domingo, 23 de abril de 2017

Providências supremas

Distribuir inquéritos no STF pode gerar diferentes graus de justiça 
Janio de Freitas

A solução de distribuir entre os ministros do Supremo os 76 inquéritos autorizados pelo relator Luiz Edson Fachin pode apressar parte dos julgamentos de acusados na Lava Jato, mas tem um inconveniente básico. A diversidade na composição do tribunal leva ao risco, senão à certeza, de critérios jurídicos e interpretações pessoais diferentes para decisões de casos semelhantes. O resultado provável são diferentes graus de justiça.

Mesmo que os inquéritos com presença da Petrobras fiquem todos reservados ao ministro Fachin, permanece a característica geral dos casos: acima do envolvimento da estatal, trata-se de uma estrutura operativa de corrupção política e administrativa para saquear, em várias frentes, verbas públicas e mistas. Conviria muito, portanto, que os julgamentos respondessem também com unicidade jurídica nas inculpações e inocentações.

A efetivar-se, a distribuição de inquéritos não será a primeira da Lava Jato no Supremo. O lote inicial de casos mandado pela Procuradoria-Geral da República ainda não dá informações sobre resultados da distribuição. Nem é provável que o faça com utilidade, porque a carga pesada começou a chegar agora. A ministra Cármen Lúcia providencia reforços ao quadro de juízes auxiliares. E nisso, em escala bastante maior e posta sob orientação e supervisão do relator, poderia estar o modo de evitar ou reduzir a distribuição e a possível disparidade de decisões dos casos. Os demais ministros têm muito com que se ocupar, na fila quilométrica dos processos em atraso.

Além da distribuição, o lote mais recente de acusados da Lava Jato é objeto de uma providência menos à altura do Supremo. A ministra Cármen Lúcia acha necessário –afinal, alguém acha– investigar o vazamento que se antecipou à liberação, pelo relator Fachin, da nova lista de acusados, que "O Estado de S. Paulo" publicou. A ministra estava nos Estados Unidos quando avisada da publicação.

Surpreendida, quis saber de Fachin o que o apressara. Enfim superada a dificuldade de localizá-lo, em descanso no interior paranaense, encontrou-o não menos surpreso. A presidente do STF não digeriu o vazamento. É compreensível e admirável.

Aquele, porém, não foi vazamento com aspas. Não foi ato seletivo de um juiz, ou procuradores, ou policiais, de veracidade incomprovada e dirigido para incentivar escândalos e exacerbar iras contra uma pessoa ou um grupo de pessoas. "Furos" jornalísticos provêm, quase todos, de vazamentos –mas de intenções honestas na origem e nos fins. Investigá-los requer cuidados com a diferença.

NEGÓCIOS

A onda, apenas iniciada, sobre venda dos Correios por causa de prejuízos tem explicação simples. O crescimento das vendas pela internet faz do serviço de entregas um dos negócios mais promissores do Brasil, sendo já sucesso financeiro em muitos países. A conversa de prejuízo, a alegada falta de perspectiva e a liquidação de agências esvaziam o valor da empresa. Para privatização, com grupos já interessados e na ativa, no ano que vem.

É o governo Temer em ação. Até a próxima Lava Jato.


Léo Pinheiro: depois das acusações, as provas



PROVAS IRREFUTÁVEIS 

Fonte segura me garante que Léo Pinheiro entregou ao juiz Moro cópia de um bilhete de cinema comprado por um funcionário do Instituto Lula, em Santos, em 2011.

Para os envolvidos, o bilhete prova que o dito servidor estava apenas fazendo hora para, em seguida, buscar Lula no triplex do Guarujá.

Depois disso, creio, não há outra coisa a fazer senão prender Lula, de preferência, numa cruz.

Leandro Fortes

Mais do mesmo...


Farsa montada pela Lava Jato e Globo é insustentavelmente ridícula


Xadrez da marmelada do tríplex de Guarujá



Talvez a rapaziada seguidora da novilíngua da Internet não saiba o significado da palavra “marmelada” – não o doce. Significa combinar de forma desonesta com o adversário o resultado final.

Entenda como se montou a marmelada do tríplex de Guarujá – cuja propriedade é atribuída a Lula.

O maior abuso cometido hoje em dia contra o Estado de Direito é o instituto da delação premiada. É escandalosa a sem-cerimônia com que a delação é manipulada pela Lava Jato, pelo PGR Rodrigo Janot e pelo juiz Sérgio Moro. É o maior argumento em defesa da Lei Antiabuso.

Em um processo, há os dois lados: a acusação e a defesa. E o juiz arbitrando o jogo.

Na teoria, o procurador não é exclusivamente a pessoa da acusação, mas o que busca a verdade. Só na teoria. Na prática, é como o delegado que não quer estragar um grande caso descobrindo a inocência do réu, ou o jornalista que não quer estragar a manchete com dúvidas sobre a culpa do suspeito.

O MPF só aceita a delação de quem diz o que ele, procurador, quer ouvir. O réu não pode dizer mentiras factuais. Mas nada impede que avance em ilações falsas sobre fatos – que é uma forma mais inimputável de mentir – ou afirmações não comprováveis e que, por isso mesmo, podem ser manipuladas ao seu gosto. O melhor, ao gosto do procurador.

Vamos entender melhor esse jogo de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, com a Lava Jato-Procurador Geral da República. Esta semana, Léo declarou que Lula é o verdadeiro proprietário do tríplex de Guarujá, apesar dos advogados de Lula terem mostrado escrituras comprovando que a OAS continua como única proprietária do tríplex

Lance 1 – a armação para pressionar Pinheiro e mudar a versão

O lance Léo Pinheiro foi cantado no dia 29 de agosto do passado ( https://goo.gl/Pt4xbA ), quando o Procurador Geral Rodrigo Janot intempestivamente suspendeu as negociações para a delação com base em um motivo ridiculamente primário: uma denúncia anódina contra o Ministro Dias Toffolli, publicado pela revista Veja, e imediatamente atribuída por Janot a Léo – sem nenhuma comprovação.

A delação de Pinheiro comprometia fundamentalmente os governos de Geraldo Alckmin e José Serra, relatando o sistema de propinas em obras públicas estaduais. Até então, o que se sabia das delações da Odebrecht é que se limitavam a relatar financiamentos de campanha por caixa 2 e que Léo Pinheiro avançaria expondo sistemas de propinas.

Escrevi na época:

Versão 1 – o PGR acusou advogados da OAS de terem vazado parte do pré-documento de delação de Léo Pinheiro, com o intuito de pressionar para que a delação fosse aceita. (...) A versão não se sustenta porque, além de ser ilógica – é evidente que o vazamento comprometeria a delação (...)  
Versão 2 – imediatamente Janot suspendeu as negociações para a aceitação da delação do presidente da OAS, Léo Pinheiro. Para justificar a não tomada de decisão ante as 17 delações anteriores vazadas, alegou que a de Toffoli era diferente, porque a informação não existia. Ou seja, tratou drasticamente um vazamento irrelevante (porque, segundo ele, de fatos que não existiam) e com condescendência vazamentos graves. Na atual edição de Veja, tenta-se emplacar uma nova versão: a de que o anexo (com o suposto vazamento) existia, mas não constava da pré-delação formalizada. Como fica, então, o argumento invocado para livrar os procuradores da suspeita de vazamento? (...) 
No dia 11 de agosto passado, a sempre atilada Mônica Bérgamo deu pistas importantes para entender os últimos episódios (http://migre.me/uMCbH)” “A revelação feita pela Odebrecht sobre dinheiro de caixa dois para o PMDB, a pedido de Michel Temer, e para o tucano José Serra (PSDB-SP) tem impacto noticioso, mas foi recebida com alívio por aliados de ambos. Como estão, os relatos poupam os personagens de serem enquadrados em acusações mais graves, como corrupção e formação de quadrilha.  (...) 
Neste final de semana, Veja traz o conteúdo total da pré-delação de Léo Pinheiro.Há informações seguras de pelo menos um depósito na conta de Verônica Serra. Esse depósito não aparece na pré-delação da OAS divulgada pela Veja. Talvez apareça mais à frente, quando se avançar sobre os sistemas de offshore”.

Há a necessidade de ler a íntegra da próxima delação de Pinheiro, para uma avaliação melhor sobre a maneira como relatará os esquemas de São Paulo. Mas é fora de dúvida de que, para conseguir se livrar da prisão, Léo Pinheiro teve que se propor a entregar Lula.

Esta semana, as informações sobre o tríplex de Guarujá foram prestadas por ele ainda sem constar do acordo de delação. Mas, antes do início do depoimento, fontes da Lava Jato já antecipavam seu conteúdo, o que significa que já haviam chegado a um entendimento, visando o objetivo central da operação: inviabilizar a candidatura de Lula para 2018.

Lance 2 – a ideia fixa do tríplex

No depoimento prestado a Moro, Pinheiro faz um relato inverossímil das ligações com Lula.

Dizer que financiou o PT é verossímil, assim como o apoio dado ao Instituto Lula. É verossímil também que teria aceitado assumir o edifício do tríplex, por saber que o casal Lula tinha uma cota em seu nome. Afinal, quem não gostaria de ter um edifício tendo como um dos proprietários de imóvel um ex-presidente da República. É igualmente verossímil que tenha convidado o casal Lula-Marisa a visitar o edifício, para ver se se interessavam pelo apartamento.

A partir daí, não há um elemento sequer que comprove que Lula ficou com o tríplex. Lula declarou ter visitado o edifício, não ter gostado do apartamento e não ter ficado com ele.

Há uma montanha de testemunhas e documentos comprovando que a OAS permaneceu como proprietária do edifício.

Mas os brilhantes Sherlocks da Lava Jato transformaram o tríplex em questão de honra. Como é um caso mais ao alcance do chamado telespectador comum, a comprovação da posse do tríplex tornou-se uma obsessão.

Por conta dessa obsessão, já quebraram a cara ao descobrir que estava em nome de uma conta do escritório Mossak Fonseca. Promoveram o maior alarido, invadiram o escritório da Mossak, acessaram seu banco de dados e levaram duas pancadas simultâneas. A primeira, a constatação de que a offshore dona do tríplex era da OAS mesmo; a segunda, ao descobrir uma offshore de propriedade da família Marinho, da Globo.

Numa só tacada inocentaram o alvo e comprometeram o aliado.

Foi um custo varrer o elefante para baixo do tapete.

Lance 3 – a encomenda entregue por Pinheiro

Agora, Léo Pinheiro aparentemente cedeu e entregou a encomenda pedida.

Mas há um jogo curioso montado.

De um lado, deu declarações que, sem provas, não têm o menor valor penal. As provas, segundo antecipou o jornal O Globo, são terrivelmente ridículas: comprovações de reuniões com Lula, de telefonemas a funcionários do Instituto Cidadania. Junto, as delirantes provas colhidas pelos Sherlocks da Lava Jato que identificaram quatro (!) viagens em um ano de carros do Instituto até Guarujá.

Fica-se assim, então:

1. As declarações de Pinheiro garantem alguns dias de cobertura intensiva no Jornal Nacional, preparando o ambiente para uma próxima condenação de Lula.

2. Mas Pinheiro não entrega nenhuma prova comprometedora contra Lula, nem no caso do tríplex (que não deve ter mesmo), nem em nenhum outro caso relevante.

Além disso, o Código Penal proíbe que uma pessoa seja julgada duas vezes pela mesma acusação. E o caso do tríplex já foi julgado e anulado pela Justiça estadual de São Paulo, apresentada pelos procuradores estaduais.


Ou seja, a grande armação visando ou a prisão ou acelerar a condenação de Lula é ridiculamente frágil.

Um ano com o Sindicato do Crime no governo






sábado, 22 de abril de 2017

Nós perdemos a democracia e eles perderam o senso de ridículo


Luis Felipe Miguel

É sério que o documento que Léo Pinheiro promete entregar, para provar que o bendito triplex é de Lula, é o registro de que carros do Instituto Lula passaram pelo pedágio no caminho para Guarujá, uma vez em 2011 e outra em 2013?

E, para completar, mensagens da secretária do Instituto Lula para Paulo Okamoto, avisando que Pinheiro havia ligado para falar com ele... Isso deve valer quase como uma escritura.

Nós perdemos a democracia e eles perderam o senso de ridículo.

Senador Randolfe rasga fantasia de progressista e assume seu reacionarismo


Sylvia Moretzsohn

Vi há pouco um vídeo em que o Randolfe, o Cristovam e o Reguffe convocam o povo a se manifestar nas ruas contra o tal projeto de abuso de autoridade (o projeto do Requião que exige, simplesmente, que todos sejam iguais perante a lei).

Cristovam e Reguffe acho que não enganam mais ninguém, mas muita gente ainda se ilude com o Randolfe.

É só pra deixar de se iludir, ok?

Ou assumir seu lado, finalmente.

P. S.: Ninguém entra na onda marinista impunemente. Não divulgo o vídeo porque não quero que prolifere. Mas não deve ser difícil achar.

O mais novo rato parido pela montanha da Lava Jato contra o ex-presidente Lula

Leandro Fortes

RUMO AO GUARUJÁ

Para entender o desespero do juiz Moro, dos procuradores youtubers e da mídia capitaneada pelo Jornal Nacional, basta ver o mais novo rato parido pela montanha da Lava Jato contra o ex-presidente Lula.

Trecho tirado da Folha de S.Paulo, a partir de mais uma informação de Leo Pinheiro, da OAS, conseguida no pau-de-arara das delações premiadas:

"Entre os documentos entregues estão o registro de que dois carros em nome do Instituto Lula passaram pelo sistema automático de cobrança dos pedágios a caminho do Guarujá entre 2011 e 2013. Não há, no entanto, documento que comprove que as viagens tiveram como destino o apartamento."

REPITO: Dois registros de pedágio, entre 2011 e 2013, de dois carros do Instituto Lula, que cometeram a grave transgressão de ir ao Guarujá.

Difícil dizer o que é mais patético, uma investigação que segue adiante com informações desse tipo, ou uma mídia que se presta a publicar uma merda dessa sem fazer um único comentário crítico.

Criminosos de direita já atribuíam a Lula casa no Guarujá em 1982

Ontem



Hoje


Ditadura da Venezuela persegue críticos até na internet

Juiz viola a lei, para a Folha é "drible".

A malha grossa da Receita Federal

Malha grossa
O cidadão comum passa um cheque de R$ 500 e a Receita Federal controla. A Odebrecht paga mais de R$ 3,3 bilhões em corrupção e os supercomputadores nem desconfiam.

Para fazer uma remessa de 10 euros ao Exterior, a burocracia é selvagem. Durante décadas, fortunas foram transferidas ilegalmente para fora do Brasil e ninguém viu.

Falácia
Mesmo sem querer, toda essa estrutura gigantesca de fiscalização eleitoral se prestou a um serviço sujo: legitimar a roubalheira. O argumento é repetido por todos: minhas contas foram aprovadas pela Justiça.

Justiça?

Tulio Milman


O brasileiro tem se esforçado para se fazer de bobo

Por Leonardo Stoppa

O brasileiro tem se esforçado para se fazer de bobo. É que os inimigos políticos do ex-Presidente Lula querem acreditar que Leo Pinheiro ficou 2 anos na cadeia guardando segredo porque ele é menino muito fiel, e como se não bastasse, ele é tão obediente que destruiu provas que poderiam beneficia-lo no futuro... A população GloboAlienada tem tido muita dificuldade de continuar agindo contra a lógica, porém, eles são fortes, eles conseguem!

Não há como não acabar em violência


Sempre se soube que no Brasil o termo "República" era uma alegoria criada por uma série de personagens elitistas que queriam apenas destituir uma monarquia, mas não comungar da construção de um país. Antes, porém, eram comedidos e se contentavam em sacar seus quinhões de riqueza de forma velada, enquanto fingiam trabalhar "por um país justo", "por um país mais igual". O golpe desnudou a insuportável hipocrisia e não há como terminar sem violência:

1) Rafael Braga preso nos protestos de 2013 portando pinho sol é condenado a 11 anos de prisão. Os policiais do massacre do Carandiru foram inocentados e os dois policiais que foram filmados executando cidadãos vão responder em liberdade. Segundo o juiz "ele ouviu a voz das ruas". 

2) Odebrecht apresenta listas, nomes, números de conta, extratos, valores da propina a Temer e seus asseclas mas a justiça quer saber de uma visita de lula a um apartamento que nunca comprou e a mídia gasta todo o seu tempo mirando o ex-presidente. 

3) Dona Marisa Letícia, recebi ontem as vergonhosas fotos da "perícia" no sítio de atibaia, foi exposta como "criminosa" por dois pedalinhos e roupas com seu nome, presentes no tal sítio. Morreu de desgosto e aflição sem nada que minimamente fosse indício de culpa. Claudia Cunha, Veronica Serra e Andrea Neves todas com contas no exterior e patrimônio inexplicável seguem soltas e com o poder judiciário se preocupando em "não incomoda-las". 

4) Um delegado da PF fez tiro ao alvo com a foto da presidente, gritaram ofensas misóginas e horrendas em um estádio frequentado pela elite e atacam Lula há mais de 10 anos com absurdos nas redes sociais, mas o judiciário manda quebrar sigilo de perfis de quem chamou Doria e Alckmin de "ladrão de merenda". 

5) Almirante Othon, responsável direto pela autonomia do projeto de defesa nuclear brasileiro preso, condenado há mais de 20 anos de cadeia. Os anencéfalos militares condecoram - com a mesma medalha dada ao Duque de Caxias - Luciano Huck que ofereceu mulheres brasileiras para "relacionamentos" com estrangeiros, é acusado de aproveitar-se comercialmente da imagem de crianças em situações questionáveis e invadiu terras públicas protegidas para construir suas mansões. 

6) Os golpistas anunciam que darão dinheiro para as redes de comunicação que fizerem propaganda adulando a tal "reforma da previdência, perdoam uma dívida de 25 bilhões do Itaú, mas querem tirar seus direitos porque o" país não suporta. 

7) A média da aposentadoria no judiciário é de 26 mil reais, no legislativo é de 23 mil reais e do resto do país é de 1,3 mil Mas a reforma é para acabar com os privilegiados que ganham 1,3 mil . A média de idade de aposentados e pensionistas entre os militares é de 34 anos, mas você tem que trabalhar até os 70 para ter qualquer direito a aposentadoria. 

8) Cada bomba de gás lacrimogêneo custa entre 780 e 1200 reais, mas os estados não tem dinheiro para pagar professores que estão, em alguns lugares, há mais de 3 meses sem receberem. E se protestam tomam as bombas de 1200 reais na cara. 

9) o judiciário mandou sequestrar das contas dos Estados os valores para pagar a si mesmo. O resto que se exploda. 

10) juízes quando julgando pessoas comuns exigem que se reconheça sua "imparcialidade, técnica e correção", quando julgando outros juízes (pela lei do abuso de autoridade) poderão ser "parciais, venais e submetidos ao poder financeiro", aí não pode é "um risco à independência" do judiciário. 

11) promotores manipulam provas, fraudam evidências, acusam sem o mínimo de cuidado mas recebem indenização por terem sido chamados de os 3 patetas. Enquanto isto defensores públicos não tem sequer condições materiais de trabalharem. 

12) um ministro da educação que é contra a educação universal e democrática, um ministro da saúde que é contra a saúde universalizada e de qualidade, um ministro do trabalho que é contra o aumento do salário e a justiça do trabalho, um ministro da justiça que é contra fazer justiça de forma igualitária (é denunciado por propinas outros crimes e queria anistiar Cunha, lembram). Mas quem acabou com o país foi o governo que há mais de ano não é governo. 

13) Policiais quebram o congresso em manifestação "por seus direitos" e são contemplados com adendos na lei para serem retirados da reforma ds previdência. Trabalhadores comuns se manifestando são "vândalos", "terroristas" e a causa "do desequilíbrio do país".

São tantos casos de um casuísmo tá evidente que não há mais como se reverter isto sem violência. As instituições deste país se tornaram desavergonhadamente venais e argentárias e estão violentando a todos. Só resta as ruas, só resta a violência...

Nove verdades e uma mentira sobre a América Latina

Wagner Iglecias

BRINCADEIRA SEM GRAÇA NENHUMA

1- Um dos maiores, se não o maior genocídio da História da Humanidade, foi cometido pelas potências colonialistas europeias contra as mais diversas nações indígenas que existiam no chamado "Novo Mundo", do Alasca à Patagônia, passando inclusive pela destruição dos dois maiores impérios indígenas do século XVI, o Azteca e o Inca.

2- A incorporação da América Latina ao capitalismo mundial sempre ocorreu de forma subalterna e submissa. Seu papel em cinco séculos de existência tem sido o de fornecedor, a preços baixos, de commodities agrícolas, minerais e fósseis às potências colonialistas. Além, obviamente, de fornecedor de mão-de-obra super-explorada.

3- Embora não seja o continente mais pobre do mundo (posto ocupado pela África), a América Latina é o continente mais desigual do mundo, segundo dados da CEPAL e do Banco Mundial. A enorme concentração da propriedade da terra, característica desde as primeiras décadas da colonização, é um dos principais motivos da desigualdade latino-americana.

4- As nações latino-americanas falharam miseravelmente em suas iniciativas de integração regional. Mais do que economias complementares nossos países são economias que competem entre si pelo acesso aos mercados europeu, estado-unidense e chinês.

5- A escravidão, seja indígena, seja negra, é uma marca indelével na História latino-americana. A região foi durante séculos um dos pilares do tráfico internacional de pessoas do chamado Triângulo Atlântico. Abolido formalmente o trabalho escravo há mais de cem anos as populações negra, indígena e mestiça continuam sendo, até hoje, as mais pobres, excluídas e marginalizadas em praticamente todos os países latino-americanos.

6- Toda e qualquer liderança política latino-americana que ousou enfrentar as elites locais e estrangeiras e priorizou combater a pobreza e a desigualdade social foi invariavelmente chamada de populista. E muitas tiveram seus governos como alvo de fortes tentativas de desestabilização.

7- A democracia ainda é uma tarefa inconclusa na região. Entre o início dos anos 1960 e o início dos anos 2000 diversos países latino-americanos amargaram golpes de Estado. São eles: El Salvador, Rep. Dominicana, Equador, Brasil, Argentina, Panamá, Bolívia, Chile, Honduras, Haiti, Paraguai, Peru, Guatemala e Venezuela.

8- A América Latina é um dos mais ricos, se não a mais rico continente do mundo em estoques de água doce, petróleo, minerais, terras férteis e biodiversidade.

9- A imprensa latino-americana é, via de regra, super concentrada nas mãos de poucas famílias muito ricas, as quais mantém sólidas relações com elites políticas locais e estrangeiras e possuem visão política invariavelmente conservadora.

10- Depois das nove verdades acima, use este espaço (ou a seção de comentários) para citar a mentira que você quiser sobre a América Latina

Modo demolição

O retrocesso avança
André Singer

Para comemorar comme il faut um ano do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, as forças empenhadas em dissolver as bases de qualquer projeto nacional deram nova demonstração de vontade ofensiva. Na quarta-feira (19), conseguiram reunir 287 votos (contra 144) para avançar a reforma trabalhista na mesma Câmara dos Deputados que abriu o processo de impeachment contra a ex-presidente. É verdade que foram 80 sufrágios a menos do que os obtidos para levar a então mandatária ao cadafalso, mas revela uma disposição radical cujas consequências se prenunciam funestas.

Clemente Ganz Lúcio, diretor do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), chama a atenção para o caráter interligado dos projetos constitucionais em curso. O dinheiro poupado do corte de benefícios previdenciários proposto é importante para viabilizar a PEC dos gastos, aprovada em outubro passado. Como o teto estabelecido impede o aumento de dispêndio público, será preciso tirar das aposentadorias para manter o mínimo de funcionamento em outras áreas (segurança, saúde, educação etc.).

Por outro lado, o regime de urgência aprovado para as alterações na legislação existente desde os anos 1940 pode eliminar direitos históricos da classe trabalhadora. Além de permitir, entre outras muitas medidas, que o negociado prevaleça sobre o legislado, abrindo o caminho para que a CLT vire letra morta onde os sindicatos são mais fracos, o parecer do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) investe contra o imposto sindical. Embora a contribuição obrigatória seja fonte inequívoca de burocratização, aboli-lo no contexto desta reforma significa esvaziar a principal fonte de resistência ao retrocesso generalizado.

Para completar, a Câmara, ao ampliar, em março, por 231 a 188 votos, o raio de ação das empresas terceirizadas, que agora podem realizar também as atividades-fim de outras firmas, colocou nova parcela da força de trabalho mais longe do alcance da fiscalização. Pode-se imaginar o quanto tudo isso precarizará as relações de trabalho, tendendo, talvez, a diminuir a base de arrecadação da Previdência e reforçando a necessidade de cortar benefícios.

Aos poucos, como se viu na manifestação de 15/3, a sociedade começa a acordar para o tamanho do retrocesso em curso. Redução do valor do trabalho, deterioração dos serviços públicos, destruição e venda do patrimônio nacional para estrangeiros, desindustrialização acelerada e ameaça às liberdades democráticas. Resta saber se haverá tempo para desligar o modo demolição em que o jogo atual vem sendo jogado antes que seja tarde. Parte da resposta virá nos protestos previstos para sexta que vem.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Advogado de Lula esmaga o porcalista global Merval Pereira

CARTA A MERVAL PEREIRA

21 de abril de 2017
São Paulo, 21 de abril de 2017

Ao
Merval Pereira
Colunista de O Globo
Membro do Conselho Editorial da Globo

Senhor jornalista,

Verdadeiro “segredo de polichinelo”, título de sua coluna de hoje (edição 21/04/2017), é a participação ampla, direta e ilegítima das Organizações Globo na perseguição judicial imposta ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o intuito de prejudicar ou inviabilizar sua atuação política. A aliança entre a Globo e os agentes públicos que integram a Lava Jato – hoje alçados à condição de artistas de um filme estarrecedor, que viola os mais elementares direitos fundamentais do investigado – já foi mais discreta. Hoje, a Globo dita as acusações contra Lula e disponibiliza os seus veículos de comunicação para colocá-las em pé.

A história do chamado triplex do Guarujá é um bom exemplo disso. Foi a Globo, em 2010, que iniciou essa farsa de que Lula seria proprietário do apartamento 164-A do Condomínio Solaris. Deu holofote a 3 promotores de Justiça de São Paulo que promoveram um grande espetáculo midiático, transmitido ao vivo pela emissora. Na sequência, o assunto do Guarujá foi parar em Curitiba, nas mãos de uma nova instituição criada no País à revelia da Constituição Federal — a chamada Força Tarefa Lava Jato. E, mais uma vez, o tríplex foi alvo de coletiva transmitida ao vivo pela emissora, com a ajuda de um anedótico PowerPoint.

Mas o que dizem os fatos? Após 24 audiências e o testemunho de 73 depoentes compromissados com a verdade, ruiu a acusação de que Lula teria recebido a propriedade desse apartamento como contrapartida de 3 contratos firmados entre a OAS  e a Petrobras. No rol de testemunhas estavam funcionários da OAS que afirmaram não ser Lula o proprietário e que o ex-Presidente visitou o local uma única vez, para verificar se tinha interesse na compra, mas rejeitou.

A Globo e seus aliados não se rendem à verdade. E isso pode ser bem observado ontem. O jornal Valor Econômico – hoje 100% de propriedade do grupo – publicou, 3 horas antes do depoimento de Leo Pinheiro ao Juízo de Curitiba, o script da  audiência de ontem. Antecipou a troca dos advogados que iria ocorrer, considerando retomada das negociações em busca de uma delação premiada. E deixou claro que o executivo da OAS iria acusar Lula — sem provas — como condição de ver a sua delação aceita pelo MPF. Foi o que ocorreu. Léo Pinheiro deu aos Procuradores da República a sonhada narrativa contra Lula — na contramão dos 73 depoimentos anteriormente colhidos — e com isso viu crescer a chance de sair da prisão ou obter outros benefícios.

As afirmações de Pinheiro, que é corréu na ação e por isso depôs sem o compromisso de dizer a verdade, foram, no entanto, suficientes para que sua coluna concluísse que “Lula é o verdadeiro dono do tríplex e do sítio de Atibaia”. E o senhor foi além: fez ataques diretos e levianos a mim e ao advogado Roberto Teixeira.

Avalio que o senhor sequer assistiu ao vídeo da audiência. Se tivesse assistido, saberia que Léo Pinheiro respondeu às minhas perguntas dizendo que Lula jamais teve as chaves ou usou o imóvel; jamais manteve qualquer pertence pessoal no local; jamais usou ou teve qualquer título da propriedade do apartamento. Ou seja, Pinheiro ao responder às minhas questões — independentemente da versão que havia combinado para ter sua delação premiada aceita — reconheceu que o ex-Presidente jamais praticou qualquer ato que pudesse indicar posse, uso ou gozo do apartamento, que são os atributos necessários para a configuração da propriedade segundo o artigo 1.228, do Código Civil.

Leo Pinheiro ainda reconheceu que deu o mesmo tríplex que afirmara ser de Lula em garantia para a obtenção de recursos para a OAS, o que torna risível a tese por ele sustentada sobre a propriedade do imóvel. Lula seria o dono e a OAS dá o imóvel em garantia, em sucessivas operações, para captar dinheiro no mercado! A situação, portanto, é bem diversa daquela apresentada aos seus leitores.

Registro igualmente Leo Pinheiro negou quando perguntado se algum recurso utilizado no tal tríplex era proveniente da Petrobras. A Folha de S.Paulo, por exemplo, registrou isso em suas páginas na data de hoje (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/04/1877330-leo-pinheiro-diz-que-lula-pediu-para-ele-destruir-provas-de-propina.shtml). Mas o senhor preferiu mentir aos leitores, dizendo que Leo Pinheiro teria afirmado que “o apartamento foi pago com a propina que o PT obteve por obras na Petrobras”.

Na tentativa de agredir minha atuação profissional, o senhor disse que “o advogado de Lula tentou uma última cartada, que acabou comprometendo ainda mais o cliente”. E narra a seguir que eu teria denunciado a Sérgio Moro a prática de um crime praticado por Leo Pinheiro: “Segundo Zanin, se o apartamento é de Lula, a empreiteira cometeu um crime ao dizer-se dona do apartamento”. Todavia, quem efetivamente assistir a gravação da audiência verá que não fiz qualquer afirmação nesse sentido. Por má-fé ou imprudência, o senhor comete até mesmo erros factuais em suas análises, e esse é um deles.

Quem de fato fez tal colocação foi o ilustre advogado José Roberto Batochio, ex-Presidente da OAB Nacional, com o qual tenho a honra de atuar, afirmando — corretamente, ao meu ver — que as colocações mentirosas de Leo Pinheiro poderiam, em tese, configurar o crime previsto no artigo 171, §2º, inciso I, do Código Penal. O senhor, portanto, errou a pessoa e o tema em sua análise.

Ainda na tentativa de desqualificar a mim e a defesa do ex-Presidente Lula, o senhor fez a seguinte afirmação: “O amigo de Lula Roberto Teixeira, sogro do advogado Cristiano Zanin, chamou-o [Alexandrino Alencar] em seu escritório e combinou fazerem notas frias para regularizar despesas”. Essa situação, todavia, jamais existiu e não tem amparo sequer na delação premiada do executivo da Odebrecht, que jamais fez referência a “notas frias”. Isso é criação sua, com evidente intenção de caluniar o advogado Roberto Teixeira, ex-Presidente da OAB/SBC e que tem uma história ilibada de 47 anos de advocacia.

A propósito, se o senhor e a Globo realmente tivessem interesse na delação da Odebrecht, deveriam começar explicando a tal “sociedade secreta” que Emílio Odebrecht afirmou ter mantido com a emissora para influir em decisões de governo na era do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, no tocante à privatização da área de telefonia e petróleo. Houve apenas lobby? Tráfico de influência? Por que a Globo até hoje não se manifestou sobre esses graves fatos apontados por Emílio? Prepotência? Falta de uma versão convincente?

Avalio, Merval, que o senhor jamais conseguirá esconder um outro verdadeiro “segredo de polichinelo” — o mal que a Globo faz ao País e à democracia.

Cristiano Zanin Martins

O triste fim de Ataliba da Silva


Humberto Capellari

Enquanto isso, no coffee break da empresa, os colaboradores conversam sobre os acontecimentos atuais:

- Você viu?
- É. Barbudo si fudeu.
- Lá no Uatzap tá todo mundo compartilhando as matérias.
- Viu a capa do Globo?
- Viu no Twitter do Dória? kkkkkk
- Dória manda bem!
- O cabeça chata se afundou de vez agora.
- Paraíba Lulladrão!
- Pensou que mandar destruir as provas ia funcionar.
- Mas o Moro acabou com a panca dele.
- E a conversa dos advogados?
- E a petralhada no Face e no tuister? "Se não tem prova..."
- Claro que não tem. Mandou destruir.
- Se fudeu aí.
- Lógico. A falta de provas É A PROVA.

Ataliba era o mais mordaz e animado naquela roda.

Nisso, entra o supervisor:

- Ataliba, vai na sala do Seu Nilo. Eles querem falar com você.
- Deve ser sobre o aumento que solicitei. Acho que reconheceram meu mérito.
- Vai lá, Ataliba!

( ... )

- Entre, Ataliba.
- Licença. Boa tarde, todos!

Até o gerente-geral estava presente. Ele só aparece quando o assunto é sério.
"Acho que além do aumento, vai rolar premiação e bônus...", pensa Ataliba.

- Ataliba, o que o traz aqui é o seguinte...
- Pois não, seu Nilo.
- Há meses estamos fazendo uma sindicância interna.
- Sério? Não sabia.
- Era sigilo, Ataliba.
- Então...?
- Então que descobrimos um grande esquema de desvios dentro da companhia.
- Hum...
- E foi aí que chegamos a...você.
- O QUÊ????!!!!
- Nós enquadramos todo o departamento B e eles contaram que era VOCÊ o cabeça do esquema. Que eles eram peixe pequeno e seguiam ordens suas.
- COMO ASSIM?? QUE ESQUEMA?? QUE CABEÇA???
- Disseram que você era o "chefão"...
- COMO? QUEM...? QUEM DISSE???
- Tem um lá que tá nos ajudando nisso. Ele tá contando tudo. O organograma. As contas secretas.
- Quem é esse cara?
- Não importa.
- Como "não importa"? Importa sim.
- A casa caiu, Ataliba. Dê uma ajuda a si mesmo. Conte tudo. A gente pode estudar uma forma de te ajudar.
- Que esquema? Não tem esquema nenhum.
- Acabou, Ataliba.
- Eu não posso me defender? Que justiça é essa?
- A Justiça agora é com eles lá. Com os tribunais.
- Mas... vão acreditar na palavra desse cara? Que provas ele tem contra mim?
- Ele previu que você diria isso. E contou que, sob sua orientação, todos deviam apagar os rastros e destruir as provas.
- Mas que maluquice é essa? Se não tem provas, como me implicam nesse tal esquema?
- A falta de provas é a PROVA da engenhosidade do plano.
- Você achou que tinha bolado o crime perfeito.
- Que crime? Cadê as provas.
- Você mandou destruir, Ataliba.
- Oras, eu vou embora daqui! Não vou ficar escutando isso.

Abriu a porta e havia quatro policiais o aguardando.

Hoje ele cumpre pena de quarenta anos num presídio barra-pesada.

Os outros integrantes do esquema pegaram penas leves. A empresa os ajudou e até reintegrou alguns deles.

Quem manda ser ladrão, Ataliba?

A desonestidade da mídia seria patética se não fosse tão séria

Ana Lagoa

Seria apenas ridículo, apenas patético, se não fosse tão sério.

Então arrumaram uma explicação pra falta de provas: Lula (nunca nos esqueçamos dos convictos do power point), o "grande capo" da "propinocracia", mandou destruir as provas.

E assim podemos pô-lo a ferros, afinal como duvidar da palavra do delator? Político não é tudo safado mesmo, não é isso que está arraigado na crença de todo mundo?

É a mesma lógica do power point: se o apartamento e o sitio não estão em nome dele, é porque evidentemente é dele! Ele só não botou no próprio nome pra despistar.

Eu ia dizer que tudo isso ofende há muito tempo a inteligência das pessoas, mas é claro que, pra ser ofendido, é preciso ser inteligente.

O grave é ver gente de esquerda contribuindo com a estratégia da direita que a mídia comanda.

É impressionante o que tem de gente entrando na onda de que, ah, depois das delações Lula vai despencar.

Acho que nem os comandantes desse noticiário tosco imaginaram tanto sucesso.

FALÁCIAS E IGNOMÍNIAS DO DIA

- o delator da vez diz que não há provas contra Lula porque ele mandou destruir as provas. FÁCIL, ASSIM, NÉ?

- NA EDIÇÃO de texto do VT sobre as pesquisas de opinião, mais um lance de ginástica aeróbica.

Não deu pra anotar, mas imaginem inversão de frases e de categoria das perguntas e resume assim:

- Lula vai bem, mas isso tudo foi antes das denúncias da dupla de "super-heróis" da construtora. (ver no site da BN, deve estar lá).

- Seguem nas mentiras sobre as manifestações na Venezuela

- e tome de usurpador... overdose.

MAS NA HORA DO ATENTADO EM PARIS, o âncora torce pelos dois policiais atingidos.

Pungente! emocionei...

Se fosse hoje...


As tatuagens do mundo do crime



Uma imprensa de merda

TÁBUA DE SALVAÇÃO 

Você sabe que vive em um País com uma imprensa de merda quando jornalistas, colunistas, comentaristas e puxa-sacos em geral gastam toda energia de suas vidas miseráveis se agarrando à delação requentada de um pobre diabo que para incriminar Lula alega que as provas contra ele foram destruídas.

Leandro Fortes


O dossiê Bolsonaro

Delação premiada foi responsável pela morte de Tiradentes


Delação premiada foi responsável pela morte de Tiradentes, há 223 anos

2 de maio de 2015


223 anos após a sua morte, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, voltou a ser notícia nos últimos dias — e não por causa do trânsito na saída de São Paulo durante do feriado em sua homenagem (21 de abril). No último Dia de Tiradentes, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro revisou a história e encenou um novo julgamento de Tiradentes, interpretado na ocasião pelo ator Milton Gonçalves. O advogado Técio Lins e Silva, que defendeu o mártir da independência alegou que seu cliente só confessou a participação na Inconfidência Mineira sob tortura. Considerando que esta prova era ilícita, o desembargador Claudio dell’Orto absolveu o ex-dentista e alferes e o “desenforcou”.

Além disso, na Semana da Inconfidência, a Imprensa Oficial de Minas Gerais publicou na internet todos os documentos dos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, o processo que resultou na condenação à morte de Tiradentes.  

Mas há outra razão para trazer o inconfidente de volta à tona. Em tempos de operação "lava jato", em que depoimentos feitos em delações premiadas estampam jornais diariamente, vale lembrar que Tiradentes foi possivelmente vítima da primeira “dedurada” legalmente recompensada na história do Brasil, feita pelo coronel Joaquim Silvério dos Reis.

Cabeças vão rolar

No final do século 18, os mineiros estavam descontentes com a Coroa Portuguesa. Em 1785, a rainha d. Maria I proibiu que fossem produzidos na colônia manufaturas de ouro, prata, seda, algodão, linho e lã. Quatro anos depois, a metrópole resolveu compensar a queda na arrecadação — resultado do declínio econômico de Minas Gerais — instituindo uma forma mais eficiente de recolher o Quinto, imposto que garantia aos portugueses 20% de todo minério extraído até o teto de cem arrobas anuais (1,5 tonelada). Conhecida como “derrama”, a prática consistia em confiscar bens e objetos de ouro para garantir que a meta tributária não seria descumprida.


Essas medidas inflamaram a elite da época. Inspirados pela independência dos Estados Unidos da América e pelo movimento intelectual que culminaria na Revolução Francesa, um grupo de bacharéis, militares, comerciantes e fazendeiros passou a se reunir rotineiramente nas casas dos poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, que também era desembargador e foi apontado como o líder do movimento. A principal ideia deles era se livrar do domínio lusitano e tornar Minas Gerais um país independente, que seria organizado sob a forma de república.

Quando soube do movimento, Silvério dos Reis vislumbrou uma oportunidade de obter os benefícios do parágrafo 11 do Título VI das Ordenações Filipinas (lei vigente na metrópole e em todas as colônias na época) e se livrar das pesadas dívidas que possuía junto à Coroa Portuguesa. De acordo com o livro O Processo de Tiradentes, escrito pelos advogados Ricardo Tosto e Paulo Guilherme Mendonça Lopes e editado pela ConJur, o dispositivo “previa não só o perdão, mas também favores do Reino para quem primeiro delatasse a existência de atos de crime de Lesa Majestade”. Este delito, tipificado no Título VI da mesma norma, era aplicado em caso de “traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu real Estado”.

Visando à sua redenção, Silvério dos Reis resolveu abrir o bico – mas por livre e espontânea vontade, e não devido à coação de uma prisão preventiva. Ele então procurou o visconde de Barbacena e governador da Capitania de Minas Gerais na época, Luís Antônio Furtado de Mendonça, e contou tudo o que sabia. Depois de um mês, o nobre pediu que o dedo-duro formalizasse a denúncia por escrito, para que ela fosse enviada ao vice-rei, D. Luis de Vasconcelos.

Na carta, Silvério dos Reis relatou que, certa vez, fora convidado a participar da conjuração pelo sargento-mor Luís Vaz. Este, segundo o delator, contara que Tomás Antônio Gonzaga liderava um grupo que iria mandar mais de 460 “pés-rapados”, “que haviam de vir armados de espingardas e facões, e que não haviam de vir juntos para não causar desconfiança; e que estivessem dispersos, porém perto da Vila Rica, e prontos à primeira voz”.

Prontos para quê? Para fazer cabeças rolarem. E “a primeira cabeça que se havia de cortar era a de V. Excia. [visconde de Barbacena] e depois, pegando-lhe pelos cabelos, se havia de fazer uma fala ao povo que já estava escrita pelo dito Gonzaga; e para sossegar o dito povo se havia levantar os tributos”. E o suposto massacre não terminaria aí: os conjurados também decapitariam o ouvidor de Vila Rica, Pedro José de Araújo, o escrivão da Junta, Carlos José da Silva e o ajudante de Ordens Antônio Xavier – e talvez o intendente – “porque estes haviam de seguir o partido de V. Excia. [visconde de Barbacena]”.

Conforme contou Silvério dos Reis, os inconfidentes o convidaram para participar do levante por saberem que ele devia dinheiro para a Coroa Portuguesa. Porém, logo deixaram claro que, se ele divulgasse os planos deles às autoridades, seria assassinado.

O vigário da Vila de São José, Carlos Correia, disse ao delator que, para a conjuração, “trabalhava fortemente o alferes pago Joaquim José”, o qual já tinha vários seguidores nessa cidade e planejava angariar mais sujeitos no Rio de Janeiro, “pois o seu intento era também cortar a cabeça do Senhor Vice-Rei”. O relato do padre foi posteriormente confirmado por Silvério dos Reis quando ele encontrou Tiradentes, que lhe “fez certo o seu intento e do ânimo que levava”.

Após ler a denúncia, o vice-rei determinou a abertura da devassa – uma mistura de inquérito criminal e processo judicial – para apuração dos fatos e julgamento dos culpados. Ao final, os juízes da Alçada culparam todos os inconfidentes pelo crime de Lesa Majestade.

No entanto, só Tiradentes foi condenado à morte. Uns dizem que foi por ele ser o único réu confesso. Outros, por ser o mais pobre dos acusados. Controvérsias à parte, o fato é que a rainha d. Maria I converteu a pena dos demais conjurados em exílio para a África.

Em 21 de abril de 1792, Tiradentes foi enforcado em praça pública no Rio de Janeiro. Depois de morto, seu corpo foi esquartejado.

Delação a peso de ouro

Atualmente, o delator que colaborar com as investigações e tiver comprovadas as informações que prestou pode ter a pena reduzida em dois terços, substituída por penas restritivas de direitos, como prestação de serviços à comunidade, ou até receber perdão judicial.


Contudo, no Brasil Colônia, dedurar criminosos valia (ainda) mais a pena. Por ter denunciado os agitadores da Inconfidência Mineira, Silvério dos Reis recebeu, em Lisboa, o foro de fidalgo da Casa Real e o hábito da Ordem de Cristo. Além disso, suas dívidas com a Coroa Portuguesa teriam sido perdoadas, e ele teria recebido ouro, uma mansão e o cargo público de tesoureiro da bula de Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro.

A partir daí, Silvério dos Reis adicionou “Joaquim” a seu nome e se mudou para Campos dos Goytacazes, que fazia parte da Capitania de São Tomé e hoje integra o estado do Rio de Janeiro. Lá, o novo-rico, junto com seu sogro, passou a cobrar foros indevidos dos locais e expulsar das terras os que não aceitavam a extorsão, de acordo com o livro O Processo de Tiradentes.

Empolgado pelas recompensas que recebeu por denunciar os conjurados, mas querendo ganhar mais prêmios da metrópole, Silvério dos Reis planejou uma nova delação premiada, dessa vez contra o alferes Joaquim Vicente dos Reis, que combatia as arbitrariedades dele e de seu sogro na região. Como não havia crime a denunciar, o chantagista inventou uma denúncia e acusou o militar ter aberto duas cartas lacradas endereçadas ao vice-rei. Para corroborar sua tese, ele apresentou duas testemunhas, com quem havia previamente combinado o teor de seu depoimento.

Porém, uma dela falou mais do que devia, gerando contradição com o depoimento de Silvério dos Reis. Por essa razão, a devassa foi arquivada, sepultando seu plano de obter mais recompensas. Pior ainda: os moradores de Campos dos Goytacazes denunciaram à Coroa Portuguesa os abusos de Silvério Reis e seu sogro. Embora o processo não tenha sido concluído, a ofensiva dos locais acabou forçando o delator dos inconfidentes a se mudar para a Baixada Fluminense.

Silvério dos Reis morreu em 1819, no Maranhão, não tão rico quanto gostaria, mas certamente com melhores condições de vida do que as que tinha antes de delatar Tiradentes e os demais líderes da Inconfidência Mineira.

Sérgio Rodas é repórter da revista Consultor Jurídico.

Jornalismo de guerra parte para o tudo ou nada contra Lula


Luis Felipe Miguel

Dá até preguiça comentar as manchetes dos jornais de hoje. "Lula pediu destruição de provas, diz sócio da OAS", na Folha. O Globo apresenta um bombástico "Se tiver, destrua", em letras garrafais, seguido de "Sócio da OAS revela que Lula o instruiu a dar fim a provas de pagamento de propina ao PT". O verbo mostra que O Globo não tem sequer o cuidado da Folha e já incorpora a versão de Pinheiro na hora: ele não "diz", ele "revela". O Estadão investe em outra linha e destaca, do mesmo depoimento, também em letras enormes: "Triplex era do Lula".

A denúncia foi feita, precisa ser apurada. Mas cumpre lembrar que é a palavra de um sujeito condenado a 39 anos de prisão que está alterando depoimentos anteriores para conseguir um acordo de delação premiada e, portanto, faz o que pode para agradar à Lava Jato. Cumpre lembrar também que é só a palavra dele, já que até agora não conseguiram produzir nenhuma evidência material das acusações. Só para não deixar nada de fora, lembremos também que há muitas denúncias mais sólidas sobre outros integrantes da elite política brasileira. Então não resta nenhuma dúvida de que a escolha das manchetes se deve exclusivamente à presença da palavra "Lula".

Se a perfeição existisse, Josias de Souza seria um canalha perfeito


Claudio Guedes 

O nome dele? Josias de Souza.

Jornalista? Não.

Agora é assistente de acusação de Sérgio Moro, o juiz de Curitiba.

Diz ele hoje no seu blog e no UOL, 21/04, que Lula destruiu provas de um processo e que por isso deve ser preso, pois destruir provas é crime.

Mas como além de assistente da acusação ele é também conselheiro de juízes, afirma o careca bacana: "Entretanto, se estiver com os miolos no lugar, Moro perceberá que há um limite depois do qual o rigor deixa de ser uma virtude na rotina de um magistrado. No momento, é desnecessária e arriscada a detenção de Lula ..."

Em nenhum momento do seu artigo ele levanta a suspeita óbvia: por que o delator preso há dois anos, já condenado a 39 anos de cadeia e preso de novo, e que busca desesperadamente um acordo que o livre da cana, não estaria fazendo o jogo dos procuradores e do juiz que querem porque querem pegar o ex-presidente?

É esse o jornalismo que temos hoje no país.

Jornalista? Ou um escroque?

Não é um jornalista, apenas mais um puxa-saco, mais um linchador de plantão.

Ah! a foto que ilustra o artigo é um Moro, em quase close, com a mão no queixo e ar de pensador.

Se a perfeição existisse, eu diria: taí um canalha perfeito esse pseudojornalista.
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