sábado, 24 de fevereiro de 2018

O pensamento vivo de Adam Smith


Partido Supostamente De Bandidos


Diga-me com quem andas e te direi quem és!


Jorge Linden

Você já viu Ciro atacar Alckmin? Ou Bolsonaro? Ou Huck? Ou Álvaro Dias? Ou Temer? Ou Marina? Ou Moro?

E Ciro atacar Lula, você já viu?

Nem os leitores acreditam nas fake news da Folha


Documentário sobre o golpe contra Dilma ganha prêmio do público em Berlim

O Processo

Documentário sobre impeachment de Dilma ganha prêmio do público em Berlim

Bruno Ghetti
Colaboração para o UOL, em Berlim


O filme "O Processo", documentário de Maria Augusta Ramos sobre o impeachment de Dilma Rousseff, foi premiado no início da tarde deste sábado (24) no Festival de Berlim. O longa ganhou o prêmio de melhor documentário escolhido pelo público na mostra Panorama, a segunda mais importante do evento. 

"Quando a gente escolhe um tema pra investigar e fazer um filme, existe um desejo de dividir esse mergulho com o público. E depois, quando o filme fica pronto e recebe um prêmio do júri popular, eu arrisco dizer que talvez seja uma das maiores realizações como diretora. E é muito relevante também pelo filme ser sobre um episódio histórico do Brasil e estar sendo compreendido por audiências de outras latitudes", disse a diretora ao UOL.

O filme se dedica a esmiuçar o processo político e jurídico que culminou com o afastamento de Dilma do poder, em agosto de 2016. Com imagens de bastidores e trechos de discursos da acusação e da defesa, "O Processo" defende que o impeachment teve motivação sobretudo política, e não apenas jurídica.

"O Processo", que estreou em Berlim na última quarta-feira sob muitos aplausos ao final e gritos de "Fora, Temer!", deve estrear no Brasil em junho. A cerimônia de entrega dos prêmios será no domingo à tarde e Maria Augusta estará presente. 

A cerimônia com a entrega do Urso de Ouro e demais prêmios da mostra competitiva oficial do evento será a partir das 19h na hora local (15h, no horário de Brasília) deste sábado.

Brasil premiado

Na noite de sexta-feira, o Brasil também saiu vencedor em dois prêmios importantes em Berlim. "Tinta Bruta", de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon , levou o Teddy Award (específico para filmes de temática LGBT) de melhor longa de ficção e, neste sábado, recebeu o prêmio da Confederação Internacional de Cinema de Arte e Ensaio. Já "Bixa Travesty", de Kiko Goifman e Cláudia Priscilla, sobre a cantora Linn da Quebrada, ganhou o Teddy de melhor documentário.

Por sua vez, "Zentralflughafen THF", um documentário sobre o centro de apoio a refugiados instalado no antigo aeroporto de Tempelhof na capital alemã, recebeu o prêmio Anistia internacional. O filme, uma coprodução franco-alemã, foi dirigido pelo brasileiro Karim Aïnouz, que em 2014 concorreu ao Urso de Ouro na seção oficial do Festival de Berlim com "Praia do Futuro".

Liberdade e Democracia

Pelo amor de Deus! Salvem os bancos primeiro!

Fernando Horta

Algumas pessoas medem "liberdade" através de métricas sobre o "livre mercado", "livre iniciativa econômica", "liberdade de expressão" e "mínima intervenção do Estado na economia".

Outras medem liberdade vendo se a população é livre da fome, livre da mortalidade infantil, livre do analfabetismo, livre do controle religioso e livre do desemprego.

Não são apenas duas formas de medir "liberdade". São dois mundos diferentes, dois projetos de sociedade diferentes, dois conjuntos de valores diferentes.

Um procura uma sociedade que funcione apenas para o 1% mais rico. O outro se preocupa com os 99% restantes. Qual delas é realmente democrática?

Entre o Iphone barato ou comida e educação para todos, entre carros baratos e mortalidade infantil zero eu sei as minhas escolhas.

Intervenção militar no gueto do Rio




Ciro Gomes, Marina Silva e o PSOL ainda vão nos dar muitas alegrias


Gustavo Conde

Peço desculpas preliminares aos ciristas, marinistas e psolistas. Mas, eu sou como a lagartixa: eu não tenho o rabo preso com ninguém, nem comigo mesmo. Feita a advertência, mergulhemos na questão.

O epísódio "Ciro Gomes" atualiza a 'pulsão de morte libidinal petista lulista reversa' que todo brasileiro recalcado politicamente tem dentro de si. Nesse sentido, Ciro e Marina são realmente idênticos. No fundo, eles morrem de inveja de Lula.

Lula, mesmo sendo caçado impiedosamente há 40 anos - e de maneira muito mais violenta há 3 - esbanja 40% de intenção de votos (60% dos válidos, mais ou menos) e Marina e Ciro, como todo o legado político e verbal que deixaram, ostentam seus 2% e 6% históricos, respectivamente. Eu também morreria de inveja.

Não bastasse, eles se colocam contra Lula e, fatalmente, alinham-se ao golpe (e à Globo). Me diz: tu não fica envergonhado de estar do mesmo lado da Globo, cirista-marinista? Ok. Pode ser que Ciro não esteja alinhado à Globo. Mas, pede para ele se manifestar a respeito. Vai ouvir um sonoro silêncio.

Ciro tem o ethos de machão, mas paga de indeciso como qualquer ex-tucano - lamento profundamente ter que dizer isso e desmanchar castelos de areia. Acenar para Marina Silva a essa altura do campeonato é o sintoma máximo do oportunismo e do desespero (e da humilhação).

Como a elite brasileira, eles também não suportam Lula - assim como o Psol não suporta Lula. Lula tem ‘sentido’ demais para eles. Eles não suportam tanto 'sentido'. Dá muito trabalho lidar com o sentido, exige interpretação de texto, essa coisa chata e cansativa.

Curioso e terrível ter que admitir que, em tempos bicudos e extremos, se você "pisca" para o poder que te sufoca e te manipula, você já está do lado deste poder. Não há meio termo (e isso é ótimo, porque mostra quem é quem).

Essa é uma lei espontânea da linguagem e do mundo simbólico (está em Michel Pêcheux e Jean-Jacques Courtine, linguistas franceses, para quem quiser se aprofundar). O mundo simbólico é complexo e polifônico? Sim. E é por isso mesmo que, às vezes, ele pode ser polarizado, dicotômico e maniqueísta. O mundo simbólico, meus caros, é um camaleão que jamais te dará uma chance de reduzi-lo a uma receita pronta e acabada.

De sorte que Ciro e Marina e respectivos simpatizantes não têm a menor ideia do que seja isso, mesmo Marina sendo uma insinuante ambientalista leitora de psicanálise e Ciro, um eminente professor de direito constitucional, frequentador de rodas sofisticadas de intelectuais orgânicos e, gloriosamente, ex-ministro de FHC - além de ser um dos ‘pais’ do plano real.

Eles são a elite da elite brasileira, mesmo Marina tendo sido alfabetizada aos 16 anos, após infância paupérrima no Acre. Simplesmente, porque ela, 'coadjuvâncias insuportáveis' depois, passou a adorar a elite e a ela se converteu (muito mais do que à religião que professa e obscurece ao mesmo tempo).

A elite foi generosa com Marina, acolheu-a docemente através da 'educadora' Neca Setúbal, essa filantropa de vocação e de nascença - sem esquecer de Guilherme Leal, um dos donos da Natura e humanista convicto.

Ciro e Marina, Marina e Ciro. Deve doer aos simpatizantes desses rebentos encostar um nome no outro. Mas, eu lhes garanto: a culpa não é minha (eu não tenho nada a ver com isso).

O fenômeno que emerge dessas faíscas sentimentais - a aliança improvável e auto-rechaçada -, atende sempre por um e apenas um espasmo retórico: botar a culpa no PT.

Ciristas, marinistas e psolistas são profissionais da "terceirização da culpa". Algo deu errado? Culpa do PT. Contradição em mim? Culpa do PT. Passado inconfessável? Culpa do PT.

Ciro Gomes, portanto, fez-nos o favor de antecipar mais uma vez o suicídio da própria candidatura e o tradicional salto no penhasco dessa falsa esquerda que detesta Lula , mas que não consegue chegar ao poder nem formular absolutamente nada de novo – ou um discurso com vida própria, pelo menos. Como diz o meu amigo Leonardo Attuch, sem Lula, a política brasileira é um imenso vazio.

Fica meu agradecimento a Ciro. Ele foi pedagógico e se sacrificou. Queimou a si próprio mais uma vez e, de quebra, levou Marina - o que caracteriza outro favor à democracia representativa que não se alinha à Rede Globo no primeiro susto.

Vale decantar cifras desse histórico de ‘terceirização de culpa’. Em 2014, a candidatura fraudulenta de Marina desenhou isso. Ela quis debater e derreteu sozinha, com sua coleção infinita de contradições e ausência de clareza técnica (ela não sabe o que é economia). Caiu de joelhos diante de Dilma Rousseff, no que diz respeito ao debate. Foi humilhante.

E o que a esquerda ressentida fez? Botou a culpa no PT, ou melhor, nos marqueteiros do PT - de maneira alinhada à imprensa golpista e a intelectuais tucanos. Acusaram-nos de "destruir" Marina. Tem coisa mais pusilânime que isso? Sem esquecer que, no segundo turno, Marina deu a mão para Aécio beijar, outro legado que ela deixa à posteridade.

Marina, portanto, derreteu sozinha, isso é histórico. É desse vazio propositivo fatal que a suposta esquerda periférica se ressente tanto. Ela se deixa turbinar pela imprensa corporativa, morde as iscas como bagres de cativeiro, e depois se desencanta consigo mesma e com as próprias contradições, não sem deixar a conta, claro, para o PT. Se é para morrer, que se morra atirando, sempre.

A campanha de Ciro em 2002 foi caracterizada por este exato movimento (embora, ele tenha apoiado Lula no segundo turno): colocaram a culpa da fala dele sobre a própria mulher - fala que o fez derreter eleitoralmente - no PT. O PT foi culpado pelo machismo de Ciro Gomes, vejam vocês.

Com Freixo na Folha de S. Paulo, foi a mesma coisa. Simpatizantes do Psol ficaram decepcionados com a entrevista e o que fizeram? Colocaram a culpa no PT.

Cansa. Mas é bonitinho. Parece uma coisa, assim, de criança. Ciro Gomes e Marina Silva ainda vão nos dar muitas alegrias. Mas, seria interessante que eles defendessem a democracia em primeiro lugar, antes de defenderem seus próprios interesses pessoais. Enquanto eles insistirem em 'querer ser o Lula', eles vão apenas figurar como linha auxiliar do golpe.

A direita em festa


Cercados


Vamos conversar sobre Fake News mais uma vez, Folha?



Camilo De Oliveira Aggio 

Não tive que esperar nem 24h para provar, gritantemente, meu ponto. Eis a minha suíte.

Ontem espalhou-se a notícia sobre Paulo Preto. Ex-diretor da Dersa em governos tucanos, acusado de ser operador de proprinas do PSDB - que Folha chama de Caixa 2 - em troca de contratos em obras rodoviárias. Indivíduo, inclusive, amigo declarado de Aloysio Nunes, ministro de Michel Temer. O MP da Suíça descobriu que o cara mantinha R$ 133 milhões de reais em conta.

Olhem o destaque que ganhou na Folha de ontem. Ali, no cantinho esquerdo da Foto 1, sem direito a sequer um linha de apoio e com título para lá de ambíguo e confuso, afinal, lacunas podem ser o que significa, de fato, no caso (tramoias e manobras da justiça) ou inconsistência da acusação.

Ontem dizia como seria a cobertura dessa notícia caso fosse um petista e não um tucano a ser flagrado com mais de dois bunkers de Geddel em conta suíça.

Pois bem, na outra foto, vejam qual a manchete de hoje. E vejam o nível do ridículo que a sina persecutória partidária de Folha atinge sem vergonha. A notícia se refere à descoberta de um provável esquema de corrupção envolvendo Sergio Cabral e a Fecomércio do Rio de Janeiro. Descobriram que houve repasse de mais de 60 milhões de reais ao escritório de Roberto Teixeira. O advogado em questão tem, como cliente, dentre, imagino, muitos, Luís Inácio Lula da Silva.

Pronto, foi o que bastou para a notícia se tornar manchete e, vejam, para Folha aproveitar a oportunidade de citar o nome "Lula" e sugerir sua associação ao esquema.

E onde está o absurdo? Está no fato de nada na investigação apontar para Lula, como destaco na foto 3 um trecho extraído da matéria. Lula está ali como, por exemplo, esteve na célebre capa de Folha quando da prisão de Delcídio do Amaral (Foto 4): porque Lula a gente tem que expor, implicar, acusar e perseguir, não importa se a reboque da renúncia de qualquer princípio de isenção jornalística ou senso do ridículo. O PSDB, a gente esconde, depois abafa.

Vamos conversar sobre Fake News mais uma vez, Folha?

E por falar em suíte, me perguntem se existe alguma menção ao caso Paulo Preto na Folha de hoje.

Como "previ" ontem: SÓMÍU!!

Polícia Federal investigará dono da rádio Ku Klux Pan por sonegação e lavagem de dinheiro

MPF manda Polícia Federal investigar dono da Jovem Pan por sonegação e lavagem de dinheiro 

Por Joaquim de Carvalho

O Ministério Público Federal determinou à Polícia Federal que abra inquérito para apurar a denúncia contra Antônio Augusto do Amaral Filho, o Tutinha, dono da Jovem Pan e do Pânico, pelos crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

A denúncia envolve também três filhos adultos de Tutinha e a prima dele, Maria Alice Carvalho Monteiro de Gouvêa, que seria responsável pelo envio de recursos ao exterior de maneira a dissimular o nome de Tutinha.

A denúncia integra a Notícia de Fato número 1.34.001.0063220/2016-03, assinada pelo procurador da república Sílvio Luís Martins de Oliveira. Na notícia, a partir de uma representação da ex-mulher de Tutinha, Flávia Eluf Lufty, ele afirma:

—Ressalte-se, por oportuno, que a remessa significativa de divisas para o exterior, sem a comprovação nos autos, indica possível envio de recursos de forma ilegal ou para o fim de promover lavagem de capitais.

O procurador determina à Polícia Federal algumas providências, entre elas o envio de ofícios à Secretaria da Receita Federal para que indique se Tutinha ou os filhos Daniela Amaral de Carvalho, Antônio Augusto Amaral de Carvalho e Gabriela Amaral de Carvalho, bem como a prima e a empresa dela, Consenso Investimentos Ltda., respondem a processo administrativo fiscal.

O procurador determinou ainda a requisição junto à Receita Federal dos dados fiscais de todos eles, no período de 2010 a 2016.

“Sugere-se, ademais, a análise das movimentações bancárias dos envolvidos, referente ao mesmo período, com o objetivo de determinar os caminhos trilhados pelos valores sob análise. Por fim, sejam expedidos ofícios ao Bacen (Banco Central) para que informe se possuem registros das operações de câmbio contratadas pelos investigados acima, bem como promova-se suas oitivas, a fim de que esclareçam e comprovem os fatos noticiados, dentre outras providências a serem adotadas a critério da autoridade policial.”

A notícia foi acompanhada de centenas de cópias de documentos e de um pen drive, que contém as informações sobre os supostos crimes. Esse pen drive, segundo a denúncia, pertenceria ao próprio Tutinha.

Segundo Flávia contou ao procurador, Tutinha deixou o arquivo digital conectado à entrada de USB de um computador quando deixou a casa onde morava com a mulher, Flávia, na rua Groelândia, Jardins.

Sua separação foi turbulenta. Ele teria deixado a casa para viver com outra mulher, e alguns meses depois postou no Facebook uma nota em que relaciona uma série de obras de arte e acusa a ex-mulher de furto.

Daniela, uma das filhas de Tutinha, de um casamento anterior, fez eco ao pai e também acusou a ex-madrasta de furto. A acusação foi parar no Distrito Policial do Itaim, mas não deu em nada. Ainda que a acusação fosse comprovada — e não foi —, não existe o crime de furto entre cônjuges.

O caso é um dos processos que envolvem a família. Em resposta à acusação de furto, Flávia representou contra os dois por injúria e calúnia, processos que estão em andamento na Justiça de São Paulo, já com o depoimento de Tutinha e Daniela agendados.

Ao mesmo tempo em que se defendeu das acusações, Flávia entregou ao Ministério Público Federal o pen drive de Tutinha. No arquivo, segundo se depreende da Notícia de Fato assinada pelo procurador, há riqueza de detalhes da vida financeira de Tutinha.

O procurador conta que, durante o casamento, Flávia descobriu “atos anômalos no campo negocial” e, no pen drive, encontrou documentos e correspondências por e-mail que, em tese, comprovam sua denúncia.

Segundo o despacho do procurador, são documentos em inglês que revelam a existência de empresas e contas em paraíso fiscal, em nome de Tutinha e dos três filhos. Há ainda documentos que comprovam a compra de um imóvel de cinco andares em Manhattan, Nova York, em área muito valorizada, próxima do Central Park, na 221 East61 street.

O imóvel, segundo a denúncia, não aparece na declaração de renda de Tutinha, referente a 2016, cuja cópia estava no pen drive e foi entregue ao procurador.

Também não aparece a empresa em nome da qual a casa foi comprada, a Holding LLC GHSKLLP. Tutinha, segundo contrato social encontrado no pen drive, é sócio majoritário da empresa, que tem ainda três dos seus filhos como acionistas.

O imóvel foi comprado por 6 milhões de dólares, mas, segundo avaliação da Prefeitura de Nova York, já está valendo 10 milhões de dólares, depois que Tutinha fez uma reforma em que gastou pelo menos 1 milhão de dólares.

Na Notícia de Fato do Ministério Público Federal,também está relatado que existem muitas obras de arte no apartamento, queteriam sido registradas a preços subfaturados.

“Por sua vez, (Flávia) trouxe também que Tutinha e seus três filhos maiores, Daniela, Antônio Neto e Gabriela, são titulares e/ou beneficiários da empresa estrangeira Kingswood Art Resources Inc. Segundo consta, esta empresa é titular de inúmeros quadros de artistas renomados e de valores expressivos, destacando-se a obra de Frank Stella (Cownway II, 1965) adquirida pela quantia de US$ 750 mil”, relatou o procurador, que prossegue:

“Ela juntou correspondência eletrônica realizada por Tutinha com corretores estrangeiros de obras e arquitetos encarregados das citadas reformas, sendo que diversos documentos comprobatórios dessas empresas encontram-se orçados e quitados em moeda estrangeira, constando a correspondente tradução para a língua portuguesa.”

Ainda segundo o relato do procurador, feito com base na representação da ex-mulher de Tutinha, “as remessas dos valores era feita, na sua maioria, por meio de depósitos em contas bancárias indicadas por Maria Alice Carvalho Monteiro de Gouvêa, responsável pela Consenso Investimentos Ltda., prima de Tutinha e conhecida pela alcunha de Lica.”

Na Notícia do Fato, o procurador Sílvio Luís Martins de Oliveira diz que “os documentos, recibos e as trocas de e-mails ora juntados comprariam o noticiado, declinado às folhas 11/12 trechos de mensagens que, em tese levantariam fortes suspeitas dos delitos até então alegados”.

Na sequência, escreve o procurador: “De igual modo, consta da representação informação de que os bens noticiadose adquiridos no Exterior, bem como as propriedades e controles acionários das citadas Holdings e offshores, sediadas em paraísos fiscais, não teriam sido objeto de declaração à Receita Federal do Brasil — RFB”.

O procurador segue reproduzindo a denúncia de Flávia, que revela procedimentos suspeitos por parte de Tutinha:

“Não bastasse isso, das DIRFs (declaração de imposto de renda) de Tutinha referentes aos exercícios de 2015-2016, chama a atenção os expressivos valores de bens declarados, contudo, sem a devida comprovação nos autos acerca de suas origens, destacando-se, além de muitos outros, o valor de R$ 13.390.883,15 em cotado capital da MYDDLETON INVESTIMENS LTD, nas Ilhas Virgens Britânicas, bem como a significativa movimentação bancária na conta bancária 1106100 do banco Bradesco em Luxemburgo. Note-se, pois, que se trata de locais notoriamente conhecidos como paraísos fiscais”, escreve.

O ofício foi enviado pelo procurador à Polícia Federal em 11 de novembro de 2016. Três meses depois, no dia 14 de fevereiro de 2017, o delegado da Polícia Federal Eduardo Hiroshi Yamanaka despachou na Notícia Crime, já com 511 páginas, a maioria de documentos juntadas por Flávia. Eduardo Yamanaka não fez nenhuma investigação, ignorando as medidas requisitadas pelo procurador, e se manifestou pela devolução da Notícia de Fato ao Ministério Público Federal.

“A citada petição não informa se houve autorização judicial para a quebra do sigilo fiscal e dos dados dos e-mail de Antônio, fato que gera a figura da prova ilícita”, justificou Eduardo Yamanaka.

Num procedimento que não é comum na Polícia Federal, o chefe do Núcleo de Correições da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Ulysses Prates Júnior, também se manifestou e avalizou a sugestão do delegado Eduardo Yamanaka.

“Pelo exposto, opino pelo acolhimento da sugestão do Delegado de Polícia Federal Eduardo Hiroshi Yamana e consequente devolução ao Exmo. Procurador da República Oficiante para que, respeitosamente, proceda a reavaliação do presente expediente à luz dos argumentos da referida autoridade policial”, destacou, em despacho assinado em 3 de março de 2017.

O procurador Sílvio Luís Martins de Oliveira respondeu ao delegado, em termos duros. Diz que o delegado “não pode travestir-se de advogado de defesa e espiolhar nulidades”. A ele, cabe tão-somente investigar.. A manifestação do procurador merece reprodução integral:

“Com o devido respeito, a análise quanto à licitude ou não da prova trazida aos autos não cabe, nesta fase preliminar, à autoridade policial. Não pode o delegado de polícia, embora bacharel em Direito, destacar-se de seu fundamental papel de investigador, de esquadrinhador da verdade. Não pode travestir-se em advogado de defesa e espiolhador de nulidades. Principalmente quando nenhuma diligência investigatória foi sequer cogitada.

A noticiante, testemunha presencial dos fatos narrados, independentemente da discussão a respeito da validade jurídica dos documentos que juntou aos autos, sequer foi ouvida. Seu depoimento, como bem sabe, ou deveria saber a autoridade policial, pode lastrear pedido judicial de acesso a informações bancárias ou fiscais, além de pedido de cooperação penal internacional com semelhante propósito.

Requisito, insisto, a instauração de inquérito policial.”

A resposta do procurador Sílvio Luis Martins de Oliveira é de 20 de julho de 2017, mas até agora, sete meses depois, Flávia, na condição de testemunha, não foi chamada. Eduardo Yamanaka já não se encontra mais na Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor), para onde a Notícia de Fato foi encaminhada.

Em seu lugar, assumiu Karina Murakami Souza, que também estaria de saída.

Por que a Polícia Federal ainda não atendeu à determinação do procurador, que tem poderes para exibir a abertura de inquérito, como determina a Constituição?

Uma explicação é a influência da Jovem Pan como veículo de comunicação. O grupo foi um dos mais ostensivos na campanha que levou à queda de Dilma Rousseff e, nos primeiros meses do governo Temer, foi um dos que lhe deram sustentação.

A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça.

A ex-mulher de Tutinha, Flávia, não dá entrevista, mas amigas disseram que que já está disposta a ir aos Estados Unidos, para entregar cópias de documentos às autoridades do Fisco americano.

Segundo cópias de e-mails e recibos de obras de arte adquiridas nos Estados Unidos, Tutinha teria comprado, através de suas empresas, obras de arte a preços subfaturados, o que significa menos recolhimento de imposto, prática que, nos Estados Unidos, é severamente punida.

Caso cumpra a ameaça de ir aos Estados Unidos denunciar o ex-marido, Flávia Eluf Lufty move mais uma peça numa disputa que começou em 2016, quando Tutinha, depois de se separar, postou em seu perfilFacebook que 43 quadros e esculturas haviam sumido da residência, entre exemplares de Di Cavalcanti, Amélia Toledo, Tunga, Vik Muniz e os gêmeos.

“Ela me roubou”, acusou ele, segundo reportagem publicada à época pela Veja São Paulo.

“Ela também sumiu com uma coleção de mais de cinquenta relógios, como Rolex. Até panela de 10 reais desapareceu”, disse.

A acusação rendeu um boletim de ocorrência no 15o. Distrito de Polícia, que está parado. A essa acusação, somaram-se outras, mais pesadas.

Tutinha pediu a guarda das duas filhas que teve com Flávia, nos dez anos em que permaneceram casados. Na Vara de Família, ele acusou a ex-mulher de usar drogas. Flávia se submeteu a exame no laboratório Fleury, e o resultado deu negativo.

Por conta disso, Flávia pretende mover outro processo contra Tutinha. Seria o segundo. Ele já responde por injúria e difamação por conta da acusação de furto dos quadros.

Tutinha, por sua vez, conseguiu na Justiça um mandado de reintegração de posse da casa onde ela vive com as duas filha. A casa é dele, comprada antes do casamento com Flávia. Já existe a ordem de despejo, que pode ser cumprida a qualquer momento.

Flávia reclama que não tem onde morar. No acordo de separação, Tutinha teria concordado em pagar o aluguel em um apartamento no Itaim, no valor de R$ 15 mil aproximadamente, conforme recorte de classificado do jornal O Estado de S. Paulo apresentado ao juiz.

O contrato de aluguel, no entanto, não foi assinado. Tutinha exige agora que Flávia se responsabilize pelo contrato e pague um terço do valor do aluguel.

Os números relacionados à separação do controlador da Jovem Pan são expressivos, mas coerentes com o padrão de vida declarado por ele, conforme consta da representação encaminhada ao Ministério Público Federal.

Em 2016, sua renda mensal era de R$ 780 mil.

Hoje, ele paga aproximadamente 30 mil reais de pensão às duas filhas, mais escola e plano de saúde.

Também teria se comprometido a pagar os quatro funcionários da mansão da rua Groelândia, mas os salários deles não estariam em dia.

Flávia se mantém firme na defesa do que considera seu direito, mas, como se vê, têm sido grandes os obstáculos que ela enfrenta.

Há mais de um ano, denunciou o ex-marido ao Ministério Público Federal por supostas práticas ilegais. O procurador acolheu a representação, mas até agora a Polícia Federal não cumpriu a ordem do Ministério Público Federal.

Sou filho da elite, mas foi na periferia que descobri a humanidade


Sou filho da elite, mas foi na periferia que descobri a humanidade.

Eduardo Marinho - Filósofo de Rua.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Juízes querem mais auxílios para compensar seus baixos salários


Auxílio-moradia para leigos

Juízes federais debatem paralisação

Autor desconhecido.

O sindicato da toga ameaça o Supremo



por Bernardo Mello Franco

O sindicato da toga decidiu radicalizar na luta pelos supersalários. A associação dos juízes federais ameaça promover uma greve nacional no próximo dia 15. O objetivo é emparedar o Supremo, que deve julgar a farra do auxílio-moradia na semana seguinte.

O tribunal tem dado sinais de que vai restringir a benesse. Está atrasado. Já deve uma resposta desde setembro de 2014, quando Luiz Fux estendeu o penduricalho a todos os magistrados brasileiros. O ministro concedeu a liminar e levou mais de três anos até liberar o caso para julgamento.

O auxílio virou uma gambiarra para furar o teto do funcionalismo. Ao ser concedido de forma indiscriminada, deixou de ser uma ajuda de custo para se tornar um aumento disfarçado. Com a vantagem de não sofrer a mordida do Imposto de Renda, já que não é considerado parte dos subsídios.

Em 2015, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo admitiu que o penduricalho era “um disfarce para aumentar um pouquinho” os salários. “Não dá para ir toda hora a Miami comprar terno”, argumentou o desembargador José Renato Nalini. Hoje o doutor é secretário de Educação do tucano Geraldo Alckmin, que ensaia o discurso da austeridade para disputar a eleição presidencial.

Nas últimas semanas, outros magistrados ilustres escancararam a real natureza do auxílio. O juiz Sergio Moro reconheceu que o benefício é “discutível”, mas “compensa a falta de reajustes dos vencimentos”. O juiz Marcelo Bretas, que é casado com outra juíza e acumula dois penduricalhos sob o mesmo teto, julgou-se no direito de ironizar quem o criticou. Os casos não desmerecem a atuação deles na Lava-Jato, mas mostram como o espírito de casta prejudica a capacidade de autocrítica dos juízes.

Também há quem opte pelo deboche ao tratar do assunto. Ao ser perguntado sobre o valor do auxílio, o novo presidente do TJ paulista, Manoel Calças, declarou o seguinte: “Eu acho muito pouco”.

Em nota recente, a Ajufe alegou que o Judiciário seria vítima de uma “campanha desmoralizadora” porque combate a corrupção. O que desmoraliza o Poder é a defesa de privilégios injustificáveis. O Supremo já abriu a caixa-preta dos supersalários. Espera-se que não recue com medo da faca no pescoço.

Laura Carvalho responde ao ministro analfabeto da Educação

Mendonça Filho‏ 
Respeito a autonomia universitária e reconheço a importância da UnB, mas não se pode ensinar qualquer coisa. Se cada um construir uma tese e criar uma disciplina, as universidades vão virar uma bagunça geral

Se cada um construir uma tese e criar uma disciplina é capaz até de alguém rebater e escrever outra tese e tudo isso poder ser consultado no futuro em uma sala cheia de livros, vai ser uma bagunça geral

Juízes federais em greve



R$ 113.000.000,00 do PSDB na Suíça


PRIORIDADES

Descobrem (não a lava-jato, claro, mas o MP suíço) que o ex-diretor da DERSA Paulo Preto, ligado ao PSDB e ao ministro das relações exteriores de Temer, o tucano Aloysio Nunes, tem 113 milhões na Suíça. 


Adivinhem o que a Folha de S.Paulo dá no alto da página?

Qual é a graça, Crivella?


Ciro Gomes para leigos



Ciro Gomes é um sujeito muito preparado, pra muitas coisas, menos para liderar.

Seu currículo multipartidário fala menos de sua falta de coerência ideológica e mais de sua falta de capacidade em liderar.

E liderança é o principal atributo de um governante.

Seu partido votou fechado pela intervenção. O que pensa o candidato?



O tecnicismo de Ciro é para leigos. Quando fala sobre a dívida pública, faz um discurso vazio pois sabe que não poderá dar um calote nem interferir na taxa de juros sob pena de estrangulamento da liquidez dos títulos públicos. Lula reduziu quase à metade a dívida em relação ao PIB apenas com seriedade e transparência nas políticas cambial e fiscal (superávits primários e crescimento econômico) sem tirar recursos do orçamento. Qualquer outra receita é demagógica ou estúpida. O tecnicismo dele é primitivo e visa os holofotes. Não é confiável nem técnica nem politicamente. Além do fato de que se Lula for impedido, o Brasil terá que lidar não apenas com a credibilidade internacional da moeda, mas também com a insegurança jurídica, coisa de uma geração perdida. A única chance de recuperação econômica é colocar Lula no páreo. Lembrem-se que nós dependemos do investimento dos não residentes porque o brasileiro não tem capacidade de criar poupança.


Eu não tenho nenhuma aversão ao Ciro. Só pontuo sua fragilidade política. Sua retórica, de crítica ao PT, faz parte do jogo político, assim como a nossa é de rebater. 

 Até porque a gente sabe que no primeiro dia de um possível mandato, metade dessa retórica eleitoral some, quando ele olhar a correlação de forças. Sumiu com Lula. 

 Mas não me peça para não destacar que em relação aos governos do PT, há uma enorme desonestidade intelectual dele. 

 Você quer um exemplo? Ciro nunca faria a Transposição do São Francisco. Nunca conseguiria e eu sei o quanto ele se empenhou. 90% do que ele diz que fará, Lula fez ou tentou fazer e não conseguiu. 


Ele tem uma bela retórica de que está inventando a roda, mas finge que não vê os pregos que estão no caminho.

Indivíduo altamente suspeito


Luis Felipe Miguel recebe o maior título da Ciência Política brasileira

Luis Felipe Miguel

Fui informado - e divulgo com orgulho - que ganhei um dos títulos mais cobiçados da Ciência Política brasileira, antes ostentado apenas por alguns dos colegas mais respeitados da nossa disciplina: o certificado de "Zé Ninguém" expedido por Reinaldo Azevedo.

Quanto mais o capitalismo vai nos custar?

Fernando Horta

Em 1952 os Democratas estavam para completar 20 anos na presidência dos EUA. Entre 33 até 45 Roosevelt governou, de 45 até 48, Truman governou após a morte de Roosevelt. E Truman foi reeleito até 52. Quatro mandatos consecutivos, e desde os anos 30 Roosevelt implementava uma série de medidas de proteção social. Truman chegou a propor um sistema de saúde gratuito e universal nos EUA.

Para tirar os democratas do poder, os republicanos incitaram, desde os anos 20, o chamado "red scare". Acusando e ameaçando todos de serem "comunistas" ... Aumentaram tanto o tom da loucura que criaram McCarthy, o senador que organizou evangélicos, a mídia e uma série de ignorantes que passaram a exigir do governo o rompimento com a URSS e a caça de tudo o que parecia ligeiramente voltado ao popular e para a igualdade social.

Os sindicatos foram desmontados, as universidades e colégios atacados, o judiciário torcido para condenar pessoas inocentes, a mídia conivente via seus lucros aumentarem... Hollywood, por exemplo, só passou a dar lucro nos anos 60. Até lá era financiada por programas de Estado para dispersar a mensagem que o governo queria.

Quatro mandatos, 20 anos, histeria comunista contra programas de redução da desigualdade, ruptura da constituição pelo judiciário, conivência da mídia, ataque a sindicatos e universidades ... tudo muito parecido.

Enquanto o medo daquela época se devia ao crescimento econômico assombroso da URSS, o atual vive do crescimento assombroso da China. Se nos anos 30 o medo se via potencializado pela grande crise de 29, no nosso tempo foi a de 2008. A concentração de renda no mundo hoje é maior do que era antes da primeira guerra mundial e certamente isto também contribuiu para o conflito.

O fascismo é sempre a forma que os liberais encontram para conter os movimentos de contestação que surgem com a acumulação capitalista e com as liberdades de pensamento.

Da última vez tivemos duas guerras mundiais e a guerra fria. Quase 60 anos de lutas para entrarmos nos anos 70 e conseguirmos discutir direitos humanos, estado de bem estar social e organizarmos regimes internacionais para tentar conter a barbárie ...

Centenas de milhões de mortos pelas guerras, fome e o colonialismo ...

Fico pensando o que mais o capitalismo vai nos custar... Quanto tempo e quantas guerras levaremos para recolocar a humanidade numa condição de compreender, aceitar e ajudar o outro de novo...
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