sábado, 28 de fevereiro de 2015

Muçulmanos contrabandeados

"As vezes a CIA se esquece de ensinar as pessoas que fingem ser muçulmanas que Meca está na mesma direção".

PF encontra indícios de crimes em contas secretas do HSBC


Ministro da Justiça determinou entrada da PF no caso que envolve as operações de 4,8 mil brasileiros que mantinham contas na Suíça

A Polícia Federal (PF) encontrou indícios de crime nas operações dos 4,8 mil brasileiros que mantinham contas secretas no banco HSBC, na Suíça. Diante da informação, transmitida nessa sexta-feira ao governo federal, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou a entrada da PF no caso, revelado há 15 dias e conhecido como "Swissleaks".

"O informe que recebi da PF ontem é que haviam indícios de delitos de natureza penal no caso. Então é nosso dever determinar que a PF abra os inquéritos necessários para apuração desses ilícitos", disse Cardozo ao Estado neste sábado, 28. "Quem praticou ato ilícito, pouco importa se tenha poder econômico ou poder político, será investigado, e, comprovado o crime, será responsabilizado na forma da lei penal", completou.

A investigação da Polícia Federal vai se somar à conduzida pela área de inteligência da Receita Federal, que promove uma inspeção para apuração de crime fiscal. Há uma semana, o Fisco anunciou seu acesso a parte da lista de cidadãos brasileiros que "supostamente possuíam relacionamento financeiro com aquela instituição financeira na Suíça".

Questionado sobre a atuação do governo pelo lado criminal e fiscal, Cardozo afirmou que "normalmente são situações interligadas". Por isso, também, o ministro determinou ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) que "faça colaboração internacional, com a Suíça, para obter informações e conseguir a recuperação de ativos que pertencem aos cofres públicos".

Nada menos do que 6,6 mil contas bancárias abertas no HSBC, na Suíça, pertencentes a 4,8 mil cidadãos de nacionalidade brasileira, que estavam fora dos registros. A informação foi revelada pelo International Consortium of Investigative Journalism (ICIJ) há quase 15 dias. Essas contas totalizariam saldo de US$ 7 bilhões entre 2006 e 2007.

"Investigações devem ser feitas com discrição e sigilo. A orientação que dou em todos os casos à PF é que sejam feitas estritamente dentro da lei", disse Cardozo. 

Só o dinheiro importa...


O que Charles Darwin viu no Brasil

Biologia com o Prof. Jubilut

Charles Darwin já esteve no Brasil. Em seu diário de viagem durante a expedição no navio Beagle ele fala sobre a escravidão em nosso país. Confira este trecho:

“Perto do Rio de Janeiro, minha vizinha da frente era uma velha senhora que tinha umas tarraxas com que esmagava os dedos de suas escravas. Em uma casa onde estive antes, um jovem criado mulato era, todos os dias e a todo momento, insultado, golpeado e perseguido com um furor capaz de desencorajar até o mais inferior dos animais. Vi como um garotinho de seis ou sete anos de idade foi golpeado na cabeça com um chicote (antes que eu pudesse intervir) porque me havia servido um copo de água um pouco turva… E essas são coisas feitas por homens que afirmam amar ao próximo como a si mesmos, que acreditam em Deus, e que rezam para que Sua vontade seja feita na terra! O sangue ferve em nossas veias e nosso coração bate mais forte, ao pensarmos que nós, ingleses, e nossos descendentes americanos, com seu jactancioso grito em favor da liberdade, fomos e somos culpados desse enorme crime.”

(Charles Darwin, A Viagem do Beagle)

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Em 1983, 150 anos depois da passagem de Darwin, o Brasil estava assim:
Foto: Luiz Morier, Rio de Janeiro, 1983.

O nível do debate no Brasil


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Foi FHC!








Dia do Orgulho Hétero

As aventuras de Tintin


Quem criou o Estado Islâmico

Luiz Carlos Bresser-Pereira

O Estado Islâmico e seus horrores é o resultado do imperialismo dos Estados Unidos, França e Reino Unido no Oriente Médio. Hussein e Kadafi eram governavam no quadro de um governo secular. O Iraque vivia em ordem, embora governado por um homem de muito baixa qualidade. Já na Líbia além de ordem havia prosperidade. Agora, depois da intervenção imperialista, nos dois países e em parte da Síria reina o caos e a barbaridade do EI. Na Síria há ainda alguma ordem porque Bashar al-Assad continua a governar o país, não obstante o Ocidente "civilizado e cristão".

P.S.: Logo após escrever a nota sobre o Estado Islâmico fui informado que acaba de ser publicado pela Verso, de Londres, livro de Patrick Cockburn ("The Rise of the Islamic State") que atribui o surgimento do Estado Islâmico às intervenções dos Estados Unidos e da Arábia Saudita no Oriente Médio. Mas é obvio que é preciso incluir também o Reino Unido e a França.

Morre o ator Leonard Nimoy, o eterno Spock

Leonard Nimoy, ator norte-americano que deu viveu o mítico Sr. Spock em Star Trek, morreu nesta sexta-feira, aos 83 anos, em sua casa no bairro de Bel Air, em Los Angeles.

Sua mulher, Susan Bay Nimoy, confirmou sua morte ao The New York Times por uma doença pulmonar terminal que causava obstrução.

Nimoy anunciou a doença ao público em 2014 e a atribuiu a anos de tabagismo, vício que havia abandonado já a mais de 30 anos. Ele foi hospitalizado no início da semana.

Além de ator, Nimoy era poeta, fotógrafo e músico. Tornou-se um herói entre os fãs da Federação dos Planetas Unidos, trazendo à vida, um dos personagens mais marcantes da ficção do último século, o inteligentíssimo Vulcan Mr. Spock, que, com suas orelhas pontudas, se despedia de todos sempre desejando "vida longa e próspera".

A Petrobras e a "nota" da Moody's

A "NOTA" DA PETROBRAS E A "NOTA" DA MOODY´S

A agência de classificação de “risco" Moody´s acaba de rebaixar a nota de crédito da Petrobras de Baa2 para Ba2, fazendo com que ela passe de "grau de investimento" para "grau especulativo".

Com sede nos Estados Unidos, o país mais endividado do mundo, de quem o Brasil é, atualmente, o quarto maior credor individual externo, a Moody´s é daquelas estruturas criadas para vender ao público a ilusão de que a Europa e os EUA ainda são o centro do mundo, e o capitalismo um modelo perfeito para o desenvolvimento econômico e social da espécie, que distribui, do centro para a "periferia", formada por estados ineptos e atrasados, recomendações e "notas" essenciais para a solução de seus problemas e a caminhada humana rumo ao futuro.

O que faz a Petrobras ?

Produz conhecimento, combustíveis, plásticos, produtos químicos, e, indiretamente, gigantescos navios de carga, plataformas de petróleo, robôs e equipamentos submarinos, gasodutos e refinarias.

De que vive a Moody´s ?

Basicamente, de “trouxas” e de conversa fiada, assim como suas congêneres ocidentais, que produzem, a exemplo dela, monumentais burradas, quando seus "criteriosos" conselhos seriam mais necessários.

Conversa fiada que primou pela ausência, por exemplo, quando, às vésperas da Crise do Subprime, que quase quebrou o mundo em 2008, devido à fragilidade, imprevisão e irresponsabilidade especulativa do mercado financeiro dos EUA, a Moody,s, e outras agências de classificação de "risco" ocidentais, longe de alertar para o que estava acontecendo, atribuíram "grau de investimento", um dos mais altos que existem, ao Lehman Brothers, pouco antes que esse banco pedisse concordata.

Conversa fiada que também primou pela incompetência e imprevisibilidade, quando, às vésperas da falência da Islândia - no bojo da profunda crise europeia, que, como se vê pela Grécia, parece não ter fim - alguns bancos islandeses chegaram a receber da Moody´s o Triple "A" (ilustração), o mais alto patamar de  avaliação, também poucos dias antes de sua quebra.

Afinal, as agências de classificação europeias e norte-americanas,  agem, antes de tudo, com solidariedade de “classe”. Quando se trata de empresas e nações “ocidentais”, e teoricamente desenvolvidas - apesar de apresentarem indicadores macro-econômicos piores do que muitos países do antigo Terceiro Mundo - as agências “erram” em suas previsões e só vêem a catástrofe quando as circunstâncias, se impõem, inapelavelmente, seguindo depois o seu caminho na maior cara dura, como se nada tivesse acontecido.

Quando se trata, no entanto, de países e empresas de nações emergentes, com indicadores econômicos como um crescimento de 400% do PIB, em dólares, em cerca de 12 anos, reservas monetárias de centenas de bilhões de dólares, e uma dívida pública líquida de menos de 35%, como o Brasil, o relho desce sem dó, principalmente quando se trata de um esforço coordenado, com outros tipos de abutres, como o Wall Street Journal, e o Financial Times, para desqualificar a nação que estiver ocupando o lugar de "bola da vez".

 Não é por outra razão que vários países e instituições multilaterais, como o BRICS, já discutem a criação de suas próprias agências de classificação de risco. 

Não apenas porque estão cansados de ser constantemente caluniados, sabotados e chantageados por "analistas" de aluguel - como, aliás, também ocorre dentro de certos países, como o Brasil - mas também porque não se pode, absolutamente, confiar em suas informações.

Se houvesse uma agência de classificação de risco para as agências de “classificação” de risco ocidentais, razoavelmente isenta - caso isso fosse possível no ambiente de podridão especulativa e manipuladora dos "mercados" - a nota da Moody´s, e de outras agências semelhantes deveria se situar, se isso fosse permitido pelas Leis da Termodinâmica, abaixo do zero absoluto.

Em um mundo normal, nenhum investidor acreditaria mais na Moody´s, ou investiria um "cent" em suas ações, para deixar de apostar e aplicar seu dinheiro em uma empresa da economia real, que, com quase três milhões de barris por dia, é a maior produtora de petróleo do mundo, entre as petrolíferas de capital aberto, produz bilhões de metros cúbicos de gás e de etanol por ano, em sua área, é a mais premiada empresa do planeta - receberá no mês que vem mais um "oscar" do Petróleo da OTC - Offshore Technologies Conferences - em tecnologia de exploração em águas profundas, emprega quase 90.000 pessoas em 17 países, e lucrou mais de 10 bilhões de dólares em 2013, por causa da opinião de um bando de espertalhões influenciados e teleguiados por interesses que vão dos governos dos países em que estão sediados aos de "investidores" e especuladores que têm muito a ganhar sempre que a velha manada de analfabetos políticos acredita em suas "previsões".

Neste mundo absurdo que vivemos, que não é o da China, por exemplo, que - do alto da segunda economia do planeta e de mais de 4 trilhões de dólares em ouro e reservas monetárias - está se lixando olimpicamente para as agências de "classificação" ocidentais, o rebaixamento da "nota" da Petrobras pela Moody´s, absolutamente aleatório do ponto de vista das condições de produção e mercado da empresa, adquire, infelizmente, a dimensão de um oráculo, e ocupa as primeiras páginas dos jornais.

E o pior é que, entre nós, de forma ridícula e patética, ainda tem gente que, por júbilo ou ignorância, festeja e comemora mais esse conto do vigário - destinado a enfraquecer a maior empresa do país - que não passa de um absurdo e premeditado esbulho.

Protestos...no Oscar

Protestos

Com nenhum negro na lista de candidatos ao prêmio de melhor ator, a última entrega dos Oscars prometia ser uma festa não só monocromática, mas branca também, no sentido de engomada e sem nódoas. Acabou sendo um evento muito mais político do que se esperava. A falta de negros entre os premiáveis foi compensada pela quantidade de negros entre os apresentadores, e o maior homenageado da noite foi Martin Luther King, apesar de o filme “Selma”, sobre a marcha contra o racismo e pelo direito do voto que ele liderou em 1965, só ter merecido um prêmio, pela música. Mas a música, “Gloria” (que também fala de incidentes raciais recentes, como o de Ferguson), mexeu com a plateia, e seus dois intérpretes, ao agradecerem o prêmio, fizeram fortes e bem articulados protestos contra o racismo que ainda persiste no país — e também foram ovacionados. O próprio apresentador da noite, tão criticado pelo seu mau desempenho, deu uma leve cutucada política na plateia quando esta aplaudiu o nome de Martin Luther King, que durante tantos anos representou para os brancos a ameaça da insubmissão dos negros: “Agora vocês gostam dele...” Também houve protestos contra a discriminação das mulheres no mercado de trabalho e contra a homofobia, e — para completar o que foi tudo, menos uma noite branca — o filme premiado na categoria de documentário longo foi sobre o Edward Snowden, que está proibido de entrar nos Estados Unidos depois que revelou segredos da bisbilhotice mundial praticada pela Agência de Segurança Nacional americana. Também ovacionado. E como se não bastasse tudo isso, o maior premiado da noite foi um diretor mexicano, o que valeu como um protesto velado contra as leis de imigração americanas que o Obama está tentando mudar.

TOMADAS

O filme premiado do mexicano, “Birdman”, é bom. Sua proeza técnica mais comentada — o filme é feito no que parece ser uma única tomada, sem cortes, do começo ao fim — já tinha sido realizada pelo Alfred Hitchcock em “Festim diabólico*” ou coisa parecida. Como os rolos de negativos da época (1948) só duravam dez minutos, Hitchcock se obrigou a grandes malabarismos para disfarçar os cortes. Brian de Palma também gostava de tomadas longas, embora nunca, que eu saiba, fizesse um filme inteiro com uma tomada só. E o mais recente exemplo de tomada inacreditável foi no filme argentino “O segredo dos seus olhos”, em que a câmera começa focando um estádio de futebol do alto, vai descendo, descendo e acaba enquadrando em close o rosto de um homem no meio da torcida do Racing, sem que se note quando a câmera do helicóptero vira a câmera do close. De certa maneira, Hitchcock também foi um grande homenageado na noite dos Oscars.

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Nota do blog: "Festim diabólico" é o espantoso nome dado no Brasil ao filme "Rope"
Uma corda, claro

Trevas ao meio-dia em São Paulo

Solidários? Nem no câncer


A notícia de que o ex-ministro da Fazenda foi acossado no hospital Einstein por um grupo de vândalos (que o mandavam ir ao SUS ou algo assim) é um dado novo no autoritarismo paulista, a mostrar as marcas profundas que a ditadura deixou e a dificuldade de conviver eu já não digo democraticamente, mas civilizadamente.

De que se acusa Guido Mantega? Nunca ouvi dizer que tivesse suprimido um clipe do seu ministério.

A culpa era ter acompanhado sua mulher a um hospital particular.

O raciocínio, se raciocínio existe, é que, tendo servido a um governo do Partido dos Trabalhadores, o ministro devia servir-se de hospitais públicos.

E o que mais?

Andar de ônibus necessariamente? Comer PF no boteco ao lado?

Bem, chegamos a um ponto de incultura (e não se trata de pobres, de torcida organizada, de nada disso) por aqui que agora já desmentimos o célebre dito segundo o qual mineiro só é solidário no câncer. Pois bem, nós paulistas nem no câncer!

Isso me parece decorrência desse polemismo mequetrefe que viceja por aí, coisa de qualidade abaixo do segundo volume morto do pensamento, mas que pauta uma montanha de castrados e, pouco a pouco, vai criando a impressão de que a realidade é isso, de que atos repugnantes como esse fazem parte da normalidade ou, pior ainda, da democracia.

São a banalidade do mal em estado puro.

O Brasil precisa tomar conta disso. Eu digo: a direita do Brasil. Precisa ter gente que pense e lidere responsavelmente, porque o fascismo (e, espero estar exagerando: o nazismo) está longe de estar morto.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O universo paralelo da GloboNews


Família de Lula recorre à polícia contra quadrilha dos Civita

Família de Lula vai à polícia contra crime de Veja

247 - A família de Frei Chico, irmão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou boletim de ocorrência nessa quarta-feira, 25, contra o jornalista Ulisses Campbell, da revista Veja Brasília, por persistir na tentativa de divulgar mentiras envolvendo um falso parente de Lula.

Segundo nota divulgada pelo Instituto Lula, o jornalista chegou a invadir o condomínio onde mora o sobrinho do ex-presidente, se dizendo passar por entregador de livros. "Por volta das 10:00, a babá dos filhos do declarante ligou para a esposa do declarante, dizendo que um homem teria entrado no condomínio, se passando por entregador de livros (...), quando a babá percebeu que o referido indivíduo não entregou livro algum e começou a perguntar sobre os horários de chegada dos moradores, após ter anotado nome, RG e CPF dela, a mesma teria trancado a porta e pedido ajuda para a equipe de segurança do condomínio.”

Cabe ressaltar que o repórter fugiu das dependências do condomínio, sendo localizado posteriormente pela Polícia Militar e identificado como Ulisses Campbell, jornalista da Veja.

Confira íntegra da nota do Instituto Lula sobre o episódio criminoso envolvendo a Veja. 

"Família de Frei Chico registra boletim de ocorrência contra repórter da Veja

No último dia 19 de fevereiro, foi desmentida pelo Instituto Lula nota da coluna do jornalista Ulisses Campbell, da revista Veja Brasília, que mentia sobre uma festa infantil, em Brasília, de um suposto sobrinho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desmentido afirma que "Lula não tem nenhum sobrinho com este nome residindo em Brasília" e que a suposta festa nada tinha a ver com ele.

Revelada a inverdade, o jornalista veio do Distrito Federal para o estado de São Paulo, e passou a usar nomes falsos e assediar a família de Frei Chico, irmão do ex-presidente, que reside no estado e não tem relação alguma com a festa em Brasília. A família registrou boletim de ocorrência nesta quarta-feira (25), que relata:

“... no dia 23/02/2015 Ulisses ligou para o pai do declarante, que é irmão do ex-presidente Lula, passando-se por Pedro, da USP, e buscando informações sobre a família e nomes de sobrinhos e netos do ex-presidente Lula e do pai do declarante. Afirma que após algum tempo inquirindo o pai do declarante o interlocutor finalmente se identificou como Ulisses e disse estar em busca de informações sobre a festa de aniversário, sendo informado da inexistência de tal festa.”

E segue:

“Declara que no dia 24/02/2015 a esposa do declarante recebeu uma ligação (...) de um homem que disse chamar-se Pedro, de Brasília, representando o Buffet Aeropark, questionando sobre o endereço onde deveria fazer a entrega dos presentes.”

Destaque-se aqui que a informação foi confrontada junto ao buffet que negou ter um funcionário com o mesmo nome. Na realidade, Ulisses ligou do próprio celular, fingindo ser um funcionário do buffet. Mais adiante, questionado pelo filho de Frei Chico, o colunista teria dito:

“...que necessitava de informações, e se o declarante não as fornecesse ele poderia publicar o que quisesse, tendo Ulisses, inclusive enviado pelo celular, para o declarante, uma fotografia da esposa do declarante em companhia de seu filho, a qual usaria em publicação futura na revista Veja.”

O último ato desesperado e ilegal se deu na última quarta-feira (25).

“... por volta das 10:00, a babá dos filhos do declarante ligou para a esposa do declarante, dizendo que um homem teria entrado no condomínio, se passando por entregador de livros (...), quando a babá percebeu que o referido indivíduo não entregou livro algum e começou a perguntar sobre os horários de chegada dos moradores, após ter anotado nome, RG e CPF dela, a mesma teria trancado a porta e pedido ajuda para a equipe de segurança do condomínio.”

Cabe ressaltar que o repórter fugiu das dependências do condomínio, sendo localizado posteriormente pela Polícia Militar e identificado como Ulisses Campbell, jornalista da Veja."

Mundo cruel


Lobão podia dormir sem essa


A semântica da seca


Termos como "crise hídrica", tal como vêm sendo usados, não são mais que desvios covardes para ocultar o enfrentamento do real 

Emmanuel Levinas disse que a "consciência é a urgência de uma destinação dirigida a outro, e não um eterno retorno sobre si mesmo". Penso que, embora não pareça, a frase se relaciona intimamente à "crise hídrica" em São Paulo. 

Temos sido obrigados a ouvir e a falar em "crise hídrica", na "maior seca em 84 anos" e expressões afins, que culpam a natureza, e não em catástrofe, colapso, responsabilidade ou palavras de igual gravidade. 

O cidadão comum vive, na gestão do governo paulista, sob um regime eufemístico de linguagem, em aparência elegante, mas, na verdade, retoricamente totalitário, com o qual somos obrigados a conviver e, ainda, forçados a mimetizar. 

"Crise hídrica", "plano de contingência", "obras emergenciais", "volume morto", "reservatórios", tal como vêm sendo usados, não são mais que desvios covardes da linguagem e da política para ocultar o enfrentamento do real. 

Não há água, houve grande incompetência, haverá grandes dificuldades, é necessário um plano emergencial de orientação e a criação de redes de contenção e de solidariedade. É preciso construir e distribuir cisternas, caixas d'água para a população carente, ensinar medidas de economia, mobilizar as subprefeituras para ações localizadas e, sobretudo, expor pública e claramente medidas restritivas à grande indústria e à agricultura, que podem ser bem mais perdulárias do que o cidadão. 

Mas nada disso se diz ou faz. E por quê? A impressão que tenho é a de que a maioria dos políticos não trabalha sob o regime da responsabilidade --a condição de "destinação ao outro"--, mas sim na forma do "eterno retorno sobre si mesmo". 

Vive-se, em São Paulo, uma situação de absurdo, em que, além das enormes dificuldades cotidianas --deslocamento, saúde, segurança, educação, enchentes, e agora, a de ter água--, ainda é preciso ouvir o presidente da Sabesp dizer que são Pedro "tem errado a pontaria". 

<Coxinhice>
Meu impulso é o de partir para o vocativo: "Ei, presidenta Dilma, deputados federais, governador Alckmin, prefeito Haddad, vereadores! Ouçam! Nós os elegemos para que vocês batalhem por nós, e não por seus mandatos! Nós é que somos aquele, o outro, a quem vocês devem responsabilidade!". 

Ou não tem relação com a "crise hídrica" um deputado federal receber cerca de R$100.000,00 por mês em "verbas de gabinete"? Por que deputados têm direito a um benefício que, entre outros, lhes garante seguro de saúde e carro, se quem ganha muitíssimo menos não tem? 

Desafio os deputados, um a um, a abrirem mão publicamente de seus seguros de saúde e a usarem o transporte público para irem ao trabalho --a entrarem no real. 
</Coxinhice>

Até quando a população, sobretudo a mais carente, que tem poucos instrumentos para amenizar o que já sofre, vai ser tutelada e oprimida sob o manto eufemístico da "maior seca em 84 anos"? 

Queremos o real, a linguagem responsável, que explicita o olhar para o outro e dá sustentação e liberdade para que se possam superar as dificuldades com autonomia. 

O eufemismo livra os políticos e aliena a população da chapa maciça do real. Ele representa um estado semelhante à burocracia ineficaz. Como ser responsável se, para cada ação, há infinitas mediações? 

O resultado é que as mediações acabam por alimentar muito mais a si mesmas do que ao objetivo final e inicial de governar: ser para o outro --no caso, nós, impotentes diante do que nos obrigam a ouvir e, há meses, nos forçam a presenciar. 

NOEMI JAFFE, 52, é doutora em literatura brasileira pela USP e autora de "O que os Cegos Estão Sonhando?" (editora 34) 

O que está por trás do caso Suzane Von Richthofen

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Há algo de podre no ninho dos tucanos

Inicia-se um ano eleitoral, e já foi dada a largada para a baixaria. Como vem acontecendo nos últimos seis anos, a grande mídia (e a internet) enche-se de matérias sobre o caso Celso Daniel, reivindicando para si a condição de paladino de uma cruzada republicana e moralizadora.

Desta vez, o mote é o exílio em Paris do irmão (Bruno Daniel) e da cunhada (Marilena Nakano) do prefeito petista de Santo André (SP), Celso Daniel, seqüestrado, torturado e assassinado em janeiro de 2002.

Obviamente, nosso jornal [Brasil de Fato], como na questão dos assassinados e desaparecidos durante a ditadura, ou dos sucessivos assassinatos no campo, defende intransigentemente a investigação até o fim de tais atos criminosos, e punição, nos termos da lei, dos seus autores e mandantes. Defende também o direito das famílias e amigos das vítimas de denunciarem e pressionarem os governos e o Estado, no sentido do esclarecimento.

No entanto, já vêm se tornando cansativas as manobras dos tucanos e seus porta-vozes de apenas se ocupar do caso Celso Daniel em anos eleitorais, deixando o assunto morrer sem solução nos anos ímpares (não eleitorais). Sem dúvida, a responsabilidade desse arrastar-se sem fim do assunto deve-se também ao Partido dos Trabalhadores, que jamais se propôs de fato a desvendar o “mistério”, ainda que esteja claro, para todos, que não partiu de qualquer instância ou organismo daquele partido a ordem para a eliminação do seu prefeito.

Ora, se os tucanos não se sentem em condições de esclarecer o caso Celso Daniel (o que, se acontecesse, seria um modo adequado de fortalecer nossa República e nossa democracia), pelo menos deveriam tentar explicar aos cidadãos e cidadãs do nosso país, o caso Suzane Von Richthofen, aquela jovem que, em 30 de outubro de 2002, assassinou seus pais, Marísia e Manfred Von Richthofen, em São Paulo (SP), com a colaboração do seu namorado e o irmão deste, respectivamente Daniel e Cristian Cravinhos.

De acordo com o que a grande mídia se cala e o tucanato esconde – mas que acaba sempre vazando – o que se comenta por toda parte, e com claros e fortes indícios de ser verdade, é que o cerco e a proteção que envolvem a senhorita Suzane desde o primeiro momento resultam de uma forte ação de personagens ligados ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Na verdade, essa proteção à senhorita Suzane, visaria esconder o real móvel do crime, que se entrelaça com o modo tucano de fazer política, com a probidade tucana.

De acordo com diversos comentaristas e fontes, o engenheiro Manfred Von Richthofen, pai da senhorita Suzane, na época do crime, diretor da empresa pública estadual (SP) DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S.A., era um dos reponsáveis pelo caixa 2 das campanhas pela reeleição do então governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, e pela eleição do senhor José Serra – também tucano – que disputava com o petista Luiz Inácio Lula da Silva a Presidência da República naquele ano (2002).

Parte do dinheiro que engrossava o milionário caixa 2 tucano teria origem em falcatruas e desvios de verbas destinadas à construção do Rodoanel Mário Covas. Segundo apurou o Ministério Público, o senhor Manfred tinha um patrimônio de R$ 2 milhões, muito superior ao que poderia ter acumulado, considerando que seu salário no DERSA era de R$ 11 mil. Além disso, o senhor Von Richthofen enviava dinheiro para uma conta na Suíça que o Ministério Público “desconfia” estar em nome do senhor Von Richthofen e de sua filha, senhorita Suzane. Ou seja, o móvel do crime perpetrado pela filha contra os pais seria exatamente o dinheiro do caixa 2 tucano que estaria depositado nessa conta.

Assim, mais do que a pressão que faz contra os petistas para que esclareçam o caso Celso Daniel – o que, feito com o objetivo de fortalecer nossa democracia e nossa República e não visando apenas medíocres disputas eleitorais, seria muito bem-vindo – os tucanos deveriam se preocupar de imediato (pois nesse caso têm todas as informações e canais necessários) em esclarecer o caso Von Richthofen.

Sem dúvida alguma, um crime não legitima outro crime. No entanto, criminosos e acobertadores de crimes não têm qualquer legitimidade para se travestir de vestais.


Editorial do jornal Brasil de Fato (Ed. 256).

O pacifista agredido pelos brutamontes petistas


Ontem, no intervalo de duas aulas, o professor e jornalista Geraldo Mainenti, o professor Frederico Caldas - bacharel em Relacões Públicas e ex-comandante das UPPs - e eu analisávamos a fotos de " O Globo", que mostravam um "manifestante pacífico" sendo espancado por "dois brutamontes" da CUT. Geraldo é um experiente jornalista, com passagem por diversos jornais e emissoras de televisão. Foi ele que chamou a atenção para um detalhe que o editor de primeira página deixou passar: o soco inglês nas mãos do pobre homem agredido. Quem tiver a edição impressa, por favor, dê uma conferida. Afinal como todos nós sabemos, uma pessoa em busca de diálogo deve usar soco inglês, tesouras e outros utensílios que expressem cordialidade. Abaixo, mais duas fotos que, por mero descuido, a grande imprensa não publicou.

Alckmin e mídia proporcionam à população uma seca de informação

Gota d'água
Guilherme Boulos

O governo estadual e a maior parte da mídia têm presenteado a população de São Paulo com uma verdadeira seca de informação. O ufanismo após as chuvas de fevereiro, com direito a declarações do governador de que "não há previsão de rodízio", ocultam uma situação alarmante. 

Todos sabem que o período de chuvas se encerra em março e só é retomado no fim do ano. Por isso, os reservatórios têm que chegar a março num nível elevado para sustentar os meses de estiagem. 

Se compararmos os níveis atuais com os de um ano atrás temos o seguinte: o Cantareira estava com 16,9% de sua capacidade, hoje está com -18,4%; o Guarapiranga estava com 63%, hoje está com 58%; e o Alto Tietê estava com 37,8%, hoje está com 18,3%. 

Ou seja, teremos em 2015 muito menos água que no ano passado para enfrentar os meses secos. Vale uma menção ao caso do Cantareira, de longe o maior dos reservatórios. O governo e a mídia falam que seu nível está hoje em 10,8%. Ignoram solenemente que já estamos na segunda cota do volume morto. 

As duas cotas representam 29,2% do reservatório, isto é, um volume de água subterrâneo, abaixo do 0% da represa. Se temos 10,8% da segunda cota, o nível real do reservatório continua negativo, em -18,4%. Fica a escolha, se o problema é de matemática ou de transparência informativa. 

Discutir se haverá ou não racionamento é o mesmo que discutir se o Brasil perderá a Copa de 2014. É fato consumado. O racionamento –ou rodízio, como queiram– já ocorre há mais de um ano e afeta especialmente as regiões mais pobres de São Paulo. A tendência, dado o nível dos reservatórios, é que se agrave e tenha que ser oficializado nos próximos meses. 

Vamos conferir alguns relatos de moradores das periferias da capital e região metropolitana: Jardim Cerejeiras e Jacira (quatro dias sem água, para dois com água); Jardim Valo Verde, em Embu das Artes (três dias sem, para um com); Jardim Ingá e Parque Novo Santo Amaro (dois dias sem, para um com); Vila Calu (água apenas das das 2 às 6 da manhã); Cidade Tiradentes (água apenas das 6h às 13 horas) 

"Não há previsão de rodízio", governador? 

Ora, mesmo em bairros centrais o fornecimento está sendo cortado durante algumas horas do dia. A diferença é que condomínios e casas mais estruturadas costumam ter caixas d'água maiores, o que faz com que os cortes sejam pouco sentidos. 

Problema não menos grave é o da qualidade da água. Em muitos lugares é frequente sair da torneira uma água barrenta ou então esbranquiçada pelo excesso de cloro. É difícil encontrar quem ainda confie em beber água da Sabesp. Talvez a velhinha de Taubaté. As declarações sobre o uso da água da Billings –pouco claras até agora– podem piorar ainda mais a situação. 

Mas na Sabesp não é só a água que precisa ser mais transparente. De um lado, pede economia à população e multa quem consome mais. De outro, mantém contratos fechados com empresas (os chamados contratos de demanda firme) em que quanto mais se consome, menos se paga. 

Nesses contratos, a empresa que consumir até 1 milhão de litros/mês pagará R$11,67 para cada mil litros. Já se consumir mais de 40 milhões de litros/mês irá pagar R$7,72 para cada mil litros. Estão neles shoppings, clubes, a Nestlé, Rede Globo e bancos como Bradesco e HSBC. O desperdício é premiado para as grandes empresas e multado aos consumidores residenciais. 

E o problema é que você escova os dentes com a torneira aberta... 

Neste cenário de colapso iminente, racionamento seletivo, água de má qualidade e privilégios a empresas privadas, a Sabesp resolveu testar a passividade dos paulistas anunciando essa semana um novo reajuste na tarifa. 

Vale lembrar que a gota d'água para a explosão da maior revolta popular sobre o tema –a guerra da água, na Bolívia– foi justamente um reajuste tarifário abusivo. 

É verdade que por aqui a síndrome de Estocolmo é quase uma epidemia e talvez não cheguemos tão longe. Mas também é verdade que a paciência de muitos já está para lá do volume morto. 

Mobilizações irão ocorrer. Hoje haverá um caminhada até o Palácio dos Bandeirantes para exigir medidas emergenciais e maior transparência no tratamento da crise. 

A evolução da mobilização social pela água nos próximos meses dependerá em grande medida da postura do governo do Estado. Se continuar negando o óbvio, atuando sem transparência e punindo o povo pela crise poderá criar as condições para uma revolta popular sem precedentes em São Paulo. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O homem de bem


Ataque no Einstein foi ato de rebaixamento moral

Justamente um hospital de inspirações judaicas foi o palco das manifestações de cunho neofascista contra o ex-ministro Guido Mantega; para diretor do 247 em Brasília, Paulo Moreira Leite, gritos de “vai para o SUS” refletem o vigor dos preconceitos de classe em nossa sociedade, que possivelmente se aprofundaram com o progresso dos brasileiros das camadas mais pobres, nos últimos anos; "Mantega foi um dos protagonistas deste progresso"; no entanto, ex-ministro foi condenado por sua opção política justamente pelos que tiveram menores oportunidades; PML lembra que em 1951, filósofa Hanna Arendt já havia descrito a situação; ”É muito perturbador o fato de o regime totalitário, malgrado seu caráter evidentemente criminoso, contar com o apoio das massas".

“OS ALEMÃES SABIAM,” ENSINOU HANNAH ARENDT


A agressão sofrida por Guido Mantega no hospital Albert Einstein está destinada a se tornar um marco na conjuntura brasileira, em particular na cidade de São Paulo.

Mantega estava no Einstein, acompanhado da mulher, a psicóloga Eliane Berger, para fazer uma visita.

Os gritos de “Vai para o SUS”, “Safado” e outras manifestações escabrosas expressam uma violência mórbida.

Lembram uma observação de Franz Borkenau (1900-1957), um militante socialista que deixou a Alemanha em 1933, para se dedicar à luta contra as idéias de Adolf Hitler nas décadas seguintes. Borkenau combateu o fascismo na guerra civil espanhola e também colaborou com a resistência francesa. Produziu uma obra de testemunho, que se tornou uma das fontes primárias da filósofa Hannah Arendt para escrever os textos reunidos em Origens do Totalitarismo. Foi Borkenau quem observou que “o mal, em nosso tempo, exerce uma atração mórbida.” Ele estava se referindo especificamente ao nazismo de Hitler, mas suas observações têm um valor muito mais amplo.

Como diz Hannah Arendt:”É muito perturbador o fato de o regime totalitário, malgrado seu caráter evidentemente criminoso, contar com o apoio das massas. Embora muitos especialistas neguem-se a aceitar essa situação, preferindo ver nela o resultado da força da máquina de propaganda e da lavagem cerebral, a publicação dos relatórios, originalmente sigilosos, das pesquisas de opinião pública alemã dos anos 1939-44, realizadas pelos serviços secretos da SS, demonstra que a população alemã estava notavelmente bem informada sobre o que acontecia com os judeus, sem que isso reduzisse o apoio dado ao regime.”

Este é o ponto grave da cena no Albert Einstein. O grito “vai para o SUS” reflete o vigor dos preconceitos de classe em nossa sociedade, que persistem e possivelmente se aprofundaram em função do progresso realizado pelos brasileiros das camadas mais pobres, nos últimos anos.

Nascido numa família que habita as camadas mais altas de renda, aquelas que frequentam instituições privadas de saúde de padrão internacional, o ex-ministro foi condenado por sua opção política pelos que tiveram menores oportunidades — aquelas famílias que, com muita dificuldade, enfrentando carências muito conhecidas, conseguem tratar-se na rede pública, alvo de uma partilha injusta de recursos e subsídios que ajuda a entender a penúria de um setor e a prosperidade de outro.

A importância da agressão a Mantega não precisa ser exagerada para que se faça uma reflexão adequada sobre o que aconteceu.

Não há uma crise na democracia brasileira. Luiz Inácio Lula da Silva continua, de longe, o mais popular presidente de nossa história — exatamente porque é o avalista das grandes mudanças ocorridas nos últimos anos, das quais Guido Mantega foi um dos protagonistas principais.

Mas o ataque no Einstein foi um ato de rebaixamento moral — e a experiência ensina que ninguém tem o direito de fingir que nada aconteceu.

Juiz federal dá novo sentido ao verbo "esmiuçar"







Por que ninguém deu foto em que petista aparece apanhando nos confrontos de ontem?


A questão é esta: por que os sites das grandes empresas jornalísticas deram apenas fotos em que aparecem apanhando os antipetistas que foram atazanar os manifestantes pró-Petrobras ontem no Rio?

Isso se chama torcida. Isso se chama descaro. Isso se chama trapaça. Isso se chama antijornalismo.

O objetivo é transmitir a analfabetos políticos vítimas de manipulação a sensação de que o Brasil está se transformando numa Venezuela.

A rigor, o que aconteceu foi o seguinte. Imbecis parecidos com os que hostilizaram Mantega no Einstein – sem a menor consideração pela mulher que se trata de câncer – foram vandalizar num ato que não era para eles.

Como os ânimos estão exaltados, houve brigas. As fotos que circulam na internet (não nos sites) mostram gente de vermelho – petistas – batendo e apanhando.

O que é uma aberração é que só foram publicadas fotos em que os petistas apareciam como agressores.

É como se num jogo de futebol duas torcidas brigassem. Corintianos e são-paulinos, por exemplo. E só fossem chegassem aos leitores imagens de corintianos atacando.

Falei outro dia do diretor de mídia digital da Globo, Erick Bretas, um sem noção que prega no Facebook a cassação de 54 milhões de votos de Dilma com argumentos que incluem “reportagens” – logo de quem – da Veja.

O principal produto digital da Globo é o G1, e então é presumível que Bretas o comande de perto.

Como um militante antipetista edita um artigo sobre o confronto de ontem?

Bem, é só ver o G1.

E qual é o mundo retratado por alguém que queira abertamente a deposição do governo?

É a distopia infernal que você vê todos os dias no G1. A escolha dos assuntos é inacreditavelmente mórbida. Quem leva a sério – e os analfabetos políticos são presas fáceis – conclui que o Brasil acabou.

Só há coisas ruins. Disse outro dia: se fosse uma pessoa, o G1 seria diagnosticado facilmente com depressão cava.

Navegue por portais que são referência no mundo. Em nenhum deles você vai encontrar tanta notícia ruim concentrada.

Pode haver um pouco de inépcia editorial aí, mas o grosso mesmo é manipulação.

Você pode observar, hoje, a Globo se encaminhando para onde a Veja está já há alguns anos.

Nem sempre a Veja foi este simulacro abjeto de jornalismo. Num certo momento, a revista começou a publicar colunas de Diogo Mainardi, textos digitais de Reinaldo Azevedo – e terminou no lixo que é.

A Globo parece ir pelo mesmo caminho. O pudor vai sendo deixado de lado, e é neste quadro que você vê a ascensão de “jornalistas” como Bretas e a supressão de fotos que ajudam a entender os lastimáveis confrontos de ontem.

A culpa quase irreparável do PT foi não ter feito nada, em doze anos, para coibir o serviço sujo da mídia.

Sequer o dinheiro copioso e fácil da publicidade federal foi submetido a uma revisão.

O resultado é que, mesmo com audiências cada vez menores em face da internet, foi crescendo o dinheiro publicitário oficial em empresas como Globo e Abril.

Esse dinheiro financia o pelotão de colunistas, editores, comentaristas dedicados a defender privilégios e mamatas que levaram o Brasil a ser um campeão mundial da desigualdade.

O PT não quis brigar com os barões da mídia. O problema é que a recíproca jamais foi verdadeira.

Publicar fotos seletivas das brigas de ontem é apenas uma demonstração a mais do espírito bélico dos barões – que aliás estão muito mais para coronéis do que para qualquer outra coisa

Compacto com os melhores momentos da coxinhice


O que a mídia diz do Cantareira e a verdade



Olavo de Carvalho é fascista?

Pense nisso

Corrupção no metrô e falta de água em SP não receberam apelido da velha mídia. Pense nisso quando um jornalista falar de mensalão e petrolão.

Roberto Toledo ‏@RobertoToledoRS

O espírito do capitalismo

Sobre o hospital Albert Einstein

Carlos Motta

De que adianta um hospital ter equipamentos de ponta se aqueles que os operam são canalhas insensíveis e desumanos?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Existe fascismo em São Paulo

Guilherme Boulos
11/09/2014

Se existe amor em São Paulo eu não sei. Mas fascismo, esse existe. E a elite paulistana não faz nenhuma questão de escondê-lo. 

Sabemos que não é de hoje. A história da segregação territorial em São Paulo vem dos anos 1940, quando se inicia de forma mais sistemática a demolição dos cortiços e das residências operárias nas regiões centrais. Pobre tem que vir ao centro para trabalhar e servir, mas morar ali? Não, aí já é vandalismo! 

Foi assim que surgiram e se expandiram as periferias da cidade. Numa jogada de mestre e sempre com o apoio do Estado, os agentes imobiliários conseguiram, ao mesmo tempo, tirar os pobres do convívio nos bairros centrais, ganhar um bom dinheiro com loteamentos clandestinos na periferia e reservar áreas intermediárias para a especulação. Nessas áreas estabeleceram-se depois os verdadeiros nichos da elite paulistana. 

O que estava em jogo era materializar no território a segregação social entre ricos e pobres. 

Até hoje a dinâmica do mercado imobiliário reproduz esse fenômeno. Quando um bairro recebe investimentos ou passa a hospedar grandes empreendimentos privados –condomínios de alto padrão, shoppings, etc– sofre um processo intenso de valorização. Expulsa assim os moradores mais pobres, por vezes através de despejos coletivos e mais frequentemente pela hipervalorização dos aluguéis. 

Esta dinâmica econômica sedimentou uma mentalidade higienista na elite e nas camadas médias. Veio junto com uma fobia, um nojo, uma recusa da convivência. Seu ideal seria que os pobres trabalhassem para servi-los, mas ao fim do expediente evaporassem, para retornar apenas no dia seguinte. Pobres podem até existir, desde que longe de seus olhos. 

Há casos emblemáticos e recentes. Em 2010, os seletos moradores de Higienópolis iniciaram um movimento contra uma estação de metrô nas redondezas. Motivo: traria ao bairro "gente diferenciada". Em 2011 foi a vez de uma turma de comerciantes e moradores de Pinheiros, que se organizaram contra um albergue para moradores de rua no bairro. "Ficaremos acuados em casa", alegaram na ocasião. 

As rampas antimendigo, iniciadas na gestão de José Serra para impedir moradores de rua em certas partes da cidade, deram a chancela do poder público. 

Mas o pior ainda estava por vir. A face mais perversa deste fenômeno foram os incêndios em favelas. O mercado imobiliário é mesmo muito criativo. Quando, por alguma eventualidade, o judiciário barra o despejo de uma favela localizada em zona de expansão imobiliária eles fazem a seu modo. Incendiar favelas tornou-se um recurso habitual para afastar pobres dos condomínios de alto padrão. 

Em muitos casos é difícil provar, o que permitiu aos interessados atribuir os incêndios à baixa umidade do ar. Mas os indícios são avassaladores. O site http://fogonobarraco.laboratorio.us/ reuniu o mapa de todos os incêndios em favelas paulistanas de 2005 a 2014 e comparou as regiões incendiadas com o índice de valorização imobiliária. O mapa mostra como a enorme maioria dos incêndios ocorreu nas zonas de valorização. Mais inflamável que o clima seco é a especulação. 

Os dados dizem ainda que metade dos incêndios dos últimos 20 anos ocorreram entre 2008 e 2012, isto é, durante a gestão de Gilberto Kassab (PSD) como prefeito, que foi marcada pela promiscuidade com o mercado imobiliário. A conivência do poder público também é inflamável. 

No último domingo (7), o tema voltou com o incêndio em uma favela na região do Campo Belo. O bairro valorizou-se 130% nos últimos 5 anos, de acordo com o Índice Fipe/Zap. Tinha uma pedra no sapato do mercado imobiliário e da mentalidade fascista que foi novamente varrida com fogo. Os bombeiros que foram até o local afirmaram em reportagem que o incêndio foi mais uma vez criminoso. 

Também nos últimos dias, a Folha noticiou que condomínios do Morumbi estão se mobilizando contra a ocupação Chico Mendes, organizada pelo MTST num terreno municipal com destinação prevista para habitação popular. Uma das ilustres moradoras disse tudo: "Atrapalhando eles estão, é desconfortável". Atrapalhando a vista de sua sacada, pobres, ali, ao lado. 

A realidade é mesmo desconfortável. A mentalidade fascista atua para negar, queimar, expulsar este desconforto para bem longe. Que os pobres existam, mas em algum lugar de Ferraz de Vasconcelos, bem longe da minha sacada. 

São Paulo é uma das cidades mais desiguais do mundo. A cidade dos muros. Dos muros, incêndios criminosos, despejos, rampas antimendigo e dos condomínios exclusivos. O fascismo da elite só coloca mais combustível neste barril de pólvora. 

Dúvida cruel

Fonte

Nazistas expulsam Mantega e esposa doente de hospital em São Paulo

Neofascismo: Mantega é expulso do Einstein

Aos gritos de 'Vai pro SUS', o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi expulso do hospital Albert Einstein, um dos mais renomados de São Paulo; vídeo mostra insultos ao ex-ministro, que se retirou do local; ele estava acompanhado da esposa Eliane Berger, que se trata de um câncer; intolerância política no Brasil atinge níveis inaceitáveis de incivilidade, que prenunciam um neofascismo no País; agressões têm sido promovidas por forças políticas que se mostram incapazes de conviver numa democracia.

247 - O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi expulso do hospital Albert Einstein, no último dia 19. Ele estava acompanhado da esposa Eliane Berger, que se trata de um câncer.

Aos gritos de 'vai pro SUS' e sob insultos, ele decidiu se retirar do local.

A intolerância política no Brasil atinge níveis inaceitáveis de incivilidade, que prenunciam um neofascismo no País. Agressões têm sido promovidas por forças políticas que se mostram incapazes de conviver numa democracia.

Julianne Moore ganha o Oscar pela melhor linguiça

Cardozo, o ministro que treme

Luis Nassif

Hoje foi cometido mais um crime na primeira página da Folha: uma nota com base em uma delação premiada sigilosa acusando o Senador Fernando Collor de ter recebido propinas.

No Senado, Collor presidia uma comissão diretamente ligada em infraestrutura. A denúncia é até verossímil, embora não tenha sido acompanhada de provas.

Mas o crime anunciado é outro. Por envolver cidadão com foro privilegiado, essa delação tinha que ser protegida contra vazamentos muito mais do que as demais - que transitavam apenas na justiça comum. É um crime, que mais uma vez será ignorado pelo Procurador Geral da República. O que fará o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo? Nada. Como nada fez em relação aos demais vazamentos.

O Ministro é um cidadão que teme. Teme ruídos de folhas, notas internas de jornais, teme encarar suas responsabilidades, teme agir, teme falatórios.

O mais rumoroso episódio de vazamento - a tal capa da revista Veja - quase decide as eleições de 2014. Motivou uma reação inédita da presidente Dilma Rousseff contra o abuso perpetrado. Por envolver a própria presidente, tornou-se uma questão de Estado. O que fez o Ministro, chefe maior da Polícia Federal. Solicitou a abertura de um inquérito que ficou ao relento. Limitou-se a ouvir três ou quatro jornalistas que alegaram seu direito de preservar a fonte. E ficou por isso mesmo.

Aí, advogados das empreiteiras solicitam uma audiência ao Ministro. Não se trata de convescote ou missão de paz. Trata-se de exigir dele o cumprimento da lei e de suas obrigações em relação aos vazamentos.

O que faz o Ministro? Esconde a audiência em sua agenda pública, expondo os advogados que cumpriram com todos os procedimentos formais.

O risco sistêmico

Não apenas isso.

Há um risco sistêmico de paralisação de grande parte das obras do país por inviabilização das empreiteiras envolvidas com a Lava Jato. A dinâmica de uma obra é a seguinte:

1.    A empreiteira é contratada.

2.    De posse do contrato, toma um financiamento bancário para iniciar as obras.

3.    À medida que as obras são entregues, recebe o pagamento e quita o financiamento.

A Lava Jato inviabilizou a tomada de financiamento e a contratação pelo poder público.

É evidente que precisa terminar o ciclo de abusos das empreiteiras e, nesse sentido, a Lava Jato cumpre um papel histórico.

Tome a Camargo Correia. Esteve envolvida em negociações obscuras com o governo de São Paulo, para impedir o indiciamento de seus executivos no acidente do Metrô. Depois, foi apanhada em cheio pela Operação Castelo de Areia e se livrou graças a manobras nebulosas. Nem isso aplacou sua falta de limites. É evidente que o peso da Justiça precisa se abater sobre seus controladores.

O mesmo aconteceu com a Mendes Junior que, antes da atual fase de obras, assim como a CR Almeida, tinha se transformado em uma empresa especializada em entrar na Justiça com ações espúrias contra o poder público.

Tem-se, portanto, uma engenharia complexa: dar um fim ao poder político da atual geração de empreiteiras, punir executivos e acionistas, varrendo-os do mapa empresarial brasileiro, abrir espaço para as empreiteiras médias (prejudicadas pela atuação do cartel) e, ao mesmo tempo, preservar as empresas para evitar soluções de continuidade em projetos de extrema importância para a economia.

Talvez tenha sido injusto nas críticas ao Ministério Público, exigindo dele uma visão sistêmica da questão da infraestrutura. Essa responsabilidade deveria ter sido delegada pela presidente da República ao Ministro da Justiça.

Caberia ao Ministro como articulador político e jurídico do governo reunir-se com o Procurador Geral, com o Tribunal de Contas da União e com a Controladoria Geral da República para encontrar as saídas adequadas.  Mas o Ministro treme. Os encontros poderiam ser mal interpretados.  Então ele se esconde. Esse papel articulador acaba sendo assumido pelo Advogado Geral da União Luiz Adams

Nesse ponto, ele e Dilma são iguais. A oposição está quase tirando Dilma da presidência. E sua preocupação maior é com sua reputação, com o que as pessoas estão dizendo dela.

No futuro, ninguém ousará duvidar de sua idoneidade. Mas que Dilma não pergunte ao oráculo o que a história falará de seu despreparo, sua ingenuidade, sua incapacidade de se compreender representante de um projeto de país de  se entender personagem político, não uma mera pessoa física.. E registrará, divertida, que no auge da maior crise política dos últimos 25 anos, o Ministro da Justiça arrumava tempo para dar aulas em cursos jurídicos à distância.

Pobre República!

Bem-vindo ao mundo real

A homossexualidade em animais e a lavagem cerebral em coxinhas



Enfim, o desespero

Vladimir Safatle

"A situação desesperadora da época na qual vivo me enche de esperanças." A frase é de Marx, enunciada há mais de 150 anos. Ela lembrava como situações aparentemente sem saída eram apenas a expressão de que enfim podíamos começar a realmente nos livrar dos entulhos de um tempo morto. 

Há tempos, insisti que o lulismo entraria em um esgotamento. Era uma questão de cálculo. Chegaria um momento em que o crescimento só poderia continuar por meio de políticas efetivas de combate à desigualdade e acumulação. Afinal, estamos falando de um país que, ao mesmo tempo, apresenta crescimento econômico próximo a zero e bancos, como o Itaú, com lucro anual de 20 bilhões de reais. Um crescimento de 29% em relação a 2013, com inadimplência recuando para mínima recorde. 

"Políticas efetivas de combate à desigualdade e acumulação" significa, neste contexto, ir atrás do dinheiro que circula no sistema financeiro e seus rentistas blindados. Mas isto o governo não seria capaz de fazer. Difícil fazê-lo quando você também se torna alguém a frequentar a roda dos dançarinos da ciranda financeira. Ninguém atira no próprio pé, ainda mais quando se é recém-chegado à festa. 

Restou ao governo federal duas coisas. Primeiro, chorar por não ser tratado como um tucano. É verdade. Nada melhor no Brasil do que ser tucano. Como acontece hoje no Paraná, você pode quebrar seu Estado, colocar quatro de suas universidades públicas em risco de fechamento por falta de repasse e, mesmo assim, irão te deixar em paz. Nenhuma capa de revista sobre seus desmandos nem sobre seus casos de corrupção. 

Por estas e outras, o sonho de consumo atual de todo petista é ser tratado como um tucano. Eles até que se esforçaram bastante. 

Fora isto, resta ao governo ser refém de um Congresso que ele próprio alimentou. Na figura de gente do porte de Eduardo Cunha e seus projetos de implementar o "dia do orgulho heterossexual", entregar o legislativo à bancada BBB (Bíblia, Boi e Bala) e contemplar cada deputado com seu quinhão intocado de fisiologismo, o Brasil encontra a melhor expressão da decadência e da mediocridade própria ao fim de um ciclo. 

Neste contexto, podemos enfim ver claramente como as alternativas criadas após o fim da ditadura militar não podiam de fato ir muito longe. Nenhuma delas sequer passou perto da necessidade de quebrar tal ciclo de miséria política dando mais poder não aos tecnocratas ou aos "representantes", mas diretamente ao povo, que continua a esperar seu momento. 

Por isto, a situação desesperadora me enche de esperanças. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Americanos partem para Cuba em busca de cuidado médico

Reatamento abre porta para 'turismo médico' de americanos em Cuba
William Neuman
Havana (Cuba)

Anuja Agrawal correu para o telefone. O presidente Barack Obama havia acabado de anunciar que restauraria as relações diplomáticas com Cuba – e Agrawal, que administra uma empresa de turismo médico em Orlando, Flórida, não queria perder a oportunidade.

Ela ligou para um administrador de serviços médicos em Cuba e concordou em ir adiante com um acordo que eles vinham discutindo havia meses na esperança de que pacientes norte-americanos pudessem logo começar a viajar para a ilha para fazer tratamento médico.

"Havia muito entusiasmo em relação a isso", disse Agrawal, diretora-executivo da Health Flights Solutions, acrescentando que se os norte-americanos começarem a viajar para Cuba em busca de tratamentos médicos a preços acessíveis, isso pode significar um grande impulso econômico para o sistema de saúde do país. "Para eles, estão vendo isso literalmente como ganhar na loteria."

À medida que o governo Obama reduz o isolamento econômico de Cuba, setores de vários tipos estão tentando descobrir o que o relaxamento das tensões significará para eles e exatamente quanta liberdade haverá.

Milhares de pessoas de outros países vão para Cuba a cada ano para o que é conhecido como turismo médico: viagens ao exterior para fazer cirurgias ou outros cuidados médicos, normalmente porque o tratamento lá é mais barato ou não está disponível onde os pacientes moram.

Agora, o governo Obama afrouxou as restrições de viagem para Cuba. Os norte-americanos podem viajar para o país por uma série de motivos, entre eles visitas familiares, conferências acadêmicas, apresentações públicas e atividades religiosas e educativas.

Embora o turismo ou as viagens para tratar da saúde ainda não sejam permitidos, o governo suspendeu uma restrição que exigia que muitos norte-americanos viajassem com grupos autorizados ou conseguissem uma licença prévia para visitar a ilha.

"É um relaxamento, um afrouxamento das restrições", disse Agrawal, acrescentando: "acho que ficará cada vez mais livre", uma vez que a porta estiver aberta.

Na prática, as mudanças podem significar que muito mais pessoas se sentirão livres para viajar para Cuba, mesmo para propósitos que estejam fora das categorias permitidas. Milhares de norte-americanos já viajam para Cuba para fazer turismo ou por outros motivos que estão fora das normas, e mesmo antes das mudanças, muitos cubano-americanos que visitavam a família aproveitavam a oportunidade para marcar tratamentos médicos, dizem muitas pessoas aqui.

Uma porta-voz do Departamento do Tesouro disse que os norte-americanos que desejam viajar para Cuba por motivos que estejam fora das atividades autorizadas podem pedir permissão, conhecida como licença especial, e que esses pedidos serão avaliados caso a caso.

Mas a porta-voz, que disse não ter autorização para falar oficialmente, disse que os norte-americanos que viajam para Cuba são obrigados a manter registros de sua viagem por cinco anos e podem estar sujeitos a auditorias para mostrar que a viagem ficou dentro das normas.

Cuba tornou o cuidado com a saúde uma prioridade depois da revolução de 1959, e conquistou a reputação de fornecer cuidados médicos gratuitos e de boa qualidade para seu povo. Milhares de médicos cubanos também trabalham no exterior, na Venezuela, no Brasil e em outros países em desenvolvimento, em uma troca que fornece ao governo do presidente Raúl Castro moeda ou bens, como petróleo, em contrapartida.

David McBain, 47, um paisagista de Toronto que fraturou a coluna em um acidente de carro, foi para Cuba três vezes no ano passado para uma terapia física extensiva.

"Os fisioterapeutas e os médicos têm muito conhecimento e são bem treinados em Cuba, e você simplesmente não pode competir com o preço deles", disse McBain. "O preço é uma fração do que seria no Canadá ou nos EUA para um terapeuta."

McBain, que está parcialmente paralisado e usa uma cadeira de rodas, disse que foi tratado por várias semanas durante cada visita a uma instituição de saúde de Havana. Ele disse que o tratamento em Cuba custa cerca de US$ 200 (R$ 572) por dia, o que inclui cerca de seis horas de fisioterapia diariamente, um quarto confortável e alimentação.

O sistema nacional do Canadá não fornece o tipo de terapia de que ele precisa, disse ele, e um fisioterapeuta neurológico particular teria cobrado cerca de US$ 93 (R$ 266) por hora.

McBain acertou seu tratamento em Cuba através de uma empresa em Toronto chamada Global HealthQuest. Ben Soave e Rosemary Toscani, que administram a empresa, disseram que ela regularmente envia pacientes para Cuba para fisioterapia, reabilitação de uso de drogas e álcool, e para tratamento de uma doença ocular chamada retinite pigmentosa.

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