sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Orgulho e preconceito


Tratado como pornográfico e pervertido, Nelson Rodrigues alegava que era preciso mostrar no palco nossos "pântanos íntimos". Exorcizando-os no teatro, conseguiríamos a civilidade fora dele.

As reações ao resultado da disputa presidencial mostram que estas eleições cumpriram um objetivo rodriguiano: trouxeram à luz os pensamentos mais sombrios.

É pedagógico ver os abastados vociferando contra os "pobres", os "ignorantes", os "vagabundos". Quem já tinha perdido qualquer esperança no PT pôde constatar que as mudanças dos últimos 12 anos foram significativas.

Quando pessoas tiram suas imbecilidades do recato recomendável e gritam que estamos numa "ditadura", que o PT é "terrorista" e que os iluministas paulistas --que já elegeram Maluf, Pitta, Quércia, Fleury e sofrem com a seca-- devem ser separados dos "atrasados" nordestinos, cujo PIB cresce mais do que os das outras regiões (2,55% no segundo trimestre ante queda nacional de 0,6%), algo se revela.

Domésticas têm carteira assinada; jovens negros entram na universidade e disputam os empregos; aeroportos estão cheios. O país do quartinho de empregada está enfraquecido. Há quem não se conforme.

O "país dividido", mais um clichê no rol da imprensa, não surgiu agora, mas há uns cinco séculos. Está é ficando mais nítido. Ainda bem. Galvão Bueno e o coração brasileiro batendo ao som do Olodum não existem. A Família Scolari tomou de 7.

É pena que alguns colunistas disseminem o preconceito. Insinuaram até que eleitores de Marina e Dilma poderiam não saber usar a urna eletrônica. Entrevistam poucos bípedes, mas conversam muito com o "mercado". As Marias Antonietas estão perdendo a cabeça, e o povo já anda comendo brioches. Que assim continue, apesar da crise econômica no Sudeste.

Eleições apertadas

Marcelo Rubens Paiva 

Eleição apertada não é exclusividade nossa.

Muitas eleições americanas são decididas voto a voto.

Kennedy x Nixon. O primeiro ganhou apertado em 1960.

A diferença foi de 112 mil votos.

Kennedy: 34.220.984      (49,7%)

Nixon: 34.108.157    (49,6%)

Kennedy perdeu na maioria dos estados (22 contra 26 do candidato republicano)
Ganhou no colégio eleitoral.

A de George W Bush foi decidida pela Suprema Corte.

Obama, eleito com 51,42%.
Hollande, eleito com 51,62%.
Dilma, reeleita com 51,64%

No final das contas, Dilma teve mais votos no Sudeste (20.931.961) do que no Nordeste (20.175.484)

Sai uma oligarquia, entra outra.

Não se iluda: todo Estado é oligárquico.

Raymond Aron escreveu em Démocratie et Totalitarisme (Gallimard): “Não se pode conceber regime que, em algum sentido, não seja oligárquico”.

As práticas dos governos oligárquicos que podem ser denominadas mais ou menos democráticas.

O governo democrático é ruim quando se deixa corromper pela sociedade democrática que quer que todos sejam iguais e que todas as diferenças sejam respeitadas.

E é bom quando mobiliza os indivíduos apáticos da sociedade democrática para a energia da guerra em defesa dos valores da civilização, aqueles da luta das civilizações.

O filósofo francês Jacques Rancière quem disse isso:

Os males de que sofrem nossas “democracias” estão ligados em primeiro lugar ao apetite insaciável dos oligarcas.

Não vivemos em democracias. Vivemos em Estados de direito oligárquicos, isto é, em Estados em que o poder da oligarquia é limitado pelo duplo reconhecimento da soberania popular e das liberdades individuais. 

Democracia não é brinquedo.

A disputa é quase sempre acirrada.

Raramente ocorre um 7 x 1.

A filosofia de Olavo de Carvalho



quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Maquiagem radical

#PartiuSP


Demervaldo, o cientista poliglota

Como é uma ditadura comunista de verdade

Um fato sem retificação

Janio de Freitas

Antes mesmo de alguma informação do inquérito, em início na Polícia Federal, sobre o "vazamento" da acusação a Lula e Dilma Rousseff pelo doleiro Alberto Youssef, não é mais necessário suspeitar de procedimentos, digamos, exóticos nesse fato anexado à eleição para o posto culminante deste país. Pode-se ter certeza.

Na quarta 22, "um dos advogados" de Youssef "pediu para fazer uma retificação" em depoimento prestado na véspera por seu cliente. "No interrogatório, perguntou quem mais sabia (...) das fraudes na Petrobras. Youssef disse, então, que, pela dimensão do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem. A partir daí, concluiu-se a retificação." Ou seja, foi só a acusação.

As aspas em "vazamento", lá em cima, são porque a palavra, nesse caso, sem aspas será falsa. As outras aspas indicam a origem alheia de frases encontradas a meio de uma pequena notícia, com a magreza incomum de uma só coluna no estilo em tudo grandiloquente de certos jornais, e no mais discreto canto interno inferior da pág. 6 de "O Globo", de 29/10. Para precisar melhor: abaixo de um sucinto editorial com o título "Transparência", cobrando-a da Petrobras.

Já no dia seguinte à "retificação", "Veja" divulgou-a, abrindo o material ao uso que muitos esperaram por parte da TV Globo na mesma noite e logo por Folha, "O Estado de S. Paulo" e "Globo". Nenhum dos três valeu-se do material. Se o fizessem, aliás, Dilma, Lula e o PT disporiam de tempo e de funcionamento judicial para para uma reação em grande escala, inclusive com direito de resposta em horário nobre de TV. O PT apenas entrou com uma ação comum contra "Veja".

O que foi evitado a dois dias da eleição, foi feito na véspera. A explicação publicada, e idêntica em quase todos os que se associaram ao material da revista, foi de que aguardaram confirmar o depoimento de Youssef. Àquela altura, Lula, Dilma e o PT não tinham mais tempo senão para um desmentido convencional, embora indignado, já estando relaxados pelo fim de semana os possíveis dispositivos para buscarem mais.

"O Globo" não dá o nome de "um dos advogados". Até agora constava haver um só, que, sem pedir anonimato, foi quem divulgou acusações feitas em audiências judiciais, autorizado a acompanhá-las, que nem incluíam o seu cliente. Seja quem for o requerente, pediu e obteve o que não houve. Retificação é mudança para corrigir. Não houve mudança nem correção. E o pedido do advogado teve propósito explícito: os nomes de quem mais sabia da prática de corrupção na Petrobras. Uma indagação, com o acusado preso e prestando seguidos depoimentos, sem urgência. E sem urgência no processo, insuficiente para justificar uma inquirição especial.

O complemento dessa sequência veio também na véspera da eleição, já para a tarde. Youssef foi levado da cadeia para um hospital em Curitiba. O médico, que se restringiu a essa condição, não escondeu nem enfeitou que encontrara um paciente "consciente, lúcido e orientado", cujos exames laboratoriais "estão dentro da normalidade". Mas alguém "vazou" de imediato que Youssef, mesmo socorrido, morrera por assassinato.

O boato da queima de arquivo pela campanha de Dilma ia muito bem, entrando pela noite, quando alguém teve a ideia de telefonar para a enlutada filha da vítima, que disse, no entanto, estar o papai muito bem. O jornalista Sandro Moreyra já tinha inventado, para o seu ficcionado Garrincha, a necessidade de combinação prévia com os russos.

A Polícia Federal suspeita que Youssef foi induzido a fazer as acusações a Dilma e Lula, entre o depoimento dado na terça, 21, e a alegada "retificação" na quinta, 23. Suspeita um pouco mais: que se tratasse de uma operação para influir na eleição presidencial.

A Polícia Federal tem comprovado muita e crescente competência. Mas, nem chega a ser estranho, jamais mostrou resultado consequente, quando chegou a algum, nos vários casos de interferência em eleições. Não se espere por exceção.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Música do dia



If you want to hang out, you've gotta take her out, cocaine
If you want to get down, get down on the ground, cocaine
She don't lie, she don't lie, she don't lie,
Cocaine

If you got bad news, you want to kick them blues, cocaine
When your day is done, and you want to run cocaine

She don't lie, she don't lie, she don't lie,
Cocaine

If your thing is gone, and you want to ride on, cocaine
Don't forget this fact, you can't get it back, cocaine

She don't lie, she don't lie, she don't lie,
Cocaine

She don't lie, she don't lie, she don't lie,
Cocaine

Dilma 7 x 1 Mentira


Vitória da petista encerra uma campanha em que o adversário enveredou pelo golpismo sem escrúpulos

Imagine esta história. Em depoimento, diretor de um banco internacional revelou (!) que barões da mídia embolsaram US$ 10 bilhões para derrotar Dilma Rousseff. Combinou-se mandar às favas o decoro, o ridículo. Uma parte da bufunfa, aliás, serviu para imprimir cartazes tipo "Foda-se a Venezuela", "Fora PT, queremos Cartier" etc., desde que empunhados por sobrenomes endinheirados. Esse delator não apresentou provas --nem lhe foram pedidas!-- sobre a negociata.

O advogado do meliante disse desconhecer as declarações. Esse jornalista, infelizmente, não tem condições de confirmar ou desmentir o depoimento. Pouco importa: a eleição bate às portas. Sabe apenas que, assim como um doleiro da moda, Alberto Youssef, tal diretor exibe um prontuário parecido.

O executivo internacional, segundo rumores, já havia feito uma delação premiada à época da crise de 2008. Aquela que incinerou no fogo do desespero milhões e milhões de famílias pelo mundo afora. Para salvar a pele, o diretor prometeu virar um santo. Mas o apego à roubalheira e à patifaria foi mais forte do que ele... diagnóstico semelhante ao do Ministério Público sobre Youssef, reincidente de delações premiadas: "Mesmo tendo feito termo de colaboração com a Justiça (...), Youssef voltou a delinquir, indicando que transformou o crime em verdadeiro meio de vida". Meio de vida!

Bem, na falta de medidas populares, tal história misturando ficção, desejo e mentira explica boa parte da derrota de Aécio Neves. Lavra, ao mesmo tempo, o atestado de óbito do pseudojornalismo difusor de "notícias" sem nenhuma veleidade de investigar, apurar, checar --respeitar o leitor. Por coincidência ou não, Ben Bradlee, o célebre editor que conduziu as investigações de Watergate que derrubaram Nixon nos EUA, morreu antes de presenciar momento tão degradante. Compare-se o conjunto de reportagens daquela época e a tentativa desesperada de criar agora, no papel, um novo atentado da rua Toneleros, que levou Getúlio ao suicídio em 1954. É a mesma distância que separa o ar puro do odor de esgoto.

Nada contra liberdade total para que mídias, conservadoras ou progressistas, tragam à luz fatos comprovados e opiniões diversas. Mas não incomoda perceber que, mesmo tendo em mãos o contraditório de Lula às denúncias de Youssef, este não tenha sido levado ao ar no mesmo "Jornal Nacional" da TV Globo a poucas horas da eleição? A triste realidade: bandoleiros de gravata, travestidos de "bem informados", tentam dar credibilidade a histórias oriundas de porões. A forma e o conteúdo, mais uma vez, andaram de mãos dadas.

A vitória de Dilma traz outras lições. Movimentos populares despertaram na reta final para assegurar conquistas. Essa fatura tem que ser paga pelo novo governo, sob pena de esvaziar sua vitória. A política de acender velas a Deus e ao Diabo já encontrou seu limite. No campo da democracia, as desigualdades devem ser combatidas à custa dos que têm mais. Inexiste outro jeito. E, para isso, é dispensável descer a baixarias em restaurantes, espalhar boatos criminosos e a outros tantos expedientes fartamente utilizados pela turma de azul. Basta recorrer ao povo.

No que interessa à civilização, não se trata apenas de ganhar eleições. É usar a vitória para melhorar a vida dos brasileiros. O país não está dividido. Sempre esteve, e sempre o estará, enquanto predominar um sistema baseado na sobrenomecracia, no dinheiro fácil e na valorização da usura sobre o trabalho.
Além do combate implacável à corrupção e de uma reforma política, a tarefa de democratizar os meios de informação, sem dúvida, está na ordem do dia. Sem intenção de censurar ou calar a liberdade de opinião de quem quer que seja. Mas para dar a todos oportunidades iguais de falar o que se pensa. Resta saber qual caminho Dilma Rousseff vai trilhar.

Aébrio diz que continuará sua carreira


É hora de comprar Brasil!

Raras vezes, na história da humanidade, um país se deixou cegar tanto pelo ódio político, pela intolerância e pela mentira, sendo tão vilipendiado por sua própria elite. Agora, que as eleições acabaram, relembre: o Brasil é exemplo global no combate à fome, tem a menor taxa de desemprego de sua história, uma nova classe média pujante, que adensa um dos maiores mercados de consumo de massa do mundo, e uma presidente revigorada pela vitória nas urnas; além disso, está prestes a se tornar um dos grandes produtores globais de petróleo, não há descontrole inflacionário e os ajustes necessários na economia são bem menos severos do que se apregoa; por último, mas não menos importante, o Brasil NÃO é bolivariano!; um bom Dilma a todos; artigo de Leonardo Attuch, editor-responsável pelo 247.


O Brasil amanhece, nesta segunda-feira, não muito diferente do que foi nos últimos dias, semanas e anos de governo Dilma – uma aposta renovada pelo eleitor brasileiro para os próximos quatro anos. O desemprego continua a ser um dos mais baixos da história, a inflação não está fora de controle e transformações estruturais, como o avanço na exploração do pré-sal, continuam em curso.

No entanto, raras vezes, na história da humanidade, um país foi tão vilipendiado e rebaixado por sua própria elite. Como jamais se viu, uma sociedade se permitiu cegar pelo ódio político, pela intolerância e pela mentira. Para citar apenas um caso, o dirigente de uma consultoria financeira lançou um livro intitulado "O Fim do Brasil", profecia que se realizaria em caso de reeleição da presidente Dilma. A julgar por seu catastrofismo, que foi levado a sério por alguns agentes do mercado financeiro, esta segunda-feira seria o "dia em que a terra parou", como diria Raul Seixas.

No entanto, basta abrir os olhos – sim, abrir os olhos, após a cegueira e a histeria das últimas semanas – para enxergar uma realidade bem diferente. O Brasil fechará o ano com a inflação dentro dos limites da meta pelo décimo ano consecutivo, com uma dívida interna estável, embora a situação fiscal seja menos confortável do que no passado, e com uma população que volta a confiar no futuro – este, um dos dados mais importantes das últimas pesquisas. Quando as pessoas acreditam que irão manter seus empregos e seu poder de compra, o motor do consumo e do crédito se mantém ligado e a pleno vapor.

Se há a necessidade de ajustes na economia, eles já são reconhecidos pelas autoridades, em Brasília. Especialmente em alguns setores, como o do etanol, que foi prejudicado pela contenção dos preços dos combustíveis e será beneficiado com a volta da Cide – um imposto que tornará o álcool mais competitivo na bomba. A boa notícia é que os ajustes necessários são bem menos severos do que se apregoa – 2015, ao contrário do que muitos imaginam, não será o ano da catástrofe anunciada.

Passadas as eleições, é também a hora de superar antagonismos, divisões e retomar o diálogo. Em vez de enxergar o copo meio vazio, é hora de encarar a metade cheia, repleta de avanços. O Brasil é hoje reconhecido pelas Nações Unidas como exemplo global no combate à fome e às desigualdades sociais. É também um país montado num caminhão de reservas internacionais, capazes de amortecer qualquer crise internacional. E que, com sua nova classe média, possui um dos maiores mercados de consumo do mundo, que irá continuar recebendo investimentos por muitos e muitos anos.

Se isso não bastasse, o pré-sal, de onde se extraem mais de 500 mil barris de petróleo/dia, já não é mais uma promessa. É realidade concreta e palpável. Aliás, se o Brasil foi rebaixado e vilipendiado por sua elite, que daqui extrai suas fortunas, o que dizer, então, da Petrobras? Relatórios das agências internacionais de energia, feitos por quem realmente entende do setor, a apontam como uma das empresas de maior crescimento projetado para os próximos anos. Depois dos investimentos, virá a colheita. E o Brasil, que viveu agudas crises no balanço de pagamentos no passado, em razão de sua dependência energética, tem tudo para se transformar num dos grandes exportadores globais de petróleo – como já é no setor de alimentos.

Dilma venceu as eleições porque, em algum momento, os eleitores – e não apenas os supostamente mal-informados, como diria FHC – se deram conta de que a propaganda negativa não correspondia à realidade. Será mesmo que o Brasil dos novos aeroportos, das usinas do Rio Madeira e da hidrelétrica de Belo Monte é mesmo "um cemitério de obras inacabadas"? Aliás, o que aconteceu com o apagão elétrico previsto no início de 2014? E a Copa do Mundo? Por onde andam os arautos do #naovaitercopa? Se tiverem bom senso, depois de o Brasil ter realizado a melhor de todas as Copas – fato que, infelizmente, ficou ausente da campanha eleitoral – não farão o mesmo discurso terrorista em 2016, ano dos Jogos Olímpicos.

O Brasil que emerge dessas eleições também tem uma possibilidade única de enfrentar a corrupção. Depois de tantos escândalos, todos eles associados ao financiamento privado de campanhas políticas, o País se vê diante da oportunidade histórica de aprovar a reforma política, tornando as disputas eleitorais menos dependentes do poder econômico. E a presidente Dilma, sem uma reeleição pela frente, e reconhecida como honesta por seus próprios adversários, é a pessoa ideal para levar esse desafio adiante. "Estou pronta a responder a essa convocação. Sei do poder que cada presidente tem de liderar as grandes causas populares. E eu o farei", disse ela ontem, em seu discurso da vitória. Um discurso preciso – e de arrepiar.

Por último, mas não menos importante, há que se dizer com todas as letras. Apesar de toda a histeria e toda a estridência dos nossos neoconservadores, o Brasil não é bolivariano. Aliás, o próprio PT é um partido que, há muitos anos, fez um escolha. Optou pelo caminho democrático – e não revolucionário. O Brasil é um país capitalista, que respeita a propriedade e os contratos, e que, neste caminho, promove a inclusão social. Aliás, a aposta na radicalização interessa apenas a pequenos grupelhos, que se alimentam do discurso do ódio. A estes, basta dizer que Miami é logo ali. À verdadeira elite brasileira, comprometida com o País, o que importa é seguir adiante, com mais igualdade e liberdade.

Como diria Eduardo Campos, não vamos desistir do Brasil. Até porque, depois de tantas mentiras e ataques, o Brasil ficou barato. É hora de comprar Brasil!

* Leonardo Attuch é fundador e editor-responsável pelo 247

domingo, 26 de outubro de 2014

Dilma Rousseff é reeleita Presidenta do Brasil e direita enfia o dedo no cu e rasga!








Brasil dividido

Os enganados e o mentiroso

Janio de Freitas 

O Brasil não fica dividido em razão da disputa eleitoral equilibrada, ou que assim aparenta nas pesquisas. Por um simples e persistente motivo: o Brasil é dividido. Desde que se tornou país.

A ideia de que o Brasil se divide agora é uma visão enquadrada no presente. Para não irmos mais longe, no conveniente olhar retroativo, a Revolução de 1930 foi a reação dos alijados na divisão que contrapunha a riqueza dominada por São Paulo-Minas ao restante do país.

O getulismo, que ali se originou e perdurou até 1964, manifestou de duas maneiras a continuidade da divisão. Uma, por si mesmo, como ditadura, depois quando reposto no predomínio político por eleição do próprio Getúlio e, mais tarde, no governo João Goulart; a outra, na reação que precisou encarar. Nesse embate, a semelhança de forças, entre as duas partes da divisão, resultou na instabilidade institucional e política como longa norma brasileira.

O golpe de 64 foi efeito da divisão entre as forças do conservadorismo e as que clamavam por acesso a mais direitos e alguns bens, por meio das reformas chamadas de estruturais nos anos 50 e de base nas reivindicações mais intensas e extensas do governo Jango. Os militares da ditadura jogaram no lixo da estupidez, mental e física, a oportunidade de atenuar a divisão. Silenciaram-na, apenas, à força contra a parte carente e, quanto à segunda, prestando-lhe os serviços desejados.

Com outra fisionomia, como por efeito de uma plástica, e como se deu nas eleições pós-ditadura militar, o que compõe a disputa eleitoral de hoje são as representações da continuada divisão do país.

Com as respectivas bandeiras de políticas convenientes ao capital e políticas de redução das desigualdades entre as classes que distinguem os brasileiros.

São partes inconciliáveis. Quem fala em unidade como tarefa do novo período presidencial ainda não percebeu nem a divisão pregressa do país. O máximo que as partes da divisão podem aproximar-se foi o que testemunhamos a partir do primeiro mandato de Lula. Período em que os possuidores da riqueza puderam multiplicá-la, graças ao governo, e as classes da parte de baixo da pirâmide social tiveram oportunidade de emprego, aumento do valor salarial e outros ganhos, e algumas melhorias importantes nas condições de vida.
Enganam-se muito os que imaginam divisão surgida no presente e unidade a ser conseguida no futuro perceptível.

NA FRAUDE

A última investida originada na imprensa para interferir na disputa eleitoral -última, bem entendido, até a hora em que escrevo- é feita com o nome do doleiro Alberto Youssef, com abuso do condicional ("teria dito", "teria feito"), com um hipotético delegado sem nome e com um tal depoimento de cujo teor nem o advogado do depoente ouviu falar.

Dado apenas como doleiro, Alberto Youssef é mentiroso profissional. E negócio são importações mentirosas para exportar dólares como pagamentos. Sua atual busca de delação premiada, em troca de liberdade apesar de criminoso confesso e comprovado, não é a primeira. Voltou a ser preso, há seis meses, porque, desfrutando de liberdade concedida pela Justiça como prêmio por antigas delações, dedicou-se aos mesmos crimes que se comprometera a não repetir. A delação premiada e o acordo com um juiz foram ambos mentirosos.

A investida e seus instrumentos são componentes que se mostram, como em outras eleições, da velha divisão do país.

sábado, 25 de outubro de 2014

Datafraude tenta manter Aébrio vivo

Dilma, com 52%, e Aécio, 48%, estão em empate técnico, aponta Datafolha

Pesquisa Datafolha com entrevistas realizadas nesta sexta (24) e neste sábado (25) mostra que o segundo turno da eleição presidencial chega ao final com uma disputa bastante acirrada entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB).

Na conta dos votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Dilma marcou 52%, Aécio alcançou 48%.

Trata-se de um empate técnico no limite máximo da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos.

A probabilidade maior que é Dilma esteja à frente. Isso porque a situação de empate efetivo só ocorre numa combinação que considera os máximos da margem de erro para cada um em sentidos opostos (Dilma para baixo, Aécio para cima).

Na pesquisa anterior do Datafolha, nos dias 22 e 23, Dilma tinha 53%, Aécio 47%, uma diferença fora da margem. A oscilação negativa da petista mostra agora que ela parou de abrir vantagem sobre o rival.

Em votos totais, o placar da última pesquisa do segundo turno é Dilma 47% ante 43% de Aécio. Brancos e nulos somam 5%. Outros 5% não sabem em quem votar.

Os números da atual pesquisa não podem ser confundidos com uma tentativa de previsão dos resultados da eleição deste domingo. O levantamento é um retrato da corrida eleitoral no período em que as entrevistas foram feitas. Com a maior das entrevistas foram realizadas nesta sexta, o levantamento não é capaz de captar com precisão eventuais mudanças de opinião no sábado. Nem tem como identificar eventuais alterações no próprio domingo.

O Datafolha também investigou as taxas de rejeição e convicção dos candidatos. Aécio é rejeitado por 41% (eram 40% na pesquisa anterior). Acerca de Dilma, 38% dizem não votar nela "de jeito nenhum" (eram 39%). Sobre a certeza do voto, 46% responderam que "votariam com certeza" na petista, enquanto 41% "votariam com certeza" no tucano.

Por encomenda da Folha e da TV Globo, o Datafolha ouviu 19.318 eleitores em 400 municípios. O nível de confiança é 95%. O registro da pesquisa no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-1210/2014.

Última pesquisa Globope mostra Dilma na frente e fora da margem de erro e de lucro

Na véspera da eleição, Dilma tem 53% e Aécio, 47%, diz Ibope


José Roberto de Toledo - Coordenador do Estadão Dados

Diferença está fora da margem de erro, mas petista parou de crescer



A presidente Dilma Rousseff (PT) chegou à véspera da eleição com 53% das intenções de votos válidos, contra 47% de Aécio Neves (PSDB), segundo o Ibope. A diferença está fora da margem de erro, de 2 pontos, para mais ou para menos. No levantamento anterior, concluído na quarta-feira, Dilma tinha 54% e Aécio, 46%. A última pesquisa antes da votação do 2.º turno, neste domingo, 26, foi feita na sexta-feira e no sábado.
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Em votos totais, Dilma continuou com 49% das intenções, enquanto Aécio passou de 41% para 43%. Esses dois pontos a mais vieram dos brancos e nulos, que oscilaram negativamente de 7% para 5%. Os indecisos permanecem em 3%. Eles só vão se decidir praticamente no momento de votar.

A pesquisa mostra uma interrupção da tendência de crescimento que as intenções de voto em Dilma apresentaram entre a semana passada e quarta-feira. Como é um ponto isolado na curva, não é possível saber se a diminuição da diferença entre a petista e o tucano indica uma reversão da tendência em favor de Aécio ou se é apenas uma oscilação estatística. Mas pode ser que parte dos eleitores descontentes que antes pretendiam anular tenham decidido pelo voto útil em Aécio.

Entre uma pesquisa e outra houve o debate presidencial na TV Globo, na noite de sexta-feira, que alcançou 30 pontos de audiência - média alta para o horário. Durante o debate, o tucano questionou a presidente sobre denúncia publicada na revista Veja, segundo a qual o doleiro Alberto Youssef teria dito em depoimento à Justiça que Dilma sabia da corrupção na Petrobrás. A presidente refutou a acusação e disse que processaria a publicação por injúria e calúnia.

A repercussão do caso cresceu após um grupo da União da Juventude Socialista (UJS) jogar lixo na calçada em frente da Editora Abril, na zona oeste de São Paulo, e pichar sua fachada em protesto contra a revista. 

Pelo Brasil. Por região, Dilma lidera com folga no Nordeste (68% a 27% dos votos totais), e Aécio, no Sudeste (50% a 39%). Há empate técnico no Norte/Centro-Oeste (Dilma 48%, Aécio 45%) e no Sul (Dilma 43%, Aécio 47%).

A avaliação do governo Dilma não mudou. A taxa dos que acham o governo ótimo ou bom continuou em 45%. Já os que o qualificam de ruim ou péssimo continuam em 23%. Outros 30% acham regular.

A pesquisa Ibope foi contratada pelo Estado e pela TV Globo. Foram ouvidos 3.010 eleitores, em 206 municípios de todas as regiões do Brasil, entre sexta-feira e sábado. A margem de erro máxima estimada é dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95% (se a mesma pesquisa fosse realizada ao mesmo tempo 100 vezes, em 95 delas o resultado esperado estaria dentro da margem de erro). A pesquisa foi registrada no TSE com o protocolo 01195/2014.

Grupo Estado

Eles sabiam de tudo!



O valor do ódio


Quando nos espantamos com as "baixarias" da campanha presidencial e --sempre desejosos do pai censor-- clamamos pelo rigor do TSE, fixamos os olhos na superfície e não vemos o que corre em região mais profunda: a escalada da intolerância. E esta não se resolve com cortes de minutinhos da propaganda eleitoral.

O século 20 foi um tempo de grandes guerras e da consolidação do capitalismo. Não se trata de mera coincidência. Os conflitos em larga escala propiciaram conquistas tecnológicas que se espalharam pelas relações entre capital e trabalho --pelo nosso cotidiano.

A economia do ódio tem ganhado novas feições no século 21, este de que se esperava, graças à internet, maior aproximação entre os homens. Escondidos em codinomes, pessoas ou grupos jogam no ventilador planetário mensagens racistas, xenófobas, homofóbicas, rejeições a todas as diferenças. No Facebook, seitas gritam contra facções rivais. Todos falam, poucos ouvem.

Para aumentar sua rentabilidade, um site depende do crescimento de três fatores: número de visitantes, número de páginas acessadas e, indiretamente, tempo de permanência dos usuários. Além de pornografia e da vida rastaquera das celebridades, o que mais atrai a massa virtual é a possibilidade de bater boca sem se levantar da cadeira. Fascismo de gabinete. O ódio é moeda forte do "novo capitalismo" --que nada tem de novo. É o capitalismo das cavernas com tacapes hi-tech.

Blogueiros criam expressões raivosas que viram tags conhecidas, potencializando sua audiência. São popstars da cultura do ódio.

Os marqueteiros políticos ainda pagam ociosos para que disseminem o terror nas redes sociais e nos portais de comunicação. Os candidatos são garotos-propaganda desse esgoto, mas o mau cheiro vem de todos nós.

A direita sem rumo


É Dilma, não tem mais jeito…


 Liga-me uma amiga, moradora de Botafogo, Zona Sul (não a mais chique, claro) do Rio:

 – Brito, quando acabou o debate, nos prédios em volta do meu e no meu, as pessoas foram pra janela gritar Dilma, Dilma! 

E eu aqui, meio sonolento, com um debate armado de forma amarrada, chata, travada,comecei a pensar: é, foi um a zero ou zero a zero, mas foi a decisão 

Ela não podia ter ganho mais do que continuar ganhando, sem perder nada ali. 

E o fato é este, Dilma ganhou porque não perdeu nada. 

A começar porque Aécio entregou a Dilma a primeira bola da partida, citando a revista Veja. 

Dilma deitou e rolou. E foi assim no primeiro bloco. 

Um outro amigo teve dados de um tracking feito sobre o debate, onde não houve mudança Para o eleitor não-engajado em campanha era um “político” contra uma mulher que é “não-política”.

Adivinha o que o eleitor prefere? Não houve bala de prata, nem bala de chumbo, nem bala de borracha. 

 Aquilo que disse mais cedo, que importava menos o debate do que o clima que o sucederia foi respondido pelas janelas de Botafogo. 

 A campanha de Dilma, para cima. 

 A de Aécio, para baixo.

 A vitória dela será semelhante à de 2010. Se a eleição fosse segunda-feira, seria maior. 

PS. Talvez tenha havido um “gol” que eu não sei mensurar daqui do Rio, na menção da Sabesp. As gravações com o encobrimento da crise viraram assunto em São Paulo e podem corroer mais ainda a situação de Aécio, apesar da cara de pau de Alckmin de que se tem de apurar de quem foi a “ordem superior” para o “abafa”…Tem gente que não tem espelho em casa…

Dilma vence por pontos debate da Globo e é favoritíssima

Dilma passou pelo teste do debate da Globo e é favoritíssima para ser reeleita
O debate da Globo tem características diferentes dos de outras TVs e portais. Ele conta com a presença dos chamados indecisos. Esses eleitores fazem perguntas mais programáticas, mas ao mesmo tempo quebram um pouco o ritmo do enfrentamento entre os candidatos. Até por isso, o debate da Globo foi menos eletrizante que os anteriores. E isso favoreceu a presidenta Dilma.
O primeiro bloco foi o mais quente. Como já era esperado, Aécio Neves foi pra cima de Dilma usando a capa da Veja logo de cara. Dilma se saiu de forma tranquila, mas muito firme. Disse que vai processar a revista e deixou meio claro que se tratava de uma tentativa de golpe eleitoral.
Nos outros blocos, o ritmo de ataques diminuiu. E  o debate ficou mais tranquilo e programático. De qualquer forma, ainda houve tempo para Aécio trazer à baila o mensalão e perguntar a Dilma o que ela achava do fato de Zé Dirceu estar preso.
E deu tempo também de Dilma perguntar se houve falta de planejamento no caso da falta de água de São Paulo, já que no Nordeste também não chove , mas não falta água. E aí veio a melhor tirada da noite. Dilma citou o humorista José Simão e disse que do jeito que a coisa estava indo os tucanos iam lançar o plano Meu Banho, Minha Vida.
Não houve grandes vencedores no debate desta noite. Mas eu diria que Dilma pode até ter ganhado por pontos.E que como já estava em vantagem, esse resultado foi excelente para ela
Hoje, em várias cidades brasileiras a militância petista foi às ruas de vermelho e criou um clima de vitória. Quando essa onda se forma é muito difícil revertê-la. Se Aécio começou com pequena vantagem no segundo turno, Dilma passa pelo debate da Globo como a grande favorita.
É claro que numa eleição dessas é de alto risco fazer previsões, mas este blogueiro cravaria todas suas parcas economias na vitória de Dilma no domingo.
Dilma deve ser reeleita presidenta da República, ganhando de toda a mídia, do PSDB, de Marina, da família Campos, de parte do PMDB e de toda a direita truculenta.
Não é pouca coisa.
Dilma deve ganhar de todos eles e com o apoio do PSoL e de quase todos os movimentos sociais brasileiros sérios.
Também não é pouca coisa.

Terroristas da Abril tentam justificar crime

247 - Ridicularizada no Brasil e no mundo com a hashtag #DesesperodaVeja, que foi o assunto mais comentado no Twitter em todo o planeta nesta sexta-feira (leia aqui), a publicação da Editora Abril cometeu um crime eleitoral ao soltar uma denúncia sem provas contra a presidente Dilma Rousseff (leia aqui), e será responsabilizada judicialmente em todas as esferas.
Tanto pela presidente Dilma Rousseff (leia aqui), quanto pela direção do Partido dos Trabalhadores (leia aqui). Veja tentou produzir uma "bala de prata", mas, de sua espingarda, saiu apenas um tiro de espoleta, que não mereceu nem sequer uma citação no Jornal Nacional.
Emparedados, os terroristas da Editora Abril – sim, eles cometeram um atentado terrorista contra a democracia brasileira – divulgaram uma nota para tentar justificar o crime eleitoral cometido.
A nota não é assinada. Não se sabe se é da lavra do dono Giancarlo Civita, do executivo Fábio Barbosa ou do editor Eurípedes Alcântara. Caberá a justiça identificar os responsáveis pelo crime eleitoral.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A resposta do povo às mentiras da Veja é a vitória de Dilma

Mídia golpista: Que morram de ódio, viveremos com amor


Capas da Veja das vésperas de cada eleição desde 1989 (em 2014, deixaram de fazer campanha só na véspera; desta vez, fizeram o tempo inteiro).

Detalhe: a denúncia da vez não durou nem duas horas e já foi desmentida por... vejam só!... O Globo, cuja matéria sobre a matéria traz entrevista com advogado do tal doleiro dizendo:

"ADVOGADO ALERTA PARA "ESPECULAÇÃO"

Ele disse que Youssef prestou muitos depoimentos no mesmo dia e que o doleiro estava acompanhado de advogados de sua equipe.

— Conversei com todos da minha equipe e nenhum fala isso. Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo. É preciso ter cuidado porque está havendo muita especulação." (fonte: AQUI)

O fato é que a mídia está desesperada: o DONO do Estadão foi à passeata pró-Aécio e carregou um cartaz que dizia "Foda-se a Venezuela!", enquanto um dos herdeiros de O Estado de Minas chamou Lula, um ex-presidente, de "cachorro" em um post no Facebook. 

Este é o nível dos caras: mentem, espalham boatos e desinformações ("o TSE determinou que os eleitores de Dilma devem votar só em novembro", "Dilma 45", "uma médica disse que Lula vai fingir passar mal", etc) e, quando tudo falha, partem para o golpismo óbvio (Reinaldo Azevedo já pediu impeachment de Dilma na Jovem Pan, cujo dono é - tchã-rã - o cara que tirou a foto do dono do Estadão no ato pró-Aécio e a compartihou orgulhoso no Facebook.

Eu disse em minha conta no Twitter há alguns dias (ei, sigam lá: http://www.twitter.com/pablovillaca) que, ao perceberem que Dilma abria vantagem, eles iam tentar um golpe sujo. E tentaram. Reciclando, inclusive, a capa que haviam usado para falar de PERSONAGENS DE NOVELA (confiram AQUI). A ideia, pra quem ainda não percebeu a dinâmica, é que a capa de hoje permita que o Jornal Nacional "noticie" amanhã o que Veja disse. Na véspera da eleição.

Mas não serão bem sucedidos. O povo já não se deixa enganar por esses truques sujos. 

E para encerrar este post numa nota positiva, deixo vocês com este lindíssimo depoimento que recomendo que vejam e compartilhem: https://t.co/WG9vAW5eMN

Depois acusam Dilma de "desconstruir" Aécio. Ora, a mídia vem tentando desconstruir Dilma há quatro anos e não consegue; se Aécio foi "desconstruído" em três semanas, é porque não tinham conteúdo algum que o sustentasse.

Que morram de ódio. Viveremos com amor.

Advogado de doleiro: Veja mentiu sobre Dilma

O advogado Antonio Figueiredo Basto, que comanda a defesa do doleiro Alberto Youssef, afirma que desconhece o depoimento de seu cliente que ancora a capa de Veja, publicada ontem, em edição extra; “Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso (que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras). Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso”, afirmou; "Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo"; tentativa de golpe contra a democracia é manobra da revista conduzida pelo jornalista Eurípedes Alcântara e pelo executivo Fábio Barbosa, que comanda a Abril, no lugar dos Civita; jornalismo brasilero atinge seu momento mais torpe
247 - A tentativa de golpe da Editora Abril contra a democracia brasileira não durou um dia. Menos depois de 24 horas após circular com uma edição extra, acusando a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula de "saberem de tudo" sobre o esquema denunciado na Petrobras, o "depoimento" do doleiro Alberto Youssef foi desmentido por ninguém menos que seu próprio advogado, o criminalista Antonio Figueiredo Basto.
“Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso (que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras). Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso”, afirmou Basto. “Conversei com todos da minha equipe e nenhum fala isso. Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo. É preciso ter cuidado porque está havendo muita especulação”, alertou o advogado.
A edição de Veja foi antecipada para esta quinta-feira para tentar interferir na sucessão presidencial, sobrepondo-se à soberania popular. Ontem, pesquisas Ibope e Datafolha confirmaram a liderança da presidente Dilma Roussef nas pesquisas eleitorais (leia aqui).
Os responsáveis diretos pelo atentado à democracia cometido pela Editora Abril são o diretor de Redação de Veja, Eurípedes Alcântara, o executivo Fábio Barbosa, que conduz a gestão da empresa, além dos acionistas da família Civita. Conduziram o jornalismo brasileiro a seu momento mais irresponsável, mais vil e mais torpe.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Aécio vira pó nas pesquisas!!!!

247 – Levantamentos divulgados pelos institutos Datafolha e Ibope na tarde desta quinta-feira 23 apontam vantagem de seis e oito pontos, respectivamente, da presidente Dilma Rousseff em relação ao candidato do PSDB, Aécio Neves.
No Datafolha, ela atinge 53% das intenções dos votos válidos, contra 47% do tucano. Em comparação com a última pesquisa, Dilma cresceu um ponto, enquanto Aécio perdeu um.
Em votos totais, Dilma registrou 48%, enquanto Aécio atingiu 42%. Brancos e nulos representaram 5% dos entrevistados. Outros 5% disseram não saber em quem votar.
No Ibope, a presidente cresceu seis pontos em relação à última mostra, da semana passada, e registrou 54% dos votos válidos, ante 46% do adversário.
Considerandos os votos totais, Dilma registrou 49% contra 41% de Aécio. Segundo a pesquisa, os indecisos são 3% e 7% responderam que vão votar nulo ou em branco no próximo domingo 26.
Com essa diferença, nos dois levantamentos, a candidata à reeleição pelo PT passa a liderar a disputa à Presidência da República isoladamente, pela primeira vez no segundo turno.

Inclusão social vai melhor com Dilma

Renato Janine Ribeiro

Ainda não completamos a agenda da inclusão social no país. Para consumá-la, o PT continua sendo o partido mais capacitado

As últimas décadas no Brasil são uma história de sucesso, ao contrário do que muitos dizem. Só que esse sucesso se deu de maneira bastante lenta, ao contrário do que muitos de nós desejaríamos.

Desde 1985 acumulamos vitórias. A primeira agenda democrática, como eu a chamo, foi a democratização das instituições, iniciada naquele ano, após uma luta de duas décadas capitaneada pelo PMDB. Assim foi que a minoria oposta à ditadura se tornou legião. Hoje, só um deputado, de todo o Congresso Nacional, é contra a democracia!

A segunda agenda foi a vitória sobre a inflação, que demorou mais ou menos 15 anos e que foi assumida pelo PSDB, com o Plano Real. Outro sucesso. Ninguém mais defende a volta da inflação.

A terceira agenda democrática é a mais difícil: a inclusão social. A luta contra a desigualdade começa em 1580, data da possível fundação do quilombo de Palmares. Mas a inclusão só virou política irrenunciável de Estado com Lula, a partir de 2003. O Bolsa Família e a recuperação do salário mínimo tiraram mais de 50 milhões de pessoas das classes D e E, caminhando para tornar o Brasil um país de classe média, como quer Dilma Rousseff.
Hoje ninguém concorre ao cargo de primeiro mandatário da República sem elogiar os programas de inclusão social. Mas o motor sustentável da inclusão não são eles, e sim o aumento real do salário mínimo, que subiu muito nestes anos, porém ainda precisa chegar à exigência constitucional de uma remuneração digna.
Quem tornou esse tema compromisso do Estado e da sociedade brasileiros foi o PT, que chega nesta eleição com a promessa de manter aumentos reais do salário mínimo.
A agenda da inclusão social está incompleta. Quanto mais excluída a pessoa, mais laborioso é integrá-la. Desde a escravização do primeiro índio até hoje, são 500 anos de estragos. Mudar isso é mais difícil que melhorar as instituições ou consertar a moeda.
Mas o PT cometeu erros. Um deles foi parar de disputar os corações e mentes da sociedade. Se Lula se elegeu em 2002, foi porque no plano ético a maioria tinha se aberto aos valores de solidariedade social: "Se a miséria dos outros o incomoda, você é um pouco petista", dizia um clipe de campanha.

Mas, uma vez no poder, o PT não elaborou o caráter moral da luta contra a miséria. Deixou a ética ser apropriada pela oposição, em que pese o telhado frágil dela. Deixou a oposição reduzir a discussão moral no país ao tema da corrupção, esquecida do grande imperativo ético do Brasil e do mundo que é o resgate da miséria. (É óbvio que têm de acabar tanto miséria como corrupção.)

Nossos partidos terão que se refundar nos próximos anos. Nenhum deles prioriza o que chamo quarta agenda democrática, a de junho de 2013, que afeta a classe média, mas também os pobres: a qualidade da educação, saúde, segurança e transporte públicos. Essas falhas são mais dos Estados e municípios que da União, mas a propaganda soube colar o descontentamento de 2013 na conta petista, não na dos governadores de oposição.
A quarta agenda traz os temas de amanhã. Quando não precisarmos de carro, plano de saúde, segurança particular e escola paga para termos qualidade de vida, nossa democracia terá um nível europeu.

Diga-se que o PT tem iniciativas estruturantes para essas áreas. O partido sabe dar escala a seus projetos de governo, isto é, fazer que não afetem só uma parte da cidade ou da sociedade, mas que beneficiem a todos, inclusive a maioria de pobres.

Por ora, ainda não completamos a agenda da inclusão social. Para consumá-la, o PT continua sendo o partido mais capacitado. Como poderá ser --mas para isso precisará reinventar-se-- para tratar da quarta agenda como algo que funcione para a sociedade como um todo.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Só a corrupção alheia incomoda brasileiro

Eleições, tio Arthur e a geladeira
Sofremos de uma curiosa disfunção em que ignoramos os próprios desvios

ANTONIO PRATA

Nós, brasileiros, sofremos de uma curiosa disfunção cognitiva, que incide sobre a população com a mesma frequência que a intolerância à lactose, entre os japoneses, ou a inclinação para os trocadilhos, entre os ingleses. Falo da nossa capacidade de nos indignar com a corrupção alheia ao mesmo tempo em que ignoramos completamente os próprios desvios. Conforme o segundo turno das eleições presidenciais se aproxima, dia 26, o mal se alastra como uma epidemia.

Nos bares, nas ruas e nas redes sociais, defensores de Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, e do senador oposicionista Aécio Neves, do PSDB, não se cansam de apontar o dedo uns pros outros e relembrar as roubalheiras em que o partido rival se envolveu. Os petistas costumam citar o escândalo da reeleição, em que o PSDB é acusado de subornar congressistas para aprovarem uma emenda constitucional, permitindo que Fernando Henrique Cardoso concorresse novamente à Presidência, em 1998. Os psdbistas citam o caso do mensalão, em que políticos da base do PT, na Câmara, recebiam mensalmente dinheiro desviado do caixa 2 da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Infelizmente, quando se trata de reconhecer as próprias lambanças, o silêncio é sepulcral. Nem aqueles poucos que conseguem se manter isentos no meio do tiroteio partidário escapam à disfunção cognitiva. É comum ouvirmos que o problema não seria o PT nem PSDB, mas os políticos, como um todo; como se os políticos fossem uma espécie à parte, ETs infiltrados com o intuito de corromper nossa idônea população. Nesse quesito, porém, a população não precisa de ajuda.

Lembro bem de quando fui apresentado à corrupção. Era domingo, eu tinha uns sete, oito anos de idade e almoçava na casa de um tio. Vamos chamá-lo de Arthur. Arthur era o meu parente mais rico e morava numa casa com piscina. Lá pelo meio do almoço ele contou à família, orgulhoso, como havia encontrado um jeito de desligar o registro de água em frente à casa, de modo a encher a piscina sem gastar um tostão. Não me lembro de o terem repreendido. Hoje, meu tio está aposentado, mora num apartamento e, vira e mexe, me repassa uns e-mails revoltados contra a corrupção do PT, no governo.

Eu gostaria de acreditar que tais condutas são coisa de gente mais velha, que os avanços do país nas últimas décadas tornaram mais ética a nossa postura, mas isso não parece ter acontecido. Uma amiga minha, advogada de trinta e poucos anos, criou no computador um documento falso de cabeleireira para ter desconto numa loja de xampus. Ela é sócia de um escritório de direito tributário e com o que ganha em um ano poderia, provavelmente, comprar xampus para as futuras três gerações de sua família. Um psicanalista com quem me consultei, anos atrás, cobrava mais barato caso eu pagasse as sessões em dinheiro vivo, permitindo-lhe burlar a Receita Federal. Quando você pede um recibo para um taxista, no Rio de Janeiro, costuma ouvir como resposta: "Que valor quer que eu ponha?". O raciocínio do motorista é que, como uma empresa te reembolsará aquele valor, você pode supervalorizar a corrida e roubar uns R$ 10 ou R$ 20 do seu empregador. Em troca do "favor", claro, ele espera uma pequena porcentagem do desvio. As possibilidades de corrupção estão até nas situações mais prosaicas. Uma ida ao cinema, por exemplo. Todo cidadão brasileiro acredita que é seu direito inalienável furar a fila, caso encontre um amigo melhor posicionado. Você chega ao cinema, garante o lugar no fim da fila e diz ao seu par: "Peraí que eu vou ver se eu conheço alguém mais lá na frente". No Facebook e no Twitter, contudo, a culpa por todos os nossos males é do PT, do PSDB ou dos políticos, em geral.

Claro que houve avanços, nos 20 anos em que PSDB e PT estiveram no poder.

Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), do PSDB, acabou com a hiperinflação, valorizou a moeda, tirou a economia da UTI. Lula (2003-2011) e Dilma (2011 até hoje) aprofundaram, reformaram e criaram programas sociais que alçaram 50 milhões de pessoas da pobreza à classe média. Esses avanços, porém, se deram sem sanar os velhos problemas: alianças espúrias para se obter maioria no Legislativo, troca de favores, fisiologismo, corrupção.

São traços de um país que surgiu, 514 anos atrás, como uma despensa ultramarina de Portugal, onde homens vinham ganhar dinheiro longe da lei, da cruz e das mulheres: primeiro, extraindo pau-brasil, (árvore cuja seiva vermelha era usada para tingir tecidos e que emprestou o nome ao nosso país), depois plantando cana de açúcar, traficando escravos, garimpando ouro e pedras preciosas.

Muito da inconsequência e do imediatismo daqueles exploradores continua vivo entre nós.

Seria eu o único brasileiro livre desses traços? Evidente que não. Ano passado, comprei uma geladeira. Na loja, disseram que, além de entregar, poderiam instalá-la, por R$ 450. Achei caro, disse que eu mesmo a instalaria. Quando ela chegou, no entanto, percebi que não daria conta sequer de tirá-la da caixa, imagina só de fazer as conexões hidráulicas necessárias. O entregador deu uma tussidinha e propôs: "Amigão, se quiser, eu instalo agora, por R$ 100. Mas, assim... A loja não pode ficar sabendo...". "Claro", assenti. O tio Arthur ficaria orgulhoso, se soubesse.

Outro dia, olhando essa geladeira, compreendi que ela é um pouco a imagem do Brasil atual: moderna, potente, vistosa, na frente, mas funcionando somente graças às velhas conexões que insistimos em perpetuar, lá atrás. Pode ganhar Dilma ou Aécio, dia 26: ainda vai levar muito tempo para resolvermos os problemas que estão nas raízes do pau-brasil.

* Antonio Prata, escritor, também é colunista da Folha de S.Paulo. 
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