita por estar ela se comportando como direita sem procurar entender o que a levou a uma mobilização como em décadas não havia. Supondo que tenham sido apenas manifestações de direita - e não o foram - o que me importa é que a direita está liderando o centro.

Valor: Isso não acontece desde quando?
Wanderley Guilherme: Com sucesso, isso não acontece desde 1964. Depois da ditadura a direita ficou isolada do centro e, por isso, não conseguia colocar ninguém na rua. O movimento 'Cansei', por exemplo, foi patético. Agora não. É preciso reconhecer que as convocatórias da direita têm tido muito mais sucesso do que as da esquerda.

Valor: Por que a esquerda perdeu essa capacidade mobilizar?
Wanderley Guillherme: A partir da eleição de Lula a esquerda vem cometendo dois sérios erros, de diagnóstico e perspectiva. Um deles foi a bandeira da reforma política, o outro é a visão sobre o PMDB. Assim que foi aprovada a Constituição de 1988, os conservadores começaram a combatê-la com a bandeira do parlamentarismo e voto distrital. Por trás do trabalho de desmoralização, havia não apenas a concepção de regresso dos conservadores, como também o preconceito contra a política e a má qualidade da representação. Veio daí o discurso da reforma como se os códigos eleitorais filtrassem caráter. Esse sentimento antipolítico que desde sempre é da classe média conservadora foi absorvido pelo PT no seu nascedouro.

Valor: E no que a adesão do PT à bandeira da reforma política levou esse povo todo para a rua?
Wanderley Guilherme: Essa concepção de que há alguma coisa errada na política que tem que ser resolvida por uma reforma foi alardeada pelo PT sobretudo depois da ação penal 470. Como escapismo. Incorreu no erro ao cubo de defender uma assembleia constituinte exclusiva. De onde é que eles imaginam que viriam os eleitores e os candidatos dessa constituinte? Vão buscar eleitores na Suécia e constituintes na Islândia? Essa bandeira acabou entrando na cultura política do país. De tal modo que tanto nas passeatas do dia 13 quanto naquelas do dia 15 todos se diziam favoráveis a uma reforma política sem fazer ideia do que significa. Isso intoxicou a opinião do público educado com a ideia falaciosa e ilusionista de que os problemas existentes no país são consequência automática das instituições políticas. Isso é falso e fraudulento. Leva as pessoas a não terem mais respeito nem se sentirem mais responsáveis pelas estruturas existentes.

Valor: O PT foi engolido pelo seu próprio discurso?
Wanderley Guilherme: Sim, foi engolido pelo discurso conservador, dada sua origem comprometida com a ideologia da classe média ascendente. Não quero ser reducionista, mas o fato de ter surgido dentro de uma ditadura, quando a política era um mal, contribuiu para o PT ter uma concepção absolutamente virgem, angelical e juvenil de quem nunca fez política na vida.

Valor: É nesse sentido que o PT e o PSDB viraram as duas metades de uma mesma laranja?
Wanderley Guilherme: Talvez. O PSDB, como a UDN, faz política porque não tem outro jeito. O que não quer dizer que as lideranças sejam autoritárias, mas a base de sustentação eleitoral do conservadorismo topa o autoritarismo numa boa. Pode enjoar, sobretudo se sofrer, mas topa. Isto contribuiu para um ruptura da respeitabilidade entre a opinião pública de todos os matizes e as instituições. O PT colaborou insistentemente para isso. Chegamos ao ponto em que, depois de todo esse desgaste, o poder causal das instituições está erodindo. O grau de indeterminação está muito elevado. Não se sabe mais se as instituições vão produzir o que se espera delas.

Valor: E o sr. acredita que foi a expectativa gerada em torno da reforma política que gerou isso?
Wanderley Guilherme: São expectativas que fazem com que qualquer coisa que aconteça seja insuficiente. Não se sabe como o Congresso vai se comportar daqui para frente. O poder causal da medida provisória, por exemplo, não está funcionando. Não acredito que quem organiza essa esterilização do Executivo a partir do Legislativo tem condições de fazer com que a instituição funcione com poder causal.

Valor: Mas no Judiciário esse poder causal não está funcionando?
Wanderley Guilherme: No Judiciário também não se sabe muito bem o que vai acontecer. Não dá para julgar o comportamento que os ministros terão a partir de como se comportaram no passado. Eles mudam de opinião. As instituições são preditivas. Mas nem isso está acontecendo.

"O despachante é o Fernando Baiano da classe média, cuja corrupção só difere daquela da empreiteira na escala"

Valor: Por que todos os partidos aderem de maneira tão inequívoca ao discurso da reforma política?
Wanderley Guilherme: Por que assim eles se safam. 'O problema não sou eu é a lei eleitoral' é um discurso ótimo para a elite política. É inominável do ponto de vista do amadurecimento político de um povo que uma liderança faça essa propaganda sistemática. Eles, no fundo, sabem que não é isso. Não é por causa do sistema eleitoral que os deputados do PT até agora indiciados receberam propina de empreiteiras benevolentes que os queriam premiar com facilidades para a campanha. As empreiteiras não roubaram para fazer benesses. Corromperam a classe política para roubar. O que é muito diferente.

Valor: O sr. disse que o PT também se equivocou em relação ao PMDB, mas o partido não tem sido um entrave?
Wanderley Guilherme: O PMDB foi, mais uma vez, na esteira desse preconceito antipolítico, apontado como o mal do parlamento, por fisiológico e clientelista. Essa antipatia foi absorvida pelo PT ao ponto de convidar o PMDB na vice e montar uma estratégia para sua liquidação. O Executivo está recebendo o que plantou tanto na reforma política, que está sendo liderada pelo PMDB,  quanto no resto. Que seja bonito ou feio este centro é o que temos. E o que você tem que fazer é liderar o PMDB e domesticá-lo para que o partido se comporte de acordo com sua pauta de valores e não aliená-lo e colocá-lo no campo oposto. O PT não aguenta o rojão nem é tão puro assim. Como também não o são seus aliados PP e PR. Aliás, o governo continua cheio de bandidos como todo mundo sabe.

Valor: Essa fixação no PMDB oculta a falência do PT em lidar com a corrupção?
Wanderley: Do PT e da sociedade. Os problemas burocráticos que há no país se resolvem com despachantes. O despachante é o Fernando Baiano da classe média. É ele quem é o intermediário dos ilícitos e dos bodes colocados pela burocracia. A população não vê isso como corrupção. A passeata de 15 de março era de profissionais liberais, médicos, advogados, dentistas, desenhistas, eletricistas. Todos sonegadores. Não difere da corrupção da empreiteira. É parte de uma cultura política atrasada, da qual ninguém está livre.

Valor: Mas não há uma diferença de escala?
Wanderley Guilherme: Essas relações espúrias foram ficando mais complexas. Na Primeira República o ilícito era interferir para nomear o juiz de paz, a professora e o delegado. Depois veio o empreguismo e a política da caixa d'água. Com o Plano de Metas de JK abriu-se possibilidade para um tipo de ilícito de muito maior porte nas obras públicas. Não tenho a menor dúvida de que muitas obras custaram mais do que deviam. As oportunidades aumentaram consideravelmente. E isso continuou com as obras faraônicas da ditadura e teve um impulso nos últimos 12 anos com desenvolvimento puxado por grandes obras de todo tipo, hidrelétricas, pré-sal.

Valor: Dito assim, a corrupção não parece inevitável?
Wanderley Guilherme: Não estou dizendo que esse é um problema do capitalismo, mas da escassez. Há tribos que roubam mulheres. Na União Soviética as estudantes universitárias se prostituíam por um jeans. Onde há um bem escasso há problemas de comportamento fora das normas vigentes. Não estou dizendo que seja inevitável, tem que prevenir e punir.

Valor: Mas não é isso que o Judiciário está demonstrando?
Wanderley Guilherme: Sem o Ministério Público o que aconteceu na Petrobras não teria como ser descoberto. O que eu reclamo dos procuradores é que eles existem desde a Constituição de 1988 com plenos poderes, mas foram negligentes antes de o PT chegar ao poder.

Valor: O procurador-geral que não era escolhido entre os mais votados influenciou nisso?
Wanderley Guilherme: Era o período do [Geraldo] Brindeiro, que engavetava tudo, mas eles têm autonomia. Não foi o [Rodrigo] Janot quem fez a Lava-Jato, foram os procuradores com um juiz. Janot só soube depois. Deixaram o problema se avolumar. O procurador é o vigia desse negócio, e não o sistema eleitoral.

Valor: Não foi uma sociedade mais vigilante que produziu esse MP mais ativo?
Wanderley Guillherme:
Acho que temos sido, na verdade, lenientes. Se você ficar um mês numa repartição você sabe onde tem problema. Qualquer chefe de seção da Petrobras sabia da corrupção. É impossível não saber, mas é preciso não transformar isso na epistemologia do crime. Saber não implica cumplicidade. O problema não é saber ou não saber. O problema é o fato. A cultura política brasileira é muito a favor da delação e despreza o delator. Ninguém faz nada pela absoluta inconsequência da denúncia.

Valor: É aí que tem uma insuficiência institucional, na proteção de quem delata?
Wanderley Guilherme: Veja que isso não tem nada a ver com o sistema eleitoral. As ouvidorias ainda são muito fajutas. Nos Estados Unidos o governo chega até a pagar a quem denuncia certos crimes. Não protegemos os bons funcionários dos ladrões. Todo o sistema produtivo, do privado ao estatal, tem problemas. Agora não tenho dúvidas de que, quando começou o problema da Petrobras o Executivo tinha que ter ampliado a investigação para todo o governo.

Valor: Mas isso não comprometeria o projeto de poder do PT?
Wanderley Guilherme: Não sei, mas o partido não seria o sócio disso que está acontecendo. Não tem obra pública no Brasil que não esteja contaminada. Não sei quem são os Pedro Barusco e Paulo Roberto Costa de outras instituições mas não tenho dúvida de que existem. Ficaria felicíssimo se descobrissem. O banquete de escândalos servidos diariamente à direita não justifica solidariedade ou hesitação da esquerda em relação a bandidos.

"Criou-se uma oportunidade favorável ao aparecimento de um oportunista competitivo em 2018"

Valor: Sem mudar a cultura das corporações uma reforma do financiamento de campanha, por exemplo, vira letra morta?
Wanderley Guilherme: As pessoas esquecem que toda legislação positiva indica, subliminarmente, os meios de transgredi-la. A questão está na prevenção e punição, que, por sua vez, também indicarão subliminarmente os meios. Ou seja, independente do valor abstrato das leis, a vigilância e repressão de ilícitos devem recair sobre seus operadores. Agora tem um problema aí que é o marketing eleitoral. Não dá mais para aceitar uma campanha sem teto de gastos.

Valor: Um teto implica também em mudança de formato...
Wanderley Guilherme: Não precisa fazer show. Esses marqueteiros não sabem nada de politica. É um absurdo que integrem o conselho político da Presidência. João Santana fez uma campanha cara e ruim que quase derrotou Dilma. Coisa de mau gosto, mórbida, com aquelas pessoas no caminhão se vendo no passado. Dilma ganhou por diferença muito pequena em grande parte pela militância que se assustou com a chance de derrota e foi às ruas.

Valor: O sr. aponta uma falta de liderança na esquerda para reverter esse rumo tomado pelo governo. Lula não é mais uma liderança?
Wanderley Guilherme: Não como era. Ele entrou nesse desgaste geral. Em parte por culpa dele que fica falando o tempo todo que a política não vale nada. O que não quer dizer que tudo esteja perdido, mas ele perdeu muito. Isso tem que ficar claro. Suas convocatórias já não são atendidas como antes. Permitiu que o centro passasse a ser liderado pela direita. A esquerda está sem liderança. Não se pode deixar de reconhecer a surpresa que foi o início de governo. Uma completa mudança do que foi dito até o último comício. Foi um choque.

Valor: Foi esse choque que liquidou a capacidade de a esquerda liderar?
Wanderley Guilherme: Sem dúvida. Acho que a presidente não tem mais liderança. Houve uma ruptura muito grande entre a base social da esquerda e sua liderança. Ruptura essa que tenho dúvidas de que consiga recuperar. Não adianta o que a presidente faça que a direita não vai ficar quieta. Gostou do jogo, como se diz no futebol.

Valor: O jogo não é derrubá-la?
Wanderley Guilherme: Só se algo de extraordinário acontecer. Sem o PMDB não se derruba ninguém. O partido é a fiança do não-impeachment.

Valor: Com uma esquerda acéfala seu ciclo caminha para o fim?
Wanderley Guilherme: Não sei. Essas lideranças atuais acredito que sim. O que não significa que não haja perspectiva à esquerda. O PT pode cansar de sangrar e exigir mudanças na política econômica e no governo. Pode apelar ao instinto de sobrevivência mas vai depender da luta interna. Se o partido se consumir nela, que é irrelevante, não terá condições de reagir.

Valor: O sr. classificou o mensalão de julgamento de exceção, depois dele não haveria outro igual. O petrolão não é um desdobramento?
Wanderley Guilherme:
O mensalão, de fato, caixa 2 com muito desvios. Na Petrobras o que houve foi roubo com formação de cartel, aditivo e licitação manipulada. Para isso, eles têm que comprar político. O caixa 2 não é compra de político. Lá houve condenações sem prova e teses absurdas como a do domínio do fato ou a do [Carlos] Ayres Brito que o réu tem que provar que não sabia. Agora não precisa mais violentar a lei.

Valor: O que pode vir de um país em que o único poder com causalidade é o Judiciário?
Wanderley Guilherme: Espero que o sistema se recomponha a partir do Executivo, colocando criminoso para fora do governo. Isso não compromete as instituições. Por outro lado, não vejo a oposição ir além da batucada. O governo está executando o programa deles. O que é o PSDB hoje? Um túnel no fim da luz.

Valor: Se o PSDB não tem capacidade de canalizar insatisfações como a do dia 15 quem o fará?
Wanderley Guilherme: É hora de aparecer um oportunista.

Valor: Joaquim Barbosa?
Wanderley Guilherme: Pode ser. Um oportunista capaz de galvanizar direita e esquerda. Acho que não é jogo para Marina. Esse negócio colocou todo mundo sub judice. É uma situação favorável ao aparecimento de oportunistas competitivos. Se serão capazes de levar essa insatisfação a algum lugar é outra questão mas não tenho dúvidas de que 2018 não será só PT e PSDB.

Valor: A conjuntura é comparável àquela que se sucedeu à operação 'Mãos Limpas' na Itália que deu lugar a Silvio Berlusconi?
Wanderley Guilherme: Não conheço nem gosto de comparar. São as forças telúricas de nossa política que definem. Nosso problema é complicado porque a liderança da oposição é fraca. Os conservadores atuais são medíocres e agressivos no vocabulário. A esquerda também é, mas para quem precisa competir e mostrar a diferença tem que ter mais. As pessoas podem ter um papel causal que as instituições perderam. É o momento da virtude.

Valor: E o sr. distingue lideranças virtuosas nesse processo?
Wanderley Guilherme: Não, todos perdem capital aceleradamente.


Bíblia secreta - parábolas apócrifas

Gregorio Duvivier

A Josafé, primogênito de Samira, só lhe ocorria fumar maconha. Embrenhava-se pelos mercados de Icônio, onde trocava as cerâmicas de Samira por quilos de erva prensada. "Não és benquisto em Icônio, nem em toda a região da Licaônia", disse-lhe Abraé, pai de Samira, esposo de Epíramis. "Não ajudas na lavoura, tampouco sabes manejar a espada e, para piorar, incentivas o tráfico." Josafé subiu o monte Quebé à procura de abrigo. Deitou-se ao pé de uma tamareira, exaurido. Foi quando o SENHOR lhe apareceu em sonho e lhe deu uma semente. "Plantai, Josafé. E sede feliz", disse-lhe o SENHOR. E Josafé acordou. E tinha em suas mãos a semente. Plantou-a e nasceu a erva mais pura. Batizou-a de Escanque (heb. "gratidão ao SENHOR"). E foi feliz. 

Jusseu tentava entrar em uma padaria, mas ela já estava fechada. "Sabes com quem está falando?", argumentou o mancebo. "Sou Jusseu, filho de Haroque, neto de Naulo, bisneto de Clauro, tataraneto de Abdir." Mas a essas alturas já lhe tinham fechado a porta na cara. Naquela noite, um anjo lhe apareceu em sonho: "Jusseu, não citai sua progenitura. Isso não é relevante. E demonstra arrogância". Ao que Jusseu retrucou: "Faço o que eu quiser. Sou Jusseu, filho de Haroque, neto de Naulo, bisneto de Clauro, tataraneto de Abdir". Ao que o anjo aquiesceu, pois nem sequer tinha pai. 

Abnatã tinha três mulheres: Nara, Mara e Sara. "Bom dia, Nara", disse Abnatã, sem perceber que estava falando com Mara. Iniciou-se uma discussão. "Você prefere a Nara", disse-lhe Mara. Abnatã retrucou: "Acalma-te, Sara", errando novamente seu nome. Sara, que estava calma, retrucou: "Estou calma, imbecil!". "Não estou falando com você, Nara." Nara, que estava acordando, disse-lhe: "O que foi, Absalão?", confundindo-o com o vizinho, de quem era amante. Abnatã jogou um vaso de barro na parede, ao que um anjo surgiu e disse-lhe: "Chamai-vos a todos de 'meu amor'. Isso resolve o problema. Tenho 300 mulheres e nunca me confundi". Ninguém riu, ao que o anjo respondeu: "Era uma piada. Sou anjo e não tenho sexo". Ninguém riu. "Ride, pois fiz um chiste". E todos riram forçadamente. Ao que o SENHOR apareceu: "Não expliqueis piadas, anjo. Se ninguém riu, passai batido". E todos riram, mesmo que não houvesse graça, pois era o SENHOR que estava falando. "Isso não era uma piada" disse o SENHOR. "Só ride onde há graça, onde não há, não riais." E todos aquiesceram, em silêncio. 

Sonho de sexta-feira

Luiz Fernando Vianna

Com o avanço da idade, ter ilusões torna-se pecado imperdoável, pois não há mais o atenuante da juventude. Fica no terreno da insanidade, portanto, imaginar que a última sexta-feira, 27 de março, possa representar um dia da virada para o país. 

A escolha de Renato Janine Ribeiro como ministro da Educação nos projeta na fantasia de que, enfim, o sal de frutas fez efeito e Dilma Rousseff se curou da ressaca pós-reeleição. Só entorpecida para escolher o ministério que escolheu, e ainda achando que daria um olé nos profissionais do PMDB. Janine significa o gol do Oscar após os sete dos alemães. Será que tem terceiro tempo? 

Não que um professor de filosofia, por si só, tenha o poder de tirar o governo da apatia generalizada ou jogar duro com os parlamentares chantagistas. Mas é um bálsamo ter um ministro que entende do assunto de sua pasta, não serve a nenhum escambo malcheiroso e, surpresa maior, pensa. Temos, aleluia!, um ministro que possui ideias para o país, não apenas para o seu partido ou para a sua família. 

Também na sexta, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi alvo de um protesto na Assembleia Legislativa paulista. Não dos deputados, é claro, porque quase todos estavam ali para bajular o capo. Mas de cidadãos que foram gritar o óbvio ululante: Cunha é a encarnação maior do atraso brasileiro, com transações políticas obscuras se somando ao obscurantismo no campo dos direitos civis. 

Eram só 20 manifestantes, mas pode ser o início de algo. No Rio, a situação está pior. Na quarta-feira passada, na Assembleia Legislativa, apenas 5 dos 70 deputados votaram contra a entrega a Cunha da mais alta comenda do Estado, a Medalha Tiradentes. E não havia ninguém nas galerias protestando. 

Outras sextas-feiras como a última se fazem necessárias. 

domingo, 29 de março de 2015

Delação premiada

As ilusões da direita no Brasil

Flávio Aguiar

As ilusões da direita no Brasil se dividem em dois grupos: o daquelas que ela quer vender para a população em geral, e o daquelas que ela mantém por si mesma, e para si. 

Dentre as primeiras – aquelas à venda – destaca-se a de uma frase atribuída ao senador Aécio Neves: “para resolver o problema da corrupção no Brasil basta tirar o PT do governo”, ou algo parecido. Simplória, simplista, não li desmentido: ficou o não dito pelo dito. Vai na esteira da superstição martelada pela mídia de que a corrupção foi fundada pelo PT, alimentada por comportamentos no Judiciário de juízes como Joaquim Barbosa e Sérgio Moro. 

Mas há outras no mercado. Outra muito importante é a de que nas aparências tudo vai muito bem pelo mundo, só no Brasil ou na América do Sul dominada pelas esquerdas é que não. A Europa não está em estado falimentar, os Estados Unidos não estão pressionados por uma crise sem precedentes, só há corrupção no Brasil e no Terceiro Mundo, o Japão vai muito bem, embora estagnado há décadas e por aí adiante. 

Outras ilusões vendidas: caso ganhe as eleições presidenciais algum dia, a direita não vai mexer nos direitos trabalhistas. Vai sim. Vai mexer nas férias remuneradas, no salário mínimo, na Justiça do Trabalho, nas indenizações, em suma, em tudo aquilo que ela vê como elevação do “custo Brasil”, quer dizer, as obrigações sociais que o empresariado tem de cumprir. Espero que quem viver não veja, mas quem vir a vitória da direita, verá. 

Mas as piores, as mais daninhas, são aquelas que a direita mantém para si mesma. Vamos começar pelas internas. Cada grupo, cada político da direita, alimenta a ilusão de que poderá livremente instrumentar os e as demais. Serra acha que poderá instrumentar Aécio e Alckmin, este que vai instrumentar os outros dois e aquele, este e aqueloutro. FHC acha que poderá instrumentar todos eles em função de seu sonho de garantir seu lugar no Panteão dos grandes chefes de estado nacionais, transformadores e consolidadores, por ora ocupado por Pedro II, Vargas e Lula, nesta ordem cronológica. Vã ilusão de todos. Haverá uma briga de foice entre eles, e FHC já está condenado a ser o ex-intelectual brilhante, ainda que conservador, que esqueceu tudo o que escreveu antes e se tornou um político medíocre, aprendiz de golpista nos últimos tempos. 

Além disto, os líderes da direita pensam que poderão instrumentar os movimentos de rua, os pró-impeachment, os pró-ditadura e os pró-coisa nenhuma, e estes pensam que poderão instrumentar aqueles e os outros movimentos. Esta ilusão pode sair cara a eles, mas será mais cara a nós, democratas pró ou contra o governo, pois se aqueles prevalecerem eles começarão por comer quem a eles se opuser mas terminarão por se comer a si mesmos, num processo longo, doloroso, inseguro, e cheio de solavancos, como aconteceu com a ditadura de 21 anos que engolimos décadas atrás. 

Também alimentam a ilusão de que serão recebidos como salvadores da pátria. A menos que tenham o apoio das Forças Armadas e que estas calem os movimentos sociais à bala, o que parece improvável, uma vitória do impeachment, por exemplo, mergulhará o país no caos, além de liberar de fato uma gandaia de corrupção, pois a PF perderá a autonomia, o Ministério da Justiça virará um bordel, o Procurador Geral da Republica voltará a ser o Engavetador-Mór, etc.,  o arrocho em cima dos trabalhadores, aposentados e estudantes seguirá o modelo europeu, enfim, o Brasil vai virar uma república dividida entre a banana e o abacaxi, além do pepino. 

Por fim, a direita alimenta a ilusão, esta para si e também à venda, de que será recebida de braços abertos pela “comunidade internacional”, aquela que para ela conta: a Europa Ocidental, ou circuito Helena Rubinstein, os Estados Unidos, supermercados de Miami à frente, e o Japão, recessão à parte. Vã ilusão. Seremos recebidos – pois estaremos juntos nesta anti-aventura – com risotas de bastidor, finalmente reconduzidos ao curral de onde nunca deveríamos ter saído, aquele reservado aos pobres que não têm remédio nem saída, governados pelos oligarcas de plantão. 

A outra ilusão é a de que tudo isto é possível. Não é mais. O Brasil não voltará ser o que era. O Brasil enveredou para o futuro. Seja lá o que seja ele.

A ascensão do fascismo em São Paulo



Breve em toda loja paulista:



Suposto primo de suposto governador tucano falava em nome dele, diz suposto jornalista supostamente tucano

“Suposto” primo de Richa falava pelo governador, diz jornalista ligado à Richa


(O “suposto primo” é o terceiro da esquerda para direita. Beto Richa é o terceiro da direita para esquerda).

Olha que achado do Nassif.

Um artigo de Fabio Campana, jornalista tucano ligado ao governador Beto Richa, diz o seguinte:

(…) seu irmão José “Pepe” Richa Filho e o primo Luiz Abi Antoun, figuram no círculo mais fechado. Ninguém, além dos dois, tem autorização para falar pelo governador em circunstâncias que exigem “segredo de Estado”.

O “suposto” (o termo é da Folha/UOL) primo de Richa foi preso esta semana por corrupção.


Detalhe (engraçado ou triste, não sei): o suposto primo foi preso dias após sair às ruas para marchar contra a corrupção…

Isso é que é Ministro da Educação!


O que é Deus?


Deus é uma Buceta Gigante
Posted by Bar do Ateu on Sábado, 28 de março de 2015

O ajuste é um grande desajuste

Janio de Freitas 

Desajuste

No maior número de quesitos a economia esteve bem, ou não foi mal ou, ao menos, foi melhor do que a vizinhança 

A realidade econômica e social vivida pelo Brasil em 2014 começou a ser mostrada no final da semana pelo IBGE, que tem as estatísticas menos desconfiáveis. São dados, incluído o cabalístico PIB, que não atestam a escandalosa crise econômica na qual o nosso dia a dia mental e físico está atolado há mais de quatro meses. 

O Brasil, a partir do próprio governo e com os alto-falantes de sempre, diz-se, e diz ao mundo, que 2014 o deixou em estado de coma. Não é verdade. O Brasil não é, como está apresentado, a Grécia, não é a Espanha, não é Portugal, nem se assemelha a esses ou qualquer outro posto em desgraça pela crise ocidental criada por corrupção e golpes da rede bancária dos Estados Unidos. 

Os economistas alimentados pelo "mercado" e a classe que busca fáceis lucros financeiros ou políticos podem dizer, como lhes convém, que o Brasil está em estagnação. Os governistas e seus aliados menos ou mais falsos podem dizer que o Brasil está em situação estável. O que importa nas duas qualificações é ambas significarem que, se o país não evoluiu em muitos sentidos, também não sucumbiu nem, guardadas as proporções, resistiu menos aos efeitos da crise americana do que as potentes Alemanha, França e Itália. 

Como se explica a espetaculosa catástrofe de que se fala em todas as horas por todos os meios? Na campanha da eleição presidencial, Aécio Neves e Marina Silva referiam-se a inflação alta e a desempenho pífio da indústria, atribuído ao governo. Não era de crise que falavam. Mal se decidira a eleição, e sem qualquer motivo perceptível, Dilma de repente atira a notícia de que seu ministro da Fazenda será o neoliberal Joaquim Levy, para fazer um tal "ajuste econômico". Que ajuste? Por quê? E por que um adepto da política mais conservadora, que antes mesmo de assumir já justificava o "desempenho fiscal mais sólido" como "melhor para as ações"? 

Com tamanho desajuste de ideias, Dilma decretou estar o país em crise. Mesmo que não estivesse, Dilma acabava de criar o veio a ser explorado pelo vício dos conservadores brasileiros, o de reverter sem eleições o resultado eleitoral. 

É claro que nada senão o mau passo de Dilma pode explicar a criação do pessimismo e da crença generalizada nas manipulações de aspectos da economia. Não é a realidade de 2014 a responsável pela realidade de 2015. 

O tal PIB cresceu 0,1%, que a rigor não é mais que um zero envergonhado, e a produção industrial recaiu 1,2%, o que não é novidade porque pífio não foi o desempenho no ano, é a indústria brasileira. No maior número de quesitos a economia esteve bem, ou não foi mal ou, ao menos, foi melhor do que a vizinhança. Mesmo pequenos indicadores o refletem: quando se lê a notícia de que "setor de biscoitos e massas fatura 11,5% mais em 2014", os dispensáveis biscoitos mostram a que gastos o bom nível de consumo até se permitiu. Nada de crise. 

A tão falada alta da inflação não pôde evitar o desprazer de vê-la fechar o ano abaixo do teto fixado de 6,5%. Resultado muito bom considerados o problemático e longo período eleitoral e outras circunstâncias. Só em janeiro e no curto e carnavalesco fevereiro deste ano, a inflação do ajuste de Levy/Dilma chegou a 2,48% no IPCA e 2,66% no INPC. 

O desemprego estava reduzido a 4,3% em dezembro, e a remuneração do trabalho, com altas no ano que chegaram a 4% (outubro), em dezembro ainda conseguia aumento de 1,7%. O desemprego em fevereiro de 2015 chegou a 5,9%, e cresce em março. A remuneração do trabalho teve resultado negativo de 0,5%. 

Desde 1888, com o fim da escravidão, o emprego remunerado é o direito primordial dos que lutam pela vida. E o primeiro atingido quando predomina a política em favor dos que têm a vida a lutar por eles. É o que retorna com o ajuste de Levy e Dilma. 

Mas Dilma traz ao menos uma novidade, em comparação com outros praticantes do neoliberalismo e com os submetidos ao FMI: Dilma pressiona contra uma emenda parlamentar que dê aos aposentados a correção que uma medida provisória concede ao salário mínimo. Desse modo, tão original, os aposentados passam a pagar, com a correção que deixam de receber, o salário mínimo dos outros. 

O ajuste é um grande desajuste. 

sábado, 28 de março de 2015

Renato Janine entrevistado por Jô Soares


Achei interessante postar esse vídeo da entrevista de Renato Janine no Jô Soares, porque penso que boa parte dele...
Posted by Fernando Macedo on Sábado, 28 de março de 2015

A Operação Zelotes jamais teria ocorrido em um governo tucano

Leandro Fortes

Essa Operação Zelotes, assim como a Lava Jato e outras tantos mil, jamais teria ocorrido em um governo tucano.

Repito: jamais.

Fui repórter durante todos os governos FHC e posso garantir: a condução da PF era absolutamente controlada pelos interesses do governo tucano, aí incluídos os aliados do PFL, atual DEM.

Só por isso, já dá para imaginar.

Na investigação do chamado Dossiê Cayman, que investiguei em Miami e na Jamaica, os delegados eram comandados, pessoalmente, pela então secretária nacional de Justiça, Elizabeth Sussekind. Até às Bahamas ela foi com eles.

Em 1998, o então diretor-geral da PF, Vicente Chelotti, foi obrigado a esconder documentos que incriminavam o falecido ministro das Comunicações Sérgio Motta, o Serjão.

Ele, FHC, José Serra e Mário Covas eram acusados de possuir uma conta secreta no paraíso fiscal das Ilhas Cayman (na verdade, nas Bahamas), onde teriam colocado grana desviada das privatizações.

Os papéis eram falsos, mas, estranhamente, o governo entrou em desespero. A PF abriu dois inquéritos, agiu no subterrâneo e só depois da imprensa descobriu que o dossiê – vendido por três golpistas brasileiros a Fernando Collor e Paulo Maluf por 1 milhão de dólares – era falso.
Está no livro que escrevi a respeito, “Cayman: O Dossiê do Medo” (Record, 2002).

Um vexame.

O gado que foi tocado para as ruas, em 15 de março, para bradar contra a corrupção, deveria pensar um pouco mais sobre isso.

Tem que renunciar


Deprimido não é terrorista

Cuidado: deprimido não é terrorista

As informações oficiais dando conta de que o jovem copiloto da Germanwings que teria ocasionado a tragédia aérea anos Alpes franceses seria vítima de depressão precisam ser tratadas com muito cuidado. E vincular diretamente este fato ao seu até agora suposto ato tresloucado é não apenas pura especulação como até mesmo leviandade. 

Deprimido não é homicida. 

Deprimido não é terrorista. 

Deprimido pode sim se suicidar, e chega a fazer isso, mas em casos extremos, e não leva junto com ele centenas de pessoas inocentes. 

Não existe literatura médica que associe o estado depressivo, que se não for devidamente tratado pode (veja bem, pode!) levar à tentativa de suicídio, a uma ação como a de dias atrás, em que supostamente (o supostamente ainda precisa ser empregado aqui...) o rapaz de 28 anos tirou a vida de 150 pessoas. 

"O deprimido é sobretudo uma pessoa que se sente culpada, e quem se sente culpado não faz uma coisa dessas", alerta o psiquiatra Jair Mari, professor titular da Universidade Federal de São Paulo e uma das maiores autoridades brasileiras neste assunto. 

"É preciso muita calma, avaliar uma série de outros fatores, porque este parece ser um caso inusitado. Pode ser que haja algum transtorno de personalidade associado ou mesmo outros fatores externos, porque apenas a depressão não justifica isso", afirma Mari. 

Além do que, lembra Mari, "nem sempre é possível explicar o comportamento humano...". 

Existe um conceito médico, fruto de estudos e observações de longa data, segundo o qual há quase que um roteiro que a pessoa deprimida segue antes de chegar às vias de fato. Em geral a pessoa que está sofrendo muito e não vê saída para a situação desesperadora em que se encontra, ela primeiro cogita por fim à própria vida. Depois, pode chegar a planejar como fará isso. Em seguida, poderá tentar, tendo êxito ou não. Isto é mais ou menos clássico. 

Jair Mari concorda com este "roteiro" e o usa para reforçar seus argumentos que relativizam a depressão sob suspeita neste caso: "Não se pode aceitar que uma pessoa que seja apenas deprimida planeje levar 149 pessoas junto com ela. O rapaz pode nem ter percebido que estava ocasionando aquelas mortes todas, mas por outro motivo, que não a depressão, quem sabe um transtorno de personalidade. Ou então estava deliberadamente causando aquelas mortes num ato de rebeldia ou terrorismo, mesmo". 

A preocupação maior de Mari é com relação a um fator que qualquer pessoa que passou por algum episódio de depressão conhece bem e teme bastante: o estigma. 

Não se pode associar esta doença –que causa muito sofrimento, mas é perfeitamente tratável– a um ato como este sem estar sendo injusto e colocando sob suspeita milhares de pessoas que convivem diariamente com o transtorno. 

"Quem se trata da depressão pode levar uma vida normal, trabalhar, inclusive pilotar aviões, como devem existir muitos casos por aí. Quem se cuida adequadamente da depressão não se suicida", garante Mari.
Muito menos causa tantas mortes como as ocorridas nas montanhas geladas da França. 

Web Analytics